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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Virtudes para uma família cristã

O lar que ignora a oração encaminha-se para o desmoronamento, enquanto o lar que ora, que reza todos dias o Santo Terço, sela com o nome de Deus e a intercessão de Sua Mãe Santíssima, a sua união e garante a sua felicidade



LEITURA MEDITADA
“Irmãos: revesti-vos como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, benignidade, humildade, modéstia e paciência, suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos mutuamente, se alguém tiver queixas contra o outro; assim como o Senhor vos perdoou, perdoai-vos também. Mas sobre tudo isto: tende a caridade que é o vínculo da perfeição; e reine em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos. Habite em vós abundantemente a palavra de Cristo, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando em vossos corações, com a ação da  graça, louvores a Deus. E tudo quanto fizerdes por palavras ou por obra, fazei tudo em nome do Senhor Jesus Cristo, dando graças por Ele a Deus Pai. Mulheres, estai sujeitas a vossos maridos, como convém ao Senhor. Maridos, amai vossas mulheres, e não sejais ásperos para com elas. Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor. Pais, não provoqueis à indignação os vossos filhos, para que se não tornem pusilânimes” (Colossenses, III, 12-21).
Nestas exortações de S. Paulo temos os elementos indispensáveis para a felicidade das nossas famílias. Assim, o Apóstolo, às opiniões do modernismo, destruidor dos mais sagrados vínculos, opõe os preceitos e virtudes criadores de uma felicidade e de uma paz ainda possível neste mundo. Aí está o segredo da paz familiar. Nosso Senhor Jesus Cristo afirmou que os filhos das trevas são mais prudentes nos seus negócios que os filhos da luz nos seus. Só para dar dois exemplos: O comerciante, aos clientes oferece prontamente suas mercadorias, ocultando a sua irritação quando as desprezam e sem ofender-se quando as recusam. Que “misericórdia”; que “paciência”; que “benignidade”; que ‘humildade”; que “perdão das ofensas”; que “que sorrisos de amabilidade!”. O político, a todos acolhe com amabilidade, tolerante com quem o importuna e prestimoso com quem lhe pede auxílio.  O comerciante faz tudo isto como se fosse um santo, mas não: é só para ganhar dinheiro. (Não quero com isto negar que há comerciante santo também). O político parece praticar virtudes heróicas, mas, na verdade, pensa só em conseguir votos, e consequentemente: honra e sobretudo, dinheiro. (Também aqui não pretendo negar que possa existir político santo: é difícil, mas para Deus nada é impossível).
Mas, caríssimos, qual destes motivos compara-se ao grande bem na paz familiar? Dádiva do céu, ela transforma o lar em um vestíbulo do paraíso, as agruras da vida em oásis de bênçãos. A paciência, a humildade, a benignidade, a misericórdia, ensinam aos cônjuges  a arte de se suportarem uns aos outros. Sigam os cônjuges os conselhos de São Paulo supracitados, e as divergências que pareciam separá-los virão a soldar ainda mais o vínculo matrimonial. Saibam os cônjuges perdoar-se mutuamente. Enquanto um momento de silêncio restituirá a bonança; um revide protrairá a tempestade por longos dias e semanas inteiras. Tal como Jesus generosamente perdoou nossos graves crimes, perdoem-se os esposos, com igual generosidade, as discrepâncias de temperamento e de caráter.
A caridade é o liame destinado a unir os fiéis entre si e com Deus. Nesta união consiste toda a perfeição cristã. O amor da paz deveria inspirar todos os sentimentos dos esposos como convém a membros de um só corpo. O lar verdadeiramente cristão deveria estar sempre agradecido a Deus pelos favores d’Ele recebidos. Os ensinamentos e máximas de Nosso Senhor Jesus deveriam ser a bússola em toda a sua conduta e empreendimentos. De um lar cristão são banidas e execradas as máximas do mundo.  “Exortai-vos uns aos outros por meio de salmos, hinos e cânticos espirituais”, insiste o Apóstolo, assim apontando-nos na oração a maior garantia de paz para o lar. A oração é ao mesmo tempo, fonte de onde haurimos as energias necessárias para os momentos trágicos que não faltam na existência de cada indivíduo, como não faltam na vida de toda família. Repudiando os maus conselhos de um mundo colocado no Maligno, busquem os esposos na Santa Religião e no seu Deus o conforto que anima, e da prece fervorosa de um coração que sofre sairá a arma vitoriosa que tudo suporta. “Onde quer que dois ou três se acharem reunidos em meu nome – diz Jesus Cristo – estarei eu no meio deles” (S. Mateus XVIII, 20). Na verdade, nunca um lar se sente mais unido como quando todos os componentes se voltam para Deus repetindo todos a mesma prece divina: “Pai Nosso que estais no céu”. O lar, porém, que ignora a oração encaminha-se para o desmoronamento, enquanto o lar que ora, que reza todos dias o Santo Terço, sela com o nome de Deus e a intercessão de Sua Mãe Santíssima, a sua união e garante a sua felicidade. Seguindo, pois, os conselhos do Apóstolo São Paulo, não será difícil aos nossos lares realizar aquela felicidade que fará das famílias cristãs outros tantos vestíbulos do céu.
Para terminar, lembremos algo sobre a MISERICÓRDIA. O Rei Davi era um homem santo. A própria Bíblia mostra-o para os outros reis, como um modelo de fidelidade a Deus. Mas, num momento de ociosidade e fraqueza cometeu o gravíssimo pecado de adultério e, em consequência o homicídio, outro pecado muito grave. Deus, através do profeta Natan, abriu-lhe os olhos e tocado de sincero arrependimento exclamou: “Pequei”.  Davi chorou a vida toda estes seus graves pecados. Não perdia oportunidade de fazer penitência e escreveu o Salmo 50,Miserere. Eis apenas alguns versículos deste belíssimo salmo de penitência: “Tem piedade de mim, ó Deus, segundo a tua misericórdia; segundo a multidão das tuas clemências, apaga a minha iniquidade” (vers. 1-3); “O meu sacrifício, ó Deus, é um espírito contrito, não desprezarás, ó Deus, um coração contrito e humilhado” (vers. 19).

