sábado, 26 de junho de 2021

Da Saudação Angélica

 


Ave, gratia plena, Dominus tecum – “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1, 28)

Sumário. Entre todas as orações que a Igreja dirige à Santíssima Virgem, a Saudação Angélica, ou a Ave-Maria, é a mais excelente em si mesma, a mais agradável ao coração da divina Mãe e a mais útil para nós. A experiência demonstra que o que saúda a Maria com esta oração é logo retribuído por ela com algum favor especial. Recitemo-la, pois, frequente e devotamente durante o dia, mormente no princípio e no fim de cada ação. Felizes as ações que forem compreendidas entre duas Ave-Marias.

I. Considera que entre todas as orações que a Igreja dirige à Santíssima Virgem, a mais excelente, a mais aceita e a mais útil é a Ave-Maria.

Ela é a mais excelente considerada em si mesma; porque foi composta, por assim dizer, pela Santíssima Trindade e pronunciada a primeira vez pelo Arcanjo São Gabriel e depois por Santa Isabel, então cheia do Espírito Santo. Pelo que o Bem-aventurado Alano afirma que a Saudação Angélica, pela sua excelência, alegra todo o céu, enche a terra de prodígios, faz tremer e põe em fuga o demônio.

Em segundo lugar, ela é a mais aceita ao coração da Virgem, pois, quando dizemos Ave-Maria, parece que se lhe renova o prazer que sentiu quando lhe foi anunciado que havia sido eleita para Mãe de Deus. Mais, pela Ave-Maria mostramos que tomamos parte em sua felicidade, lembrando-lhe as suas grandezas. Disse a mesma divina Mãe a Santa Mechtildes, que nada lhe podia ser mais honroso e mais agradável do que a oferta frequente da saudação do Anjo.

Finalmente, a Ave-Maria é, depois da Oração Dominical, a mais útil para nós, porque, quem saúda Maria, será também por ela saudada. São Bernardo ouviu uma vez distintamente saudar-se por uma imagem da Virgem, que lhe disse: Ave, Bernarde; e a saudação de Maria, diz São Boaventura, consistirá numa graça especial.

Com efeito”, pergunta Ricardo, “como poderá a divina Mãe negar a graça a quem a invoca com uma oração tão sublime?

Em suma, Maria mesma prometeu a Santa Gertrudes tantos auxílios para a hora da morte, quantas Ave-Marias ela tivesse rezado; e são inúmeros os fatos que o confirmam.

II. A prática do obséquio tão excelente, tão aceito e tão útil, da Ave-Maria, seja: em primeiro lugar, recitar cada dia, pela manhã e à noite, ao levantar e deitar-se na cama, três vezes a Ave-Maria, com o rosto em terra ou ao menos de joelhos, acrescentando a cada Ave esta ejaculatória: Pela tua pura e imaculada conceição, ó Maria, faze puro o meu corpo e casta a minha alma. Depois, pedir a benção a nossa boa Mãe, conforme sempre praticava Santo Estanislau; e em seguida, pôr-se debaixo do manto de Nossa Senhora, pedindo-lhe que nos guarde de cair em pecado, naquele dia, ou noite que se segue. Para este fim, convém ter perto da cama uma bela imagem da Virgem.

Segundo, dizer o Angelus Domini ou o Anjo do Senhor, com as costumadas três Ave-Marias, pela manhã, ao meio dia e à noite. Os Religiosos podem nesses três tempos renovar mentalmente os seus votos, como costumava fazer São Leonardo de Porto Maurício.

Em terceiro lugar, saudar a Mãe de Deus com uma Ave-Maria quando se ouve tocar o relógio, ou cada vez que se passa por diante de uma imagem da Virgem.

