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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Santos e demônios IV: Santo Antonio Maria Claret

Santos e demônios IV: Santo Antonio Maria Claret
(Padre João Echevarría, CMF)


Um esquadrão de demônios viu o Pe. Claret ao lado esquerdo de sua cama quando, ainda seminarista, foi vítima de horrorosa tentação que se dissipou com a doce aparição de Maria Santíssima.

E este exército infernal combateu-o principalmente na época das missões, com as quais tantas almas o Pe. Claret arrebatou ao inferno, para apresentá-las a Jesus como gloriosos despojos de combate. 

Encontrava-se em Vich o santo missionário.

Uma manhã, as pessoas da casa onde ele estava hospedado viram com grande surpresa que não descia para tomar seu café, na hora de costume. Temeram que estivesse indisposto. Bateram à porta, entraram no quarto e perguntaram-lhe se se encontrava adoentado. 

– Sinto uma dor profunda no lado esquerdo – respondeu. 

Alarmados com isto, pois o Pe. Claret não costumava queixar-se, chamaram o médico. Chegando este, mandou que descobrisse o lado afetado, e afastando a roupa, viu no lado esquerdo uma ferida como se uma fera lhe houvesse despedaçado a carne com as garras, deixando à mostra algumas costelas. 

Ninguém conheceu a causa desse ferimento, porque o Pe. Claret nada dizia; mas todos acreditaram ser efeito do demônio que assim queria atormentar as carnes do inocente missionário. 

Voltou por duas vezes o médico, e vendo que havia sinais de gangrena, após uma demorada consulta, resolveu ser necessária uma intervenção cirúrgica, e determinou fazê-la na manhã seguinte. 

Veio; bateu à porta do doente, mas este não respondeu. Perguntou por ele, alarmado, e enquanto esperava, apareceu risonho o doente prodigioso.

– Não se espante, disse-lhe, ajude-me a agradecer a Deus este favor. Esta noite Nossa Senhora curou-me. 

O doutor, atônito, mandou descobrir o lugar da ferida; e notou com surpresa que já havia cicatrizado, e o lugar recoberto de pele branca e firme. 

– Milagre! – exclamaram a uma voz todos os circunstantes. 

***

As perseguições do demônio eram mais freqüentes na época das missões. 

Pregava o Pe. Claret em Sarreal, província de Tarragona. As multidões, comovidas, tomaram quase que de assalto a igreja; invadiam-na, deixando-a repleta; e muita gente se acotovelava no adro por não poder entrar no templo. 

Quando o missionário estava mais fervoroso e emocionante no sermão, desprendeu-se do arco central do templo uma pedra enorme, que caiu em pedaços sobre a multidão. 

– Não é nada!, gritou o Pe. Claret, ninguém se mova! É o demônio que quer impedir o fruto da santa missão. Mas não tem permissão de Deus para vos fazer mal.

Assim foi; pois os diversos pedaços não feriram a ninguém. Este milagre aumentou o fervor e o entusiasmo do auditório, e assim ficou derrotado o demônio. 

***

Pregava, doutra feita, perante enorme concorrência. Estava já na metade da missão. O povo cada dia dava maiores demonstrações de piedade e arrependimento.

Era de noite. Quase todos os habitantes estavam reunidos na igreja. Quando o Pe. Claret tomou nas suas mãos o santo crucifixo para findar o sermão com fervorosa súplica, um desconhecido entrou à viva força no templo, alvoroçando o povo e gritando:

– Fogo! Fogo! Que se queima uma casa. Auxílio! Socorro!

O Pe. Claret, com voz forte, disse, interrompendo o sermão:

– É o demônio! Não há casa alguma a arder. E para que vos convençais, que vá o sacristão constatar o fato. Se houver fogo, iremos todos apagá-lo; mas, enquanto não vier o aviso, ficai tranqüilos e sossegados.

Chegou o sacristão e disse não haver sinal nenhum de incêndio... Então o povo quis dar uma sova no homem, mas este, misteriosa e subitamente, desapareceu.

– Não vo-lo dizia?, exclamou o Pe. Claret, era o demônio, inimigo de vossas almas, que pretendia impedir o fruto desta santa missão.

E tomando pé deste fato, pregou novo sermão sobre a importância da salvação.

As lágrimas e soluços da multidão acompanhavam as palavras do missionário. O fracasso do demônio não podia ser maior nem mais humilhante.

***

A conquista das almas foi o lema que escreveu o heróico missionário no programa do seu apostolado. E para o efetuar, reproduziu na sua vida o catálogo de sofrimentos e perseguições que sofreu, no seu tempo, o Apóstolo das Gentes [São Paulo].