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Dez boas razões para dizer não à Televisão




1° A televisão certamente é a maior empresa de subversão e de contaminação. Apanha ao homem em seus pontos fracos: seus gostos, sua atração desordenada pela curiosidade e seu incomensurável orgulho. O mundo precipita-se dentro de sua casa, desfila nela durante todo o dia com toda sua violência, seus excessos, suas depravações: é uma verdadeira violação de domicílio. Uma vez apertado o botão de PLAY, se vêem filmes prejudiciais, emissões de “shows de variedades debilitantes”, informações deformadas ou incompletas etc..

 A Família é destruída ou dividida: o ritmo de vida de um lar fica totalmente submetido aos horários das transmissões, às que “não se pode perder”. Tudo se organiza em torno do comando do controle remoto, que usurpa o lugar do Rosário em Família.

3° A compra de uma Televisão, a assinatura de TV a cabo... Tanto dinheiro mal gasto, enquanto há tantas boas obras que necessitam de nossa ajuda.

 “Mas às vezes há bons programas!”. Certamente! Como conseguiriam fazer passar todos os demais horrores, sem estes “bons programas” que estão ali como iscas aos recalcitrantes? Além disso, por algo de bom que se possa ver – mas que não é essencial – quantas outra inúteis, insípidas, amorais e imorais,toleram-se? Quantos horrores?

 Não é conforme as necessidades de nenhuma idade ver um espetáculo todas as noites. O filme de todas as noites é a diversão cotidiana que diminui o gosto pelo esforço.

6° Imaginem todas as noites em sua casa um indivíduo desconhecido que falasse sem parar, que monopolizasse todas as conversações, que impedisse todas as respostas, a quem se aceitasse todas suas proposições sem dizer sequer uma palavra, que fosse o “REI” da noite!. Digam- me se este intruso não é, na realidade a deprimente televisão?

 Ainda se fosse boa, ainda que fosse excelente, a televisão sempre seria um perigo, como um corpo estranho à célula familiar.

 A televisão (graças a seu diretor, o príncipe deste mundo, Satanás), sob as aparências de informação, de abertura ao mundo, de amplitude de espírito, contribui poderosamente para solapar as certezas da Fé, arruinar as convicções cristãs, dissolver as consciências, dissecar os corações, as almas e as inteligências.

 A televisão atrai; pois desde o pecado original ao homem é mais fácil esparramar-se em um sofá, com os pés sobre a mesa de centro, com uma vasilha de guloseimas sobre o ventre e um copo de refrigerante na mão, diante de uma tela de TV, sem fazer nada, ao invés de ler e meditar a vida de Nosso Senhor para imitar-lhe melhor, ou rezar de joelhos o Rosário pedindo pela conversão dos pobres pecadores e a salvação das Almas.

10° Reflitam, Rezem e escutem o que veio dizer-nos Nosso Senhor Jesus Cristo, o verbo encarnado, isto é, o próprio Deus: “Eu sou o caminho, a Verdade e a Vida”; “entrai pela porta estreita, pois larga é a que leva à perdição e são numerosos os que passam por ela”; “quão estreita é a porta e o caminho que leva à Vida,e são poucos aqueles que a encontram” “buscai primeiro o reino de Deus e sua justiça, e o resto se lhe dará por acréscimo”

Vamos Famílias Católicas! Sua televisão é para vomitar! Joguem-na fora! 

REVISTA “IESUS CHRISTUS” N° 89(FSSPX DISTRICTO AMERICA DEL SUR)
Tradução – Ir. Pedro Obl. Sec. O.S.B.

FONTE:

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Orientações para Boa Educação dos Filhos - Por Santo Afonso Maria de Ligório



"É obrigação dos pais vigiar também seus filhos; devem sempre saber onde se acham e com quem andam os filhos. De forma alguma pois, se poderá desculpar aqueles mães que, para verem suas filhas em breve casadas, consentem que sejam visitadas a toda hora por seus namorados que pouco se importam que vivam em estado de pecado ou de graça de Deus. Estas são aquelas mães de que fala David, que sacrificam suas filhas ao demônio por proveitos materiais. ´E imolaram ao demônio seus filhos e suas filhas' (Sl 105, 37). Algumas mães introduzem pessoalmente rapazes em suas casas, para que se entretenham com suas filhas, e, finalmente, emaranhados nas redes do pecado, vêem-se obrigados a contrair casamento com elas. Estas mães infelizes não veem que assim se acorrentam ao inferno com outras tantas cadeias quantos sãos os pecados cometidos nestas ocasiões. (...) Os pais são igualmente obrigados a dar bom exemplo a seus filhos. Estes principalmente quando pequenos, imitam tudo o que veem, com a agravante de seguirem mais facilmente o mal, ao qual nos sentimos inclinados por natureza, que o bem, que contraria nossas inclinações perversas. Como poderão os filhos comportar-se irrepreensivelmente se ouvirem seus pais blasfemar a miúdo, falar mal do próximo, injuriá-lo e desejar-lhe mal, prometer vingar-se, conversar sobre coisas indecentes e defender máximas ímpias, como estas: Deus não é tão severo como dizem os padres; ele é indulgente com certos pecados, etc? O que se tornará a filha que ouve sua mãe dizer: 'É preciso deixar-se ver no mundo e não se enclausurar como uma freira em casa? Que bem se pode esperar dos filhos que veem seu pai o dia inteiro sentado na taberna e, depois chegar bêbado a casa, ou então visitar casas suspeitas, confessando-se uma só vez no ano ou só muito raramente? S. Tomás diz que tais pais, de certo modo, obrigam seus filhos a pecar. Este é um sinal de que se origina a perdição de muitas almas, pois os filhos imitam o mau exemplo dos pais e dão, mais tarde, por sua vez, mau exemplo a seus filhos, e desta maneira pais, netos e gerações inteiras perdem-se miseravelmente.

Muitas vezes queixam-se os pais que os filhos são maus, mas como ser poderá colher uvas de espinhos? pergunta o divino salvador. Como poderão os filhos ser bons, se os pais não prestam? Só por milagre.

