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segunda-feira, 14 de julho de 2025

O abaixamento de Cristo - São Boaventura



Aprendei a humilhar-vos de verdade, e não apenas na aparência, como aqueles que se humilham de maneira fraudulenta, os hipócritas de que fala o Eclesiástico: «Abaixa-se em humildade fingida aquele cujo coração está cheio de fraude» (Ecli 19,23, Vulgata). «Pelo contrário, aquele que é verdadeiramente humilde», diz o bem-aventurado Bernardo, «não procura ver proclamada a sua humildade, mas passar por desprezível.» 

Nem a virgindade é agradável a Deus sem humildade, crede no que vos digo. A Virgem Maria não teria sido a Mãe de Deus houvesse nela alguma ponta de orgulho. Grande virtude é esta, pois, sem a qual todas as outras virtudes, longe de poderem existir, rebentam de orgulho.

 
Cristo foi humilhado a ponto de, no seu tempo, nada ter sido considerado mais vil que Ele. Tão grande foi a sua humildade, tão profundo o seu abaixamento, que ninguém era capaz de julgar dele segundo a verdade, ninguém podia acreditar que fosse Deus. Ora, Nosso Senhor e Mestre disse de Si mesmo: «O servo não é mais que o seu senhor» (cf Mt 10,24); portanto, se sois serva do Senhor, discípula de Cristo, deveis ser aviltada, desconsiderada, humilde.

in Sobre a vida perfeita, II, § 1, 3, 4


segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Somos todos servos inúteis

Parecem ter alcançado o grau mais elevado esses que, com todo o coração e sem fingimento, são de tal maneira senhores de si, que nada mais procuram do que ser desprezados, não ser tidos em conta e viver na humildade. 

Enquanto não chegardes aí, pensai que nada fizestes. Com efeito, como somos todos «servos inúteis», nas palavras do Senhor (Lc 17, 10), mesmo que façamos tudo bem, enquanto não alcançarmos este grau de humildade não estaremos na verdade, mas estaremos e caminharemos na vaidade.

Sabes também que o Senhor Jesus começou por fazer antes de ensinar. Mais tarde, haveria de dizer: «Aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 29). E quis praticá-lo realmente, sem fingimento. Fê-lo de todo o coração, como era manso e humilde de todo o coração e em verdade. N'Ele não havia dissimulação (cf. 2Cor 1, 19). 

Estava de tal maneira mergulhado na humildade, no desprezo e na abjecção, aniquilara-Se de tal maneira aos olhos de todos, que quando começou a pregar e a anunciar as maravilhas de Deus, e a fazer milagres e coisas admiráveis, ninguém Lhe dava valor, antes O desprezavam e troçavam Dele dizendo: «Não é este o filho do carpinteiro?», e outras coisas parecidas. 

Assim se cumpre a palavra de São Paulo: «Aniquilou-Se a Si mesmo, tomando a condição de servo» (Fil 2, 7), e não apenas de servo comum, pela encarnação, mas de um servo inútil, através da Sua vida humilde e desprezada.

São Boaventura in 'Meditações sobre a vida de Cristo'

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Do coração que devemos oferecer a Deus.


“(...)Depois, dirige o teu olhar sobre a lei de Deus que te manda oferecer ao Altíssimo um coração humilde, ao Piíssimo um coração devoto, e ao Santíssimo um coração ilibado.

Um coração humilde, digo, deves oferecer ao Altíssimo pela reverência no espírito, pela obediência nas obras, pela honra nas palavras e nos atos, observando a apostólica regra e doutrina:  "Faze tudo para a glória de Deus."

Um coração devoto deves oferecer ao Piíssimo, invocando em orações fervorosas, saboreando doçuras espirituais, dando muitas graças para que tua alma sempre mais a Deus ascenda pelo deserto como uma varinha de fumo composto de aromas de mirra e de incenso.

Um coração ilibado deves oferecer ao Esposo Santíssimo de maneira que não reine em ti,  - nem nos sentidos, nem na vontade, nem no afeto, - nenhum movimento de maldade interna, e assim, livre de toda a mácula do pecado, possas cantar com o Salmista: "Seja imaculado o meu coração nas tuas justificações para que não seja confundido."

Reflete, pois, diligentemente e vê se tudo isto observaste desde a juventude.

Se a consciência te o afirmar, não o atribuas a ti mesmo, mas à mercê de Deus, e rende-Lhe graças.

Se, porém, achares uma ou mais vezes, num ponto ou em alguns, ou talvez em todos eles, faltaste grave ou levemente por fraqueza, por ignorância ou com pleno conhecimento, procura reconciliar-te com Deus com gemidos inexplicáveis e, para Lhe mostrar a emenda, reveste-te do espírito de penitência, para que possas cantar com o Salmista peninente: "Porque preparado estou para os açoites, e a minha dor está sempre diante de mim."


