quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Quando alguém se humilha por causa dos seus defeitos acalma os outros

Quando um homem se humilha por causa dos seus defeitos, acalma os outros facilmente e satisfaz sem custo os que consigo se iravam. Deus protege e liberta o humilde, ama-o e consola-o. 

Inclina-Se para ele e dá-lhe grande graça; e, depois do seu abatimento, eleva-o à glória. Revela os seus segredos ao humilde, arrasta-o e convida-o docemente para Si. E ele, mesmo na confusão, vive em paz, porque se firma em Deus e não no mundo. [...]

Mantém-te tu em paz; e só então poderás pacificar os outros. O homem pacífico é mais útil do que o muito instruído. O apaixonado, porém, converte o bem em mal e acredita facilmente neste. O homem bom e pacífico converte todas as coisas em bem.

Aquele que está verdadeiramente em paz não suspeita mal de ninguém. Mas o que é descontente e inquieto é agitado por várias suspeitas. Nem descansa, nem deixa descansar os outros. Diz muitas vezes o que não devia dizer e omite fazer o que devia.

Preocupa-se com o que os outros têm de fazer, mas desleixa o que lhe compete. Tem, antes de tudo, cuidado contigo, e poderás então zelar pelo teu próximo.

in Imitação de Cristo (Tratado espiritual do século XV), Livro II - Caps. 2 e 3 

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Suportar as falhas dos outros

Compreendo, agora, que a caridade perfeita consiste em suportar as faltas dos outros, em não se admirar com as suas fraquezas, em edificar-se com os menores actos de virtude que eles praticam, mas, sobretudo, compreendi que a caridade não deve ficar fechada no fundo do coração: Ninguém, disse Jesus, acende uma lâmpada para pô-lo debaixo da mesa, mas sobre o candelabro, a fim de que ilumine a todos os que estão em casa. 

Parece-me que essa lâmpada representa a caridade que deve iluminar, alegrar, não apenas os que me são mais caros, mas todos aqueles que estão em casa. 

Santa Teresinha do Menino Jesus in 'História de uma alma'

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Como um Católico se deve comportar dentro de uma Igreja



Nas Igrejas dever-se-á entrar com humildade e devoção; o comportamento nos seus interiores deve ser calmo, agradável a Deus, trazendo a paz aos demais, uma fonte não só de instrução mas de frescura mental. (...)

Nas igrejas, as solenidades sagradas devem dominar o coração e a mente; toda a atenção deve ser orientada à oração. Portanto, onde é apropriado oferecer desejos celestiais com paz e tranquilidade, que a ninguém seja permitido provocar rebelião, estrondo ou usar da violência. (…) Devem ser evitadas as conversas vãs, e principalmente o baixo calão e a linguagem profana; o falatório deve cessar em todas as suas formas. 

Em suma, tudo o que possa perturbar o culto divino ou ofender os olhos da divina majestade deve ser absolutamente alheio às igrejas, para que, no lugar onde o perdão pelos nossos pecados deveria ser pedido, não haja ocasião de pecado nem o pecado seja cometido. (…) Aqueles porém que desafiarem imprudentemente estas proibições (…) hão de temer a severidade da vingança divina e da nossa, até que tenham confessado a sua culpa e tenham o firme propósito de evitar tais condutas no futuro.

Segundo Concílio de Lyon (1274), Constituição 25

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Como Padre Pio tratava o grave pecado do aborto

O rigor de São Pio de Pietrelcina diante do pecado de aborto salvava as almas dos pecadores. Ele tinha certeza de que tal pecado não podia ser tratado com banalidade.

Certo dia, na sacristia em frente ao confessionário no qual São Padre Pio atendia os penitentes, esperava pela sua vez um homem chamado Mario Tentori. Enquanto fazia o exame de consciência, ouviu o Padre Pio gritar: “Vai embora, animal, vai embora…!”. As palavras do Santo dirigiam-se a um homem que, apenas havia se ajoelhado, saia de dentro do confessionário humilhado, agitado e confuso.


