segunda-feira, 5 de setembro de 2016

“Um dia, através do Rosário e do Escapulário, salvarei o mundo”

“Quem quer que morra usando este Escapulário não sofrerá o fogo eterno.” –palavras de Nossa Senhora a S. Simão Stock



“Um dia, através do Rosário e do Escapulário, salvarei o mundo,” disse a Santíssima Virgem Maria a S. Domingos. Nossa Senhora de Fátima, durante o Milagre do Sol em 13 de Outubro de 1917, segurava o Escapulário Castanho. Ela quer que todos nós o usemos sempre e que rezemos pelo menos o Terço do Santo Rosário todos os dias.
Todos os Papas, desde o ano 1280, usaram o Escapulário Castanho de Nossa Senhora do Carmo.

O Escapulário Castanho, o Sacramental mais poderoso

“Quem quer que morra usando este Escapulário não sofrerá o fogo eterno.”
– palavras de Nossa Senhora a S. Simão Stock
Eis a promessa extraordinária que Nossa Senhora faz a quem usar o Seu Escapulário Castanho. E esta promessa maravilhosa faz do Escapulário o sacramental mais poderoso que a misericórdia do Céu nos concedeu.
Quem poderia duvidar da promessa de Nossa Senhora, ou ser tão louco que não usasse, com a gratidão e a reverência mais profundas, esta forma abreviada do Manto Carmelita?
Esta veste de graça — duas simples peças de lã castanha usadas sobre os ombros — é um sinal tangível do amor e da protecção que a nossa Mãe Santíssima dedica aos Seus devotos. Devemos beijar devotamente o Escapulário quando nos levantamos de manhã, e de cada vez que pomos um Escapulário novo a substituir um que esteja gasto ou danificado. Por este gesto de reverência, recebemos 500 dias de indulgência e recordamo-nos de pedir a Nossa Senhora: “Livrai-nos hoje do pecado e das ocasiões de pecar.”

Usar o Escapulário é uma forma de consagração

Usar o Escapulário de Maria é uma forma de nos consagrarmos ao Seu serviço. Uma consagração coloca de parte uma pessoa ou uma coisa para uma finalidade sagrada. Todos os Católicos deviam consagrar-se a Maria.
Nossa Senhora de Fátima, em 13 de Outubro de 1917, segurava na mão o Escapulário Castanho, fazendo os três pastorinhos, Lúcia, Jacinta e Francisco, compreender que Ela quer que todos usemos o Escapulário. Numa carta de 1936, escrita em Pontevedra, a Irmã Lúcia citou Nosso Senhor, quando disse que queria a devoção ao Imaculado Coração da Sua Mãe a par da devoção ao Seu Sagrado Coração. Assim, a consagração a Maria, como meio para Lhe dar maior honra e amor, é a vontade de Deus para nós, e não diminui de modo nenhum a Sua glória.
 Só por usar o Escapulário, dizemos a Maria que A veneramos, que A amamos e que confiamos n’Ela em todos os momentos do dia. Santo Afonso disse: “Agrada a Maria Santíssima ver que os Seus servos usam o Seu Escapulário como marca de se terem dedicado ao Seu serviço e de serem membros da Família da Mãe de Deus.”

CONHEÇA E DIVULGUE A DEVOÇÃO DO ESCAPULÁRIO
Um tesouro de graças entregue pelo Céu à humanidade através da Igreja

domingo, 4 de setembro de 2016

HENOC E ELIAS (DRAMA DO FIM DOS TEMPOS)




