quinta-feira, 30 de março de 2017

[Sermão] Não ter medo de conhecer, amar e servir a Nosso Senhor Jesus Cristo

Os fariseus compreenderam que o Messias era homem e Deus, compreenderam que Jesus era o Messias, que Ele era o Filho de Deus feito homem. Mas não queriam se submeter a Cristo. Se reconhecessem abertamente que Cristo era o Messias e Deus encarnado, teriam que mudar de vida, teriam que abandonar os seus pecados


Sermão para 17º Domingo depois de Pentecostes
O Evangelho de hoje começa nos mostrando a sabedoria de Nosso Senhor Jesus Cristo e termina pela afirmação clara de sua divindade. A cena narrada no Evangelho de hoje ocorre na última semana de vida de Cristo, entre o Domingo de Ramos e a Quinta-Feira Santa. Nesses dias, os inimigos do Salvador procuravam, de todas as formas, que ele caísse em suas armadilhas, plantadas por perguntas mais ou menos complicadas. No Evangelho desse Domingo, temos um escriba da seita dos fariseus que faz uma pergunta tentando-O. Pouco antes, no Evangelho, está dito que Nosso Senhor havia reduzido os saduceus ao silêncio. Os saduceus eram uma outra seita que havia na época, negando a ressurreição da carne e a imortalidade da alma, por exemplo. Os inimigos de Jesus, de um lado e de outro, faziam-lhe perguntas difíceis para ver se Ele errava, pois se errasse, não seria o Messias. Ou para ver se Ele alterava algum preceito divino, fazendo-se, consequentemente, Deus, o que seria motivo para condená-lO.
Hoje, o escriba pergunta a Nosso Senhor qual o maior dos mandamentos. A resposta que Jesus Cristo dá ao fariseu nos parece bastante simples. Todavia, na época de Nosso Senhor, os fariseus tinham inventado, por conta própria, inúmeros preceitos e havia grande discussão para saber qual deles era o mais importante. Ora, Jesus Cristo coloca as coisas no seu devido lugar, lembrando que o maior preceito é o de amar a Deus. E não de amá-lo de qualquer jeito, mas de amá-lo com todo o coração, com toda a alma e com todo o espírito. Isto é, devemos amar a Deus com todas as potências ou faculdades de nossa alma. Tudo o que fazemos deve ser inspirado, em última instância, pelo amor a Deus. Amor a Deus que não é um sentimento, como Nosso Senhor deixa claro em outro momento. Amor a Deus que se manifesta, diz Ele, na guarda, na observância dos mandamentos. É evidente que esse é o máximo e primeiro mandamento. Todavia, aqueles homens estavam cegos. Cegos pela vontade própria, cegos pelo orgulho, cegos porque seguiam cegos e falsos profetas. Cegos porque seguiam as próprias paixões.
O segundo mandamento, diz o Salvador, é semelhante ao primeiro: amar ao próximo como a si mesmo. Esse segundo mandamento é semelhante ao primeiro porque o verdadeiro amor ao próximo decorre do amor a Deus. O amor ao próximo e o amor a Deus não podem existir separadamente. Quem ama a Deus, amará ao seu próximo. E só ama ao próximo ordenadamente quem o ama por amor a Deus. E amar ao próximo como a si mesmo porque devemos amar a nós mesmos também por amor a Deus, isto é, para agradar a Deus, para alcançar o céu.
Desses dois mandamentos dependem todos os outros mandamentos da lei de Deus. Assim se representam tradicionalmente os mandamentos: na primeira tábua, temos os três mandamentos que se referem diretamente a Deus e, na segunda tábua, temos os sete mandamentos que se referem ao próximo.
Nosso Senhor respondeu perfeitamente à pergunta do fariseu. Todavia, o Salvador sabia que a pergunta vinha da falta de fé dos fariseus nEle. Não acreditavam que Ele fosse o Messias, não acreditavam que Ele fosse Deus. E tinham a ideia de um Messias meramente político. Como muitos hoje colocam praticamente toda a esperança na política, num homem, ou numa forma de governo. Nosso Senhor irá remediar isso. Tendo respondido à pergunta do fariseu, faz Ele mesmo duas perguntas: “que vos parece do Cristo? De quem é Ele filho?” Os fariseus respondem: “Ele é filho de Davi.” Responderam bem. De fato, as Sagradas Escrituras deixam muito claro que o Messias é filho de Davi. Nosso Senhor cita, então, o Salmo 109, escrito por Davi e inspirado por Deus, como inspirada é toda a Sagrada Escritura, como toda a Bíblia. Nesse Salmo, Davi chama o Messias de seu Senhor, dizendo: “disse o Senhor ao meu Senhor, senta-te à minha direita.” Ora, como Davi chama o Messias de Senhor, sendo que o Messias é seu filho? E como o chama de Senhor igualando-o ao Senhor Deus? Se Davi o chama de Senhor como pode o Messias ser seu filho? A resposta é muito clara: o Messias não é somente filho de Davi. O Messias é também filho de Deus. Por isso, Davi o chama de Senhor. Os fariseus compreenderam isso muito bem com a pergunta de Cristo. Compreenderam que o Messias era homem e Deus, compreenderam que Jesus era o Messias, que Ele era o Filho de Deus feito homem. Mas diante das perguntas de Cristo, não responderam, calaram. Não responderam porque não queriam se submeter a Cristo. Se reconhecessem abertamente que Cristo era o Messias e Deus encarnado, teriam que mudar de vida, teriam que abandonar os seus pecados. Desse dia em diante, não lhe perguntaram mais nada. Simplesmente procuraram, por intrigas políticas e religiosas, matá-lo. Tendo a possibilidade de conhecer a verdade e de segui-la, preferiram persegui-la, para continuar em seus pecados, para continuar em seus pensamentos e ideias tortas. Preferiram continuar cegos. Assim acontece com muitos. Não querem reconhecer Nosso Senhor Jesus Cristo, não querem se aprofundar no conhecimento da religião, para não se verem obrigados a mudar de vida, para não se verem obrigados a abandonar os próprios pecados, para não se verem obrigados a abandonar os próprios caprichos, para não se verem obrigados a ter de combater o mundo. Preferem ficar cegos. E na cegueira perseguem Jesus com seus pecados ou chegam até a combatê-lo frontalmente.
Não tenhamos medo, caros católicos, de reconhecer Nosso Senhor Jesus cristo, o Messias, o Salvador, homem e Deus. Não tenhamos medo de praticar os seus mandamentos os seus preceitos. Não tenhamos medo de amá-lo inteiramente, com todo o nosso coração, com toda a nossa alma, com todo o nosso espírito.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

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