E como não devia ser alvo da perseguição, se cada alma, cada coração conquistado para Cristo era um despojo, que arrancava violentamente das garras de satanás?

Por isso, o demônio devotava ódio ferrenho às missões do Pe. Claret; porque principalmente com elas obtinha os grandes triunfos. E para impedi-los, lançou mão de todos os meios o príncipe das trevas.

***

Foi em Masnou, província de Tarragona.

Pregava o Pe. Claret uma missão. As povoações vizinhas, entusiasmadas e a se penitenciar, vinham todas as tardes escutar atentamente a palavra do missionário. Uma multidão compacta e fervorosa enchia o vasto templo paroquial.

Apareceu na capela-mor o Pe. Claret e entoou, em frente do auditório, um cântico da missão.

A multidão, que conhecia aquele cântico, acompanhou-o unissonamente, como imensa massa coral.

O organista, Pe. João Quintana, carmelita calçado, assentou-se ao órgão para acompanhar o canto. Mas, contra a vontade do organista, saía dos tubos do órgão a música duma canção escandalosa, muito em voga naquele tempo em teatros e tabernas...

O público emudeceu, escandalizado, e logo alvoroçou-se diante do insulto...

O organista, espantado, trabalhava para dominar o teclado do órgão, mas seu esforço era em vão. A canção continuava soando escandalosamente.

Então o Pe. Claret subiu rapidamente ao púlpito e, dirigindo-se à multidão, disse com voz dominadora:

– Meus irmãos, não vos espanteis! É o demônio que, com esta canção escandalosa, quer inutilizar o fruto dos sermões...

E erguendo a mão em direção ao coro, gritou:

– Sr. Organista, abra o registro flautado, porque dentro dele está o demônio.

Assim fez o organista, e o demônio fugiu vencido.

O órgão acompanhou harmoniosamente os cantos da missão; serenou o auditório e, ao findar a pregação, puderam recolher os ceifadores evangélicos do campo espiritual magnífica colheita de pecadores convertidos.

***

Estava um dia a pregar em campo aberto. Foi uma solenidade religiosa em que milhares de ouvintes se reuniram para escutar o sermão do ilustre missionário.

Quando sua palavra apostólica ecoava mais eloqüente e ungida de piedade, cobriu-se o céu de nuvens pardacentas; despontou o raio e o trovão, e em torvelinho de poeira se desencadeou o furacão.

A multidão, aterrorizada, começou a fugir, mas o Pe. Claret a conteve, dizendo:

– Ninguém se mova! É o demônio que vem, envolto na tempestade. Prestes fugirá, vencido.

[E tal ocorreu.]

Em outro dia, pregava uma missão na igreja. Mas era tão numerosa a assistência, que se viu forçado a improvisar um púlpito em praça pública. Ao império da sua eloqüência sobrenatural, a multidão, entre profundos soluços e lágrimas sinceras, implorava de Deus perdão para seus pecados.

De repente ouve-se um golpe como se fosse uma chicotada, no púlpito; o rosto do Pe. Claret contrai-se em trejeitos de dor; seu corpo treme; e, quando parece que vai cair, e o público, alarmado, se precipita para ampará-lo, brada com voz serena:

– Deixai-me... nada receeis. É o demônio que me deu este golpe para que não pregue mais.

O Pe. Claret ficou em silêncio alguns minutos, e o povo a chorar e com os braços ao alto, exclamava:

– Perdão, ó meu Deus! Perdão e clemência!

***

Foi desta vez em Igualada. A missão estava dando belos resultados. Já de público se contavam as grandes conversões, e estavam prestes a dar esse passo outros muitos pecadores.

Para mover a estes que permaneciam hesitantes, o Pe. Claret preparou com a oração e o estudo, um sermão especial: o sermão da Madalena.

Todos choravam ao escutá-lo... Sua palavras era uma concentração luminosa e palpitante de todas as ternuras, de todos os arrependimentos, de todos os amores que sentiu na hora feliz da sua conversão a Madalena, a sublime penitente...

Quando mais ardentes e gerais eram os soluços no auditório, um ruído espantoso alvoroçou o público.

Milhares de cães raivosos brigavam, mordiam-se, despedaçavam-se invisivelmente na igreja; perseguiam-se, desgarravam-se com uivos aterradores. A multidão, consternada, lançou um grito de espanto. Todos olhavam em redor, mas ninguém via onde estavam os cachorros.

Então o Pe. Claret, estendendo a mão sobre o auditório disse:

– Calma, meus irmãos! Calma! Não vos espanteis. Esses cães são os demônios que receiam vos aproveiteis da santa missão. Desprezai-os e logo vos largarão.