Os fatos maravilhosos que descrevemos não são suposições aventurosas; são verdades tomadas na Santa Escritura e que seria pelo menos temerário negar. Antes do fim dos tempos, e durante a perseguição do Anticristo, aparecerão no meio dos homens dois extraordinários personagens, chamados Henoc e Elias. Quem são estes personagens? Em que condições farão sua entrada providencial no cenário do mundo? É o que vamos examinar à luz das Escrituras e da Tradição.
Henoc é um dos descendentes de Set, filho de Adão e raiz da raça dos filhos de Deus. Ele é o chefe da sexta geração a partir do pai do gênero humano. Eis o que o Gênesis nos ensina a seu respeito: “e Jared viveu 162 anos e gerou Henoc… Ora Henoc viveu 65 anos e gerou Matusalém. E Henoc andou com Deus e depois de ter gerado Matusalém viveu 365 anos. E andou com Deus e desapareceu porque Deus o levou” (Gn 5, 18-25).
Deus o levou com a idade de 365 anos, quer dizer, nessa época de grande longevidade, na idade madura. Não morreu, desapareceu. Foi transportado vivo, para um lugar conhecido apenas por Deus. Aí está o que sabemos de Henoc, patriarca da raça de Set, trisavô de Noé, ancestral do Salvador. Quanto a Elias, sua história é melhor conhecida. Henoc, anterior ao Dilúvio, nasceu muitos milhares de anos antes de Jesus Cristo. Elias apareceu no reino de Israel, menos de mil anos antes do Salvador; é o grande profeta da nação judaica.
Sua vida não podia ter sido mais dramática (Rs 3; 4). Pode-se dizer que ela é uma profecia em ação do estado da Igreja, no tempo da perseguição do Anticristo. Vivia errante, sempre ameaçado de morte, sempre protegido pela mão de Deus, que ora o esconde no deserto onde corvos o alimentam, ora o apresenta ao orgulhoso Acab, que treme diante dele. Dá-lhe as chaves do céu para desencadear a chuva ou os raios; sobre o monte Horeb favorece-o com uma visão cheia de mistérios. Em resumo, o faz crescer até o porte de Moisés, o Taumaturgo, de modo que com Moisés acompanhe Nosso Senhor sobre o Monte Tabor.
O desaparecimento de Elias corresponde a uma vida de estranha sublimidade. Caminhando com Eliseu, seu discípulo, abre para si uma passagem no Jordão tocando as águas com sua capa. Anuncia que vai ser arrebatado ao céu. De repente, “enquanto caminhavam, conversavam entre si, eis que um carro de fogo e uns cavalos de fogo os separaram um do outro; e Elias subiu ao céu no meio de um turbilhão. E Eliseu o via e clamava: Meu pai, meu pai, carro de Israel e seu condutor! E não o viu mais” (4 Rs 2, 11-12).
E foi assim que Elias, o amigo de Deus, o zelador de sua própria glória, foi arrebatado e transportado, também ele, para uma região misteriosa, onde encontrou seu ancestral, o grande Henoc. Qual é essa região? Henoc e Elias estão vivos, isto é certo. Onde Deus os esconde? Será em alguma parte inacessível do mundo aqui embaixo? Será em alguma plaga do firmamento? Ninguém pode dizer. Pode-se apenas afirmar que por enquanto eles estão fora das condições humanas; os séculos passam a seus pés sem atingi-los; permanecem na idade madura, sem dúvida, na idade em que foram arrebatados do meio dos homens.
