domingo, 4 de junho de 2017

SE NÃO FOSSE NOSSA SENHORA!

Conta o grande doutor da Igreja, Santo Afonso de Ligório, o fato seguinte que nos mostra como Nossa Senhora é boa para todos os que a invocam e lhe tem alguma devoção.
Em 1604 viviam em Flandres dois estudantes que, desleixando os estudos, se entregavam a jogos, a extravagâncias e graves pecados.
Uma noite eles foram a certo lugar de pecados. Um deles, chamado Ricardo, depois de algum tempo, retirou-se para casa. Cansado, jogou-se logo na cama. Lembrou-se, porém, que ainda não rezara uma Ave-Maria que costumava dizer todas as noites, levantou-se e recitou-as. (E foi sua grande sorte!)
Não pegara ainda no sono, quando alguém lhe bate fortemente na porta. E antes de levantar-se, para abrir, ali estava seu companheiro de farra todo desfigurado.
– Quem és tu? Perguntou aterrorizado.
– Não me conheces? Respondeu o outro.
– Mas como mudaste? Parece um demônio!
– Ai de mim! Exclamou o infeliz, ao sair daquela casa infame, veio o diabo e me sufocou. Meu corpo ficou na rua e minha alma está no inferno. Sabes, acrescentou, a mesma sorte cabia a ti. Mas, porque rezaste aquelas Ave-Marias, a Virgem Santa te protegeu. A Ela deves a Salvação.
E desapareceu.
Ricardo, chorando copiosamente, deu graças a Maria, sua libertadora. Enquanto pensava como mudar de vida, ouviu tocar o sino do convento dos franciscanos.
Foi lá e pedir que os frades o recebessem para fazer penitência. Cientes da vida má não queriam aceita-lo. Contou-lhes, então, entre lágrimas o que acontecera. Dois religiosos foram à rua indicada, ali achando, de fato, o cadáver do companheiro, sufocado e negro como carvão.
Ricardo foi aceito, e levou uma vida de penitência. Mais tarde foi como missionário pregar nas Índias e no Japão, onde teve a felicidade de morrer mártir, queimado vivo por amor de Jesus Cristo.
E desde tanto tempo está gozando no Céu porque rezou a Nossa Senhora, o outro penando terrivelmente no inferno porque não a não amou.
Como Maria Santíssima é boa! – Frei Cancio Berri C. F. M.
Fonte:

sábado, 3 de junho de 2017

S. Vicente Ferrer profetiza: 'Mulheres se vestirão como homens' - Crise na Igreja e um estrondo como nunca houve antes.

São Vicente Ferrer (1350-1419) , sermão em Barcelona no dia 13 de Setembro de 1403.

Um tempo como nunca houve, crise na Igreja

Virá um tempo como nunca houve, chorará a Igreja, as viúvas se levantarão ferindo seus peitos e não encontrarão consolo, agora está distante, mas chegará sem falta e muito perto daquele tempo em que dois começarão a fazer-se reis, seus dias não se prolongarão muito.


Estrondo como nunca houve, o castigo de Deus 

Chorai velhos e anciões, suplicai, chorai se algum de vós sois testemunha de um estrondo tão grande, de modo que não houve, nem haverá, nem se espera ver outro maior senão aquele que se experimentará no juízo. 

No entanto, tudo se renovará

Mas a tristeza se converterá em deleite, os Reis dos Reis, o Senhor dos Senhor, tudo purificará e renovará, a França, com seu orgulho, será de todo abatida, seu Príncipe, ai, ai, se as bandas de salteadores os vissem, ficariam assustados.

Libertinagem nos costumes, mulheres se vestirão como homens

Oh migueletes, oh catalões, a casa santa, as vossas e as de toda a Espanha previnirão e terão disponível a justiça, os dias não tardarão, estão já às portas, vereis um sinal e não o conhecereis, mas advirto que naqueles tempos as mulheres se vestirão como homens e se portarão segundo seu gosto e licensiosamente; os homens se vestirão vilmente como mulheres.

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Fonte: 
Págs. 76-77, J. Lascoé, Historia del Porvenir sobre el Imperio del Gran Monarca y Triunfos de la Iglesia Católica hasta el Fin del Mundo según las Profecías más célebres Antiguas y Modernas, Lérida, 1869.; B. Sánchez, Les Derniers Temps, Prophéties Publiques et Privées, Diffusion de la Pensée Française, Chiré en Montreuil, 1976. págs. 45-46. Grifos nossos. Visto em: O Príncipe dos Cruzados.

