sexta-feira, 29 de abril de 2022

Maria Santíssima, modelo de caridade para com o próximo

 Virgem Maria

Tire o maior proveito desta Meditação seguindo os passos
para se fazer a Oração Mental proposta por Santo Afonso!

Hoc mandatum habemus a Deo: ut qui diligit Deum, diligat et fratrem suum – “Nós temos de Deus este mandamento, que o que ama a Deus, ame também a seu irmão” (1 jo 4, 21)

Sumário. O amor para com o próximo nasce do amor para com Deus. Ora, como nunca existiu, nem jamais existirá, quem mais que Maria Santíssima amasse a Deus, assim nem houve, nem haverá, quem mais que a Santíssima Virgem tenha amado e ame o próximo. Basta saber que esta sua caridade a levou a oferecer à morte, entre as dores mais acerbas, e pela nossa salvação, o seu Filho unigênito. Felizes de nós se soubermos imitar uma Mãe tão carinhosa. Ela usará para conosco da mesma caridade que tivermos para com o próximo..

I. O amor para com Deus e para com o próximo nos é imposto no mesmo preceito: Nós temos de Deus este mandamento, diz São João, que o que ama a Deus, ame também a seu irmão. A razão é óbvia, diz Santo Tomás; porque quem ama a Deus, ama todas as coisas amadas por Deus. Mas visto que não existiu, nem jamais existirá, quem mais que Maria amasse a Deus, também não houve, nem haverá, quem mais que a Santíssima Virgem tenha amado o próximo. Sobre esta passagem dos Cânticos: Ferculum fecit sib rex Salomon… media caritate constravit, propter filias Ierusalem (1) —– “O rei Salomão fez para si uma liteira… revestiu-a de caridade por causa das filhas de Jerusalém”, o Padre Cornélio a Lapide diz que esta liteira foi o seio de Maria, no qual habitou o Verbo incarnado, enchendo sua Mãe de caridade, a fim de que auxiliasse a qualquer que a ela recorresse.

Vivendo neste mundo, foi Maria tão cheia de caridade, que socorria os necessitados, mesmo sem que lho pedissem; como fez precisamente nas bodas de Caná, quando pediu ao Filho o milagre do vinho, expondo-Lhe a aflição daquela família: Vinum non habent (2) — “Eles não tem vinho”. — Oh, quanto ela se apressava quando se tratava de socorrer o próximo! Quando, por ofício de caridade, visitou a casa de Isabel, foi com pressa às montanhas: abiit in montana cum festinatione (3). Não pode, porém, demonstrar melhor a sua grande caridade que oferecendo à morte o seu Filho pela nossa salvação, pelo que São Boaventura diz: “Maria amou o mundo de tal modo, que deu por ele o seu Filho unigênito.”

Esta caridade de Maria para conosco não é menor agora que ela está no céu; muito ao contrário, como diz o mesmo São Boaventura, ali muito se tem aumentado, porque conhece melhor as nossas misérias. Pobres de nós, se Maria não rogasse a nosso favor! Revelou Jesus Cristo à Santa Brígida que, se as súplicas da divina Mãe não intercedessem por nós, não haveria esperança de misericórdia.

II. Bem-aventurado aquele (diz a divina Mãe), que presta atenção aos meus preceitos e observa a minha caridade, para depois, à minha imitação, praticá-la com os outros: Beatus homo qui audit me (4) — “Bem-aventurado o homem que me ouve”. Afirma São Gregório Nazianzeno que, para adquirirmos o afeto de Maria, não há coisa melhor do que usar caridade para com o próximo. Por isso, assim como Deus nos exorta: Sede misericordiosos, como vosso Pai é misericordioso (5); assim parece que Maria diz a todos os seus filhos: Sede misericordiosos, assim como é misericordiosa a vossa Mãe.

É certo que segundo a caridade que nós usarmos para com o próximo, Deus e Maria a usarão para conosco, conforme diz Jesus Cristo, que nos medirá com a mesma medida com que tivermos medido aos outros (6). — Numa palavra, conclui o Apóstolo, a caridade para com o próximo é útil para tudo, e nos faz felizes nesta vida e na outra, porque tem a promessa da vida presente e da futura (7); e quem socorre os necessitados faz com que o próprio Deus lhe fique sendo devedor (8).

Ó Mãe de misericórdia, vós sois cheia de caridade para com todos; não vos esqueçais de minhas misérias. Vós as conheceis. Recomendai-me a Deus, que nada vos nega. Alcançai-me a graça de poder imitar-vos na santa caridade tanto para com Deus como para com o próximo. — E Vós, ó meu Jesus, tende piedade de mim; perdoai-me todos os desgostos que Vos dei, particularmente pela minha pouca caridade com o próximo. Perdoai-me, Senhor, e não me entregueis à mercê das minhas paixões, como mereceria. Se prevedes que para o futuro eu tenho de Vos ofender novamente, deixai-me antes morrer agora, que espero estar na vossa graça. Fazei-o pelos merecimentos da caridade de Maria Santíssima, vossa querida Mãe.

