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sábado, 29 de agosto de 2015

Sofrimento, Oração e Desapego

1-Saudação e Objetivo: Em Nome de Jesus Cristo crucificado e da amável Maria, caríssimos filhos em Jesus Cristo, eu Catarina, serva e escrava dos servos de Jesus Cristo, vos escrevo no Seu precioso sangue, desejosa de vos ver como soldados sem nenhum temor servil.

2- Valor do Sofrimento na Vida Cristã: De fato, nosso Salvador quer que tenhamos medo dele, não das pessoas deste mundo. Cristo disse: Não temais aqueles que podem matar o corpo, mas a Mim, que posso enviar ao inferno a alma e o corpo (Mt 10,28). Por isso eu quero que vos afogueis no sangue do Filho de Deus, inflamados no fogo da divina caridade. É onde se perde todo temor servil, restando na pessoa apenas o temor reverencial. E que podem fazer o mundo, o demônio e seus servidores contra quem atingiu o amor sem medida pelo sofrimento? Nada! Eles apenas nos fornecem a ocasião para provarmos nossa virtude. Realmente, a virtude é posta à prova pelo que lhe é contrário. A pessoa deve até alegrar-se e rejubilar-se, deve procurar sofrer sempre com Cristo crucuficado, deve aniquilar-se por Ele, deve humilhar-se. Deve deleitar-se na dor e na Cruz. E ao desejar o sofrimento, encontrará alegria. Mas se procurar a alegria, achará a dor.
A melhor coisa é, portanto, afogar-se no sangue e eliminar nossas perversas vontades mediante um amor livre pelo Criador, sem termos nenhuma compaixão de nós mesmos. Só então aquela alegria estará em vós. E deveis esperar os sofrimentos sem nenhuma angústia. Por nenhuma ordem, que nos for dada, deveremos nos queixar. Pelo contrário, devemos até nos alegrar. De fato, nenhuma ordem humana será capaz de nos afastar de Deus. Tais ordens até serão aptas a nos dar a virtude da paciência, tornando-nos solícitos em abraçar a árvore da Cruz, em procurar a visão invisível que jamais nos será tirada. Se assim decidimos, a caridade amorosa jamais nos será tomada. Que doce coisa sermos perseguidos por causa de Cristo crucificado! Quero que vos alegreis quando a cruz vos é dada, qualquer que seja o modo! Não escolhamos o modo. Que ele seja escolhido por quem nos faz sofrer. Julgai-vos até indgnos de sofrer perseguição por Cristo crucificado.

3- Perseverai na Oração e no Amor Mútuo: Ficai sabendo, meus bondosos filhos em Jesus Cristo, que foi essa a senda percorrida pelos santos que imitaram Jesus Cristo. Não existe outra que nos conduz a vida! Quero, pois, que com empenho vos esforceis por trilhar essa senda, feliz e reta. Perseverai na oração com boa vontade, sempre que o Espírito vos oferecer ocasião. Não haja desprezo ou fuga em vós, também com perigo de vida. Não deixeis a oração para poupar e agradar o próprio corpo. O que o demônio mais deseja ver em nós, para nos afastar da oração, é que tenhamos cuidados com o corpo e tibieza espiritual. Por motivo algum tais coisas devem afastar-nos da prece. Recordando-nos de que Deus é bondoso e reconhecendo nossos defeitos, afastemos as tentações do diabo e toda autocompaixão. Escondei-vos nas chagas de Cristo crucificado, nada voa amedronte. Por Cristo crucificado vós tudo podeis. Ele estará convosco e vos fortalecerá.