Fonte:

O Imaculado Coração de Maria forma uma só coisa com o adorabilíssimo Coração de Jesus

Jesus está inteiramente vivo em Maria, ou seja, tudo o que é comunicável em Jesus, vive em Maria: seu Coração vive em seu Coração, sua alma em sua alma, seu espírito em seu espírito





Mons. de Ségur (*) | Tradução: Sensus Fidei — Pelo Coração de Maria deve entender-se tanto o Coração material de seu corpo, como o Coração espiritual de sua alma, e o que poderíamos chamar seu Coração divino, ou seja, o Amor eterno e substancial, o Espírito Santo, do qual a bem-aventurada Virgem esteve total e divinamente repleta.
Sob este tríplice ponto de vista, o Coração Imaculado de Maria é todo de Jesus, e tem relações tão íntimas e indissolúveis com o Coração do Filho de Deus, que esta união consuma aos dois em uma espécie de unidade; consummati in unum.
O Coração material de Jesus vem todo inteiro do Coração virginal de sua Mãe, a qual apenas proporcionou ao Verbo encarnado a substância de sua humanidade, e por conseguinte a substância do mais nobre e principal órgão desta humanidade adorável, que é seu Coração. A fé nos ensina que quando o Pai celestial engendrou no tempo, no seio da Virgem, Àquele a quem engendra eternamente nos céus, o Espírito Santo, Espírito de amor e de união, operou este inefável mistério da Encarnação do Verbo tomando a mais pura flor do sangue imaculado de Maria para formar dela o corpo adorável de Jesus. Bem, todos sabem que o sangue e o coração formam uma só coisa no corpo humano: o coração é o princípio, a origem do sangue; difunde-o por todos os membros para vivificá-los; e o sangue retorna a ele fielmente como a seu primeiro princípio, para ser novamente difundido pelo corpo. O Coração divino do Menino Jesus foi, pois, todo formado da substância mesma e somente da substância da Virgem sua Mãe: se é obra do Espírito Santo, é igualmente obra de Maria; e pertence tudo à sua Mãe o mesmo que a seu divino Pai. Se Santo Agostinho disse e pode dizer “A carne de Cristo é a carne de Maria, caro Christi, caro Mariæ”, com não menos verdade pode-se dizer: Não por efeito de uma confusão, mas em virtude de uma íntima união, o Coração de Jesus é o Coração de Maria, e o Coração de Maria é o Coração de Jesus.
O Coração espiritual de Maria e o Sagrado Coração de Jesus não fazem igualmente mais que um só coração em consequência de uma indissolúvel união de espírito, de vontade, de sentimentos e de afetos. Diz-se dos primeiros cristão que não tinham “mais que um só coração e uma alma, cor unum et anima una”,[1] com quanta mais razão pode-se e deve-se dizer do Filho único de Maria e desta sua santíssima Mãe?
Se São Bernardo pode dizer que, sendo Jesus sua cabeça, o Coração de Jesus é seu coração, e que assim “não tem verdadeiramente mais que um coração com Jesus: ego vere cum Jesu cor unum habeo”;[2] com quanto mais verdade não pode dizer a Imaculada Virgem Maria: “O Coração de minha Cabeça e de meu Filho é meu coração, e não tenho com Ele mais que um mesmo coração?”
Por isto disse um dia à sua querida filha e serva Santa Brígida: “Saibas que amei a meu Filho tão ardentemente, e que Ele me amou tão certamente, que Ele e eu éramos como um só coração; quase cor unum ambo fuimus.
“Meu Filho, acrescentou, era verdadeiramente para mim como meu coração; quando Ele sofria, era como seu meu Coração sofresse suas penas e tormentos. Sua dor era minha dor, e seu Coração era meu Coração”.
