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quarta-feira, 26 de julho de 2023

Por que São Paulo da Cruz destacou a paciência como virtude fundamental

 

SAINT PAUL OF THE CROSS

Courtesy of Saintpaulofthecross.com


São Paulo da Cruz acreditava que a paciência era uma virtude que todos precisam praticar

Embora existam muitas virtudes que os cristãos devem praticar, São Paulo da Cruz destacou a virtude da paciência em uma de suas cartas.

Ele escreve:

“Sede constantes em praticar todas as virtudes, e especialmente em imitar a paciência de nosso querido Jesus, pois este é o ápice do amor puro.”

São Paulo da Cruz reforça que a paciência de Jesus deve ser exemplo para todos nós, especialmente a paciência de Jesus durante a sua Paixão. Diz ele:

“Viva de tal maneira que todos saibam que você carrega exterior e interiormente a imagem de Cristo crucificado, o modelo de toda gentileza e misericórdia. Pois, se um homem está interiormente unido ao Filho do Deus vivo, ele também é exteriormente semelhante por sua prática contínua de bondade heróica, e especialmente por uma paciência reforçada pela coragem, que não se queixa nem secretamente nem em público. Escondei-vos em Jesus crucificado e não espereis nada, exceto que todos os homens sejam completamente convertidos à Sua vontade.”

Jesus aceitou pacientemente a cruz, suportando grande tormento físico, sem reclamar. Seu exemplo é realmente o “cume do amor puro” e nos mostra como devemos ser pacientes com os outros.

Ao examinarmos nossa prática de paciência, podemos nos voltar para Jesus e pedir-lhe que nos ajude a ser mais pacientes em nossas vidas.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Prática da paciência




O apóstolo São Tiago disse que a paciência era por excelência a obra perfeita de uma alma. A terra é lugar onde se conquistam merecimentos, e portanto não é lugar de descansomas de trabalho e padecimento: e aquele que não sofre com paciência, sofre menos e salva-se; ao passo que sofre muito mais quem sofrer com impaciência, e pode condenar-se. A paciência deve praticar-se:

 - Nas enfermidades. Estas são a pedra de toque, para discernir o espírito das pessoas. Algumas há que são devotas, e até, ao parecer, fervorosas, enquanto gozam boa saúde: mas se a enfermidade as visita, impacientam-se, queixam-se de todos, entregam-se a tristeza e cometem muitas outras faltas.

 - Na morte dos parentes. Quantos há que pela perda dum parente ficam inconsoláveis, a ponto de deixarem a oração, os Sacramentos e todas as obras de piedade, chegando alguns a queixar-se até do próprio Deus! Que temeridade!

 - Na pobreza, sofrendo com resignação a perda de seus interesses, confiando no Senhor, que não deixará de socorrer a quem a Ele confia.

 - Nos desprezos e perseguições: pois se Jesus, sendo a própria inocência, padeceu tanto por nosso amor; que muito será que nós padeçamos alguma coisa pelo d'Ele. Diz o Apóstolo que, todo aquele que quiser viver neste mundo, unido com Jesus Cristo, a de ser perseguido.

 - Nas angústias de espírito, que são os sofrimentos mais duros e custosos de suportar a uma alma que ama a Deus: são, porém, um meio de que Deus Se serve para provar os Seus escolhidos. Nestas circunstâncias deve haver sumo cuidado em não omitir nenhuma das obras de piedade costumadas, como orações, devoções, visitas, leituras espirituais etc. Pois que, ainda quando tudo pareça perdido, por se fazer com tédio e dificuldade, cumpre-se, com inteiro agrado de Deus, a Sua Santíssima Vontade.

 - Nas tentações. Almas a tão pusilânimes, que, se a tentação for mais demorada, assustam-se e julgam-se abandonadas de Deus. E não obstante Deus nunca permite que sejamos tentados além do que as nossas forças comportam, e a cada tentação vencida correspondem muitas graças de glória. É necessário, sem dúvida, pedir ao Senhor que nos livre das tentações, mas quando elas chegam, não é menos necessário resignar-nos com a vontade de Deus e pedir-Lhe força para resistir e vencer.

