segunda-feira, 22 de junho de 2020

Importantes proveitos da Oração Mental



Os proveitos que se tiram de exercitar a oração mental são tantos, e tão importantes, que para os declarar seriam necessários muitos livros. Nós neste lugar, para tocarmos alguma parte de seus louvores, somente compararemos a Oração à Árvore da vida, que São João viu no Paraíso celestial; e da qual diz, que produzia doze gêneros de frutos. Porque verdadeiramente a Oração Mental é uma árvore plantada pela mão de Deus no Paraíso da Igreja para sustento da vida espiritual: sua é aquela grande excelência de ser um colóquio da alma com o mesmo Deus; e daqui procedem seus copiosíssimos, e dulcíssimos frutos, que podemos reduzir aos doze seguintes:

I. A Oração Mental reforma eficazmente a vida, e arranca de raiz os vícios, que com nenhum outro remédio se podiam arrancar: e cada dia nos está mostrando a experiência, que pecadores, mui envelhecidos em seus maus costumes, com pouco tempo, que usaram este exercício, se tornaram tão outros, que o mesmo Confessor os desconhece. E também purga os pecados da vida passada; porque o pecador os chora novamente cada dia, e quando chega ao Sacramento da Confissão, leva deles exame mais cuidadoso, e contrição mais viva.

II. Alcança grande luz das verdades, e mistérios de nossa Santa Fé, conforme aquilo do Salmo: "Chegai-vos a Deus, e sereis alumiados" (Salmo 34). Donde vem, que um rústico, ou uma mulher simples com oração, entende às vezes estes pontos com maior firmeza, e clareza, que um Teólogo sem oração: verificando-se a sentença de Cristo, falando com Seu Eterno Pai: "Escondestes estas coisas aos sábios, e as revelastes aos pequenos"

III. Faz que saibamos discernir as inspirações da graça Divina, e moções do Espírito Santo: coisa, que sendo tão importante para o governo da vida cristã, os mundanos a não entendem, nem observam, e assim andam às escuras.

IV. Purifica, e endireita a intenção, com que fazemos as obras boas, (como o leme endireita toda a nau) e por conseguinte as faz mais agradáveis a Deus, mais rendosas para nós, e mais exemplares para o próximo. Porque quem obra depois que ora, não segue tanto os impulsos da natureza, como os ditames da razão, e luz da graça; e o concerto de suas ações, e honesto fim, que com elas pretende, lança de si certo resplendor, que bem se deixa conhecer de fora.

V. Despega o coração das coisas transitórias, e o levanta às eternas; porque o amor a qualquer criatura segue o conhecimento que dela temos; e como com a luz da Oração se descobre a vileza dos bens caducos, e a excelência dos eternos, a estes vai buscar o coração, desprezando aqueles.

VI. Consola, e fortalece nas tribulações; e por isso os Santos em todos seus trabalhos se acolhem a esta cidade de refúgio, e dela saem tão animosos, que não só rebatem, mas ainda desafiam o Mundo, e o Inferno. Santo Inácio de Loyola dizia, que se alguma coisa lhe poderia dar pena, seria o desfazer-se a Companhia; mas que com meia hora de Oração ficaria sossegado.

VII. Amedronta grandemente os demônios, e descobre as ciladas, que nos armam; porque a oração dá asas ao espírito, o põe em lugar alto, donde as possa descobrir; e como diz o Espírito Santo: "Debalde se lançam as redes à vista dos que têm asas" (Prov. 1,17). Dá também esforço para vencermos suas tentações: "Orate ne intretis in tentationem". Por onde disse S.João Clímaco: "Qui baculum orationis jugiter tenet non offendet; sed si offendere eum contigerit, non penitus cadet"- Quem tem na mão o báculo da Oração continuamente, não tropeçará; e se suceder que tropece, não cairá de todo.

VIII. Desterra as tristezas do coração. Sente-se triste algum de vós outros? (diz o Apóstolo S.Tiago 5,13) Pois ore. E esta alegria, que aqui se comunica, não é exterior, e falsa, como a que causam as criaturas; senão interior, e verdadeira: porque enfim é causada do Espírito Santo, consolador ótimo, doce hóspede, e doce refrigério das almas.

