quinta-feira, 30 de julho de 2015

A mansidão no trato com o próximo e os remédios contra a COLERA

Hás de compreender bem, Filoteia, o que diz Jesus Cristo; que devemos aprender dele a ser mansos e humildes de coração e que estes crisma místico deve estar em nosso coração; é, pois, um perigoso ardil do inimigo deter as almas no exterior destas duas virtudes.

Com efeito muitos só possuem sua linguagem, seu ar e suas maneiras exteriores, e não examinando bem as suas ações interiores pensam ser mansos e humildes e não o são de modo algum; e que logo se vê quando apesar desta humildade exterior e mansidão cerimoniosa, exasperam-se com um ardor e orgulho incríveis à mais leve injúria que lhes façam e à menor palavra com que os magoem de passagem.

A humildade verdadeira e a mansidão sincera são esplêndidos preservativos contra o orgulho e a ira que as injúrias costumam excitar em nós, como esse preservativo que o povo denomina "graça de São Paulo", que faz quem o tomou nada sofra, se for mordido ou picado por uma víbora. Mas, se formos picados pela língua de serpente que tem a detração, se o nosso inflamar, não duvidemos que isto seja um indício evidente  que a nossa humildade e mansidão não são verdadeiras nem sinceras, mas artificiosas e aparentes.

O santo e ilustre patriarca, José, mandando os seus irmãos de volta do Egito, para a casa de seu pai, advertiu-os assim: não brigueis no caminho. Digo-te também, Filoteia, que esta vida é uma viagem que temos que fazer para atingir o céu; não nos zanguemos no caminho uns com os outros; andemos em companhia com os nossos irmãos, em espírito de paz e amizade. Generalizando aconselho-te: nunca por nada te exaltes, se for possível, e nunca, por pretexto algum, abras teu coração à ira; pois São Tiago diz expressamente: a ira do homem não opera a justiça de Deus.

Deve-se resistir ao mal e corrigir os maus costumes dos subalternos com santo ânimo e muita firmeza, mas sempre com uma inalterável mansidão e tranquilidade; nada pode aplacar tão facilmente um elefante irritado com a vista de um cordeirinho, e o que mais diminui o ímpeto de uma bala de canhão é a lã.

A correção feita só com a razão recebe-se sempre melhor do que aquela que encerra também a paixão, porque o homem se deixa levar com facilidade pela razão, a que naturalmente é sujeito, ao passo que não pode suportar que o dominem pela razão. Por isso, quando a razão quer fortificar-se pela paixão, faz-se odiosa e perde ou ao menos atenua a sua autoridade, por chamar em seu apoio a tirania e a paixão.

Quando os príncipes visitam com suas famílias os seus Estados em tempo de paz, os povos julgam-se muito honrados com a sua presença e dão largas às sua alegria; mas, quando passam à frente de seus exércitos, esta marcha muito lhes desagrada, porque, embora lhes seja de interesse, sempre acontece, por mais disciplina que reine, que um ou outro soldado mais licencioso cause danos a muitos particulares.

Do mesmo modo se a razão procura com mansidão seus direitos de autoridade por meio de algumas correções e castigos, todos aprovarão e a estimarão, ainda que seja com exatidão e rigor; mas, se a razão mostra indignação, despeito e cólera, que Santo Agostinho chama os seus soldados, ela mais faz-se temer que amar e perturba e oprime a si mesma. É melhor, diz S. Agostinho, escrevendo a Profuturo, fechar inteiramente a entrada do coração à cólera, por mais justa que seja, porque ela lança raízes tão profundas que é muito difícil arrancá-las; assemelha-se a uma plantazinha que se transforma em uma árvore enorme. Não é sem razão que o apóstolo proíbe que deixemos pôr-se o sol sobre a nossa cólera, porque durante a noite ela se converterá em ódio, torna-se quase implacável e nutre-se no coração, de mil arrazoamentos falsos; pois ninguém teve jamais a sua cólera por injusta. 

A ciência de viver sem cólera é melhor do que a de servir-se dela com sabedoria e moderação; e se, por qualquer imperfeição ou fraqueza, esta paixão surpreender o nosso coração, é melhor reprimi-la imediatamente que procurar regrá-la, torna-se senhora da graça e faz como a serpente que, por qualquer buraco por onde mete a cabeça, passa facilmente com todo o corpo. Mas como - hás de perguntar, de certo - qual é o melhor meio de reprimi-la?

É preciso filoteia, que, logo ao sentires o seu primeiro ataque, concentres todas as forças de tua alma contra ela, não de um modo brusco e impetuoso, mas doce e eficazmente; porque, como se vê, muitas vezes nas audiências dos escritores etc., que os empregados fazem mais barulho que aqueles a quem pedem silêncio, acontece também frequentemente que, querendo reprimir a c´lera com impetuosidade, ainda nos perturbamos mais, e o coração, estando assim perturbado não pode ser senhor de si mesmo. 

Depois deste suave esforço, segue o conselho que S. Agostinho dava em sua velhice ao jovem Bispo Auxílio: Faze, costumava dizer-lhe, o que um homem deve fazer, e, se em alguma circinstância da vida tiveres razão de exclamar com Davi: Conturbado com grande pesar está meu olho, recorre, imediatamente a Deus, dizendo com o mesmo profesta: Tende misericórdia de mim, Senhor, para que Ele, estendendo a sua mão direita sobre o teu coração, lhe reprima a cólera. Significa que devemos invocar o auxílio de Deus logo que nos sentimos excitados, imitando os apóstolos no meio da tempestade; e Ele mandará de certo às nossas paixões que se acalmem e a tranquilidade voltará à nossa alma. 

Advirto-te ainda que faças esta oração com uma suave atenção e não com um esforço violento do espírito; esta é a regra geral que se deve observar em todos os remédios contra a cólera.

