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quinta-feira, 27 de julho de 2023

Aprendendo a viver o Evangelho com a ajuda de São Francisco

 

SAINT FRANCIS OF ASSISI

Purplexsu | Shutterstock

Pela vida de São Francisco, podemos aprender a abandonar tudo nas mãos do Pai do Céu, viver para Ele e dedicar toda nossa vida à causa do Reino

Quem não conhece são Francisco de Assis? Cristãos ou não, a história deste rico jovem italiano que tudo abandonou para, em nome de Jesus, ser pobre com os pobres, continua tocando corações pelo mundo afora e suscitando em muitos o desejo de viver essa radicalidade do Evangelho. 

Nascido em 1182 no centro da Itália, Jean Bernardone queria se tornar um cavaleiro e levou uma vida um tanto quanto dissoluta. Quando soldado, foi feito prisioneiro e seu retorno a Assis foi marcado por uma grande conversão. Seu novo olhar sobre as mundanidades de seu meio mudou completamente seu jeito de ser. Um apelo do Céu “vai e reconstrói a minha Igreja”, o levou a consertar igrejas ao redor de Assis. Pouco a pouco, ele foi entendendo de qual reconstrução essa Voz falava. 

São Francisco e o leproso

Muitas são as histórias que podemos partilhar sobre nosso querido santo de Assis. Mas uma delas em particular merece nossa atenção: o seu encontro com um leproso. 

Tomás de Celano, um frei que escreveu a biografia de Francisco, conta que “certa vez indo a cavalo perto de Assis, veio-lhe ao encontro um leproso. Embora tivesse muito horror dos leprosos, fazendo-se violência, apeou e ofereceu-lhe uma moeda, beijando-lhe a mão. Após ter recebido dele o beijo da paz, montou a cavalo e prosseguiu seu caminho. Desde então começou cada vez mais a desprezar-se, até conseguir, pela graça de Deus, a mais perfeita vitória sobre si mesmo. Poucos dias depois, levando consigo muito dinheiro, dirigiu-se ao leprosário e, reunindo todos os leprosos, deu a cada um uma esmola, beijando-lhes a mão”.

O que podemos aprender com essa passagem? 

Primeiro que entre Francisco e o leproso havia muita diferença e uma grande distância física e social. Francisco desceu do cavalo para se colocar ao seu nível, para estar em pé de igualdade com aquele pobre coitado. Este foi um passo importante: ele deixou de lado suas seguranças e seu status social. 

Vida nova

Segundo, beijando o leproso, Francisco vence a luta contra o “homem velho”. Através desse gesto de fraternidade seu medo desapareceu! É como se fosse preciso que ele tocasse esse homem “impuro” para ser limpo de seus medos e traumas. Depois de tocar o leproso, Francisco se levanta para começar uma nova vida. Com seu beijo, a distância entre os dois homens desaparece para dar lugar à comunhão.

Um terceiro aprendizado, é que este encontro opera em Francisco uma grande transformação em seu ser. Em seu testamento, ele afirma que o Senhor o enviou aos leprosos e desde então “tudo o que era amargo se transformou em doçura”. Francisco se torna cada vez mais misericordioso com os pobres de seu tempo. Esta atitude mostra seu caminho de maturidade, onde percebemos uma grande coerência entre sua transformação interior e seu comportamento exterior com os outros. Beijar um leproso é uma manifestação visível de sua purificação interior.

A coragem

Como quarta e última lição, gostaria de destacar a coragem de Francisco. Ele entendeu que sua vida não poderia se limitar a dizer: “seria necessário”, “seria bom”, “seria importante”… Percebeu que não tinha tempo a perder com questionamentos vazios que o impediriam de agir concretamente. No seu processo de conversão Francisco não espera! Aquele que era seu inimigo, o leproso, tornou-se seu próximo. Este homem deixou de ser apenas mais um enfermo contagioso; a partir de então ele passou a ter uma identidade, um nome, uma família, uma história, sonhos… Beijando-o, Francisco, aprendeu a conhecê-lo e a amá-lo. 