Tranqüilizou-se o público ao ouvir estas palavras do santo missionário; os demônios fugiram e a matilha de cães emudeceu...

Mais tarde, o Pe. Claret, referindo-se a esta época de suas missões, consignou em sua ‘Autobiografia’ estas singelas palavras:

– Se foi grande a perseguição que contra mim levantava o inferno, imensamente maior foi a proteção do céu. Conhecia visivelmente que a Virgem Santíssima, os Anjos e Santos me conduziam por caminhos ignorados; livraram-me dos ladrões e assassinos, e me conduziram a porto seguro, sem que eu conhecesse o modo.


(Pe. João Echevarria, CMF, in: Santo Antônio Claret, Editora Ave-Maria, São Paulo: 1962, 2ª edição, páginas 101-107)


Fonte: Texto retirado do antigo blog odioaheresia
Foto: Autor desconhecido

Fonte:

Santos e demônios III: São João Maria Vianney

Santos e demônios III: São João Maria Vianney
(Mons. Francis Trouchu)

Que há inferno e anjos decaídos condenados a ele é dogma da nossa fé católica. Conforme ela, o demônio é um ser pessoal e existente e não uma ficção da fantasia. 


No mundo, é verdade, a sua ação permanece oculta, porém, às vezes, com permissão de Deus, se manifesta exteriormente. É que sem dúvida vê ameaçada sua influência nesta ou naquela parte da terra, e como não pode atacar diretamente a Deus, o invisível malfeitor se esforça em esterilizar os trabalhos dos seus obreiros. 

Por espaço de 35 anos – de 1824 a 1858 – o Cura d’Ars foi alvo das perseguições exteriores do maligno. Se satanás tivesse conseguido roubar-lhe o sono e o repouso, tirar-lhe o gosto da oração, das austeridades e dos trabalhos apostólicos e o obrigasse a deixar o ministério das almas!... Mas o inimigo da salvação foi descoberto e vencido. “As lutas com o demônio, diz Catarina Lassagne, tornaram o Pe. Vianney caritativo e desinteressado”. O péssimo astuto não contava com esse resultado.

As perseguições infernais começaram no tempo em que o Santo Cura meditava no plano da Providência [isto é, o orfanato/educandário de Ars], para a qual acabava de adquirir uma casa, quer dizer, durante o inverno de 1824 a 1825. 

Santos e demônios II: São Paulo da Cruz

Santos e demônios II: São Paulo da Cruz
(Padre Luis Teresa de Jesus Agonizante, CP)

“Vamos referir, com lhaneza, fatos extraordinários, indubitáveis e autênticos todavia. 

Em França, os biógrafos de santos costumam, antes de entrar nesta matéria, fazer longas dissertações filosóficas, teológicas. etc.. Precauções, pois estamos em épocas dos espíritos fortes. 

Julgamo-nos dispensados desse trabalho por uma razão bem simples: os chamados espíritos fortes, ridicularizadores da crença nos demônios e dos exorcismos da Igreja, encontram-se diante de fatos que lhes pedem pelo menos sérias reflexões. Nos últimos tempos, Satanás teima em zombar de seus zombadores, com estranhos fenômenos, explicáveis somente pela intervenção real do espírito da mentira. Serve-se a Providência muitas vezes do demônio para plasmar os santos.

A Paulo da Cruz não podia faltar esse traço de semelhança com Jesus Cristo, que entregou o corpo ao arbítrio de Satanás nas provações do deserto e ao chegar o PODER DAS TREVAS nos dias da Paixão. 

É que Deus escolhera a Paulo, generoso atleta, para humilhar o gênio da soberba. Jesus, dissera um dia ao nosso santo: 

“ Apraz-me vê-lo sob os pés dos demônios ”

Os espíritos infernais aproveitaram-se da permissão divina, já que a santidade de Paulo os exacerbava. Como vingança às derrotas sofridas, descarregavam-lhe todo o seu furor. Ouçamos ao nosso santo: 

“ O convento (do monte Argentário) está quase concluído. Espero inaugurá-lo na Quaresma. Oh! que alvoroço fazem os demônios! Somente Deus sabe como me acho” .Os demônios, já o dissemos, destruíam de noite o que se edificava de dia.

“ Faz muito tempo que pobre ancião, encanecido no vicio, ouve, à noite, assobios que o fazem tremer. Garantiram-lhe, porém, que tudo há de passar e nada o prejudicará. Não vos amedronteis, pois N. Senhor combaterá por vós. ALLELUIA! ALLELUIA! ALLELUIA! O demônio teme o ALLELUIA, palavra caída do Céu. Estou nas mãos da divina misericórdia, embora cruelmente atormentado pelos ministros de sua justiça e ainda mais pelos meus pecados ” . 

