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sábado, 6 de agosto de 2022

Um tempo precioso

 




A doença, dizia São Vicente de Paulo, é um estado quase insuportável à natureza. E, contudo, é ela um dos mais poderosos meios de que Deus se serve para nos fazer entrar no cumprimento de nossos deveres, para desligar-nos dos afetos ao pecado e para nos encher com os dons de Sua graça. É pela doença que as almas se purificam e as que não são virtuosas encontram um meio eficaz de o ser. Nenhum estado há mais próprio do que este para a prática do bem.

São Camilo de Lelis teve cinco longas e dolorosas enfermidades, que ele chamava de “misericórdias do Senhor”.

A doença, se fere o corpo, cura muitas vezes a pobre alma enferma. Salviano costumava dizer que a doença é um meio tão comum de santificação para as almas, que muitas pessoas nunca chegariam à santidade se gozassem de uma boa saúde.

E por que é assim tão precioso o tempo da doença? Porque na enfermidade se exercita maravilhosamente a fé, brilha a esperança com mais esplendor, a resignação, o amor de Deus, todas as virtudes aí encontram matéria ampla para se exercer.

O verdadeiro tempo de expiar os pecados e de experimentar a graça do perdão é o da doença, diz Bossuet. Enquanto esse espinho nos fere e incomoda, pesa sobre nós a Mão de Deus e Ele próprio nos impõe a penitência, segundo a medida da Sua infinita Misericórdia.

Para que não percamos um tesouro tão grande do Céu, como o que nos vem pela doença, Nosso Senhor só nos impõe uma condição: a que aceitemos conformados e resignados a Sua Santíssima Vontade. Então, por que não aproveitar bem a doença, já que a temos de sofrer de qualquer modo? Um dia tudo isso veremos claramente no Céu e abençoaremos a Mão de Deus, que nos fez sofrer! Bendigamos a Mão de Deus que nos fere!

- Referência:

(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 40 e p.107)

"E as almas dos fiéis pela misericórdia de Deus descansem em paz! — Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno!"

"Para Cristo, por Maria, nem súplicas pelas almas do purgatório"

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

ᴀꜱ ᴏʙʀᴀꜱ ᴅᴏ ʜᴏᴍᴇᴍ ᴏ ʜá ᴅᴇ ꜱᴇɢᴜɪʀ ᴅᴇᴩᴏɪꜱ ᴅᴀ ᴍᴏʀᴛᴇ



Contam piedosos autores esta parábola tão expressiva: Um homem tinha três amigos. Dois lhe eram muito queridos. O terceiro nem por isso. Um dia foi acusado e levado ao tribunal da Justiça. Chamam os amigos para o defender. O primeiro escusou-se. Tinha negócios e família, era impossível! O segundo foi até a porta do Tribunal e o deixou. O terceiro o acompanha sempre fiel, defende-o com ardor, dá testemunho de sua inocência e salva o acusado do castigo.

Assim, o homem tem neste mundo três amigos: o dinheiro, os parentes e as boas obras. O dinheiro o abandona na morte, quando há de comparecer no Tribunal da Justiça de Deus. Os parentes o levam a beira da sepultura e o deixam: e o esquecem depois. O terceiro amigo – as boas obras, a caridade praticada, as obras de misericórdia, tudo quanto o homem fez de bom neste mundo, só isto o acompanha e o defende no Tribunal da Justiça de Deus.

Pois bem. Neste mundo toda sorte de boas obras sejam os nosso amigos. Tudo o mais falha. Diz São João que as obras do homem o há de seguir depois da morte:

- "Opera enim illorum squntum illos."

Socorramos o pobre em sufrágio dos mortos. Praticaremos dupla obra de caridade. E tenhamos a certeza de Aquele Deus de Misericórdia não deixará que se perca nossa pobre alma no Tribunal do Dia do Juízo. Eis porque rezar pelos mortos, socorrer as almas do purgatório na prática da caridade pela esmola, é das maiores riquezas do cristão neste mundo.

O Livro Eclesiástico ensina que “assim como a água extingue o fogo mais ardente, assim a esmola apaga o pecado”. (Eclesiástico IV,1-10).

- Mons. Ascânio Brandão

 

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