Logo que, mostrares que levada pela ira, cometestes alguma falta, repara-a sem delongas, por um ato de mansidão e brandura para com aquela pessoa contra quem te irritastes; pois se é uma precaução salutar contra a ira, é um remédio eficacíssimo repará-la imediatamente por um ato de brandura: as feridas recentes são, como se afirma sempre, mais fáceis de curar do que as antigas.

Demais, quando estás com o ânimo calmo e sem motivo algum de irritar-te, faze um grande provimento de brandura e benignidade, acostumando-te a falar e a agir sempre com este espírito, tanto em coisas grandes como pequenas; lembra-te que a Esposa dos Cantares não só tem o mel nos lábios e na língua o tem também debaixo da língua, isto é, no peito, onde com o mel possui também o leite. 

Isto nos mostra que a brandura com o próximo deve residir no coração e não só nos lábios, e que não é bastante ter a doçura do mel, que exala um cheiro agradável, isto é, a suavidade de uma conversa honesta com pessoas estranhas, mas devemos ter também a doçura do leite no lar doméstico, para com os parentes e vizinhos. É o que falta a muitas pessoas, que fora de casa parecem anjos e em casa vivem como verdadeiros demônios".

São Francisco de Sales - Introdução à Vida Devota - Filoteia. Pag. 179 a 181. Vozes de bolso.a

Fonte:

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Três meios contra a raiva, Por S. Afonso de Ligório

"Para isso sirvamo-nos dos seguintes meios:

1 - Procuremos abandonar os movimentos da ira logo ao nascerem, pensando em qualquer outra coisa ou calando-nos. 

2 -Recorramos a Deus, como os apóstolos, ao verem o mar encapelado, porque só a Ele compete apaziguar os corações.

3 - Se, em consequência de nossa fraqueza a ira se apoderou de nosso coração, façamos todo o possível para recuperar a nossa tranquilidade e nos mostrar humildes e mansos com aqueles que foram causa de nossa excitação.

Tudo isso deve ser feito com discrição e não com ímpetos, pois é de suma importância não rasgar ainda mais a ferida. 

O mesmo santo (S. Francisco de Sales) dizia que lhe havia custado muito vencer suas duas paixões predominantes: a ira e o amor. Quanto à primeira, confessou ele que teve de combater durante doze anos para superá-lá. Quanto à segunda, trocou o seu objeto, desprendendo-se das criaturas para consagrar a Deus todo o seu amor. Dessa maneira atingiu o santo uma tão profunda paz interior, que ela se refletia mesmo no seu exterior uma tão profunda alegria de seu rosto. 

Alguns há que, quando excitados pela raiva, procuram desabafar-se e tranquilizar-se, expandindo-se em palavras ásperas: isso, porém, é engano: sua excitação só se tornará maior. Se quiseres, conservar continuamente a paz, deves evitar cuidadosamente o mau humor, e quando notares que te deixaste levar por ele, esforça-te por volares a tua paz habitual. Toma especial cuidado em não passares a noite em tal estado; procura distrair-te com um bom livro, com um cântico devoto ou uma agradável palestra com um amigo. O Espírito Santo diz: 'A ira descansa no seio do insensato' (Ecli 7,10), que ama pouco a Deus; se ela acha entrada no coração de um verdadeiro sábio, será logo expelida, antes de se poder firmar aí. 

Uma alma que ama verdadeiramente a Deus nunca está de mau humor, pois, querendo só o que Deus quer, se realiza sempre sua vontade, permanece sempre tranquila e igual a si mesma, sua sujeição à vontade de Deus assegura-lhe a paz em todas as contrariedades que lhe advém e, assim, é sempre amável e mansa para com todos. 

Sem um grande amor a Jesus Cristo, porém, nunca poderás alcançar um tal espírito de mansidão. A experiência mostra que, quanto mais terno é nosso amor para com Jesus Cristo, tanto mais mansos e afáveis somos para com os outros. 

Como, porém, nem sempre sentimos em nós esse terno amor, devemos nos preparar na meditação para todas as contrariedades que nos sucederem e fazer o propósito de suportá-las com toda a paciência e mansidão em todas as contrariedades e agravos. Se não nos prepararmos de antemão às injúrias, no momento decisivo dificilmente saberemos o que devemos fazer para não sermos arrastados pela ira. À nossa natureza excitada pela paixão parecerá justo que nos oponhamos com violência à ousadia daqueles que nos ofendem; como, porém, nota S. João Crisóstomo, o fogo não é próprio para extinguir o fogo, em vez de acalmar a raiva do próximo, isso só provocará uma resposta mais violenta ainda. 

A esse respeito diz S. Francisco de Sales: "Combate tua impaciência e pratica a afabilidade e mansidão, não só quando ela é expressamente imposta, mas também quando a impaciência parece justificada" (Carta 231). Em tais casos deves responder afavelmente, pois "uma resposta branda quebra a ira" (Prov. 15,1). Se estiveres, porém, excitado, é melhor que te cales, pois que "o olho ofuscado, pela ira, diz S. Bernardo (De Cons., 1.2c c. 11), não pode mais distinguir o que é justo e o que é injusto.". Por isso devemos imitar S. Francisco de Sales, que se propusera firmemente nunca falar enquanto seu coração estivesse agitado."

Santo Afonso Maria de Ligório - Escola da Perfeição Cristã. 

Fonte:

terça-feira, 28 de julho de 2015

Os sofrimentos são um sinal de predestinação

Na foto: Martírio de S. Januário
Enquanto os mundanos se preocupam demasiado com seu exterior, dando seu melhor na aparência externa, roupas caras e "sempre com boa aparência", mostrando que "tem condições financeiras", também exibindo-se aos quatro cantos do mundo com o nariz empinado (os ditos soberbos, falamos disso neste artigo), os filhos de Deus, verdadeiros predestinados tem suas cruzes, dão seu melhor somente para DEUS e se santificam, são zombados, perseguidos, quando não torturados e se tornam mártires por nosso Senhor.

