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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Como o nosso doce Salvador nos amou a cada um em particular.

  

Considerai o amor com que Jesus tanto sofreu neste mundo, e particularmente no Jardim das Oliveiras e no Calvário. Este amor vos contemplava e por todas as suas feridas, chagas e fadigas obtinha de Deus Pai, boas resoluções e santos protestos para o vosso coração e tudo quanto vos era necessário para conservardes e fortificardes estas resoluções. Oh! resoluções, quão preciosas sois por serdes o fruto da paixão do meu Salvador! 

Oh! quanto vos deve amar a minha alma pois tão caras sois ao meu Jesus! Oh! Salvador da minha alma, vós morrestes para me adquirirdes resoluções; fazei-me pois a graça de antes morrer do que perdê-las.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Como Nosso Senhor pratica os mais e excelentes atos de amor.

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Jesus amou-nos com um amor de complacência, porque as suas delícias foram estar com os filhos dos homens e atrair os homens a si, fazendo-se Ele próprio homem. Amou-nos com um amor de benevolência, fazendo compartilhar ao homem a sua divindade, de forma que o homem fosse Deus. 

 Uniu-se a nós com uma união tão incompreensível, que se uniu e aderiu à nossa natureza tão forte, indissolúvel e infinitamente, que nada jamais se uniu tanto à humanidade como agora a santíssima  divindade na pessoa do Filho de Deus. Derramou-se todo em nós, e, por assim dizer, fundiu a sua grandeza reduzindo-a à nossa pequenez, e é assim que ele é chamado fonte de água viva, orvalho e chuva celeste. Esteve em êxtase, não só como diz São Dionísio, porque, em razão do excesso da sua amorosa bondade ficou como fora de si, estendendo a sua providência sobre tudo e encontrando-se em tudo, mas, como diz São Paulo, deixou-se a si mesmo, despojou-se da sua gradeza e da sua glória e demitiu-se do trono da sua incompreensível Majestade, e por assim dizer aniquilou-se para se unir à nossa humanidade, encher-nos com a sua divindade e bondade, elevar-nos à sua dignidade e dar-nos o divino título de filhos de Deus.

 E aquele do qual se escreveu: "Eu vivo por mim mesmo, diz o Senhor", poderia dizer com o Apóstolo: "Não sou eu que vivo por mim; é o homem, que vive em mim. A minha vida é o homem, e morrer pelo homem é o que me agrada; a minha vida esta oculta com o homem em Deus".

 O que habitava em si mesmo, habita agora em nós, e o que estava de toda a eternidade no seio de seu Pai Eterno, veio habitar, tornando-se mortal, no seio de sua Mãe temporal; o que vivia eternamente da sua vida divina, veio viver temporalmente da vida humana, e o que foi Deus de toda a eternidade será doravante homem eternamente, a tal ponto o arrebatou o amor do homem. Muitas vezes admirou-se, por amor, como fez com o Centurião e com a Cananéia. Contemplou o jovem que até então tinha guardado os mandamentos e que desejava ser encaminhado à perfeição. Demorou-se com quietação em nós e mesmo com alguma suspensão de sentidos no seio de sua Mãe e na sua infância. Foi terno para as criancinhas, que tomava nos braços e acariciava amorosamente; para com Marta e Madalena, para com Lázaro, que chorou, e para com a cidade de Jerusalém.