Isto mesmo ensinou por sua vez Nosso Senhor à mesma Santa Brígida, quando aparecendo-lhe um dia e conversando familiarmente com ele, disse-lhe: “Eu que sou Deus e Filho de Deus desde toda eternidade, fiz-me homem no seio da Virgem, cujo Coração era com meu Coração: e por isto minha Mãe e Eu temos operado a salvação do homem, por assim dizer, assim como um mesmo Coração, quase uno corde”.
Assim, pois, o Coração da Santíssima Virgem e sua alma imaculada, impecável, perfeitamente santa, humilde, doce e obediente, formava uma só coisa com o Coração e alma de seu adorável Filho.
Finalmente, deve dizer-se com precisão, todavia, mais absoluta, que o Coração divino e eterno de Jesus, que é o Espírito de amor e o próprio Amor, era verdadeiramente o Coração divino de Maria e o princípio único de sua vida, de seus pensamentos, de seus afetos e de todos seus movimentos.
O Espírito Santo, que é em nós o Espírito de Jesus Cristo, Spiritus Christi,[3] era-o com plenitude na alma da Santíssima Virgem, e a unia de uma maneira tão perfeita e divina a Jesus, e por Jesus ao Pai celestial, que esta união, que é a graça, a alegria e a coroa da Mãe de Deus, constitui um mistério insondável em cujas santas profundezas só Deus pode penetrar, e no qual via São Boaventura “algo infinito”.
Assim, pois, o Coração de Maria e o Coração de Jesus são um só no Espírito Santo. Oh! Sejam também um só em nosso amor e em nossas homenagens!
Se Jesus é o coração e a vida de sua bem-aventurada Mãe; e lhe comunica sua vida divina com tal superabundância, que é até impossível comparar esta vida de Jesus em Maria à vida de Jesus em seus maiores Santos e em seus Anjos mais elevados. “Vivo, exclamava São Paulo, ou melhor, não sou eu o que vive, senão Cristo que vive em mim”.[4]
“Vivo, diz-nos do alto do céu a Rainha dos Anjos e dos Santos, a Mãe da vida, a celestial Mãe de Deus; vivo, mas já não sou eu, é Jesus, é meu Filho, meu Senhor e meu Salvador quem vive em mim. Vive em minha alma, em meu corpo, em todas as potências de minha alma e em todos os sentidos de meu corpo”.
Jesus está inteiramente vivo em Maria, ou seja, tudo o que é comunicável em Jesus, vive em Maria: seu Coração vive em seu Coração, sua alma em sua alma, seu espírito em seu espírito.
“O que Deus uniu não separe o homem”, disse Nosso Senhor.[5] Havendo Deus, em seu plano divino, unido intimamente a Jesus e Maria, o Coração do Filho e o Coração da Mãe, não os separe ninguém em seu próprio coração. Ao adorar o Coração de Jesus, veneremos e bendigamos o Coração de Maria; e ao tributar este culto de hiperdulia, ou seja, de super-veneração ao Imaculado Coração da Mãe de Deus, tributemos ao Sacratíssimo Coração de seu Filho o culto de latria, ou seja, de adoração propriamente dita, que lhe devem o céu e a terra. No céu continuaremos eternamente este duplo culto em união dos Anjos e Bem-aventurados. Que dita será bendizer ali a Jesus e Maria, contemplar-lhe face a face, sentir nosso coração junto a seu Coração e embriagar-nos de seu santo amor.
Oh, Coração Sacratíssimo de Jesus! Tende piedade de nós! Cor Jesu sacratissimum, miserere nobis!
Oh, Coração Imaculado de Maria, rogai por nós! Cor Mariæ inmaculatum, ora pro nobis!
Notas
[1] At IV,32.
[2] Ex tract. De Passione Domine, super istud Joannis: Ego sum vitis vera, III.
[3] Rm VIII, 9.
[4] Gl II, 20.
[5] Quod Deus conjunxit, homo non separet. (Mt XIX, v. 6.)