No dia seguinte, Mario apanhou o comboio para Foggia, para depois voltar a Milão. Sentou-se num compartimento no qual havia um só viajante que começou a observá-lo e parecia ter vontade de iniciar uma conversa. Finalmente, perguntou o viajante : “Ontem não estava em San Giovanni Rotondo para se confessar ao Padre Pio?”

“Sim”, respondeu Tentori.

Retomou o outro: “Nós estávamos sentados no mesmo banco, eu estava antes de si. Eu sou aquele a quem o Padre Pio chamou ‘animal’. Lembra-se?”

“Sim”, disse Mario.

Continuou o companheiro de viagem: “Vocês que estavam perto do confessionário talvez não entendido o motivou o Padre Pio me mandar-me embora. O Padre Pio disse-me: ‘Vai embora, animal, vai embora, porque, de acordo com a tua esposa, abortaste três vezes’. Entendeu? O Padre Pio disse ‘abortaste!’ Dirigiu-se a mim porque a iniciativa da minha esposa abortar partiu de mim.”

E começou um pranto que exprimia – como ele mesmo confessou – dor, vontade de não pecar e a firme determinação de voltar até junto do Padre Pio para receber a absolvição e mudar de vida.

O rigor de São Padre Pio havia salvado a vida de um Pai que, após ter negado a vida a três dos seus filhos, corria o perigo de perder a sua própria alma por toda a eternidade, caso o Padre Pio tivesse banalizado o pecado cometido.

(Trechos extraídos da obra “Il Padre San Pio da Pietralcina, la missione di salvare le anime”, di P. Marcellino Iasenza Niro, Edizioni Padre Pio da Pietralcina, 2004)

domingo, 12 de agosto de 2018

Os ataques do Demónio ao Santo Cura d'Ars

Dionísio Chaland, de Bouligneux, jovem estudante de filosofia, num dia de Junho de 1838: Ajoelhei-me no seu genuflexório, para confessar-me, no quarto do próprio santo. Quase pela metade da confissão, um tremor geral agitou toda a peça; o genuflexório moveu-se. Levantei-me aterrorizado. O Sr. Cura agarrou-me por um braço. Não é nada, disse ele. É o demónio.

A 4 de Fevereiro de 1857 o santo pusera-se a ouvir confissões. Pouco antes das 7, as pessoas que passavam diante da casa paroquial viram que saíam chamas do quarto do Padre Vianney. Foram avisá-lo: Sr. Cura, parece que há fogo no seu quarto. Enquanto lhes entregava a chave para que fossem apagá-lo, observou, sem muita preocupação: Esse vilão do demónio, não podendo apanhar o pássaro, queima-lhe a gaiola.

Em 1826, durante uma missão em Montmerle. Durante a noite, ouviu-se um barulho de carro que fazia estremecer o chão. Parecia que a casa vinha abaixo. Produziu-se no quarto do Cura d´Ars, uma tal algazarra que o Pe. Benoit gritou: Estão a matar o Padre Vianney. Todos correram para lá. Mas o que viram? O santo estava deitado tranquilamente no seu leito, que mãos invisíveis tinham arrastado para o meio do quarto. Foi o demónio, disse ele, sorrindo. Não é nada. Sinto muito não vos ter prevenido. É bom sinal… Amanhã cairá um peixe graúdo.

Quem seria esse peixe graúdo? Vigiaram o seu confessionário. De facto, no dia seguinte, após o sermão, viram depois do sermão, o Sr. De Moras, nobre cavalheiro, que, atravessando toda a igreja foi confessar-se com o Cura d´Ars. Aquele cavalheiro tinha descuidado os seus deveres religiosos durante muito tempo. O seu exemplo causou uma profunda impressão nos habitantes de cidade.

Francis Trochu in 'O Santo Cura d'Ars'

sábado, 11 de agosto de 2018

Catecismo Ilustrado - Parte 44 - 5º Mandamento de Deus: Não matar (continuação)



Catecismo Ilustrado - Parte 47

Os Mandamentos

6º Mandamento de Deus: Guardar Castidade

1. O sexto mandamento proíbe todas as ações, vistas e palavras contrárias à castidade.

2. Castiga Deus os pecados contra a castidade de muitos modos, mas especialmente com a cegueira da alma, pena gravíssima, a qual faz que um homem dominado pelo vício da desonestidade não olhe nem a Deus, nem a própria honra, nem mesmo a própria vida.