 Animou-se em um zelo sem igual, que, como diz São Dionísio, se converteu em ciúme; remindo todo o mal da sua amada natureza humana com o preço da sua própria vida; expulsando o demônio, príncipe deste mundo, que parecia ser seu rival e companheiro. Teve mil delíquios amorosos; pois donde podiam provir estas divinas palavras: "Eu devo receber o batismo, e como estou angustiado até que o receba?" Aguardava a hora de ser batizado no seu sangue e angustiava-se por ele não chegar: impelindo-o o seu amor a ver-nos livres pela sua morte da morte eterna. Assim permaneceu triste e suou sangue no jardim das Oliveiras, não só pela extrema dor que a alma sentiu na parte inferior da razão, pois que a dor lhe dava horror da morte e o amor fazia-lhe desejável, de forma que houve um rijo combate e uma cruel agonia entre o desejo e o horror da morte, que chegou a uma grande efusão de sangue, manando como de uma fonte viva por sobre a terra. Enfim este Deus amoroso morreu nas chamas do seu amor pela infinita caridade que tinha para conosco e pela força e virtude do amor; isto é, morreu de amor, por amor, em amor e para amar. Porque embora os cruéis suplícios fossem suficientes para fazer morrer quem quer que fosse, embora a morte não pudesse entrar na vida d'Aquele que tem as chaves da vida e da morte, se o amor divino que maneja estas chaves não tivesse aberto as portas à morte, afim de que ferisse este divino corpo e lhe tirasse a vida; não se contentando o amor em o tornar mortal sem lhe dar a morte. "Ninguém me tira a vida, diz Ele; mas entrego-a eu. Tenho o poder de a entregar e retomar quando me apraz. Foi oferecido, diz Isaias, porque quis".

 Não obstante, não diz que o seu espírito se separou dele e o deixou; mas, pelo contrário, que o entregou nas mãos de seu Eterno Pai. Santo Atanásio nota que Jesus baixou a cabeça para morrer, para consentir e inclinar-se diante da vinda da morte, a qual de outra forma não ousaria aproximar-se d'Ele, e, bradando em voz alta, entregou o espírito a seu Pai, por mostrar que, assim como tinha bastante alento e força para não morrer, também tinha tanto amor, que não podia viver mais sem fazer reviver por sua morte os que sem ela não podiam evitar a morte, nem aspirar à verdadeira vida. Eis porque motivo a morte do Salvador foi um verdadeiro sacrifício, sacrifício de holocausto que Ele próprio ofereceu a seu Pai por nossa redenção. Embora as penas e dores da sua paixão fossem tão fortes que qualquer outro homem morreria, quanto a Ele, não morreria se quisesse e foi o fogo da sua infinita caridade que lhe consumiu a vida.

 Foi Ele próprio o sacrificador que se ofereceu a seu Pai e se imolou  por amor e em amor. Mas não digais que esta morte amorosa do Salvador não fosse por uma espécie de enlevo; porque o objeto pelo qual a sua caridade o entregou à morte não era tão amável que lhe pudesse arrebatar aquela alma divina, que de seu corpo saia por forma de êxtase, impelida e lançada por afluência e força de amor como nós vemos a mirra expulsar o seu primeiro licor, somente por abundância, sem que a espremam de forma alguma, como Jesus Cristo dizia: "Ninguém me tira ou arrebata a alma; dou-a eu voluntariamente". Oh! Deus! que fogo tão próprio para nos inflamar a praticarmos exercícios de amor para com um Salvador tão bom, vendo que tão amorosamente os praticou para conosco, que tão maus somos! Esta doce caridade de Jesus Cristo esmaga-nos.

Pensamentos Consoladores
São Francisco de Sales

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Como é abundante a remissão do Salvador



Deus, previu ler bem que o primeiro homem abusaria da sua liberdade, e, deixando a graça, perderia a glória; mas não quis tratar com tanto rigor a natureza humana como tinha tratado a angélica. Era da natureza humana que ele desejava tirar uma porção feliz para uni-lá à sua divindade. Conheceu que era uma natureza fraca, um ar que vem e não volta, isto é, que se dissipa ao caminhar.

sábado, 20 de janeiro de 2018

Como o Divino Salvador nos amou na sua Encarnação

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O amor de Deus está sempre unido ao amor do próximo e nós amamos o próximo assim como amamos a Deus; por consequência, sendo infinito 


 amor de Jesus Cristo para com seu Pai em valor e mérito pela pessoa que o dá, o seu amor para com o próximo será também infinito. Eis as provas evidentes: Jesus Cristo, diz São Paulo, aniquilou-se para tomar a nossa humanidade e encher-nos da sua divindade, para elevar-nos à sua dignidade e dar-nos o divino titulo de filho de Deus; Ele, que habitava em si mesmo, querendo doravante habitar em nós; Ele, que tinha vivido desde toda eternidade no seio do Padre eterno, desejou tornar-se mortal no seio de sua Mãe temporal; e existindo sempre como Deus, quis tornar-se homem. 

sábado, 2 de dezembro de 2017

Deus deu-nos tudo com seu Divino Filho.