(*) Monsenhor de Ségur. El Sagrado Corazon de Jesus. pp. 174-178. Casa Editorial de Manuel Galindo y Bezares. 1888.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Da profundíssima humildade do Coração de Jesus

Apesar de sua inocência infinita o Salvador tomou sobre si todos os pecados dos homens, afim de alcançar-lhes o perdão e expiá-los Ele mesmo, via-se sempre, perante a justiça de Deus, como súdito do pecado, como pecador universal: “Fez-se por nós, disse São Paulo, objeto de maldição”





Mons. de Ségur (*) | Tradução Sensus fidei: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração”. Jesus não é somente “manso de coração, mitis corde”, é também “humilde de coração, humilis corde”; tão perfeitamente unido como manso.
Podemos compreender a perfeição desta santa humildade considerando, primeiramente, o rebaixamento de seu Coração na presença da grandeza e santidade infinitas de Deus; depois seus sentimentos com relação às honras e glória do mundo; e por último, seus sentimentos com relação às humilhações, ultrajes e desprezos.
A santa humanidade do Filho de Deus não perdeu jamais de vista a majestade infinita de Deus que lhe dava a existência e a vida, da qual dependia totalmente e sem a qual nada era nem tinha. Esta clara visão de seu nada como criatura, e do tudo de Deus seu Criador, a quem estava hipostaticamente unida, conservava-a em uma humildade incomparável. A humildade, com efeito, consiste antes de tudo em reconhecer com alegria que Deus é tudo em nós e fora de nós, e que de nós mesmos nada temos, nada somos, nem sequer somos. “Eu sou O que é, e tu és a que não és”, dizia um dia Jesus à Santa Catarina de Sena. Esta verdade é a base da adoração.
Não o esqueceu jamais o Coração santo de Jesus. Estava diante de Deus como o que não é, e daqui aquela submissão absoluta, universal; aquela adoração incessante, aqueles louvores, aquela total entrega, aqueles deveres inefáveis de uma Religião perfeitíssima. Ademais, como apesar de sua inocência infinita o Salvador havia tomado sobre si todos os pecados dos homens,[1] afim de alcançar-lhes o perdão e expiá-los Ele mesmo, via-se sempre, perante a justiça de Deus, como súdito do pecado, como pecador universal: “Fez-se por nós, disse São Paulo, objeto de maldição”.[2] O que é o pecado perante Deus, era Jesus aos seus próprios olhos. Embora sendo Filho de Deus, “não tinha em si mesmo nenhuma complacência”.[3] Sempre rebaixado em seu Coração, primeiro diante da majestade e depois diante da santidade de Deus, era tão perfeitamente humilde como perfeitamente santo: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de Coração”.
Oh, Jesus, que exemplo e que lição! E me atreverei, eu pecador, eu miserável, abandonar-me, ainda às ilusões da vã complacência! Oh, não, jamais, meu divino Dono! Como Vós, convosco e por Vós quero “permanecer na verdade”; e não me deixarei seduzir pelo pai do orgulho, que “não soube permanecer na verdade, in veritate non stetit”.[4] Com vossa graça não esquecerei jamais que por mim mesmo nada sou senão um miserável pecador; e o grito do meu coração será doravante o do publicano do Evangelho: “Senhor, tende piedade de mim, pobre pecador!”[5]
Em segundo lugar e por sua vez o segundo efeito da profundíssima humildade do Coração de Jesus, é sua absoluta aversão a estima e a glória do mundo. Era-lhe, sem dúvida, devida a glória, porque é Deus em unidade do Pai e do Espírito Santo; e quando por ocasião de sua segundo vinda se apresente ao mundo com toda a majestade de sua glória, os Anjos e os homens o adorarão com o rosto por terra. Sim, mas em sua primeira vinda veio matar o orgulho que o homem perdeu; e reservando para mais tarde a esplendorosa manifestação de sua divindade, mostra-nos unicamente em sua vida mortal o que é o homem pecador, o que deve fazer, o que deve querer, o que deve evitar para “manter-se na verdade”.