Em vez de nos preocuparmos em estar o tempo inteiro impecável na aparência exterior para se exibir, faz melhor aquele que dá o seu melhor por Deus em todos os aspectos de sua vida, na oração, na vida interior, na modéstia! Sim, a partir do momento em que sabemos o que mais agrada a Deus, não exitamos em fazê-lo.

É o que sempre ensinaram os santos, inclusive Santo Afonso de Ligório no artigo abaixo, convidamos você leitor, a acompanhar o texto. O título deste artigo: "Os sofrimentos são um sinal de predestinação" foi escrito pelo próprio Santo Afonso, bem como o texto. Ambos foram tirado do livro: "A Escola da Perfeição Cristã". 

Lembrando que o próprio Deus Pai responde a S. Catarina de Senaquando ela pergunta 'Porque os maus prosperam', e a resposta de Deus Pai é: 

"Toda obra boa será remunerada, como todo mal terá seu prêmio. Quando praticada no estado de graça, a boa obra merece o céu; quando feita em pecado, embora sem merecimento, terá sua paga de várias maneiras: umas vezes, concedo vida mais longa ou inspiro a meus servidores contínuas orações em favor, com o que tais pessoas se convertem, outras vezes, em lugar de vida mais longa e das orações, concedobens materiais. neste caso os pecadores são como animais de engorda para o matadouro."

Isso é muito forte! Realmente, animais de engorda ao matadouro ... Meditemos sobre isso hoje. E para complementar segue o texto que citamos, do doutor da Igreja: Santo Afonso Maria de Ligório

Os sofrimentos são um sinal de Predestinação


Por Santo Afonso de Ligório

"Ser visitado aqui na terra por tribulações é um sinal especial de predestinação. Isso diz S. Gregório (Mor., 1.26, c. 18) nestes termos: 'os escolhidos, destinados à bem aventurança eterna, terão de viver em aflições aqui na terra'. De fato, lemos na vida dos santos que eles todos, sem exceção, viveram cercados de cruzes. S. Jerônimo escreve à virgem Eustoquium: 'Examina a vida dos santos e verás que todos tinham de sofrer tribulações; só Salomão viveu no meio das alegrias e se perdeu talvez eternamente em consequência disso'. S. Paulo diz que todos os escolhidos devem ser semelhantes a Jesus Cristo. "Os que conheceu na sua paciência também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho' (Rom 8, 29). Ora, a vida de Jesus Cristo foi um sofrimento contínuo e, por isso, para sermos glorificados com Jesus Cristo, ajunta o Apóstolo, devemos sofrer com ele: 'Se padecermos com ele, também com ele seremos glorificados' (Rom 8,17).

Padecer com Jesus Cristo quer dizer padecer resignadamente como nosso Salvador padeceu: 'que não amaldiçoava quando o amaldiçoavam, que não ameaçava quando padecia' (1 Ped 2,23). S. Gregório diz que, como a paciência no padecimento é um sinal de predestinação, assim a impaciência é um sinal de perdição. Por isso nos indica o Senhor que acharemos a bem-aventurança eterna só no sofrer com paciência. 'Na vossa paciência possuireis as vossas almas' (Lc 21,19). (...)"

Os sofrimentos fizeram a delícia dos santos


"Para quem se decide a padecer por Deus, não existem m ais cruzes; achara até alegria no seu padecer. Percorramos a vida dos santos e veremos como eles amaram nos sofrimentos. 

S. Gertrudes dizia que os sofrimentos lhe ocasionavam uma tal alegria que, para ela não havia tempo mais triste que aquele em que nada tinha de sofrer. S Teresa afirmava que não podia viver sem padecer e, por isso, exclamava muitas vezes: 'Ou padecer ou morrer'. S. Maria Madalena de Pazzi ia ainda mais longe, sendo sua senha: 'Padecer e não morrer'. 

O Mártir S. Procópio dizia ao algoz que lhe aplicava sempre outros tormentos: 'Atormenta-me quando quiseres, mas fica sabendo que quem ama a Jesus Cristo nada deseja tão ardentemente como sofrer por seu amor'. Sendo S. Górdio ameaçado com uma morte atroz se não renunciasse a seu divino Mestre, respondeu: 'Sinto poder morrer uma só vez por meu salvador'; Dizendo isto, caminhou intrepidamente para a morte. O Pe. Spinola escreveu de seu cárcere, onde muito teve de sofrer: 'Oh! Como é doce padecer por Jesus Cristo. Já tive notícia de minha condenação; peço-vos que agradeçais à divina bondade pela grande graça que me concede'. A assinatura dizia: Carlos Spinola, condenado á morte por amor de Jesus Cristo. Logo depois foi ele queimado a um fogo lento. Ao ser amarrado ao poste começou a cantar o salmo: 'Louvai ao Senhor, todos os povos, em ação de graças, e, cantando, redeu o espírito à Deus.

Mas como podiam os santos mártires padecer com tanta alegria? perguntar-me-ia alguém, não eram eles de carne e sangue como nós, ou tornou-os Deus insensíveis à dor? S. Bernardo (in Cant. s. 61), responde: "Não foi a insensibilidade, mas o amor de Jesus Cristo que os fez padecer com tanta paciência e alegria. A dor não lhes faltava, mas eles a venciam e desprezavam por amor de seu divino Mestre'. Um grande servo de Deus, o Pe. Hipólito Durazzo, da Companhia de Jesus, dizia: 'Por mais que Deus nos custe, nunca o compraremos caro demais'. Quem não sabe padecer por Jesus Cristo, dizia S.José Calazans, também não sabe ganhar Jesus Cristo. As almas que entendem a linguagem do amor, encontram na cruz o cumprimento de todos os seus desejos, pois sabem que agradam a Deus quando a abraçam de boa vontade."