Referências:

(1) Ct 3, 9
(2) Jo 2, 3
(3) Lc 1, 39
(4) Pv 8, 34
(5) Lc 6 ,36
(6) Lc 6, 38
(7) 1 Tm 4, 8
(8) Pv 19, 17

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(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 34-37)

quarta-feira, 27 de abril de 2022

“O DEVER DOS FIÉIS PARA A RESTAURAÇÃO DO REINO SOCIAL DE JESUS CRISTO”

 

ESTE CAPÍTULO FOI RETIRADO DO LIVRO ORIGINAL: LA ROYAUTÉ SOCIALE DE N.S . JÉSUS-CHRIST D ‘ APRÈS LE CARDINAL PIE- PE . THEOTIME DE S. JUST 

NIHIL OBSTÁT KR. EVARISTUS A LUGOUNO, Cens. dep. Cristae, 25 Martii 1925.IMPRIMI POT EST KR. KUNESTUS A S ° STEPHOJO, Min. Prov.
Lugduni, 13 Aprilis 1920.IMPRIMATUR J. CAMVKT.
Vic. gen. Namurci, 5 Oecembris 1925.

Tradução: Witor Lira

CAPÍTULO I:

O DEVER DOS FIÉIS PARA A RESTAURAÇÃO DO REINO SOCIAL DE JESUS CRISTO

A família e a prática pública do culto cristão-A afirmação da sua fé na vida pública e na sua vida social. Afirmação da sua fé na vida pública e nas suas relações sociais. – Oração para o reino social.

O primeiro dever dos fiéis, para ajudar a restauração social-cristã, é sobretudo fazer reinar Jesus Cristo em suas mentes por meio da instrução religiosa.

“A única esperança de nossa regeneração social, diz o bispo Pie, repousa no estudo da religião… o primeiro passo de volta para a paz e a felicidade será “o retorno à ciência do cristianismo.” [1]

O Bispo Pie insiste neste ponto que é essencial para ele, porque, aos seus olhos, o renascimento social-cristão da França está intimamente ligado ao renascimento catequético. Em quatro sermões pregados na catedral de Chartres, explicou longamente aos fiéis a importância do estudo da religião e indicou-lhes os método a ser utilizado neste estudo. [2]

Estes sermões do jovem vigário da catedral de Chartres, dados em 1840, ainda são notavelmente atuais, e não conhecemos nada mais claro e mais persuasivo. Ao relê-los, todos os fiéis serão fortemente encorajados a dar em suas vidas o primeiro lugar à instrução religiosa.

Com efeito, como não ser tocado por palavras tão verdadeiras e tão fortes?

“Afastar a mente da verdade, ficar indiferente a ela, é precisamente o crime que Deus castigará com maior severidade e justiça… É evidente que a mera ignorância intencional da religião é em si um crime digno de morte, porque contém desprezo por Deus e o desejo de “escapar de sua mão todo-poderosa.’’ [3]

Esta sólida instrução religiosa exigida aos fiéis deve ser neles o alimento de uma fé integral e completa, e ,para Dom Pie, a fé completa, a única fé verdadeira,  é aquela que não só afirma a Divindade e Humanidade de Jesus Cristo, mas também proclama a sua Realeza Social.

Ouçamo-lo comentar uma passagem de S. Gregório aos fiéis, respondendo assim ao cristão dos nossos dias, imbuídos de falsas ideias modernas.

“Meu irmão, tens a consciência tranquila, dizes-me, e embora aceite o programa do catolicismo liberal, pretendes permanecer ortodoxo, pois acreditas firmemente na divindade e na humanidade de Jesus Cristo, o que é suficiente para constituir um cristianismo inatacável. Pense de novo. Desde o tempo de S. Gregório havia hereges, alguns hereges, que acreditavam nesses dois pontos como você, e sua “heresia” consistia em não querer reconhecer em Deus feito homem uma realeza que se estendia a tudo: sed hune ubi que regnare nequaquam creduni.

Não, você não é irrepreensível em sua fé; e o Papa S. Gregório, mais enérgico que o Syllabus, inflige a nota de heresia em ti se és um daqueles que, tendo como dever oferecer a Jesus o incenso, não quer oferecer também o ouro,[4] isto é, reconhecer e proclamar a sua realeza social.

Assim, se eles querem ter um cristianismo inatacável e permanecerem irrepreensíveis em sua fé, se eles querem ser fiéis e não heréticos, os católicos devem acreditar firmemente que Jesus Cristo deve reinar sobre as instituições sociais, penetrando-as com seu espírito e tornando sua legislação consistente com as leis de seu evangelho e de sua igreja.”

