Mostrando postagens com marcador Pe. Álvaro Negromonte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pe. Álvaro Negromonte. Mostrar todas as postagens

sábado, 30 de abril de 2016

OS FALSOS MOTIVOS PARA A CONTRACEPÇÃO

image008Este post é continuação do: NEO-MALTUSIANISMO – UM GRANDE GOLPE DO INIMIGO
***************************
São insubsistentes os motivos com que pretendem justificar-se os fraudadores. Examinemos alguns dos mais comuns.
1) Situação econômica 
Autoriza a continência periódica desde que seja real. Nunca autorizará um ato contra a natureza. Na verdade, os que argumentam com situação econômica são, em geral, os que melhor a desfrutam. Guilherme Schimidt chegou a estabelecer como uma tese que “o temor dos filhos é fruto da abundância, e não da necessidade”. Têm com que manter os próprios filhos e estão ainda obrigados em consciência a concorrer para as crianças pobres que vivem na miséria. Mas desejam uma vida cada vez mais burguesa, gozadores, impenitentes e insaciáveis.
Move-os a desmedida ambição da riqueza, a preocupação obsedante do luxo, a vaidade imbecil da ostentação. Aqueles, cuja situação econômica é deveras penosa, são os grandes procriadores em que se estaria a densidade demográfica, se o Estado acudisse à mortalidade infantil que dizima assustadoramente as classes proletárias.
2) Melhor educação aos filhos
Não consiste, porém, em colégios caros, vida folgada, estágios no estrangeiro, mimos excessivos, absoluta ociosidade servida à mão por serviçais bem pagos. Pelo contrário. Nada melhor para prejudicar a educação dos filhos! Como nada melhor para realizar uma boa educação doméstica e social do que o ambiente da família numerosa.
3) Saúde da esposa
Quer o marido poupar a saúde da esposa, em prejuízo da consciência dela impondo-lhe sacrifícios morais, enchendo-a de remorsos, atribulando-lhe o coração cristão – contanto que ele não diminua a dose de prazeres sexuais! esta é a verdade. Sei de casos em que o “delicado” esposo, para poupar a cara metade, franzida e doentia, fê-la correr o risco de uma operação esterilizadora – quando o cavalheirismo (já não digo o amor) mandava conter-se, se fosse real o motivo alegado.
Já vimos que os processos anti-concepcionais são todos eles nocivos aos cônjuges, especialmente à esposa. Ao invés, a medicina diz que é na maternidade que se realiza plenamente o organismo feminino. A maternidade é necessária à saúde e ao desenvolvimento da mulher, diz o Dr.Pinard. A maternidade é uma função normal e fisiológica do organismo feminino, junta o Dr. Guchtencere. Podíamos alinhar dezenas de citações semelhantes.
Mas não se trata somente do aspecto físico do problema. Igualmente importante é o lado psíquico. Os processos anti-concepcionais não são tão esterilizantes como parecem… Não geram filhos, mas geram perturbações nervosas. Alguns são unicamente responsabilizados pelos médicos como fonte de desequilíbrios psíquicos.
O nervosismo da mulher contemporânea progride inquietadoramente dia a dia, escreve o Dr. Cattier em seu La Procréation Humanine. Eis um fato em que todos convêm… Já sabemos, agora, de modo seguro, que a causa do desequilíbrio da mulher reside muitas vezes na esfera genital. Deve-se perguntar se, na vida conjugal, os atos contra a lei natural e a lei fisiológica e principalmente as fraudes anti-concepcionais… não são as verdadeiras causas do desequilíbrio tantas vezes verificado“.
E ele conclui esta página dizendo:
É banal repetir que a mulher foi feita para a maternidade. É para ela uma lei inelutável: procurando fugir-lhe, ela o faz sempre em prejuízo de sua saúde geral“.
