sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

COMO POSSO AMAR MARIA AINDA MAIS?

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est
Quem reconheceu e contemplou profundamente o amor inexprimível de Maria sobre si mesmo, quer responder a esse amor com o maior amor filial possível.
Olhamos com admiração e talvez um pouco de inveja a devoção dos grandes santos que fizeram tanto e sofreram por Maria, e gostaríamos de nos tornar pelo menos uma miniatura de um São Bernardo, um Grignion de Montfort ou de um Maximiliano Kolbe.
É difícil imaginar que possa haver outra maneira de amar Maria ainda mais.
No entanto, sabemos que ninguém amava Maria mais que seu próprio Filho. Ele a amava com toda a perfeição de sua natureza humana e divina. Ele fez mais por ela do que por todas as outras criaturas reunidas, assim como mostram os privilégios extraordinários que Deus nunca concedeu a uma criatura: a Imaculada Conceição, a plenitude das graças, a virgindade perpétua, a maternidade divina, a maternidade espiritual como Co-Redentora e Medianeira de todas as graças e, finalmente, a Assunção de seu corpo e alma ao céu. Não, ninguém amou mais Maria que o próprio Jesus.
Então, eis aí o caminho para amar Maria mais do que os outros santos. De fato, recebemos a graça imensurável de estarmos totalmente unidos a Cristo pela graça santificante, assim como os membros do corpo estão unidos à cabeça e formam um todo com ele. Assim, nossa vida e a vida de Cristo são apenas uma. A plenitude desta vida está na cabeça, em Cristo, e deste Cristo, ela flui em nós, em cada um dos membros, pela ação do Espírito Santo, alma deste corpo místico.
Esta vida sobrenatural que é nossa é a vida do próprio Cristo, como os ramos participam da vida da videira, como os membros participam da vida de todo o Corpo. Então, quando sofremos, rezamos, trabalhamos, amamos, etc., unidos à vida de Cristo, então é Cristo quem continua seu sofrimento, sua oração, sua obra, seu próprio amor, etc. em nós.
Assim, nosso amor por Maria é muito mais que uma distante imitação do amor filial de Jesus em relação a sua Mãe celestial. Tudo como nossa vida sobrenatural é uma participação, uma continuação e, em certo sentido, a extensão da vida de Cristo, nosso amor por Maria é uma participação, uma continuação e uma extensão do amor de Cristo por Ela. Portanto, se amamos Maria, não somos nós que a amamos, mas Cristo, “nossa vida”, que ama Maria em nós, através de nós, e conosco!
É este amor e a mais alta devoção possível a Maria, que contém em si toda a devoção dos anjos e santos.
Assim, quando Cristo nos diz que ele nos deu um exemplo e nos pediu para fazer como ele, então devemos não apenas imitá-lo, mas devemos honrar, glorificar e amar Maria unida a Ele.
Que alegria imensurável para uma criança mariana poder “amar tanto Maria” e, assim, dar-lhe a maior alegria! Ame Maria com o Amor de Jesus.
Por esse motivo, o ” Mihi vivere Christus est ” deve ser a grande realidade de nossa vida!