Sua reaparição no cenário do mundo não é menos certa do que seu desaparecimento.
Assim fala destes grandes personagens o autor inspirado do Eclesiastes, exprimindo toda a tradição judaica. “Henoc agradou a Deus e foi transportado ao paraíso para pregar a penitência às nações” (Ecle 44, 15).
“Quem pode se gloriar como tu, ó Elias? Tu foste arrebatado ao céu num redemoinho de fogo, numa carroça tirada por cavalos ardentes; tu, de quem está escrito que no tempo dos julgamentos virás para abrandar a ira do Senhor, para reconciliar o coração dos pais com os filhos e para restabelecer as tribos de Jacó″ (Ib, 47). Estas palavras de um livro canônico nos esclarecem que Henoc e Elias têm uma missão futura a cumprir. Henoc deve pregar a penitência às nações, ou, se preferir em outra tradução, levar as nações à penitência.
Elias deve, um dia, restabelecer as tribos de Israel, quer dizer, devolver o lugar de honra a que elas têm direito na Igreja de Deus. A unanimidade dos doutores compreende que esta dupla missão se realizará simultaneamente no fim do mundo. Elias, em particular, é considerado o precursor de Jesus Cristo que vem do céu como juiz; este pensamento salta manifestamente dos Evangelhos (Mt 17; Mc 9).
Então, os homens verão um dia, e não sem espanto, Henoc e Elias reaparecerem no meio deles e pregarem penitência com extraordinário brilho. São João os chama as duas testemunhas de Deus, e assim os descreve no seu Apocalipse (11, 3-7). “Eles profetizarão durante 1.260 dias, revestidos de saco”. “São as duas oliveiras e os dois candelabros postos diante do Senhor da terra”. “Se alguém lhes quiser fazer mal, sairá fogo de suas bocas que devorará os seus inimigos; e se alguém os quiser ofender, é assim que deve morrer”.
“Eles têm o poder de fechar o céu para que não chova durante o tempo que durar sua profecia; e têm poder sobre as águas, para convertê-las em sangue e de ferir a terra com todo o gênero de pragas, todas as vezes que quiserem”. Quem não reconhece neste retrato o Elias do Antigo Testamento, fechando o céu durante três anos e fazendo descer fogo do céu sobre os soldados que vinham para levá-lo. Os 1.260 dias marcam o tempo da perseguição final, como já fizemos observar. Assim, o aparecimento das testemunhas de Deus coincidirá com a perseguição do Anticristo.
É preciso reconhecer que o socorro trazido pela Igreja será proporcional ao tamanho do perigo. As duas testemunhas de Deus, revestidas das insígnias da mais austera penitência, irão por toda parte, e por toda parte serão invulneráveis; uma nuvem, por assim dizer, os cobrirá e lançará fogo contra quem quer que ouse tocá-los. Terão em suas mãos todos os flagelos para desencadeá-los à vontade sobre toda a terra. Pregarão com uma soberana liberdade em presença do próprio Anticristo. Este tremerá de raiva; e haverá um duelo terrível entre o monstro e os dois missionários de Deus.
O Drama do Fim dos Tempos  –  Pe. Emmanuel-André
Fonte:

sábado, 3 de setembro de 2016

MARTÍRIO DE MARIA SANTÍSSIMA AO PÉ DA CRUZ




Stabat autem iuxta crucem Iesu mater eius – “Estava ao pé da cruz de Jesus, sua Mãe” (Io. 19, 25).
Sumário. Do martírio de Maria sobre o Calvário, não é necessário dizer outra coisa senão o que diz São João: contempla-a vizinha à cruz à vista de Jesus moribundo, e depois, vê se há dor semelhante a sua dor. O que mais atormentou a nossa Mãe dolorosa, foi o ver que ela mesma com sua presença aumentava as aflições do Filho e que para grande parte dos homens o sangue divino seria causa de maior condenação. Se Jesus e Maria, apesar de inocentes, sofreram tanto por nosso amor, a nós, que merecemos mil infernos, não desagrade sofrer alguma coisa por amor deles e em satisfação por nossos pecados.
Admiremos uma nova espécie de martírio; uma Mãe condenada a ver morrer diante de seus olhos, no meio de bárbaros tormentos, um Filho inocente e amado com todo o afeto. Estava ao pé da cruz (de Jesus) sua Mãe. Como se São João dissesse: Não é necessário dizer outra coisa do martírio de Maria: contempla-a vizinha à cruz, à vista do Filho moribundo, e depois vê se há dor semelhante à sua dor.
Mas para que servia, ó Senhora, lhe diz São Boaventura, ires ao Calvário? Devia reter-vos o pejo, pois que o opróbrio de Jesus foi também o vosso, sendo vós sua mãe. Ao menos devia reter-vos o horror de tal delito, como ver um Deus crucificado pelas suas mesmas criaturas. Mas responde o mesmo Santo: Non considerabat cor tuum horrorem, sed dolorem. Ah! O vosso Coração não pensava no seu próprio sofrimento, mas na dor e na morte do amado Filho, e por isso, quisestes vós mesma assistir-Lhe, ao menos para Lhe mostrar a vossa compaixão.
Oh Deus! Que espetáculo doloroso era ver o Filho agonizante sobre a cruz e, ao pé da cruz, ver agonizar a Mãe, que sofria no coração todas as penas que o Filho padecia no corpo! – Eis aqui como a mesma Bem-aventurada Virgem revelou a Santa Brígida o estado lastimoso do seu Filho moribundo, conforme ela o presenciou: “Estava meu amado Jesus na cruz, todo aflito e agonizante; os olhos estavam encovados e meio fechados e amortecidos; os lábios pendentes e a boca aberta; as faces descarnadas, pegadas aos dentes e alongadas; afilado o nariz, triste o rosto; a cabeça pendia-lhe sobre o peito; os cabelos estavam negros de sangue, o ventre unido aos rins; os braços e as pernas inteiriçadas e todo o resto do corpo coalhado de chagas e de sangue.” Ó pobre de meu Jesus! Ó martírio cruel para o coração de uma mãe!
Quem se achasse então sobre o Calvário, diz São João Crisóstomo, teria visto dois altares, nos quais se consumavam dois grandes sacrifícios: um no corpo de Jesus, outro no coração de Maria. Mas melhor me parece, com São Boaventura, considerar ali um só altar, isto é, só a cruz do Filho, no qual, juntamente com a vítima do Cordeiro divino, é sacrificada também a Mãe. Por isso o Santo pergunta-lhe assim: O Domina, ubi stas? – “Ó Maria, onde estais?” Junto à cruz? Ah! Mais exatamente direi que estais na mesma cruz, a sacrificar-vos, crucificada juntamente com Jesus.
O que mais afligia a nossa Mãe dolorosa, era o ver que ela mesma, com a sua presença, aumentava as aflições do Filho, porquanto, como diz o mesmo santo Doutor, a mesma pena que enchia o Coração de Maria, transbordava para amargurar o Coração de Jesus; e Jesus padecia mais pela compaixão da Mãe, do que pelas suas próprias dores. Acresce que, lembrando-se Maria da profecia de Simeão, já desde então previu que os padecimentos de Jesus Cristo seriam, pela culpa dos homens, inúteis para grande parte deles, e ainda mais, causa de maior condenação: Ecce positus est hic in ruinam et resurrectionem multorum (1) – “Eis que este é posto para ruína e ressurreição de muitos”.
Roguemos à nossa divina Mãe, pelos merecimentos desta sua dor, que nos obtenha verdadeira dor dos nossos pecados e verdadeira emenda de vida, zelo fervoroso pela salvação das almas e uma terna compaixão dos sofrimentos de Jesus Cristo e pelas suas próprias dores. Se Jesus e Maria, apesar de tão inocentes, quiseram sofrer alguma coisa por amor deles. Por isso digamos com São Boaventura: “Ó Maria, se no passado vos ofendi, vingai-vos agora ferindo-me o coração; se vos servi fielmente, também outra recompensa não vos peço, senão que me firais. Demais indecoroso seria para mim ficar ileso, ao passo que Vos vejo repletos de dores, a vós e a meu Senhor Jesus Cristo.” Poenas mecum divide – “Reparti comigo as penas”. (*I 244.)
  1. Luc. 2, 34.
Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III – Santo Afonso

Fonte:
http://catolicosribeiraopreto.com/

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Os dois senhores e as almas tíbias, por Santo Afonso de Ligório


Nemo potest duobus dominis servire - Ninguém pode servir a dois senhores. (Math. 6,24)