3. Para evitar este vício vergonhoso, deve-se fugir: 1º da ociosidade; 2º da gula; 3º das vistas licenciosas; 4º da vaidade e da imodéstia no vestir; 5º dos livros e espetáculos desonestos; 6º das cantigas lascivas; 7º das danças e posturas indecentes etc.

4. Este mandamento ordena-nos a castidade da alma e do corpo. Para adquirir e conservar a castidade deve-se: 1º pedi-la amiudadas vezes a Deus, de Quem é dom especial; 2º frequentar os sacramentos; 3º ser devoto de Maria Santíssima; 4º afligir o corpo com jejuns e mortificações.

5. O pecado contra a castidade é gravíssimo: 1º porque mais do que qualquer outro pecado destrói em nós a imagem e semelhança de Deus, tornando-nos semelhantes aos animais; 2º porque profana os nossos corpos que são membros de Jesus Cristo e templos do Espírito Santo.

6. Nosso Senhor declara que o demônio da impureza não se expulsa senão pelo jejum, a mortificação e a oração. Um homem dentre o povo disse a Jesus: “Mestre, trouxe-te o meu filho, que tem um espírito mudo; e este, onde quer que o apanhe, despedaça-o, e ele espuma, e range os dentes, e vai definhando; e eu disse aos teus discípulos que o expulsassem, e não puderam”. E ele, respondendo-lhes, disse: “Ó geração incrédula! Até quando estarei convosco? até quando vos sofrerei ainda? Trazei-mo”. E trouxeram-lho; e quando ele o viu, logo o espírito o agitou com violência, e, caindo o endemoninhado por terra, revolvia-se, escumando. E perguntou ao pai dele: “Quanto tempo há que lhe sucede isto?” E ele disse-lhe: “Desde a infância. E muitas vezes o tem lançado no fogo, e na água, para o destruir; mas, se tu podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós, e ajuda-nos”. E Jesus disse-lhe: “Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê”. E logo o pai do menino, clamando, com lágrimas, disse: “Eu creio, Senhor! Ajuda a minha incredulidade”. E Jesus, vendo que a multidão concorria, repreendeu o espírito imundo, dizendo-lhe: “Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai dele, e não entres mais nele”. E ele, clamando, e agitando-o com violência, saiu; e ficou o menino como morto, de tal maneira que muitos diziam que estava morto. Mas Jesus, tomando-o pela mão, o ergueu, e ele se levantou. E, quando entrou em casa, os seus discípulos lhe perguntaram à parte: “Por que o não pudemos nós expulsar?” E disse-lhes: “Esta casta não pode sair com coisa alguma, a não ser com oração e jejum”.” (Marcos IX, 16-29)

Explicação da gravura

7. Na parte superior, está representado o dilúvio, no qual pereceram todos os homens, exceto Noé e a sua família. Deus enviou esse terrível castigo para punir os homens que se entregavam a todos os crimes, particularmente ao da impureza. Noé, que era virtuoso, salvou-se dentro da arca.

8. Vê-se inferiormente o incêndio de Sodoma e Gomorra, cidades que foram destruídas por Deus em castigo do pecado de impureza.

9. Vê-se na parte inferior à direita Sansão que, cego pela paixão, revelou a Dalila o segredo da sua força. Esta mulher infame mandou-lhe cortar os cabelos, entregando-o aos filisteus que lhe queimaram os olhos e o condenaram a mover a mó dum moinho.

10. À esquerda veem-se dois filhos de Jacob matando o rei Sichen que desonrara uma sua irmã.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