IX. Adoça, e facilita o exercício da mortificação: o qual por uma parte é necessário para despirmos o amor próprio, causa de todas nossas misérias; e por outra é muito amargoso, e contrário à natureza: e querer dobrar, e amoldar esta sem primeiro meter o espírito na forja da Oração, seria bater em ferro frio.

X. Gera grande paz de consciência: porque cessando os pecados, cessão os remorsos, e o Espírito Santo lá dentro da alma dá testemunho, que mora nela. Daqui nasce, que a morte das pessoas habituadas a este Santo exercício é mais desassombrada; por quanto a má consciência é a que nos faz mais horrorosa a passagem para a Eternidade.

XI. Alcança de Deus Nosso Senhor grandes favores, e mercês: porque da Oração nasce o conhecimento de que necessitamos delas, o desejo de as procurarmos, a confiança, resignação, e perseverança para as pedirmos,e a humildade para as conservarmos: e ali se granjeia a devoção com Maria Santíssima, a familiaridade com os Anjos; tudo disposições para sairmos com bom despacho: e assim São João Crisóstomo chamou à Oração 'omnipotente'.

XII. Une os próximos entre si, porque une cada um com Deus: e daqui vem, que nas Comunidades, e famílias, que tem exercício quotidiano de Oração Mental, reina mais a paz do Senhor, e custam menos desvelo a quem as governa.

Padre Manoel Bernardes in 'Tratado breve da Oração Mental'

domingo, 21 de junho de 2020

Vive em paz quem não procura agradar aos homens nem teme desagradar-lhes

Filho, não te aflijas se alguém fizer de ti mau conceito ou disser coisas que não gostas de ouvir. Pior ainda deves julgar de ti mesmo, e avaliar-te o mais imperfeito de todos. Se praticares a vida interior, pouco te importarás de palavras que voam. 

É grande prudência calar-se nas horas da tribulação, volver-se interiormente a mim, e não se perturbar com os juízos humanos. Não faças depender a tua paz da boca dos homens; porque, quer julguem bem, quer mal de ti, não serás por isso homem diferente. 

Onde está a verdadeira paz e a glória verdadeira? Porventura não está em mim? Quem não procura agradar aos homens, nem teme desagradar-lhes, esse gozará grande paz. É do amor desordenado e do vão temor que nascem o desassossego do coração e a distração dos sentidos. 

in Imitação de Cristo, Livro II, Capítulo 28

sábado, 20 de junho de 2020

Imitação de Cristo: Desprezo de todas as vaidades do mundo


1. Quem me segue não anda nas trevas, diz o Senhor (Jo 8,12). São estas as palavras de Cristo, pelas quais somos advertidos que imitemos sua vida e seus costumes, se verdadeiramente queremos ser iluminados e livres de toda cegueira de coração. Seja, pois, o nosso principal empenho meditar sobre a vida de Jesus Cristo.


2. A doutrina de Cristo é mais excelente que a de todos os santos, e quem tiver seu espírito encontrará nela um maná escondido. Sucede, porém, que muitos, embora ouçam frequentemente o Evangelho, sentem nele pouco enlevo: é que não possuem o espírito de Cristo. Quem quiser compreender e saborear plenamente as palavras de Cristo é-lhe preciso que procure conformar à dele toda a sua vida.

3. Que te aproveita discutires sabiamente sobre a SS. Trindade, se não és humilde, desagradando, assim, a essa mesma Trindade? Na verdade, não são palavras elevadas que fazem o homem justo; mas é a vida virtuosa que o torna agradável a Deus. Prefiro sentir a contrição dentro de minha alma, a saber defini-la. Se soubesses de cor toda a Bíblia e as sentenças de todos os filósofos, de que te serviria tudo isso sem a caridade e a graça de Deus? Vaidade das vaidades, e tudo é vaidade (Ecle 1,2), senão amar a Deus e só a ele servir. A suprema sabedoria é esta: pelo desprezo do mundo tender ao reino dos céus.

