terça-feira, 10 de dezembro de 2013

“Cheia de Graça”

Em vez de te chamar por teu nome, Maria, o anjo Gabriel te deu um outro: o nome que possuis aos olhos de Deus. Chama-te “cheia de graça”. És diferente de todas as outras criaturas humanas por causa da plenitude da graça. És a única pessoa no mundo que a graça divina tornou perfeita.

Desde o primeiro instante de tua existência, desde a tua conceição, foste isenta do pecado. No momento em que criava tua alma, Deus preservou-a de toda manha e de todo o poder de satanás. Ele te fez Imaculada, e Imaculada te conservou durante toda a vida.

Num mundo, em que o espetáculo do pecado é tão acabrunhador e onde se manisfestam tão profundas misérias morais, o Criador quis fazer surgir uma alma inteiramente pura. Tanto o olhar divino deplora as faltas dos homens e a degradação que arrastam consigo, como se compraz, sem reserva, em tua admirável perfeição. O próprio Deus te desejou essa perfeição. Queria alguém a quem pudesse olhar sem se cansar, uma beleza humana que pudesse contemplar sem decepção. Queria uma alma que lhe pertencesse totalmente, que nunca se afastasse dele e só lhe oferecesse alegria e amor. Dentro de um universo onde as trevas tentam extinguir a luz, Deus colocou uma luz sem sombras.

Por isso, Maria, tua Imaculada Conceição, antes de se tornar uma alegria para toda a Igreja, foi primeiramente uma alegria do céu inteiro e do próprio Deus. Desde aquele momento, o céu se refletiu perfeitamente na terra, no mistério de uma alma. Com uma alegria sempre nova, o Criador pode considerar-te a obra-prima inexcedível do seu poder e do seu amor.

Houve belas figuras de mulheres, no Antigo Testamento. Sara, mulher de Abraão, que se tornara mãe por especial intervenção de Deus, destinada a ter uma descendência tão numerosa quanto a areia do mar. Maria, a irmã de Moisés, cantara um hino de ação de graças, um primeiro Magnificat, pela libertação do povo judeu. Judite, cheia de confiança em Deus e de coragem, decapitara o inimigo de sua nação e derrotara o exército dos invasores. Estér usara de seu poder de rainha para salvar os compatriotas, não temendo expor a própria vida para lhes obter a salvação. Susana perseverara heroicamente na castidade e preferira morrer a ofender ao Senhor. Todas estas figuras prenunciavam-te, Maria, mas eram ainda imperfeitas. Nenhuma delas foi isenta do pecado; por mais luminosas que fossem, tinha suas sombras e fraquezas.


Em ti, ao contrário, uniram-se todas as perfeições destas mulheres, e nenhuma imperfeição te atingiu. És a libertadora e vencedora do inimigo do gênero humano; és a mãe de uma inumerável descendência; és rainha, empenhada em usar de teu poder pela salvação dos homens; és a Virgem de irrepreensível castidade; teu Magnificat foi a mais vibrante expressão de reconhecimento que já se elevou até Deus. Mas além de tudo isso, és a Imaculada, a Cheia de Graça.

É um privilégio que te foi exclusivamente reservado. Nós, cristãos, antes de recebermos a graça divina, trazemos a manha do pecado original, e conservamos seus vestígios na secreta tendência que nos arrasta para o mal e nos torna fracos na tentação. Entretanto, se teu privilégio é único e se teu lugar é muito acima do nosso, ele te foi concedido para nossa alegria. Se Deus se regozija ao te contemplar, nós também nos alegramos por te ver tão pura. Ficamos felizes por erguer nosso olhar acima das misérias deste mundo e contemplar tua alma Imaculada.

Somos famintos de ideal; por isso, é uma felicidade termos a ti diante dos olhos, como ideal vivo. A graça corre perigo de ser uma entidade abstrata para nossas inteligências, mas sua realidade concreta nos é revelada em ti. Por ti, a graça divina se nos torna visível, e começamos a entrever sua beleza. Tu nos mostras o que é a santidade, em seu esplendor e encanto. E o que ainda mais nos alegra, é encontrar-se tão grande perfeição na mulher que nos foi dada por mãe. O filho gosta de pensar que sua mãe é a melhor de todas; atribui-lhe espontaneamente todas as qualidades e perfeições. Para ele, sua mãe é o que há de mais belo no mundo. E como todos os homens se tornaram teus filhos, ó Maria, deleitam-se em te reconhecer como a mais perfeita mulher. Não poderiam imaginar-te mais bela do que és. Contemplando-te, não se decepcionam. És mãe sem falha alguma, e sempre ultrapassa a imagem ideal que podemos fazer de ti. A plenitude de graça te colocar acima de nossa capacidade de julgar.

Já que és nossa mãe, tua perfeição única nos pertence. Ao criar-te perfeita, Deus te elevou a uma grandeza incomparável. Não estás, porém, longe de nós, pois todas as riquezas da mãe são adquiridas para seus filhos. Só tens um desejo: beneficiar-nos com a plenitude de graça que te foi dada.

A mãe é também honrada quando seus filhos se parecem com ela e refletem suas qualidades. Embora não nos possamos assemelhar perfeitamente a ti, desejamos, pelo menos, aproximar-nos o mais possível da tua perfeição, espelhando o melhor possível teus traços. Faze, pois, refletir-se em nós o esplendor que Deus esconde em tua alma! Faze que, á força de te contemplarmos e admirarmos, nos impregnemos de tua pureza! Tu que és a mais dina das mães, torna-nos menos indignos de ser teus filhos!

Comunica-nos principalmente o cuidado que tiveste durante toda a existência de te conservares Imaculada, de nunca permitir um só pensamento, um afeto, um ato que pudesse ofender a Deus. Procuraste agradar ao Senhor, até nas mínimas coisas. Detestaste o pecado, porque é abominável aos olhos do Onipotente. Nunca permitiste que se ofuscasse a beleza que o Criador pusera em ti. Essa beleza permaneceu intacta desde a tua conceição até a morte. Quando o anjo te saudou “cheia de graça”, eras perfeita como quando saíste das mãos de Deus e assim te conservaste até o último suspiro.

Inspira-nos semelhante horror ao pecado. Que o desejo de agradar a Deus em todas as coisas nos mantenha afastados do mal! Não permitas que consintamos em ofender a Deus. Conserva nossos pensamentos, nossos afetos, nossos atos nas pegadas de tua pureza Imaculada. Fazendo-nos conhecer o encanto da graça divina, mostras-nos também a deformidade do mal. Coloca-nos, pois, ao abrigo dessa deformidade, fixando sempre mais nossos olhos em tua pessoa.

Tu que foste feita Santíssima para nós, Cheia de Graça para teus filhos, ajuda-nos a cumular nossa alma o mais possível com a graça de Deus.

Intenções para a recitação do Terço

Virgem Imaculada,
-inspira-nos horror ao pecado e a tudo o que ofende a Deus;
-nas tentações, conserva-nos fiéis aos mandamentos divinos;
-àqueles que vivem no pecado, obtém a coragem de se voltarem para Deus;
-faze que, por uma conduta irrepreensível, ajudemos os outros a permanecer no caminho reto;
-coloca sob nossos olhos o ideal de tua admirável pureza, para que nos apliquemos a imitá-la!

Invocação

Nossa Senhora, que evitaste tudo o que poderia desagradar a Deus, fortalece nossa resolução de fugir, a todo preço, do pecado!

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