segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O Santo Rosário é o remédio para os castigos ameaçados ao mundo, causados pelos três pecados capitais: luxúria, avareza e soberba

“Os fiéis de Cristo exaltados pelas meditações e pelas orações [do Santo Rosário], logo se transformaram em outros homens. As sombras das heresias foram afastadas e manifestou-se a luz da Fé Católica” — 
S. Pio V
Saltério de Jesus e de Maria: gênese, história e revelação do Santíssimo Rosário: Pe. Raimundo Spiazzi O.P., ofereceu uma excelente descrição do Beato Alano e dos eventos sucessivos a Alano. Ele assim escreve: “Mas pela nossa fragilidade humana, com o passar do tempo a devoção [do Santo Rosário] esfriou a tal ponto de cair quase no esquecimento. Mas a Virgem vigiava e procurou novamente reacendê-la nos corações dos povos. E como foi o Patriarca S. Domingos o instituidor, assim quis que um dominicano voltasse a pregar à bendita fórmula de oração. Este dominicano foi o Beato Alano, mestre da Ordem.


S. Domingos de Gusmão foi o Patriarca S. Domingos o instituidor do Santo Rosário. A Santíssima Virgem quis que um outro dominicano voltasse a pregar à bendita fórmula de oração. Este dominicano foi o Beato Alano, mestre da Ordem.
Por volta do ano 1460 o P.N. Alano se encontrava em Bretanha celebrando a Santa Missa em uma manhã, quando no momento da consagração, viu Jesus Cristo crucificado na Hóstia dizendo:
‘Alano, tornas a crucificar-me’.
Confuso, o religioso respondeu: ‘Senhor, como eu poderia cometer tal maldade?’
Respondeu-lhe o Senhor:
‘Tu me crucificas com os teus pecados de omissão. Tu tens sabedoria, a função sagrada e a licença de pregar o Santo Rosário e não o fazes’O mundo é cheio de lobos e tu te fizestes um cão dócil, incapaz até de latir. Juro que se não te corriges tornarás alimento dos pobres mortais’.
Após ter dito essas palavras o fez ver as penas infernais e os tormentos, ao qual eram expostas as almas no inferno. Disse o Senhor:
‘Vistes aquelas penas?’ Aquele será o teu lugar, se demorares em pregar o meu Rosário. Vai e eu estarei contigo, assim como toda a corte do Paraíso contra aqueles que tentarão ser obstáculo’.
O Beato Alano ficou muito intimidado. Posteriormente o Beato teve uma segunda visão, que o tornou a encorajar e trouxe-lhe nova esperança.
No dia da Assunção ele estava pregando, quando o Senhor o fez conhecer aquilo que queria dele. Viu a Santíssima Virgem entrar no Paraíso com o seu Filhinho e todos os espíritos angélicos inclinaram-se diante dela saudando-a com as palavras “Ave Maria”. Viu os angélicos tocarem instrumentos quase em forma de Rosário e cantarem “Ave Maria” e outro coro responder ‘Benedicta tu in mulieribus”[1][2] Os espíritos celestes ofereciam o Rosário à Virgem em grupos de cento e cinqüenta. Um deles disse ao Beato Alano:
‘Esse número é sagrado. Está presente na arca de Noé, na taberna de Moisés, no templo de Salomão, nos salmos de David, nos quais é representado Cristo e Maria. Com este número o Senhor gosta de ser glorificado e para que tu pregues o Rosário o Senhor quis fazer-te constatar o quanto é de seu agrado’.


Em uma de suas visões místicas, Beato Alano viu a Santíssima Trindade coroar Maria Imperatriz do Céu. Ela se voltou ao Beato Alano e disse: ‘Prega o que vistes e sentistes. E não temas porque eu estarei sempre contigo e com todos os devotos do meu Rosário’.
Advertiu-o posteriormente que era necessário pregar ao mundo esta devoção, porque tantos eram os males que o afligiam. Teria grande alegria todo àquele que louvasse a Deus daquele modo; enquanto que aqueles que o tivessem desprezado seriam vítimas de calamidades.
Viu que os castigos ameaçados ao mundo são causados pelos três pecados capitais:luxúria, avareza e soberbaPara tais pecados o remédio era o Rosário.
Viu também a Santíssima Trindade coroar Maria Imperatriz do Céu. Ela se voltou ao Beato Alano e disse:
‘Prega o que vistes e sentistes. E não temas porque eu estarei sempre contigo e com todos os devotos do meu Rosário’.
Ele começou a pregar essa devoção, obtendo em todos os lugares grandes frutos espirituais.
No ano de 1475 a Beata Virgem apareceu também ao Superior do convento de Colônia, este também fazia parte da Ordem dos Pregadores. A Virgem o disse que se a cidade de Colônia quisesse realmente liberar-se dos inimigos que a assediavam, era necessário pregar e difundir a prática do Rosário. Só desse modo a cidade seria salva. O culto Superior tornou público o comando da Rainha dos Anjos e depois que o povo abraçou e praticou a oração do Rosário, a cidade foi liberada.

