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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Pensamentos do Cura d'Ars

XXVII -   O perdão das ofensas.



O Bom Deus não perdoará senão aqueles que tiverem perdoado: é a lei.

Os santos não tem ódio, não tem fel; perdoam tudo, e acham sempre que merecem muito mais pelas ofensas que fizeram ao bom Deus. Porém os maus cristãos são vingativos. 

Desde que odiemos o próximo, Deus nos retribui esse ódio: é uma seta que se volta contra nós. Eu dizia um dia a alguém: "Mas então vós não quereis ir para o céu, já que não quereis ver esse homem ! - Oh! sim... mas nós trataremos de ficar longe um do outro, para não nos vermos". Eles não terão esse trabalho: porquanto a porta do céu é fechada ao ódio. 
O meio de derrubar o demônio, quando nos suscita pensamentos de ódio contra os que nos fazem mal, é rezar logo por eles. 

Fonte: São Pio V

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Pensamentos do Cura d'Ars.

XXIII - Não se pode ir para o céu sem sofrer.

  
Quer queira, quer não, há que sofrer. Há uns que sofrem como o bom ladrão, e outros como o mau. ambos sofriam igualmente. Mas um soube tornar os seus sofrimentos meritórios: e o outro expirou no desespero mais horrendo.
Há dois modos de sofrer: sofrer amando e sofrer sem amar. Os santos sofriam tudo com paciência, alegria e perseverança, porque amavam. Nós, nós sofremos com cólera, despeito e enfado, porque não amamos. Se amassemos a Deus, seríamos felizes de poder sofrer por amor d'Aquele que se dignou sofrer por nós.
No caminho da cruz, meus filhos, só o primeiro passo custa. É o temor das cruzes que é a nossa maior cruz...
Não se tem a coragem de carregar a própria cruz, faz-se muito mal; porquanto, façamos o que fizermos, a cruz nos apanha, não lhe podemos escapar.
Que temos então a perder? Porque não amarmos as nossas cruzes e nos não servirmos delas para irmos para o céu ?... Mas, ao contrário, a maioria dos homens voltam as costas às cruzes e fogem diante delas. Quanto mais correm, tanto mais a cruz os persegue, tanto mais os fustiga e os esmaga de pesos...
Se o bom Deus nos manda cruzes, nós nos agastamos, nos queixamos, murmuramos, somos tão inimigos de tudo o que nos contraria, que quereríamos sempre estar numa caixa de algodão; mas é numa caixa de espinhos que nos deveríamos pôr.
É pela cruz que se vai para o céu. As moléstias, as tentações, as penas são outras tantas cruzes que nos conduzem ao céu. Tudo isso em breve terá passado...  Vede os santos que chegaram antes de nós... o bom Deus não pede de nós o martírio do corpo, pede-nos só o martírio do coração e da vontade... Nosso Senhor é nosso modelo; tomemos a nossa cruz e sigamo-lo . Façamos ainda como os soldados de Napoleão. Era preciso atravessar uma ponte sobre a qual atiravam a metralha; ninguém ousava passar. Napoleão tomou a bandeira e marchou por primeiro.
A cruz é a escada do céu. Como é consolador sofrer sob os olhos de Deus, e poder dizer a si, a noite, no exame de consciência: "Eis,  minha alma tiveste hoje duas ou três horas de semelhança com Jesus Cristo: foste flagelada, coroada de espinhos, crucificada com ele !..." Oh! que tesouro para a morte ! Como é bom morrer quando se viveu na cruz !
Se alguém vos dissesse: "Eu bem queria ficar rico, que devo fazer?" vós lhe responderíeis: "É preciso trabalhar". Pois bem, para ir para o céu é preciso sofrer.
Sofrer ! Que importa? É só um momento. Se pudéssemos ir passar oito dias no céu, compreenderíamos o valor desse momento de sofrimento. Não acharíamos cruz bastante pesada, provação bastante amarga...

Fonte: São Pio V

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Pensamentos do Cura d'Ars.


XVI -  O sacramento da reconciliação .

Meus filhos, não se pode compreender a bondade que Deus teve para conosco instituindo esse grande sacramento de penitência...
Se  disséssemos aqueles pobres condenados que estão no inferno desde tanto tempo: "Vamos pôr um padre à porta do inferno. Todos os que quiserem se confessar tem só que sair"; meus filhos, acreditais que ficasse um só? Os mais culpados não receariam dizer seus pecados, e até dizê-los perante toda gente. Oh! como o inferno depressa ficaria deserto, e como o céu se povoaria ! Pois bem ! nós temos o tempo e os meios que aqueles pobres condenados não tem.
Meus filhos, desde que se tem uma mancha na alma, há que se fazer como uma pessoa que tem um belo globo de cristal que guarda bem cuidadosamente. Se esse globo recebe um pouco de poeira, quando ela o percebe passa-lhe depressa uma esponja, e eis o globo claro e brilhante!
É belo pensar que temos um sacramento que cura chagas da nossa alma ! Mas cumpre recebê-lo com boas disposições. Do contrário, são novas chagas sobre as antigas.
Que direis de um homem todo coberto de feridas e que agisse do modo seguinte? Aconselham-lhe ir para o hospital. Ele vai; o médico cura-o dando-lhe remédios. Eis porém, esse homem que toma a sua faca , dá em si grandes golpes e se faz maior mal do que tinha antes. Pois bem, é o que fazeis muitas vezes saindo do confessionário, quando recais nos mesmos pecados.
Há uns que profanam o sacramento faltando a sinceridade. Terão ocultado pecados mortais, há dez anos, vinte anos. São sempre atormentados; sempre o seu pecado esta presente ao espírito; sempre tem o pensamento de dizê-lo, e sempre afastam esse pensamento; é um inferno!... 
Quando fizerdes uma boa confissão, tereis acorrentado o demônio.
Os pecados que ocultarmos reaparecerão todos. Para ocultar bem os próprios pecados, há que confessá-los bem

Fonte: São Pio V

domingo, 17 de março de 2013

Amemos o bom Deus - S. Cura D'Ars



O homem criado por amor não pode viver sem amor: ou ama a Deus ou ama o mundo. Aquele que não ama a Deus apega o seu coração a coisas que passam como a fumaça.

Quanto mais conhecemos os homens, tanto menos os amamos. É o contrário relativamente a Deus: quanto mais o conhecemos, tanto mais o amamos. Esse conhecimento abrasa a alma de tão grande amor, que ela não pode mais amar nem desejar senão a Deus...

O amor de Deus é um antegozo do céu: se soubéssemos frui-lo, oh! como seríamos felizes! O que faz que sejamos infelizes é não amarmos a Deus.

Há pessoas que não amam o bom Deus, que não lhe rezam e que prosperam; é mau sinal! Têm feito um pouco de bem através de muito mal. O bom Deus recompensa-os nesta vida.

Cumpre fazer com os pastores nos campos durante o inverno: acendem fogo: mas de quando em quando correm a apanhar lenha de todos os lados para alimentá-lo. Se soubéssemos, como os pastores, alimentar sempre o fogo do amor de Deus no nosso coração mediante orações e boas obras, ele não se apagaria.

S. João Maria Vianney, Pensamentos Escolhidos do Cura D'Ars

Fonte:

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