Fonte:

domingo, 26 de julho de 2015

Santo Afonso Maria de Ligório ensina a importância do silêncio

1. O silêncio é um meio excelente para se alcançar o espírito da oração e para se habilitar para o trato ininterrupto com Deus. Dificilmente se encontrará uma pessoa verdadeiramente piedosa que fale muito.
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Todos que possuem o espírito de oração amam igualmente o silêncio, que é justamente chamado o conservador da inocência, um baluarte contra as tentações e uma fonte de oração, pois que o silêncio favorece o recolhimento e excita no coração bons pensamentos: ele obriga de certo modo a alma a pensar em Deus e nos bens celestes, como diz S. Bernardo (Ep. 78).
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Por essa razão todos os santos e mesmo aqueles que não viveram como anacoretas eram especiais amantes do silêncio.
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O profeta Isaías diz: “O silêncio cultivará na alma a justiça” (Is 32, 17). De um lado ele nos preserva de muitos pecados, removendo a ocasião de altercações, de difamações, rancor e curiosidade; de outro lado, nos auxilia a adquirir muitas virtudes.
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Como não se pratica admiravelmente a humildade quando se ouve modestamente e se guarda o silêncio, enquanto falam os outros; a mortificação, quando, desejando-se narrar algum episódio ou dizer algum chiste se abstém disso, calando-se; a mansidão, quando nada se responde sendo-se injustamente repreendido ou injuriado!
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O muito falar, pelo contrário, traz consigo muitos danos. Como se conserva a devoção pelo silêncio, assim também se perde pelo muito falar. Por mais que se esteja recolhido durante a oração, se depois não se vencer no falar, estar-se-á logo distraído como se não tivesse feito oração. Abrindo-se a tampa de uma estufa, o calor se evapora em curto prazo.
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“Evita o muito falar, admoesta S. Doroteu” (Doct. 24). É fora de dúvida que uma pessoa que fala muito com os homens pouco se entretém com Deus, e que Deus, por sua parte, pouco fala com ela; segundo suas próprias palavras, ele conduz a alma à solidão quando lhe quer dirigir a palavra: “Eu a conduzirei à solidão e lhe falarei ao coração” (Os 2, 14).
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Além disso, nos admoesta o Espírito Santo (Prov 10, 19): “No muito falar não faltará pecado”. Ainda que durante a conversação que se protrai sem necessidade, não se pense que se está cometendo falta, contudo, depois, em um sério exame de consciência, se descobrirá qualquer falta, quer por indiscrição, ou por curiosidade, ou, ao menos, por inútil tagarelice.
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Mas, que digo eu? Não é só de uma ou outra falta que nos tornamos culpados, quando falamos muito, mas de grande número delas. Segundo S. Tiago (Tg 3, 6) é a língua “um mundo de injustiças”; pois, como nota um sábio escritor, o maior número de pecados é ocasionado pelo falar ou pelo ouvir falar.
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Ah! quantas almas não se acharão, no dia do juízo, ente os condenados porque não guardaram sua língua! O pior é que aquele que se entrega à distração pelo intenso trato com as criaturas e pelo muito falar, não conhece suas faltas e, por isso, cai sempre mais profundamente. “O homem que fala muito, diz o salmista (Prov 139, 12), não será dirigido na terra”, e seguirá por mil desvios, sem que se possa esperar a sua emenda.
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Parece que alguns não podem viver sem prosear desde a manhã até à tarde: querem saber tudo o que acontece, incomodam-se com tudo e ainda perguntam que mal fazem com isso. A esses respondo: Deixai de falar tanto, procurai recolher-vos um pouco e conhecereis quantas faltas cometestes com vosso imoderado prosear.
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“Quem guarda a sua boca, guarda a sua alma”, diz o Sábio (Prov 13, 3). E São Tiago escreve:“Quem não peca por palavra é um homem perfeito” (Tg 3, 2).
Quem, por amor de Deus, pratica o silêncio, fará também com diligência a leitura espiritual, a meditação e a visita ao Santíssimo Sacramento. Oh! quanto ama Deus a uma alma que observa o silêncio!
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Principalmente se se mortifica no falar naquelas ocasiões em que sente um desejo especial para falar, por exemplo, depois de um longo retiro, em acontecimentos agradáveis ou desagradáveis.
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Quem costuma, porém, se difundir em conversas estará continuamente distraído e deixará facilmente a oração, a meditação e outros exercícios de devoção e perderá assim, pouco a pouco, o gosto por Deus e pelas coisas divinas.
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É impossível que aquele que não ama o silêncio, diz S. Maria Madalena de Pazzi, ache gosto nas coisas divinas; ele se lançará, mais cedo ou mais tarde, nos braços das alegrias mundanas.
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2. Contudo, a virtude do silêncio não consiste em nunca se abrir a boca para uma conversa, mas em se calar quando não há motivo razoável para se falar. Por isso diz Salomão (Ecle 3, 7): “Há tempo para se calar e tempo para falar”. Nota S. Gregório de Nissa que se fala primeiramente do tempo de se calar, porque pelo silêncio é que se aprende a arte de falar bem.
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Quando, pois, se deverá calar e quando deverá falar um cristão que deseja santificar-se? Ele deve calar-se quando não for necessário falar, e deve falar quando a necessidade ou a caridade o exigir.
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S. Crisóstomo (In ps. 140) estabelece a seguinte regra: “Só quando o falar for mais proveitoso que o calar-se é que se deve falar”. Com isso se harmoniza o conselho dado pelos mestres espirituais: “Cala-te ou fala de tal modo que o falar seja preferível ao silêncio”. S. Arsênio confessou que se arrependeu muitas vezes de ter falado e nunca de ter guardado o silêncio. Por isso S. Efrém aconselha a cada cristão:
“Fala muito com Deus e pouco com os homens” (Encom, in ps.).
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Pelo que farias muito bem, alma cristã, se guardasses o silêncio em certas e determinadas horas do dia e, para não encontrares ocasião de falar, te retirasses, durante esse tempo, para um lugar solitário. Se a obediência ou a caridade não to permitir, procura ao menos achar alguns momentos livres para te recolheres e reparares as faltas que cometeste em tuas conversações, pois o Sábio diz (Eclo 14, 14):
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“Não deixes passar uma partezinha do bem que te é concedido”. Se não puderes empregar para o Senhor mais tempo, consagra-lhe ao menos os curtos instantes que te estão à disposição e procura cortar toda conversação inútil sob qualquer oportuno pretexto.
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Se alguma vez em tua presença se pronunciar alguma palavra indecente, foge então sem demora ou, ao menos, abaixa os olhos e não dês resposta ou então dirige a conversa para outro assunto. Conversas mundanas deves procurar cortá-las quanto antes. S. Francisca Romana recebeu certa vez uma bofetada de seu anjo da guarda porque não deu outra direção a uma conversa de algumas senhoras que falavam sobre coisas fúteis.
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Para não faltares neste ponto, deves, antes de tudo, mortificar a tua curiosidade. O Abade João costumava dizer: Quem quiser refrear sua língua, deve tapar seus ouvidos, reprimindo o desejo de saber novidades.
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3. Se estiveres obrigada a falar, alma cristã, pondera bem primeiramente o que queres dizer: “Coloca tuas palavras na balança” (Eclo 28, 29), te diz o Espírito Santo.
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S. Bernardo diz que as palavras deveriam passar duas vezes pelo crivo da apuração antes de chegarem à língua, para que não se diga o que não é útil declarar. S. Francisco de Sales exprime o mesmo pensamento com outras palavras: “Para não se faltar, na conversa, se deveria ter a boca como que abotoada, para que se pudesse refletir, enquanto se desabotoasse, no que vai se falar”.
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Antes de falar deves, pois, ponderar:

1º. o que queres dizer - se, por exemplo, com isso não ofendes a caridade, a modéstia ou qualquer outro mandamento de Deus;
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2º. com que intenção falas - algumas vezes se diz alguma coisa boa, mas com má intenção, para se aparecer virtuoso ou então espirituoso;
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3º. com quem falas – se com um superior, ou com um igual, ou inferior; se na presença de adultos ou de crianças, que talvez poderiam escandalizar-se com tuas palavras;
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4º. como deves falar - pois é teu dever falar com simplicidade cristã, sem afetação; com humildade, evitando toda a expressão orgulhosa ou vaidosa; com mansidão, sem mostrar impaciência ou ofender o próximo; com discrição, sem querer ter sempre a primeira palavra, principalmente se fores mais moço que os outros; com modéstia, evitando interromper os demais.
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Além disso, deves falar com voz moderada e evitar todas as expressões e gestos que são próprios de um mundano. Finalmente, deves te abster de rir imoderadamente, pois isso de forma alguma está bem a uma pessoa que deseja viver piedosamente, como nota S. Basílio.
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Um riso moderado, porém, que denota a alegria do coração, não é nem contra a civilidade nem contra a piedade.
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Modéstia e alegria é o que deve luzir no procedimento de um bom cristão, e não melancolia e desalento, pois isso desonra a piedade e induz a crer que uma vida dedicada a Deus ocasiona, em vez de paz e alegria, unicamente tristeza e tribulações.

Santo Afonso Maria de LIGÓRIO. Escola da Perfeição Cristã. Obra compilada dos escritos de Santo Afonso Maria de Ligório, Doutor da Igreja, pelo Pe. Saint-Omer, C. SS. R. Petrópolis (s. e.), 1955, p.256-259.

Fonte: Mulher católica.org

sábado, 25 de julho de 2015

10 Sugestões de Santo Antônio para fazer penitência pelos pecados

Santo Antônio de Pádua sempre foi dedicado ao tema da conversão e da penitência. Ele nos sugere pelo menos 10 formas de realizar algum exercício penitencial.


1. Renúncia à própria vontade;
2. Abstinência de comida e bebida;
3. Rigor do silêncio;
4. Vigílias de oração durante a noite;
5. Derramamento de lágrimas;
6. Dedicação de tempo à leitura;
7. Trabalho físico exigente;
8. Ajudar generosamente os outros;
9. Vestir-se modestamente;
10. Desprezar a própria vaidade.

Sermão do Domingo de Pentecostes, 1§7 / Santo Antônio de Pádua.

Fonte:

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Como rezar o Rosário da maneira certa? São Luis de Montfort explica!