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

VINDA DO DIVINO JUIZ E EXAME NO JUÍZO FINAL




Videbunt Filium hominis venientem in nubibus coeli, cum virtute multa et maiestate — “Eles verão o Filho do homem, que virá sobre as nuvens do céu com grande poder e majestade”(Mt.  24, 30).
Sumário. Eis que se abrem os céus e os anjos vêm assistir ao juízo trazendo as insígnias da Paixão de Jesus Cristo, e especialmente a Cruz. Vêm depois os santos apóstolos e todos os seus imitadores; vem a Rainha dos Santos, Maria Santíssima, e por fim o eterno Juiz mesmo, que, sentado num trono de majestade e de luz, procederá ao exame. Reflitamos aqui: O que será de nós nesse dia? Que desculpas poderemos alegar, se por ventura formos condenados?
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Considera como a divina Justiça julgará todos os povos no vale de Josafá, quando, no fim do mundo, ressuscitarem os corpos para receberem, juntamente com a alma, a recompensa ou o castigo, segundo as suas obras. Eis que já se abrem os céus, e os anjos vêm assistir ao juízo, trazendo as insígnias da Paixão de Jesus Cristo, segundo Santo Tomás. Aparecerá sobretudo a Cruz:E então aparecerá o sinal do Filho do homem, e todos os povos da terra se lastimarão em pranto(1). Diz Cornélio a Lapide: Ao verem a Cruz, como chorarão nesse dia os pecadores, que em vida não cuidaram da sua salvação eterna, que tanto custou ao filho de Deus! Assistirão também, na qualidade de assessores, os santos apóstolos e todos os seus imitadores, que juntamente com Jesus Cristo julgarão as nações. Fulgebunt iusti, indicabunt nationes (2) — “Os justos refulgirão e julgarão as nações”. Virá assistir igualmente a Rainha dos Santos e dos Anjos, Maria Santíssima.
Aparecerá enfim o eterno Juiz, num trono de majestade e de glória: Et videbunt Filium hominis venientem in nubibus coeli, cum virtute multa et maiestate — “Eles verão o Filho do homem, que virá sobre as nuvens do céu com grande poder e majestade.” A vista de Jesus regozijará os eleitos, mas para os réprobos será maior tormento que o inferno mesmo, diz São Jerônimo. Por isso exclamava Santa Teresa: Meu Jesus, infligi-me qualquer outro castigo, mas não me deixeis ver nesse dia a vossa face indignado contra mim. E São Basílio acrescenta: Superat omnem poenam confusio ista: esta vista será o mais horrível de todos os tormentos. Então cumprir-se-á a profecia de São João: os condenados rogarão às montanhas que caiam sobre eles e os livrem da vista do Juiz irritado. Abscondite nos a facie sedentis super thronum et ab ira Agni (3).
Principia o julgamento. Manuseiam-se os processos, isto é, põe-se a descoberto a consciência de cada um:Iudicium sedit et libri aperti sunt(4) — “Assentou-se o juízo e abriram-se os livros”. As primeiras testemunhas chamadas a depor contra os réprobos, serão os demônios, que (segundo Santo Agostinho) dirão: “Deus de justiça, mandai que seja nosso aquele que de nenhum modo quis ser vosso.” Testemunhas serão em segundo lugar as próprias consciências: dando-lhes testemunho a própria consciência (5). Outras testemunhas, a clamarem vingança, serão as paredes da casa onde Deus foi ofendido pelos pecadores: Lapis de pariete clamabit (6).
Virá afinal o testemunho do próprio Juiz, que esteve presente a todas as ofensas que lhe foram feitas. Diz São Paulo que então o Senhor manifestará o que se acha escondido nas trevas (7); isto é, descobrirá então aos olhos de todos os homens os mais recônditos e vergonhosos pecados dos réprobos, que eles em vida ocultaram aos próprios confessores: Revelabo pudenda tua in facie tua (8). Os pecados dos eleitos, segundo o Mestre das Sentenças e outros teólogos, não serão manifestados, mas ficarão encobertos, conforme estas palavras de Davi: Bem-aventurados aqueles cujas iniqüidades são perdoadas e cujos pecados são encobertos (9). Pelo contrário, os dos réprobos, diz São Basílio, serão vistos de todo o mundo num relance de olhos, como num quadro.
Considera agora, meu irmão: o que será de ti nesse dia?… quão grande será a tua confusão se por desgraça te perderes?… que desculpas poderás alegar? Eia pois, faze penitência, muda de vida, dá-te inteiramente a Deus e começa a amá-Lo devéras.
Sim, meu Jesus, já Vos ofendi bastante; não quero empregar a vida que ainda me resta, em dar-Vos novos desgostos. Não é isso o que Vós mereceis. Quero empregá-la somente em amar-Vos e em chorar os meus pecados, que agora detesto de todo o meu coração.
† Ó dulcíssimo Jesus, não sejais meu juiz, senão meu Salvador (10). — E vós, ó minha Mãe Maria, rogai a vosso divino Filho por mim. (*II 115.)
Matth. 24, 30.
2. Sap. 3, 7.
3. Apoc. 6, 16.
4. Dan. 7, 10.
5. Rom. 2, 15.
6. Habac. 2, 11.
7. 1 Cor. 4, 5.
8. Nah. 3, 5.
9. Ps. 31, 1.
10. Indul. de 50 dias de cada vez.
Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I – Santo Afonso

