terça-feira, 16 de junho de 2026

São Poemen: aprendeu a guardar o coração antes de julgar o próximo

 




São Poemen, cujo nome significa “pastor”, nasceu por volta de 340 d.C., foi um dos mais importantes mestres espirituais entre os monges do deserto do Egito. Viveu na região de Scetis, em meio a uma comunidade de monges dedicados à oração, ao silêncio e à luta interior. Após a destruição de Scetis por invasores, Poemen e seus irmãos foram obrigados a deixar o lugar, passando a viver como peregrinos.
Apesar das dificuldades externas, sua vida permaneceu centrada na busca de Deus. Diferente de outros Padres mais rigorosos em penitências exteriores, Poemen destacou-se por sua sabedoria equilibrada e profunda compreensão da fragilidade humana. Segundo os relatos preservados no (Apophthegmata Patrum), muitos monges vinham procurá-lo em busca de orientação espiritual. Certa vez, um irmão perguntou-lhe o que deveria fazer ao ver o pecado de outro.
Poemen respondeu:
“Se vires o pecado do teu irmão, cobre-o. E Deus cobrirá o teu.” — (Apophthegmata Patrum)
Ou seja, para Poemen o necessário é: tratar o pecado do outro como desejas que Deus trate o teu. Pois, o próprio Senhor Jesus Cristo disse:
"Com a medida com que medirdes, sereis medidos” (cf. Mt 7,2)
Para os Padres do Deserto, isso não exclui correção fraterna quando necessária com devida caridade para com o próximo. Mas, nos recorda que a forma como tratamos a fraqueza dos outros influencia como Deus tratará a nossa. Para São Poemen, o maior perigo não era o pecado do outro em si para nossa caminhada espiritual, era o orgulho escondido de quem os observa.
Em outra ocasião, ele disse:
“Não dês ouvidos aos defeitos dos outros, mas guarda teu coração.” — (Apophthegmata Patrum)
Seus ensinamentos eram voltados para a vigilância interior. Ele compreendia que o julgamento do próximo frequentemente nasce do orgulho escondido e faz-nos compararmos em sentirmos superiores ao próximo. Pois, para São Poemen vale recordarmos esta sentença do próprio Senhor Jesus Cristo:
“Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho?
Ou como dirás a teu irmão: ‘Deixa-me tirar o cisco do teu olho’, quando tens uma trave no teu?
Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão.”— (cf. Evangelho de Mateus, 3–5)
Assim, Cristo nos ensina que devemos corrigir primeiro a nós mesmos, antes de julgar os outros.
O “cisco” representa os pequenos erros alheios, enquanto a “trave” simboliza nossas faltas maiores que muitas das vezes ignoramos.
Com efeito...
Para Poemen, a verdadeira luta espiritual está em purificar o próprio coração. Pois, como ele dizia:
“O homem que ensina deve primeiro curar a si mesmo.”
Outro ensinamento marcante que mostra sua sabedoria prática foi: Um monge lhe perguntou como deveria viver. Poemen respondeu:
“Fica na tua cela, e tua cela te ensinará tudo.” — (Apophthegmata Patrum)
Essa frase tornou-se um dos pilares da espiritualidade monástica. A “cela” não era apenas um lugar físico, mas o símbolo do recolhimento e reconhecimento interior. Era ali, no silêncio e na perseverança, que o monge enfrentava a si mesmo. Apesar de sua autoridade espiritual, Poemen evitava qualquer forma de dureza excessiva. Sabia adaptar seus conselhos conforme a fraqueza de cada um.
E dizia:
“Ensina teu coração a fazer o bem, e não a exigir perfeição imediata.” — (Apophthegmata Patrum)
Para São Poemen a santidade é um processo de aprendizado interior. Em vez de nos preocuparmos apenas em exigirmos perfeição imediata, devemos formar o coração com pequenas escolhas constantes pelo bem. Lembremos que Deus vai transformando o coração de quem persevera, mesmo entre quedas.
Assim, a sabedoria de São Poemen, consistia em voltar sempre para dentro de si, onde acontece o verdadeiro combate. Essa é a chave da vida de São Poemen: a santidade começa quando deixamos de olhar para fora e passamos a vigiar o nosso próprio coração.
— Referências:
[Apophthegmata Patrum]
[Historia Monachorum in Aegypto]
[Patrologia Graeca]
[Enciclopédia Católica]
E as almas dos fiéis defuntos pela misericórdia de Deus descansem em paz!
℣. Dai-lhes Senhor, o descanso eterno.
℟. E a luz perpétua os ilumine.
Descansem em paz. Amém.
℣. Senhor, escutai a minha oração,
℟. E chegue até vós o meu clamor.
"Para Cristo,
por Maria e José,
em súplicas pelas
almas do purgatório".
🙏🏾
† Jesus e Maria eu vos amo, salvai almas!