Finalmente, dizer sempre uma Ave-Maria, no princípio e no fim de cada ação, quer espiritual, como a oração, a confissão, a comunhão, a leitura espiritual e outras semelhantes; quer temporal, como estudar, dar conselho, trabalhar, ir para a mesa, para a cama, etc. Felizes as ações que ficarem compreendidas entre duas Ave-Marias. – Assim digamos também a mesma oração quando acordamos pela manhã, quando adormecemos, em qualquer tentação, perigo, ímpeto de ira e semelhantes. Amado leitor, pratica isso e verás a suma utilidade que para ti resultará d’aí.

“Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto de vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.”

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(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 212-214)


segunda-feira, 21 de junho de 2021

O desprezo do tempo e a hora da morte

 Devemos saber como aproveitar o tempo

Vocavit adversum me tempus – “Chamou contra mim o tempo” (Lm 1, 15)

Sumário. Grande é a tristeza do viajante ao ver que errou o caminho quando já caiu a noite e não há tempo para reparar o engano. Incomparavelmente maior será, na hora da morte, a tua mágoa, meu irmão, se em via não tiveres aproveitado o tempo, ou, pior ainda, tivesses dele abusado para ofenderes ao Senhor. Como fui insensato! – dirias então chorando. – Ó vida perdida! Em tantos anos, com tão grandes graças podia santificar-me e não o fiz… De que servirão então estas lamentações, quando a cena já estiver no fim e se aproximar o grande momento de que depende a eternidade?

I. Nada há mais precioso que o tempo; e nada há que seja menos estimado e mais desprezado pelos mundanos. É o que fazia São Bernardo chorar: Nihil pretiosius tempore, sed nihil vilius aestimatur. Depois ele acrescenta: Transeunt dies salutis – Passam os dias oportunos para adquirir a salvação eterna e ninguém reflete que os dias que passam lhe são descontados para nunca mais voltarem. – Vê o jogador que gasta dias e noites no jogo. Se lhe perguntares: “Que estás fazendo?” responderá: “Estou passando o tempo.” – Vê o ocioso que se entretem horas inteiras nas ruas, a ver quem passa, ou as desperdiça em conversas indecentes ou inúteis. Se lhe perguntares: “Que estás fazendo?” responder-te-á igualmente: “Procuro passar o tempo.” Pobres cegos, que desperdiçam tantos dias que não voltam mais!

Desdenhado tempo! Tu serás o que os mundanos desejarão mais na hora da morte. Desejarão então mais um ano, mais um mês, mais um dia, mas não o terão, e ouvirão dizer: Tempus non erit amplius (1) – “Não haverá mais tempo”. Quanto não daria então cada um deles para ter mais uma semana, um dia, afim de melhor ajustar as contas da consciência? Ainda que não fosse senão para obter uma só hora, diz São Lourenço Justiniano, ele daria todos os seus bens: Erogaret opes, honores, delicias pro uma horula. Mas essa hora não lhe será dada.

– Apressa-te, lhe dirá o sacerdote que o estiver assistindo, – apressa-te em partir deste mundo; não há mais tempo para ti: Proficiscere, anima christiana, de hoc mundo.

Ó meu Deus, dou-Vos graças por me concederdes o tempo para chorar os meus pecados e compensar pelo meu amor as ofensas que Vos fiz. Ai de mim! Que seria de minha alma, se me viessem agora anunciar a chegada de minha morte!

II. Exorta-nos o Sábio a que nos lembremos de Deus e entremos em sua graça, antes que se nos apague a luz: Memento Creatoris tui, antequam tenebrescat sol et lumen (2). Que tristeza para um viajante o ver que errou o caminho quando já está cabida a noite e não há tempo para reparar o engano! Tal será, na morte, a mágoa de quem tiver vivido muitos anos no mundo sem os empregar no serviço de Deus.