Esta fé na realeza social de Cristo deve antes de tudo vivificar a família cristã, submetendo-a perfeitamente ao Rei Divino. O Bispo Pie, o Doutor do Reinado Social, mostrou como Nosso Senhor quer reinar sobre os lares cristãos. Ele fez isso em 1854, na carta sinodal dos Padres do Concílio de Rochelle, inserida em suas obras. Citemos as principais passagens. É uma magnífica pintura da família cristã:

“Na linguagem de São Paulo, cada casa é um “santuário”. Que ali encontremos a Cruz de Jesus Cristo, que é o sinal de cada família cristã e que a imagem de Maria, a Mãe de Deus e nossa mãe, seja inseparável do crucifixo! Que a água benta e o ramo abençoado protejam a morada contra as ciladas do inimigo; que a vela da Candelária seja mantida ali para ser acesa nos momentos de perigo, na hora da agonia e da morte. Ah! nossos pais possuíam o segredo dessa vida totalmente cristã na qual a religião tinha seu lugar marcado em todas as coisas. A refeição foi santificada pela bênção que recitava o chefe da família. Três vezes por dia, quando o bronze sagrado ressoava no alto do campanário do Pate Roissial, cada um suspendia a sua tarefa e invocava com amor a Virgem que deu ao mundo o Verbo feito carne. No limite da propriedade foi plantada uma cruz, que o trabalhador saudou piedosamente na virada de cada sulco. Ainda se encontravam momentos durante o dia para rezar o rosário, para ler algumas páginas de um livro hereditário que continha os principais fatos dos dois Testamentos e as mais belas características da vida dos santos. [5]

A mãe de família não acreditava que tivesse cumprido todos os seus deveres religiosos quando tinha sido capaz de explicar aos seus filhos e criados algum artigo da doutrina cristã. Se acontecesse que a morte anunciasse sua sentença, todos os irmãos e todas as irmãs em Jesus Cristo do falecido apressavam-se a conceder-lhe os benefícios de seus votos; e o culto dos mortos, hoje tão negligenciado, foi produzido por vários testemunhos e por práticas que não podem ser lembradas com demasiada frequência. Finalmente, quando o último raio do dia levou a família dispersa à volta da lareira, como foi tocante ver velhos e crianças, criadas e criados ajoelhados perante as santas imagens, fundindo na mesma oração as suas vozes e o seu amor!

Estes costumes piedosos atraíram à terra as bênçãos do céu; enobreceram o lar, bem como o santificaram, e refletiram na sociedade algo sério, algo digno, que, juntamente com a unidade dos dogmas da fé, manteve a inocência das almas e a união das vontades. Que possamos ver estes comoventes hábitos da era cristã reavivados. [6]

Uma vida familiar tão bela não pode ser mantida por muito tempo sob o cetro do Rei Jesus se a educação das crianças não for profundamente cristã. Nós não podemos resumir aqui todos os ensinamentos do Cardeal Pie sobre este assunto. [7]Note-se simplesmente a insistência com que ele recorda aos pais que não podem enviar os seus filhos para escolas ateístas ou mesmo simplesmente escolas indiferentes. Ouçamo-lo, fazendo suas as palavras de São João Crisóstomo:

“O crime dos pais que mandam os filhos para tais escolas é mais atroz do que infanticídio Patres parricidis ipsis cruliores. Seria menos cruel pegar a espada e cravá-la no peito dessa vítima inocente. O crime do pai não tornaria a criança culpada, apenas separaria sua alma de seu corpo; ao passo que enquanto você entregar o seu corpo e alma ao inferno agora, ele engolirá o inferno dentro de si próprio por toda a sua vida, e depois cairá no fogo eterno.

Este texto refere-se à escola positivamente e abertamente má. Mas a escola neutra ou indiferente é referida diretamente na passagem seguinte:

“Mandar os filhos para um lar onde a religião não vale nada é um pensamento que faz estremecer, lê-se que é, acrescenta São João Crisóstomo, o crime de muitos pais. Se os informássemos que a peste está na cidade onde residem seus filhos, eles não encontrariam palavras para nos agradecer. E quando uma praga mil vezes mais terrível penetrou em todo o lado, o nosso conselho é acusado de indiscrição, isso se não formos colocados entre os inimigos da paz pública.[8]

Se os pais souberem impor-se sacrifícios para afastar os filhos de uma educação sem Deus, Jesus Cristo será verdadeira e para sempre o rei das famílias. [9]

A fé na realeza social de Cristo será irradiada para fora da família pela prática pública da religião cristã. Isto é para mostrar a todos que Cristo deve dirigir os atos públicos do cristão, bem como os seus atos individuais e domésticos.

A religião cristã é uma religião pública e os fiéis são obrigados a praticá-la abertamente. O Bispo Pie, que justamente viu neste carácter público da religião o caminho normal para o reinado social de Jesus Cristo, insistiu em recordar aos fiéis a necessidade do culto público [10] e do que este impõe.

Temos dele três sermões sobre a santificação,[11]os quais mais tarde desenvolveram-se em duas magníficas instruções pastorais sobre a lei dominical, [12]que ele chama de a obra-prima da legislação social. [13]

Temos várias das suas instruções sobre a missa, o sacrifício público da religião cristã. [14]

Sobre a liturgia, que é todo o culto público, encontramos nas obras do Bispo de Poitiers uma série de instruções que formariam um volume precioso em si mesmas. [15]Também não se esqueceu de tratar da observância da lei quadragesimal, que para a felicidade do povo tinha anteriormente um carácter eminentemente social. [16] Outra manifestação pública de fé, a peregrinação, foi estudada por ele cuidadosamente. [17]

Esta rápida enumeração das práticas externas e públicas da religião mostra-nos o quanto o grande bispo queria que os fiéis estivessem bem conscientes da sua importância e do seu elevado significado social.