Aprendemos, pela vida de São Francisco, a como viver o Evangelho nos tempos de hoje, a abandonar tudo nas mãos do Pai do Céu, vivermos para Ele e dedicarmos toda nossa vida à causa do Reino.

Obrigado Francisco por este e tantos ensinamentos dados através de seus atos. 

Nosso querido amigo de Assis morreu no dia 3 de outubro de 1226. 

Sua radicalidade evangélica continua sendo uma fonte de inspiração e de renovação para a Igreja.  Também a nós, de certo modo, o Senhor continua dizendo: “vai e reconstrói a minha Igreja”.

São Francisco de Assis, rogai por nós.



domingo, 22 de setembro de 2019

Confiai a Deus todas as vossas preocupações



Entrou na Ordem um novo aspirante de qualidade e o seu número foi assim elevado para oito. Então o bem-aventurado Francisco reuniu-os a todos e falou-lhes longamente do Reino de Deus, do desprezo do mundo, da renúncia à vontade própria e da docilidade que tinham de exigir ao seu corpo. 

Depois dividiu-os em quatro grupos de dois e disse-lhes: «Ide, meus bem-amados, percorrei dois a dois as diversas regiões do mundo, anunciai a paz aos homens e pregai-lhes a penitência que obtém o perdão dos pecados. Sede pacientes na prova, certos de que Deus cumprirá o que decidiu e manterá as suas promessas. Respondei humildemente a quem vos interrogar, abençoai os que vos perseguirem, agradecei aos que vos insultarem e vos caluniarem, pois esse é o preço do Reino dos Céus (Mt 5,10-11).» 


Eles acolheram com alegria a missão que lhes confiava a santa obediência e prostraram-se aos pés de São Francisco, que abraçou cada um deles ternamente dizendo-lhes com fé: «Confiai a Deus todas as vossas preocupações, porque Ele tem cuidado de vós» (1Pe 5,7). Era a sua frase habitual quando enviava um irmão em missão.


Tomás de Celano (biógrafo de S. Francisco e de S. Clara) in «Vita Prima» de S. Francisco 

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sábado, 21 de setembro de 2019

Quem fala mal a um pobre injuria a Cristo



Francisco, pobrezinho e pai dos pobres, queria viver em tudo como pobre; sofria quando encontrava alguém mais pobre que ele, não por vaidade mas por causa da terna compaixão que os pobres lhe causavam. Só queria uma túnica de tecido grosseiro e muito comum; ainda assim acontecia-lhe bastantes vezes partilhá-la com algum infeliz. 

No entanto, era um pobre muito rico pois, movido pela sua grande caridade a socorrer os pobres sempre que podia, quando estava muito frio, ia ter com os ricos deste mundo e pedia-lhes que lhe emprestassem um sobretudo ou um casaco. Traziam-lhos mais depressa do que a pressa que ele se tinha dado em fazer o pedido. Ele então dizia: «Aceito com a condição de não esperarem que vo-los devolva.» E, com o coração em festa, Francisco oferecia o que acabava de receber ao primeiro pobre que encontrava. 

Nada lhe causava mais pena do que ver insultar um pobre ou que dissessem mal de qualquer criatura. Um dia, um irmão deixou escapar umas palavras que magoaram um pobre que pedia esmola: «Não serás por acaso um rico a fingir de pobre?» Estas palavras caíram muito mal a Francisco, o pai dos pobres, que infligiu ao delinquente uma terrível reprimenda e lhe ordenou que se despojasse das suas vestes na presença do pobre e lhe beijasse os pés, pedindo-lhe perdão. «Quem fala mal a um pobre, dizia, injuria a Cristo, de quem o pobre é o mais nobre símbolo neste mundo, uma vez que Cristo por nós Se fez pobre neste mundo» (cf 2Cor 8,9).