O médico belga Schockaert (Mariage et Natalité) depois de acentuar os males orgânicos dos métodos neo-maltusianistas…, aponta os inconvenientes psíquicos: irritabilidade, irascibilidade, tristezas, emotividade, falta de energia e coragem, idéias de suicídio. Os estados de angústia se acentuam quando a mulher é católica – o que quase sempre acontece entre nós, o estado de pecado a abate; o remorso a tortura; o pensamento da morte a apavora. Vive sobressaltada. Repelida (dos Sacramentos) da Confissão e da Eucaristia, sente-se diminuída, humilhada em face das companheiras piedosas, retrógrada espiritual em vista dos seus tempos de vida sacramental.
Não sei como é possível preconizar o neo-maltusianismo em nome do bem-estar da esposa.
4) Ordem médica
Há um grave risco de vida com nova concepção, afirma o médico; e vai logo aconselhando a evitar filhos… Esses riscos graves são, em geral, muito fáceis em proclamá-los; mas a experiência mostra felizmente que eles são mais raros. A verdadeira medicina, em vez de secar a fonte da vida, cuja proteção e defesa é sua missão, tem feito precisamente diminuir os inevitáveis perigos que acompanham a maternidade.
Os cuidados acépticos e anticépticos reduziram a porcentagem mínimas a mortalidade obstétrica. Há um século, Semmelweis estabelecia 10% de morte nestes casos; já hoje De Lee dá 1,5% (NB: a edição deste livro é de 1955). E que fossem os perigos frequentes; poderão os homens transtornar as leis naturais, mudar a natureza das coisas e sobrepor-se à vontade de Deus? Têm com que substituir a graça divina nas almas? Irão defender seus clientes no tribunal definitivo que decide da eternidade? Para o verdadeiro “é melhor morrer do que pecar”. As senhoras que morreram vítimas da maternidade, nos raros casos em que isto acontece, são verdadeiras heroínas, que não devem ser lastimadas, mas glorificadas.
São um exemplo, não apenas às outras senhoras, mas a todos os que só sabem cumprir deveres fáceis e se acovardarem diante do sacrifício. Mas, não esqueçamos de apontar o egoísmo gozador desses maridos: não sabem conter-se nem ante os riscos da vida da esposa! Ela é que deve sacrificar a consciência à sua fome de sexo.
5) A saúde dos filhos
Têm sido franzinos ou subnormais. Há casos frequentes de degenerecência na família – máculas perigosas. Preferimos, sem dúvida, uma prole sadia. Mas a eugenia nunca poderá tornar lícitos processos imorais. Recorram à continência periódica; aos atos contra a natureza, nunca. Para quem sabe o que é a graça de Deus mais valem filhos doentios do que um só pecado mortal. Os cristãos, sem perderem de vista os cuidados científicos, procriam primeiramente para gerar filhos de Deus.
Chamamos a atenção para a solução simplista e apressada de certos médicos. Correm logo ao “remédio” anti-concepcional, em vez de buscarem os verdadeiros remédios. É assim quando se trata da saúde da esposa, é assim quando se trata da saúde dos filhos. Àquela cortam os riscos, desviando-a da maternidade; destes se descartam, eliminando-os… A ciência tem já hoje preciosos recursos para prevenir males hereditários: eles os desconhecem, ou não querem aplicá-los. A lei do menor esforço diminui, ao mesmo tempo, a necessidade dos estudos e… os clientes.
No entanto, quem acompanha os progressos da pediatria, da psicoterapia, e vê como realizam verdadeiros prodígios os médicos e educadores conjugados, sabe quanto bem se pode fazer às crianças mal dotadas. Se isto não autoriza facilidades perigosas aos que vão contrair matrimônio, muito menos deve autorizar desrespeito às leis divinas e naturais aos que já o contraíram.
A Igreja reconhece as razões da verdadeira eugenia. Ainda a nova ciência não tinha organização e nome, e a Igreja já cuidava da saúde dos homens e exigia em consciência cuidados preciosos ao bem-estar da prole possível e nascitura. Nunca, porém, aprovará meios eugênicos que colidam com os princípios naturais em que se espelha a Razão Eterna, fonte imutável de toda a Moral.