Finalmente, numa magnífica instrução pastoral sobre a obrigação de confessar publicamente a fé cristã, o Bispo Pie mostra-lhes que não só devem associar-se ostensivamente ao culto, mas também ser cristão em toda a sua conduta pública.

Depois de ter estabelecido pela Escritura a necessidade rigorosa de não se envergonhar de Jesus Cristo perante os homens, depois de ter recordado sem desvios com São João que os “tímidos” que não ousam confessar a sua fé terão o mesmo destino daqueles que não acreditam, e cuja parte será o lago de fogo. «Timidis autem et incredulis, pars illorum erit in stagna ardenti » ( Apoc. X X I ,8), o Bispo Pie refuta a objeção que a covardia, infelizmente, coloca hoje em dia nos lábios de quase toda a gente. Aqui está:

“A esfera em que estou necessariamente colocado não é uma esfera cristã”, diz o tímido católico; posar como cristão seria uma singularidade e um contraste, por vezes seria até uma provocação ao sarcasmo e à blasfémia, é necessário curvar-se às exigências dos tempos e às necessidades das posições.

“Então, meu querido irmão”, responde o bispo, “é porque Jesus Cristo é desconhecido para muitos dos vossos contemporâneos que vos julgais no direito de O ignorardes. É porque um sopro maligno e irreligioso passou sobre a geração atual que reivindicas o direito de participar do contágio.

Esta infidelidade geral que invoca como desculpa é uma circunstância que agrava em vez de atenuar a sua culpa. Perante esta apostasia de muitos, és obrigado a declarar mais fortemente a sua fé e assim tornar-se um exemplo e um protesto. Não ouve nos vossos ouvidos a afirmação solene do Salvador? “Aquele que tem vergonha de mim e do meu Evangelho perante esta geração corrupta e pecadora, terei vergonha dele quando aparecer na glória do meu Pai, na companhia dos meus anjos.””[18]

Iluminado e confortado por tais palavras, que pessoa fiel, desprezando o respeito humano, não trabalhará com todas as suas forças pela prática pública do cristianismo para o reinado social de Cristo? [19]

O grande meio, portanto, de promover este reino é a oração, que vivifica a ação e obtém do céu o sucesso que nossos esforços sozinhos não podem obter.

O bispo Pie nos mostrou os três primeiros pedidos do Pai Nosso: santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu, a oração por excelência para o advento do reino social aqui embaixo.

Ele quer que os fiéis compreendam o pleno significado desta oração e saibam que o reino de que se fala não é apenas o céu, mas também o reino social de Cristo na terra. Eles devem, portanto, ao recitá-lo, desejar este reino e orar com confiança ao Pai celestial para conceder ao mundo esse benefício inestimável.

Ouçamos o Bispo de Poitiers recomendar a oração pelo reino. É a uma freira que ele se dirige e, por meio dela, a todos os fiéis que amam N. S. Jesus Cristo:

“A cura espiritual não avança entre aqueles que estão no comando dos negócios, sejam homens de poder ou homens do futuro. Deus não é colocado em seu lugar por ninguém. Infelizmente! Aprenderemos às nossas custas que não se dispensa o Ser Necessário impunemente. O mundo perdoa-lhe a sua existência, desde que esteja disposto a deixar o seu trabalho ir sem ele, e este mundo não é apenas o mundo sem Deus, mas um certo mundo político cristão.  Para nós, esforcemo-nos por nos sentirmos melhor, por salientar melhor do que nunca os três primeiros pedidos do Pai Nosso. E enquanto o mundo atual durar, não nos deixemos levar a confinar o reino de Deus ao céu, ou mesmo ao interior das almas: sicut in caelo et in terra? O abandono terreno de Deus é um crime: nunca nos resignemos a ele!”

E como o destronamento de seu representante visível está intimamente ligado a ele, rezemos sem cessar para que a grande iniquidade consumada em Roma possa chegar ao fim. Então, como a libertação de Roma só pode vir através da França, coloquemos nosso patriotismo nacional mais do que nunca, mas acima de tudo coloquemos todo o ardor do nosso amor a Deus e à sua Igreja para trabalhar pela recuperação da França através de nossas orações e nossos sofrimentos!”  [20]

Que os fiéis não se cansem de rezar pela vinda do Reino e que a sua oração, nos nossos dias de apostasia nacional, seja mais fervorosa e mais confiante do que nunca! Esta é a palavra de ordem do Cardeal Pie.[21]

Aprender toda a religião e praticá-la em família e publicamente, crer na realeza social de Jesus Cristo e orar para que ela aconteça, tal é o dever dos fiéis.

[1] Œuvres sacerdotales, 1. 137

[2] Ibid., i 98-189.

