segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O que é ser tradicional?

Remover a tradição é remover o Senhor do centro da Igreja e de nossas vidas. É colocar o homem no centro, com suas ocorrências


Tarde Vos amei beleza infinita,
tarde Vos amei Beleza sempre antiga e sempre nova.

Santo Agostinho

Ser tradicional é amar a Deus e a Santa Igreja

Pe. Juan Manuel Rodriguez de la Rosa – Adelante la Fe | Tradução Sensus fidei: Queridos irmãos, ser tradicional é amar a Deus, é amar a nossa Santa Madre Igreja; é cumprir o que determina a tradição. Não é tradicional somente o que o diz em palavras, mas aquele que, de coração, segue e cumpre os mandamentos do Senhor. Não é só o que assiste a Santa Missa tradicional, mas o que faz da Missa toda a sua vidaAquele que vive a Missa. Não é tradicional aquele que, depois da Santa Missa ofende o Senhor. É o que se levanta pela manhã e pensa na Missa, e durante todo o dia permanece nela pensando.
Não é tradicional o que se senta na igreja para que o vejam, mas aquele que se recolhe em oração; não é o que ostenta suas qualidades naturais ou situação econômica, mas o que gosta de passar despercebido.
Ser tradicional é não querer pecar, é odiar o pecado, é não querer ofender a Deus, no mínimo que seja. É desejar estar em contínuo estado de graça. É o que distingue o bem do mal. É o que julga com retidão e caridade. É o que quer estar no Calvário, aos pés da Santa Cruz. Aquele que traz o Senhor tatuado em sua alma.
Ser tradicional é ser generoso com a Santa Igreja, o que a considera parte sua e, portanto, contribui para a sua manutenção. O que é generoso financeiramente com ela, porque a considera sua Mãe e contribui com gosto para a sua manutenção, mesmo renunciando coisas justas.

Ser tradicional é ser João

Ser tradicional é ser João, que estava com o Senhor na Santa Ceia e no Calvário. Ser tradicional é ser João. Esta é a definição de tradicional. É João, que cumpria o que lhe ordenava o Senhor. João, modelo de amor para com a Santíssima Virgem: eis a tua mãe.
Ser tradicional é ser como os Apóstolos. Eles eram tradicionais porque seguiram o que ordenou o Senhor, apesar de suas próprias e grandes imperfeições. Todos foram tradicionais porque fizeram o que o Senhor lhes ordenara: Fazei isto em memória de mim. Obedeciam ao Senhor até mesmo quando isso muito lhes custasse. Apenas contemplando os Apóstolos temos tudo o que é necessário para saber o que é ser tradicional.
Eles deixaram tudo para seguir o Mestre. Nós deixamos tudo para assistir à Santa Missa? Quantas vezes vagueamos, desculpamo-nos para não ir. Na Santa Missa o Senhor se oferece, dá-se no Calvário. É na Santa Missa tradicional onde se aprofunda o mistério da Sagrada Paixão e se tem uma maior memória dos santos e dos mártires.

Ser tradicional é beber o cálice do Senhor

Ser tradicional é ser capaz de beber o cálice do Senhor. Isso implica unir-nos a Ele, sofrer por Ele e com Ele. Beber o cálice do Senhor é enfrentar o mundo, como fizeram os Apóstolos, como fez São Paulo, que, mesmo sem ter tocado o Senhor, tinha uma força incrível. Ele lutou contra todas as probabilidades, mesmo não estando aos pés da Cruz tocando os pés do Senhor. Mas via-O porque estava Nele. Nada, nem ninguém o deteve. É o exemplo de luta e tenacidade.

Ser tradicional é ser católico

Grande é a penetração do mundo no seio da Santa Igreja. A falsa abertura da Igreja a levou para uma assimilação da vida do mundo sem que antes fosse purificada. Vive-se na Igreja a moda do mundo, aceita-se o transitório em contraposição ao que é perene e que envolve a tradição. Rejeita-se a palavra tradição como oposta à igreja atual, e por conseguinte, como contrária à transitória. Vê-se a moda do mundo como o que é vivo e presente, e a tradição da Igreja como ultrapassada e imóvel. Mas a tradição está realmente viva, porque é o que nos identifica em nossa fé comum, que não muda, confirma-nos os ensinamentos recebidos como verdadeira salvação para a alma. A transitoriedade do mundo é oposta à preocupação com a alma e sua salvação.
Ser católico é ser tradicional. Sem tradição não há Igreja. A Tradição não é em absoluto uma estrutura antiga, ela é o que Senhor quis que fosse. Tomemos um exemplo com a arte. Os que desprezam a tradição são como aqueles que queriam esvaziar o Museu do Prado de Madri de todas as obras de arte antigas, e preenchê-lo somente com obras de arte contemporânea.
Muitos queriam remover o Tabernáculo e colocar uma imagem de Buda no lugar. Faz-se meditação budista em muitas paróquias e em não menos congregações religiosas. Remover o antigo é retirar o Senhor.

Ensinamento tradicional

Pretende-se fazer crer que o ensinamento tradicional seja algo do passado, que não mais se encaixa no presente. O ensinamento não pode ser alterado. Não se pode mudar os sacramentos. Não se pode mudar a maneira de recebê-los. A Igreja Católica não é uma Igreja a mais, ela é a Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo. Não se pode mudar os sacramentos, não se pode mudar o Santo Sacrifício da Missa para transformá-lo em uma ceia ou uma reunião comemorativa.
Os jovens querem mudar tudo, não ouvem os conselhos dos mais velhos. Mas quando se chega a uma certa idade, percebe-se que os pais estavam certos naqueles sábios conselhos que davam aos seus filhos, frutos da própria experiência, dos próprios erros que não querem ver seus filhos cometerem. A Igreja, ao que parece, está em sua juventude, ele quer mudar tudo. Até que se dê conta de que a tradição é o verdadeiro.

Beleza sempre antiga e sempre nova

Esta é a chave. O Senhor está sempre na moda. Remover a tradição é remover o Senhor do centro da Igreja e de nossas vidas. É colocar o homem no centro, com suas ocorrências. Despreza-se o que foi recebido, confirmado pela tradição e provado no seu valor ao longo dos séculos, e, em seu lugar, acolhe-se com alvoroço a novidade corrente do homem. Olha-se com indiferença para o perene e acolhe-se o duvidoso, simplesmente por isso, por ser novidade.
A tradição da Igreja, sempre antiga e sempre nova.
Ave Maria Puríssima.
Pe. Juan Manuel Rodriguez de la Rosa

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