Grande coisa é a saúde: muito mais importa a higidez espiritual. Na hierarquia de valores dos que se conservam fiéis à Moral mais vale a alma que o corpo, mais vale o espírito que os músculos, mais vale a virtude que a força. A humanidade cultura sábios e santos, que viveram em corpos fracos e doentios: o saber e a bondade deram-lhes auréola.
Venha a eugenia dentro da Moral. Cuide-se dos corpos, sem prejuízo das almasMelhorem-se as condições físicas, sem detrimento das espirituais. Revigore-se a saúde, revigorando ainda mais a virtude. Que os cuidados higiênicos não sirvam para estabelecer o domínio dos instintos sobre o espírito. O progresso humano não deve ser medido pela resistência física mas pela inteligência e pela consciência.
Os que acreditam no espírito sabem que as disposições morais se transmitem aos filhos, tal como as físicas. E que mais precisamos de caracteres que de atletasO grande mal dos nossos tempos, é que os homens estão ficando menos homens. Uma eugenia que procure melhorar a “raça”, em vez de elevar os homens, e que liberte as consciências dos preceitos espirituais para considerar as condições do “produto”, e que repute a geração humana condicionada exclusivamente às normas da higiene – equiparando a geração dos homens com a reprodução dos irracionais, está desservindo à civilização e fazendo retrogradar a humanidade.
A maior de todas as medidas eugênicas é a virtude. Os subprodutos humanos nascem da libertação dos instintos – que é o pecado. Da impureza vêm os sifilíticos; da embriaguez, os agitados – e assim por diante. Pois, em geral, os “eugenistas” são pregadores da liberdade sexual, e não se pejam de repetir que a castidade é impossível e até nociva. Acima das necessárias condições fisiológicas, venham as mais necessárias ainda condições morais!
6) É só por algum tempo…
Fosse por única vez!… É gravíssimo pecado mortal. E não se pode cometer um pecado que seja, mesmo que para salvar o mundo.
As maternidades, em si, não são prejudiciais. Já vimos precisamente o contrário: são benéficas. E de modo geral não são tão frequentes que se tornem indesejáveis. A média apresentada pelas estastisticas é de um intervalo de dois anos no mínimo… Os primeiros filhos vêm mais próximos; os outros vão-se naturalmente espaçando. A própria amamentação é, em muitas senhoras, um óbice à concepção.
Restam os casos de excessiva fecundidade e de senhoras realmente fraquinhas – em que se pode recorrer à continência periódica.
Nunca, porém, seria lícito, por nenhum motivo, seja para que for, recorrer a processos pecaminosos. Só os que desconhecem o que seja o pecado, os que calejaram a pobre consciência, ou os que perderam a fé e o santo temor de Deus, poderão apelar para o pecado mortal, mesmo que fosse uma só vez na vida. E os que não entendem esta linguagem não são dignos do reino do céu.
7) Já tem a “família normal”
Isto é, os três filhos de que falam os sociológos e economistas. Mas esta linguagem não tem sentido em moral. Em moral cada ato fraudado é contrário à natureza e à vontade de Deus. Tanto faz ter dez filhos como não ter nenhum. Trata-se de um ato intrinsecamente mau que nenhuma razão poderá jamais contestar.
Os que se detêm no segundo ou no terceiro filho cortam o passo à felicidade, mesmo natural. Interessantes pesquisas sobre a felicidade conjugal determinam que as famílias com muitos filhos são mais felizes. Têm mais com quem compartilhar os sacrifícios e mais a quem proporcionar alegrias. Têm menos preocupações absorventes e assustadoras. A perda de um filho é sempre dolorosa, é naturalmente compensada pelos que ficam. Eis mais um castigo da própria natureza aos que calculam contra ela!