Excerto do livro "A direção da alma e a vida perfeita"

Por São Boaventur

terça-feira, 22 de maio de 2018

Da perfeita modéstia


“Ora, para conservar em ti este espírito de temor, de dor e de desejoexerce-te extermente numa perfeita modéstia, justiça e piedade, afim de que, segundo escreve o Apóstolo, "renunciando à impiedade e às paixões mundanas, vivas sóbria, justa e piedosamente neste século".

Exerce-te numa perfeita modéstia para que, segundo a doutrina do Apóstolo, "a tua modéstia seja conhecida por todos os homens".

Exerce-te primeiro na modéstia da parcimônia no comer e vestir, no dormir e vigiar, no recreio e no trabalho, não excedendo a medida em coisa alguma.

Depois, exerce-te na modéstia da disciplinacom moderação no silêncio e no falar, na tristeza e na alegria, na clemência e no rigor, conforme as circunstâncias o exigem e a sã razão o prescreve.


Finalmente, exerce-te na modéstia da civilidade, regulando, ordenando e compondo as ações, os movimentos, os gestos, as vestes, os membros e sentidos, conforme requer a educação moral e o costume na ordem, para que merecidamente pertenças ao número daqueles aos quais o Apóstolo diz: "Faça-se tudo entre vós com decência e ordem".


Excerto do livro "A direção da alma e a vida perfeita"
Por São Boaventura

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Prática da virtude da ORAÇÃO


Para uma perfeita oração três coisas te são necessárias


1) A primeira é que, quanto te entregares à oração, com o corpo e o coração levantado, e com os sentidos fechados, reflitas, sem ruído, com um coração amargurado e contrito sobre todas as tuas misérias, isto é, sobre as presentes, passadas e futuras.

Diz Santo Isidoro: "Quando, em oração, nos achamos diante de Deus, devemos gemer e chorar, recordando quão grave é o que cometemos, quão duros os suplícios do Inferno que tememos." Essas pungentes meditações devem formar o princípio da tua oração.


2)  É necessário na oração a ação de graças, isto é, que com toda a humildade dê graças a seu Criador pelos benefícios recebidos e ainda a receber.

Tal ação de graças, feita na oração, é sobremodo útil, nem tem valor, sem ela, qualquer oração. Pois "a ingratidão, como diz São Bernardo, é um vento ardente que seca a fonte da piedade, o orvalho da misericórdia e os rios da graça."


3) Exige-se que teu espírito não pense durante a oração, em outra coisa senão naquilo que oras. 

Seria muito inconveniente falar alguém a Deus com a boca e se ocupar com outra coisa no coração; dirigir, por assim dizer, a metade do coração ao Céu e reter a outra metade na terra.

Semelhante oração jamais será atendida pelo Senhor. 

Deve, pois, a serva de Deus, no tempo da oração, afastar o seu coração de todos os cuidados exteriores, de todos os desejos mundanos e de todas as afeições carnais, dirigi-lo ao seu íntimo e levantar todo o coração e toda a alma somente Àquele a quem dirige a sua oração."


Excerto do livro "A direção da alma e a vida perfeita"
São Boaventura

terça-feira, 6 de março de 2018

O VERDADEIRO HUMILDE SERÁ EXALTADO. ACONTECIMENTOS NA VIDA DE SÃO FRANCISCO


Por São Boaventura
Preferindo a pobreza para si e seus irmãos acima de qualquer honra deste mundo, Deus que ama os humildes julgou-o digno de maior honra. Esse fato foi revelado a um dos irmãos, homem virtuoso e santo, numa visão que teve do céu.
Estava viajando com Francisco, quando entraram numa igreja abandonada, onde oraram com todo fervor. Este irmão teve então uma visão em que via uma multidão de tronos no céu, um dos quais era radiante de glória e adornado de pedras preciosas e era o mais elevado de todos. Estava maravilhado com tanto esplendor e se perguntava a quem ele caberia. Ouviu então uma voz que lhe dizia: “Esse trono pertenceu a um dos anjos caídos. Agora está reservado ao humilde Francisco”.
Ao voltar a si do êxtase, o irmão seguiu o santo que estava saindo da igreja. Retomaram o caminho e continuaram conversando sobre Deus. O irmão recordou-se então da visão e discretamente perguntou a Francisco o que achava de si mesmo. Respondeu o humilde servo de Cristo: “Reconheço que sou o maior pecador do mundo”. Replicou-lhe o irmão que ele não podia fazer semelhante afirmação em consciência tranquila, nem mesmo pensar assim. Francisco continuou: “Se Cristo houvesse tratado ao maior celerado dos homens com a mesma misericórdia e bondade com que me tem tratado, tenho certeza que ele seria muito mais reconhecido a Deus do que eu”. Ao ouvir palavras de tanta humildade, o irmão teve a confirmação de que a sua visão era verdadeira, sabendo perfeitamente que, segundo o santo Evangelho, o verdadeiro humilde será exaltado ao trono de glória de que o soberbo é excluído.
Extraído da obra “Legenda Maior”
Fonte:

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

São Boaventura e o verdadeiro conhecimento de si mesmo

A VIDA PERFEITA
O verdadeiro conhecimento de si mesmo
(São Boaventura)


            1.      A esposa de Cristo que deseja elevar-se até o cimo da perfeição, há de principiar por si mesma, isto é, esquecida de todas as coisas exteriores, deve penetrar no íntimo de sua consciência e ali discutir, examinar e ver, com diligente cuidado, todos os defeitos, todos os hábitos, todas as inclinações, todas as obras, todos os pecados passados e presentes. Se achar em si alguma coisa menos reta, chore-a sem demora na amargura de seu coração. E para melhor chegares, reverenda madre, a este conhecimento, sabe que todos os nossos pecados e males cometemo-los ou por negligência, ou por malícia.

            Acerca destas três coisas, pois, deve versar o exame de todos os teus males; de outra forma jamais poderás chegar ao perfeito conhecimento de ti mesma.

                                                                  
            2.      Portanto, se desejas conhecer-te a ti mesma e chorar os males cometidos, deves primeiro refletir se há ou houve em ti alguma negligência. Examina-te sobre a negligência com que vigias o teu coração, sobre a negligência com que passas o tempo, e examina-te também se n’alguma obra não tens intenção pecaminosa.

            Estas três coisas cumpre observar com o maior cuidado: vigiar bem o coração, empregar utilmente o tempo, e prefixar a toda obra um fim bom e conveniente.

Igualmente deves refletir sobre a negligência que tivestes na oração, na leitura e na execução da obra; porque nestas três coisas te deves exercer e aperfeiçoar com afinco, se queres produzir e dar bom fruto a seu tempo. Tão intimamente estas três coisas estão unidas, que de forma alguma é suficiente uma sem a outra. Outrossim, cumpre refletires sobre quanto és ou foste negligente em fazer penitência, em lutar e em progredir; porque é mister chorar, com suma diligência, os males cometidos, repelir as tentações diabólicas, e progredir de uma virtude para outra para que possas chegar à terra prometida.

            Desta forma, pois, o exame se ocupa com a negligência.

            3.      Se, porém, desejas conhecer-te melhor, deves, em segundo lugar, refletir se em ti dominou ou domina a concupiscência da voluptuosidade, da curiosidade ou da vaidade. Certamente então reina no homem religioso a concupiscência da voluptuosidade quando deseja coisas doces, isto é, manjares saborosos; quando deseja coisas moles; isto é, vestidos deliciosos; quando deseja coisas carnais, isto é, prazeres luxuriosos.

            A concupiscência da curiosidade existe na serva de Deus, quando deseja saber coisas secretas, quando deseja ver coisas belas, quando deseja possuir coisas raras.

           A concupiscência da vaidade, porém, impera na esposa de Cristo, quando deseja o favor dos homens, quando busca o louvor humano, quando almeja honra diante dos homens. Como veneno deve a serva de Cristo fugir a tudo isso, porque é tudo isso a raiz de todo o mal.

            4.      Em terceiro lugar, se queres ter conhecimento certo de ti mesma, deves diligentemente refletir se há ou houve em ti a malícia da iracúndia, da inveja e da preguiça. Ouve, caríssima irmã, o que digo solicitamente.

            No homem religioso existe a iracúndia quando no espírito, no coração, no afeto, nos sinais, no semblante, na palavra ou no clamor mostra a seu próximo indignação do coração, por mais leve que seja, ou rancor.

            A inveja reina no homem quando se alegra com a desgraça do próximo e se entristece com a sua prosperidade, quando sente prazer com os males do próximo e desfalece com a sua felicidade.

            A preguiça reina no religioso, quando é tíbio, sonolento, ocioso, lerdo, negligente, frouxo, dissoluto, indevoto, triste e tedioso. Tudo isto a esposa de Cristo deve detestar e fugir-lhe como veneno mortífero, porque nestas coisas consiste a perdição do corpo e da alma.

            5.      Se, portanto, caríssima serva de Deus, queres chegar ao perfeito conhecimento de ti mesma, “torna a ti mesma, entra no teu coração, aprende a conhecer o teu espírito. Vê o que és, o que foste, o que devias ser, o que podias ser: o que foste pela natureza, o que agora és pela culpa, o que devias ser por teu trabalho, o que ainda podes ser pela graça.”

