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quarta-feira, 10 de junho de 2026
8 Funções do Anjo da Guarda
segunda-feira, 2 de outubro de 2023
SOB A PROTEÇÃO DOS ANJOS DA GUARDA
Fonte: Lou Pescadou nº 218 – Tradução: Dominus Est
O quarto livro de Reis relata que os sírios queriam prender o profeta Eliseu. Ao ver os soldados, o servo do profeta ficou com medo. Então Eliseu lhe disse: “Não temas; muitos mais estão conosco do que com eles. E Eliseu, fazendo oração, disse: Senhor, abre os olhos deste, para que veja. E o Senhor abriu os olhos do criado, e viu, e o monte apareceu cheio de cavalos e de carroças de fogo, ao redor de Eliseu. (4 Reis 6, 16-17). Fillion comenta: “Eliseu e seu servo contemplaram ao redor deles as tropas de anjos, enviados do alto para defendê-los.”
Esta passagem do Antigo Testamento nos revela a existência de anjos, que podem ser enviados por Deus para proteger os homens. De fato, é uma verdade de fé que Deus criou, do nada, no início dos tempos, seres espirituais, e que a tarefa secundária destes é a proteção dos homens e o cuidado com sua salvação. Quase todos os teólogos ainda acreditam – é, portanto, uma sentença comum – que todo homem, mesmo infiel, tenha um santo anjo particular desde seu nascimento. O Catecismo do Concílio de Trento fala disso na explicação do Pai Nosso: “Desde o nosso nascimento, Deus coloca os anjos para nossa guarda e os estabelece individualmente para velar pela salvação de cada um de nós.” Santo Tomás de Aquino ensina: “Assim como se dá um guarda aos homens que percorrem uma via insegura, assim todo o homem, que está aqui na terra como um peregrino, goza da guarda de um anjo.” Foi o Papa Clemente X, em 1670, que estabeleceu para a Igreja universal a Festa dos anjos da guarda em 2 de outubro.
Podemos nos perguntar quando “recebemos” este anjo: no nascimento ou no batismo? Santo Tomás de Aquino responde que é desde o nascimento (por isso todo homem tem um anjo), mas este anjo desempenha um novo papel a partir do batismo. E antes do nascimento? O mesmo teólogo afirma: “A criança, não estando separada de sua mãe, é confiada à guarda do anjo que vela por ela.”
Teria, Nosso Senhor, um anjo da guarda? Eis a resposta de Santo Tomás de Aquino: “Cristo, enquanto homem, sendo regido imediatamente pelo verbo de Deus, não precisava da guarda dos anjos. E, demais, era, pela alma, compreensor; mas era, em razão da passibilidade do corpo, viandante. E por isso, não lhe era devido, nenhum anjo custódio como superior, mas antes um anjo ministrante, como inferior. É por isso que o Evangelho diz: “Os anjos se aproximaram e O serviram” (Mt 4,11). Acrescentemos que no Horto das Oliveiras, um anjo vem especialmente para consolá-lo (Lc 22,43). E no momento de sua prisão, disse a São Pedro: Julgas porventura que eu não posso rogar a meu Pai, e que ele me não porá aqui logo mais de doze legiões de anjos? (Mt 26, 53)
Nosso Senhor falou também dos anjos da guarda das crianças: Vede, não desprezeis um só destes pequeninos, pois vos declaro que os seus anjos nos céus vêem incessantemente a face de meu Pai, que está nos céus (Mt 18,10). Ele evocou também suas frequentes relações com os anjos: Em verdade, em verdade vos digo, vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem. (Jo 1,51). Comentando este versículo, Fillion explica que Nosso Senhor estava em perpétua comunicação com o Céu, e os anjos estavam constantemente à sua disposição para cumprir suas vontades.
Os Padres da Igreja vêem três grandes funções desempenhadas pelos anjos da guarda e lhes dão três nomes específicos para isso. São João Crisóstomo fala do anjo da paz, porque ele protege a alma de problemas exteriores e interiores. O Pastor de Hermas evoca o anjo da penitência, porque ele pode nos repreender e nos punir quando nos desviamos do caminho certo. Santa Francisca Romana foi assim, um dia, esbofeteada por seu anjo depois de ter se comportado mal… Quanto a Tertuliano, ele fala do anjo da oração, porque o anjo da guarda transmite nossos pedidos a Deus e nos assiste na oração.
