quarta-feira, 13 de abril de 2016

TODA A NOSSA PERFEIÇÃO CONSISTE EM AMAR AO NOSSO AMABILÍSSIMO DEUS

«A caridade é o vinculo da perfeição.» (Colos. III. 14.)
E toda a perfeição do amor de Deus, consiste em unir a nossa vontade com a Sua santíssima vontade. «O principal efeito do amor diz S. Dionísio (De Div. Nom. C. 4.), é unir a vontade daqueles que se amam de maneira, que se torne uma e a mesma von­tade.» Por conseguinte quanto mais uma pessoa está unida com a vontade divina maior será o seu amor. Penitências, medi­tações, comunhões e obras de caridade, praticadas para com o nosso próximo, são de certo agradáveis a Deus, mas quando? quando estas obras são feitas em confor­midade com a Sua vontade, mas, quando elas não se praticam pela vontade de Deus, não só lhe são desagradáveis, mas odiosas e merecedoras unicamente de castigo. Se um amo tivesse dois criados, dos quais um trabalhando todo o dia, mas conforme a sua vontade, e o outro trabalhando à vontade de seu amo, seguramente o amo estimaria mais o segundo do que o primeiro. Como podem nossas ações promover a gloria de Deus, senão forem conformes ao Seu divino agrado? «O Senhor, disse o Profeta a Saul, não deseja sacrifícios, mas obediência à Sua vontade: acaso pede o Senhor holocaustos e vítimas, e não obediência à Sua voz? (I Reis, XV. 22, 23.)
Aquele que trabalha segundo a sua pró­pria vontade, e não conforme a vontade de Deus, comete uma espécie de idolatria, porque em lugar de adorar a vontade di­vina, adora de alguma maneira a sua própria.
A maior gloria pois que nós podemos dar a Deus, é cumprir Sua bendita vontade em tudo. O nosso Redentor, que baixou do Céu à terra para promover a divina gloria, cumprindo com a divina vontade, veio princi­palmente ensinar-nos a assim o praticarmos, pelo Seu mesmo exemplo. Escutemo-lo, como S. Paulo no-lo descreve, falando ao Seu Eterno Pai: Vós não tendes querido sacrifício nem oblação, porém haveis-me dado um corpo… Então eu disse, eis-me aqui ó Deus, para fazer a vossa vontade.» (Heb. X. 5. 9.) Vós tendes recusado as vítimas que os homens vos tem oferecido, e me ordenastes sacrificasse o corpo que me haveis dado, eis-me pronto a fazer a vossa vontade. E ele repetidas vezes declara, que não veio fazer a Sua vontade, mas sim a de Seu Eterno Pai: «Eu desci do Céu, não para fazer a minha vontade, mas sim para cum­prir a daquele que me enviou.» (S. João. VI.) E nisto, desejava Ele, que o mundo conhecesse o amor que tinha a Seu Pai, na Sua obediência à Sua vontade, a qual era que Ele fosse crucificado sobre uma cruz para salvação do gênero humano: por isso, quando o Senhor Se adiantou a encon­trar Seus inimigos, no horto de Getsêmani, que vinham para prendê-lO e matar, Ele disse: «Eu me entrego ao seu furor, para que o mundo veja que eu amo a meu Pai: e que cumpro o que meu Pai me tem or­denado: levantai-vos pois e vamos daqui.» (S. João XIV. 81.) E desta maneira cum­prindo, com a divina vontade, Ele disse que conhecia quem era seu irmão: «Aquele que fizer a vontade de meu Pai, que está no Céu, esse é meu irmão.» (S. Mateus XII. 50.)
Tratato da conformidade com a vontade de Deus – Santo Afonso

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