[3] Œuvres sacerdotales, 1 133-134.

[4] vin 62-63. Homélie sur l’étendue universelle de la Royauté de Jé-
sus-Christ US janvier 1874)

[5] Un abrégé de l’Ecriture Sainte et la vie des Saints: deux livres indispensables. Les autres livres ne sont pas exclus, mais l’Evêque de
Poitiers veut que la bibliothèque familiale soit composée uniquement de
bons livres. 11 faisait siennes les recommandations précises d’un évêque
son ami : « Fouillez vos bibliothèques et vos maisons, comme on fouille
une forêt ou une demeure où l’on soupçonne la présence d’un assassin
ou d’un voleur et déclarez une guerre à mort aux mauvais livres. » rv.
134. Quant aux journaux, il avertit le père de famille de surveiller le
journal qui entre chez lui. De ce journal, dépend la vie ou la mort de la
famille. Pas de mauvais journal, pas de journal neutre, mais le bon
journal, entièrement et franchement catholique, n. 344-345. ni. 238, 454.
v. 394 sq. — Parlant ici de la lecture, nous devons signaler l’importance que
l’Evêque de Poitiers attachait à la question de la presse. « Quand même, disait-il, une population tout entière viendrait encore autor de la chaire, le peuple le plus religieux du monde qui lirait de maii- vais journaux, deviendrait, au bout de trente ans, un peuple d’impies et de révoltés. Humainement parlant, il n’y a pas de prédication qui tienne devant la mauvaise presse. » Card. Piecité par E. AuGiER dans Vade-mccum du Conférencier. 419.

[6] ir 149-150. Voyez encore v. 21, 29. Allocution prononcée à la suite
de la consécration de l’autel d’une chapelle particulière, 4 août 1863.
Rien n’est oublié dans ce programme de vie familiale chrétienne. Mais
Mgr Pie savait qu’un rôle important et délicat est réservé dans la famille à la femme chrétienne: c’est elle qui doit veiller à la garde de la
foi. Il l’exhorte à remplir avec perfection ce rôle sublime et, pour l’encourager, il lui montre qu’elle travaille ainsi, à sa manière, à la restauratien sociale chrétienne. Ecoutons: « Durant la première moitié de ce
siècle, l’Eglise n’a rencontré sous sa main qu’un élément vraiment
« conservateur, qu’une puissance sérieusement conservatrice : la femme
« française.. Ce sont les femmes françaises qui ont empêché le culte et
<: !e nom de Dieu de périr sur la terre et qui, malgré les sarcasmes et
les dédains, ont conservé dans leurs cœurs et dans leurs habitudes
« ia religion de Jésus-Christ. » Mais pour que les femmes chrétiennes
d’aujourd’hui soient dignes de celles qui les ont précédées, il les conjure
« de conserver en elles la vie de la foi et de la grâce, l’esprit de renoncoment et d’immolation ». 2\ les exhorte à s’opposer énergiquement « à
<- ce? habitudes nouvelles, à ces allures étrangères aux traditions de
-iot”e éducation nationale ci chrétienne, qui menacent de se substituer
« à cette modestie suave, à cette aisance noble et réservée, à cette grâce
<‘ enjouée et bénigne, en un mot, à toutes ces qualités inexprimables qui
« ont vendu les femmes françaises l’admiration du monde entier. » 11,
1-14. Eloge de sainte Theudosie.

[7] Or. les trouvera /;; extenso dam Œuvr. sac. 1: Devoirs des parents
pî-r rapport à l’éducation de famille de leurs enfants, 29-50 ; par rapport
? L’éducation publique de? enfants. 50-64 ; par rapport à la vocation des
cr.fents, 73-°0 ; complément des instructions sur les devoirs des parents
concernant l’éducation de leurs enfants. 90-98.

[8] Œuvr. sac. 1 . 5 4 Ainsi lcrolc ouvertement mauvaise est comparée à un glaive qui tue, Iïvolc neutre à un pohon qui, lentement, amè-
ne la mort. ïl n’y a rien d’exagéré rinns cette doctrine de S. Chrysoslô-
me rappelée par le Cardinal Pie. C’est la doctrine de l’Eglise qui, toujours, a condamné 1 école neutre. Lire sur ce sujet l’Encyclique Xobilissimn gaUorv.m yens de L é o n x m . (Edit. Ronnc Presse. T. I. 2 3 0 ) . Il y
est dit : 4. Semper schnlas guas appelant mixtas vel ncutras aperte, damnavit Ecclesia».

