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terça-feira, 18 de março de 2025

Coisas para fazer em tempo de Quaresma

 

Concedamos àqueles que pecaram contra nós o que a bondade de Deus nos concedeu a nós. Esqueçamos as injustiças, deixemos as culpas sem castigo, e que nenhum daqueles que nos ofenderam receie ser pago na mesma moeda.

Todos sabemos que somos pecadores; ora, a fim de recebermos o perdão pelos nossos pecados, deve alegrar-nos o facto de termos a quem perdoar. Deste modo, quando dissermos, seguindo o ensinamento do Senhor: «Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido» (Mt 6, 11), podemos estar seguros de obter a misericórdia de Deus.

São Leão Magno, Papa e doutor da Igreja - 10.ª Homilia para a Quaresma

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

São Leão Magno explica-nos a Quaresma

 

Há muitas batalhas dentro de nós: a carne contra o espírito, o espírito contra a carne. Se, na luta, são os desejos da carne que prevalecem, o espírito perderá vergonhosamente a sua dignidade própria e isto será uma grande infelicidade. De rei que deveria ser, torna-se escravo. Se, ao contrário, o espírito se submete ao seu Senhor, põe a sua alegria naquilo que vem do céu, despreza os atractivos das volúpias terrestres e impede o pecado de reinar sobre o seu corpo mortal, a razão manterá o ceptro que lhe é devido. 

Nenhuma ilusão dos maus espíritos poderá derrubar os seus muros; porque o homem só tem paz verdadeira e a verdadeira liberdade quando a carne é regida pelo espírito, seu juiz, e o espírito governado por Deus, seu mestre.

É, sem dúvida, uma preparação que deve ser feita em todos os tempos: impedir, através de vigilância constante, a aproximação dos espertíssimos inimigos. Mas é preciso aperfeiçoar essa vigilância com ainda mais cuidado, e organizá-la com maior zelo, nesta época do ano, quando os nossos pérfidos inimigos redobram também a astúcia das suas manobras. Eles sabem muito bem que esses são os dias da santa Quaresma e que passamos a Quaresma a castigar todas as molezas, a apagar todas as negligências do passado; usam então todo o poder da sua malícia para induzir em alguma impureza aqueles que querem celebrar a santa Páscoa do Senhor; mudar para ocasião de pecado o que deveria ser uma fonte de perdão.

Meus caros irmãos, entramos na Quaresma, isto é, numa fidelidade maior ao serviço do Senhor. É como se entrássemos e num combate de santidade. Então preparemos as nossas almas para o combate das tentações e saibamos que quanto mais zelosos formos pela nossa salvação, mais violentamente seremos atacados pelos nossos adversários. 

Mas aquele que habita em nós é mais forte do que aquele que está contra nós. A nossa força vem d’Aquele em quem pomos a nossa confiança. Pois se o Senhor se deixou tentar pelo tentador foi para que tivéssemos, com a força do seu socorro, o ensinamento do seu exemplo. Acabaste de ouvi-lo. Ele venceu o seu adversário com as palavras da lei, não pelo poder de sua força: a honra devida à Sua humanidade é maior, maior também é a punição do Seu adversário se Ele triunfa sobre o inimigo do género humano não como Deus, mas como homem.

Assim, Ele combateu para que combatêssemos como Ele; Ele venceu para que também nós vencêssemos da mesma forma. Pois, meus caríssimos irmãos, não há actos de virtude sem a experiência das tentações, a fé sem a provação, o combate sem um inimigo, a vitória sem uma batalha. A vida passa-se no meio das emboscadas, no meio dos combates. Se não quisermos ser surpreendidos, é preciso vigiar; se quisermos vencer, é preciso lutar. 

Eis por que Salomão, que era sábio, diz: "Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, prepara a tua alma para a provação." (Ecl. 2,1). Cheio da sabedoria de Deus, sabia que não há fervor sem combate laborioso; prevendo o perigo desses combates, anunciou-os de antemão para que, advertidos dos ataques do tentador, estivéssemos preparados para aparar os seus golpes.

São Leão Magno, Papa - Sermão sobre a Quaresma

https://senzapagare.blogspot.com

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

A nenhum cristão é permitido odiar seja quem for

 

A nenhum cristão é permitido odiar seja quem for, porque ninguém é salvo senão graças ao perdão dos pecados. Que o povo de Deus seja, pois, santo e bom: santo, para se afastar daquilo que é proibido, bom para realizar aquilo que é mandado. Grande coisa é ter uma fé reta e uma doutrina santa; é louvável reprimir a gula, ter uma doçura e uma castidade irrepreensíveis; mas estas virtudes nada são sem a caridade. 

Meus queridos, todos os tempos convêm para se realizar o bem da caridade, mas a quaresma convida-nos especialmente a fazê-lo. Aqueles que desejam acolher a Páscoa do Senhor com santidade de espírito e de corpo devem esforçar-se, antes de mais, por adquirir esse dom que contém a essência das virtudes e que «cobre a multidão dos pecados» (1Ped 4,8). 

Assim pois, agora que nos preparamos para celebrar o mistério que ultrapassa todos os outros, aquele pelo qual o sangue de Cristo apagou as nossas culpas, preparemos antes de mais os sacrifícios da misericórdia. Concedamos àqueles que pecaram contra nós o que a bondade de Deus nos concedeu a nós. Esqueçamos as injustiças, deixemos as culpas sem castigo, e que nenhum daqueles que nos ofenderam receie ser pago da mesma moeda.

Todos sabemos que somos pecadores; ora, a fim de recebermos o perdão pelos nossos pecados, deve alegrar-nos o facto de termos a quem perdoar. Deste modo, quando dissermos, seguindo o ensinamento do Senhor: «Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido» (Mt 6,11), podemos estar seguros de obter a misericórdia de Deus.

São Leão Magno in 10.ª Homilia para a Quaresma 

sexta-feira, 24 de março de 2023

A nenhum cristão é permitido odiar seja quem for

 

A nenhum cristão é permitido odiar seja quem for, porque ninguém é salvo senão graças ao perdão dos pecados. Que o povo de Deus seja, pois, santo e bom: santo, para se afastar daquilo que é proibido, bom para realizar aquilo que é mandado. Grande coisa é ter uma fé reta e uma doutrina santa; é louvável reprimir a gula, ter uma doçura e uma castidade irrepreensíveis; mas estas virtudes nada são sem a caridade. 

Meus queridos, todos os tempos convêm para se realizar o bem da caridade, mas a quaresma convida-nos especialmente a fazê-lo. Aqueles que desejam acolher a Páscoa do Senhor com santidade de espírito e de corpo devem esforçar-se, antes de mais, por adquirir esse dom que contém a essência das virtudes e que «cobre a multidão dos pecados» (1Ped 4,8). 

Assim pois, agora que nos preparamos para celebrar o mistério que ultrapassa todos os outros, aquele pelo qual o sangue de Cristo apagou as nossas culpas, preparemos antes de mais os sacrifícios da misericórdia. Concedamos àqueles que pecaram contra nós o que a bondade de Deus nos concedeu a nós. Esqueçamos as injustiças, deixemos as culpas sem castigo, e que nenhum daqueles que nos ofenderam receie ser pago da mesma moeda.

Todos sabemos que somos pecadores; ora, a fim de recebermos o perdão pelos nossos pecados, deve alegrar-nos o facto de termos a quem perdoar. Deste modo, quando dissermos, seguindo o ensinamento do Senhor: «Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido» (Mt 6,11), podemos estar seguros de obter a misericórdia de Deus.

São Leão Magno in 10.ª Homilia para a Quaresma 

Fonte: 

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