4 –Sede Obedientes e Desapegados. Conclusão: Sede obedientes até a morte no que vos for imposto, por mais grave que seja. Não desprezeis o prêmio por causa da dificuldade ou de alguma tentação do diabo querendo enganar-vos, sob pretexto de virtude, sugerindo-vos: ”Isto sera a alegria de minha vida e faria aumentar a virtude em mim” ]. Não acrediteis no diabo, mas sim em Deus, o qual vos dará de outro modo o que esperais dessa consolação. Vós sabeis que nenhuma folha cai de uma árvore sem a providência divina. Desse modo, tudo o que o diabo ou as pessoas fazem para nós, por providência divina colabora para a nossa salvação e progresso na perfeição. Portanto, acolhei tudo com respeito e despojai-vos dos bens materiais não necessários. Revesti-vos de Cristo crucificado, inebriai-vos no seu sangue. Nele encontrareis a alegria e a paz completa.

Nada mais acrescento. Permanecei no santo e doce amor de Deus. Jesus doce, Jesus amor.

-- Das Cartas de Santa Catarina de Sena, virgem e doutora da Igreja (século XIV)

Fonte:

terça-feira, 28 de julho de 2015

Os sofrimentos são um sinal de predestinação

Na foto: Martírio de S. Januário
Enquanto os mundanos se preocupam demasiado com seu exterior, dando seu melhor na aparência externa, roupas caras e "sempre com boa aparência", mostrando que "tem condições financeiras", também exibindo-se aos quatro cantos do mundo com o nariz empinado (os ditos soberbos, falamos disso neste artigo), os filhos de Deus, verdadeiros predestinados tem suas cruzes, dão seu melhor somente para DEUS e se santificam, são zombados, perseguidos, quando não torturados e se tornam mártires por nosso Senhor.

Em vez de nos preocuparmos em estar o tempo inteiro impecável na aparência exterior para se exibir, faz melhor aquele que dá o seu melhor por Deus em todos os aspectos de sua vida, na oração, na vida interior, na modéstia! Sim, a partir do momento em que sabemos o que mais agrada a Deus, não exitamos em fazê-lo.

É o que sempre ensinaram os santos, inclusive Santo Afonso de Ligório no artigo abaixo, convidamos você leitor, a acompanhar o texto. O título deste artigo: "Os sofrimentos são um sinal de predestinação" foi escrito pelo próprio Santo Afonso, bem como o texto. Ambos foram tirado do livro: "A Escola da Perfeição Cristã". 

Lembrando que o próprio Deus Pai responde a S. Catarina de Senaquando ela pergunta 'Porque os maus prosperam', e a resposta de Deus Pai é: 

"Toda obra boa será remunerada, como todo mal terá seu prêmio. Quando praticada no estado de graça, a boa obra merece o céu; quando feita em pecado, embora sem merecimento, terá sua paga de várias maneiras: umas vezes, concedo vida mais longa ou inspiro a meus servidores contínuas orações em favor, com o que tais pessoas se convertem, outras vezes, em lugar de vida mais longa e das orações, concedobens materiais. neste caso os pecadores são como animais de engorda para o matadouro."

Isso é muito forte! Realmente, animais de engorda ao matadouro ... Meditemos sobre isso hoje. E para complementar segue o texto que citamos, do doutor da Igreja: Santo Afonso Maria de Ligório

Os sofrimentos são um sinal de Predestinação


Por Santo Afonso de Ligório

"Ser visitado aqui na terra por tribulações é um sinal especial de predestinação. Isso diz S. Gregório (Mor., 1.26, c. 18) nestes termos: 'os escolhidos, destinados à bem aventurança eterna, terão de viver em aflições aqui na terra'. De fato, lemos na vida dos santos que eles todos, sem exceção, viveram cercados de cruzes. S. Jerônimo escreve à virgem Eustoquium: 'Examina a vida dos santos e verás que todos tinham de sofrer tribulações; só Salomão viveu no meio das alegrias e se perdeu talvez eternamente em consequência disso'. S. Paulo diz que todos os escolhidos devem ser semelhantes a Jesus Cristo. "Os que conheceu na sua paciência também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho' (Rom 8, 29). Ora, a vida de Jesus Cristo foi um sofrimento contínuo e, por isso, para sermos glorificados com Jesus Cristo, ajunta o Apóstolo, devemos sofrer com ele: 'Se padecermos com ele, também com ele seremos glorificados' (Rom 8,17).