Tomás de Celano, biógrafo de S. Francisco in 'Vita prima' de S. Francisco, §76 

terça-feira, 21 de maio de 2019

A Primeira Regra de São Francisco de Assis



Amemos todos o Senhor nosso Deus com todo o nosso coração, com toda a nossa alma, com todo o nosso espírito, com todo o nosso poder e coragem, com toda a nossa inteligência, com todas as forças, com todo o nosso esforço, com todo o nosso afecto, com as nossas entranhas, com todo o nosso desejo, com toda a nossa vontade. Ele deu-nos e continua a dar-nos o corpo, a alma e a vida; Ele criou-nos e resgatou-nos; salvar-nos-á apenas por sua misericórdia; apesar das nossas fraquezas e das nossas misérias, das nossas vilanias e das nossas vergonhas, das nossas ingratidões e da nossa maldade, Ele só nos fez e faz o bem. 


Não tenhamos portanto outro desejo, nem outra vontade, outro prazer e outra alegria que não seja o nosso Criador, Redentor e Salvador, o único verdadeiro Deus que é o bem pleno, inteiro, total, verdadeiro e soberano; o único que é bom, misericordioso e amável, indulgente e manso; só Ele é santo, justo, verdadeiro e recto; só Ele é benevolente, inocente e puro; dele, por Ele e nele reside todo o perdão, toda a graça e toda a glória para todos os penitentes e justos da terra e para todos os bem-aventurados que rejubilam com Ele no céu. 

Portanto, a partir de agora, já não haja obstáculos, nem barreiras, nem filtros! Em todos os lados e lugares, a todas as horas e em todos os tempos, todos os dias e sem interrupção, creiamos todos com uma fé humilde e verdadeira, preservemo-la no nosso coração, saibamos amar, honrar, adorar, servir, louvar e bendizer, glorificar e celebrar, enaltecer e agradecer ao altíssimo soberano Deus eterno, Trindade e unidade, Pai, Filho e Espírito Santo.


in Primeira regra, § 23

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

SÃO FRANCISCO DE ASSIS: O amor não é amado



O AMOR NÃO É AMADO


Um dia, Frei Leão, o fiel "secretário" do Poverello, sempre atento a tudo o que acontecia na vida do Pai e Irmão Francisco, o ouviu a chorar, a poucos metros desta Basílica, e, mesmo com certa dificuldade, conseguiu ouvir aquelas célebres palavras do “Estigmatizado da Verna”: “o amor não é amado”, “o amor não é amado”. Com muito respeito, como o que tem aquele que entra no santuário da mais profunda intimidade de um homem de Deus, Leão pergunta: “Porque choras, Frei Francisco?”. Francisco não responde, apenas continua a dizer: “o amor não é amado”, “o amor não é amado”…

Leão, talvez para consolá-lo, mas totalmente convencido do que dizia, interrompe o choro de Francisco e lhe diz: “Mas Francisco, não te parece que já fizeste o bastante por Jesus deixando o teu pai e a tua mãe, os teus amigos e um futuro de glória?” E Francisco responde: “Não, não é o bastante”.

“Mas Francisco” - continua dizendo Leão – “não te parece que já fizeste o bastante despindo-te de tuas vestes diante de todos, pedindo esmola pela estradas de tua [própria] cidade, abraçando um leproso... de tal forma a ser considerado um louco?”.  “Não, não é o bastante”, responde de novo Francisco.

Pela terceira vez, Leão insiste: “Francisco, não te parece suficiente sofrer como estás sofrendo por causa dos Estigmas, da rebelião dos Ministros, da enfermidade nos olhos?”. E, mais uma vez, Francisco, desta vez com voz forte, grita: “Não, não é o bastante, não é o bastante, não é o bastante!”. E conclui: “Escreva e guarde em teu coração, Frei Leão, Deus é o ‘nunca é o bastante’...”.

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Visto em:  http://www.facebook.com/notes/io-francesco/lamore-non-%C3%A8-amato/149077661801796.
Tradução: Giulia d'Amore


O POEMA


O Amor não é amado!



O camponês perguntou: Que aconteceu,
irmão, por que estás chorando?

O irmão respondeu:
Meu irmão,
o meu Senhor está na Cruz
e me perguntas por que choras?

Quisera ser neste momento
o maior oceano da terra,
para ter tudo isso de lágrimas.