Um pai de família que quiser bem governar a sua família deverá, antes de tudo cuidar em afastar o mal de sua casa e em promover o bem. Quanto ao primeiro ponto, atenda ao seguinte: 1) Impeça que os seus filhos convivam com maus companheiros ou criados corruptos, ou que se empreguem em casas de pessoas que não tenham boa fama; 2) Afaste de sua casa todos os criados ou criadas que possam ser ocasião de pecados para seus filhos ou filhas. Um bom pai evita ajustar criadas moças quando tem filho púberes. 3) Não permita em sua casa NENHUM livro que contenha coisas indecentes ou histórias amorosas: tais livros são uma peste para os jovens. Certo rapaz, objeto de admiração e veneração de uma cidade inteira, leu por acaso um livro imoral, e tornou-se tão depravado que, para evitar escândalo público, viu-se o magistrado forçado a desterrá-lo. Um outro jovem, que se esforçava em vão por vencer a virtude de uma moça, conseguiu o seu intento dando-lhe a ler um romance amoroso. - Maior seria ainda a desgraça, se um pai de família permitir em sua casa livros que atacam a fé, e impugnam a Santa Igreja. 4) Retire de sua casa todos os quadros inconvenientes e, particularmente, ou indecentes; 5) Proíba severamente a seus filhos tomar parte em divertimentos que oferecem ocasião de pecado.

Quanto ao segundo ponto, observe o seguinte: 1) Cuide que todos os que lhe são sujeitos peçam a Deus, pela manhã, a graça de não cometerem pecado algum durante o dia e que rezem, nessa intenção três Ave-Marias, pedindo a proteção da Virgem; 2) Cuide que seus filhos se aproximem no tempo conveniente, dos santos sacramentos. Não os obrigue, contudo, a se confessarem e comungarem amiudadas vezes, nem lhes imponha a obrigação de se confessarem com determinado confessor, para se evitarem sacrilégios.

Para que se acostumem a cumprir com o que lhes é rigorosamente prescrito, é muito útil acostumá-los a exercícios de piedade, que não são propriamente de preceito, como a recitação cotidiana do terço e das ladainhas de Nossa Senhora, o exame de consciência, à noite, recitação dos atos de fé, esperança e caridade, visitar o SS. Sacramento, fazer novenas em preparação às festas de Nossa Senhora, praticar pequenas mortificações e privações, como deixar de comer frutas, doces, etc. nos sábados. Não deixe de mandar à Igreja seus filhos, quando há pregações ou exposição do  SS. Sacramento, retiros, ou qualquer outra devoção.

O Espírito Santo diz: "Tens filhos? Instruí-os e dobra-os desde a sua meninice" (Ecle 7,25). S. Luís, rei da França, costumava fazer o sinal da cruz antes de começar qualquer ação. "Isto me ensinou minha mãe, dizia ele, quando era ainda pequeno."

Oxalá que todos os pais incutissem bons costumes a seus filhos; infelizmente cuidam eles mais em procurar para os filhos bens temporais que espirituais e eternos, e, assim perdem uns e outros. 3) Empenhe-se em inculcar a seus filhos máximas cristãs, por exemplo, a necessidade de fugir das más companhias e ocasiões perigosas, a conformidade com a vontade divina, o paciente sofrimento das adversidades da vida, a insignificância das riquezas e prazeres terrestres, etc. Ponha muitas vezes diante de seus olhos a desgraça imensa dos que vivem em pecado mortal e a importância do negócio de nossa salvação. Previna-os contra a vaidade do mundo, lembre-lhes a hora da morte, com a qual tudo se acaba, mostre-lhes a grande importância da devoção a SS. Virgem.

Impressas no espírito ou coração dos filhos estas verdades, começarão a agir conforme elas e acostumar-se-ão a regular cristãmente sua vida.

Santo Afonso de Ligório - Escola de Perfeição Cristã.