É necessária a pureza da Intenção
Não é tanto a duração de uma oração, mas o fervor com a qual é rezada que agrada a DEUS Todo-Poderoso e toca seu Coração.
Mais vale uma única Ave Maria rezada com devoção e fé, que cento e cinquenta rezadas distraidamente.
A maioria dos católicos reza o Rosário, todos os quinze mistérios ou um Terço, ou ao menos, algumas dezenas. Então, porque será que tão poucos, abandonam seus pecados e progridem na vida espiritual?
Com certeza deve ser porque não rezam como se deve! É necessário pensar bem em como se deve orar, se realmente queremos agradar a DEUS e nos tornarmos santos.
Para que se reze o Rosário com fruto é necessário estar em estado de graça ou ao menos que se esteja completamente determinado a abandonar o pecado mortal.
Isto nós sabemos por que os teólogos nos ensinam que as boas obras e as orações são obras mortas, caso sejam feitas em estado de pecado mortal.
Elas não são agradáveis a DEUS, nem podem nos ajudar a ganhar a vida eterna. É por isto que o livro do eclesiástico diz: “O louvor não tem beleza na boca do pecador”(15,9). Louvores a DEUS, a Ave Maria e o PAI Nosso não são do agrado de DEUS, se forem rezadas por pecadores não arrependidos. 
Nosso SENHOR disse: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.” (Mc 7,6) É como se Ele estivesse dizendo: 
“Aqueles que se inscrevem na Minha Confraria e rezam o Rosário todo dia (até mesmo as quinze dezenas), mas sem se arrependerem de seus pecados, Me honram com os lábios apenas, mais seus corações estão longe de Mim.” 
Eu disse que para rezar o Rosário, com proveito, devemos estar em estado de graça “ou pelo menos com firme resolução de deixar de cometer pecados, principalmente os pecados mortais” em primeiro lugar, porque é certo que DEUS só houve as orações dos que estão em estado de graça e seguir-se ia então que as pessoas em estado de pecado mortal não deveriam rezar.
Este ensino é errôneo e é condenado pela santa Mãe Igreja, porque é certo que os pecadores necessitam muito mais rezar que as pessoas justas. Seria uma doutrina horrível, pois é verdade que seria fútil e inútil dizer ao pecador para rezar por inteiro, ou mesmo em parte o seu Rosário porque isto nunca o ajudaria.
Em segundo lugar, porque se eles, os pecadores ingressassem em uma confraria e rezarem o Rosário ou outra, mas não tendo a clara intenção de abandonar o pecado, eles fazem parte dos falsos devotos.
Estes devotos impenitentes, escondidos sob um manto, usando um escapulário e com o Rosário na mão gritam: “Ave Maria, boa Mãe, Santa Maria!…”
E ao mesmo tempo, por seus pecados, eles crucificam Nosso Senhor JESUS CRISTO dilacerando sua carne outra vez.
É uma grande tragédia, pois mesmo dentro das santíssimas Confrarias de Nossa Senhora, almas se precipitaram no fogo do Inferno. 
Nós sinceramente aconselhamos a todos a rezar o Santíssimo Rosário:
aos justos, a fim de que perseverem e cresçam na graça de DEUS;
aos pecadores, para que saiam dos seus pecados.
Mas não agrada, nem pode agradar a DEUS, que exortemos a um pecador que faça manto protetor da Santíssima Virgem um manto de condenação para ocultar seus crimes aos olhos públicos.
O Rosário, que é a cura para todos os nossos males, seria trocado por um veneno mortal e funesto. “A corrupção do melhor se torna o pior!” 
O sábio Cardeal Hugo afirma: “É necessário ser puro como um Anjo para se aproximar da Santíssima Virgem e rezar a Saudação Angélica.” 
Um dia, Nossa Senhora apareceu a um homem imoral dentro de um cesto cheio de frutos, mas o próprio cesto estava cheios de imundícies. O homem teve horror do que vira, e Nossa
Senhora disse: 

“Tu me serves assim! Apresentas-me belíssimas rosas num cesto imundo. Julgas tu mesmo que posso aceitar presentes desta espécie?”
*  *  *
Retirado de: 44º Capitulo – Extraído do Livro “O Segredo do Rosário” São Luiz M. Grignion de Montfort.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

São Maximiliano Maria Kolbe e a Medalha Milagrosa

São Maximiliano Maria Kolbe – Fundador da Milícia da Imaculada
Onde estiver, difunda a Medalha milagrosa…
A essência da Milícia da Imaculada (MI) é constituída da oferta total de nós mesmos, sem limite e nem condições à Imaculada como propriedade, a fim de que Ela faça de nós aquilo que seja do seu agrado e possa agir por meio de nós aos outros.
A segunda condição, o sinal externo desta oferta de si à Imaculada pela vida, morte e eternidade, é a Sua medalha Milagrosa, que os membros da MI carregam sobre o peito.
Tornando-se de tal modo instrumentos nas mãos da Imaculada, todos os dias dirigem-se a Ela com ardente fervor, repetindo as palavras que Ela mesma demonstrou impressa, na aparição, sobre SuaMedalha Milagrosa
“Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós…”; recordando-se também daqueles a quem desejam a salvação se unem nesta frase: “e por todos quantos não recorrem a vós, especialmente pelos inimigos da Santa Igreja”.
Por fim intercedendo por aquelas pessoas que o trabalho de conversão está particularmente no coração, denominando-os com uma frase genérica: “e por todos quantos são a vós recomendados”. 
A Imaculada prometeu derramar muitas graças sobre aqueles que levam consigo a Sua medalha, por isso os membros da MI utilizam a medalha como “balas” (de munição) na luta de conquistar as almas à Imaculada.
Seguros de que quanto mais sincera e profundamente o reino da Imaculada tome posse do mundo, tanto mais isto se transformará em um Paraíso sobre a terra.”
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Retirado de: (Escritos de São Maximiliano – SK 1046)
Fonte: escritosdossantos.blogspot

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Veja quantas enormes dádivas São Domingos recebeu por rezar o Santo Rosário!

São Domingos recebe o Rosário de Nossa Senhora, e deste dia em dia diante esta foi a maior arma e o maior meio de alcançar graças de todo católico.