A consciência recordará então àquele homem descuidado o tempo que teve e que empregou em prejuízo da sua alma: todos os convites, todas as graças que recebeu de Deus para se santificar e de que se não quis aproveitar. Depois verá que lhe faltam os meios de fazer qualquer bem. Exclamará gemendo: – Como fui insensato! Ó tempo perdido! Ó vida perdida! Ó anos perdidos, durante os quais me podia santificar e não o fiz! Agora já não é tempo de o fazer… De que servirão, porém, estas lamentações e suspiros, quando a cena já está no fim, quando a lâmpada está próxima a apagar-se e quando o mundo está próximo do momento terrível de que depende a eternidade?

Apressai-Vos, ó meu Jesus, apressai-Vos a me perdoar. Que hei de esperar? Esperarei porventura até chegar ao cárcere eterno, onde com os outros réprobos teria de lamentar eternamente, dizendo: Finita est aestas (3) – “Findou-se o estio?” Passou o tempo, e nós não nos salvámos! Não, meu Senhor, não quero mais resistir a vosso amoroso convite. Quem sabe se a presente meditação não é o último aviso que me dirigis? Ó soberano Bem, pesa-me de Vos haver ofendido e Vos consagro todo o tempo de vida que me resta. Não Vos quero mais causar desgostos; quero Vos amar sempre. Prometo-Vos que, cada vez que disto me lembrar, farei um ato de amor, afim de remir o tempo perdido. Dai-me a santa perseverança. † Doce Coração de Maria, sede minha salvação.

Referências:

(1) Ap 10, 6
(2) Ecle 12, 1-2
(3) Jr 8, 20

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(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 198-201)

domingo, 20 de junho de 2021

A pesca milagrosa e o ministério apostólico

A pesca milagrosa

4º Domingo depois de Pentecostes

Noli timere: ex hoc iam homines eris capiens – “Não temas; já desde agora serás pescador de homens” (Lc 5, 10)

Sumário. Sob a figura da pesca milagrosa, é representada a pregação do Evangelho, pela qual o Senhor converte e santifica as almas por ele remidas. Os pescadores, porém, não são somente os pregadores, senão também todos os bons cristãos, que de qualquer modo se aplicam à salvação das almas. Seja, portanto, qual for o nosso estado, podemos exercer o ministério apostólico, ao menos pela oração e pelo bom exemplo. Roguemos sobretudo ao Senhor que envie à sua igreja operários zelosos: Mitte operarios in messem tuam.

I. Refere São Lucas que, estando Jesus nas margens do lago de Genesaré e vendo que as turbas vinham em tropel sobre Ele, entrou na barca de Simão, rogou-lhe que a afastasse um pouco da terra e começou a pregar de dentro da barca. Tanto que cessou de falar, ordenou a Simão que se fizesse ao largo e deitasse as redes para a pesca.

Mestre“, respondeu-lhe Simão, “trabalhando toda noite nenhuma coisa apanhamos; porém sobre a tua palavra deitarei a rede“. E tendo feito isto, apanhara tão grande quantidade de peixes que encheram duas barcas. E São Pedro, vendo isto, lançou-se aos pés do Redentor dizendo: “Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador“. E Jesus disse: “Não temas; Já desde agora serás pescador de homens“: Ex hoc iam homines eris capiens.

Explica Santo Ambrósio, e está mesmo claro no Evangelho, que sob a figura das redes e da pesca milagrosa são representadas “as palavras da verdade, que são, por assim dizer, a textura das pregações evangélicas“. Os pescadores são todos os pregadores e especialmente os missionários de que o Senhor se serve para a conversão de populações inteiras e santificação de milhares de almas.

Meu irmão, se tu também és um desses instrumentos escolhidos para promover a glória divina, dá graças ao Senhor; e em deitando as tuas redes, imita a São Pedro, reconhece a própria incapacidade e confia no auxílio de Deus…. “Vê”, diz o mesmo Santo Ambrósio, “quanto é vã e infrutuosa a confiança temerária nas próprias forças e quão eficaz é, ao contrário, a humildade. Os que primeiro tinham trabalhado em vão, depois, sobre a palavra de Jesus Cristo, encheram suas redes de peixes“.