            Ouve, ainda caríssima madre, ouve o profeta Davi, como ele se faz o teu exemplo: “Meditei, diz ele, de noite no meu coração, exercitei-me e espanei o meu espírito. (Salmos 76. 7) Meditava ele no seu coração; medita também tu no teu coração. Espanava ele o seu espírito; espana também tu o teu espírito. Trabalha nesse campo, presta atenção a ti mesma.

            Se com insistência fazes este exercício, sem dúvida acharás um precioso tesouro escondido. Pois em virtude deste exercício cresce a plenitude do ouro, a ciência é multiplicada e aumentada a sabedoria.

            Com este exercício purificam-se os olhos do coração, aguça-se o engenho, dilata-se a inteligência. De nada faz um reto juízo quem não se conhece a si mesmo, quem não pensa na sua dignidade. Desconhece por completo que opinião deva fazer do espírito angélico e do divino quem não reflete antes sobre o seu próprio espírito. Se ainda não és capaz de entrar em ti mesma, como serás capaz de elevares-te a coisas que são acima de ti? Se ainda não és digna de entrar no primeiro tabernáculo, com que cara presumes entrar no segundo tabernáculo? (1)

            6.      Se desejas elevar-te, como São Paulo, ao segundo e terceiro céu, hás de passar pelo primeiro, isto é, pelo teu coração. O modo como possas devas fazê-lo, suficientemente t’o ensinei acima. Mas também São Bernardo otimamente te informa quando diz: “Se queres conhecer o estado de tua perfeição, examina, em discussão constante, a tua vida, e reflete diligentemente, quanto te adiantas e quanto te atrasas, quais são os teus costumes, quais as tuas inclinações, quão semelhante ou dessemelhante és a Deus, quão perto, ou quão longe.”

            Oh! Como é grande o perigo do religioso que quer saber muitas coisas, mas não tem verdadeiro e sincero desejo de conhecer-se a si mesmo! Oh! Como está prestes a perder-se o religioso que é curioso em conhecer as coisas, solicito em julgar as consciências dos outros, mas ignora e desconhece a própria!

            Ó meu Deus, donde tanta cegueira num religioso? Eis, a causa é patente, ouve-a. Porque a mente do homem é distraída pelos cuidados, não entra em si pela memória; porque é anuviada por fantasias, não torna a si pela inteligência; porque é arrastada por concupiscências ilícitas, jamais se restaura pelo desejo da suavidade intima e da alegria espiritual.

            Por isto jaz totalmente submerso nessas coisas sensíveis, é incapaz de entrar em si mesmo e penetrar até à imagem de Deus no seu íntimo. Desta forma o espírito se lhe reduz à miséria; ignora e desconhece-se a si mesmo.
            Procura, pois, lembrares-te de ti e conheceres-te a ti mesma, deixando de lado tudo o mais. Isto pedia também São Bernardo, dizendo: “Deus me dê a graça de não saber outra coisa senão que me conheça a mim mesmo.”

***

            (1) A passagem citada de São Vitor entende-se melhor pelo que São Boaventura diz no seu itinerário da mente de Deus (c.5 n.1), onde distingue um tríplice modo de contemplar a Deus, isto é, fora de nós pelos vestígios que ali encontramos de Deus; dentro de nós, isto é, pela imagem de Deus que é a alma com suas potências e faculdades; acima de nós, isto é, pela luz que resplandece sobre nós; e depois acrescenta o Santo: "os que se exerceram no primeiro modo já entraram no adro do tabernáculo; os que no  segundo, entraram no santo; mas os que no terceiro, entram com o Sumo Pontífice no Santo dos Santos.” (Veja-se o livro do Êxodo 25-28 onde se descreve o tabernáculo).

sábado, 8 de novembro de 2014

A oração de São Boaventura

"Ainda que o Senhor me tenha reprovado quanto quiser, eu sei que Ele não pode negar-se a quem O ama, e a quem de todo coração o busca.
   
 
Eu O abraçarei com o meu amor e sem me abençoar não O deixarei; sem me levar consigo, Ele não poderá ausentar-se.
 

 
Se mais não puder, ao menos esconder-me-ei dentro das Suas Chagas, onde ficarei para que me não possa encontrar fora de si.
   
 
Finalmente, se o meu Redentor por causa de minhas culpas, me lançar fora dos seus Pés , eu me prostrarei aos Pés deMaria, Sua Mãe, e deles não me afastarei, enquanto Ela não me alcançar o perdão.

 
Por ser Mãe de Misericórdia, nem recusa, nem jamais recusou compadecer-se de nossas misérias, e de socorrer os infelizes que lhe imploram o auxilio. E assim, senão por obrigação, ao menos por compaixão, não deixará de induzir O Filho a perdoar-me."

 
Oração de São Boaventura (livro “Glórias de Maria”, de Santo Afonso Maria de Ligório)

Fonte:

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