quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Jesus nos cura de nossa cegueira..



S. Josemaria Escrivá
O pecado dos fariseus não consistia em não verem Deus em Cristo, mas em se encerrarem voluntariamente em si mesmos; em não tolerarem que Jesus, que é a luz, lhes abrisse os olhos. Esse nevoeiro tem resultados imediatos na vida de relação com os nossos semelhantes. O fariseu que, julgando-se luz, não deixa que Deus lhe abra os olhos é o mesmo que tratará soberba e injustamente o próximo, rezando assim: "Dou-te graças porque não sou como os outros homens, ladrões, injustos e adúlteros, nem como esse publicano". E quanto ao cego de nascença, que persiste em contar em verdade da cura milagrosa, ofendem-no: "Saíste do ventre de tua mãe coberto de pecados, e queres ensinar-nos? E expulsaram-no.”

Entre os que não conhecem Cristo, há muitos homens honrados que, por elementar circunspeção, sabem comportar-se delicadamente: são sinceros, cordiais, educados. Se eles e nós não nos opusermos a ser curados por Cristo da cegueira que ainda resta nos nossos olhos, se permitirmos que o Senhor nos aplique esse lodo que, nas suas mãos, se converte no colírio mais eficaz, compreenderemos as realidades terrenas e vislumbraremos as eternas sob uma luz nova, a luz da fé; teremos adquirido um olhar limpo.

Esta é a vocação do cristão: a plenitude dessa caridade que é paciente, benigna, não tem inveja, não é temerária, não se ensoberbece, não é ambiciosa, não é interesseira, não se irrita, não pensa mal, não se alegra com a injustiça, compraz-se na verdade, tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo sofre.

A caridade de Cristo não é apenas um bom sentimento para com o próximo: não se detém no gosto pela filantropia. A caridade, infundida por Deus na alma, transforma por dentro a inteligência e a vontade; dá base sobrenatural à amizade e à alegria de fazer o bem.

São Josemaria Escrivá, É Cristo que Passa, Homilias.

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