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

MEDITAÇÃO SOBRE O FIM DO HOMEM

Resultado de imagem para rezando igreja PREPARAÇÃO
  1. Põe-te na presença de Deus.
  2. Pede a Deus que te inspire.
CONSIDERAÇÃO
1 – Não foi por nenhum motivo de interesse que Deus nos criou, pois nós Lhe somos absolutamente inúteis; foi unicamente para nos fazer bem, em nos facultando, com Sua graça, participar de Sua glória; e foi por isso, Filotéia, que Ele te deu tudo o que tens: o entendimento, para O conheceres e adorares; a memória, para te lembrares dEle; a vontade, para O amares; a imaginação, para te representares os Seus benefícios; os olhos, para admirares as Suas obras; a língua, para O louvares, e assim as demais potências e faculdades.
2 – Sendo esta a intenção que Deus teve, em te criando, com certeza deves abominar e evitar todas as ações que são contrárias a este fim; e quanto àquelas que não te conduzem a Ele, tu as deves desprezar, como vãs e supérfluas.
3 – Considera quão grande é a infelicidade do mundo, que nunca pensa nestas coisas; a infelicidade, digo, dos homens que vivem por ai, como se estivessem persuadidos de que seu fim neste mundo é edificar casas, construir jardins deliciosos, acumular riquezas sobre riquezas e ocupar-se de divertimentos frívolos.
AFETOS E RESOLUÇÕES
1 – Confunde-te considerando a miséria de tua alma e o esquecimento destas verdades. Ah! De que se tem ocupado o meu espírito, ó meu Deus, quando não pensei em Vós? De que me lembrava, quando Vos esqueci? Que amava eu, quando Vos não amava? Ah! Eu me devia alimentar da verdade e fui saturar-me na vaidade. Como escravo que eu era do mundo, eu o servia, a esse mundo, que foi feito para me servir e me ensinar a Vos conhecer e amar.
2 – Detesta a vida passada. Eu vos renuncio e aborreço, máximas falsas, vãos pensamentos, reflexões inúteis, recordações detestáveis. Eu vos abomino, amizades infiéis e criminosas, vãos apegos ao mundo, serviços perdidos, miseráveis afabilidades, generosidade falsa que, para servir aos homens, me levastes a uma imensa ingratidão para com Deus; eu vos detesto de toda a minha alma.
3 – Volta-te para Deus. E Vós, ó meu Deus, ó meu Salvador, Vós sereis dora em diante o único objeto de meus pensamentos; não darei atenção a nada que Vos possa desagradar; minha memória se encherá todos os dias da grandeza e doçura de Vossa bondade para comigo; Vós sereis as delícias de meu coração e toda a suavidade de meu interior.
Sim, assim seja; tais e tais divertimentos com que me entretinha, estes e aqueles exercícios vãos que ocuparam meu tempo, estas e aquelas afeições que prendiam meu coração, tudo isso será um objeto de horror para mim; e, para conservar-me nestas disposições, empregarei tais e tais meios.
CONCLUSÃO
1 – Agradece a Deus. Eu Vos dou graças, ó meu Deus, porque me destinastes para um fim tão sublime e útil, qual é o de Vos amar nesta vida e gozar eternamente na outra da intensidade de Vossa glória. Como serei digno dele? Como Vos bendirei quanto mereceis?
2 – Oferece-te a Deus. Eu Vos ofereço, ó meu amabilíssimo Criador, todos estes propósitos e afetos com todo o meu coração e com toda a minha alma.
3 – Ora humildemente a Deus. Eu Vos suplico, ó meu Deus, que Vos agradeis de meus desejos e votos, de dar à minha alma a Vossa santa bênção, para que sejam levados a efeito, pelos merecimentos de Vosso Filho, que por mim derramou todo o Seu sangue na cruz. Pai-Nosso, Ave-Maria.

Filotéia – São Francisco de Sales

Fonte:
http://catolicosribeiraopreto.com

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Vivo habitualmente na Graça de Deus?

Vivo habitualmente na graça de Deus?

E se alguma vez, por desgraça, cometi algum pecado grave, tive pressa em varrê-lo da minha alma com uma confissão sincera e dolorosa, e ainda antes com um acto de contrição perfeita?

Sou cuidadoso em evitar os pecados veniais, e em purificar-me dos que, por fragilidade, vou cometendo, empregando para isso os meios que a Igreja põe à minha disposição: o sinal da cruz com água benta, a bênção do sacerdote, o Pai-Nosso, um beijo num crucifixo, um acto de amor a Deus?

Mons. Eugénio Beccegato in 'Meditações'

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

O grave pecado da murmuração explicado por São Filipe Néri

São Filipe perguntou a uma senhora que, na confissão, se acusava frequentemente  de maledicência e murmuração: "Fala desse modo muitas vezes sobre as outras pessoas?" "Muitas vezes, Padre", respondeu a senhora. "Filha, o seu pecado é grave. É necessário que faça penitência. Vá até casa, pegar numa galinha e traga-a até mim, depenando-a ao longo da estrada.”