OS DOIS ROCHEDOS

Resultado de imagem para amigasExistem dois rochedos, que podem ser danosos para a juventude hodierna, e contra os quais infelizmente se despedaçam não poucas moças. São eles as amizades levianas e os maus livros.
Não tenhas amizade com pessoas de sentimentos levianos. É coisa muito importante saber escolher as amizades. Com os bons serás boa, com os maus tornar-te-ás má. Se a gota da chuva cair sobre a flor, converter-se-á em gota de orvalho e brilhará à luz do sol, qual pérola preciosa; mas se cair sobre a poeira da rua, tornar-se-á lama, lodo. A mocidade, facilmente, cria simpatia e amizades, o caráter vivo, entusiasta e aberto dos jovens inclina-os a procurar comunicação e correspondência.
A consciência de sua inexperiência, estimulada pelo isolamento e solidão, desperta no jovem o desejo de se unir a outrem e encontrar um coração que pulse em uníssono com o seu, numa sintonia de afetos e ideais. Esta inclinação afetiva pode ser uma cilada à pureza da jovem, principalmente por causa de sua suscetibilidade às impressões várias, devido ao caráter terno e maleável, e pelo espírito elástico e irrequieto, que se deixa facilmente empolgar. Como poderão as palavras carinhosas de um amigo não produzir-lhe uma impressão que dificilmente se apagará?! Como certos princípios não atuarão sobre ela de maneira perniciosa? Como os seus atos não a estimularão a imitá-la? Não é este um fato constatado quando existe certa semelhança de caráter, igualdade de gênio; ou quando as pessoas amigas se distinguem por talentos magníficos, por sua amabilidade natural e proceder atraente, por agradáveis dotes de conversação, por certa ousadia à qual dificilmente se resiste?
Quão pernicioso não será para ti a convivência com tais pessoas, se forem acostumadas com conversas levianas contra a religião e os bons costumes! Como não te hás de tornar, em pouco tempo, vacilante na tua santa fé e na virtude! Embora tais conversações, no começo, te repugnem sobremodo, ainda que tenhas recebido aprimorada formação e gozes de natural tendência para o bem, o mau influxo de tal amizade não desaparecerá, principalmente se houver assídua convivência e trato recíproco. Dia a dia as gotas do veneno imoral irão penetrando na tua alma até que enfim perderás de todo o bom espírito e te perverterás.
Tudo isto se verifica se as pessoas, com quem manténs amizade e convivência, são jovens que não possuem nenhum fundamento sólido de formação religiosa e moral; mas isto dez vezes mais se verifica se essas pessoas pertencerem ao sexo masculino. Como se explica que muitas moças se desviam cegamente e caem em perdição? A razão principal é esta: que elas inadvertidamente e sem aquiescência dos pais alimentam amizades com algum rapaz. Ainda que estes fossem anjos, mesmo assim os passeios clandestinos, em horas impróprias e lugares inconvenientes seriam verdadeiras ciladas para as incautas. Se alimentares tais amizades podes estar certa de que caíras no laço do inimigo; esforça-te, o mais possível, por te libertares dele quanto antes, e não te impeça a tua natural afeição ao reconhecer o perigo. Exerce vigilância sobre o teu coração e sê cautelosa! Não te deixes seduzir por maneiras amáveis, olhares fascinantes e palavras melífluas; mostra-te, sempre, com ânimo forte, e governa-te pelas máximas e preceitos da santa Fé e da reta consciência.
Só com o conhecimento e aquiescência de teus pais e vigiada por eles, ou por outros parentes, poderás travar relações de amizade com algum bom rapaz com o qual tenciones casar, e deverás, naturalmente, conservar-te sempre dentro dos rigorosos limites da decência cristã.