São Domingos, iluminado pelo Espírito Santo e instruído pela Santíssima Virgem,
Bem como por suas próprias experiências, pregou o Santo Rosário até o fim de sua vida. Ele o pregou por seu exemplo, bem como, em seus sermões, nas cidades e nos lugarejos, diante de grandes e pequenos, diante de sábios e ignorantes, a católicos e a hereges.
O Santo Rosário que ele rezava diariamente era sua preparação para cada sermão e sua ação de graças junto a Nossa Senhora imediatamente após as suas pregações.
Um dia ele tinha que pregar na Catedral Notre Dame de Paris, e era o dia da desta de São
João Evangelista.
Ele se encontrava numa pequena capela, atrás do altar mór, preparando-se em oração para seu sermão como era de costume, quando Nossa Senhora apareceu a ele e disse: “Domingos, mesmo que o que você preparou para pregar seja muito bom, estou lhe dando um sermão muito melhor.” 
São Domingos pegou em suas mãos o livro que Nossa Senhora mencionou, leu o sermão cuidadosamente e quando o compreendeu e nele meditou, deu graças a Santíssima Mãe.
Quando chegou a hora, ele subiu ao público e, apesar de se tratar de dia de festa, não fez menção de São João a não ser quando falou que ele fora digno de ser guardião da Rainha dos Céus.
A assembleia era composta de teólogos e outras pessoas eminentes que estavam habituadas a ouvir discursos sábios e elegantes; mas São Domingos lhes disse que não era o seu desejo dirigir-lhes palavras cultas, sábias aos olhos humanos, mas que falaria na simplicidade do Espírito Santo e na Sua Virtude.
Então, ele começou a pregar sobre o Santo Rosário e explicou a Ave Maria palavra por palavra como se fosse a um grupo de crianças, utilizando-se das ilustrações simples que estavam no livro que Nossa Senhora lhe dera.
Cartagena, o grande estudioso citando o Bem-aventurado Alano de La Roche em “De Dignitate Psalterii,” descreve o seguinte: “O Bem-aventurado Alano escreve que um dia, São Domingos apareceu-lhe em uma visão e disse-lhe: “Meu Filho é bom pregar; mas há sempre o perigo de se procurar mais a eloquência do que a salvação de almas”.
Alano, ouça cuidadosamente o que me aconteceu em Paris, afim que você fique prevenido contra esta espécie de coisas enganosas:
Eu pregava na grande Igreja dedicada à Virgem Maria e estava ansioso em fazer um grade sermão, não por orgulho, mas por causa da alta intelectualidade da assistência.
Uma hora antes da minha pregação, eu estava em recolhimento, rezando meu Rosário, como sempre fazia antes de pregar um sermão, então eu caí em êxtase. Vi minha amada amiga, a Mãe de Deus dirigindo-se a mim com um livro na mão.
Disse-me ela: “Domingos, o sermão que você preparou para hoje está realmente muito bom, entretanto, o que trago para você é bem melhor.”
Certamente que fiquei maravilhado, peguei o livro e li cada palavra. Como Nossa Senhora disse, eu encontrei exatamente o que dizer em meu sermão, assim agradeci a ela de todo o meu coração.
Na hora de começar, vi que a Universidade de Paris concorrera com toda a força, tendo vindo também um grande número de cavalheiros que veriam e ouviriam as grandes coisas que o bom Senhor tinha feito por meu intermédio. Então subi ao púlpito.
Era festa de São João, o apóstolo, porém tudo o que disse sobre ele foi que tinha sido achado digno de ser o guardião da Rainha do Céu.
Então me dirigi à congregação: “Meus Caríssimos e ilustres Doutores da Universidade, vocês estão acostumados a ouvir sermões de conformidade com seus gostos apurados. Agora não mais lhes falarei numa linguagem da escola da sabedoria humana mas, ao contrário, vou lhes falar na linguagem do Espírito de Deus e Sua grandiosidade”.
Terminam aqui as narrações do Bem aventurado Alano, e Cartagena narra ainda com suas próprias palavras: “São Domingos explicava a Saudação Angélica a eles, usando comparações e exemplos da simplicidade do dia a dia da vida.” 
O Bem aventurado Alano, de acordo com Cartagena, menciona outras vezes no qual Nosso SENHOR e Nossa Senhora apareciam a São Domingos, ordenando e inspirando-o a pregar o Santo Rosário mais e mais a fim de salvar os pecadores e converter os hereges.
Em outra passagem Cartagena diz:
O Bem aventurado Alano disse que Nossa Senhora lhe revelara que depois que ela apareceu a São Domingos, seu divino Filho Jesus apareceu-lhe também e disse:
“Domingos, eu me comprazo em ver que você não confia em sua própria sabedoria e que, ao invés de procurar a vaidade humana, está trabalhando com grande humildade em prol da salvação de almas.
Muitos pregadores querem desde o principio pregar ameaçadoramente contra os piores tipos de pecados, falhando em perceber que antes de se dar um medicamento doloroso, é necessário preparar o doente, colocando-o numa mentalidade receptiva a fim de se beneficiar por esse meio.
Eis porquê, antes de qualquer outra coisa, os sacerdotes devem tentar estimular o amor à oração nos corações das pessoas e especialmente um amor peloSaltério Angélico (Rosário).
Se ao menos eles todos começassem a rezá-lo e perseverassem nesta oração, Deus, em Sua Misericórdia, dificilmente recusaria em dar-lhes Sua graça. Por essa razão, eu quero que você pregue o meu Rosário.”
Em outro lugar, o Bem aventurado Alano diz:
Todos os sacerdotes rezam uma Ave Maria com os fiéis antes de pregar o sermão, pedindo pela graça de Deus. Eles assim o fazem por causa da revelação que São Domingos teve de Nossa Senhora.
Disse ela um dia:
“Meu filho, não fique surpreso ao ver seus sermões falharem em alcançar o resultado almejado. Você está tentando cultivar uma terra que não foi regada pela chuva. Recorda que quando Deus quis renovar a face da Terra, Ele enviou primeiro a chuva dos céus, e isto foi uma Saudação Angélica.
Desta maneira Deus recriou o Mundo. Exorta, pois, às pessoas, quando pregardes um sermão, a rezarem o Rosário pois assim fazendo, suas palavras darão fruto às suas almas.”
“São Domingos não esperou por obedecer, e daí em diante ele exerceu grande influência através de seus sermões”. Esta última referência é do “Livro dos Milagres do Santo Rosário” (escrito em italiano) e também encontrada nas obras de Justino (143.º sermão).
Fico feliz em poder citar estes bem conhecidos escritores palavra por palavra no original, em latim, para o benefício de algum sacerdote ou outra pessoa sábia que possa ter alguma dúvida dos poderes maravilhosos do Santo Rosário (N.T. – Omitimos as citações em latim com o fim de não dificultarmos o texto. Acima são citadas as mesmas referências em português).
Enquanto os sacerdotes seguiram o exemplo de São Domingos e pregaram a devoção ao Santo Rosário, a piedade e o fervor transbordaram através de todo o mundo cristão como também nas ordens religiosas que se devotaram ao Rosário.
Mas, desde que os fiéis começaram a negligenciar esta dádiva do Céu, toda espécie de pecados e desordem tem se espalhado largamente.
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Fonte: retirado do livro “O Segredo do Rosário” de São Luis de Montfort.

terça-feira, 21 de julho de 2015

O poder de um sacerdote… Você já pensou nisso?


