O Venerável Luís de Blois, conta que um piedoso servo de Deus foi visitado por uma alma do purgatório que lhe fez conhecer os tormentos horríveis que padecia. Estava sofrendo muito por ter recebido a Santa Comunhão sem preparação devida.
– “Meu amigo, diz a pobre alma num gemido, eu te rogo que faças por minha alma uma Comunhão bem fervorosa”
O amigo piedoso assim o fez e sem demora. Esta boa Comunhão obteve o que havia pedido a pobre alma, que se viu livre do suplício. Apareceu cheia de gratidão a feliz alma salva (liberta do estado de purificação).
– “Graças, mil graças, meu querido amigo. Vou contemplar a face de meu Deus para sempre!”
Assim...
Uma Comunhão recebida com humildade, mesmo na fraqueza, pode transformar a alma profundamente. Mas uma Comunhão recebida com indiferença e sem preparação, Cristo vem, mas encontra o coração como uma porta fechada.
De forma direta, a Igreja sempre destacou três passos fundamentais para uma boa Comunhão:
1. Estar em estado de graça:
Sem isso, não há verdadeira disposição. Se a pessoa tem consciência de pecado grave, deve primeiro buscar a confissão. São Paulo Apóstolo já advertia com clareza: quem come e bebe, O Corpo e o Sangue do Senhor indignamente, come e bebe a própria condenação (cf. 1Cor 11,27-29).
2. Ter fé e intenção reta:
Preparar-se é reacender a consciência: “Quem eu vou receber?” — não algo, mas Alguém. É saber Quem está recebendo: o próprio Cristo. Não é um gesto meramente automático, a pessoa está presente com o corpo, mas ausente com o coração. Basta um ato interior simples e sincero: crer, desejar e querer receber com amor.
3. Preparar-se com reverência (antes e depois):
Antes: recolhimento, oração, evitar distração.
Depois: ação de graças, permanecer alguns minutos com Cristo, agradecendo e se unindo a Ele.
Preparar-se não exige longos discursos interiores. Às vezes, basta algo muito simples e muito sério: parar, silenciar, reconhecer e amar.
Por outro lado, no relato, há um ponto de grande importância: uma única Comunhão bem feita, com fé e caridade, tem um valor imenso, não só para quem recebe, mas até para o auxílio das benditas almas do Purgatório. Se a Comunhão é o maior encontro que podemos ter nesta vida, então ela também é uma das maiores responsabilidades. Comungar bem é, antes de tudo, um ato de amor a Deus. Pois,
• ajuda a ordenar a nossa própria alma, curando, fortalecendo e purificando;
• e, ao mesmo tempo, podemos por caridade oferecer os frutos espirituais da comunhão pelas as almas do purgatório.
Que cada Comunhão nossa possa ser um ato de reparação, de caridade e de intercessão, tanto para nós e pelas almas do purgatório.
— Referência:
[BRANDÃO, Monsenhor Ascânio. Tenhamos Compaixão das Pobres Almas! 30 Meditações e Exemplos sobre o Purgatório e as Almas]
E as almas dos fiéis defuntos pela misericórdia de Deus descansem em paz!
℣. Dai-lhes Senhor, o descanso eterno.
℟. E a luz perpétua os ilumine.
Descansem em paz. Amém.
℣. Senhor, escutai a minha oração,
℟. E chegue até vós o meu clamor.
"Para Cristo,
por Maria e José,
em súplicas pelas
almas do purgatório".

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