domingo, 3 de julho de 2016

O ZELO DE UMA MÃE

Os deveres que expusemos até aqui para a mãe, embora graves e importantes, são bem me­nos graves e importantes do que os de que nos resta a tratar. Até qui efetivamente só nos ocupamos dos cuidados que têm por objeto o corpo e a vida natural da criança, e daqui por diante vamos ocu­par-nos da cultura da sua inteligência e da vida sobrenatural da sua alma.
Divino Salvador, Palavra eterna do Padre, Luz incriada, falai ao ouvido do coração de todas as mães, e iluminai o seu espírito, para que todas compreendam e sintam de que tesouros são depo­sitárias, e quais os cuidados que devem ter, para vo-los conservar. Concedei-lhes essa graça, para que elas, deixando este mundo, possam dizer, com verdade, o que Vós dizíeis a Vosso Pai, na véspera do dia em que derramastes o Vosso sangue pela salvação dos homens: Meu Pai, cumpri a missão que me confiastes: guardei os que me destes, e nem um só de entre eles se perdeu.
Não há nada, debaixo do Céu, que seja comparável à beleza da alma humana. — «O mundo in­teiro, e todos os milhares de tesouros que ele en­cerra, não podem sequer aproximar-se do seu preço» diz S. João Crisóstomo. Suponde uma balança imensa. Colocai num dos seus pratos todas as riquezas da terra, e todas as criaturas privadas de razão, embora fossem transformadas em ouro, e noutro prato colocai uma única alma. Esta alma pesará mais que todas as riquezas amontoadas. É que, segundo o pensa­mento de Santo Tomás, a alma humana é a mais excelente criatura que há na terra; é o ornamento, a beleza do mundo, a obra prima saída das mãos de Deus, e a sua imagem viva [1], a irmã dos anjos, destinada a partilhar da sua glória. Para resgatar as almas, foi necessário o sangue de Jesus Cristo, o sangue de um Deus! Qual não é pois o seu preço?
Eis a razão por que todos os santos têm dedi­cado um generoso amor para com as almas. —«Por elas, exclamava S. Paulo, de boa vontade me entre­garei, me dedicarei todo inteiro.» — «Ó meu Padre, dizia a um religioso, Santa Catarina de Sena, se soubesseis quanto uma alma é bela e qual é a per­feição dessa obra prima, não duvido que, para a ganhardes para Deus, desseis de boa vontade cem vidas, se as tivesseis.» —Santa Madalena de Pazzi, exclamava com todo o ardor do seu zelo: «Oh! se me fosse possível voar às Índias, ou por entre os Turcos, para converter as almas, como todos os tra­balhos e todos os sofrimentos me pareceriam doces!»
Se pois os santos têm tanta dedicação pelas almas, que lhes eram por assim dizer estranhas, qual não deve ser o zelo da mulher cristã, para com a alma de seus próprios filhos! Uma beleza passageira que notais no rosto do vosso filho, ou da vossa filha, ó mãe, faz nascer tanta ternura no vosso coração, e tomais tanto a peito conservar a vossos filhos essa vida que de vós tiveram: de que caridade não deveis ser abrasada, para com as suas almas, de quem a fé vos descobre a excelên­cia? Com que infinito cuidado não devereis preser­vá-las de tudo o que poderia desfigurar a sua so­brenatural beleza, e extinguir nelas a imagem de Deus? O que não deveríeis tentar para as retirardes do medonho perigo duma perda eterna, quando o pecado a tanto as condenasse?
Santo Agostinho teve a infelicidade de esquecer-se de Deus, durante a sua mocidade. Eis o que depois da sua conversão ele próprio escreveu, acerca de sua mãe: «No tempo dos meus erros,[2] ela chorava-me bem mais amargamente, do que outra qualquer chora um filho sepultado. As suas lágri­mas corriam com abundância… e com elas regava a terra por toda a parte, onde erguia para vós as suas preces, ó meu Deus; a todas as horas do dia Vos dirigia súplicas e gemidos, por minha inten­ção… Viu-me partir para Roma, e o seu coração parecia despedaçar-se, seguindo-me até à beira-mar. Obstinava-se em não me deixar, pedindo-me que consentisse me fizesse companhia. 
Durante a minha ausência, continuou a orar por mim, e Vós, o Deus, que estáveis presente, em toda a parte, onde quer que ela estava a escutáveis; e também para onde eu estava, voltáveis os Vossos olhos piedosos, resti­tuindo-me a saúde ao meu corpo enfraquecido após uma grave doença… E não permitistes que eu mor­resse nesse estado, o que seria para mim uma dupla morte, e para o coração de minha mãe uma ferida de que não poderia restabelecer-se, porque não sei exprimir em que elevado grau por ela era amado, nem quantas dores a dilaceravam. Sem dúvida que também havia de sentir a morte dum filho que muito amava, e esse fato seria um golpe profundo no seu coração. Um dia pediu a um bispo o favor de falar algum tempo comigo, a ver se me convencia a voltar para Deus, (o que ela fazia a todas as pes­soas que julgava terem alguma autoridade, para me demoverem a isso). — «Pois, minha filha, res­pondeu o bispo, continuai a orar, porque não é pos­sível que o filho de tantas lágrimas se possa perder.» Com efeito, Deus das misericórdias, teríeis Vós hu­milhado o coração duma viúva casta, de costumes severos e rígidos, generosa para com os pobres… que nunca deixava de freqüentar o templo, de manhã e de tarde, para aí ouvir a Vossa palavra, e ser ouvida por Vós, nas suas orações? Teríeis podido, ó meu Deus, desprezar as lágrimas da mulher que não Vos pedia ouro nem prata, nem alguns dos bens passageiros e mortais, mas a saúde da alma de seu filho?… Minha mãe, continua ele, a quem a pie­dade dava uma grande força da alma, veio ter comigo a Milão, tendo-me seguido por mar e por terra, sempre tranquila, nos maiores perigos, pela con­fiança que tinha em Vós, e não tinha cessado de me chorar noite e dia, como se eu tivesse morrido, e a quem Vós devíeis ressuscitar.»
Chegada a Milão, pôs-se Santa Mônica em rela­ções com Santo Ambrósio, de quem o filho admi­rava a eloqüência, e procurou tornar freqüentes e íntimas as relações do filho com o santo bispo. Mui­tas vezes levava consigo o filho, quando visitava o prelado, e algumas vezes o mandava só, ora com um pretexto, ora com outro, aparentemente para lhe pedir conselhos sobre um ponto que lhe dizia respeito, mas na realidade, para fornecer ao filho ocasião de conversar com o santo doutor. Enfim, depois de vinte anos de gemidos e de súplicas, teve Santa Mônica a ventura de ver seu filho receber o batismo e abraçar uma vida de desinteresse e de sacrifício.
Algum tempo mais tarde, chegando com ele à praia, decidida a embarcar para África, no fim de uma sublime conversa, acerca do Céu, pelo qual só viviam essas duas grandes almas, disse Santa Mônica a Santo Agostinho: — «Meu filho, nada agora me retém sobre a terra; já não sei porque aqui me con­servo, visto que já realizei todas as minhas esperan­ças. Só desejava viver, para te ver cristão e católico, antes da minha morte. Deus fez mais, pois que te vejo desprezar toda a felicidade terrestre para O ser­vir. Que faço, pois, aqui agora?» [3] E catorze dias depois, Santa Mônica exalava o último suspiro, nos braços de seu filho.