Padecer com Jesus Cristo quer dizer padecer resignadamente como nosso Salvador padeceu: 'que não amaldiçoava quando o amaldiçoavam, que não ameaçava quando padecia' (1 Ped 2,23). S. Gregório diz que, como a paciência no padecimento é um sinal de predestinação, assim a impaciência é um sinal de perdição. Por isso nos indica o Senhor que acharemos a bem-aventurança eterna só no sofrer com paciência. 'Na vossa paciência possuireis as vossas almas' (Lc 21,19). (...)"

Os sofrimentos fizeram a delícia dos santos


"Para quem se decide a padecer por Deus, não existem m ais cruzes; achara até alegria no seu padecer. Percorramos a vida dos santos e veremos como eles amaram nos sofrimentos. 

S. Gertrudes dizia que os sofrimentos lhe ocasionavam uma tal alegria que, para ela não havia tempo mais triste que aquele em que nada tinha de sofrer. S Teresa afirmava que não podia viver sem padecer e, por isso, exclamava muitas vezes: 'Ou padecer ou morrer'. S. Maria Madalena de Pazzi ia ainda mais longe, sendo sua senha: 'Padecer e não morrer'. 

O Mártir S. Procópio dizia ao algoz que lhe aplicava sempre outros tormentos: 'Atormenta-me quando quiseres, mas fica sabendo que quem ama a Jesus Cristo nada deseja tão ardentemente como sofrer por seu amor'. Sendo S. Górdio ameaçado com uma morte atroz se não renunciasse a seu divino Mestre, respondeu: 'Sinto poder morrer uma só vez por meu salvador'; Dizendo isto, caminhou intrepidamente para a morte. O Pe. Spinola escreveu de seu cárcere, onde muito teve de sofrer: 'Oh! Como é doce padecer por Jesus Cristo. Já tive notícia de minha condenação; peço-vos que agradeçais à divina bondade pela grande graça que me concede'. A assinatura dizia: Carlos Spinola, condenado á morte por amor de Jesus Cristo. Logo depois foi ele queimado a um fogo lento. Ao ser amarrado ao poste começou a cantar o salmo: 'Louvai ao Senhor, todos os povos, em ação de graças, e, cantando, redeu o espírito à Deus.

Mas como podiam os santos mártires padecer com tanta alegria? perguntar-me-ia alguém, não eram eles de carne e sangue como nós, ou tornou-os Deus insensíveis à dor? S. Bernardo (in Cant. s. 61), responde: "Não foi a insensibilidade, mas o amor de Jesus Cristo que os fez padecer com tanta paciência e alegria. A dor não lhes faltava, mas eles a venciam e desprezavam por amor de seu divino Mestre'. Um grande servo de Deus, o Pe. Hipólito Durazzo, da Companhia de Jesus, dizia: 'Por mais que Deus nos custe, nunca o compraremos caro demais'. Quem não sabe padecer por Jesus Cristo, dizia S.José Calazans, também não sabe ganhar Jesus Cristo. As almas que entendem a linguagem do amor, encontram na cruz o cumprimento de todos os seus desejos, pois sabem que agradam a Deus quando a abraçam de boa vontade."

Fonte:

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Deus dá maiores Cruzes àqueles que Ele mais ama!