Santo Tomás de Aquino acrescenta que o anjo da guarda desempenha um papel tanto na alma quanto no corpo. Apresenta à inteligência as ideias que quer sugerir. Não força a vontade, mas pode excitá-la, ajudá-la na prática do bem. Ele é o guarda-costas. Sobre este assunto, pode surgir uma objeção: por que sempre há acidentes? Será que os anjos da guarda têm momentos de ausência? Não, claro que não, mas aqui tocamos no problema da permissão do mal. Deus não o quer, mas pode permitir, porque é poderoso o suficiente para obter dele um bem maior. Santo Tomás escreve mesmo: “Os anjos bons não nos afastam das ciladas do demônio, que devem servir para a salvação da nossa alma.” Podemos pensar também no que o Cura d’Ars costumava dizer: o anjo da guarda não entra nos bailes, fica à porta. Em outras palavras: também nos podemos colocar em ocasiões perigosas.
Portanto, não nos esqueçamos de nosso anjo da guarda. Rezemos a ele diariamente, recorramos a ele com frequência. O Pe. Calmel, em seu livro Os Mistérios do Reino da Graça, dá exemplos. “Quando estiveres prestes a ter uma entrevista, especialmente se temes que será difícil ou tempestuosa, é bom que confies em seu anjo; não na esperança de que vá mudar teu caráter ou o da pessoa que tens diante de ti; mas para além de poder limitar os danos que seus defeitos de caráter tenderiam a causar, teu anjo, se o invocares com piedade e perseverança, não deixará de inspirar teus pensamentos e sentimentos, durante e depois deste encontro, de modo que, ainda que falhes em algum deles, dará frutos espiritualmente e permitirá que cresças na caridade.”
O dominicano também pensa nos estudos. “Estás lidando com uma questão doutrinal particularmente difícil, dando voltas e invertendo as coisas, multiplicando leituras e pesquisas sem nunca conseguir colocar a questão em termos justos, nem vislumbrando a resposta, nem percebendo o que está em segundo plano, nem compreendendo a relação exata com as verdades reveladas? Bem, nesta aflição e neste labor, por que não recorres a este companheiro luminoso, que compreendeu a questão antes de ti e melhor do que ti, que nunca deixa de vê-la em um flash radiante cuja percepção é mais aguçada e melodiosa que a de todos os doutores humanos, porque é a percepção de um espírito puro?”
Não será surpresa descobrir que D. Lefebvre, em seu Itinerário Espiritual, fez eco a esta doutrina sobre os anjos da guarda: “Quão grande é o prejuízo causado às nossas almas por esquecermos este mundo espiritual de anjos mais numerosos do que os homens, mais perfeitos do que eles. A influência de anjos bons ou maus em nossas almas é muito mais importante do que pensamos. O simples fato de termos um anjo da guarda que nos vigia enquanto contemplamos a face de Deus deve nos encorajar a conversar com ele, a pedir seu socorro, para que ele nos ajude a conquistar a vida eterna e a compartilhar sua felicidade.”
Que Nossa Senhora dos Anjos nos ajude a ter uma justa devoção ao nosso anjo da guarda, que não caia no exagero nem no esquecimento.
Pe. Vicent Grave, FSSPX
Mais sobre os Anjos da Guarda podem ser vistos clicando aqui.
Clique aqui para ler a Meditação de Santo Afonso sobre os Anjos da Guarda.
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Para um bom entendimento sobre questões referentes aos anjos colocamos abaixo alguns links sobre o assunto:
- Se os homens são guardados pelos anjos
- Se cada homem é guardado por um anjo
- Se guardar os homens pertence só à Ínfima ordem dos anjos
- Se a todos os homens são delegados anjos da guarda
- Se o anjo é delegado para guardar o homem, desde o nascimento deste
- Se o anjo da guarda às vezes abandona o homem para cuja guarda foi deputado
- Se os anjos se contristam com os males dos que guardam
- Se entre os anjos pode haver luta ou discórdia
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sexta-feira, 28 de setembro de 2018
À VIRGEM MARIA: Amei-te com um amor eterno
Não estavam ainda formados os arcanos que Deus, eterno, infinito, sem limites, na imensidade de sua paz, planejava sobre as obras primas dignas dÊle.
Desde então concebia milhões e milhões de seres que refletissem os seus divinos pensamentos e que, no instante querido, e por Êle estabelecido, ao som da sua voz, surgissem obedientes às suas ordens tomando cada um o lugar que estava para eles assinalado.
Entre estas miríades de criaturas, haveria o homem, aquele homem que queria criar à sua imagem e semelhança.
Mas esta, a mais perfeita criatura que depois dos anjos deveria sair de suas mãos, logo que dotada de liberdade, se desviaria do seu divino plano: cometeria uma culpa e infringindo as suas leis, se afastaria dÊle para sempre. E Deus, em quem já palpitava um coração de pai, como poderia esquivar-se ao amor que sentia por esse homem, embora culpado? Não o ideava, justamente para receber dele um louvor eterno?