8) A intolerância da Igreja
Aliás, não se trata de uma doutrina da Igreja propriamente dita. Trata-se de uma lei natural, que a Igreja não poderá jamais modificar, nem modificará. Esta sagrada intransigência só pode honrá-la. Enquanto os bispos anglicanos (protestantes dos mais conservadores) autorizam o desrespeito às leis naturais, a Igreja mantém-se inabalável como a rocha em que Cristo a firmou. Enganam-se os que pensam que ela venha um dia a ceder nesta matéria.
A própria Bíblia é positiva, quando afirma que Onam “fazia uma coisa detestável” porque, quando se unia à esposa, “impedia que ela concebesse“. E a severidade do castigo indica a gravidade da falta: “E por isto o Senhor o feriu de morte” (Gen. 38,10). De resto, contam pouco com a Igreja os cônjuges neo-maltusianos…
9) Não casou para a continência
É frequente este argumento na boca dos maridos. Laboram num engano: pensam que o casamento não exige continência. Exige, e não pequena. O nascimento de um filho exige de um marido decente o mínimo de dois meses de continência. Como o guardará, se não é capaz de conter-se uns poucos dias cada mês? Argumentando assim, ele justificará a infidelidade nas ausências ou enfermidades da esposa.
Não se casou para a continência absoluta, certo; casou-se, porém, para a continência conjugal, talvez ainda mais penosa. A esses maridos árdegos e sôfregos perguntaremos:  Casaram-se, acaso, para o pecado? Ou pensam que o matrimônio dá-lhes alvará de licenciosidade conjugal?
Noivos e esposos – Pe. Álvaro Negromonte

sexta-feira, 29 de abril de 2016

NEO-MALTUSIANISMO – UM GRANDE GOLPE DO INIMIGO

CONTRA“Qualquer uso do matrimônio, em que pela malícia humana, o ato seja destituído da sua natural virtude geradora, é contra a lei de Deus e da natureza, e aqueles que ousem cometer esses atos tornam-se réus de culpa grave”. (Encíclica Casti Connubii – Papa Pio XI)
Os erros vêm de longe quando atingem o terreno moral.  O individualismo racionalista tem velhas raízes. A Renascença iniciou muita desgraça, que os erros acumulados foram alastrando. A Reforma protestante, sendo também  um fruto, inclinou ainda mais rapidamente, caindo em abismos. O Comunismo é o último deles – e não sabemos se é possível virem outros piores. Do individualismo religioso do frade apóstata sairia facilmente o individualismo pedagógico e político de Rousseau ou o individualismo econômico de Adam Smith.
Outros individualismos viriam. Ou melhor novas formas e aplicações do mesmo sistema, em que o indivíduo se coloca no centro do mundo e da sociedade, fazendo que tudo gire em torno dele. Assim é que veio o individualismo demográfico de Malthus.
Robert Malthus, economista inglês, pastor protestante, é o responsável mais próximo por um dos mais desgraçados crimes do individualismo. O homem, levantando-se contra a comunidade, irá perseguir a espécie nas suas próprias fontes, estancando-as. O bem social da propagação da espécie humana vai reverter em mero instrumento de prazer individual sem ônus. Pouco importa que com isso se desrespeitem as mais evidentes leis da natureza. Triunfe o indivíduo, embora pereça a espécie! 
Homem de pouca visão. Malthus se impressionou com o empobrecimento crescente do solo da Inglaterra e com o espantoso aumento de população nos Estados Unidos. Jogando com estes dois dados, conclui, erradamente, para todo o mundo, que as populações cresciam em progressão geométrica, enquanto a terra produzia em progressão aritmética. O remédio estava em diminuir os nascimentos.
APLICAÇÕES IMORAIS
Para alcançar seus fins propunha Malthus meio honesto: – a continência. [não para o caso tratado] Os seus continuadores tiraram conseqüências mais próximas da malícia e da fraqueza dos homens. Ensinaram o emprego de meios positivos para impedir a geração. Realiza-se o ato sexual, mas se lhe frustra o fim natural e primeiro. É o prazer sem a geração. O neo-maltusianismo teve logo numerosos propagadores tanto na Inglaterra como na França e principalmente nos Estados Unidos.