segunda-feira, 15 de junho de 2026

O Amor se consome na Cruz


Quem pôde, alguma vez, levar Deus a morrer condenado em uma cruz no meio de dois criminosos, com tanta vergonha para sua grandeza de Deus?
Quem fez isto? Pergunta São Bernardo.
E responde:
— “Foi o amor, que esqueceu sua dignidade”. — (A Prática do Amor a Jesus Cristo - Santo Afonso Maria de Ligório)
Assim...
“Considera, ó homem, quanto te amou aquele que por ti quis morrer.” — (São Gregório Magno -
Homilias sobre os Evangelhos, Homilia 20)
Como dizia Santo Afonso:
“Jesus Cristo nada fez senão por amor; e tudo o que sofreu foi por amor.”— (A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo)
Pois...
“Cristo na cruz é como um livro aberto, onde podemos ler quanto Deus nos ama.” — (Santa Catarina de Sena - Diálogo da Divina Providência)
E...
“Jamais compreenderemos o amor de Cristo crucificado, enquanto não procurarmos sofrer por Ele.” — (Santa Teresa de Ávila - Caminho de Perfeição, síntese fiel do ensinamento)
"O amor prova-se mais nas obras do que nas palavras.” — (Santo Inácio de Loyola - Exercícios Espirituais)
Com razão devemos dizer sempre:
“Ó caridade incompreensível! Para resgatar o escravo, entregaste o Filho.” — Santo Agostinho
(Sermão 130, sobre a Paixão do Senhor)
“Ó meu Senhor crucificado, quanto mais Vos contemplo, mais Vos amo.” — Santa Gemma Galgani - Diário espiritual)
E as almas dos fiéis defuntos pela misericórdia de Deus descansem em paz!
℣. Dai-lhes Senhor, o descanso eterno.
℟. E a luz perpétua os ilumine.
Descansem em paz. Amém.
℣. Senhor, escutai a minha oração,
℟. E chegue até vós o meu clamor.
"Para Cristo,
por Maria e José,
em súplicas pelas
almas do purgatório".
🙏🏾
† Jesus e Maria eu vos amo, salvai almas!


 

Santa Gertrudes e Santa Teresa e a visão da oração

 


Nas revelações de Gertrudes de Helfta, encontra-se uma visão que teve acerca da oração feita com negligência e às que se elevavam até Deus.
Estando em oração, viu como as preces de algumas almas se elevavam até Deus com grande beleza, enquanto outras mal se levantavam da terra, caindo de volta sem força. Ao mesmo tempo, foi-lhe dado a compreender o significado dessa visão:
As orações que subiam com clareza e vigor eram aquelas feitas com devoção e atenção interior; as que se elevavam com dificuldade representavam as almas tíbias (frias no amor), que rezavam com pouca aplicação; e aquelas que não se elevavam indicavam as orações feitas com negligência, distração voluntária e sem amor.
Com razão Santa Teresa D'Ávila em uma visão disse uma vez também:
"Vi almas que rezavam sem atenção e sem devoção. Suas orações não passavam do teto, mas caíam de volta sobre elas, sem fruto algum.” — (Teresa de Ávila, Caminho de Perfeição, cap. 31)
E assim...
Meditemos um pouco sobre a nossa oração:
Como está a minha caminhada de oração?
Às minhas orações se elevam a Deus com amor ou caem por falta de atenção e frieza?
Busco estar consciente de que estou diante de Deus quando rezo?
Quantas vezes nossos lábios apenas se movem, mas o coração está pensando na morte da bezerra?
Luto contra as distrações ou me entrego a elas com facilidade?
Até mesmo a distração involuntária na oração, ou seja, aquelas em que sem você queira, quando é humildemente combatida por nós durante a oração, pode se transformar em mérito diante de Deus. E há ainda um modo simples de santificá-la: quando, no meio das nossas orações, surgirem em nossa mente a lembrança de alguma pessoa ou situação, não a rejeite com inquietação, stress e irritação. Antes, eleve por ela uma breve súplica. Assim, aquilo que seria distração torna-se caridade, aquilo que parecia transformar-se em distração, torna-se caminho de intercessão e de oração, oferecendo a Deus, orações por aquela pessoa que muitas das vezes precisa de muitas das nossas orações.
E assim. . .
O que posso mudar hoje para que minha oração seja mais viva, atenta e amorosa para com o Senhor?
— Referencias:
[Legatus Divinae Pietatis (O Arauto do Amor Divino), Livro III]
[Teresa de Ávila, (Caminho de Perfeição, cap. 31)]
E as almas dos fiéis defuntos pela misericórdia de Deus descansem em paz!
℣. Dai-lhes Senhor, o descanso eterno.
℟. E a luz perpétua os ilumine.
Descansem em paz. Amém.
℣. Senhor, escutai a minha oração,
℟. E chegue até vós o meu clamor.
"Para Cristo,
por Maria e José,
em súplicas pelas
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🙏🏾
† Jesus e Maria eu vos amo, salvai almas!