(Sagrada Família, por um padre redentorista, 1910)

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Da Paciência na desolação Espiritual

Devemos, finalmente, praticar a paciência no desamparo espiritual. É este o sofrimento mais doloroso e atroz que pode atingir uma alma que ama a Deus. Quando um cristão piedoso goza de consolações espirituais, todas as injúrias, todas as dores, todas as perdas e perseguições não são capazes de perturbar; antes aumentam a alegria de seu coração por lhe darem ocasião de oferecer ao Senhor esses padecimentos e unir-se mais intimamente com ele. Ao contrário, causa a uma alma que ama a Deus o mais atroz tormento não sentir mais em si nenhuma devoção, nenhum zelo, nenhum santo desejo, mas só frieza e aridez na oração e na santa comunhão. É prova de seu amor quando continua no seu caminho, sem nenhum estímulo sensível e até sentindo repugnância interna e tormento de espírito. 

"O Senhor prova aqueles a quem ama por meio de secura de espírito e tentações" diz a Santa (Vida, c.11). 


Achando-se uma vez a beata Ângela de Foligno em um tal estado, queixou-se ao Senhor de a ter abandonado. "Não, minha filha, lhe respondeu o Senhor, amo-te, agora, mais que antes e tenho-te mais unida a mim do que nunca."

É um engano, diz S. Francisco de Sales, querer medir a piedade segundo o grau de consolação que se sente no serviço de Deus. A Verdadeira devoção, diz ele, consiste na firme vontade de fazer tudo o que agrada a Deus. Pela aridez espiritual une-se Deus mais intimamente com as almas que ele ama de modo particular. O que nos impede de unir-nos verdadeiramente a Deus é o apego às nossas inclinações desregradas; por isso, quando Deus quer levar uma alma a amá-lo com perfeição, procura libertá-la de todo o apego às coisas criadas. Para conseguir isso, priva-a, pouco a pouco dos bens terrestres: riquezas, honras, parentes, saúde do corpo, etc. Envia-lhe toda a espécie de adversidades: desgostos, humilhações, perda de pessoas amadas, doenças etc. São esses outros tantos meios de que Deus se serve para desprender as almas das criaturas, a fim de que lhe dedique todo o seu amor. 

No começo da conversão, Deus concede algumas vezes à alma muitas consolações interiores, para lhe inspirar o desejo dos bens espirituais, e o comove tanto, que ela derrama uma torrente de lágrimas. Assim, a alma abandona, aos poucos, as criaturas e se entrega a Deus, ainda que mui imperfeitamente, desde que o faz mais em vista daquelas consolações do que para agradar a Deus. Mas ela, pelo contrário, julga amar tanto mais a Deus quanto mais gosto experimenta em seus exercícios de piedade. Quando, por isso tem de deixar esses seus exercícios de predileção, para cumprir com as exigências da obediência ou da caridade ou, então, quando não acha mais as mesmas consolações nesses exercícios, abandona-os ou, então, encurta-os cada vez mais, até que, afinal, não se incomoda mais com eles.

Isso se dá com muitas almas que Deus chama a um amor especial: trilham no princípio o caminho da perfeição, mas só enquanto acham nele consolações sensíveis; quando, porém, cessam os doces sentimentos, tornam-se negligentes e recomeçam o seu antigo modo de vida. É um defeito geral de nossa natureza corrompida que nós procuramos, em tudo o que fazemos, a nossa própria satisfação. 

Por isso precisamos nos convencer que o amor de Deus ou a perfeição não consiste em doces sentimentos e consolações sensíveis, mas em vencer o amor-próprio e cumprir com a vontade de Deus.