Se o Senhor não te chamou ao ministério apostólico, aproveita-te ao menos da palavra de Deus pregada pelos sacerdotes: estima e reverencia a sua alta dignidade e pede a Jesus Cristo queira aumentar em sua Igreja o número dos ministros zelosos: Mittati operarios in messem suam. (1)

II. Posto que os pescadores de almas sejam principalmente os pregadores e os missionários, não o são, porém, estes só. São-no igualmente todos os bons cristãos, que de qualquer modo promovem o bem espiritual do próximo. Seja qual for o teu estado, podes fazer-te pescador de almas. Podes sê-lo, ajudando teus irmãos com exortações, com conselhos, com o bom exemplo e mais ainda com a oração feita por eles. Quem trata com os próprios pecadores sobre a sua conversão, trabalha às vezes em vão; mas quem trata da conversão dos pecadores com Deus, alcança-a sempre, contanto que o faça assim como se deve. Oh! quantas almas se convertem, não tanto pela pregação dos sacerdotes, como pelas orações dos justos – Figura-te, pois, que Jesus Cristo te diz o que disse a São Pedro: “Faze-te ao largo e deita as tuas redes para a pesca“.

Ó Salvador do mundo, ó Cordeiro divino, Vós que à força de dores perdestes a vida sobre a cruz para salvação de todos os homens, por piedade, tende compaixão de nós, e socorrei-nos no meio de tantos perigos de perdição eterna. Ó céus! De todos os que professam a verdadeira fé, quantos estão vivendo como se não cressem, como se não tivessem de morrer um dia e de dar contas de toda a vida perante o tribunal divino. Mas Vós, ó Jesus, que sabeis tirar o bem do mal, mostrai o vosso poder, não nos castigando conforme merecemos, mas subjugando as nossas vontades rebeldes. Aumentai o zelo dos vossos ministros, mandai-lhes, como outrora a São Pedro, que deitem em toda a parte a rede da palavra divina, e, abençoando-lhes o trabalho, fazei com que tenham uma pesca milagrosa de almas, resgatadas pelo vosso preciosíssimo sangue.

“Concedei-nos, ó Senhor, que os sucessos do mundo por vossa ordem corram para nós em paz e que a vossa Igreja se alegre com a tranquila devoção de seus filhos” (2). – Fazei-o pelos méritos da vossa Paixão, e pelo amor da vossa querida Mãe, Maria.

Referências:

(1) Mt 9, 38
(2) Or. Dom. Curr.

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(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 196-198) 

sábado, 19 de junho de 2021

Do grande amor que nos tem Maria Santíssima

 Virgem Maria e o Menino Jesus

Ego diligentes me diligo; et qui mane vigilant ad me, invenient me – “Eu amo os que me amam, e os que vigiam desde a manhã por me buscarem, me acharão” (Pv 8, 17)

Sumário. Se uma mãe não pode deixar de amar seus filhos, quanto mais não nos amará a Santíssima Virgem, que no Calvário, juntamente com Jesus Cristo, nos gerou para a vida da graça, entre as mais acerbas dores? Ah! Se fosse reunido em um só o amor que todas as mães têm a seus filhos, não igualaria o amor que Maria tem a uma só alma. É justo portanto que ao amor da divina Mãe corresponda o nosso. Sim, minha santa Mãe, depois de Deus, amo-vos de todo o coração mais que a mim mesmo, e pronto estou a fazer tudo por vosso amor.

I. Afim de compreendermos de algum modo o muito que nos ama nossa boa Mãe, Maria, consideremos as principais razões deste amor. — A primeira razão é o grande amor que ela tem a Deus. O amor para com Deus e para com o próximo, como diz São João, se contém no mesmo preceito, de sorte que, quanto cresce um, tanto o outro se aumenta. Hoc mandatum habemus a Deo: ut qui diligit Deum, diligat et fratrem suum (1) — “Nós temos de Deus este mandamento, que o que ama a Deus, ame também a seu irmão”. Pelo que, assim como entre todos os espíritos bem-aventurados não há quem ame a Deus mais do que Maria, assim tampouco temos, nem podemos ter, quem, depois de Deus, nos ame mais do que esta nossa Mãe amorosíssima.