Preconizaram-se mil modos de burlar a finalidade que a própria natureza aponta à função do ato sexual. Hoje é um dos crimes mais divulgados do mundo. Tem feito a ruína de inúmeras almas, corrompendo os corações, animalizando os sentimentos, manchando a dignidade dos leitos conjugais, rebaixando as esposas à desgraçada condição de instrumento de prazer aos homens paganizados deste século.
Os que usam do matrimônio, empregando meios para evitar a geração, cometem um gravíssimo pecado mortal. Enumeremos as razões:
1º – É contra a mente de Deus
O ato sexual foi instituído por Deus para a geração. Para isto criou o homem e a mulher… Aparelhou-os orgânica e psicologicamente para o nobre mister da reprodução. Associou-os à Sua obra de Criador, porque os pais geram o corpo e Deus infunde a alma a cada novo homem que vem ao mundo. Atraiu-os e compensou-os dos encargos da geração com os prazeres dos sentidos e as alegrias espirituais da vida conjugal. Portanto, transformar o ato sexual em meio de prazer, impedindo-lhe a finalidade geradora, é agir contra a mente de Deus.
2º – É contra a natureza
A natureza indica o fim da união dos sexos. Estão no homem e na mulher, os germes de uma nova vida. Entre os animais a união só se dá para a geração: realizada esta, a fêmea se recusa sistematicamente. O ato, é, pois, realizado primariamente para a geração, embora não o seja unicamente para isto. Admite fins secundários; mas não admite que se impeça e destrua o fim primeiro. Não se pode proceder contra a natureza.
O Catecismo, na sua linguagem enérgica, enumera o pecado sensual contra a natureza entre os “pecados que bradam aos céus e pedem vingança a Deus.” Para que se lhe aquilate melhor da perversidade, basta considerar que a prostituição ou mesmo a infidelidade conjugal – embora pecados mortais – são menos graves do que ele.
3º – É contra o matrimônio
No contrato matrimonial faz-se a doação dos corpos em vista da geração dos filhos, portanto. Os cônjuges se unem no matrimônio para o exercício da função sexual. Ela constitui matéria e finalidade do próprio contrato matrimonial. O cônjuge, dá-se ao outro para colaborarem ambos na procriação, que é o termo natural da função conjugal. E não se dá para nenhum ato contrário à natureza mesma do contrato – como seria realizar a união excluindo por meios positivos o seu fim natural.
4º – É contra o amor
Os homens corrompidos acordaram em chamar amor à função sexual. A sublimidade da palavra escusa-lhes a baixeza dos sentimentos. É-lhes vantajoso o disfarce. Mas a dignidade do amor não se compadece. É o amor conjugal um misto das atrações da carne e de aspirações morais. O amor tem no homem outras faces e se pode elevar às alturas do puro espiritual. Não é esta a natureza do amor conjugal. Mas seria bestial colocá-lo na esfera do instinto e confiná-lo ao sexo.
Mesmo entre cônjuges chega-se ao amor espiritual, sem o sexo; mas nunca merecerá o nome de amor a fome de sensualidade que tanto se sacia com a esposa como procura a mercenária.
Amor…
“Amor” comprado a dinheiro nas feiras da volúpia!
“Amor” que abandona a esposa, quando esta não ceva a besta humana!
“Amor” que só vê o sexo, e despreza a pessoa!
Se fosse isto o amor, como chamaríamos à dedicação desinteressada das almas nobres, ao devotamento de uma esposa cujo marido a moléstia inutilizou para tais funções, ao afeto espiritualizado de dois velhinhos em quem a idade extinguiu o fogo da paixão? A verdade é que a função sexual é separável do amor – e os que a procuram por ela não sabem o que é o amor. São tremendos egoístas – e nada mais contrário ao amor do que o egoísmo.
