O grande Tomás de Kempis, célebre autor considerado da obra: "A Imitação de Cristo", sendo menino, costumava todos os dias recorrer à Virgem Maria, com certas orações. Um dia, porém, delas se esqueceu, e depois omitiu-as durante umas semanas. Finalmente, as abandonou por completo. Certa noite, viu em sonho como Maria abraçava os seus companheiros, mas em lhe chegando a vez de ser abraçado, ela disse:
Que esperas de mim, tu que deixaste as tuas devoções?
Afasta-te, que és indigno de um abraço meu.
– Tomás despertou aterrorizado e recomeçou com as costumadas devoções.¹
Ao passar dos anos, Tomás de Kempis teve profunda devoção a Jesus Cristo na Eucaristia e também à Virgem Maria, vivendo a maior parte de sua vida no mosteiro de Agnietenberg, nos Países Baixos, onde escreveu diversas obras espirituais.
E ele continua dizendo:
"Saudai-a com a Ave-Maria, diz Tomás de Kempis, porque ela gosta muito dessa saudação".
A Santa Mãe de Deus prometeu a Santa Gertrudes tantos auxílios na hora da morte, quantas Ave-Marias lhe houvesse recitado em vida. Alano de Rupe afirma que, ao ouvir essa saudação angélica, ou seja, "Ave-Maria" alegra-se o céu, treme o inferno e foge o demônio. Com efeito, atesta-o Tomás de Kempis, pois com uma Ave-Maria pôs em fuga o demônio.
Com efeito, a partir desse relato, podemos fazer uma breve exame de consciência:
Tenho sido fiel às minhas orações diárias ou tenho as abandonado por negligência?
As minhas devoções me aproximam mais de Deus ou as considero algo sem importância pra minha vida?
O que aconteceria com minha alma se eu começasse a abandonar pouco a pouco minhas orações diárias?
Tenho consciência de que as pequenas infidelidades de hoje podem se tornar grandes afastamentos amanhã?
Quando falho em minhas práticas espirituais, procuro recomeçar prontamente, como fez Tomás de Kempis acima?
Tenho recorrido à Virgem Maria com confiança filial nos momentos de tentação e dificuldade na caminhada?
A oração da Ave-Maria faz parte do meu dia ou apenas quando a cruz pesa?
Reconheço que a perseverança nas pequenas devoções fortalece a alma para as grandes provações?
Tenho cultivado um amor sincero e procurado ser digno da amizade de Jesus e de Sua Mãe Santíssima por meio de uma vida cristã coerente?
Assim...
A vida espiritual não se perde de uma vez, mas se perde muitas vezes por pequenas negligências repetidas. Façamos como Tomás de Kempis ao ter correspondido prontamente ao aviso recebido e recomeçado com humildade. Felizes aqueles que as acolhem sem demora. A devoção filial e perseverante à Santíssima Virgem não diminui em nada o amor devido unicamente a Deus; ao contrário, conduz a alma com maior segurança até Ele, pois ninguém O amou, serviu e glorificou nesta terra com tanta perfeição quanto Sua Mãe Santíssima. Cada Ave-Maria rezada com fé é um ato de amor filial que une a alma, àquela que mais perfeitamente amou e serviu a Nosso Senhor Jesus Cristo.
— Referência:
¹ [Glórias de Maria por Santo Afonso Maria de Ligório - Tratado IV. Práticas de Devoção em Honra de Maria Santíssima]
E as almas dos fiéis defuntos pela misericórdia de Deus descansem em paz!
℣. Dai-lhes Senhor, o descanso eterno.
℟. E a luz perpétua os ilumine.
Descansem em paz. Amém.
℣. Senhor, escutai a minha oração,
℟. E chegue até vós o meu clamor.
"Para Cristo,
por Maria e José,
em súplicas pelas
almas do purgatório".

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