Além disso, Maria nos ama, porque, afim de nos gerar à vida da graça, sofreu a pena de ela mesma oferecer à morte o seu querido Jesus, consentindo em o ver morrer diante dos seus olhos, à força de tormentos. Como frutos, portanto, da oferta dolorosa da Virgem, somos-lhe excessivamente caros, porque lhe custamos tantas angústias e dores. — E mais ainda, porque o próprio Jesus Cristo, antes de expirar, nos entregou a ela por filhos, na pessoa de São João, dizendo-lhe como último adeus: Mulher, eis aí teu filho (2).

Disto nasce uma terceira e mais poderosa razão pela qual somos tão amados de Maria: vem a ser que todos nós somos o preço da morte de Jesus Cristo. Se uma mãe visse um servo remido por um seu filho à custa de trinta anos de prisão e de trabalhos, quanto estimaria o servo por esta só consideração! Quanto mais deverá então a divina Mãe estimar nossas almas, vendo que o Verbo Eterno não desceu do céu à terra e se fez seu Filho, senão para as salvar à custa de todo o seu sangue! Eu vim salvar o que estava perdido (3) — “Salvum facere quod perierat”.

II. Numquid oblivisci potest mulier infantem suum (4) — “Acaso pode uma mulher esquecer-se de seu filhinho”. Se uma mãe, assim nos diz a Virgem, não pode deixar de amar o fruto de suas entranhas, quanto menos poderei eu esquecer-me de vós, meus filhos diletíssimos, eu, que tantas razões especiais tenho de vos amar? Ah! se o amor que todas as mães têm aos seus filhos, todos os esposos a suas esposas, e todos os anjos e santos a seus devotos, se unisse em um só amor, não chegaria a igualar o amor que Maria tem a uma só alma. É pois de justiça que ao amor de Maria respondamos com o nosso.

Sim, minha Mãe amabilíssima, é mais que justo que eu vos ame! Não quero descansar, enquanto não estiver certo de ter alcançado o amor, mas um amor constante e terno para convosco, ó minha Mãe, que com tanta ternura me tendes amado, ainda quando eu vos era tão ingrato. Que seria agora de mim, se não me tivésseis amado e alcançado tantas misericórdias?

Eu vos amo, minha Mãe, e quisera ter um coração capaz de vos amar por todos aqueles infelizes que não vos amam. Quisera ter uma língua que pudesse louvar-vos por mil, afim de fazer conhecer a todos a vossa grandeza, a vossa santidade, a vossa misericórdia e o amor com que amais aqueles que vos amam. Se eu tivesse riquezas, todas as dispenderia em honra vossa. Se tivesse súditos, quereria fazê-los todos amantes vossos. Quereria finalmente, por vosso amor e para glória vossa, dispender até a vida, se necessário fosse.

Em suma, minha Mãe, desejo primeiro aqui na terra, e em seguida no céu, ser, depois de Deus, quem mais vos ame. Se este desejo é por demais audaz, é porque vossa amabilidade e o amor especial que me haveis demonstrado, m’o inspiram. Aceitai-o, pois, ó Senhora, e em prova de que o aceitastes, obtende-me de Deus o amor que vos peço, visto que tanto agrada a Deus que se vos tem.

Referências:

(1) 1 Jo 4, 21
(2) Jo 19, 26
(3) Lc 19, 10
(4) Is 49, 15

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(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 193-195)

quinta-feira, 17 de junho de 2021

O alerta de Maria para o Brasil

 


Muitos não sabem, mas o Brasil recebeu, na década de 1930, uma aparição de Nossa Senhora das Graças. Consigo, a Mãe de Deus trazia uma mensagem importante, um verdadeiro alerta para nossa nação. 