Quisera que se abrissem
ao mesmo tempo todas
as comportas do mundo
e se soltassem
as cataratas
e os dilúvios
para me emprestarem
mais lágrimas.

Mas ainda que juntemos
todos os rios e mares,
não haverá lágrimas
suficientes para chorar
a dor e o amor
de meu Senhor crucificado.

Quisera ter as asas invencíveis
de uma águia para atravessar
as cordilheiras e gritar
sobre as cidades:

O Amor não é amado!
O Amor não é amado!

Como é que os homens podem amar
uns aos outros se não amam o Amor?


São Francisco de Assis (não comprovado)

terça-feira, 6 de março de 2018

O VERDADEIRO HUMILDE SERÁ EXALTADO. ACONTECIMENTOS NA VIDA DE SÃO FRANCISCO


Por São Boaventura
Preferindo a pobreza para si e seus irmãos acima de qualquer honra deste mundo, Deus que ama os humildes julgou-o digno de maior honra. Esse fato foi revelado a um dos irmãos, homem virtuoso e santo, numa visão que teve do céu.
Estava viajando com Francisco, quando entraram numa igreja abandonada, onde oraram com todo fervor. Este irmão teve então uma visão em que via uma multidão de tronos no céu, um dos quais era radiante de glória e adornado de pedras preciosas e era o mais elevado de todos. Estava maravilhado com tanto esplendor e se perguntava a quem ele caberia. Ouviu então uma voz que lhe dizia: “Esse trono pertenceu a um dos anjos caídos. Agora está reservado ao humilde Francisco”.
Ao voltar a si do êxtase, o irmão seguiu o santo que estava saindo da igreja. Retomaram o caminho e continuaram conversando sobre Deus. O irmão recordou-se então da visão e discretamente perguntou a Francisco o que achava de si mesmo. Respondeu o humilde servo de Cristo: “Reconheço que sou o maior pecador do mundo”. Replicou-lhe o irmão que ele não podia fazer semelhante afirmação em consciência tranquila, nem mesmo pensar assim. Francisco continuou: “Se Cristo houvesse tratado ao maior celerado dos homens com a mesma misericórdia e bondade com que me tem tratado, tenho certeza que ele seria muito mais reconhecido a Deus do que eu”. Ao ouvir palavras de tanta humildade, o irmão teve a confirmação de que a sua visão era verdadeira, sabendo perfeitamente que, segundo o santo Evangelho, o verdadeiro humilde será exaltado ao trono de glória de que o soberbo é excluído.
Extraído da obra “Legenda Maior”
Fonte:

sábado, 29 de julho de 2017

A Primeira Regra de São Francisco de Assis































Amemos todos o Senhor nosso Deus com todo o nosso coração, com toda a nossa alma, com todo o nosso espírito, com todo o nosso poder e coragem, com toda a nossa inteligência, com todas as forças, com todo o nosso esforço, com todo o nosso afecto, com as nossas entranhas, com todo o nosso desejo, com toda a nossa vontade. Ele deu-nos e continua a dar-nos o corpo, a alma e a vida; Ele criou-nos e resgatou-nos; salvar-nos-á apenas por sua misericórdia; apesar das nossas fraquezas e das nossas misérias, das nossas vilanias e das nossas vergonhas, das nossas ingratidões e da nossa maldade, Ele só nos fez e faz o bem. 


Não tenhamos portanto outro desejo, nem outra vontade, outro prazer e outra alegria que não seja o nosso Criador, Redentor e Salvador, o único verdadeiro Deus que é o bem pleno, inteiro, total, verdadeiro e soberano; o único que é bom, misericordioso e amável, indulgente e manso; só Ele é santo, justo, verdadeiro e recto; só Ele é benevolente, inocente e puro; dele, por Ele e nele reside todo o perdão, toda a graça e toda a glória para todos os penitentes e justos da terra e para todos os bem-aventurados que rejubilam com Ele no céu. 