S. Pio V reconheceu o Santo Rosário como meio eficaz para afastar as sombras das heresias e reavivar a Fé Católica

Sabia bem o Santo Pontífice Pio V, quanta força tinha o Rosário no debelar os inimigos de Deus. Ensinava-o a experiência e a confiança que colocava na Virgem e em São Domingos. O Rosário serviu para reprimir o orgulho do imperador Otomano, que assoberbado pelas vitórias, pretendia ter Roma em seu poder. Mas foi humilhado pelas orações do santo Pontífice e dos irmãos da Confraria do Rosário[3].


Retrato do Papa S. Pio V (1504 – 1572) por Palma il Giovane (1548/50 – 1628)
São Pio V, deixou na história da Igreja um Documento de vital importância sobre o Santo Rosário, a Bula Consueverunt de 17 de setembro de 1569[4], na qual trata de São Domingos que, durante a difusão da heresia albigense, “levando os olhos ao Céu, e aquele monte da Gloriosa Virgem Maria benigna Mãe de Deus”[5] , viu “uma maneira fácil e acessível a todos, como também muito devota no orar e implorar a Deus. O Rosário ou Saltério da Beata Virgem Maria, através do qual ela é venerada com a Saudação Angelical repetida cento e cinqüenta vezes, segundo o número do Saltério de David e com a oração do Senhor intercalada em cada dezena. À esta se acrescenta algumas meditações que re-percorrem toda a vida do Senhor Nosso Jesus Cristo”.[6]
São Pio V afirmou em relação a este modo de pregar, difundido pelos Frades de São Domingos e através da Confraria:
“Os fiéis de Cristo exaltados pelas meditações e pelas orações, logo se transformaram em outros homens. As sombras das heresias foram afastadas e manifestou-se a luz da Fé Católica”[7].
E foram apresentadas tantas outras possibilidades aos cristãos:
“Nós também, seguindo os exemplos dos predecessores e vendo a Igreja Militante a nós confiada por Deus, que nestes últimos tempos está sendo agitada por tantas heresias e por tantas guerras, atormentada e aflita atrozmente pelos maus costumes dos homens, preocupados, mas cheios de esperança. Levantamos os olhos àquele monte, de onde provém cada ajuda, exortamos e convidamos cada fiel de Cristo a fazer a mesma coisa amavelmente no Senhor”[8].