A Palavra de um homem, um sacerdote, é capaz de fazer descer do Céu o Filho de Deus, vivo, inteiro e imortal...

Admirai-vos, talvez, de me ouvir dizer que a Missa é uma obra maravilhosa?
E não  é, com efeito, inefável maravilha o que opera a palavra de um humilde sacerdote? Que língua angélica ou humana poderia explicar poder tão excessivo?
Quem, jamais, pode imaginar que a palavra de um homem, que não tem, naturalmente, a força de levantar da terra uma palha, receberia da graça o poder surpreendente de fazer descer do Céu o Filho de Deus? 
Aí está um poder maior que o de transportar montanhas, esgotar o mar e abalar os céus; poder comparável, de certo modo, àquele primeiro Fiat com que Deus fez surgir do nada todas as coisas, e que pode mesmo parecer sobrepujar, em outro sentido, aquele Fiat pelo qual a Virgem Santíssima atraiu a seu seio o Verbo Divino.
A Virgem Maria nada mais fez que fornecer a matéria do corpo de Cristo dela formado, sem dúvida, isto é, de seu puríssimo sangue, mas não por ela nem por sua operação: enquanto que a voz do sacerdote, sendo instrumento de Cristo no ato da consagração, O reproduz de um modo novo e admirável, quer dizer, sacramentalmente e isto tantas vezes quantas consagra.
O bem-aventurado João, o Bom, de Mântua, levou um eremita seu companheiro a compreender esta verdade.
Este não conseguia persuadir de que a palavra de um padre tivesse o poder de mudar a substância do pão, no Corpo de Jesus Cristo, e a do vinho em seu Sangue; e, o que é mais deplorável, tinha cedido a essa tentação diabólica.
O servo de Deus percebeu o erro do companheiro, e, conduzindo-o a beira de uma fonte, aí encheu de água uma taça e deu-lhe de beber.
Depois de sorver toda a água, o outro confessou que jamais, em toda a sua vida, provara um vinho tão delicioso. Então João, o Bom, disse-lhe:
Não vedes o milagre, meu querido irmão? Se, por meio de um miserável como eu, a água se mudou em vinho pela onipotência divina, quanto mais deveis crer, por meio das palavras do sacerdote, que são palavras de Deus, o pão e o vinho mudam-se no Corpo e Sangue de Jesus Cristo? Quem ousaria jamais pôr limites à onipotência de Deus?”
Bastou isso para dissipar o engano do eremita, que, expulsando de seu espírito toda a dúvida, fez grande penitência por seu pecado.
Um pouco de fé, mas de fé viva, e confessaremos que inúmeras são as prodigiosas prerrogativas contidas neste admirável Sacrifício.
Aí veremos, com admiração, renovar-se-á a toda hora este prodígio da sagrada humanidade de Jesus Cristo presente em milhares e milhares de lugares, e gozando, por assim dizer, de uma sorte de imensidade que não possui nenhum outro corpo, e só a ela reservada em recompensa do sacrifício de sua vida que Ele fez a Deus Altíssimo.
Um demônio,
…falando pela boca de uma pessoa, fez com que um judeu incrédulo compreendesse esta verdade, por meio de uma comparação material e grosseira.
O homem achava-se numa praça com muitas pessoas, entre as quais a mulher possessa. Nesse momento passou um padre que levava o Santo Viático a um doente. 
Todos os presentes se ajoelharam e prestaram homenagem ao  Santíssimo Sacramento. Só o judeu ficou imóvel e não deu sinal algum de respeito. Vendo isso, a mulher levantou-se furiosa, arrancou-lhe o chapéu e deu-lhe um vigoroso bofetão, dizendo-lhe.
“Desgraçado, porque não te prostras diante do verdadeiro Deus presente neste Divino Sacramento?” – “Que Deus?”, replicou o judeu. “Se fosse verdade, a conseqüência seria haver muitos deuses, pois, ao celebrarem a Santa Missa ele estaria em cada um dos vossos altares”.
A estas palavras, o espírito, que habitava naquela mulher, tomou um crivo e opondo-se ao sol, disse ao judeu que olhasse os raios filtrando-se pelos buracos.
Em seguida ajuntou: “Dize-me, judeu, há então muitos sóis passando pelas aberturas deste crivo, ou um só?” E, à resposta do judeu de que não havia senão um sol, a mulher replicou.
“Por que te espantas, então, de que Deus, feito Homem e feito Sacramento, possa ter, por um excesso de amor, uma presença real e verdadeira sobre vários altares, permanecendo, no entanto, uno, indivisível e imutável?”
Foi o suficiente para confundir a incredulidade do judeu, que por esse raciocínio se viu constrangido a confessar a verdade de nossa Fé.
Ó santa Fé! Apenas um raio de tua luz, e exclamaremos com fervor: Quem ousaria estabelecer limites à onipotência de Deus?
Nesta grande concepção que tinha do poder de Deus, Santa Teresa dizia, muitas vezes, que quanto mais sublimes eram os mistérios de nossa fé, e profundos e impenetráveis à nossa inteligência, com tanto mais força e felicidade neles acreditava, sabendo bem que Deus todo-poderoso pode fazer prodígios infinitamente maiores.
Reanimai, espontaneamente, vossa fé e confessai que este Divino Sacramento é o milagre dos milagres, a maravilha das maravilhas, e que sua maior excelência consiste em ultrapassar nossa pobre inteligência. E tomados de admiração dizei e repeti muitas vezes: Oh! Que grande tesouro! Que imenso tesouro!
Se, porém, sua excelência prodigiosa não vos comove, que vos toque, ao menos, sua
soberana necessidade.
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Fonte: retirado do livro “As Excelências da Santa Missa” de São Leonardo de Porto Maurício.