[9] Un des plus puissants moyens de rappeler à la famille tous ses
devoirs envers le Roi Jésus, c’est l’intronisation du Sacré-Cœur dans les
foyers. L’Intronisation, c’est N.-S. venant réclamer sa place au foyer,

comme autrefois, au soir de ses courses apostoliques, il demandait l’hospitalité à Béthanie, place d’honneur parce qu’il est Roi et doit réçner
sur chaque famille afin de régner bientôt sur la société, place intime et
familiale, car il est YAmi et c’est par son Cœur, par son Amour qu’il veut

régner. L’Intronisation constitue un état où l’Evangile devient la Règle
et comme l’âme dv foyer dont le Sacré-Cœur est le Roi. L’Intronisation a été hautement approuvée par Pie x, Benoît xv, Pie

xi. Voir la belle lettre de Benoît xv au P. Mathéo Crawley-Boevey du
27-4-1915 dans Âcta Ap. Sedls. 1915. p. 203 et dans Régna bit. vnr. 402-
404. Le Cardinal Pie qui a consacré toutes les familles de son diocèse
au Sacré-Cœur (vi. 614) aurait accueilli avec bienveillance et enthousiasme l’idée de l’Intronisation.

[10] Œuvres sacerdotales, 1 506-519

[11] Ibid., I 562-604.

[12] m 564-597

[13] n i 594. Au sujet de la sanctification du dimanche, Mgr Pie a écrit:
< L’institution du dimanche, avec les salutaires observances qu’elle
réclame, suffirait à elle seule pour faire fleurir la plus parfaite morale
sur la terre. » Œuvr. sacerd. 1 329.

[14] Œuvres sacerd. u 1-38. Nous savons par Mgr Gay (corresp. 1 240)

[15] Sur les temples catholiques. Œuvres sacerd. 1 5119-535.
Sur le caractère dramatique du culte catholique, it. 535-562.
Sur les offices de l’église. Œuvres sacerd. n 38-52.
Sur le cycle ecclésiastique. Ibid. 11 52-67.
Sur la journée sanctifiée par l’Eglise. Ibid. it 76-92.
Résumé des instructions sur le culte. Ibid. n 92-102.

[16] vi 40-60. Dom Guéranger (L’année liturgique. Le Carême) a bien
fait ressortir le caractère profondément social du Carême: « La société
€ chrétienne empruntait à Tannée liturgique ses saisons et ses fêtes,
€ particulièrement le temps du Carême, pour y asseoir les plus précieuses
« institutions, par exemple la trêve de Dieu…
« II ne faut pas réfléchir longtemps pour comprendre la supériorité
« d’un peuple qui s’impose, durant quarante jours chaque année, une
« série de privations dans le but de réparer les violations qu’il a com-
« mises dans l’ordre moral, sur un peuple qu’aucune époque de l’année
4 ne ramène aux idées de réparation et d’amendement. » L. c. ch. 2 et 3.

[17] Voyez p. ex. vu 584-587.

[18] VUT 81-82-83. Instruction pastorale sur l’obligation de confesser
publiquement la foi chrétienne. (Carême 1874.)

[19] Pour aider à la perfection de la vie publique du chrétien, Mgr Pie
encourageait vivement les associations chrétiennes qui sont une force imposante dans la cité de l’Eglise. Il affectionnait particulièrement les
associations qui développent ia vie paroissiale, iv 277. — rv 189 et suiv.
Notons qu’il n’eût pas manqué de recommander instamment, dans le
même but de restauration sociale, le Tiers-Ordre de S. François d’Assise,
lui qui s’était fait recevoir tertiaire de S. François le 30 Mars 1879, trois

/.ns avant la fameuse encyclique « Auspicato x de LÉON x m . Histoire du
Card. Pie, / / . 1. n. p. 672.

Rappelons aussi qu’il s’est intéressé spécialement aux Cercles catholiques d’ouvriers, fondés par le Comte de Mun. Il voyait dans cette œuvre
« un effort persévérant pour arracher la classe populaire aux étreintes
dť lantichristianismc incarné dans la Révolution et la rejeter dans les
bras de N. S. J . – C . toujours enseignant et agissant par son Eglise. » ix
633; vu 410-411 — ix 631 et suiv. Voyez également: Discours du comte
Albert de Mun, accompagnés de notices par C H . GEOFFROY DE GRAND-

ÎTAISOX, t. I. Questions sociales, p. 32 et p. 133-134.
Le Cardinal Pie ne pouvait concevoir que confessionnelles les Associations ouvrières et autres, car la souveraineté de J.-C. doit s’exercer sur
titut l’ordre social, sur ses groupements naturels, tels que la famille, lu
cité et la nation et aussi sur les groupements professionnels et conventionnels. Il était sur ce point, comme sur tous les autres, en conformité
parfaite avec la doctrine de l’Eglise. Voir Cité chrétienne, par Henri
BRUN. 221-492.
Relativement aux obligations électorales des fidèles en vue du Rè^ne
social, voir plus bas : Devoirs des prêtres : Note finale. Il y est dit que les
fidèles ne peuvent, sans péché grave, voter pour un sectaire notoire, ou
pour un candidat affilié aux sociétés secrètes.
Si déplorable que soit le système électoral moderne, les fidèles ne doivent pas, en règle générale, s’abstenir de voter, Mgr Gay nous donne sur
ce point la pensée du Card. Pie. « La Révolution nous a condamnés à
« tirer du suffrage populaire et nos législateurs et jusqu’à nos gouver-
< nements. C’est risquer de faire monter du sein de la mer ces bêtes
« néfastes dont parle l’Apocalypse. Mais enfin, tel est notre sort, et,
« s’il nous fait courir d’effroyables dangers, il nous impose de graves
« devoirs. Peut-être que notre principale, sinon même notre unique
« ressource est de les bien connaître et de les remplir fidèlement. » Mgr
Gay à Mgr Freppel 11 Juin 1881. Dans Mgr Gay, Sa vie, ses œuvres par
Dom BEKXAKD de Bois Rouvray, n 383. Documents et pièces justificatives.