S. Pio V obteve de Deus a graça de ter uma visão antecipada da vitória sobre os muçulmanos em Lepanto. A Liga Santa, formada pela República de Veneza, Reino de Espanha, Cavaleiros de Malta e Estados Pontifícios sob o comando de João da Áustria, venceu o Império Otomano no dia 7 de outubro de 1571, ao largo de Lepanto, na Grécia. Esta batalha representou o fim da expansão islâmica no Mediterrâneo.
Em ocasião da vitória de Lepanto no dia 7 de outubro de 1571 (era o primeiro domingo do mês), São Pio V propôs a criação da Festa do Santo Rosário, como comemoração de Santa Maria da Vitória. Em seguida Gregório XIII, no dia 1° de abril de 1573, com a Bula “Monet Apostolus”[9] relança a Confraria do Rosário, e Clemente XI com um Decreto da Congregação dos ritos[10], no dia 3 de outubro de 1716, universaliza a festa do Rosário prevendo a sua celebração no dia 7 de outubro.
Notas
[1] “Bendita és tu entre as mulheres”.
[2] Trata-se de Padre Jacomo Sprenger, já citado na introdução.
[3] SPIAZZI P. R., op. cit. p. 359-360.
[4] BULLARIUM ORD. PRAED. Tom. V, p. 223 Anno 17 Septembris 1569.
[5] “Levans in Coelum oculos, et montem illum Gloriosae Virginis Mariae Almae Dei Genitricis”, in BULLARIUM ORD. PRAED., tom. V, p. 223, anno 17 septembris 1569.
[6] “Modum facilem, et omnibus pervium, ac admodum pium, orandi, et praecandi Deum, Rosarium, seu Psalterium eiusdem Beatae Mariae Virginis nuncupatum, quo eadem Beatissima Virgo Salutatione Angelica centies, et quinquagies ad numerum Davidici Psalterii repetita, et Oratione Dominica ad quamlibet Decimam cum certis meditationibus totam eiusdem Domini Nostri Iesu Christi vitam demonstrantibus, interposita, veneratur”, in Bullarium ord. praed., tom. V p. 223, anno 17 septembris 1569.
[7] “Coeperunt Christifideles meditationibus accensi, his precibus inflammati in alios viros repente mutari, haeresum tenebrae remitti, et lux Catholicae Fidei aperire” , in Bullarium ord. praed., tom. V, p. 223, anno 17 septembris 1569.
[8] “Nos quoque illorum praedecessorum vestigia sequentes, Militantem hanc Ecclesiam divinitus nobis commissam, his temporibus tot haeresibus agitatam, tot bellis, pravisque hominum moribus atrociter vexatam, et afflictam cernentes, lacrymabundos, sed spei plenos, oculos, in montem illum, unde omne auxilium provenit, levamus, et singulos Christifideles ad simile faciendum benigne in Domino hortamur, et monemus”, in BULLARIUM ORD. PRAED., tom. V, p. 223, anno 17 septembris 1569.
[9] Cf. Acta, 2,27,96-98.
[10] Cf. Acta, 2,322,775-787.
“Saltério de Jesus e de Maria: gênese, história e revelação do Santíssimo Rosário”, pelo Beato Alano da Rocha O.P. (1464 d.C.). Publicado originalmente no Website Beato Alano, itália.

“Saltério de Jesus e de Maria: gênese, história e revelação do Santíssimo Rosário”,
pelo Beato Alano da Rocha O.P. (1464 d.C.)

Direitos autorais: O livro pode ser baixado livremente, mas não deve ser reproduzido para fins comerciais. Localiza-se no mercado, mas não tem nenhuma consideração ou direitos de autor para todos aqueles que tenham participado na sua elaboração.Queremos respeitar a letra da vontade “da Madonna do Rosário, que, nas visões do Beato Alano disse que não queria circulação de dinheiro em sua fraternidade. Para garantir esse ideal o livro do Beato Alano foi arquivado junto à SIAE Roma. Para qualquer informação (especificando como Beato Alano) por favor escreva para: beatoalano@hotmail.it. Esta obra recém nascida, ainda necessita de melhorias e correções, que se reservam para uma segunda edição. Pede-se aos latinistas e aos leitores, a bondade de indicar eventuais erros e possíveis traduções diferentes de passagens ainda pouco claras. Disponibiliza-se com tal objetivo um endereço eletrônico de contato: donrobertopaola@virgilio.it. É possível consultar também o site web: www.beatoalano.it




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domingo, 28 de agosto de 2016

Os Sete Sacramentos - SANTÍSSIMA EUCARISTIA - Parte I


Retirado do
Catecismo Maior de São Pio X
Quarta Parte
Dos Sacramentos



§1º. - Da natureza da Santíssima Eucaristia e da presença real de
Jesus Cristo neste Sacramento

594) Que é o Sacramento da Eucaristia?
A Eucaristia é um Sacramento que, pela admirável conversão de toda a substância do pão no Corpo de Jesus Cristo, e de toda a substância do vinho no seu precioso Sangue, contém verdadeira, real e substancialmente o Corpo, Sangue, Alma e Divindade do mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor, debaixo das espécies de pão e de vinho, para ser nosso alimento, espiritual.

595) Está na Eucaristia o mesmo Jesus Cristo que está no Céu e que nasceu, na terra, da Santíssima Virgem?
Sim, na Eucaristia está verdadeiramente o mesmo Jesus Cristo que está no Céu e que nasceu, na terra, da Santíssima Virgem Maria.