Enquanto duram as consolações interiores, não é preciso muita virtude para se renunciar aos prazeres sensuais e suportar com paciência injúrias e adversidades. Uma alma, que é favorecida de Deus com aquele gozo sensível, suporta pacientemente tudo que lhe ocorre; mas sua paciência provém mais do atrativo daquelas consolações do que do verdadeiro amor a Deus.

para que a alma se firme na virtude, afasta-se Deus dela para curá-la de seu amor-próprio, que se compraz naquelas doçuras. Assim, nos atos de oferecimento próprio, de confiança e de amor de Deus, acha frieza e desgosto em vez da antiga alegria com que os praticava; sente fastio em todos os exercícios de devoção, na oração, na leitura espiritual, até na santa comunhão, e parece-lhe que, para si, não há mais salvação. Ela reza e reza sempre de novo, e experimenta uma grande aflição, porque julga que Deus não a quer atender.

Vejamos agora como nos devemos portar a respeito das consolações sensíveis e do desamparo espiritual. Se aprouver ao Senhor, em sua misericórdia, nos consolar com sua visita amorosa e nos fazer sentir sua presença valiosa, não devemos renunciar a esse favor divino, como ensinavam alguns falsos místicos; pelo contrário, devemos recebê-lo com gratidão, sem, contudo esforçarmo-nos em gostar dessa doçura sensível e nela nos comprazermos. Muito menos devemos tolerar o pensamento de que Deus nos favorece mais que aos outros, porque levamos uma vida melhor do que eles; uma tal vaidade obrigaria o Senhor a afastar-se de nós e nos abandonar à nossa miséria.

As consolações espirituais pertencem aos dons mais preciosos que Deus concede a uma alma; elas são muito mais preciosas que todas as riquezas e honras do mundo e, por isso, devemos agradecê-las ao Senhor do fundo da alma. Ao mesmo tempo, porém, longe de nos deleitarmos no gozo sensível delas, devemos humilhar-nos de coração e pôr diante dos olhos os muitos pecados da nossa vida anterior. Devemos pensar que Deus nos concede essas consolações por puro amor e, talvez com a única intenção de nos preparar para que suportemos com paciência alguma tribulação pesada que nos quer enviar.

Portanto, no tempo da consolação espiritual ofereçamo-nos a Deus alegremente para tomar sobre nós toda a espécie de sofrimentos, tanto internos como externos: doenças, perseguições, abandono espiritual, etc., dizendo-lhe: Vede-me aqui, ó Senhor, disponde de mim e de tudo o que é meu como vos aprouver; concedei-me unicamente a graça de vos amar e cumprir perfeitamente vossa vontade; nada mais desejo.

Se uma alma está possuída da convicção de se achar em estado de graça, não perde a paz ainda que seja de uma vez privada de todas as alegrias deste mundo e do céu, visto que ela sabe que ama a Deus e que é de Deus amada. Contudo, para purificá-la cada vez mais e uni-la a si por um amor puro e perfeito, precipita-a o Senhor no caminho do desamparo espiritual, entregando-a assim a um tal sofrimento que de todos os internos e externos é o maior. A alma se encontra então em uma tal escuridão que não sabe mais se está no estado de graça, e parece-lhe que não poderá encontrar mais a Deus.

Algumas vezes permite o Senhor que ela seja atormentada, com inaudita violência, por tentações impuras ou contra a fé, de desespero e até de ódio a Deus. Parece-lhe que ele a repele de si e não ouve mais as suas orações. Sendo sumamente veementes as sugestões do demônio e a excitação da concupiscência e, de outro lado, não sabendo a alma, por maior resistência que oponha, discernir ao certo se luta energicamente contra a tentação ou se nela consentiu, teme cada vez mais que tenha sido inteiramente abandonada por Deus, em justo castigo de sua infidelidade, e tenha de perecer na mais extrema miséria de não poder mais amar a Deus e de ser odiada por ele.

Quando uma alma que ama a Deus se acha em tal estado, não deve perder a coração nem seu confessor deve se admirar disso; essas excitações sensíveis, essas tentações contra a fé e a esperança, que querem arrastar a alma a odiar a Deus, causam-lhe a maior aflição; são elas sugestões do inimigo e não atos deliberados, e, portanto, não são pecados. Para se convencer disso, pergunta-se a uma tal alma, mesmo no tempo de seu maior desamparo espiritual, se quereria cometer deliberadamente um só pecado venial e imediatamente responderá que preferiria sofrer, não só uma vez, mas até mil vezes antes a morte a irrogar uma tal injúria ao Senhor.