4. Vaidade é, pois, buscar riquezas perecedoras e confiar nelas. Vaidade é também ambicionar honras e desejar posição elevada. Vaidade, seguir os apetites da carne e desejar aquilo pelo que, depois, serás gravemente castigado. Vaidade, desejar longa vida e, entretanto, descuidar-se de que seja boa. Vaidade, só atender à vida presente sem providenciar para a futura. Vaidade, amar o que passa tão rapidamente, e não buscar, pressuroso, a felicidade que sempre dura.

5. Lembra-te a miúdo do provérbio: Os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos de ouvir (Ecle 1,8). Portanto, procura desapegar teu coração do amor às coisas visíveis e afeiçoá-lo às invisíveis: pois aqueles que satisfazem seus apetites sensuais mancham a consciência e perdem a graça de Deus.”

Padre Tomás de Kempis in Imitação de Cristo


Leia também;



O Verbo de Deus virá a nós





quinta-feira, 18 de junho de 2020

Catecismo Ilustrado - Parte 69 - Obras Espirituais de Misericórdia



Catecismo Ilustrado - Parte 69

As Obras de Misericórdia

Obras Espirituais de Misericórdia

1. As obras espirituais de misericórdia são sete: 1º dar bom conselho; 2º ensinar os ignorantes; 3º corrigir os que erram; 4º consolar os tristes; 5º perdoar as injúrias; 6º sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo; 7º rogar a Deus por vivos e defuntos.

2. Chamam-se espirituais porque se referem à alma do próximo.

3. No Juízo Final seremos julgados segundo as obras de misericórdia. Com efeito, assim fala Nosso Senhor no Evangelho: “Quando, pois, vier o Filho do Homem na Sua majestade, e todos os anjos com Ele, então Se sentara sobre o trono de Sua majestade. Todas as nações serão congregadas diante Dele. Separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos, e porá as ovelhas à sua direita, e os cabritos à esquerda. Dirá então o Rei aos que estiverem à Sua direita: Vinde, benditos de Meu Pai, possuí o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome, e Me destes de comer; tive sede, e Me destes de beber; era peregrino, e Me recolhestes; nu, e Me vestistes; enfermo, e Me visitastes; estava na prisão, fostes ver-Me. Então, os justos Lhe responderão: Senhor, quando é que nós Te vimos faminto, e Te demos de comer; com sede, e Te demos de beber? Quando Te vimos peregrino, e Te recolhemos; nu, e Te vestimos? Ou quando Te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-Te? O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos digo que todas as vezes que vós fizestes isto a um destes Meus irmãos mais pequenos, a Mim o fizestes”. (Mat XXV, 31-46)

Explicação da gravura

5. A gravura representa as quatro principais obras espirituais de misericórdia.

Ensinar os ignorantes

6. Acima vê-se São João Batista ensinando o povo, e dando bons conselhos à multidão que o interroga.

7. No ângulo superior esquerdo, vê-se um Irmão das Escolas Cristãs ensinando e educando crianças.
Dar bons conselhos

8. Esta obra está representada na gravura, à esquerda, por São João Batista censurando Herodes, repreendendo-lhe o seu mau comportamento e dizendo-lhe: “Não te é lícito viver com a mulher do teu irmão ainda vivo”.

9. No ângulo inferior esquerdo, vê-se um homem que distribui bons livros e bons jornais para favorecer a boa leitura e combater a má imprensa.

Consolar os tristes

10. Esta obra está representada à direita por Nosso Senhor consolando a viúva de Naim e ressuscitando-lhe o filho. Lemos no Evangelho: “No dia seguinte foi para uma cidade, chamada Naim. Iam com Ele os Seus discípulos e muito povo. Quando chegou perto da porta da cidade, eis que era levado a sepultar um defunto, filho único de uma viúva; e ia com ela muita gente da cidade. Tendo-a visto, o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe: “Não chores”. Aproximou-Se, tocou o esquife, e os que o levavam pararam. Então disse: “Jovem, Eu te ordeno, levanta-te”. E o que tinha estado morto sentou-se, e começou a falar. Depois, Jesus entregou-o à sua mãe”. (Lucas VII, 11-17)

11. No ângulo superior direito, vê-se um rapaz que, separando-se dos pais, consola o irmão mais novo mostrando-lhe o Céu, onde hão de encontrar-se um dia.