Por isto, dando a Deus o que só a Deus pertence, a honra, a estima, a soberania, a majestade da glória e dos louvores, sua santa humanidade recusou tudo isto como impróprio a nada e ao pecador. Se alguma vez, como no Tabor, no domingo de Ramos e depois de seus principais milagres, tolera certo esplendor em torno de sua pessoa, não é por si, mas por nós, para fortificar nossa fé; e nesse esplendor reluz com maior brilho a sua caritativa humildade.
Que vem a ser perante Jesus, tão humilde de coração, minhas miseráveis pretensões à estima e aos louvores, minha sede de vanglória e de triunfo, minhas aspirações ao brilho e ser aplaudido, meus ambiciosos desejos e todo esse absurdo cortejo de ilusões e de vaidade, filhas todas do orgulho? Jesus manso e humilde, ensinai-me a humildade, e apartai meu pobre coração das perversas inclinações que lhe arrastam à vanglória.
Finalmente, a humildade do Sagrado Coração de Jesus não se manifesta pelo amor que a justiça e a verdade lhe inspiravam ao silêncio, à vida obscura, aos desprezos, aos ultrajes e todas as humilhações que brilham em torno de seu presépio e de sua cruz.
Recordai as humilhações de todo gênero que nosso adorabilíssimo Salvador quis sofrer: em sua Encarnação, quando sua infinita grandeza se rebaixou até tomar a forma de um pobre menino, de um humilde escravo, encerrado no seio de sua criatura, e recebendo dela a vida; em seu nascimento, em meio da pobreza e da miséria; em toda sua infância, perseguido, desterrado e desprezado pelos homens; em sua adolescência e naquela grande obscuridade de Nazaré, passadas em um rude trabalho e no mais humilde silêncio; em sua vida pública, em sua penitência no deserto, em seus jejuns, em suas pregações, objeto sempre das calúnias e perseguições dos judeus; e finalmente, em sua dolorosa Paixão, na qual foi atormentado pelos demônios e pelos homens, esbofeteado, cuspido, tratado como um blasfemo e como um louco, escarnecido por todo seu povo, condenado à morte e cravado na cruz como o pior dos malfeitores. Que humilhações, que profundo rebaixamento! E era Deus!
Seu adorável Coração as aceitou com gozo, porque eram devidas ao pecador universal, ao pecador dos pecadores. Meus pecados mereciam todos esses golpes; e Ele levava todos os meus pecados.
E de que abatimentos, oh, Jesus, em vosso sepulcro, onde já não eras mais do que um cadáver; em vossa Eucaristia, onde velando vossos eternos esplendores sob as espécies sacramentais, tanto vos rebaixais por mim e expondo-vos a todos os sacrilégios e ultrajes que há mais dezoito séculos mancharam vosso tabernáculo; em vossa Igreja, tão desconhecida: em vossos Mártires e em vossos membros odiados e perseguidos! Pois bem, tantas humilhações Jesus quis sofrê-las todas, quis amá-las todas.
E eu, pecador, eu as temo como o fogo, e fujo delas com todas as forças do meu amor próprio e de minha cegueira! Quão diferente é meu coração do Coração do meu divino Mestre, abismado voluntária e gozosamente nas ignomínias que reparavam a desonra que a seu Pai fariam meus pecados; que me livraram das eternas confusões do inferno; que me mereciam as glórias do Paraíso; que eram remédio divino e onipotente de meu detestável orgulho, princípio de todos os meus pecados; que me traziam do céu a santa humildade, fundamento de todas as virtudes.
Coração de Jesus, modelo e origem da humildade, adoro-vos, amo-vos e me consagro a Vós para sempre. Humilíssima e dulcíssima Virgem Maria alcançai-me do Sagrado Coração de vosso divino Filho a graça das graças, que é a santa humildade.
Notas
[1] Peccata nostra sua esse voluit. (S. Aug.)
[2] Christus factus pro nobis maledictum. (Galat. III, 13.)
[3] Christus non sibi placuit. (Rom. XI, 3.)
[4] Joan. VIII, 44.
[5] Deus, propitius esto mihi pcccatori. (Luc. XVIII, 13.)