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Foi sem dúvida um grande dom o que o Eterno Pai concedeu ao mundo , quando lhe deu seu próprio Filho como o próprio Senhor diz: "Deus amou tanto o mundo, que lhe deu deu Filho único."Oh! exclama o Santo Apóstolo, Paulo, porque pois não lhe concederá todos os outros dons com este? Provavelmente estais lembrados da bela história do Santo Patriarca José, que tantas vezes tem sido contada, mas nunca o será demais; o qual, sendo Vice Rei do Egito e estando seus irmãos na Mesopotâmia, o vieram visitar muitas vezes, para serem por ele socorrido na extrema necessidade a que eles e seu Pai estavam reduzidos, em razão da fome desolar o seu país. Também sabeis como ele os enviou a seu Pai, sempre carregados de trigo. Mas quando lhe conduziram o pequeno Benjamim, enviou-lhe não só trigo por medida, mas ainda muitos presentes e carros cheios de tudo o que poderiam desejar. O mesmo vemos que faz por nós o Pai Eterno; porque embora na antiga lei fizesse muitos benefícios ao seu povo, todavia eram sempre por medida, pelo contrário, na lei nova, logo que viu o seu querido Benjamim, isto é, quando Jesus Cristo entrou na sua glória, abriu-a com mão liberal para espalhar abundantemente seus dons e graças sobre todos os fiéis, como tinha dito pelo profeta Joel, que espalharia o seu Divino Espírito sobre toda a carne, isto é, sobre todos os homens e não só sobre os Apóstolos. Ora vós sabeis o que diz Isaias de Nosso Senhor, que recebeu graças infinitas e que os dons do Espírito Santo repousavam sobre Ele. E o Espírito do Senhor, diz, repousará sobre ele; o Espírito de sapiência e entendimento, o Espírito de conselho e força, o Espírito de ciência e piedade, e será cheio do temor de Deus. Mas porque é que o profeta diz que todos estes dons repousavam em Nosso Senhor, pois que não tinha, nem podia ter nenhuma necessidade? Ele, que era a própria fonte de graça? Para que seria senão para nos fazer entender que todas as graças e bençãos celestes devem ser distribuídas por Ele, que é nosso chefe, fazendo-as cair sobre nós, que somos seus membros, isto é, da sua Igreja, de que Ele é chefe? E para prova desta verdade, ouvi o que Ele diz no Cântico dos cânticos à sua Amada: "Minha esposa, minha irmã".  Chama-lhe esposa porque a ama muito, e irmã, para provar a pureza do seu amor. "Abre-me a porta depressa, porque tenho os cabelos cheios de orvalho e gotas da noite". Ora o orvalho e as gotas da noite, são uma e a mesma coisa. Que pensais pois que queria dizer por estas palavras o Amado de nossas almas, senão que deseja que a sua amada lhe abra a porta do seu coração afim de poder espalhar os seus dons e graças, que abundantemente recebeu de seu Eterno Pai como orvalho e licor celeste que lhe quer oferecer? É certíssimo e muito vos deveria consolar o saber que Jesus Cristo, Nosso Senhor e Mestre, satisfez plenamente a Deus seu Pai por todos os castigos que merecemos pelos nossos pecados, e não só pelos nossos, mas pelos de todo mundo.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Da confiança em Deus no conhecimento das nossas misérias

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Não somente a alma que conhece a sua miséria pode ter uma grande confiança, em Deus, mas nem mesmo pode ter uma grande confiança, sem conhecer a sua miséria, porque este conhecimento e confissão da nossa miséria conduz-nos naturalmente para Deus. É por isso que os grandes santos, como Jó, Davi, e outros, começavam as suas orações pela confissão da sua miséria e indignidade, de maneira que é belíssima coisa o reconhecer-se pobre, vil, abjeto e indigno do comparecer à presença de Deus.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Do eterno amor de Deus para conosco.