Quando se pratica um ato de virtude, por exemplo, se vence uma tentação, se faz um ato de confiança, de amor ou de conformidade com a vontade de Deus, deve-se bem distinguir entre aquele ato de virtude e a consciência de tê-lo praticado. A consciência de ter feito algum bem causa-nos uma certa satisfação; nosso merecimento, porém, está todo na prática do ato de virtude. Deus, por isso, contenta-se com isso e tira a alma a satisfação; priva-a de todo o gosto, que nada confere ao valor da ação, porque o Senhor antepõe o nosso proveito à satisfação de nosso amor-próprio.

S. João da cruz escreveu para uma alma internamente desolada: 'Nunca vos achastes em melhor estado que agora, porque nunca estivestes tão humilhada, tão desprendida do mundo, e nunca conhecestes tão bem vossa miséria como agora; nunca estivestes tão indiferente convosco mesma e nunca vos procurastes menos que agora.'

Seria mesmo inútil no tempo da aridez, alma cristã, e talvez até aumentasse a tua perturbação, se te quisesses convencer que te achas em estado de graça e que teus padecimentos são unicamente uma provação e, de forma alguma, um abandono da parte de Deus, pois Deus não quer que tu o saibas, mas que te humilhes, redobres as tuas orações e faças muitos atos de confiança em sua infinita misericórdia. Queres ter clareza a respeito de teu estado; Deus, porém, deseja que as trevas te circundem.

De resto, segundo S. Francisco de Sales, é uma prova de que se está em estado de graça, quando se está resolvido a nunca consentir em um pecado, por menor que seja. Entretanto, não se pode conhecer claramente nem sequer isso quando se está em profunda desolação; não se deve, portanto, em tal estado, querer sentir tudo ou apalpar com as mãos, mas entregar incondicionalmente nas mãos da divina Bondade. Oh! quão agradáveis são esses atos de confiança e de resignação ao coração de Deus, no meio das trevas da desolação. 

Tenhamos, pois uma grande confiança em Deus, que, como diz S. Teresa, nos ama muito mais do que nós mesmos nos amamos. (...) 


Santo Afonso de Ligório - Escola da Perfeição Cristã; XII Da Paciência. Pag 300 a 303.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Ter paciência nas injúrias e perseguições

Por Santo Afonso de Ligório


"Outra ocasião de praticar a paciência nos oferecem as injúrias e perseguições a que, às vezes, estamos expostos. Não cometi falta alguma, dizes, por que deverei suportar pacientemente essa ofensa ou perseguição? Deus, certamente, não exige tanto! Mas não sabes o que Jesus Cristo respondeu a S. Pedro Mártir, quando ele se queixava de ter sido encarcerado injustamente? Senhor, que mal fiz eu para ter de sofrer esta perseguição? perguntava o santo. E Jesus crucificado lhe respondeu: E que mal fiz eu para ser pregado nesta cruz?

Se, depois, teu salvador, alma cristã, por amor de ti, quis sofrer a morte, não é muito se tu, por amor dele, receberes ultrajes. É verdade que Deus não quer o pecado daquele que te ofende ou persegue, mas ele quer que suportes pacientemente, por amor dele e para teu próprio bem, essas adversidades. "Se não temos o defeito que nos atribuem, diz S. Agostinho (In ps. 68,s.1), temos, contudo, outros; temos os nossos pecados, que nos tornam merecedores não só desses castigos, mas de outros muito maiores". 