CONSEQÜÊNCIAS
Gravíssimo pecado mortal, tão contrário às leis divinas e naturais, à própria condição do matrimônio e do amor, é ainda o neo-maltusianismo uma sementeira de males.
1. A ciência médica condena os vários processos anti-concepcionais como nocivos à saúde, principalmente da esposa. Distúrbios nervosos e psíquicos, perturbações do aparelho genital, repercussões patológicas no sistema glandular, fibromas, adenoma uterino, etc., além dos inevitáveis perigos de infecção local, são o triste cortejo desses degradantes processos.
Copio de Ensaios de Biologia, do capítulo “A esterilidade voluntária e sua patologia“, de Barbosa Quental, algumas opiniões.
A mulher está toda organizada em vista da maternidade; a falta de reprodução ou a insuficiência de reprodução vicia todo o seu metabolismo“.
(Dutalollis, em Troubes, Funcionels et Dystrophies en Gynecologie)
Todas as vezes que o útero não produz filhos tende a fazer fibromas“.
(Pinard)
Todos os processos anti-concepcionistas são de natureza a lesar a saúde daqueles que os usam regularmente“.
(Max Marcuse)
O uso repetido dessas práticas não pode deixar de influenciar a saúde num sentido desfavorável e de provocar perturbações mentais“.
(Max Cann)
Sabido como é… que no útero e no colo uterino uma tal irritação é produzida pela introdução de produtos químicos, pelas injeções anti-sépticas e pela presença prolongada de corpos estranhos como pessários oclusivos, etc., há sérias razões para crermos que o aumento acusado dos cânceres genitais esteja ligado às práticas desta natureza“.
Os que desejarem um conhecimento mais largo do assunto vejam La Limitation des Naissancesde Raoul de Guchteneere e La Vie Intime des Époux de Gaston Monin. Aliás, é fácil perceber que a natureza nunca deixa violar impunemente as suas sábias leis.
2. As conseqüências sociais são igualmente graves. Alarmam-se sociólogos e moralistas com a crescente diminuição da natalidade. Os que aprofundaram o assunto ficaram horrorizados ante as perspectivas. (Ver L’Indiscipline de Moeurs de Paul Bureau, talvez o mais completo estudo sobre a questão) A derrota da França, minada de anti-concepcionismo, era prevista desde há muito, não somente por Mussolini e Rommel, mas pelos franceses a quem o vício não cegara.
No Brasil já temos centros em que o neo-maltusianismo, de mãos dadas às misérias físicas, leva o nível demográfico abaixo da necessidade de estabilidade da população. Os sociólogos chamam “família normal” a que tem três filhos: dois respondem pela falta dos pais e um representa o aumento da população. Menos do que isto constitui inevitável baixa demográfica, verdadeiro suicídio de uma nação. Não estamos considerando agora o aspecto moral, mas o demográfico, deste importante problema.
E mesmo assim vemos que é criminoso o procedimento dos cônjuges que ficam no segundo filho, quando não se contentam com o “filho único”, de tão perigosas perspectivas.
Os neo-maltusianistas pretendem que a limitação na natalidade diminuirá a porcentagem da mortalidade infantil. Enganam-se. Diminuirá evidente e conselheiralmente o número de crianças mortas: nascem menos, morrem menos. Mas até aumentará a porcentagem. De fato, obirth-control elimina precisamente os filhos da classe em que morrem menos crianças. As classes mais desfavorecidas de meios econômicos, educação higiênica, etc. são os que mais procriam, e onde há maior coeficiente de crianças mortas. A razão da mortalidade infantil é outra, se morrem de preferência as crianças da classe mais prolifera não é porque a mortalidade esteja na proporção da natalidade e sim por falta de educação, higiene e meios econômicos.
O remédio está não em estancar as fontes da vida, mas em acudir as classes abandonadas com assistência social, educação e recursos necessários à condigna subsistência.