Além disso, relações de amizade só as terás com poucas moças, que tomam a sério os seus deveres, quer religiosos, quer outros, o que poderá fortalecer-te em tudo que é bom e agradável a Deus. Semelhante amiga é um dom inestimável do Senhor e uma grande felicidade para ti, sobremodo se te achares em lugar estranho e longe da casa paterna. O convívio com ela dar-te-á segurança e proteção contra muitos perigos, e te comunicará alegria e ânimo para o bem. Se a tiveres encontrado, permanece-lhe fiel, que daí só te provirão abundantes bênçãos. Aviso-te, porém, seriamente: evita, o mais que puderes, toda convivência com moças vaidosas e frívolas.
Abstém-te, outrossim, de livros dúbios, que discorrem leviamente sobre coisas religiosas, que despertam pensamentos e desejos impuros e sensuais. São tais livros, por assim dizer, amigos sem vida, os quais, não obstante, podem exercer um influxo deletério e seduzir-te ao mal.
Na verdade, o livro pode-se ter sempre à mão, quer de dia quer de noite, no aposento silencioso, no vagão solitário, à sombra do verde bosque.
Abstêm-te dos livros que descrevem, sem nenhum recato, nem qualquer atenção à decência cristã, as coisas mais obscenas, aliciando as mais vis paixões. O mau livro apresenta em capítulos longos, quadros vivos, cenas e debuxos, episódios que estimulam, a imaginação, cativam agradavelmente o coração, alvoroçam as paixões e enchem todo o interior de imagens que, mais tarde, nas horas ociosas da solidão, e até mesmo, no sono, durante a noite, assomam de novo à alma e a precipitam cada vez mais na imundície corruptora. Eis porque a leitura de maus livros é tão perniciosa; ela atua como veneno mortal. Sorve-o a moça, dia a dia, quase inconscientemente, e mais cedo ou mais tarde, porém, com toda a certeza, se manifestará no coração o seu efeito destruidor. A virtude e a fé se tornarão cada vez mais débeis.
Talvez penses assim: eu preciso esclarecer-me e cuidar de minha formação; devo, portanto, instruir-me e ler também esses livros. Mas que esclarecimento é este, que faz naufragar a fé? Que formação esta, que faz perder a inocência? Não é porventura a fé o maior bem do cristão e a inocência o mais belo ornamento da juventude?
Nas obras de autores ímpios ou imorais, aventa-se mentirosamente a dúvida sobre a fé, como franca pesquisa científica, louva-se a descrença como esclarecimento do espírito, pinta-se o vício com cores brilhantes, e assim te arrebatam o precioso tesouro que é a religião e a virtude. Não leias, pois nenhum livro desses, embora escrito magnificamente – veneno é sempre veneno, mesmo quando apresentado no frasco mais fino. Se depois do cumprimento consciencioso e fiel dos deveres, tiveres ainda tempo para alguma leitura, lê então bons livros, que te sejam úteis ou que te instruam, de maneira conveniente. Não hás de ler tudo quanto te oferecem, com apresentação magnífica, ou tudo que vês nas vitrines. O forte prurido pela leitura, que te conduz ao abandono dos trabalhos e deveres, não deves permitir que medre em ti.
É mister que anteponhas a execução dos teus trabalhos moderados às demais coisas.
Aconselho-te, outrossim, a adquirires certo domínio sobre a tua curiosidade, interrompendo às vezes a leitura, quando ela se vai tornando muito interessante. Com este processo se fortificará a tua vontade, de modo que poderás oferecer resistência a tudo quanto seja prejudicial à verdadeira felicidade. Não leias, porém, senão os livros que te edifiquem. Ser-te-á de grande utilidade o leres, cada dia, atenta e vagarosamente, duas páginas do livrinho de ouro “Imitação de Cristo”, aplicando a ti mesma o que diz o autor. Poderei, outrossim, recomendar-te com grande empenho a “Filotéia”, de São Francisco de Sales, ou o “Combate Espiritual”, de Scupoli. Deus também te recompensará, se aqui e ali, em ocasião oportuna, aconselhares, de maneira prudente, um bom livro ou uma boa revista.
Donzela Cristã – Pe. Matias De Bremscheid