Rogar a Deus por vivos e defuntos

12. Esta obra está representada na parte inferior da gravura por Judas Macabeu rogando a Deus com o exército pelos soldados mortos na batalha. Acabando de rezar, fez um peditório, mandando o produto a Jerusalém com ordem de oferecer um sacrifício pelos pecados dos soldados defuntos.

13. Vê-se também no ângulo direito inferior uma mulher rezando na campa dos seus defuntos. 




Obrigado a todos os leitores que acompanharam as publicações do Catecismo Ilustrado. Esperamos ter contribuído para o crescimento espiritual de cada um, com a revisão das verdades da nossa fé.

Apostolado O Segredo do Rosário

e-mail

Para pedido de todas as gravuras pelo e-mail acima.

Catecismo Ilustrado - Parte Final





Faíscas da Fé - Jesus Cristo É Deus?



Revmo. Sr. Pe. Samuel Bon, sobre o facto da Igreja conciliar não mais acreditar que Jesus Cristo Nosso Senhor é verdadeiramente Deus.

terça-feira, 16 de junho de 2020

Catecismo Ilustrado - Parte 68 - Obras Corporais de Misericórdia





Catecismo Ilustrado - Parte 68

As Obras de Misericórdia

Obras Corporais de Misericórdia

Explicação da gravura

1. A misericórdia é uma virtude que nos leva a ter compaixão das misérias do próximo e a aliviá-las.

2. Há duas classes de obras de misericórdia, as corporais e as espirituais.

3. As corporais são as que se referem ao corpo do próximo.

4.  São sete: 1º dar de comer a quem tem fome; 2º dar de beber a quem tem sede; 3º vestir os nus; 4º visitar os enfermos e encarcerados; 5º dar hospedagem aos peregrinos; 6º remir os cativos; 7º enterrar os mortos.

5. A gravura representa as principais.

Dar esmola aos pobres

6. A primeira obra corporal de misericórdia é acudir aos pobres nas suas necessidades.

7. A gravura, na parte superior, representa o Profeta Elias multiplicando a farinha e o azeite da viúva da Sarepta. “Falou-lhe então o Senhor assim: “Levanta-te, vai para Sarefta dos Sidonios, porque eu ordenei a uma mulher viúva que te sustente”. Levantou-se e foi para Sarefta. Tendo ele chegado à porta da cidade, apareceu-lhe uma mulher viúva, que apanhava lenha. Ele chamou-a e disse-lhe: “Dá-me num vaso um pouco de água para beber”. Quando ela lha ia buscar, Elias chamou-a outra vez e disse: “Traz-me também, peço-te, um bocado de pão na tua mão”. Ela respondeu-lhe: “Viva o senhor teu Deus, que eu não tenho pão, senão somente um pouco de farinha na panela, e um pouco de azeite na almotolia. Ando a apanhar um pouco de lenha, a fim de a ir cozer para mim e para meu filho, para comermos e depois (de gastos estes restos) morreremos (de fome)”. Elias disse-lhe: “Não temas, mas vai e faz como disseste; porém faz primeiro para mim desse pouco de farinha um pãozinho cozido, debaixo do rescaldo, e traz-mo; para ti e para teu filho, farás depois”. Com efeito, o Senhor Deus de Israel disse assim: “A farinha que está na panela não faltará, nem de diminuirá, na almotolia, o azeite, até o dia em que o Senhor faça cair chuva sobre a terra”. Foi a mulher e fez como Elias lhe tinha dito. E desde aquele dia não faltou a farinha na panela, nem se diminuiu o azeite da almotolia. Aconteceu depois adoecer o filho desta mãe de família, e a doença era tão grave que já não respirava. Então Elias clamou ao Senhor, assim: “Senhor meu Deus, até a uma viúva, que me sustenta como pode, afligiste, matando-lhe seu filho?” O Senhor ouviu a voz de Elias; a alma do menino voltou a ele, e ele recuperou a vida”. (I Rei XVII, 9) Vê-se neste exemplo que Deus gosta de premiar os que praticam a caridade para com os pobres.