Os ataques diabólicos, inspirados sempre na mais entranhada malícia, revestiam-se, por vezes, de caráter de intrigas mesquinhas e pueris. Em se tratando de prejudicar, não têm delicadeza esses inimigos. Todos os meios lhes parecem bons. Para o êxito de seus tétricos projetos, não se envergonham de metamorfosear-se em animais, não, porém, como Deus os criou: nisto está o embuste.

Justo castigo do orgulho, a ensinar-nos que toda criatura, por mais sublime que seja, em pretendendo sobrepujar-se a Deus, inferioriza-se aos irracionais. Apareciam-lhe freqüentemente sob horríveis formas, como de gatos selvagens, de cães raivosos ou de aves de rapina. 

Para tornar mais divertidas suas artimanhas, aproveitavam do tempo em que Paulo estava enfermo e desamparado de Deus. 

Após prolongadas insônias, conseguia Paulo pegar no sono. Pois bem, os espíritos malignos interrompiam-no, com assobios, uivos, espantosos ruídos, simulando detonações de diversas peças de artilharia a um tempo.
Acordava o santo, sobressaltado.

Outras vezes, tiravam-lhe os cobertores ou caminhavam sobre a cama, como gatos.
Na grave enfermidade de Orbetello, passou quarenta dias e quarenta noites insone, atormentado de pungentes dores. Afinal, acalmando-se-lhe um pouco os sofrimentos, adormeceu. Imediatamente, infernal ruído o acordou. Eram os demônios a abrirem e fecharem com violência as portas de um móvel... O santo, com ar de desprezo, pô-los em fuga, podendo descansar por algumas horas.
Ao referir a aventura ao confessor, ele, que sabia unir a alegria à virtude, dizia-lhe a sorrir:
“ Que lhe parece? Não diz o provérbio que o cachorro que dorme não caça?... Um pobre homem insone há quarenta dias e quarenta noites, despertado no primeiro sono!.... E' isto, por ventura, agradável? ” .

Estava o santo de cama com o mal de gota. O demônio, a fim de martirizá-lo, tomou-lhe o dedo mais dolorido e o torceu violentamente, fazendo-lhe experimentar dores inauditas.

Atacavam-no com mais furor, quando ocupado em afazeres da glória de Deus ou do bem das almas.

Ao começar a oração ou o Ofício divino, parecia-lhe desencadear-se o inferno... Se tomava da pena para escrever coisas de importância, o demônio, raivoso, rugia, espantosamente. Se nos recreios discorria de assuntos de piedade, de volta à cela tinha que haver-se com os espíritos infernais.

Ao rever as Regras das religiosas da Paixão, maltrataram-no os demônios a valer. Uma noite, mão invisível tomou-lhe da cabeça, batendo-a violentamente de encontro à parede. O barulho despertou o enfermeiro, na cela contígua. No dia seguinte, perguntando-lhe o confessor como passara a noite, respondeu, sorrindo
“ O bom Deus não permite que as artimanhas dos demônios façam muito mal, mas bem é que não fazem ” .
E acrescentou:
“ O que os queima agora é o mosteiro! ” .

O que mais irritava a Satanás era a conquista de almas. Nos primeiros anos de residência no Argentário, descia Paulo aos sábados a Portércole, a fim de instruir o povo nos rudimentos da religião, passando a noite ao pé do Tabernáculo.

Os demônios esforçavam-se por amedrontá-lo com estrépitos infernais. O santo prosseguia a sua oração. De manhã, entregava-se às obras de apostolado com êxito correspondente à preparação.

Nas jornadas apostólicas, seguiam-nos os espíritos infernais, fazendo-lhe pagar bem caro as almas arrebatadas ao seu domínio.

À noite, batalhões desses espíritos entravam-lhe pelo quarto com alaridos de um povo amotinado. Puxavam-no da cama, arrastavam-no pelo assoalho, bradando enfurecidos:
“ Ah! Vieste atormentar-nos? Quantas almas já nos arrebataste!... ”

As meditações sobre a sagrada Paixão causavam-lhes grandes perdas. Confessaram pela boca dum possesso, que a santa missa celebrada pelo servo de Deus e a Paixão pregada por ele eram o que mais os afligia.

O inocente corpo de Paulo, especialmente as pernas estavam sempre chagadas pelos açoites dos demônios. (quantas manhãs encontravam-no pálido, lívido, obrigado a permanecer na cama, sem mover-se...