Portanto, a partir de agora, já não haja obstáculos, nem barreiras, nem filtros! Em todos os lados e lugares, a todas as horas e em todos os tempos, todos os dias e sem interrupção, creiamos todos com uma fé humilde e verdadeira, preservemo-la no nosso coração, saibamos amar, honrar, adorar, servir, louvar e bendizer, glorificar e celebrar, enaltecer e agradecer ao altíssimo soberano Deus eterno, Trindade e unidade, Pai, Filho e Espírito Santo.


in Primeira regra, § 23

Fonte:



sábado, 11 de março de 2017

O verdadeiro humilde será exaltado - Acontecimentos na vida de São Francisco


Por São Boaventura

Preferindo a pobreza para si e seus irmãos acima de qualquer honra deste mundo, Deus que ama os humildes julgou-o digno de maior honra. Esse fato foi revelado a um dos irmãos, homem virtuoso e santo, numa visão que teve do céu.

Estava viajando com Francisco, quando entraram numa igreja abandonada, onde oraram com todo fervor. Este irmão teve então uma visão em que via uma multidão de tronos no céu, um dos quais era radiante de glória e adornado de pedras preciosas e era o mais elevado de todos. Estava maravilhado com tanto esplendor e se perguntava a quem ele caberia. Ouviu então uma voz que lhe dizia: “Esse trono pertenceu a um dos anjos caídos.
Agora está reservado ao humilde Francisco”.

Ao voltar a si do êxtase, o irmão seguiu o santo que estava saindo da igreja. Retomaram o caminho e continuaram conversando sobre Deus. O irmão recordou-se então da visão e discretamente perguntou a Francisco o que achava de si mesmo. Respondeu o humilde servo de Cristo: “Reconheço que sou o maior pecador do mundo”. Replicou-lhe o irmão que ele não podia fazer semelhante afirmação em consciência tranquila, nem mesmo pensar assim. Francisco continuou: “Se Cristo houvesse tratado ao maior celerado
dos homens com a mesma misericórdia e bondade com que me tem tratado, tenho certeza que ele seria muito mais reconhecido a Deus do que eu”. Ao ouvir palavras de tanta humildade, o irmão teve a confirmação de que a sua visão era verdadeira, sabendo perfeitamente que, segundo o santo Evangelho, o verdadeiro humilde será exaltado ao trono de glória de que o soberbo é excluído.

Extraído da obra "Legenda Maior"

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Zelo de S. Francisco de Assis pela Sagrada Eucaristia e o Santíssimo Nome do Senhor

“Muitos [sacerdotes] o guardam [a Sagrada Eucaristia] em lugares bem comuns e o levam de modo lamentável (pela rua) e o recebem indignamente e o ministram indiscriminadamente. Não excitam porventura tais fatos a nossa piedade e devoção por esse bom Senhor quando se digna vir colocar-se ele próprio em nossas mãos e nós o tocamos e o recebemos todos os dias em nossa boca? Ou ignoramos que um dia havemos de cair em suas mãos?”


S. Francisco de Assis: Consideremos todos nós clérigos o grande pecado e ignorância que alguns manifestam com relação ao santíssimo corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e seu santíssimo nome e palavras escritas que tornam santamente presente o corpo (de Cristo).
Sabemos que o corpo não pode estar presente se antes não for tornado presente pela palavra.
Pois nada temos nem vemos corporalmente dele, do próprio Altíssimo, neste mundo, senão o corpo e o sangue, os nomes e as palavras pelas quais fomos criados e remidos “da morte para a vida” (1Jo 3,14).
Logo, todos aqueles que administram tão sacrossantos mistérios e especialmente aqueles que os ministram sem a reta discrição, considerem no seu íntimo como são vulgares os cálices, corporais e panos de linho sobre os quais é oferecido em sacrifício o corpo e sangue de Nosso Senhor.
E muitos o guardam em lugares bem comuns e o levam de modo lamentável (pela rua) e o recebem indignamente e o ministram indiscriminadamente.
Igualmente os seus nomes e palavras escritas são às vezes calcados aos pés; pois “o homem animal não percebe as coisas de Deus” (1Cor 2,14).
Não excitam porventura tais fatos a nossa piedade e devoção por esse bom Senhor quando se digna vir colocar-se ele próprio em nossas mãos e nós o tocamos e o recebemos todos os dias em nossa boca?
Ou ignoramos que um dia havemos de cair em suas mãos?
Emendemo-nos, pois depressa e firmemente dessas e de outras faltas.
Onde quer que o santíssimo corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo for conservado de modo inconveniente ou simplesmente deixado em alguma parte, que o tirem dali para colocá-lo e encerrá-lo num lugar ricamente adornado.
De modo igual sejam recolhidos e colocados em lugar decente os nomes e palavras escritos do Senhor sempre que forem encontrados em lugares imundos.
Sabemos perfeitamente que estamos estritamente obrigados a observar tudo isto, em virtude dos mandamentos do Senhor e dos preceitos da santa Mãe Igreja; e os que o não fazem saibam que deverão prestar contas perante Nosso Senhor.
E os que mandarem copiar esta carta a fim de que seja mais amplamente observada saibam que serão abençoados por Deus nosso Senhor.
Fonte:

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

De onde vem a Perfeita Alegria? São Francisco responde

Vindo uma vez S. Francisco de Perusa para S. Maria dos Anjos com Frei leão em tempo de inverno.
E como o grandíssimo frio fortemente o atormentasse, chamou Frei Leão, o qual ia mais à frente, e disse assim:
“Irmão Leão, ainda que o frade menor desse na terra inteira grande exemplo de santidade e de boa edificação, escreve todavia, e nota diligentemente que nisso não está a perfeita alegria“.
E andando um pouco mais, chama pela segunda vez: “Irmão Leão, ainda que o frade menor desse vista aos cegos, curasse os paralíticos, expulsasse os demônios, fizesse surdos ouvirem e andarem coxos, falarem mudos, e mais ainda, ressuscitasse mortos de quatro dias, escreve que nisso não está a perfeita alegria“.
E andando um pouco, S. Francisco gritou com força: “Ó irmão Leão, se o frade menor soubesse todas as línguas e todas as ciências e todas as escrituras e se soubesse profetizar e revelar não só as coisas futuras, mas até mesmo os segredos das consciências e dos espíritos, escreve que não está nisso a perfeita alegria“.
Andando um pouco além, S. Francisco chama ainda com força:
“O irmão Leão, ovelhinha de Deus, ainda que o frade menor falasse com língua de anjo e soubesse o curso das estrelas e as virtudes das ervas; e lhe fossem revelados todos os tesouros da terra e conhecesse as virtudes dos pássaros e dos peixes e de todos os animais e dos homens e das árvores e das pedras e das raízes e das águas, escreve que não está nisso a perfeita alegria“.
E caminhando um pouco, S. Francisco chamou em alta voz: “O irmão Leão, ainda que o frade menor soubesse pregar tão bem que convertesse todos os infiéis à fé cristã, escreve que não está nisso a perfeita alegria”.
E durando este modo de falar pelo espaço de duas milhas, Frei Leão, com grande admiração, perguntou-lhe e disse: “Pai, peço-te, da parte de Deus, que me digas onde está a perfeita alegria”.
E S. Francisco assim lhe respondeu:
“Quando chegarmos a S. Maria dos Anjos, inteiramente molhados pela chuva e transidos de frio, cheios de lama e aflitos de fome, e batermos à porta do convento’ e o porteiro chegar irritado e disser: ‘Quem são vocês?’; e nós dissermos: “‘Somos dois dos vossos irmãos’, e ele disser: ‘Não dizem a verdade.
São dois vagabundos que andam enganando o mundo e roubando as esmolas dos pobres; fora daqui’; e não nos abrir e deixar-nos estar ao tempo, à neve e à chuva com frio e fome até à noite.
Então, se suportarmos tal injúria e tal crueldade, tantos maus tratos, prazenteiramente, sem nos perturbarmos e sem murmurarmos contra ele e pensarmos humildemente e caritativamente que o porteiro verdadeiramente nos tinha reconhecido e que Deus o fez falar contra nós: ó irmão Leão, escreve que nisso está a perfeita alegria.
E se perseverarmos a bater, e ele sair furioso e como a importunos malandros nos expulsar com vilanias e bofetadas dizendo:
‘Fora daqui, ladrõezinhos vis, vão para o hospital, porque aqui ninguém lhes dará comida nem cama’; se suportarmos isso pacientemente e com alegria e de bom coração, ó irmão Leão, escreve que nisso está a perfeita alegria.
E se ainda, constrangidos pela fome e pelo frio e pela noite, batermos mais e chamarmos e pedirmos pelo amor de Deus com muitas lágrimas que nos abra a porta e nos deixe entrar, e se ele mais escandalizado disser: ‘Vagabundos importunos, pagar-lhes-ei como merecem’:
E sair com um bastão nodoso e nos agarrar pelo capuz e nos atirar ao chão e nos arrastar pela neve e nos bater com o pau de nó em nó:
Se nós suportarmos todas estas coisas pacientemente e com alegria, pensando nos sofrimentos de Cristo bendito, as quais devemos suportar por seu amor; ó irmão Leão, escreve que aí e nisso está a perfeita alegria, e ouve, pois, a conclusão, irmão Leão.
Acima de todas as graças e de todos os dons do Espírito Santo, os quais Cristo concede aos amigos, está o de vencer-se a si mesmo, e voluntariamente pelo amor suportar trabalhos, injúrias, opróbrios e desprezos, porque de todos os outros dons de Deus não nos podemos gloriar por não serem nossos, mas de Deus.
Do que diz o Apóstolo: ‘Que tens tu que o não hajas recebido de Deus? E se dele o recebeste, por que te gloriares como se o tivesses de ti?’
Mas na cruz da tribulação de cada aflição nós nos podemos gloriar, porque isso é nosso e assim diz o Apóstolo: “Não me quero gloriar, senão na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo”‘.
Ao qual sejam dadas honra e glória in secula seculorum.
Amém.
Fonte: Os Fioretti de São Francisco de Assis.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

São Francisco de Assis exorta discípulos a procurarem maior zelo litúrgico nos paramentos litúrgicos e no que é referente ao Santíssimo Sacramento

De uma carta de São Francisco de Assis
 a todos os Superiores dos
Frades Menores:
 
A todos os Custódios dos frades menores que receberem esta carta, Frei Francisco, pequenino servo vosso em Deus Nosso Senhor, deseja a salvação com os novos sinais do céu e da terra, que, grandes e excelentíssimos aos olhos do Senhor, são contudo tidos em conta de vulgares por muitos religiosos e outros homens.
Peço-vos ainda com mais insistência do que se pedisse por mim mesmo, supliqueis humildemente aos clérigos, todas as vezes que o julgueis oportuno e útil, que prestem a mais profunda reverência ao Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo bem como a seus santos nomes e palavras escritos, que tornam presente o seu Sagrado Corpo.
Os cálices e corporais que usam, os ornamentos do altar, enfim tudo quanto se relaciona ao sacrifício, sejam de execução preciosa.
E se em alguma parte o Corpo do Senhor estiver sendo conservado muito pobremente, reponham-no em lugarricamente adornado e ali o guardem cuidadosamente encerrado segundo as determinações da Igreja, levem-no sempre com grande respeito e ministrem-no com muita discrição.

Igualmente os nomes e palavras escritos do Senhor deverão ser recolhidos, se encontrados em algum lugar imundo, e colocados em lugar decente.

E em todas as pregações que fizerdes, exortai o povo à penitência e dizei-lhe que ninguém poder salvar-se se não receber o Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor.
E quando o sacerdote o oferecer em sacrifício sobre o altar, e aonde quer que o leve, todo o povo dobre os joelhos e renda louvor, honra e glória ao Senhor Deus vivo e verdadeiro.
Anunciai e pregai a todo o povo o seu louvor, de modo que a toda hora, ao dobre dos sinos, o povo todo, no mundo inteiro, renda sempre graças e louvores ao Deus onipotente.