596) Por que acreditais que no Sacramento da Eucaristia está verdadeiramente Jesus Cristo?
Eu acredito que no Sacramento da Eucaristia está verdadeiramente presente Jesus Cristo, porque Ele mesmo o disse, e assim no-lo ensina a Santa Igreja.

597) Qual é a matéria do Sacramento da Eucaristia?
A matéria do Sacramento da Eucaristia é a que foi empregada por Jesus Cristo, a saber: o pão de trigo e o vinho de uva.

598) Qual é a forma do Sacramento da Eucaristia?
A forma do Sacramento da Eucaristia são as palavras usadas por Jesus Cristo: Isto é o meu Corpo: este é o meu Sangue.

599) Que é a hóstia antes da consagração?
A hóstia antes da consagração é pão de trigo.

600) Depois da consagração, que é a hóstia?
Depois da consagração, a hóstia é o verdadeiro Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo, debaixo das espécies de pão.

601) Que está no cálice antes da consagração?
No cálice, antes da consagração, está vinho com algumas gotas de água.

602) Depois da consagração, que há no cálice?
Depois da consagração, há no cálice o verdadeiro Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, debaixo das espécies de vinho.

603) Quando se faz a mudança do pão no Corpo, e do vinho no Sangue de Jesus Cristo?
A conversão do pão no Corpo, e do vinho no Sangue de Jesus Cristo, faz-se precisamente no ato em que o sacerdote, na santa Missa, pronuncia as palavras da consagração.

604) Que é a consagração?
A consagração é a renovação, por meio do sacerdote, do milagre operado por Jesus Cristo na última Ceia, quando mudou o pão e o vinho no seu Corpo e no seu Sangue adorável, por estas palavras: Isto é o meu Corpo; este é o meu Sangue.

605) Como é chamada pela Igreja a miraculosa conversão do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Jesus Cristo?
A miraculosa conversão, que todos os dias se opera sobre os nossos altares, é chamada pela Igreja transubstanciação.

606) Quem deu tanta virtude às palavras da consagração?
Foi o mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor, Deus onipotente, que deu tanta virtude às palavras da consagração.

607) Depois da consagração não fica ainda alguma coisa do pão e do vinho?
Depois da consagração ficam só as espécies do pão e do vinho.

608) Que são as espécies do pão e do vinho?
Dizem-se espécies a quantidade e as qualidades sensíveis do pão e do vinho, como a figura, a cor, o sabor.

609) De que maneira podem ficar as espécies do pão e do vinho sem a sua substância?
As espécies do pão e do vinho ficam maravilhosamente sem a sua substância por virtude de Deus Onipotente.

610) Debaixo das espécies de pão está só o Corpo de Jesus Cristo, e debaixo das espécies de vinho está só o seu Sangue?
Tanto debaixo das espécies de pão, corno debaixo das espécies de vinho, está Jesus Cristo vivo e todo inteiro com seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade.

611) Podereis dizer-me por que tanto na hóstia como no cálice está Jesus Cristo todo inteiro?
Tanto na hóstia como no cálice está Jesus Cristo todo inteiro, porque Ele está na Eucaristia vivo e imortal como no céu; por isso onde está o seu Corpo, está também o seu Sangue, sua Alma e sua Divindade; e onde está seu Sangue está também seu Corpo, sua Alma e sua Divindade, pois tudo isto é inseparável em Jesus Cristo.

612) Quando Jesus está na hóstia, deixa de estar no Céu?
Quando Jesus está na hóstia, não deixa de estar no Céu, mas encontra-se ao mesmo tempo no Céu e no Santíssimo Sacramento.

613) Jesus Cristo está presente em todas as hóstias consagradas do mundo?
Sim, Jesus está presente ein todas as hóstias consagradas.

614) Como é possível que Jesus Cristo esteja em todas as hóstias consagradas?
Jesus Cristo está em todas as hóstias consagradas, por efeito da onipotência de Deus, a quem nada é impossível.

615) Quando se parte a hóstia, parte-se também o Corpo de Jesus Cristo?
Quando se parte a hóstia, não se parte o Corpo de Jesus Cristo, mas partem-se somente as espécies do pão.
616) Em que parte da hóstia fica o Corpo de Jesus Cristo?
O Corpo de Jesus Cristo fica inteiro em todas e em cada uma das partes em que a hóstia foi dividida.