(*) Monsenhor de Ségur. El Sagrado Corazon de Jesus. pp. 160-166. Casa Editorial de Manuel Galindo y Bezares. 1888.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Os esforços do inferno não conseguiram impedir o estabelecimento e a propagação do culto do Sagrado Coração de Jesus

Sob pretexto de penitência e austeridade, e de um retorno mais perfeito às primitivas tradições do Cristianismo, os jansenistas se levantavam com todas as suas forças contra tudo o que há de consolador e misericordioso na Religião: a Comunhão frequente, a confiança na misericórdia divina, o amor e o culto à Santíssima Virgem, a magnificência do culto divino





Monsenhor de Ségur (*) | Sensus fidei: Quanto mais excelente e proveitoso para as almas fosse o culto do Sagrado Coração, mais devia temer-lhe o demônio e impedir seu estabelecimento por quantos meios lhe fora possível. Para seu intento serviu-se principalmente de uma nova seita nascida do calvinismo, e que logo, sob o nome de jansenismo, tomou proporções desoladoras em França.
Sob pretexto de penitência e austeridade, e de um retorno mais perfeito às primitivas tradições do Cristianismo, os jansenistas se levantavam com todas as suas forças contra tudo o que há de consolador e misericordioso na Religião: a Comunhão frequente, a confiança na misericórdia divina, o amor e o culto à Santíssima Virgem, a magnificência do culto divino. Aqueles hereges, de coração de ferro, sem amor de Deus nem dos homens, não podiam ver com bons olhos uma devoção toda impregnada de amor, qual é a do Sagrado Coração. Em uma série de abomináveis intrigas, de libelos difamatórios e de perseguições mais ou menos abertas, fizeram esforços desesperados para afogar em seu berço a devoção nascente do Sagrado Coração de Jesus. Em seu primeiro ensaio a representaram como supersticiosa, absurda, ridícula, ímpia; depois tentaram sublevar contra ela o clero, os fiéis e ainda alguns doutores em Teologia; trataram também de enganar os bispos; esforçaram-se em irritar contra ela o rei Luís XIV, o qual conseguiram momentaneamente. As iras dos hereges recaíram principalmente sobre a benemérita Companhia de Jesus, que em seu zelo ardente e contínuo pela salvação das almas, havia abraçado com amor muito digno dela a devoção do Sagrado Coração. A pobre sóror Margarida Maria foi objeto de burla; e suas luminosas revelações, não obstante o exame e aprovação da autoridade competente; aquelas revelações que Nosso Senhor havia confirmado com milagres, foram rotuladas de delírios.
Já antes a cólera do demônio e dos jansenistas se havia concentrado sobre um santo missionário que a Providência havia suscitado para preparar os caminhos à beata Margarida Maria, e à revelação propriamente dita dos mistérios do Coração de Jesus. Era este o Padre Eudes, discípulo do cardeal de Berulle e do Padre Condren, e amigo de São Vicente de Paula, do venerável Olier e do mais eminente em ciência e virtude que tinha o clero naquele século. Fazia mais de cinquenta anos que aquele admirável religioso, a quem o reverendo Olier chamava “maravilha de seu século”, enchia a França inteira com suas pregações apostólicas, e propagava a seu passo com fervor verdadeiramente inspirado o amor e o culto dos sagrados Corações de Jesus e Maria. Esta era sua devoção predileta, que comunicava, não somente aos povos, mas também ao clero e às Congregações religiosas. Com aprovação e sob os auspícios do Episcopado, fundou uma Congregação de missionários (os padres Eudistas), especialmente dedicada a este culto de amor; fundou seminários, capelas públicas, numerosas e florescentes irmandades que foram aprovadas oficialmente pela Santa Sé, e isto exatamente na mesma época que começava Jesus a revelar-se milagrosamente à beata Margarida no silêncio do mosteiro de Paray-le-Monial.
Com justa razão, portanto, pode e deve chamar-se também o Padre Eudes “apóstolo do Sagrado Coração de Jesus”. Desde 1645 teve a dita de ver que se lhe rendia culto solene nos seminários de sua Congregação e em muitas casas religiosas; e em 1671 vários bispos franceses aprovaram e autorizaram em suas dioceses, sempre às instâncias do Padre Eudes, tão admirável devoção, permitindo se celebrasse publicamente em honra do Sagrado Coração uma festa com Missa e Ofício próprios, que compôs aquele piedoso missionário, e que foram aprovados em duas ocasiões pela Santa Sé. Em 1674, ao tempo em que Nosso Senhor se revelava de um modo tão esplendoroso à beata Margarida Maria Alacoque, Clemente X dava por meio de seis Breves apostólicos a suprema sanção da Santa Sé à legitimidade do culto do Sagrado Coração.