[20] Histoire du Card. Pie, T. n I. rv. ch. 11 p. 435. A la prière, le fidèle
ccit joindre la souffrance, la pénitence, la réparation, Mgr Pie cherchait
à éveiller dans ses fidèles l’idée de la réparation nationnale. Au sujet
c’.’un jeûne prescrit, il écrivait en 1373 : « Ce jeûne devra être offert en
esprit de réparation nationale. » vu, 584.

[21] Pour obtenir de Dieu que la Royauté du Christ soit reconnue dans
h monde entier, S. S. PIE XI a recommandé la prière suivante, accordant aux fidèles qui la récitent une indulgence plénière, qu’ils peuvent
gagner chaque jour aux conditions ordinaires (Rescrit du 25 février
1923) :
« O CHRTST JÉSUS, JE VOUS RECONNAIS POUR ROI UNTVEPTEL. TOUT
T CE QUI A ÉTÉ FAIT, A ÉTÉ CRÉÉ POUR VOUS. EXERCEZ SUR MOI TOUS VOS
< DROITS. JE RENOUVELLE MES PROMESSES DU BAPTÊME, EN RENONÇANT A
« SATAN, A SES POMPES ET A SES ŒUVRES ET JE PROMETS DE VIVRE EN BOX
« CHRÉTIEN. E T TOUT PARTICULIÈREMENT JE M’ENGAGE A FAIRE TRIOM-
* PHER SELON MES MOYENS LES DROITS DE DLEU ET DE VOTRE EGLISE.
r. DIVIN CŒUR DE JÉSUS, JE VOUS OFFRE MES PAUVRES ACTIONS POUR
< OBTENIR QUE TOUS LES CŒURS RECONNAISSENT VOTRE ROYAUTÉ SACREE
« ET QU’AINSI LE RÈGNE DE VOTRE PAIX S’ÉTABLISSE DANS L’UNIVERS £ N –
« ÏTER. AlNST SOIT-IL. »
Citons aussi cette belle prière du Cardinal Pie à la Sainte Vierge pouť
obtenir le Règne social de son Fils :
< O Vierge Marie, jetez un regard de pitié sur le monde. La religion
de Jésus-Christ avait été pour les nations chrétiennes le principe d’une
stabilité, d’une liberté, d’une gloire que n’avaient pas connue les peuples et les siècles païens. « Comment cette couronne est-eUe tombée de notre
iHe ? » Ah! le prophète a fait la réponse: « Malheur à nous parce que
nous avons péché! » Reine de l’Univers, ramenez-nous, ramenez le monde
entier à Dieu, ramenez les nations à Jésus-Christ: vous rendrez ainsi à la
société terrestre sa plus noble couronne, sa couronne de pierre précieuse
ou plutôt vous rendrez à cette société depuis longtemps mutilée et décapitée sa véritable tête qui est Jésus-Christ, votre Fils. A Lui soit louange,
jmour, puissance et empire pendant tous les siècles des siècles! Amen. »
v. 280.

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Novena Poderosa ao MENINO JESUS DE PRAGA

 


Novena Poderosa ao MENINO JESUS DE PRAGA

Sem data de início, rezando sempre essas orações por 9 dias.


Ó Jesus, que dissestes em Vosso Evangelho: "Pedi e recebereis, procurai e achareis, batei à porta e ela se abrirá", por intermédio de Maria, Vossa Mãe Santíssima, com fé e confiança, eu bato à porta do Vosso Coração Amantíssimo e humildemente peço a Vossa divina graça. Atendei, Senhor, à humilde prece que neste dia vos dirijo: (Mencione o pedido).

Ó Jesus, que prometeste: "Tudo que pedires ao meu Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá", a Deus, Vosso Pai e meu Pai celestial, apresento a minha oração. Intercedei, Senhor, junto ao Pai de bondade e Deus de toda consolação para que Ele ouça nesta hora a minha súplica: (Mencione o pedido).

Ó Jesus, que afirmastes: "Passarão o céu e a terra, porém minhas palavras não passarão", confio em Vossa promessa, Senhor, e espero que o Vosso poder e imensa bondade me consolarão e me darão o que Vos peço neste momento: (Mencione o pedido).

Em união a Jesus, rezar um Pai-Nosso e três Ave Maria, pedindo a intercessão de Nossa Senhora junto de seu Filho, o Menino Jesus de Praga.

Da caridade fraterna

 Santo Antônio de Pádua repartindo o pão

Tire o maior proveito desta Meditação seguindo os passos
para se fazer a Oração Mental proposta por Santo Afonso!