A mulher obedeceu e apresentou ao santo com a galinha depenada. "Agora", disse São Filipe, "volte pelas ruas de Roma e apanhe as penas da galinha uma a uma." "Mas é impossível, Padre", respondeu a senhora. "Com o vento já estão todas espalhadas, é impossível encontrá-las todas."

"Eu sei", concluiu o santo, "mas queria que entendesse que, tal como se espalham facilmente e incontroladamente as penas de uma galinha levadas pelo vento, também se espalham as falsidades e a sua murmuração em relação à vida das outras pessoas."

domingo, 26 de janeiro de 2020

Escondida por humildade: nem os Anjos conheciam Maria

Maria manteve-se muito escondida durante toda a sua vida; por isso o Espírito Santo e a Igreja chamaram-lhe «Alma Mater»: Mãe escondida e secreta. A sua humildade foi tão profunda, que na Terra nada a seduziu mais poderosa ou mais continuamente do que esconder-se de si própria e de todas as criaturas, para que só Deus a conhecesse. 

Aprouve a Deus, atendendo aos seus pedidos de ocultação, empobrecimento e humildade, esconder a sua concepção, o seu nascimento, a sua vida, os seus mistérios, a sua ressurreição e a sua assunção aos olhos de quase toda a criatura humana. Nem os seus pais a conheciam; e os anjos perguntavam muitas vezes entre si: «Quae est ista? Quem é esta?» (Ct 6,10), porque o Altíssimo a ocultava; ou, se lhes mostrava alguma coisa, escondia-lhes infinitamente mais.

Que coisas grandes e escondidas fez este Deus poderoso nesta Criatura admirável, como ela própria foi obrigada a reconhecer, apesar da sua profunda humildade: «O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas». O mundo não as conhece, porque é incapaz e indigno.

S. Luis Maria Grignion de Monfort in Tratado da verdadeira devoção à Virgem Maria, 1-6

sábado, 25 de janeiro de 2020

A necessidade de atender às desculpas dos outros


Sabes bem desculpar e colorir as tuas acções, mas não queres atender às desculpas dos outros. Seria mais justo que te acusasses, e desculpasses o teu irmão. Se queres ser suportado, suporta tu os outros. Vê quão longe estás ainda da verdadeira caridade e humildade, que só sabe irritar-se e indignar-se contra si própria.

Não tem valor conviver com os que são bons e pacientes, pois isso agrada naturalmente a todos; qualquer pessoa quer de boa vontade a paz, e gosta mais do que pensam como ela. Mas poder viver em paz com os duros e os maus, com os indisciplinados, com os que se nos opõem, é grande graça e acção digna de louvor e corajosa.

Aquele que melhor sabe sofrer, maior paz conseguirá. Este é o que se vence a si mesmo e o senhor do mundo, o amigo de Cristo e o herdeiro do Céu.

in Imitação de Cristo, Livro II, cap. 3

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Conselhos de Santa Teresa para a oração




1. Dirige a Deus cada um dos teus atos; oferece-os e pede-Lhe que seja para Sua honra e glória.

2. Oferece-te a Deus cinquenta vezes por dia, e que seja com grande fervor e desejo de Deus.

3. Em todas as coisas, observa a providência de Deus e Sua sabedoria, em tudo, envia-Lhe o teu louvor.

4. Em tempos de tristeza e de inquietação, não abandone nem as obras de oração, nem a penitência a que está habituado. Antes, intensifica-as, e verá com que prontidão o Senhor te sustentará.

5. Nunca fale mal de quem quer que seja, nem jamais escute. A não ser que se trate de ti mesmo. E terá progredido muito, no dia em que se alegrar por isso.

6. Não diga nunca, de você mesmo, algo que mereça admiração, quer se trate do conhecimento, da virtude, do nascimento, a não ser para prestar serviço. Mas então, que isso seja feito com humildade, e considerando que esses dons vêm pelas mãos de Deus.

7. Não veja em você senão o servo de todos, e em todos contempla Cristo Nosso Senhor; assim O respeitará e O venerará.

8. A respeito de coisas que não lhe diz respeito, não se mostre curioso, nem de perto, nem de longe, nem com comentários, nem com perguntas.

9. Mostrai sua devoção interior só em caso de necessidade urgente. Lembra do que diziam São Francisco e São Bernardo: “Meu segredo pertence a mim”.

10. Cumpra todas as coisas como se Sua Majestade estivesse realmente visível; agindo assim, muito ganhará a sua alma.

11. Que seu desejo seja ver Deus. Seu temor, perdê-Lo. A dor, não comprazer na Sua presença, a satisfação, o que pode conduzi-lo a Ele. E viverá numa grande paz.