9. No ângulo superior da esquerda, vê-se uma mulher que dá esmola a um necessitado. 

Visitar os enfermos e encarcerados

10. Esta obra acha-se representada pelo bom Samaritano do Evangelho, à esquerda da gravura.

11. “Um homem descia de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos ladrões, que o despojaram, o espancaram e retiraram-se, deixando-o meio morto. Ora aconteceu que descia pelo mesmo caminho um sacerdote que, quando o viu, passou de largo. Igualmente um levita, chegando perto daquele lugar e vendo-o, passou adiante. Um samaritano, porém, que ia de viagem, chegou perto dele e, quando o viu, encheu-se de compaixão. Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; e, pondo-o sobre o seu jumento, levou-o a uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte tirou dois denários, deu-os ao estalajadeiro e disse-lhe: “Cuida dele; quando gastares a mais, eu te pagarei quando voltar”.” (Lucas X, 25)

12. No ângulo inferior da esquerda, vê-se uma Irmã da Caridade cuidando de um doente.

Dar pousada aos peregrinos

13. Esta obra de misericórdia está representada, na gravura, por Abraão oferecendo a hospedagem aos Anjos que iam destruir as cidade de Sodoma e Gomorra.

14. No ângulo inferior da direita, vê-se um frade dando hospedagem a um peregrino.


Enterrar os mortos

15. Esta obra está representada pelo santo homem Tobias, sepultando um dos companheiros do seu cativeiro.
16. No ângulo superior da direita, vê-se um sacerdote aspergindo com água benta a campa de um defunto que acabam de enterrar.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Catecismo Ilustrado - Parte 67- As Virtudes Evangélicas ou Conselhos





Catecismo Ilustrado - Parte 67

As Virtudes

As Virtudes Evangélicas ou Conselhos

1. As virtudes evangélicas são as que se referem às virtudes cardeais e que são especialmente aconselhadas no Evangelho, chamando-se por isso conselhos evangélicos.

2. São três: pobreza voluntária, castidade perpétua e obediência inteira, às quais se pode acrescentar a humildade cristã.

3. Pratica-se a pobreza voluntária renunciando, por amor de Deus, à posse dos bens terrenos.

4. Pratica-se a castidade perpétua vivendo castamente, abstendo-se não só de toda a sorte de pecado carnal, mas ainda do Matrimônio.
5. Pratica-se a obediência inteira, renunciando, por amor de Deus, à própria vontade, para se submeter à dos superiores em tudo o que não seja pecado.

6. São três e não mais os conselhos evangélicos principais, porque são três os impedimentos da perfeição, os quais são anulados pelos ditos conselhos. Esses impedimentos são: o amor dos bens da fortuna, o amor dos prazeres carnais, o amor das honras mundanas.

7. Estes conselhos servem para observar mais facilmente os mandamentos de Deus e unir-nos mais estreitamente com Ele, sacrificando-Lhe todos os nossos bens.

8. Estes conselhos, quando se convertem em lei por meio dos votos solenes, formam os estados perfeitos da religião cristã, que se chamam ordens religiosas ou religiões, segundo a regra de cada um dos fundadores.

9. A humildade é uma virtude pela qual, reconhecendo os nossos defeitos e fraquezas, referimos a Deus o pouco de bom que em nós encontramos. Leva-nos pois esta virtude a submeter-nos de coração não só aos superiores, mas ainda aos inferiores iguais.

10. Eis aqui como Nosso Senhor, no Evangelho, chama um jovem ao caminho da perfeição: “Então certo homem de posição fez-Lhe esta pergunta: “Bom Mestre, que devo fazer para obter a vida eterna?”. Jesus respondeu-lhe: “Porque Me chamas bom? Ninguém é bom senão só Deus. Tu conheces os mandamentos: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, nãos dirás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe”. Ele disse: “Tenho observado tudo isso desde a minha juventude”. Tendo Jesus ouvido isto disse-lhe: “Uma coisa te falta ainda: vende tudo quanto tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois vem e segue-Me”. Mas ele, ouvindo isto, entristeceu-se, porque era muito rico. Jesus, vendo esta tristeza, disse: “Como é difícil aqueles que tem riquezas entrem no Reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no Reino de Deus”. Os que O ouviram disseram: “Quem pode então se salvar?” Jesus respondeu-lhes: “ O que impossível aos homens é possível a Deus”.” (Lucas XVIII, 18-27)