617) Está Jesus Cristo tanto numa hóstia grande como na partícula de uma hóstia?
Tanto numa hóstia grande, como na partícula de uma hóstia, está sempre o mesmo Jesus Cristo.

618) Por que motivo se conserva nas igrejas a Santíssima Eucaristia?
Conserva-se nas igrejas a Santíssima Eucaristia, a fim de ser adorada pelos fiéis, e levada aos enfermos, quando for necessário.

619) Deve-se adorar a Eucaristia?
A Eucaristia deve ser adorada por todos, porque Ela contém verdadeira, real e substancialmente o mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor.

§ 2º. - Da instituição e dos efeitos do Sacramento da Eucaristia

620) Quando instituiu Jesus Cristo o Sacramento da Eucaristia?
Jesus Cristo instituiu o Sacramento da Eucaristia na última ceia que celebrou com seus discípulos, na noite que precedeu sua Paixão.

621) Por que instituiu Jesus Cristo a Santíssima Eucaristia?
 Jesus Cristo instituiu a Santíssima Eucaristia, por três razões principais:
1º para ser o sacrifício da nova lei;
2º para ser alimento da nossa alma;
3º para ser um memorial perpétuo da sua Paixão e Morte, e um penhor precioso do seu amor para conosco e da vida eterna.

622) Por que Jesus Cristo instituiu este Sacramento debaixo das espécies de pão e de vinho?
Jesus Cristo instituiu este Sacramento debaixo das espécies de pão e de vinho, porque a Eucaristia devia ser nosso alimento espiritual, e era por isso conveniente que nos fosse dada em forma de comida e de bebida.

623) Que efeitos produz em nós a Santíssima Eucaristia?
Os principais efeitos que a Santíssima Eucaristia produz em quem a recebe dignamente são estes:
1º conserva e aumenta a vida da alma, que é a graça, como o alimento material sustenta e aumenta a vida do corpo;
2º perdoa os pecados veniais e preserva dos mortais; produz consolação espiritual.

624) Não produz em nós a Santíssima Eucaristia outros efeitos?
Sim. A Santíssima Eucaristia produz em nós outros três efeitos, a saber:
1º enfraquece as nossas paixões, e em especial amortece em nós o fogo da concupiscência;
2º aumenta em nós o fervor e ajuda-nos a proceder em conformidade com os desejos de Jesus Cristo;
3º dá-nos um penhor da glória futura e da ressurreição do nosso corpo.

§ 3º. - Das disposições necessárias para bem comungar

625) Produz o Sacramento da Eucaristia sempre em nós os seus maravilhosos efeitos?
O Sacramento da Eucaristia produz em nós os seus maravilhosos efeitos, quando o recebemos com as devidas disposições.

626) Quantas coisas são necessárias para fazer uma comunhão bem feita?
Para fazer uma comunhão bem feita, são necessárias três coisas:
1º estar em estado de graça;
2º estar em jejum desde uma hora antes da comunhão;
3º saber o que se vai receber e aproximar-se da sagrada Comunhão com devoção.

627) Que quer dizer: estar em estado de graça?
Estar em estado de graça quer dizer: ter a consciência limpa de todo o pecado mortal.

628) Que deve fazer antes de comungar quem sabe que está em pecado mortal?
Quem sabe que está em pecado mortal, deve fazer uma boa confissão antesde comungar; porque para quem está em pecado mortal, não basta o ato de contrição perfeita, sem a confissão, para fazer uma comunhão bem feita.

629) Por que não basta o ato de contrição perfeita, a quem sabe que está em pecado mortal, para poder comungar?
Porque a Igreja ordenou, em sinal de respeito a este Sacramento, que quem é culpado de pecado mortal, não ouse receber a Comunhão, sem primeiro se confessar.

630) Quem comungasse em pecado mortal, receberia a Jesus Cristo?
Quem comungasse em pecado mortal, receberia a Jesus Cristo, mas não a sua graça; pelo contrário, cometeria sacrilégio e incorreria na sentença de condenação.

631) Em que consiste o jejum eucarístico?
O jejum eucarístico consiste em abster-se de qualquer espécie de comida ou bebida, exceto a água natural, que, na atual disciplina eucarística, não quebra o jejum.