Quem dera esta máxima de Jesus Cristo fosse bem compreendida por aqueles que vivem na tibieza voluntária. Os ingratos repartem entre Deus e as criaturas o coração que lhes foi dado para amar a Deus só e ainda é muito pequeno para o amar devidamente. Com outras palavras, eles são tão insensatos que se persuadem que podem servir ao mesmo tempo a dois senhores, tão opostos entre si, como o são Deus e o mundo. Querem servir a Deus, preservando-se de pecados graves; e ao mundo, não fazendo caso das culpas veniais em que caem por hábito e com advertência. Tais almas dizem: Os pecados veniais não nos fazem perder a graça divina; por poucos que sejam, impedi-nos-ão de nos santificarmos; mas assim mesmo nos salvaremos, e é o que basta. - Mas o que faça assim, ouça o que assegura Santo Agostinho: Ubi dixisti, satis, ibi periisti - Dizes que basta que te salves? Sabe, porém, que desde que disseste basta, começou logo a tua perdição; porquanto a alma nunca fica no lugar onde caiu, mas vai sempre abismando-se mais e mais. Santo Isidoro dá-nos disso a razão, porque com justiça Deus permite que os que não fazem caso dos pecados veniais, em castigo do seu desleixo e do pouco amor que lhe tem, caiam afinal em pecado mortal.

    Demais, é natural que o hábito dos pecados leves incline a alma a pecados graves, exatamente como certos leves mas repetidos incômodos da saúde corporal acabam por fazer a pessoa cair numa enfermidade mortal e leva-la ao túmulo. - Em suma, persuadam-se bem as almas tíbias, que cedo ou tarde se verificará também nelas a palavra de Jesus Cristo: Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de amar a um e odiar ao outro, ou se apegar a um e abandonar o outro.
    Mas além do grave risco que correm as almas tíbias de caírem em pecado mortal, tem também uma vida infeliz na terra, sem jamais acharem a paz nesse estado. Sim, pois que por um lado estão privadas dos prazeres do mundo; por outro, não podem saborear as consolações espirituais. Justo é que, assim como elas são avarentas para com Deus, Deus o seja igualmente para com elas. - Tinha, pois, Santa Teresa razão de dizer: "Do pecado deliberado, por pequeno que seja, livre-te Deus." E alhures: "Aprouve a Deus que tivéssemos medo, não do demônio, mas de todo o pecado venial, que nos pode prejudicar mais do que todos os demônios do inferno."
    Amo-Vos, ó meu soberano Bem, amo-Vos, meu Deus, digno de amor infinito; e porque Vos amo, arrependo-me de todas as minhas ingratidões para convosco, e protesto antes querer morrer, do que tornar a  vos dar desgosto. Vós, porém, ó meu Jesus, pelo amor de Maria Santíssima, abençoai este meu propósito e dai-me a graça de Vos ser fiel. Guardai-nos, Senhor, com vossa perpétua clemência; e pois que a humana fraqueza, sem vossa assistência, cai a cada passo, fazei, com vossos auxílios, que eu fuja do que é nocivo, e tenda sempre ao que é saudável.

Meditações de Santo Afonso de Ligório, Tomo III.

Fonte:

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Coração aflito de Jesus, consolado pelo zelo das almas


Dominus Deus consolabitur in servis suis – “O Senhor Deus será consolado em seus servos” (2 Mc 7, 6)