A Alma que ama Jesus Cristo ama o sofrimento

Por Santo Afonso de Ligório



"A Caridade é paciente". A terra é um lugar de merecimentos e por isso é também um lugar de sofrimentos. O céu é nossa pátria, lá Deus nos preparou o repouso numa eterna felicidade. Passamos pouco tempo neste mundo, mas neste pouco tempo temos muitas dores a sofrer. "O homem nascido de mulher vive pouco tempo e é cheio de muitas misérias"(Jó 14,1).  É preciso sofrer e todos têm de sofrer; seja justo ou pecador, cada um deve carregar sua cruz. Quem a carrega com paciência salva-se; quem a carrega com impaciência, perde-se. As mesmas misérias diz Santo Agostinho, levam alguns para o céu, e outros para o inferno. Com a prova do sofrimento se distingue a palha do trigo, na Igreja de Deus: quem se humilha nos sofrimentos e se submete a vontade de Deus é trigo destinado ao céu; quem é soberbo e fica impaciente, a ponto de voltar as costas para Deus, é palha que é destinada ao inferno. 

No dia do julgamento de nossa salvação, nossa vida deverá ser igual à vida de Jesus Cristo, para merecermos o Paraíso: "Por que os que anteriormente ele conheceu, esses também predestinou a serem conformes à imagem de seu Filho." (Rm 8,29)

O Verbo Eterno desceu à terra para nos ensinar, com seu exemplo, a carregar com paciência as cruzes que Deus nos manda. "Cristo sofreu por vós, deixando-vos um exemplo, a fim de que sigais os seus passos". (1 Pd 2,21). Jesus Cristo quis sofrer para nos encorajar no sofrimento. Qual foi a vida de Jesus Cristo? Foi uma vida de humilhações e sofrimentos: "Desprezado, último dos homens, homem das dores!" (Is 53,3). Sim, a vida de Jesus Cristo foi toda cheia de trabalhos e dores.

O Amor no sofrimento


Como Deus tratou seu filho predileto, do mesmo modo trata a todos aqueles que ele ama e recebe como filhos: "O Senhor castiga os que ama e aflige todo aquele que recebe como Filho." (Hb 12,6). Santa Teresa diz que sentiu na sua alma como se Deus lhe falasse: "Fica sabendo que as pessoas mais queridas de meu Pai são as que são mais afligidas com os maiores sofrimentos." Por esta razão, quando ela se via nos sofrimentos, dizia que não os trocaria por todos os tesouros do mundo. Conta-se que depois de suas morte ela apareceu a uma de suas companheiras e lhe revelou que recebera um grande prêmio no céu. Tinha recebido este prêmio, não tanto por suas boas obras, como pelos sofrimentos suportados em sua vida, de boa vontade e por amor a Deus. E se desejasse por algum motivo voltar à terra, seria unicamente para poder ainda sofrer mais alguma coisa por Deus.

Quem ama a Deus nos sofrimentos recebe dupla recompensa no céu. São Vicente de Paulo afirmava que se deve considerar com grande desgraça nesta vida o não ter nada a sofrer; e acrescentava que uma congregação Religiosa ou uma pessoa que não sofre e a quem todos aplaudem, está próxima de uma queda.  Quando São Francisco de Assis passava um dia sem nada sofrer por Deus, temia que Deus tivesse se esquecido dele.

Escreve São João Crisóstomo: Quando o Senhor concede a alguém a graça de sofrer, faz-lhe um bem maior do que se lhe desse o poder de ressuscitar os mortos. Isto por que o homem que faz milagres se torna devedor a Deus, mas no sofrimento Deus se torna devedor ao homem. Quem padece alguma coisa por Deus, se não tivesse outra graça senão a de poder sofrer por amor a Deus, já deveria considerar-se muito recompensado. Por isso, dizia ele, admirava mais a graça dada a São Paulo de ser preso por Jesus Cristo, do que ser arrebatado ao terceiro céu.