Leonor de Bergh, princesa católica, tinha despo­sado Frederico Maurício de la Tour-d’Auvergne, duque de Bouillon, à maneira dos fiéis da primitiva igreja, com a condição de que, abjurando a heresia, entraria no seio da Igreja; o que ele efetivamente cumpriu, desprezando as sugestões do sua família e dos seus interesses temporais mais manifestos.
Prematuramente viúva, a duqueza de Bouillon mostrou pela salvação de cinco filhos e de cinco filhas que seu esposo lhe tinha deixado, uma solici­tude, cujos testemunhos são tão brilhantes e tão extraordinários, que de certo não seriam acreditados, se não fossem atestados por monumentos de que se não pode duvidar. A perseverança de seus filhos na fé verdadeira, que ela teve a glória de restabelecer na casa de Bouillon, foi desde então a única ocupa­ção da sua vida.
Mas, pressentindo, ao que parece, que também morria prematuramente, e assustada com o pensa­mento de deixar os tenros órfãos, sob a temível in­fluência dos parentes do finado duque, todos calvinistas ardentes, tomou, por meio do testamento, disposições tais, que se pode afirmar que nunca, pelo menos por semelhante forma, se fez tão assi­nalada e tão admirável profissão de fé. Neste ato das suas últimas vontades, Leonor de Bergh não trata senão duma coisa, — a fé de seus filhos. Institui o rei, o parlamento, os bispos, os senho­res católicos, seus tutores honorários, implorando com lágrimas ao monarca, aos magistrados e aos prelados, que vigiassem não pelos bens temporais ou pelo seu futuro no mundo, mas única, mas sim­plesmente pela pureza da sua alma, pelo interesse da sua salvação, único ponto que ela tomava a peito.
Ordena aos cinco irmãos, e às cinco irmãs, que ficavam órfãos na terra, que lessem freqüentemente, durante toda a sua vida, este testamento, onde se expande com efusão o amor do seu zelo pela religião católica, a fim de se afervorarem cada vez mais por esta leitura na sua fé. Tendo tido a precaução de fazer escrever e de assinar, na sua presença, por cada um de seus filhos, a promessa de morrer cató­lico, ordena que imediatamente depois da sua morte essa promessa seja posta entre os seus dedos gela­dos, para ficar com ela encerrada na sepultura. E isto ainda não é tudo. Exige que os filhos que se conservarem fiéis, reneguem e nunca mais conheçam aquele que dentre eles tiver traído a sua fé e a sua assinatura.
«No dia — dizia ela depois, — em que nós ressus­citarmos todos juntos, voltarei meus olhos para vós; e se houver algum que se tivesse desmentido da sua palavra, dir-lhe-hei: — «Vai, maldito e desgraçado! Vai, pérfido e desleal, não te reconheço por meu filho; tu foste falso à fé de Deus, à Sua Igreja, a tua mãe, à tua própria assinatura; vai-te!… »
Pelo que fica exposto, julgar-se-á, sem dúvida, que todos os recursos da ternura maternal ficaram esgotados, e que, para ter a certeza de que a fé seria conservada no coração de seus filhos, nada mais podia fazer a duquesa de Bouillon. Pois enga­nar-se-ia quem tal pensasse.
Convencida de que a fé católica é um bem su­perior a todos os bens, essa incomparável mãe ainda vai encontrar um supremo recurso, — o de se ofere­cer ela própria como vítima. Na sua indizível apre­ensão de que um só de seus filhos, um só, pudesse, em assunto religioso, vir a vacilar uma única vez, implorava de Deus, como um insigne favor, de ficar até ao juízo final no Purgatório, se Deus assim o quisesse, e por esse único prêmio, conceder-lhe a inabalável perseverança de todos os seus filhos na fé católica. Já era amor de mãe!
Os filhos da ilustre e virtuosa princesa não foram, nem podiam ser, indignos de tão admirável solici­tude. Um deles foi cardeal da santa Igreja Romana; duas de suas filhas, apesar de todo o esplendor da sua posição, beleza e imensa riqueza, abandonaram as felicidades e grandezas humanas, e foram procu­rar o paraíso na terra, nos sofrimentos e na obscuri­dade do convento das carmelitas; — todos enfim perseveraram…
Felizes as mães, que, para com seus filhos, são animadas do mesmo zelo, que as mulheres admirá­veis, cujos exemplos acabamos de citar! Terão, neste mundo a consolação de ver os seus filhos amar e servir a Deus. Disse de Maistre, com razão: «Se a mãe souber cumprir os seus deveres, imprimin­do profundamente na fronte de seu filho o caráter divino, pode estar certa de que a mão do vício nunca mais o apagará. O jovem poderá desviar-se do seu caminho, mas descreverá, se me permitis esta ex­pressão, uma curva reentrante, que o trará ao ponto donde tinha partido.» E, acrescentamos nós, até mesmo nos seus erros e desvios, conservará tris­tezas e remorsos, sinais dum próximo arrependi­mento.
Mas porque será, que, num século em que a cari­dade tanto se esfriou, esteja extinto o zelo no cora­ção de algumas mulheres mundanas? Porque, prodi­galizando sem cessar a seus filhos sinais de ternura, não amam neles, senão o corpo, visto que a fé deixou de existir nas suas afeições naturais, por onde se colige, que elas não amam. Sócrates dizia a Aleibíades: —«O que não ama se não o vosso corpo, não ama Alcibíades; porque o que vos ama verdadeira­mente, ama a vossa alma». — Queridas crianças, que apenas sois amadas, dum modo natural, vós não sois amadas por vossa mãe! Que horrível desgraça! Seme­lhante a essa ave cruel, que mete os ovos na terra, e os abandona, vossa mãe não trata senão de vos procurar os gozos do mundo, e soterrando-vos também, não prepara a vossa felicidade no Céu. Preservando-vos, com uma atenta solicitude das quedas, que pode­riam comprometer a vossa vida, não receia os abis­mos, em que se pode precipitar a vossa alma!
Ó infelizes mulheres, para que fostes vós mães? Seria somente para dar aos entes, que fizestes colo­car na terra, a vida corporal, que os animais dão ao seu fruto? Antes as vossas entranhas ficassem, para sempre estéreis! Foi uma verdadeira desgraça o nascimento do vosso filho, pois que, por vossa negligência viestes chamar a desgraça sobre a vossa cabeça, e sobre a cabeça de vossos filhos! Quando, no tribunal de Deus, as infelizes vítimas da vossa negligência gritarem contra vós mais eloqüente­mente que o sangue de Abel gritava contra Caim, que haveis vós de responder?
Ó Maria, ó Vós a quem a sede das almas fez des­cer do Céu sobre uma montanha dos Alpes, para der­ramardes sobre os vossos filhos, que se perdem, lá­grimas abundantes de graça, deixai cair no coração de todas as mães uma centelha desse zelo que abrasa o Vosso!
Notas:
_______________
[1] Citado pelo Padre Sainte-Jure, de quem extraíamos algumas das reflexões contidas neste artigo.
[2] O Santo Agostinho — Confissões.
[3] Abade Bougaud.
A Mãe segundo a vontade de Deus – Pe. J. Berthier, M.S