S. Teresa nos deixou em seus escritos a seguinte memorável máxima (Cam. da perf., c.14); "Quem tende à perfeição nunca deverá dizer: Fizeram-me uma injustiça. Se não quiseres levar nenhuma outra cruz além daquela que mereceste, a perfeição não é para ti." Insultos e injúrias constituem a única alegria procurada pelos santos. S. Filipe Néri suportou durante trinta anos, em sua residência, na Igreja de S. Jerônimo, em Roma, muitíssimos maus tratos de um miserável; apesar disso, não queria abandonar esse lugar, não obstante os convites de seus filhos espirituais, que o queriam junto de si, em seu Oratório, recentemente fundado; afinal, só obrigado por uma ordem expressa do Papa consentiu em habitar com seus irmãos de Ordem. 

Todos os santos tiveram de sofrer perseguições aqui na terra. S. Basílio foi acusado de heresia junto ao Papa S. Dâmaso, S. Cirilo de Alexandria foi condenado como herege em um Concílio de quarenta Bispos e deposto de seu Bispado. S. Atanásio foi acusado de magia e S. João Crisóstomo de impureza. S. Romualdo depois de ter cem anos, foi acusado de um horrendo crime, de forma que se dizia que ele merecia ser queimado vivo. De S. Francisco de Sales inventaram que ele tinha comércio ilícito com uma mulher, e essa calúnia pesou por muito tempo sobre ele; só depois de três anos é que veio à luz sua inocência. Entrou uma vez no quarto de S. Liduína uma mulher, que começou a dirigir à santa as mais abomináveis palavras que imaginar se possam. Conservando Luduína a tranquilidade de costume, aquela miserável se enfureceu tanto que escarrou na face da santa; apesar disso, permaneceu ela inabalável em sua paciência. 

Não pode ser de outra forma: "Todos os que quiserem seguir a Jesus Cristo sofrerão perseguição", como diz o Apóstolo (2 Tim 3,12). Portanto, se não quiseres sofrer perseguição, nota S. Agostinho, é para temer que ainda não começastes a imitar a Jesus Cristo.

Quem foi mais inocente e santo do que nosso Salvador? Apesar disso, foram os homens tão longe na sua perseguição que o pregaram na cruz, na qual expirou, saturado de chagas e opróbrios. 

Para nos ensinar a suportar pacientemente as perseguições, São Paulo nos exorta a pensar constantemente em nosso Salvador Crucificado. Estejamos convencidos que, se suportarmos com paciência todas as injúrias, Deus mesmo tomará a si nossa justificação; e se ele permitir que levemos uma vida desprezada, o faz unicamente para recompensar com mais glória, no outro mundo, a nossa paciência. 

Em uma palavra: humilhação, pobreza, dores, toda a espécie de tribulações são, para uma alma que não ama a Deus, uma ocasião de se afastar ainda mais dele; para uma alma, porém, que está cheia do amor de Deus, são elas uma razão para mais estreitamente se ligarem a ele e mais perfeitamente amá-lo. 'Muitas águas não puderam extinguir a caridade', diz o Espírito Santo (Cânt 8, 7); sim, as tribulações, por maiores e mais numerosas que sejam, não podem apagar, em um coração que nada mais ama além de Deus, a chama do amor, antes, pelo contrário, a avivam cada vez mais. 

Escola da Perfeição Cristã. Pg. 299-300.

Fonte:

quarta-feira, 19 de março de 2014

A VIRTUDE DA PACIÊNCIA!!

     