A Paciência na dor


"A Paciência produz uma obra perfeita." (Tg 1,4). Isso quer dizer que não existe coisa mais agradável a Deus do que sofrer com paciência e paz todas as cruzes por ele enviadas. É próprio do amor, fazer a pessoa que ama semelhante à pessoa amada. Dizia São Francisco de Sales"Todas as chagas do redentor são outras tantas palavras que nos ensinam como devemos sofrer por ele. Esta é a sabedoria dos santos, sofrer constantemente por Jesus; assim ficaremos logo Santos." Quem ama o salvador deseja ser como ele, pobre, sofredor e desprezado. São João viu todos os santos vestidos de branco, segurando palmas nas mãos. (Ap 7,9). A palma é o símbolo do martírio; mas nem todos os santos foram martirizados. Por que então todos seguram palmas? Responde São Gregório que todos os Santos foram mártires ou pela espada ou pela paciência. E acrescenta: "Nós podemos ser mártires sem a espada, se guardamos a paciência." 

O Mérito de uma pessoa que ama Jesus Cristo consiste em amar e sofrer. Eis o que Deus fez Santa Teresa entender: "Pensa minha filha, que o mérito consiste no gozar? Não, o mérito consiste em sofrer e amar. Veja minha vida cheia de dores. Acredite, minha filha, aquele que é mais amado por meu Pai recebe dele cruzes maiores; ao sofrimento corresponde o amor. Veja estas minhas chagas, as suas dores nunca chegarão a tanto. Pensar que meu Pai admite alguém na sua amizade sem o sofrimento é um absurdo"... Mas acrescenta Santa Teresa: Deus não manda nenhum sofrimento sem pagá-lo imediatamente com algum favor. 
 
São três as principais graças que Jesus faz às pessoas amadas por ele: a primeira, não pecar; a segunda que é maior, o fazer boas obras; a terceira, que é a maior de todas, sofrer por seu amor. Dizia Santa Teresa que quando alguém faz algum bem a Deus, o Senhor lhe paga com alguma cruz. Eis por que os agradeciam a Deus ao receberem os sofrimentos. 

São Luis, Rei da França, falando da escravidão que sofreu na Turquia, diz: "Eu me alegro e fico muito agradecido a Deus mais pela paciência que me concedeu na minha prisão do que se tivesse conquistado a terra inteira". Santa Isabel, rainha da Hungria, tendo perdido seu esposo, foi expulsa do lugar onde morava com seu filho. Sem abrigo e abandonada por todos, dirigiu-se a um convento dos franciscanos e mandou cantar um hino de ação de graças a Deus pelo favor que ele lhe concedia ao fazê-la sofrer por seu amor.

A dor e o céu


Dizia São José Calazans: "Para ganhar o céu, todo sofrimento é pouco." E São Paulo"Os sofrimentos do tempo presente não tem proporção com a glória que deverá se revelar em nós." Seria uma grande vantagem sofrer a vida inteira todos os tormentos sofridos pelos mártires, só para gozarmos um momento do céu. Com maior razão devemos então abraçar as nossas cruzes, sabendo que os sofrimentos desta vida curta nos farão conquistar uma felicidade eterna. "As nossas tribulações do momento são leves e nos preparam um peso de glória eterna." (2 Cor 4,17). 

Santo Agapito, mocinho de poucos anos, quando foi ameaçado de morte, respondeu: "Que maior felicidade posso eu ter do que a de perder a minha cabeça para vê-la depois coroada no céu?" São Francisco costumava sempre dizer: "O bem que espero é tão grande que todo sofrimento é um prazer para mim." Para obter o paraíso é preciso lutar e sofrer. "Se sofremos com Cristo, com ele reinaremos."Não pode haver prêmio sem merecimento, nem merecimento sem paciência. "Não recebe a coroa, senão aquele que lutou segundo as regras do jogo." (2 Tm 2,12; 2,5). Terá maior coroa quem combate com maior paciência. Coisa admirável! Quando se trata dos bens temporais desta terra os mundanos procuram conquistar o máximo de coisas possíveis. Quando se trata dos bens eternos dizem que basta um cantinho no paraíso. Esse não foi o comportamento dos Santos. Nesta vida contentaram-se com qualquer coisa e desapegaram dos bens terrenos. Tratando-se dos bens eternos eles procuraram ganhar o mais possível. Agora eu lhes pergunto quem age com mais sabedoria e prudência?