*A comparação entre a natalidade e a mortalidade infantil de vários países mostra precisamente o que acabamos de dizer. Países com natalidade fraca (como a França) têm grande percentil de mortos, enquanto outros, cuja natalidade é bastante forte (Holanda) têm um baixo nível de mortalidade. Países há (Alemanha, Itália) em que, ao mesmo tempo que a natalidade cresceu, a mortalidade diminuiu, graças à divulgação dos meios de proteção à vida infantil. Esses meios, divulgados entre as classes proliferas, têm conseguido em toda parte, uma sensível diminuição na mortalidade. (NOTA DE RODAPÉ)
Se os neo-maltusianos argumentassem de verdade, deviam proceder de outra maneira. Estão sendo dizimadas as crianças? Corre risco a manutenção do nível demográfico – e então é necessário intensificar a natalidade. Imaginem um economista que reclamasse diminuição de produção por ver escassear o artigo…
Não: o remédio está em eliminar as causas das mortes das crianças – tal como tem feito a ciência com crescente eficácia. E não na solução simplista de eliminar preventivamente os filhos. Assim, ter-se-ia de eliminar muita coisa. Para evitar desastre de avião, suprimia-se a aviação…
3. Do ponto de vista moral são múltiplas as conseqüências, e cada qual mais grave.
a) Já insinuamos quanto se rebaixa o homem que faz o amor apenas a função sexual. Agravemo-lo agora com a degradante circunstância de desvirtuar esta função, arrebatando-a do serviço da espécie para o desfrute pessoal.
b) Precisaria de apontar a degradação da esposa, transformada em mera ceva de incontestável paixão sedenda de prazeres e trânsfuga das responsabilidades? Basta pensar no que exigem da mulher certas práticas anti-concepcionais, mesmo fisicamente…
c) A experiência ensina que a provocação de abortos acompanha quase sempre os cuidados neo-maltusianos. E os crimes vão se acumulando, cada qual mais grave. Abyssus abyssum invocat.
d) O egoísmo passional dos fraudadores vai-se alimentando. A diuturnidade os caleja. Embotam-se os sentimentos elevados. Recurvados sobre si, como um caracol moral, só enxergam a si próprios, seus interesses e seus sentidos, num criminoso desprezo da sociedade, do próximo e dos próprios bens superiores.
e) Atentem os maridos nestas duas últimas considerações que lhes vamos apresentar, sem pretendermos esgotar o assunto:
1) Os desentendimentos a que dá lugar a limitação da natalidade. É este um aspecto que pouco tem preocupado os maridos, e, no entanto, é importante e grave. As mulheres  se tornam, com os processos anti-concepcionais, insatisfeitas, irritadiças – nevropatasVai-se a paz, a harmonia do lar. Diminui a resistência espiritual, a capacidade de tolerância, e multiplicam-se os atritos.
Afastada dos Sacramentos da Penitência e da Comunhão, a mulher perde o mais forte esteio em que se apoia a alma, e começa a perder o equilíbrio. E ai de um lar cuja esposa perde a linha justa!…
Eis preparado o caminho para desgraças maiores.
2) A infidelidade conjugal é, muitas vezes, o castigos desses pecadores. Vem primeiro a suspeita. Estes processos frequentemente falham. Mas o marido confia cegamente neles. E a mulher aparece grávida!… Conheço verdadeiras tragédias por isto. São fáceis de imaginar, aliás.
* Sei de um médico que só se convenceu depois do exame de sangue para prova de paternidade. Avaliemos porém, o estado de espírito deste homem durante todo aquele tempo, e a situação doméstica sob tão opressiva atmosfera. (NOTA DE RODAPÉ)
3) As conseqüências espirituais já ficaram insinuadas. Afastamento dos Sacramentos; vida em permanente pecado mortal; progressivo abandono das outras práticas religiosas; insensibilidade espiritual, verdade da fé; extinção das inquietações e do próprio remorso – paz em charco que precede a impenitência final! O quadro é horroroso, porém verdadeiro.
Noivos e esposos – Pe. Álvaro Negromonte
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...