Explicação da gravura

11. A gravura superior à esquerda representa um exemplo de humildade dado por São João Batista. “Um dia, os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas a João para lhe perguntar: “Quem és tu?” E ele confessou e não negou: “Eu não sou o Cristo, nem Elias, nem profeta”. E os enviados perguntaram-lhe: “Porque pois batizas, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem profeta?” João respondeu-lhes: “Eu batizo com água; mas no meio de vós está Aquele a quem não conheceis. Este é o que virá após mim, e já era antes de mim, do Qual eu não sou digno de desatar a correia das sandálias”.” (Jo III, 26)

12. Os primeiros cristãos praticavam de um modo perfeito a pobreza voluntária. Os que tinham terras e bens, vendiam-nos, e como se vê na gravura superior, à direita, traziam aos Apóstolos o valor deles, que depois era distribuído aos pobres.

13. A gravura inferior, à esquerda, representa um exemplo de perfeita obediência da São Tiago e de São João, filhos de Zebedeu. Um dia que estavam concertando as suas redes, Nosso Senhor chamou-os para serem seus discípulos. E eles logo deixando o barco, as redes e os pais, O seguiram.

14. Na parte inferior da gravura, à direita, está representado Nosso Senhor Jesus Cristo, o amigo dos corações puros, e ao pé Dele quatro santos que sobressaíram na castidade mais perfeita, que é a virginal. São, à direita do Salvador, Maria Santíssima e São João Batista; à esquerda São José, esposo de Maria e pai adotivo de Jesus e São João Evangelista, o Apóstolo predileto.


Índice das sessenta e oito gravuras


Sumário

1.- Introdução

O Símbolo dos Apóstolos


2.- A Santíssima Trindade
3.- A Criação
4.- Incarnação - Transfiguração
5.- Incarnação - Anunciação
6.- A Natividade
7.- A Redenção
8.- A descida aos Infernos
9.- A Ressurreição
10.- A Ascensão
11.- Jesus Cristo à direita de Deus Pai
12.- Juízo Final
13.- Pentecostes
14.- A Igreja
15.- A Comunicação dos Santos
16.- A Remissão dos pecados
17.- A Ressurreição da carne
18.- O Paraíso
19.- O Inferno

Os Sacramentos

20.- A Graça
21.- O Baptismo
22.- A Eucaristia
23.- A Confirmação
24.- A Penitência
25.- A Extrema-Unção
26.- A Ordem
27.- O Matrimônio

Os Mandamentos


28.- Os mandamentos da lei de Deus


29.- 1º Mandamento de Deus: Adorar a um só Deus e amá-Lo sobre todas as coisas


30.- 1º Mandamento (continuação): Adorar a um só Deus e amá-Lo sobre todas as coisas


31.- 2º Mandamento de Deus: Não invocar o Santo Nome de Deus em vão


32.- 2º Mandamento de Deus (continuação): Não invocar o Santo Nome de Deus em vão


33.- 2º Mandamento de Deus (continuação): Não invocar o Santo Nome de Deus em vão


34.- 3º Mandamento de Deus: Santificar os Domingos e Festas de preceito


35.- 3º Mandamento de Deus (continuação): Santificar os Domingos e as Festas de preceito

36.- 4º Mandamento de Deus: Honrar pai e mãe


37- 4º Mandamento de Deus: Honrar pai e mãe


38.- 4º Mandamento de Deus: Honrar pai e mãe

39.- 4º Mandamento de Deus: Honrar pai e mãe

40.- 5º Mandamento de Deus: Não Matar

41.- 5º Mandamento de Deus: Não Matar

42.- 5º Mandamento de Deus: Não Matar

43.- 6º Mandamento de Deus: Guardar a Castidade

44.- 7º Mandamento de Deus: Não furtar

45.- 7º Mandamento de Deus: Não furtar (continuação)

46.- 8º Mandamento de Deus: 8º Mandamento de Deus: Não levantar falso testemunho

47.- 8º Mandamento de Deus: 8º Mandamento de Deus: Não levantar falso testemunho

49.- 8º Mandamento de Deus: 8º Mandamento de Deus: Não levantar falso testemunho

50.- 8º Mandamento de Deus: 9º Mandamento de Deus: Não desejar a mulher do próximo