Texto do episódio


A Mãe do Senhor, sob o título de Nossa Senhora das Graças, visitou o Brasil na década de 1930, aparecendo para duas jovenzinhas num sítio no interior de Pernambuco. Uma das videntes, a Irmã Adélia, faleceu no dia 13 de outubro p.p., contudo, a mensagem a ela transmitida pela Virgem Santíssima continua atual e oportuna.

Em perfeita consonância com as suas demais aparições, a Senhora das Graças preveniu as jovens de que três castigos se abateriam sobre o Brasil e que o país seria tomado pelo comunismo. Ora, a situação da sociedade brasileira não deixa margem para dúvida de que a Senhora estava certa. O país está cada mais mergulhado no ideal socialista e no marxismo cultural.

Felizmente, além de alertar para o perigo, a Virgem Santíssima ofereceu também o remédio: oração e penitência. Portanto, que todos A obedeçam intensificando as súplicas e os atos de reparação para evitar que a chaga do comunismo se abata definitivamente nesta Terra de Santa Cruz.

Nossa Senhora das Graças, rogai por nós.



TEXTO COMPLETO ACESSE PELO LINK ABAIXO;


SANGRENTA REVOLUÇÃO PROMOVIDA PELO COMUNISMO - A VIRGEM SANTÍSSIMA AFIRMA QUE O BRASIL PASSARÁ POR UMA

terça-feira, 15 de junho de 2021

10 sugestões de Santo António para fazer penitência pelos pecados

 

O pecado é sempre uma recusa do Amor, é virar as costas a Deus porque se considera que uma criatura ou uma coisa material pode substituir o Seu lugar no nosso coração. Para compensar essas falta de amor, e fortalecer a vontade para amar mais, Santo António dá algumas ideias:

1. Renúncia da própria vontade;

2. Abstinência de comida e bebida;

3. Rigor do silêncio;

4. Vigílias de oração durante a noite;

5. Derramamento de lágrimas;

6. Dedicação de tempo à leitura;

7. Trabalho físico exigente;

8. Ajudar generosamente os outros;

9. Vestir-se com modéstia;

10. Desprezar a própria vaidade.

Santo António de Lisboa in Sermão do Domingo de Pentecostes, 1§7

sábado, 12 de junho de 2021

CORAÇÃO DE MARIA, IMAGEM FIEL DO CORAÇÃO DE JESUS

 