Sumário. A causa única da aflição do Coração de Jesus é a perdição das almas que o ultrajam em vez de o amar: por conseguinte, a consolação que Ele requer, é que procuremos ganhar-Lhe as almas. Esforcemo-nos, pois, por consolar este Coração amabilíssimo; e se mais não pudermos fazer, roguemos-Lhe que envie à sua Igreja ministros zelosos. Roguemos-Lhe muitas vezes pelos pobres pecadores, em particular pelos que estão em agonia e têm de morrer hoje. Ensinemos tão salutar devoção também aos outros.
I. Feliz o cristão que, compadecendo-se das penas de Jesus, procura também aliviá-las. A causa única das aflições deste Coração amabilíssimo é a ingratidão dos homens e a perdição das almas que o ultrajam em vez de O amar; por conseguinte, a consolação que Ele requer, é que procuremos ganhar-Lhe as almas. É a perdição delas que Lhe arrancou tantas lágrimas; é para resgatá-las, que deu seu sangue. Aquele que salva uma alma, enxuga de alguma sorte as lágrimas de Jesus e impede que seu sangue seja derramado em pura perda.
Nem se diga que isso é o ofício somente dos sacerdotes; porquanto quem fala assim prova que bem pouco amor tem a Deus.Si Deum amatis, rapite omnes ad amorem Dei. Se amas a Deus, dizia Santo Agostinho, atraí todos ao amor de Deus. E Jesus mesmo, aparecendo à Venerável Soror Serafina Capri, lhe disse: 
“Ajuda-me, por tuas orações, a salvar as almas, ó minha filha.”
– Persuadamo-nos de que todos os discípulos do Coração de Jesus devem zelar pela sua honra, e os que não o fazem deverão um dia, como dizia Santa Maria Madalena de Pazzi, dar conta a Deus de tantas almas, que talvez não se houvessem condenado, se as tivessem recomendado a Deus em suas orações.
Portanto, na oração mental, na ação de graças depois da comunhão, na visita ao Santíssimo Sacramento, não deixemos nunca de recomendar a Deus os pobres pecadores, os infiéis, os hereges e todos os que vivem longe de Deus. Oh! Quantas almas devem sua conversão menos aos sermões dos pregadores do que às orações das almas fervorosas! – Considerando que pelos sacerdotes vem ao povo a salvação ou a perdição, a bênção ou a maldição, roguemos ao mesmo tempo e com insistência a Deus, que envie à sua Igreja ministros santos que, com verdadeiro zelo, atendam à salvação das almas.
II. O zelo pela salvação do próximo deve também estimular-nos a abraçar a devoção ao Coração agonizante de Jesus. Ela tem por objeto, primeiro honrar o Sagrado Coração, que durante toda a sua vida sofreu grandes penas interiores pela salvação das almas; em segundo lugar, obter pelos merecimentos daquela longa agonia, uma boa morte para tantos milhares de pessoas que todos os dias morrem no mundo inteiro.
Ai! Quantas dentre elas não se acham em pecado mortal! Para não descerem ao inferno, precisam tão somente de uma confissão bem feita ou de um ato de contrição perfeita. Pede, pois, ao Coração agonizante de Jesus que lhes conceda uma destas duas graças, e pede-a sem demora, cada dia, porque amanhã será talvez tarde e não o poderás mais fazer a tempo. – se com esta prática salutar conseguires cada dia a salvação de uma só alma, no fim do ano já terás salvado 365 almas e em dez anos 3650. Que belo apostolado! Que coroa de glória para a eternidade!
Não te contentes de praticar tão bela devoção só por ti; mas espalha-a em tua família, na tua comunidade, entre teus amigos. Com isso consolarás grandemente o Coração aflito de Jesus, atrairás sobre ti as suas bênçãos especialíssimas e virá o dia em que também se rezará por ti, quando tiveres entrado em agonia. Oh, que consolo nesses últimos, terríveis e decisivos combates!
  “Ó clementíssimo Jesus, que ardeis em tão abrasado amor das almas, suplico-Vos, pela agonia do vosso sacramentíssimo Coração, e pelas dores da vossa Mãe Imaculada, purificai em vosso sangue todos os pecadores da terra que estão em agonia e hoje mesmo devem morrer. Assim seja. Coração agonizante de Jesus, tende compaixão dos moribundos.” (1)
Referências:
(1) Indul. de 100 dias cada vez; plenária (nas condições ordinárias), uma vez por mês, para os que, durante um mês rezarem esta oração ao menos três vezes por dia, em diferentes intervalos.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III: Desde a Décima Segunda Semana depois de Pentecostes até o fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 53-56)


Fonte:

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