 Fonte: https://www.facebook.com/ApostoliPurgatoriorum

O dia que o Senhor Jesus supriu a fraqueza de Santa Gertrudes

 



Esse relato de Santa Gertrudes abaixo toca na nossa experiência humana: do desânimo diante das próprias limitações na vida espiritual. Muitas pessoas, ao rezar, participar da missa ou tentar meditar, percebem cansaço, às vezes falta de fervor ou distrações não por vontade própria e concluem que sua oração não tem valor. E às vezes imaginamos que rezar bem significa sentir fervor, consolação ou profunda concentração. A santa vive exatamente esse momento. Por isso, quando percebermos distrações na oração, falta de fervor, não devemos desanimar.
Ocorreu com Santa Gertrudes o seguinte: um dia em que a Santa, estando no coro da Igreja, se dispunha a cantar à Missa, não conseguiu, por humana fraqueza, concentrar a sua atenção. E Desanimada disse consigo mesmo:
— Para que me serve rezar tão distraidamente?
— Mais vale não continuar.
E dispunha-se a retirar-se, quando o Próprio Senhor Jesus lhe apareceu; trazia nas mãos o Seu Coração e disse-lhe:
— Aqui tens o meu Coração que ponho ao teu serviço, para que lhe mandes executar tudo quanto as tuas forças te não permitem realizar. Dessa maneira nada poderás ter de repreensível aos meus olhos.
Santa Gertrudes admirada, parecia-lhe impossível, à Santa, que tão sublime Coração quisesse suprir à sua incapacidade; mas Jesus expôs-lhe a seguinte comparação:
«Se tivesses uma voz e experimentasses grande prazer em cantar, não te pareceria mal que alguma das tuas companheiras, com voz inferior à tua, se quisesse antepor (colocar-se a frente) a ti? Assim do mesmo modo o Meu divino Coração deseja ardentemente que descarregues nEle todos os deveres de que não podes desempenhar-te convenientemente»
Que excelente lição!
Assim como alguém que possui uma bela voz gostaria de cantar em favor de quem canta menos, o Sagrado Coração de Jesus deseja completar aquilo que não conseguimos realizar dignamente. Ele não nos humilha por nossas limitações; Ele nos convida a colocá-las em Seu Sagrado Coração.
Não sentis favor ardente, mas cansaço na devoção? Dizei a Jesus:
«Senhor, eu Vos ofereço as minhas fragilidades. Onde falta meu amor, colocai o Vosso. Onde falta minha atenção e fervor, supram Vossa misericórdia e Vosso Divino Coração.»
Que esta piedosa súplica não impeça porém de recorrer a outros meios que Santa Igreja dispõe.
Lembremos, pois...
Que não é a nossa perfeição que sustenta a vida espiritual, mas a confiança perseverante que depositamos no Coração de Jesus. O perigo não está em sermos fracos, mas em desistirmos por causa da nossa fraqueza. Quem persevera humildemente, mesmo entre fraquezas, quedas e infelicidades, mas se ergue com a Graça, jamais estará sozinho; É Jesus unindo o mais pobre que somos, em o mais Ricos que podemos sermos com Ele. O que mais agrada a Deus não é a perfeição das nossas capacidades, mas a humildade de reconhecer nossa pobreza e confiar n'Ele.
— Referência:
[E.D.M, Padre Paul Henry O’Sullivan. As Maravilhas da Santa Missa. Lisboa, 1925, p. 71-83]
E as almas dos fiéis defuntos pela misericórdia de Deus descansem em paz!
℣. Dai-lhes Senhor, o descanso eterno.
℟. E a luz perpétua os ilumine.
Descansem em paz. Amém.
℣. Senhor, escutai a minha oração,
℟. E chegue até vós o meu clamor.
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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Santa Margarida Maria Alacoque e o ensinamento do Senhor a humildade da alma que se esconde no próprio nada

 


Dizia o Sagrado Coração à sua serva Santa Margarida Maria:
— Quero saber, minha filha, por que me perguntas a razão das minhas visitas, descendo até junto de ti?
Ela respondeu:
— Vós sabeis, meu Senhor, que não sou digna.
Disse o Senhor:
— Aprende isto, minha filha, respondeu Jesus:
Quanto mais te esconderes no teu nada, tanto mais a minha grandeza te irá procurar.¹
Peçamos a Deus a virtude da humildade, pois é o desprezo de si até o amor de Deus. Enquanto o orgulho é o amor de si mesmo até o desprezo de Deus no expressivo dizer de Santo Agostinho.²
Pois...
Quanto mais a alma se esconde em sua própria pequenez por via da humildade, mais Deus se aproxima para elevá-la na Sua graça.
— Referências:
(1) - Contemp. – 50
(2) - De civitate Dei — L. XIV — c. 28.
(Brandão, Ascânio. A Humildade. Editora SCJ, 1941)
E as almas dos fiéis defuntos pela misericórdia de Deus descansem em paz!
℣. Dai-lhes Senhor, o descanso eterno.
℟. E a luz perpétua os ilumine.
Descansem em paz. Amém.
℣. Senhor, escutai a minha oração,
℟. E chegue até vós o meu clamor.
"Para Cristo,
por Maria e José,
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