  Paciência é a virtude pela qual suportamos os infortúnios deste mundo com tranquilidade de espírito, para que em razão deles não fiquemos desnecessariamente perturbados ou entristecidos interiormente, e não nos permitamos fazer nada de errado ou de inadequado. As adversidades desta vida que a paciência suporta são doenças, desterros, angústia psicológica, desgraça, escárnio, maltrato, insultos, calúnias, reprimendas, fome, sede, frio, as mortes dos pais e dos filhos, dos parentes e dos amigos, massacres e calamidades públicas, e outras coisas da mesma espécie que geralmente ocorrem todos os dias. A longanimidade é a parte da paciência que fortalece o espírito contra o aborrecimento ocasionado pela demora em receber algo que esperamos. Ela difere da paciência por suportar males por um longo tempo e aguardar consolação postergada por muitos dias, meses e anos. Assim Deus é chamado longânime, porque Ele tolera nossas demoras e hesitações enquanto nos convida ao arrependimento. Também a equanimidade não é uma virtude distinta da paciência, embora seja considerada especialmente voltada a moderar o aborrecimento que advém da perda de bens exteriores.
 A matéria próxima com que a paciência se ocupa é a aflição da mente e a tristeza por conta dos reveses enumerados acima: essa virtude as reprime por inteiro ou então as controla tanto, que elas não excedem as exigências da reta razão. Por onde, as principais ações da paciência são:
(i) Suportar todas as sobreditas adversidades calmamente, de bom grado, com ânimo e em ação de graças, e sem nenhuma murmuração ou queixa.
(ii) Suportar esses males mesmo não tendo culpa, e mesmo que nos sejam infligidos por aqueles que receberam muitos benefícios de nós.
(iii) Atribuir todos os nossos problemas e dificuldades unicamente à vontade Divina, não importa por intermédio de quem provenham.
(iv) Sempre que estivermos feridos ou irritados, voltarmo-nos para Jesus crucificado como estando presente, buscando obter d’Ele a paciência e oferecendo a Ele tudo o que sofremos.
(v) Oferecer-se a si próprio, bem no começo de todas as manhãs, a Deus para sofrer não importa o quê, e para suscitar um desejo ardente na alma de sofrer todos os males possíveis em imitação de Cristo.
Nós temos muitas ocasiões para exercitar a paciência a quase todo momento, suportando os males e perdas que nos acometem com respeito a nossa boa reputação, vida e bens exteriores.
 Os sinais da paciência são:
Suportar com calma as imperfeições dos outros.
(ii) Não ceder ao rancor quando maltratado pelo próximo.
(iii) Não murmurar contra as punições divinas.
(iv) Não evitar a companhia daqueles que cometem injustiça contra nós, mas antes ir ao seu encontro, ter amor por eles e por eles rezar.
(v) Em alguma enfermidade, rezar a Deus que aumente nosso sofrimento.
(vi) Manter silêncio em meio às injustiças, não se desculpar, mas entregar tudo nas mãos de Deus a exemplo de Nosso Senhor, que mesmo quando convocado a Se defender preferiu permanecer em silêncio.
Agora, quem não faria tudo o que está em seu poder para exercer essa virtude com máximo cuidado, considerando a paciência e longanimidade de Deus, que não somente tolera os pecadores com benevolência, mas não cessa de cobri-los com os maiores benefícios? E a vida de Cristo e Sua amaríssima paixão não proporcionam o exemplo supremo de paciência?


Nem deve ser preterido o exemplo dos santos do Antigo e do Novo Testamentos, principalmente de Jó e Tobias e dos incontáveis mártires. Ademais, quem quer que considere atentamente os inomináveis tormentos do Inferno, de que tão frequentemente escapou por conta da infinita misericórdia de Deus, não considerará os aborrecimentos desta vida, não importa quão graves e dolorosos, como de nenhuma importância, e até os tratará como prazeres?
Finalmente, como diz o Apóstolo, “A paciência vos é necessária” (Hebreus 10,36), pois ela fortalece a fé, governa a paz, auxilia o amor, instrui a humildade, excita o arrependimento, faz satisfação pelos pecados, ata a língua, refreia a carne, resguarda o espírito, aperfeiçoa todas as virtudes e dota-nos ao fim desta vida com a bem-aventurada imortalidade: “Porque agora o que é para nós uma tribulação momentânea e ligeira, produz em nós um peso eterno duma sublime e incomparável glória.” (2 Coríntios 4,17).

Apêndice 1 – Sobre a Virtude da Paciência
extraído do:
Textbook Of The Spiritual Life – Leading By An Easy And Clear Method
From The Beginning Of Conversion To The High-Point Of Holiness

[Manual da Vida Espiritual – Conduzindo, por um método fácil e claro,
do início da conversão até ao ápice da santidade]
por Pe. Charles Joseph Morotius,
monge cisterciense, teólogo e pregador

Fonte:

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