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terça-feira, 14 de janeiro de 2020

RAZÃO, PAIXÃO E NAMORO

Hoje eu queria lhes falar sobre um tema que tenho pensado e exposto em algumas conferências que andei fazendo por aí. Tema difícil e que eu tenho falado como em uma espécie de laboratório, de reflexão, captando aqui e ali as ponderações das pessoas sábias. É dentro desse espírito que eu lhes trago aqui. Meu intuito é tratar do assunto do namoro de forma racional, buscando as razões profundas que levam os homens a se comportar com respeito, na obediência à Lei de Deus. Não é suficiente, hoje, um padre dizer aos jovens: não façam isso ou aquilo. Quem quer entender, busque a verdade!
Estamos numa fase em que muitos de vocês estão namorando e eu sei o quanto o namoro pode ser um obstáculo à vida católica. E isso importa para mim e para vocês.Como tem acontecido com freqüência, a consciência vai perdendo os parâmetros, os critérios do reto agir, a razão começa a ficar confusa diante de um mundo que vai impondo o pecado para todos e em toda parte.
Alguém já me colocou a coisa nos termos seguintes: eu sei que não posso ter um relacionamento sexual porque é proibido pela Lei de Deus, pelos Mandamentos; mas eu não entendo porque é proibido, para mim parece um exagero.
Esse exemplo mostra a urgência de nós falarmos sobre o assunto. Eu sei que isso pode parecer uma imposição de regras, mas não é assim. O que eu quero é que vocês entendam as razões profundas que levaram Deus e a Igreja a colocarem na Santa Lei esse mandamento: não fornicarás (ou seja, não terás um relacionamento sexual fora do casamento).
De fato, se olharmos para a natureza do homem e da mulher, o modo como os corpos se completam, as reações fisiológicas que acontecem quando os sentimentos e paixões se atraem mutuamente, poderíamos pensar que não há pecado onde tudo obedece tão bem à natureza dos corpos.
Mas um olhar mais profundo sobre a natureza humana nos obriga a considerar que nem só do corpo é feito o homem. Se aquela é a lei da paixão, já não é a lei da razão. A razão é aquilo que nos diferencia dos animais. Somos racionais porque temos uma alma espiritual, capaz de raciocínio, pensamento, conclusões, capaz de errar e de reconhecer que errou, voltar atrás e corrigir, tudo isso é próprio da Inteligência. A inteligência é uma máquina de processar a Verdade! E esse mesmo espírito é também capaz de mover-se em busca do Bem, daquilo que o conhecimento, a inteligência, a razão, nos mostraram como sendo verdadeiro. Essa capacidade de buscar o bem e de possui-lo, está na Vontade livre. A vontade é uma máquina de processar o amor, esse movimento racional que nos leva a buscar o bem racional. (difere do amor paixão, que é aquela atração dos corpos que vimos acima).
Ora, essa natureza composta de corpo e espírito foi criada por Deus. Isso é muito claro porque está revelado por Deus no primeiro livro da Biblia, o Gênesis.
Mas, ao criar o homem à sua Imagem e semelhança, capaz de conhecer e de amar, aconteceu uma coisa incrível: Deus criou a mulher, tirou-a do lado do homem, da sua costela, ou seja, do seu peito, para que ele fosse para ela proteção e amor. Mais do que isso: Deus tomou Eva pela mão e a apresentou a Adão. Isso também está revelado no Gênesis. Deus criou a FAMÍLIA, e determinou assim que fosse pela Família que a sociedade humana se desenvolvesse: “Por isso, deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne” (Genesis , cap. 2). Nesta frase aparece claramente que a união sexual só existe, só foi criada por Deus quando o homem deixa a sua casa e se une à sua mulher, dois numa mesma carne. No capítulo primeiro, aparecera a razão do homem se unir à sua mulher: “Crescei e multiplicai-vos e povoai a terra”, o que dá o significado primeiro, a razão principal da união carnal: povoar a terra, trazer frutos para a nova Família.
Ora, nada disso aparece no namoro. Ninguém saiu da casa de pai e de mãe para se unir à uma mulher, ninguém assumiu a responsabilidade de ganhar a vida para sustentar a Família, ninguém tem relações sexuais com namorada ou namorado para povoar a Família… bem ao contrário, é falsificando a própria beleza do ato conjugal que os jovens fazem isso.  Mas é claro que ninguém vai dizer que estava ali fazendo sexo com o namorado ou com a namorada por razões mesquinhas e carnais. Vão me dizer que é por amor, porque se amam. Mas aqui aparece claramente que esse amor que une um namorado a uma namorada não é o amor da Vontade Livre, aquele amor que é racional, que obedece à Verdade racional e é fruto dessa verdade. O amor que leva os jovens a se unir é o amor paixão, e esse é puramente carnal, animal e bruto. No fundo, só serve para satisfazer os próprios desejos, já que não está fundamentado na verdade da Família. Só a Família nos leva a agir por uma causa superior a nós mesmos. Quando, ao contrário, é fugindo da Família que se tem relações íntimas, então ele só pode ser carnal, e isso é uma espécie de escravidão, contrária à liberdade da Vontade.
Muito bem… vamos supor que vocês entendam, pelo que ficou explicado acima, que o sexo só pode ser praticado quando já se fundou uma Família. Resta então examinar a questão do namoro.
O Namoro