Diliges proximum tuum tamquam teipsum – “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12 ,31)

Sumário. Ninguém pode amar a Deus sem que tenha amor ao próximo, porquanto o amor de Deus e o do próximo nascem da mesma caridade, e o mesmo preceito que nos obriga ao primeiro, obriga-nos também ao segundo. Examinemos em que estima tivemos até agora um preceito tão importante, e, se porventura tivermos de reconhecer faltas, façamos firme propósito de ser para o futuro mais exatos, lembrando-nos que da observância da caridade depende o sermos cristãos, não só de nome, mas de fato..

I. Não se pode amar a Deus sem amar ao mesmo tempo ao próximo. O mesmo preceito que nos manda o amor para com Deus, manda-nos igualmente o amor para com os nossos irmãos: Et hoc mandatum habemus a Deo, ut, qui diligit Deum, diligat et fratrem suum (1) — “Nós temos de Deus este mandamento, que o que ama a Deus, ame também a seus irmão”. D’onde infere Santo Tomás de Aquino, que da mesma caridade nasce o amor para com Deus e o para com o próximo, porque a caridade nos faz amar tanto a Deus como ao próximo, visto que assim o quer o próprio Deus. — Deste modo compreende-se o que São Jerônimo refere de São João Evangelista. Perguntando-lhe os seus discípulos, porque tão repetidas vezes lhes recomendava o amor fraternal, respondeu o Santo: “Porque é o preceito do Senhor; sendo bem observado, basta para a salvação.”

Certo dia Santa Catarina de Sena disse ao Senhor: “Meu Deus, quereis que eu ame ao meu próximo; mas eu não posso amar senão a Vós.” Respondeu-lhe o nosso Salvador: “Minha filha, aquele que me ama, ama todas as coisas que eu amo.” — Com efeito, quem ama alguma pessoa, ama também os parentes, os servos, as imagens e até as vestes da pessoa amada, pela razão que esta ama tais coisas. E porque é que nós devemos amar ao próximo? Porque aqueles a quem amamos são objeto da benevolência de Deus.

Por isso escreve São João que é mentiroso o que diz que ama a Deus e odeia a seu irmão (2). Ao contrário, diz Jesus Cristo que aceitará como feita a si próprio a caridade de que usarmos para com o mais pequenino de seus irmãos, que tais são os nossos próximos (3). — Examina-te aqui, se tens até agora tido na devida estima o preceito tão importante da caridade, e toma a resolução de seres mais exato para o futuro. Lembra-te que da observância deste preceito depende o seres cristão não só de nome, mas também de fato: In hoc cognoscent omnes, quia discipuli mei estis: si dilectionem habueritis ad invicem (4) — “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”.

II. Induite vos ergo, sicut electi Dei, viscera misericordiae (5) — “Vós, como escolhidos de Deus, revesti-vos de entranhas de misericórdia”. Eis aí o que, segundo São Paulo, deve fazer o cristão para conservar a caridade para com o próximo. Ele diz: induite: revesti-vos, de caridade. Assim como o homem leva para toda parte o seu vestido, que o cobre inteiramente, assim deve levar consigo a caridade em todas as suas ações e cobrir-se todo inteiro com ela. Diz ainda: induite viscera misericordiae — “revesti-vos de entranhas de misericórdia”. O cristão deve revestir-se, não somente de caridade, mas de entranhas de caridade, o que quer dizer que deve ter para com os seus irmãos tão grande ternura de afeto, como se cada um fosse o seu predileto particular.

Quem ama vivamente uma pessoa, pensa sempre bem dela, alegra-se pela sua prosperidade e entristece-se pelos seus males, como se fossem os próprios. Quando a pessoa amada comete uma falta, que empenho em defendê-la, ao menos em diminuir-lhe a culpa! Quando, ao contrário, faz algum bem, o amigo se desfaz em louvores e enaltece-a até às estrelas. Eis o que faz a paixão. Ora, o que a paixão faz nas pessoas mundanas, deve fazê-lo em nós a santa caridade, e não só para com aqueles que nos fazem bem, mas ainda para com aqueles que nos tenham ofendido.

Ah, meu Redentor, quão longe estou de me parecer convosco! Vós não fostes senão caridade para com os vossos perseguidores, e eu rancoroso e odiento para com o meu próximo! Vós rogastes com tanto amor pelos que Vos crucificaram, e eu só penso em tomar vingança de quem me desagradou! Perdoai-me, ó meu Jesus, não quero mais ser o que fui. Proponho firmemente imitar-Vos de hoje em diante, custe o que custar; proponho amar a quem me ofende e fazer-lhe bem. Dai-me a graça de Vos ser fiel.

— Ó Maria, Mãe de Deus, rogai a Jesus por mim; dai-me uma parte de vosso amor para com o próximo; a vossa proteção é a minha esperança.

Referências:

(1) 1 Jo 4, 21
(2) 1 Jo 4, 20
(3) Mt 25, 40
(4) Jo 13, 35
(5) Cl 3, 12

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(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 21-24)