Regressava, certa feita, duma missão quando, ao sopé de alta montanha, nas vizinhanças de Feniglia, os demônios, de forma visível, colocando-se em ala ao longo da estrada, açoitaram-no cruelmente, corno a soldado sujeito ao castigo das chibatadas.

Impossível referir todos os maus trato: infligidos pelos demônios ao servo de Deus; mas o apóstolo surgia sempre mais audaz desses combates e com a espada mais afiada para novas batalhas e novos triunfos...

Uma vez por outra tomavam os inimigos forma humana, pretendendo enganá-lo.

Em Santo Anjo, na enfermidade de que falamos no princípio deste capítulo, apresentaram-se-lhe no quarto seis ou sete personagens, que se diziam médicos. Vinham da parte do pe. João Batista anunciar-lhe que se preparasse para a morte. O desenlace ocorreria na próxima quarta feira.

O santo, percebendo imediatamente o embuste diabólico, respondes-lhes que tinha médico em quem confiava plenamente e que, portanto, não fora necessário virem até o retiro por tão pouco. O dr. Mattioli tê-lo-ia avisado.

Com efeito, se aqueles médicos de nova linhagem pretendiam assustá-lo, enganavam-se redondamente, pois o maior desejo de Paulo era deixar este desterro e voar para a Pátria celeste. O certo, é que os demônios desapareceram, envergonhados.
Em outra ocasião, estavam o pe. Paulo e um companheiro hospedados em casa de um nosso benfeitor. Mal se recolheram ao quarto, apareceu-lhes o demônio sob a figura de horrível gigante.

“ Pe. Paulo ” ,
perguntou tomado de susto o companheiro
“ Não está vendo? ”
“ Tranqüilize-se ” ,
respondeu o servo de Deus, acostumado a tais visitas,
“ tranqüilize-se, ele não veio para v. revcia ” .

No dia seguinte percebeu o companheiro para quem viera o inimigo, ao observar as pernas do pe. Paulo lívidas pelos açoites recebidos durante a noite.

“ Outros religiosos testemunharam as violências diabólicas no corpo inocente do pe. Paulo ” ,

acrescenta são Vicente Maria Strambi, dando a entender, provavelmente, que. ele também o testemunhara.

Que valor não demonstrou nesses assaltos o servo de Deus?! Ele bem sabia que contra tais inimigos não cabem temores, mas confiança ilimitada no poder e na misericórdia de Deus.

Jamais pediu socorro, patenteando ao inimigo que o não temia. Convencido de que o espírito soberbo tem mais audácia que poder, opunha-lhe somente profundo desprezo. Armava-se do Crucifixo. coloca-a ao pescoço o rosário e, com voz possante, intimava-o, em nome de Jesus e Maria, a retirar-se.

Fugia, não há dúvida, mas para voltar com desdobrado furor.”




(Padre Luis Teresa de Jesus Agonizante, CP, in: Vida de São Paulo da Cruz, tradução do Padre Vicente do Nome de Jesus, CP, Editora “O Calvário”, São Paulo: 1958, páginas 363-367)

Fonte: Texto retirado do antigo blog odioaheresia
Foto: Autor desconhecido

Fonte:

domingo, 14 de julho de 2013

Santos e demônios I: Santa Gema Galgani


Santos e demônios I: Santa Gema Galgani
(Padre Germano de Santo Estanislau, CP - tradução do Padre Matos Soares)


"Para purificar os Seus escolhidos e fazer deles vítimas de expiação, Deus serve-Se muitas vezes de satanás que, com o seu ódio ao homem, é em Suas mãos o instrumento mais ativo. A Santa Escritura e sobretudo os registros da hagiografia oferecem-nos exemplos numerosos desta conduta da Providência Divina.

 Quando o Senhor quis elevar São Paulo da Cruz a um grau mais eminente de santidade, disse-Lhe no íntimo da sua alma: 'Fazer-te-ei calcar aos pés pelos demônios'. Gema ouviu também um dia palavras semelhantes: 'Prepara-te, minha filha; por minha ordem o demônio vai declarar-te guerra e dar, por esta forma, o último retoque à obra que realizei em ti'. 
Podemos dizer que esta gurra foi geral, isto é, dirigida contra cada uma das virtudes e práticas por meio das quais a jovem virgem se esforçava em caminhar para Deus. Todas desagradavam ao anjo do mal, que as atacou com ódio feroz. Dir-se-ia que, no exercício do seu tenebroso império, não tinha outra preocupação senão perseguir esta pobre menina e procurar meios de a assaltar com tentações.
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