632) Pode comungar quem engoliu restos de comida presos aos dentes?
Quem engoliu restos de comida presos aos dentes, pode comungar, porque já não são tomados como alimentos ou perderam tal condição.

633) Quem não está em jejum, pode comungar alguma vez?
Comungar sem estar em jejum é permitido aos doentes que estão em perigo de morte, e aos que obti prolongada. A comunhão feita pelos doentes em perigo de morte chama-se Viático, porque os sustenta na viagem que eles fazem desta vida à eternidade.

634) Que querem dizer as palavras: saber o que se vai receber?
Saber o que se vai receber quer dizer: conhecer o que ensina com respeito a este Sacramento a Doutrina Cristã e acreditá-lo firmemente.

635) Que quer dizer: comungar com devoção?
Comungar com devoção quer dizer: aproximar-se da sagrada Comunhão com humildade e modéstia, tanto na própria pessoa como no vestir, e fazer a preparação antes e a ação de graças depois da Comunhão.

636) Em que consiste a preparação antes da Comunhão?
A preparação antes da Comunhão consiste em nos entretermos algum tempo a considerar quem é Aquele que vamos receber e quem somos nós; e em fazer atos de fé, de esperança, de caridade, de contrição, de adoração, de humildade e de desejo de receber a Jesus Cristo.

637) Em que consiste a ação de graças depois da Comunhão?
A ação de graças depois da Comunhão consiste em nos conservarmos recolhidos a honrar a presença do Senhor dentro de nós mesmos, renovando os atos de fé, de esperança, de caridade, de adoração, de agradecimento, de oferecimento e de súplica, pedindo sobretudo aquelas graças que são mais necessárias para nós e para aqueles por quem somos obrigados a orar.

638) Que se deve fazer no dia da Comunhão?
No dia da Comunhão deve-se manter, o mais possível, o recolhimento, ocupar-se em obras de piedade, bem como cumprir com grande esmero os deveres de estado.

639) Depois da sagrada Comunhão, quanto tempo permanece Jesus Cristo em nós?
Depois da sagrada Comunhão, Jesus Cristo permanece em nós com a sua graça enquanto se não peca mortalmente; e com a sua presença real permanece em nós enquanto se não consomem as espécies sacramentais.

§ 4º - Da maneira de comungar

640) Como devemos apresentar-nos no ato de receber a sagrada Comunhão?
No ato de receber a sagrada Comunhão devemos estar de joelhos, com a cabeça medianamente levantada, com os olhos modestos e voltados para a sagrada Hóstia, com a boca suficientemente aberta e com a língua um pouco estendida sobre o lábio inferior. Senhoras e meninas devem estar com a cabeça coberta.

641) Como se deve segurar a toalha ou a patena da Comunhão?
A toalha ou a patena da Comunhão deve-se segurar de maneira que recolha a sagrada Hóstia, caso ela viesse a cair.

642) Quando se deve engolir a sagrada Hóstia?
Devemos procurar engolir a sagrada Hóstia o mais depressa possível, e convém abster-nos de cuspir algum tempo.

643) Se a sagrada Hóstia se pegar ao céu da boca, que se deve fazer?
Se a sagrada Hóstia se pegar ao céu da boca, é preciso despegá-la com a língua, nunca porém com os dedos.

§ 5.o - Do preceito da comunhão

644) Quando há obrigação de comungar?
Há obrigação de comungar todos os anos pelei Páscoa, na própria paróquia, e além disso em perigo de morte.

645) Em que idade começa a obrigar o preceito da Comunhão pascal?
O preceito da Comunhão pascal começa a obrigar na idade em que a criança é capaz de recebê-la com as devidas disposições.

646) Pecam aqueles que têm idade capaz para serem admitidos à Comunhão e não comungam?
Aqueles que, tendo a idade capaz para serem admitidos à Comunhão, não comungam, ou porque não querem, ou porque não estão instruídos por sua culpa, pecam sem dúvida. Pecam outrossim os seus pais, ou quem lhes faz as vezes, se o adiamento da Comunhão se dá por sua culpa, e hão de dar por isso severas contas a Deus.

647) É coisa boa e útil comungar frequentemente?
É coisa ótima comungar frequentemente e até todos os dias, contanto que se faça com as devidas disposições.

648) Qual a frequência com que se deve comungar?
Pode-se comungar tão frequentemente quanto o permita o conselho de um confessor piedoso e douto.