51 - 10º Mandamento de Deus: Não cobiçar as coisas alheias


52.- Os Mandamentos da Igreja - 1º Mandamento da Igreja: Ouvir Missa inteira nos domingos e dias de guarda


53.- Os Mandamentos da Igreja - 2º Mandamento da Igreja: Confessar-se ao menos uma vez cada ano - 3º Mandamento da Igreja: Comungar pela Páscoa da Ressurreição


54.- Os Mandamentos da Igreja - 4º Mandamento da Igreja: Jejuar quando manda a Igreja - 5º Mandamento da Igreja: Não comer carne nas sextas-feiras e nos sábados


Diversos

55.- A Oração
56 - A Oração Dominical - O Pai Nosso
57.- Ave Maria
58.- Os Novíssimos do homem
59.- A Morte - 
A Morte do Justo e a do Pecador
60.- O Juízo
61.- O pecado original
62.- Os pecados capitais - A Soberba
63.- Os pecados capitais - A Avareza – A Luxúria – A Gula
64.- Os pecados capitais -  A Inveja - A Ira - A Preguiça
65.- As Virtudes teologais
66.- As Virtudes cardeais
67.- As Virtudes evangélicas
67.- As obras corporais de misericórdia
68.- As obras espirituais de misericórdia

domingo, 7 de junho de 2020

Os pecados veniais fecham a porta aos dons do Espírito Santo



Como é possível que muitas pessoas, depois de terem vivido quarenta ou cinquenta anos em estado de graça e recebido com frequência a Santa Comunhão, quase não dêem sinal da presença dos dons do Espírito Santo na sua conduta e nos seus actos, que se irritem por tudo e por nada e levem uma vida completamente longe do sobrenatural? 

Tudo isto provém dos pecados veniais que com frequência cometem sem nenhuma preocupação; estas faltas e as inclinações que daí derivam tornam estas almas inclinadas à terra e mantêm como que atados os dons do Divino Espírito, como asas que não se podem abrir. 

Tais almas não guardam nenhum recolhimento; nem estão atentas às inspirações do Espírito Santo, que passam inadvertidas; por isso permanecem na escuridão, não das coisas sobrenaturais e da vida íntima de Deus, mas na escuridão inferior que se enraíza na matéria, nas paixões desordenadas, no pecado e no erro; aí está a explicação de sua inércia espiritual. 

A estas almas se dirigem as palavras do salmista: "Hodie si vocem eius audieritis, nolite obdurare corda vestra" (Se hoje ouvirdes a Sua voz não fecheis os vossos corações) - Salmo 94, 8 


Pe. Reginald Garrigou-Lagrange in 'Las Tres Idades de La Vida Interior'

terça-feira, 2 de junho de 2020

VAMOS LER?