Falando desta vida, é certo que quem padece com mais paciência vive com mais paz. Dizia São Felipe Neri que neste mundo não há purgatório: ou é paraíso ou é um inferno. Os que suportam com paciência os sofrimentos desta vida gozam do paraíso. Quem assim não o faz, sofre o inferno! Sim, como escreve Santa Teresa quem abraça as cruzes que Deus lhe manda não as sente. São Francisco de Salesachando-se uma vez cercado de sofrimentos disse: "De algum tempo para cá as grandes tribulações e oposições que sinto me trazem uma paz tão grande e me predizem a união próxima e estável de minha alma com Deus; sinceramente falando, é a única ambição e o único desejo de meu coração." Na verdade, não há paz para aqueles que levam uma vida errada, mas só para quem vive unido com Deus e com sua santa vontade.
   
Um missionário religioso, nas Índias, assistia uma vez à execução de um condenado. Este, antes de morrer, chamou-o e lhe disse: "Sabe, padre, eu fui de sua congregação Religiosa. Enquanto observava o regulamento de vida, eu era muito feliz. Mas desde que comecei a relaxar, achei tudo difícil e passei a me aborrecer com tudo. Abandonei a vida religiosa para me entregar aos vícios; eles finalmente me trouxeram a este fim desgraçado que agora o senhor está vendo. Digo-lhe isto para que o meu exemplo possa servir a outros." Dizia o Padre Luís da Ponte: "Considere como amargas as coisas doces desta vida e como doces as amargas; assim terá sempre paz." Isso é verdade, por que os prazeres ainda que agradáveis à natureza, deixam sempre o amargor do remorso da consciência devido ao apego desordenado que, as mais das vezes, colocamos neles. Mas as amarguras desta vida, aceitas das mãos de Deus com resignação, tornam-se suaves e queridas às pessoas que amam o Senhor.

Fonte: Santo Afonso de Ligório - A Prática do Amor a Jesus Cristo. Pág: 57 a 63.         

Fonte:

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Oferecer cada instante como sacrifício a Nosso Senhor

“Deixas as grandes virtudes para os santos e aplica-te à prática das pequenas. Faze cada cada dia uma feixe volumoso e perfumado de pequeninas coisas. As grandes ocasiões são raras, mas as flores pequeninas são de cada momento.

Prova assim teu amor a Jesus, oferecendo-lhe a cada instante estas florzinhas que no decorrer do dia encontras com facilidade. Longe de te parecer às belas almas que se entregam desde a infância a toda a sorte de macerações, faze consistir tuas penitências em quebrantar tua vontade, reter uma palavra de réplica, prestar miúdos serviços sem ressaltar seu valor. 

Conseguirás, também, dar um elogio estimulante, calar dos ausentes ou falar deles com elogiosas referências, receber em silêncio as alfinetadas do coração, conseguirás aceitar o desprezo dos que deviam estimar-te, ter o rosto sempre sorridente, arrumar com doçura suas coisas, levantar-se logo de qualquer falta sem criar complexos de pecados passados, vestir-te com dignidade à vista dos anjos que nos rodeiam e usar enfim de todas as coisas de um modo sobrenatural.

Se assim fizeres, verás no fim do dia que recolheste grande ramalhete de pequenas flores para oferecer a Jesus.


A princípio será difícil manter esta diligência e vigilância contínua, mas com o correr do tempo acostumar-te-ás e darás graças a Deus. A psicologia nos ensina que é pela repetição dos atos que criamos os hábitos, como uma segunda natureza.”

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Texto retirado do livro: A infância espiritual – Monsenhor Ângelo R. Lucena, pág. 79, n.º 63.

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