Mater eius conservabat omnia verba haec in corde suo – “Sua Mãe conservava todas estas palavras em seu coração” (Luc. 2, 51).
Sumário. Todas as qualidades que nos dias anteriores contemplamos no Coração de Jesus acham-se, com as devidas proporções, também no Coração de Maria, sua Mãe. Durante os trinta anos que a Virgem Santíssima conviveu com Jesus, não fez senão estudar continuamente no livro do Coração do Filho. Se, pois, amamos deveras a Maria e queremos ser seus dignos filhos, estudemos igualmente o Coração de Jesus e aprendamos de Nossa Senhora a praticarmos a humildade e o amor para com Deus e para com o próximo.
Depois da Encarnação do Verbo, a ocupação habitual de Maria Santíssima foi estudar o grande livro do Coração amabilíssimo de Jesus e nesta escola divina fez progressos tão grandes, que se tornou uma imagem fiel de Jesus. Pelo que todos os dotes que nos dias anteriores contemplamos no Coração do Filho, acham-se também, observadas as devidas proporções, no Coração da Mãe.
Com efeito, que coração há mais amável que o Coração de Maria? Coração todo puro, santo, imaculado, perfeito; Coração, em suma, no qual Deus acha as suas delícias, as suas complacências. – Coração ao mesmo tempo tão amante dos homens, que, se todas as criaturas unissem as suas forças, nem de longe conseguiriam igualar o amor de Maria: Amat nos amore invicibili (1) – “Ela nos ama com amor inexcedível”. Este amor de Maria para com o gênero humano, rivalizando com o do Eterno Pai, levou-a a fazer o sacrifício doloroso, de entregar à morte seu Filho inocente. Leva-a continuamente a compadecer-se com ternura maternal das nossas misérias; a socorrer-nos generosamente em nossas necessidades; a ser-nos reconhecida e recompensar fielmente qualquer obra boa feita por seu amor, qualquer palavra dita para glória sua, cada bom pensamento que lhe agrada.
Como retribuição de todos os benefícios que a divina Mãe nos dispensou e ainda continuamente nos dispensa, não exige senão nosso amor; porquanto seu coração, à semelhança do de Jesus, é um coração desejoso de ser amado. – Vê, portanto, quanta aflição deve sentir vendo-se pago com desprezos. Não sejas tu do número daqueles ingratos que assim afligem a nossa terna Mãe.
Imitatores mei estote, sicut et ego Christi(2) – “Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo”; é o que, com mais razão do que São Paulo, nos diz a divina Mãe. Se, pois, amas a Maria, deves, à sua imitação, estudar continuamente no livro do Coração de Jesus Cristo, afim de nele aprender todas as virtudes, especialmente as que te sejam mais necessárias como, por exemplo, o desapego da terra, a humildade, a mansidão, a resignação e sobretudo o amor para com Deus e para com o próximo. – Se não tens a coragem de estudar em tão grande livro, pede-a à divina Mãe.
Ó Coração de Maria, Mãe de Deus e Mãe nossa; Coração amabilíssimo, objeto da complacência da adorável Trindade, de toda a veneração e amor dos anjos e dos homens; Coração mais semelhante ao de Jesus, do qual sois imagem perfeita; Coração cheio de bondade e todo compassivo com as nossas misérias: dignai-vos tirar a frieza de nossos corações e fazei que sejam transformados à semelhança do Coração do divino Salvador. Infundi-lhes o amor a vossas virtudes; abrasai-os no fogo feliz, que está continuamente ardendo em vosso Coração.
Abrangei a santa Igreja, guardai-a e sede-lhe sempre doce asilo e torre inexpugnável contra todos os assaltos dos seus inimigos. Sede-nos o caminho para irmos a Jesus e o canal pelo qual nos venham todas as graças necessárias para nossa salvação. Sede nosso socorro nas aflições, nosso conforto nas tentações, nosso refúgio nas perseguições, nosso auxílio em todos os perigos, especialmente nos últimos combates de nossa vida na hora da morte, quando todo o inferno se desencadear contra nós para roubar nossas almas, naquele momento terrível do qual depende a eternidade. Ó Virgem piedosíssima, deixai-nos experimentar então a doçura do vosso coração maternal e a eficácia do vosso poder para com o Coração de Jesus, abrindo-nos nesta fonte mesma da misericórdia um abrigo seguro, no qual possamos um dia chegar a bendizê-lo no paraíso por todos os séculos dos séculos.
Conhecidos, louvados, benditos, amados, servidos e glorificados, sejam sempre e por toda parte o diviníssimo Coração de Jesus e o puríssimo Coração de Maria.
  1. S. Petr. Dam.
    2. 1 Cor. 4, 16.
Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II – Santo Afonso

quinta-feira, 10 de junho de 2021

O poder do Rosário em todas as aparições de Nossa Senhora de Fátima

 




“Rezem o Rosário todos os dias para alcançar a paz no mundo e o fim da guerra”

Amensagem de Nossa Senhora de Fátima sobre o poder do Santo Rosário foi revelada já no primeiro dia das aparições, 13 de maio de 1917.

©Wikimedia

Na ocasião, a pequena Lúcia perguntou se ela e sua prima Jacinta iriam para o céu e Nossa Senhora confirmou que sim. Quando perguntou a respeito do pequeno Francisco, a Mãe de Deus respondeu:

“Também irá, mas tem que rezar antes muitos rosários”.