sábado, 2 de julho de 2016

A BELEZA DA VIRTUDE DA PUREZA

A)Bem-aventurados os corações puros!”
A gente se sente imediatamente empolgado por esta palavra. Só um Deus podia usar semelhante linguagem. Ouvindo estas palavras divinas, a alma delicada sente em si a necessidade de realizar essa bem-aventurança. Ver a Deus! sim, ver a Deus de algum modo, mesmo desde este mundo! e é essa a recompensa prometida aos que são puros!
“Bem-aventurados os corações puros, porque verão a Deus.” Como dizer a beleza dessa virtude celestial, semelhante ao lírio branco, embalsama os que a possuem e espalha em volta deles  um perfume indefinível.
Ela é bela! porque dá à fisionomia um não sei quê que cativa, que atrai, que subjuga, que faz nascer uma simpatia respeitosa.
É bela! O Próprio Deus sente-lhe o encanto. Ele chama a alma pura sua “Amiga“: “Sois toda bela, ó minha bem-amada, e em vós não há mancha!” Chama-a “sua esposa“: “Vem, minha Esposa, vem, serás coroada!”
É bela! Jesus quis achá-la na terra. Aparecendo na terra, enveredou por uma trilha de humilhação e de opróbrios; mas, do começo ao fim, arrogou-se, como uma compensação, a pureza que sempre o cercou.
Assim, para se encarnar, Ele prepara para si um tabernáculo; Maria lá está! Ele não a deixa antes da idade de trinta anos … e ainda assim será só para encontrar outra alma pura: São João! E essas duas almas virgens segui-Lo-ão até ao pé da Cruz. Quando Ele quiser morrer, quando tudo Lhe faltar, até mesmo a consolação de se sentir objeto das complacências de seu Pai, nos seus derradeiros instantes, a pureza estará e ficará perto Dele!
É bela! É a virtude trazida por Jesus! Só Ele podia fazê-la florescer nos lodos humanos. Semeou-a na terra e, depois, legiões de virgens vieram embalsamar o nosso exilio.
É bela! No Céu tem ela um lugar à parte. As almas virgens, diz o Apocalipse, “seguem o Cordeiro aonde quer que Ele vá!” E São João contempla a legião delas triunfante, cantando um cântico novo que ninguém mais pode aprender.
É bela! A própria impiedade não pode deixar de aplaudi-la. Quantos remorsos, quantas tristezas a vida da pureza não lança no coração das vítimas do prazer! E, enquanto o mundo repele com desprezo aquelas a quem polui, olha com olhos de inveja as nobres almas que atravessam a lama sem se macularem.
B) É a virtude mais bem recompensada! E isso não somente no céu, mas já na terra.
Ela dá ao semblante uma modéstia serena que tem qualquer coisa de angélico.
Dá ao olhar uma limpidez encantadora.
Dá a fisionomia um esplender que irradia, põe o mais belo brilho numa fronte jovem; supre assim os esquecimentos da natureza, e reveste a pessoa de uma beleza especial que faz pensar no céu.
Dá ao coração uma ternura, uma chama sagrada que só ela pode alimentar. Que dedicação, que sensibilidade num coração puro!
Dá à vontade um poder notável pela luta contínua que exige. Quando conseguimos vencer-nos a nós mesmo, são fáceis as outras vitórias.
Dá à vontade um poder tanto maior quanto, vivendo numa luta contínua, ela haure aí uma energia viril só conhecida dos que souberam vencr-se a si mesmos.
Dá à inteligência esses remígios, esses olhares de águia que confundem. “Bem-aventurados os corações puros, porque verão a Deus.”
Dá ao próprio corpo, cujas energias conserva, esse vigor especial cuja causa Ricardo Coração de leão assim explicava aos Sarreacenos admirados: “Sou forte porque sou puro.”
Enfim, dá a liberdade e a alegria.
liberdade, porque um coração mordido pelo vício carrega grilhões; esses grilhões podem ser floridos, mas nem por isso deixam de fazer um escravo.
alegria também, porque, quando se cede à paixão má, acaba-se por ficar triste, tremer e desanimar. 
A pureza, que não se adquire senão por uma série de lutas vitoriosas, dilata o coração e dá-lhe um alegre surto. O vício quebra as asas; a virtude fá-las abrir-se, trazendo arrojo e confiança.
Conservai, pois, filha, a todo custo, apesar de tudo, apesar das lutas e quiçá das agonias do coração, essa virtude tão preciosa, esse “encanto desconhecido de que ninguém se defende“.
Na Idade Média dizia-se: “Deus só fez duas coisas perfeitas neste mundo: a rosa quando é fresca, e a donzela quando é pura!”
Não percais esse encanto único, ele não se torna a achar mais! Se o corpo se torna o senhor, ainda que só um instante, é a subversão da ordem moral. A todo custo evitai situar-vos entre os seres descoroados!
C) É uma virtude angélica
Com esta diferença, entretanto, que aquilo que os anjos são por natureza, a alma pura o é por virtude. Os anjos não têm lutas a sustentar, ao passo que vós vos conservais pura com  a condição de serdes vitoriosa no combate.
D) É um triunfo.
Triunfo da Fé; porquanto a luta nas obscuridades da terra só é sustentada pela esperança das recompensas futuras. Triunfo do amor. Do amor de Deus primeiro, do qual as almas puras são as “jóias“; do amor humano também, pois só os corações puros sabem amar. O amor repousa-lhes no fundo da alma como uma gota de orvalho do cálice de uma flor; a alma tem o brilho, o perfume e a preciosa virtude dessa gota de orvalho.
A formação da Donzela – Pe. José Baeteman

sábado, 9 de abril de 2016

A MORAL SEM DEUS

A moral é jóia tão indispensável à humanidade, que todos consideram sua defesa como absolutamente necessária. Por mais errados que sejam os conceitos de muitos acerca da religião, todos proclamam unanimemente a necessidade de proteger os bons costumes e de salvá-los, em prol da humanidade.
Mas esta é justamente a pergunta: pode-se falar de moral sem religião? Pode alguém ter bons costumes sem ter fé? Quando se instala a bússola num navio, procura-se isolá-la, o melhor possível, da influência de correntes magnéticas que poderiam provir da couraça do casco. A razão é a bússola da vida humana; correntes estranhas, oriundas do corpo — a inclinação para o mal — desviam-na facilmente e desgovernam nossa vida, se ela não estiver orientada para determinado ponto, muito acima de toda corrente de egoísmo e da ilusão própria. Se os homens, e não Deus, tivessem determinado o que é moral ou imoral, andariam muito mal parados a respeito da moralidade. Pois o que eu chamo pecado, com o mesmo direito outro poderia chamar virtude.
Portanto, quem não crê no Supremo Legislador, superior à natureza, quem não crê numa vida sobrenatural, depois da terrena não pode falar em moral. Em primeiro lugar deve o homem saber que é a criatura humana e quem é Deus; só então compreenderá o que deve fazer ou omitir.
Uma vida morigerada exige luta; não pode ser diversamente. Um colegial se exprimia assim: “Por que é tão difícil ser bom e tão fácil ser mau?” Não notaste ainda, e repetidas vezes, esse antagonismo trágico em teu coração? A razão reconhece o bem e o deseja; nossa natureza decaída, pelo contrário, arrasta-nos ao mal…
No entanto, só poderei suportar os múltiplos sacrifícios e a mortificação de mim mesmo, que, uma vida de caráter, exige diariamente, se minhas aspirações se apegarem ao Sumo Bem, a Deus, para Quem vivo, de Quem tudo recebo, e que, somente Ele, pode conceder à minha vontade a necessária inabalável fortaleza.
Um grande pensador grego tinha como pensamento favorito, que a alma humana provém de um mundo totalmente perfeito; daí o sentirmos um profundo descontentamento conosco mesmos, um como aguilhão no coração, sempre que agimos mal, embora ninguém tivesse presenciado nossa falta. E a alma só é feliz quando faz alguma coisa que a reabilite e lhe recorde a pátria de onde desceu.
Voltaire convidou um dia seus amigos incrédulos, D’Alembert e Diderot, para um jantar. À mesa, os convivas começaram a falar das costureiras frivolidades. Voltaire atalha a conversa: “Peço-lhes que não falem assim diante dos criados. Esperem que se tenham retirado, pois se ouvirem tais idéias e as puserem em prática, nossa vida correrá perigo”. Haverá pois moral sem religião?
Napoleão I proibiu a leitura de livros antirreligiosos e justificou seu ato, dizendo: “Não me sinto assaz forte para governar um povo que lê Voltaire e Rousseau.”
Estando Heine defronte a antiga e maravilhosa catedral gótica de Antuérpia, exclamou, tomado de admiração: “Sim, naqueles tempos tinham os homens ainda dogmas. Nós temos somente opiniões. Com opiniões não se podem construir tais monumentos!” E ele tinha razão. Mas o mesmo podemos dizer das maravilhas arquitetônicas da vida moral. O caráter também é um monumento, cujas colunas, alçadas para o céu, procuram elevar a alma acima das vias tortuosas do egoísmo, das paixões e das inclinações más. Contudo, a construção dessa basílica avança devagar e nunca se pode garantir sem os alicerces graníticos de sólida fé em Deus.
É verdade que se podem criar, teoricamente, sistemas éticos sem base religiosa. O essencial todavia, é a força que os faz viver. É fácil proclamar um sistema moral, difícil é pô-lo em prática sem base sólida.
É possível que antes do Cristianismo houvesse homens proeminentes, caracteres firmes, mas desde que Cristo nos foi exemplo da vida perfeita, não pode ser um caráter no sentido estrito, senão aquele que cumprir seu primeiro dever, o de submeter-se a Deus.
Por isso escreve mui acertadamente Racine a seu filho: “Quero crer que os teus esforços para te tornares um cavalheiro, não te fazem esquecer de que somente poderá ser gentleman aquele que cumprir seus deveres para com Deus.”
Pode alguém ser morigerado, se não acreditar no além-túmulo?
Ouve este diálogo, travado entre duas estrelas:
— “Olha, irmã, olha a terra. Que vês ali?” — perguntou a primeira.
— “Denso nevoeiro e nuvens que se acumulam ao redor dela.”
Passam cem mil anos.
A primeira estrela interroga novamente: “Irmã, olha de novo para a terra. Que vês agora?”
— “Uma infinidade de formiguinhas bípedes que se agitam sobre ela.”
— “São os homens.”
Mais uma vez escoam cem mil anos.
— “E agora que enxergas sobre a terra?”
— “Nada se move. Gelo e neve cobrem tudo…”
Até aqui o diálogo dos astros. Não sentes, caro jovem, o bafo gélido e destruidor da caducidade da matéria? Se a vida humana é transitória, se não há uma vida eterna, quem nos emprestará forças para perseverar na honradez, no caráter, na moralidade, também quando tivermos de sacrificar para isso o nosso progresso material, o êxito, o bem-estar, os apetites sensuais? Sim, para uma vida imortal estamos prontos a sacrificar os interesses temporais. Quem quisera, porém, trocar os bens passageiros por outros igualmente transitórios?
A  Religião e a Juventude – Mons. Tihamer Toth

sexta-feira, 8 de abril de 2016

A CARICATURA DA FÉ

Um sábio educara o filhinho completamente afastado do convívio do mundo e nunca pronunciava diante dele, a palavra “DEUS”. Queria experimentar se a alma, abandonada a si mesma, poderia chegar ao conhecimento de Deus. Quando a criança atingira seus dez anos, o pai notou que o rapazinho se esgueirava de madrugada para o jardim. Seguiu-o de mansinho, e que viu? O menino, ajoelhado no solo, erguia as mãos postas para o sol.
Pobre rapaz! Tomava o servo pelo Rei! Mas, mesmo assim, deu uma brilhante prova de que a alma humana é religiosa por natureza. Fechando-lhes as fontes apropriadas, ela se apega a grosseiras ilusões e erros.
Podemos retroceder até os tempos mais remotos da história dos homens e não encontraremos um único povo que não tivesse religião. A religiosidade é exigência da própria natureza humana. Negar a existência de Deus é violentar a natureza.
Observamos, hoje em dia, a cada passo a confirmação de que a alma do homem anela pela religião, e que sem esta fica desassossegada, impaciente, enferma. Vemo-lo naqueles homens, dignos de lástima, que se afastaram da religião. Acreditas que esses “descrentes” sejam realmente incrédulos? Não! A alma tem sede de fé; ao desviar-se da verdadeira religião, ela se apega com frenesi aos mais diversos substitutos da religião, a caricaturas grotescas de fé.
Floresce em nossos dias a mais crassa e estúpida superstição, não só entre ignorantes, mas também entre os cultos. Provam-no os adeptos do teosofismo, do espiritismo, da astrologia, da cartomancia de todos os tipos, ou como quer que se chamem todos esses “fenômenos ocultos”.
Quem não aceitar a alma com a verdadeira religião, há de acreditar em fantasmas envoltos em lençóis; quem se diz incrédulo, torna-se ingênuo; quem não crer no Credo, acreditará em coisas ridículas. É como aquele homem que conta o naturalista dinamarquês Oerstedt: “Conheci um indivíduo que blasonava uma soberba descrença; de noite, porém não se atrevia a passar diante do cemitério.”
Entre o povo simples é muitas vezes a ignorância a causa da superstição; contudo, para as pessoas cultas, essa atenuante não vale. Célebres descrentes como Diderot, D’ Alembiert, eram ridiculamente supersticiosos. Frederico II, o “esclarecido” rei da Prússia, considerava prenúncio de grave infortúnio o fato de alguém cruzar garfo e faca; informava-se ansiosamente junto aos astrólogos da hora em que os astros seriam mais favoráveis ao seu projetado noivado com a filha do rei da Inglaterra.
O homem culto de hoje, “o filho iluminado do século vinte”, sorri talvez da ingenuidade dos antigos, ou dos hotentotes a dançar à roda do fogo, mas não vê, que à mesma hora, no centro das grandes cidades, milhares de indivíduos cultos são verdadeiros escravos de costumes supersticiosos.
Lancemos uma vista de olhos sobre essa babel de superstições:
Topamos primeiramente com sinais e fatos, a que dão os tolos as mais fantásticas interpretações. Pergunto a um condutor de bonde pelo carro n. 13. “nº 13? Não existe”. — “Como? Por que não existe?” — “Ora bolas, ninguém se atreveria a tomá-lo!” E no Hotel: “Poderia mostrar-me o quanto nº 13?” — “13? Isso não temos. Não há hóspede que nele se aloje”. — “E quando o hotel está repleto, superlotado?” — “Mesmo assim: o hóspede preferiria dormir numa banheira, a ocupar o quarto nº 13. Nada disso! É número aziago!”
Pobre 13! Por que és número die mau agouro? Nem o 12, nem o 14 o são…
Do mesmo modo, a quinta-feira não é dia aziago, o sábado também não; mas a sexta-feira sim! Quem se atreveria a empreender viagem numa sexta-feira fechar um negócio importante ou começar uma obra de valor? Quantas vezes nós ouvimos: Não sou supersticioso, entretanto somos 13 à mesa, seria bom se viesse mais alguém”, ou: É verdade que não és supersticioso, mas não viajes amanhã, é sexta-feira”.
Um gato preto cruza teu caminho: mau sinal, o resto do dia está perdido. Se te zumbir a orelha direita ou sentires cócegas na palma da mão, algo de bom vai acontecer. Contam que fulano morreu o que não se verificou na realidade, sinal certo de que esse fulano terá longa vida. Uma coruja grita sobre o telhado ou o relógio de parede parou? Em breve morrerá alguém da família… Quem não copiar seis ou nove vezes certa oração e outras tantas a depositar na igreja ou enviar a igual número de pessoas, será infeliz; pelo contrário, quem o fizer, verá realizado um desejo que formulou.
Em seguida, a infinidade de adivinhações revelações dos espíritos, a cartomância, ler a sorte pelas linhas da mão, determinar o horóscopo pelas constelações da hora do nascimento, etc., mas em particular a estultícia do espiritismo com seu ocultismo abalador dos nervos e destruidor da saúde, fazendo de seus sectários, candidatos ao manicômio.
Pobre “homem moderno”, que não queres crer! Até as orelhas estás metido nas crendices, porque não queres ter fé! Bem te quadram as palavras de Cícero: “Ninguém teme tanto a morte e a ira dos deuses, como os que negam a divindade”.
Talvez te admires de que eu tanto insista nas superstições. Faço-o para que vejas onde vai a falta de religião, a incredulidade; para que notes em quantas coisas acredita quem não quer crer em Deus.
O homem culto “moderno” sorri do homem do povo que espera a cura de seus males mediante ervas duma cigana; sem embargo, há nas cidades cartomantes em luxuosos apartamentos ou mesmo em casebres miseráveis, consultadas por “cultos” e “esclarecidos” senhores e damas. Aquela senhora não vai nem à confissão nem à comunhão — quem ainda acredita nisso? — mas espera ansiosamente, horas a fio, na antecâmara duma cartomante. Aquela mesma que não costuma rezar — por não ser moderno — procura saber o futuro mediante o bilhetinho puxado por um rato branco. Numa casa “moderna” não fica bem um crucifixo na parede e sim uma ferradura enferrujada na soleira da porta: porque traz sorte! Medalha de N. Senhora ao pescoço a fim de lembrar-nos a imitação das virtudes de Maria Santíssima? Não, fora com as coisas da Idade Média! Hoje tem-se um trevo quadrifólio: nada como isso para dar sorte!
Vê, ou somos religiosos ou supersticiosos. Quando se malogra o anseio da alma humana pela religião, viva, real e pura, ele se manifestará em extravagâncias doentias. Se fecharmos a porta à fé, a superstição entrará pela janela. Quem não crê em Deus, acredita em fantasmas da meia-noite. As crendices são um substituto para a fé: entanto, como sucedâneos, valem tanto como milho torrado em lugar de café.
Os próprios pagãos criteriosos zombavam dos supersticiosos. Certa vez um soldado achegou-se a Catão e perguntou todo trêmulo: “a noite passada, os ratos roeram minhas botas: que significaria isso? “Que os ratos tenham roído tuas botas, respondeu o romano, nada significa. Importante seria se as botas tivessem roído os ratos”.
A verdadeira fé é para a humanidade um rio vivificante e abençoado; a incredulidade, pelo contrário, um dilúvio devastador, que sepulta o terreno fértil debaixo de lodo nauseante.
Caro jovem, defende e conserva tua fé. Não acredites no trevo quadrifólio nem na cartomância, mas crê em Deus Pai, Todo Poderoso. Criador do céu e da terra. Não acredites no rato branco ou na ferra dura, senão no Filho de Deus, Jesus Cristo, Salvador nosso. Não acredites em fantasmas ou nas ilusões espíritas; crê no Espírito Santo, na ressurreição da carne e na vida eterna.
Religião e Juventude – Mons. Tihamer Toth

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