E todos os meus Irmãos custódios que receberem esta carta e a copiarem e guardarem consigo e a fizerem copiar para os Irmãos incumbidos da pregação e do cuidado dos Irmãos, e pregarem até o fim o que nela está escrito, saibam que terão a bênção do Senhor Deus e a minha.

E isto lhes seja imposto em virtude da verdadeira e santa obediência. Amém.

E o poverello de Assisi insistia numa segunda
carta com zelosa premência:


A todos os custódios dos frades menores que receberem esta carta, Frei Francisco, o menor dos servos de Deus, envia saudação e santa paz no Senhor.

Sabei que existem algumas coisas que aos olhos de Deus são sumamente superiores e sublimes, as quais os homens por vezes julgam vis e abjetas; e outras existem que os homens tem em alto preço e admiração, ao passo que Deus as vê como as mais vis e abjetas.


Peço-vos, diante de Deus Nosso Senhor, tanto quanto posso, que entregueis aquela carta que trata do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor aos bispos e clérigos e guardai bem na memória o que a respeito disso vos recomendamos.

Acerca da outra carta que vos envio, rogo-vos que a façais chegar às mãos dos podestás, cônsules e regentes; fazei dela muitas cópias, para que se divulguem entre os povos e publicamente os louvores de Deus.

Cuidai bem de entregá-la àqueles que a devem receber.

domingo, 9 de novembro de 2014

Os fiéis “sofrerão perseguições e punições como se eles fosses desobedientes e cismáticos”

Saint-Francois-Assise-632“Continuai com coragem e encontrai reconforto e sustento no Senhor. Graves tempos de tribulação e aflição se apressarão a vir ao vosso encontro, durante os quais se espalharão obscuridade e perigos materiais e espirituais, a caridade de muitos esfriará e a iniquidade dos maus superabundará.
O poder dos demônios será desencadeado mais do que o comum, a pureza imaculada do nosso culto e a dos outros será desfigurada, ao ponto que pouquíssimos cristãos obedecerão ao verdadeiro Sumo Pontífice e à Igreja romana: alguém, que não terá sido eleito canonicamente, será elevado ao Papado no momento de sua tribulação. Ele, por seus erros, tramará matar muitos.
Então os escândalos se multiplicarão, nossa Religião se dividirá, vários serão totalmente enfraquecidos por outros, conquanto eles não se oporão, mas concordarão com a deriva. Haverá tantas opiniões e cismas entre o povo e os religiosos e eclesiásticos, que se eles não fossem abreviados segundo a palavra do Evangelho, esses dias induziriam ao erro (se fosse possível) até os eleitos, salvo que eles serão guiados nessa terrível tormenta pela imensa misericórdia de Deus.
Nossa Regra e nossa vida serão então violentamente atacadas por alguns.
Poderosas tentações vão se abater. Então, aqueles que resistirem na provação terão a coroa da vida. Mas ai daqueles que se tornarem mornos, sentindo-se em segurança somente na esperança da religião e não resistindo com constância às tentações consentidas a fim de provar os eleitos. Aqueles que – inflamados de caridade e com um verdadeiro espírito e zelo pela verdade – permanecerem ligados ao amor de Deus, sofrerão perseguições e punições como se eles fossem desobedientes e cismáticos. Com efeito, aqueles que os perseguirem, incitados por espíritos malignos, afirmarão que aniquilar e varrer da face da terra homens tão nocivos é prestar uma grande homenagem a Deus. Nesse momento, todavia, o Senhor será o refúgio dos aflitos e salvará aqueles que esperarem Nele. 
A fim de se conformar ao seu líder, eles se comportarão com fé e escolherão obedecer antes a Deus que aos homens; não querendo se conciliar com a mentira e a perfídia, eles não temerão em caso algum a morte. A verdade será então enterrada no silêncio por alguns pregadores, por outros ela será negada com desprezo. A santidade de vida será ridicularizada… e por causa disso Nosso Senhor Jesus Cristo lhes deixará não um pastor digno, mas um exterminador”. 
Fonte:

s

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