Nossa Senhora de Fátima abriu então as mãos e comunicou aos três uma luz divina muito intensa. As crianças caíram de joelhos e adoraram a Santíssima Trindade e o Santíssimo Sacramento. Depois, Nossa Senhora reforçou:

“Rezem o Rosário todos os dias para alcançar a paz no mundo e o fim da guerra”.

A segunda aparição da Virgem Maria em Fátima aconteceu justamente depois que eles rezaram o Santo Rosário.

Georges Perret-CC

Na terceira ocasião, Nossa Senhora lhes disse:

“Quando rezarem o Rosário, digam depois de cada mistério: ‘Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu, especialmente as que mais precisarem’”.

Na quarta vez, muitos já sabiam das aparições de Nossa Senhora aos pastorinhos. Jacinta perguntou à Mãe de Deus o que ela queria que fosse feito com o dinheiro que as pessoas deixavam na Cova da Iria. A Virgem Santíssima lhes respondeu que o dinheiro devia ser empregado na Festa de Nossa Senhora do Rosário e que o restante devia ser usado na construção de uma capela. Depois, com o rosto entristecido, a Virgem lhes pediu:

“Rezem, rezem muito e façam sacrifícios pelos pecadores, porque muitas almas vão para o inferno porque não têm quem se sacrifique e reze por elas”.
©Santuario de Fatima

No dia da quinta aparição, as crianças só conseguiram chegar à Cova da Iria com dificuldade, por causa das milhares de pessoas que lhes pediam para apresentar as suas necessidades a Nossa Senhora. Os pastorinhos rezaram o Rosário com as pessoas ali reunidas. Quando apareceu para os três pequenos, Nossa Senhora os incentivou mais uma vez a continuarem rezando o Santo Rosário pelo fim da guerra.


Na última aparição, em 13 de outubro de 1917, antes de acontecer o famoso Milagre do Sol, a Mãe de Deus pediu que fosse levantada naquele local uma capela em sua honra. Ela então se apresentou como a “Senhora do Rosário”. Depois, assumindo novamente uma feição de tristeza, ela completou com mais um pedido:

“Não ofendam mais a Deus, Nosso Senhor, que já está muito ofendido”.




 

quarta-feira, 9 de junho de 2021

ESTAIS SEGUROS DE VOSSA SALVAÇÃO?

 



Frei Gil, o bendito leigo franciscano, temendo pela sua salvação, abandonara o mundo. Uma gruta às margens de um rio ofereceu-lhe abrigo, e ali vivia todo consagrado ao serviço de Deus. A água cristalina matava-lhe a sede, e as árvores ofereciam-lhe seus frutos. O sol surpreendia-o em oração e as estrelas da noite eram testemunhas de suas assombrosas penitências.

Um dia, três cavaleiros, que andavam à caça, chegaram à gruta de Frei Gil. Este recebeu-os amavelmente, entreteve-se com eles sobre coisas espirituais e notou que, embora bons cristãos, gostavam mais do mundo do que de Deus.

Ao despedirem-se, um deles disse:

–  Santo bendito, desde hoje recomenda-nos a Deus.

–  Em verdade, senhores, vós é que haveis de pedir a Deus por mim, porque tendes mais fé e mais esperança do que eu.

–  Como assim? Nós?…

–  Sim, disse Frei Gil, porque estou aqui retirado de todo trato com os homens, vestido de burel, dormindo no chão, e sempre ando com medo de condenar-me; e vós, cercados de prazeres e comodidades, alimentando vícios e paixões, estais tão seguros de vossa salvação!… Tendes, na verdade, mais fé, mais esperança do que eu.

O Santo tinha razão. É preciso assegurar a nossa salvação por meio da penitência, pois a eterna Verdade diz: “Se não fizerdes penitência, perecereis”.

Tesouro de Exemplos – Vol. II – Pe. Francisco Alves