Ve-lo-ia pois perdido para sempre, tornado inútil para sua glória, tão estupenda obra criadora?
Oh! Não! Deus já o amava demasiado para não conceber um outro plano de amor, que reabilitando-o, o restituísse, de novo, às suas ternuras paternas; e pensou em dar-lhe um Redentor.
Por este homem culpado sacrificaria a si mesmo, na pessoa de seu único Filho, que mandaria à Terra, fazendo-o assumir uma natureza humana, que unida à divina, fosse em tudo - exceto no pecado - semelhante ao homem. É o homem que cometeu a culpa, e Deus quer que seja resgatado por um outro homem, ou melhor por um Homem Deus; a Ele competiria reunir a criatura ao Criador.
Mas, como se isto ainda fosse pouco, como se Seu amor não estivesse ainda saciado, quis que estas criaturas tivessem também uma Mãe; e pôs ao lado de Jesus uma medianeira: o Verbo humanado o resgataria mediante o próprio sangue e a Mãe o teria ajudado nesta obra redentora, salvando-o mediante a dor e as inefáveis ternuras de um coração materno.
Maria, a humilde Virgem de Nazaré, foi como o complemento dos grandes e eternos ideais de Deus. Ela - como dizem alguns Padres da Igreja - é uma espécie de imagem da Santíssima Trindade; é por assim dizer, um lago tranquilo de águas transparentes, sobre as quais, não obstante a distância, refletem-se de maneira clara e fiel os maravilhosos atributos de Deus e suas celestes sublimidades. Deus a concebeu na beleza mais perfeita, luz mais resplandecente e a enriqueceu com a plenitude da graça, como convinha a uma criatura destinada a ser mãe de Deus; e fez tudo isto, não no tempo, não em momento dado, mas deste toda a eternidade.
Maria, esta criatura tão sublime e excelsa, convida todos os filhos a se concentrarem em torno dele, quer que ouçam sua voz, quer sigam a luz dos seus exemplos, pois quem encontrou Maria encontrou Jesus e encontrando Jesus encontra a graça, a vida da alma e a eterna bem-aventurança. Ela é uma criatura vestida de sol eterno como a viu São João no Apocalipse, mas se é a plenitude da graça, é também uma criatura vestida e coberta de compaixão e de misericórdia por nós pecadores. Possue um coração expressamente criado por Deus para acolher em si todo o oceano das misérias humanas, para dar guarida às fraquezas inerentes à natureza corrupta e apertar entre os braços o pecador que, embora sabendo-a toda pura, toda bondade, toda misericórdia se refugia em seu coração, certo de que ela o ouvirá cheia de compaixão, obtendo-lhe daquele Criança que se assenta ao colo, graça, misericórdia e perdão.
É justamente o atrativo que emana de sua inocência e de sua beleza que atrai a si as almas, muitas das quais mergulhadas na lama do vício e do pecado.
A Mãe de Deus é também Mãe do pecador, a Mãe do Juíz e do filho transviado, reconciliará entre si estes dois filhos, obtendo do fruto de seu seio, para aquele que vê arrependido a seus pés, o ingresso na pátria celeste.
Se é pelo amor que Jesus tem aos homens, que obtemos misericórdia e perdão, é também pelo amor daquela que Ele chama com suave nome de Mãe; se Jesus é caminho, verdade e vida, se ninguém vai ao Pai se não por Ele, também não se chega a Jesus se não por Maria. Somente Jesus nos salvará, é verdade, mas ao seu lado há sempre uma medianeira, a Mãe celeste que começa a obra da nossa salvação afim de consumá-la na de nossa santificação.
Muitas e muitas vezes cairemos feridos na luta contra o inimigo mas a mão acariciadora de Maria, pousando delicadamente sobre as feridas as aliviará e as curará.
Portanto tenhamos confiança: confiança em Deus que nos amou antes que o mundo existisse, confiança em Jesus que deixou o seu belo céu para encarnar-se, sofrer e morrer por nós: confiança ilimitada na sua e nossa Mãe, porque é ela um manancial inexaurível de bens espirituais, e o canal pelo qual, sobre nós, se derramam todas as graças e todos os dons...
Minha Mãe, minha confiança!
Oh! Se a alguma alma faltar, ainda coragem de chamar Deus com o belo nome de Pai, se ainda titubear em invocar Jesus com o doce nome de Salvador, não hesite mais: olhe para Maria, invoque Maria, chame Maria: Ave-Maria!
Livro: Minha Mãe, Minha Confiança, Vida da Santíssima Virgem
Carmelitas de S. M. Madalena de Pazzi
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
São Padre Pio e o Anjo da Guarda
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