O inferno se desencadeou mais furioso do que nunca contra o Padre Eudes, aproveitando a atitude verdadeiramente sacerdotal que havia tomado o santo missionário nas primeiras contendas com o galicanismo, que, como é sabido, haviam nascido das intrigas jansenistas. O generoso defensor dos direitos de amor a Jesus Cristo e da autoridade de seu Vigário, teve a glória de sofrer o desterro e a perseguição. Morreu à idade de mais de oitenta anos em odor de santidade.
Como a palavra de Deus não pode faltar, não tardaram em ver-se cumpridas as promessas feitas à venerável Alacoque, e o culto do Sagrado Coração se propagou maravilhosamente por todas as partes, produzindo abundantes frutos de graça e conversão. Outorgados já vários Breves de indulgências por diversos Papas, e erigidas com autoridade da Santa Sé muitíssimas Congregações para honrar com particular culto ao Sagrado Coração de Jesus, Clemente XIII concedeu em 1765 Ofício e Missa próprios do Sagrado Coração; elevando-os em seguida à categoria de primeira classe no rito. Pio VI, em sua memorável bula dogmática Auctorem fidei, condenou os erros e impugnações do jansenismo contra a devoção ao Coração divino de nosso adorável Salvador.[1] Pio VII, por um reescrito de 10 de março de 1802, concedeu indulgências aos que se associassem a esta devoção. Pio IX estendeu em 1856 à Igreja universal a festa do Sagrado Coração, que já se celebrava por privilégio quase em todas as dioceses; e por Breve de 19 de agosto de 1864 levou a honra dos altares a beata Margarida Maria Alacoque. Finalmente, para sempre memorável será o ano de 1875, em que Pio IX, movido de sua devoção ao sacratíssimo Coração e das multiplicadas súplicas do Episcopado e de alguns milhões de fiéis[2] dispôs que todos os filhos da Igreja católica se consagrassem solenemente ao Sagrado Coração de Jesus, dando a este objeto a sagrada Congregação de Ritos um decreto acompanhado do ato de consagração, que leva o selo da aprovação do Chefe supremo da Igreja. Em 16 de junho do mesmo ano o céu e aterra contemplaram um solene e magnífico espetáculo: o de todos os fiéis do mundo inteiro, sob o cajado de seus Pastores, oferecendo-se nos mesmos termos, e em união e por mediação do Soberano Pontífice, todos unidos em holocausto de perfeita e eterna consagração, ao santíssimo Coração de Jesus. Assim, no decurso de duzentos anos, a par dos ataques dos inimigos, continua ganhando terreno o mesmo culto tão rudemente atacado, até o ponto de chegar a ser considerada hoje a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, como a devoção providencial dos tempos modernos.
Também eu, amabilíssimo Salvador meu, quero me consagrar inteiramente a vosso adorável Coração. Infundi-me o espírito de vossa Igreja, que é vosso santo Espírito, vosso Espírito de amor. Nele, a sua luz divina, quero aprender a conhece-los, a adorá-los, a servi-los, a ganhar-lhes corações, a consolá-los de tantas ingratidões, a desagravá-los de tantos ultrajes. Vivei em meu entendimento pela fé, e pelo amor em meu coração, e dai-me vida de amor. Reinai, Senhor, agora e sempre em nossas famílias, em nossos governos, em nossa ciência, em nossas artes, em nossos exércitos, em nossas oficinas, em nossos costumes, em nossos corpos e em nossas almas, em tudo o que é nosso, sendo tudo para todos, e todos unicamente de Vós, convosco e para Vós no tempo e na eternidade.
(*) Monsenhor de Ségur. El Sagrado Corazon de Jesus. pp. 34-40. Casa Editorial de Manuel Galindo y Bezares. 1888.
Notas:
[1] Aquelas hereges, que não haviam podido impedir que a devoção do Sagrado Coração de Jesus fincasse fundas raízes nas almas piedosas, trabalharam por infundir em outras muitas, muito boas por outra parte, lamentáveis preocupações sobre tão santa devoção, que ainda hoje em dia subsistem em alguns. Para desvanecê-las cremos utilíssimas as considerações contidas em seu excelente livrinho que em nossos dias publicou o Ver. Padre Antonio Gació, da Companhia de Jesus, com o título “Declaração e Meditações dos Ofícios do Sagrado Coração de Jesus”, §§ 1.º e 2.º — Barcelona, Tipografia Católica, 1876.
[2] O Padre Chevalier, fundador e primeiro superior da Congregação de missionários do Sagrado Coração de Jesus em Issoudun, apresentou a Sua Santidade uma súplica subscrita em poucos meses por três milhões de católicos de todo o orbe, pedindo a consagração da Igreja e do mundo ao Sagrado Coração de Jesus, formando trinta volumes ricamente encadernados, um dos quais continha cartas de cento e sessenta bispos que apoiavam aquela petição. Esta oferenda, que chegava dos desejos expressos de alguns meses antes por Sua Santidade em manifestar ao mesmo Padre Chevalier “que se teria por ditoso de consagrar o mundo católico ao Sagrado Coração de Jesus se os fiéis o pedissem”, foi recebida pelo Papa com indizível júbilo, contestando ao sentido discurso que aquele lhe dirigiu, nos seguintes termos: “Três milhões! É todo um exército! Pois bem, vou colocar-me à sua frente, e iremos conquistar o mundo”.

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