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Considerai o amor eterno que Deus vos tem, porque muito antes que Jesus Cristo sofresse na Cruz por vós, como homem, a sua divina Majestade vos destinava à vida e vos amava extremamente. Mas quando começou Ele a amar-vos? Quando começou a ser Deus. E quando começou a ser Deus? Nunca; existiu sempre, e sem princípio nem fim, e desta forma amou-vos sempre e desde toda a eternidade vos preparou os favores e graças que vos tem concedido.  
Ele diz pela boca do profeta: "Amei-te com uma caridade perpétua e atraí-te misericordiosamente à mim." Entre outras coisas, pois, Deus tratou de vos fazer tomar boas resoluções de o amar e servir. Oh! como é amável este bom Deus, que pela sua infinita bondade, destinou a seu Filho para redentor do mundo, de todos em geral, mas em particular por mim, que sou o primeiro dos pecadores. Ah! amou-me, digo eu: amou-me a mim próprio e deu-se à morte por mim. É preciso considerar os benefícios divinos na sua origem primária e eterna. Oh! Deus, meu Teótimo! que amor digno poderemos nós consagrar à infinita bondade do nosso Criador, que de toda a eternidade projetou criar-nos, conservar-nos, remir-nos, glorificar-nos, a todos em geral, e a cada um em particular? 

Oh! o que era eu quando não existia, eu que sendo agora alguma coisa, não sou senão um pequeno verme da terra? E no entanto Deus, desde o abismo da eternidade, concebia a meu respeito pensamentos de benção; resolveu e marcou a hora do meu nascimento, do meu batismo, de todas as inspirações que me daria, e enfim todos os benefícios que me ofereceria mais tarde! Ah! haverá porventura consolação igual a esta? 

sábado, 18 de novembro de 2017

I - Da inclinação que Deus tem para fazer-nos o bem

LIVRO PRIMEIRO

Pensamentos Consoladores a respeito de

Deus, da Providência e dos Santos

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I - Da inclinação que Deus tem para fazer-nos o bem

Logo que o homem medite um pouco atentamente na Divindade, sente um doce transporte do coração, que lhe certifica que Deus é o Deus do coração humano; e nunca o nosso entendimento encontra tanto gosto como neste pensamento na divindade cujo menor conhecimento vale mais, segundo o príncipe dos Filósofos, do que tudo o que existe, da mesma forma que o menor raio do Sol é mais claro do que o maior raio da lua e das estrelas, e por isso mais luminoso do que o conjunto da lua e das estrelas. E se algum acidente atribula o nosso coração, imediatamente recorre à divindade confessando que quando tudo para ele é mau, ela só é boa, e quando esta em perigo ela só, como seu soberano bem, o pode salvar e proteger.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Pensamentos Consoladores


Em Parceria com o Blogger Ad Majorem Dei Gloriam , postaremos durante o final deste ano, o livro: 


Pensamentos Consoladores
de São Francisco de Sales
Extraídos Dos Seus Escritos

Org - Pe. P Huguet S.M.
Livro de 1946 - 372 págs


 "São Francisco de Sales tinha um dom sublime de encaminhar as almas à perfeição, era este sobretudo seu dote particular. Neste livro precioso encontra-se a consolação que alivia tantos corações dilacerados e o conselho que encaminha tantas consciências timoratas."
   
   "Quem só pertence a Deus não se entristece nunca senão por ter ofendido a Deus, e a sua tristeza neste ponto consiste em uma profunda, mas tranquila e pacífica humildade e submissão, depois da qual se eleva para a bondade divina por uma confiança doce e perfeita, sem temor nem despeito. Quem só pertence a Deus, pensa muitas vezes Nele no meio das ocupações desta vida."

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