Mãe e filha lendo um livro, 1897 Carlton Alfred Smith (Inglaterra ...
“Se meus filhos gostassem de ler, receberiam uma formação sólida, não enlouqueceriam em dias de chuva, não seriam alvos fáceis para a propaganda na mídia”. Mas, como podemos despertar nas crianças esse hábito tão desejável?
O número de qualidades que uma criança adquire imitando os que estão à sua volta é incalculável. Se os pais lêem regularmente com prazer e nítido interesse, se as conversas familiares giram em torno de livros lidos por membros da família, grande parte do trabalho já terá sido realizado.
Antes de aprender a ler, a criança se familiariza com os livros no colo da mãe. Muitas vezes, se deixada sozinha, uma criancinha “lerá” um livro de gravuras em 30 segundos; ela terá visto tudo e não terá olhado nada. Com a mãe por perto, aprenderá a examinar todos os desenhos: onde está o galo? Qual a cor do gato? Ao fazer isso, a criança desenvolve a capacidade de se concentrar enquanto adquire um vocabulário rico e preciso.
Quando os livros fazem parte do universo da família, por volta dos cinco ou seis anos, a criança pedirá para aprender a ler. Ela quer fazer como os adultos: está cansada de ter se receber ajuda para ler uma história, e quer entender as alusões que ouve nas conversas das crianças mais velhas. Ofereça-lhe um livro sobre o alfabeto e, até o momento de poder ir para a escola, ensine-a a reconhecer os sons do seu idioma. A instrução em casa pode ir mais longe se a mãe tiver algum treinamento ou conselhos de um professor.
O aprendizado da leitura é fundamental. A leitura tem de se tornar fácil o suficiente para que a atenção da criança não esteja mais voltada para o ato de ler do que para o conteúdo do livro. É preciso banir intrepidamente os livros que empregam o método de alfabetização global ou semi-global, responsáveis por uma quantidade catastrófica de analfabetos ou leitores medíocres. Somente o método fonético está em conformidade com os processos analíticos do intelecto, exercidos pelo cérebro.
Assim que a criança começar a aprender a ler, forneça livros adaptados à sua capacidade ainda limitada (vocabulário simples, grandes letras, histórias curtas ou mais longas, divididas em capítulos curtos) e não hesite em ler com ela, revezando-se para ajudá-la e despertar seu interesse. Isso deve ser feito se sua leitura ainda não for fluente até o final da primeira série. Nem todas as crianças progridem no mesmo ritmo. Se a mãe não puder ajudar a criança a recuperar o atraso nas férias de verão, ou se a diferença for muito grande, talvez seja melhor que ela repita a primeira série, com o consentimento do professor, para garantir uma base sólida, em vez de avançar para a próxima série, onde pode vir a ter problemas para acompanhar as aulas e correr o risco de desanimar.
Um livro agradável pode se tornar a base de outras atividades que, por sua vez, podem exigir uma leitura complementar adicional: um romance sobre as Cruzadas pode inspirar a criança a construir no papelão seus próprios apetrechos de cavalaria, mas, para aperfeiçoar o trabalho, terá de pesquisar mais em outros livros. E como eram as fortalezas? E a vida de S. Luís, rei da França?
Para leitores verdadeiramente relutantes, pode-se inventar um grande concurso de jogos que ocupará a família durante as férias e remeterá as crianças para os Contos de Fada, aos irmãos Grimm ou à Terra Média em busca de pistas e respostas.
A leitura precisa de condições favoráveis: um pouco de solidão e silêncio. Os jogos barulhentos dos pequenos e os quartos compactos podem constituir obstáculos reais para algumas crianças, que precisam ser ajudadas. Durante as férias de verão, as horas quentes no início da tarde oferecem um tempo propício para a leitura. Enquanto os pequenos se deitam para tirar uma soneca, os mais velhos voltam-se para os livros e a família desfruta de um momento de silêncio.
É claro que só podem entrar na casa livros bons. Para que um livro seja considerado bom, não é preciso que o herói seja um santo, mas é indispensável que a ação se desenrole num contexto honesto e salutar. Ganha-se muito conversando com as crianças sobre o que estão lendo, perguntando o que gostaram e por quê, e o que elas podem ter encontrado para criticar e por quê.
A leitura de revistas em quadrinhos pode contribuir para o desenvolvimento do gosto da leitura? Sem entrar no debate sobre as vantagens e deficiências dos quadrinhos, sejamos realistas: a experiência mostra que a criança que já gosta de ler e costuma ler livros de verdade poderá relaxar com uma revista em quadrinhos sem prejuízo; mas que o leitor exclusivo desse tipo de revistas raramente se torna um leitor genuíno, já que sua preguiça é satisfeita apenas com a “leitura” dos desenhos.
Onde as famílias podem encontrar boas leituras com um orçamento razoável? As bibliotecas públicas oferecem muitos livros francamente ruins para que seja prudente deixar que as crianças as explorem sozinhas. Os pais poderão encontrar nas livrarias os clássicos da literatura infantil a preços modestos. O empréstimo de livros entre famílias é uma solução, além de oferecer uma oportunidade para se ensinar as crianças a terem cuidado com os livros e respeitarem a propriedade dos demais. 
Os editores católicos tradicionais se esforçam para oferecer livros de alta qualidade para crianças, e os avós e padrinhos encontrarão muitas idéias de presentes por lá.
Então, boa leitura para você!

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