terça-feira, 9 de setembro de 2014

Jesus pergunta a Sta Teresa: "Sabes o que é amar-me de verdade?"


Certa vez enquanto fazia oração, senti-me invadida por uma felicidade muito íntima. Todavia considerando-me indigna de tal favor, comecei a pensar que merecia, com maior razão, estar naquele lugar que me estava destinado no inferno. O modo pelo qual nele me vi nunca me sai da memória. Com esta consideração, minha alma começou a inflamar-se mais. Sobreveio-me um arrebatamento de espírito que não sei descrever. Parecia-me estar imersa e repleta daquela majestade que já de outras vezes tenho entendido.

Nessa majestade compreendi uma verdade que é a plenitude de todas as verdades. Não sei dizer como, porque nada vi. Disseram-me - não sei quem, mas bem entendi ser a mesma Verdade: "Não é pouco isto que faço por ti: é uma das maiores graças de que me és devedora. Todo dano que vem ao mundo é porque os homens não conhecem com clareza as verdades da Escritura, da qual nem um til se deixará de cumprir."

Veio-me ao pensamento que sempre o havia crido e que todos os fiéis o crêem. O Senhor voltou a dizer-me: "Filha, quão poucos me amam verdadeiramente. Se me amassem, não lhes encobriria meus segredos. Sabes o que é amar-me de verdade? É compreender que tudo quanto não me agrada é mentira. Claramente verás isto, pelo fruto que sentirás em tua alma e que agora não entendes?"

Assim tem acontecido, Deus seja louvado! Desde então tudo que vejo não ir endereçado ao serviço de Deus, de tal modo me parece vaidade e mentira, que não saberia exprimir até que ponto o entendo. Que lástima sinto pelos que vivem em trevas acerca desta verdade!

Sta Teresa D'Avila, Livro da vida, Cap. 40, n.1-2.

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