terça-feira, 7 de agosto de 2018

A MISSA É UM SACRIFÍCIO DE AGRADECIMENTO PROPORCIONADO À DIVINA BENEFICÊNCIA



Quid retribuam Domino, pro omnibus quae retribuit mihi? Calicem salutaris accipiano, et nomen Domini invocabo – “Que darei ao Senhor por todos os benefícios que me tem feito? Tomarei o cálice da salvação, e invocarei o nome do Senhor” (Sl 115, 12-13)
Sumário. A santa missa foi instituída particularmente para agradecer a Deus os benefícios que nos tem feito. Quando celebramos, e, também de certo modo, quando assistimos ao sacrifício divino, podemos dizer com verdade: Senhor, as vossas misericórdias são imensas; mas eis que vo-las retribuo por meio de uma oferenda que vale tanto como vossos dons, e infinitamente mais. Portanto, se és sacerdote, não deixes um dia de celebrar a missa com a devida preparação e ação de graças; se és simples leigo, procura ao menos assistir à missa, ainda à custa de algum proveito temporal.
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É mais do que justo que agradeçamos ao Senhor os imensos benefícios que nos fez a sua bondade infinita. Nós ainda não existíamos, ainda não existia o mundo, e Deus já nos amava e resolvera criar-nos no tempo e cumular-nos de seus dons na ordem da natureza e na da graça. – Mais: vendo o Eterno Pai que todos nós estávamos mortos e privados de sua amizade por causa do pecado, pelo grande amor que nos tinha, como escreve o Apóstolo, mandou seu Filho amado para satisfazer por nós (1).
A estes e mais outros benefícios que o Senhor fez a todos em geral, acrescentai tantos outros, igualmente inúmeros e imensos, que fez a cada um em particular: tantas inspirações e impulsos ao bem; a remoção de tantos perigos de cair, tantos pecados perdoados; e depois dize-me: Quid retribuam Domino pro omnibus quae retribuit mihi? – “Como poderemos nós, criaturas miseráveis, agradecer dignamente a Deus? – Calicem salutaris acciptam. Eis que Jesus Cristo nos proporcionou o meio para não ficarmos aquém das nossas obrigações, e de dar-lhe dignas ações de graças. É a santa missa, que, na frase de Santo Irineu, foi instituída principalmente por Jesus para este fim, e de que ele mesmo foi o primeiro a servir-se: Et accepto calice, gratias egit – “Tendo tomado o cálice, deu graças” (2).
Com este sacrifício divino o Pai Eterno se dá por plenamente retribuído e satisfeito; porquanto a vítima que lhe é oferecida, é seu próprio Filho, em que põe as suas complacências; e, numa palavra, o sacrifício de um Deus, que na consagração e na comunhão é sacrificado, morrendo misticamente. Portanto, quando celebramos, e, de algum modo também, quando assistimos à santa missa, podemos com verdade dizer a Deus: Senhor, reconhecemos que as vossas misericórdias são imensas; mas eis que Vo-las retribuímos com uma oferenda que por si só tem um valor igual a vossos dons e infinitamente mais. Ó excelência da santa missa!
Se és sacerdote, procura tributar todos os dias a Deus o preito condigno de agradecimento, pela celebração devota da santa missa; e lembra-te de que então rendes mais glória a Deus, do que lhe renderam e lhe renderão em toda a eternidade todos os Anjos e Santos do céu, sem exceptuar a divina Mãe Maria.
– Se não és sacerdote, reverencia os ministros de Deus e procura ao menos assistir todos os dias ao sacrifício divino, mesmo à custa de algum proveito temporal, na certeza de que o Senhor lhe recompensará abençoando todas as tuas ações do dia. – Pela assistência devota ao divino sacrifício, também tu renderás ao Senhor dignas ações de graças, como foi revelado a Santa Teresa. Lamentando-se um dia a Santa por não saber agradecer bastante à divina bondade os favores de que se via cumulado, ouviu uma voz do céu que lhe disse distintamente: Ouve uma missa.
Ah, meu Senhor! Eu também me vejo cumulado de vossas misericórdias, visto que tudo quanto possuo na alma e no corpo me veio de Vós. Vós me destes a existência, de preferência a tantos outros que Vos teriam servido melhor que eu; adotastes-me por Filho no santo Batismo; nos outros sacramentos me abristes outros tantos canais de graças; afinal, destes-me um anjo por guarda, Maria Santíssima por Mãe, e Jesus Cristo por meu Redentor. Permite, ó meu Deus, que em agradecimento de tantos favores Vos ofereça o vosso próprio Filho, que cada dia se sacrifica tantas vezes sobre nossos altares.
Permite igualmente que, vendo meu Jesus todo sacrificado e aniquilado por meu amor no divino Sacramento, eu Vos faça o sacrifício de mim mesmo e o una ao sacrifício de valor infinito de Jesus. Consagro-Vos, ó Senhor, toda a minha alma, toda a minha vontade, toda a minha vida. Aceitai-me pelos merecimentos de Jesus Cristo, e dai-me a graça de Vos renovar este sacrifício todos os dias de minha vida, até morrer consumindo-me todo pela vossa glória.
– Peço também a mesma graça a vós, ó grande Mãe de Deus e minha Mãe, Maria.
  1. Ef 2, 4
    2. Lc 22, 17
 Meditações para todos os dias e festas do ano – Tomo II – Santo Afonso

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Do coração que devemos oferecer a Deus.


“(...)Depois, dirige o teu olhar sobre a lei de Deus que te manda oferecer ao Altíssimo um coração humilde, ao Piíssimo um coração devoto, e ao Santíssimo um coração ilibado.

Um coração humilde, digo, deves oferecer ao Altíssimo pela reverência no espírito, pela obediência nas obras, pela honra nas palavras e nos atos, observando a apostólica regra e doutrina:  "Faze tudo para a glória de Deus."

Um coração devoto deves oferecer ao Piíssimo, invocando em orações fervorosas, saboreando doçuras espirituais, dando muitas graças para que tua alma sempre mais a Deus ascenda pelo deserto como uma varinha de fumo composto de aromas de mirra e de incenso.

Um coração ilibado deves oferecer ao Esposo Santíssimo de maneira que não reine em ti,  - nem nos sentidos, nem na vontade, nem no afeto, - nenhum movimento de maldade interna, e assim, livre de toda a mácula do pecado, possas cantar com o Salmista: "Seja imaculado o meu coração nas tuas justificações para que não seja confundido."

Reflete, pois, diligentemente e vê se tudo isto observaste desde a juventude.

Se a consciência te o afirmar, não o atribuas a ti mesmo, mas à mercê de Deus, e rende-Lhe graças.

Se, porém, achares uma ou mais vezes, num ponto ou em alguns, ou talvez em todos eles, faltaste grave ou levemente por fraqueza, por ignorância ou com pleno conhecimento, procura reconciliar-te com Deus com gemidos inexplicáveis e, para Lhe mostrar a emenda, reveste-te do espírito de penitência, para que possas cantar com o Salmista peninente: "Porque preparado estou para os açoites, e a minha dor está sempre diante de mim."


Excerto do livro "A direção da alma e a vida perfeita"

Por São Boaventur

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

SENTIMENTOS DE CONFORMIDADE COM A VONTADE DE DEUS.



“Terno  Coração  de  Jesus ,  cada  vez  que  eu disser :  Deus seja bendito! - ou : Faça-se a vontade  de  Deus!  - proponho  por  este  meio  aceitar  todas  as  disposições  de  vossa  providencia a meu  respeito,  no  tempo  e  na  eternidade.

Não quero  outro  estado  de  vida ,  outra  casa, outro  alimento,  outra  saúde,  outras  vestes  que as  que  me  derdes. 

Não  quero  outra  fortuna, outro  emprego,  outros  talentos  que  os  que  me haveis  destinado.

Se  quereis  que  meus negocios  não  saiam bem, meus  projetos  se  esvaeçam,  meus processos  se percam,  tudo  que  possuo  seja  roubado,  eu  o quero  também.
·
Se  quereis  que  eu  seja  desprezado,  odiado, abandonado,  difamado,  maltratado,  até  por aqueles  a  quem  tenho  mais  amor :  eu  o  quero também.

Se quereis que eu seja privado  de tudo,  banido de  minha  pátria,  encerrado  num  calabouço,  e viva  em  penas  e  agonias  contínuas :  eu  o  quero também.

Seja  tudo  como  for  de  vosso  agrado  e  pelo tempo  que  quiserdes.

Minha vida mesma ponho entre  vossas  mãos;  aceito  a  morte  que  me destinais, e  todas  as penas que devem acompanha-la.

Uno  minha  morte  à  vossa,  ó  meu  Salvador,  e vo-la  ofereço  em testemunho  de meu amor para convosco. 

Quero  morrer  para  vos  agradar  e cumprir  vossa  divina  vontade.

Ó Jesus, Maria,  José,  objetos  de meu amor, sofra  eu  por  vós,  por  vós  morra,  seja  eu  todo para  vós  e  mais  de  modo  nenhum  para  mim mesmo. Amém.”




Santo Afonso Maria de Ligório

Excerto do livro:  “O segredo do Sagrado Coração de Jesus”