A primeira coisa que constatamos na sociedade atual é que a difusão do sexo livre foi crescendo na mesma proporção em que o casamento foi desmoronando. Quanto maior foi a liberdade dada aos jovens de se encontrarem na intimidade, alegando que todos são muito maduros e livres, maior foi o descaso com a Família. E eu pergunto: não deveria ser o contrário? Se fosse verdadeiro amor o que une os jovens no namoro, e que esse amor fosse racional, fruto da verdade, não deveria empurrá-los a querer sair de casa e fundar uma nova família? Mas não, o que vemos é um horror cada vez maior com a idéia de casamento.
Desapareceu a diferença da função social do homem e da mulher; esta passou a lutar com o homem no mercado de trabalho e já não quer saber da casa, do lar, de filhos, de fraldas, de preparar um jantar gostoso para o marido. Ao contrário, ela está na faculdade, ela só vai poder pensar em casamento (ou melhor, em experiências de viver junto) quando já estiver trabalhando, ganhando dinheiro e se realizando como profissional. Ou seja, ela só vai pensar em viver junto ou em algo parecido com uma Família quando o fato de ter filhos já for um tremendo incômodo, uma atrapalhação, um gasto, um número negativo na conta bancária.
Aí, nesse contexto, é claro, fica fácil se entender que a Família já não conte mais na vida do namoro. O namoro passa a ser, então, a satisfação dos prazeres do corpo através da afeição sentimental para com outra pessoa. (eu não quero entrar em outro detalhe, mas também devemos considerar que, sendo assim, não espanta que tantas pessoas se inclinem a paixões invertidas. Sendo fruto da paixão, esse tipo de atração vai depender também da química dos hormônios e como não há mais critérios morais e espirituais regulando essas paixões, vão se deixar levar pela mesma escravidão da paixão. E uma pessoa que considere normal que os namoros sejam sexuais, se for coerente com esse pensamento, chegará à conclusão que o sexo invertido também é normal, o que repugna à natureza criada por Deus e ao mais simples espírito católico)
É assim que o namoro atual está impregnado de diversos erros e de atos pecaminosos que arrancam a graça do coração. Uma alma católica não pode perder a noção do que seja a amizade de Deus e deve sempre se impor uma análise franca e verdadeira sobre o seu estado de alma antes de se aproximar da Sagrada Mesa, na Comunhão. Antes a morte do que o pecado, dizia São Domingos Sávio.
Namoro Precoce:
O primeiro erro do namoro atual é ser precoce. Tudo inclina a criança a viver nesse ambiente de sensualidade: as roupas que se usa, o corpo que deve aparecer, a vaidade precoce e exagerada, as brincadeiras fomentadas entre crianças pequenas de namorinhos e beijinhos. Tudo leva os pré-adolescentes a mergulharem nos namoros carnais a partir dos dez-doze anos. Como uma criança católica pode viver o mínimo do catolicismo se começa a namorar numa época em que o namoro só pode servir para excitar as paixões? Porque nem mesmo verdadeira afeição se pode ter numa idade dessas! Tudo ali é falso. O corpo não está formado, a inteligência não terminou seu desenvolvimento, a responsabilidade do amor verdadeiro está muito longe de se alcançar, enfim, nada existe de verdade senão a enganação da mídia e dos intelectuais.
Quando se deveria pensar em namoro? … só se deveria pensar em namoro quando, no mínimo, uma abertura verdadeira existisse para um casamento futuro. Sem isso, não faz sentido, porque só servirá para as paixões e para o amor carnal. O que vemos hoje é que todos os jovens se sentem obrigados a namorar porque convivem com isso. A vergonha de parecer diferente (chama-se “respeito humano”) tem mais peso do que o temor de Deus e o risco da condenação eterna.
Namoro excitante:
Outro erro do namoro é fazer com que ele seja uma preparação para o sexo. Muitos jovens católicos, sabendo que o sexo é pecado, se entregam a todo tipo de atos excitantes, de contatos, de beijos sexuais, que já não servem mais para significar um verdadeiro amor, mas sim para satisfazer as paixões mais carnais do corpo.  Ora, o corpo tem suas exigências, a sensualidade tem suas regras, de modo que não se pode entregar a atos de sensualidade que excitam o corpo sem que o corpo leve ao pecado. O grau de excitação pode variar pelo tempo e pelo modo, mas a regra é inexorável.
Além disso, há uma espécie de lei também nas coisas da carne. E essa lei dita que nunca se retorna a um estágio anterior. Uma vez rompida uma barreira, não se volta a um estágio anterior a ela. Sempre que um casal de namorados ousa mais, alcança uma intimidade maior, eles já não conseguirão deixar de usar daquele estágio de aproximação. Até que se chega ao estágio máximo, em que um simples casal de namorados tem uma intimidade de marido e mulher. Já se perde o pudor, a vergonha, já se está pronto para o sexo sem casamento e sem responsabilidade. (entendam essa expressão no sentido exposto acima, da fundação de uma nova família. Não tem nada a ver com o pecado do uso de preservativos para não contrair aids.)
Namoro-escola:
O namoro sexual tem outras conseqüências pecaminosas: ele ensina a pessoa a fazer outros pecados. Como a vida de namoro deixou de lado qualquer regra religiosa ou moral, ao chegar ao casamento, (se chegar) o jovem já vai estar acostumado com uma vida sem Deus, sem comunhão, sem limites. Qual a garantia que se terá de que sua vida de casado vai obedecer às santas regras da religião? Como vai ele ou eles, encarar a necessidade de se obedecer a Deus no que toca o uso do matrimônio? (ou seja, o fato de que o ato conjugal do casal, agora já lícito porque casaram, não pode ser falsificado através de preservativos, remédios, e atos para impedir a gravidez). O jovem casal que não teve forças espirituais para viver na castidade, vai ter forças para viver na santidade do sacramento do matrimônio? Aparentemente não. E aquilo que era só um “namorinho” mais ousado, transforma-se num modo de vida, num estilo anti-católico de viver, onde a carne é a rainha e o espírito foi relegado ao calabouço do castelo interior. A situação da alma é de grave perigo de condenação eterna. E tudo começou num namorinho precoce de adolescentes imaturos.
Como consertar essa situação:
De alguma forma é preciso voltar à Sabedoria da Igreja, porque importa viver sempre na graça de Deus. Não podemos barganhar com as coisas divinas, usá-las ou não usá-las de acordo com nossa vontade. A Majestade Divina exige e nós devemos amorosamente obedece-Lo como a um Pai. Além disso, pesando tudo isso, pesando o passado e o presente, devemos constatar que a salvação eterna é muito mais importante do que alguns momentos de prazer carnal. Por isso vale a pena um esforço. Me parece que alguns pontos são de exigência premente:
– não comecem a namorar cedo. O namoro precoce rompe o momento da juventude que é o momento de fomentar as grandes amizades, de se conhecer as pessoas de modo mais profundo, de se divertir com diversões sadias, em grupos de pessoas boas, animadas e amigas. Nesse ambiente, o rapaz ou a menina que começam a namorar se isolam dos amigos, vão se esconder nos cantos para estar sozinhos, para romperem as barreiras, para se sentirem donos de si. Além disso, o namoro excitante tira a concentração nos estudos, deixa a pessoa irritadiça, desobediente, mentirosa… Começa a ver os pais como inimigos, ferem o 4º Mandamento alegremente… ou seja, um desastre moral se abate sobre ela.
– quando já forem maiores e que aparecer uma pessoa na vida de vocês, antes de começarem a namorar passem um tempo num estágio de vida que, antigamente, se chamava “freqüentação”. Fulano está freqüentando sicrana, se dizia. Nesse estágio, as conversas são mais importantes do que os beijos, o encontro com amigos comuns não atrapalha os dois, ao contrário, só enriquece. Para uma pessoa católica, essa é a oportunidade de se conhecer melhor, de se saber se tal pessoa poderá vir a ser um bom namorado ou boa namorada. Já não importa muito se é a mais bonita da sala, se é o galã de cinema esperado. Esse tempo de freqüentação faz aquele amor de paixão, perigoso e excitante, ir tomando o aspecto real e natural do verdadeiro amor, que é o amor da razão. Então, quando se iniciar a fase de namoro propriamente, de um compromisso, já se terá refletido sobre o que é o bem e o mal, o certo e o errado, tanto nos atos a serem feitos no namoro, como no que se pretende fazer da vida.
– Cuidado com as intimidades exageradas. Hoje já não se beija ou se abraça. O que os namorados fazem é simplesmente uma preparação sexual, e isso não pode ser, é pecado se preparar para pecar; é pecado se colocar em situação próxima de pecado. Quando um casal de namorados se prepara sexualmente, mesmo se eles tiverem, no início, a intenção de não praticar o sexo, serão empurrados e ludibriados pela lei do corpo e da sensualidade. Aprendam a estabelecer os limites para não cair nesse exagero, pois o pecado está ali, de espreita, para dar o bote.
– Quando vocês perceberem que um relacionamento só vai lhes levar aos prazeres do sexo, ficará claro que não tem futuro católico um namoro desses. Isso lhes mostrará que não se deve deixar as afeições crescerem a ponto de se perder as forças de reagir, de voltar atrás e de interromper tal freqüentação ou namoro. Guardem sempre a liberdade sobre as paixões, não se entreguem a fundo num sentimento exagerado que lhes impedirá de ver onde está a verdade.
– Recorram sempre à oração. A alma que não reza está preparando para si o caminho do inferno. Não é possível viver sem pecar se não se pede ajuda a Deus, se não se pensa nos seus mistérios, no Natal, nas dores da Paixão, no Céu onde Ele habita e prepara um lugar para nós. Não faz sentido para um católico, mesmo quando ele está nessa idade das grandes descobertas, de desprezar a Santa Missa e a piedade eucarística, como vemos nas melhores famílias. Os jovens liberados de hoje não são piedosos, não rezam e não amam a Deus. Quando vão à missa, é aquela chateação e obrigação! Isso não é normal. Um jovem de 18 ou 20 anos deve alimentar o desejo das coisas grandes que lhe vem ao coração, descobrindo a grandeza dos mistérios de Deus, da prática das virtudes e da oração.
É possível, quando já se está numa idade razoável, fazer um namoro em que o pecado fique esquecido. Mesmo quando o namorado ou a namorada não forem católicos, ou não forem da Tradição, ainda assim é possível mostrar a eles o quanto um namoro casto respeita a eles mesmos, ajuda aos dois a se conhecerem melhor e prepara as intenções para um futuro cheio de verdadeiras aventuras, quando chegar a hora de entrar na igreja ao som dos órgãos. Acreditem, vale à pena.
Cuidado com o mundo, ele está enganando vocês direitinho.
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Outros dois excelentes textos e um vídeo sobre o assunto estão nos links abaixo:

sábado, 4 de janeiro de 2020

“AÇÃO ENTRE AMIGOS” DE UM BELÍSSIMO ORATÓRIO – PARTICIPEM

Prezados amigos, fiéis, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
É com grande alegria que iniciamos hoje mais uma Ação em prol da “Campanha de nossa Capela”, para honra e glória de Nosso Senhor e de Sua Santa Igreja, e por isso contamos com sua generosidade.
Trata-se de uma “Ação entre amigos, fiéis, leitores e benfeitores”, onde sortearemos esse belíssimo oratório aos que quiserem e puderem nos ajudar.
Esse oratório mede 1,20m de altura x 0,60m de largura. Um trabalho incrível!
O VALOR DE CADA NÚMERO É DE R$15,00.
Para isso, é necessário que:
1 – Façam o depósito/transferência do valor correspondente à quantidade de números que estão comprando na conta abaixo (também pode ser feito nas lotéricas);
ASSOCIAÇÃO RELIGIOSA E CULTURAL SÃO PIO X
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
Agência. 1374
Conta Poupança: 401124-3 (Operação: 013)
CNPJ: 09.385.198/0001-43
2 – Enviem o comprovante, os dados do benfeitor (Nome, Endereço completo e telefone)  e também o(s) número(s) correspondente(s) que escolherem, entre 1 e 1500 (que estão disponíveis nessa planilha), para o email: capela@catolicosribeiraopreto.com
O sorteio será após a Missa do dia 29/03 e será feito pelo padre responsável pela nossa Missão.
Se quiserem saber mais sobre a Campanha de nossa capela, clique aqui.
Os que, por ventura, não puderem adquirir seu(s) número(s), pedimos que, por caridade, rezem por nós, pela intercessão de São José e Nossa Senhora, a quem tanto pedimos.
Contamos com a colaboração de todos.
FONTE: