sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Missa Tridentina X Missa Nova - Palestra do Padre Joaquim

Nota do Blog: O Padre Joaquim, do Mosteiro Nossa Senhora do Rosário e da Fé, realizou na cidade de Anagé - BA uma palestra sobre a diferença da Santa Missa Tridentina para a Missa Nova, destacando a importância de ser verdadeiramente católico.





Fonte:

As pequenas mortificações

Oh! Como gosto dessas pequenas mortificações que não são vistas por ninguém, como levantar-se um quarto de hora mais cedo, levantar-se um momentinho para rezar durante a noite; não falta, porém, quem só pense em dormir.

Pode a gente privar-se de se aquecer; se se acha mal sentado, não procurar colocar-se melhor; se passeia no seu jardim, privar-se de alguns frutos que dariam prazer; cuidando da casa, pode-se não comer alguns pedacinhos que se apresentam, privar-se de ver alguma coisa que atrai o olhar e que é bonita, sobretudo nas ruas das grandes cidades. Quando vamos pelas ruas, fixemos o nosso olhar em Nosso Senhor carregando a cruz na nossa frente, na Santíssima Virgem que nos olha, no nosso anjo da guarda que está ao nosso lado.

É ainda uma coisa boa renunciar à própria vontade. A vida de uma pobre criada, que não tem outra vontade senão a dos patrões, se ela souber pôr a proveito essa renúncia, pode ser tão agradável a Deus quanto a de uma religiosa que está sempre em face da regra.

No próprio mundo, a toda hora, acha-se em que renunciar à própria vontade: priva-se a gente de uma visita que dá prazer, cumpre uma obra de caridade que aborrece, deita-se dois minutos mais cedo; quando duas coisas se apresentam a fazer, dá-se preferência à que nos agrada menos...

S. João Maria Vianney, Pensamentos Escolhidos do Cura D'Ars.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Ordenação diaconal do Ir.Andreas, OSB. S.E.R Monsenhor Richard Williamson

Convento das Irmãs Rosarianas, Anápolis-GO.

Fonte:
















 














Jesus Cristo é uma Ponte


Deus Pai a Sta Catarina de Sena

Para ajudar-vos a deixar o mundo e chegar à vida eterna, foi preciso que eu reconstruísse a estrada interrompida. Com material puramente humano, era impossível fazer uma ponte de envergadura tal, que atravessasse o rio do pecado e atingisse a vida eterna. Vossa natureza humana era incapaz de satisfazer pela culpa e de cancelar a mancha do pecado de Adão, mancha que estragara a humanidade e lhe dera o mau cheiro da culpa. Ocorreu que o humano se unisse à Deidade eterna; somente assim foi possível dar satisfação por todos os homens. A natureza humana iria padecer e a divina aceitaria o sacrifício em meu Filho, sacrifício oferecido na intenção de retirar-vos da morte e restituir-vos a vida. Desse modo, o Altíssimo humilhou-se ao plano do humano e das duas naturezas construiu a ponte, desobstruindo a estrada. Para quê? A fim de que vós pudésseis ser felizes com os anjos. Todavia, de nada adiantaria terdes meu Filho como ponte, se não a atravessásseis.

Descrição da Ponte

(...) Quero descrever-te a ponte. Já disse que ela se estende do céu à terra, graças à união (hipostática) que realizei com o homem formado do limo da terra. Essa ponte é meu Filho e possui três degraus; dois deles foram construídos no madeiro da cruz e o terceiro, quando ele na amargura bebeu fel e vinagre. Em tais degraus reconhecerás três estados da alma, como abaixo explicarei. O primeiro degrau é formado pelos pés; significam o amor, pois como os pés transportam o corpo, assim o (duplo) amor faz caminhar a alma. Os pés cravados na cruz servem-te de degrau para atingir a chaga do peito, que te revela o segredo do coração. Após subir até aos pés pelo amor, o homem fixa o pensamento no coração aberto de Cristo e saboreia sua caridade inefável e consumada. Disse caridade "consumada", porque Cristo vos ama sem interesse pessoal; em nada sois de utilidade para ele, que forma uma só coisa comigo. Vendo-se amada, a pessoa se enche de caridade. Enfim, após atingir o segundo degrau, chega-se ao terceiro, que é a boca de Cristo. Nela o homem encontra a paz, depois (de vencer) a grande guerra contra as próprias culpas. No primeiro degrau o cristão se afasta da afeição terrena, despoja-se dos vícios; no segundo, adquire as virtudes; no terceiro, goza a paz. São três, portanto, os degraus da ponte: passa-se do primeiro ao segundo, para atingir o último. A ponte é alta; quando se passa por ela, a água do pecado não atinge a alma. Em Jesus não houve pecado.

Cristo atrai a si todas as coisas

Essa ponte acha-se no alto, mas não separada dos homens. Sabes quando se ergueu? No momento em que Cristo foi elevado no lenho da cruz. Então, a natureza divina continuava unida à vossa pequenez; meu Filho amalgamara-se com a natureza humana. Antes de ser erguida, ninguém passava por tal ponte. Jesus mesmo disse: "Quando eu for elevado, atrairei a mim todas as coisas" (Jo 12,32). Julguei que não havia outra maneira de vos atrair; enviei, pois, meu Filho para ser cravado na cruz, bigorna em que seria fabricado o filho do homem, livrando-o da morte e restituindo-o à vida. Ao manifestar sua imensa caridade, meu Filho atraiu a si todas as coisas. É sempre o amor que atrai o coração humano. Dando sua vida por vós, ele revelou o amor maior (Jo 15,13). Quando não existe no homem a oposição maldosa, a força do amor atrai sempre.

Portanto, segundo quanto afirmou, meu Filho atrairia a si todas as coisas ao ser elevado na cruz. Essa verdade pode ser entendida de duas maneiras. Primeiro, no sentido explicado. Porque o coração humano, ao ser atraído pelo amor, leva consigo todas as faculdades da alma: a memória, a inteligência, a vontade. Quando são harmonizadas e reunidas tais faculdades, todas as ações humanas - corporais ou espirituais - ficam-me agradáveis, pois unem-se a mim na caridade. Foi exatamente para isso que meu Filho se elevou na cruz, trilhando os caminhos do amor cruciante. Ao dizer, "quando eu for elevado, atrairei a mim todas as coisas", ele queria significar: quando o coração humano e as faculdades forem atraídas, todas as demais faculdades e suas ações também o serão. Em segundo lugar, há um outro significado: que todos os seres foram criados para o homem. Os demais seres devem servir ao homem, não ao contrário. Só a mim ele há de servir, com todo o afeto do seu coração. Compreendes, então? Se a humanidade for atraída, todos os demais seres a seguirão, pois para o homem foram criados.

Tal é a finalidade por que a ponte, Cristo, foi colocada no alto, e por que possui três degraus: para ser mais facilmente percorrida.

O material da ponte

O pavimento desta ponte é feito de pedras, a fim de que a chuva (da justiça divina) não retenha o caminhante. "Pedras" são as virtudes verdadeiras e reais. Antes da paixão de meu Filho, elas ainda não tinham sido assentadas, motivo pelo qual os antigos não atingiam o céu, mesmo que vivessem piedosamente. O Paraíso ainda não fora aberto com a chave do Sangue, e a chuva da justiça divina impedia a caminhada. Quando aquelas pedras foram assentadas no corpo do meu Filho - por mim comparado a uma ponte - foram embebidas, amalgamadas e assentadas com sangue. Em outras palavras: o sangue (humano) foi misturado com a cal da divindade e fortemente queimado no calor da caridade. Tais pedras foram postas em Cristo por mim, mas é nele que toda virtude é comprovada e vivificada. Fora de Jesus ninguém possui a vida da graça. Ocorre estar nele, trilhar suas estradas, viver sua mensagem. Somente ele faz crescer as virtudes, somente ele as constrói como pedras vivas, cimentando-as com o próprio sangue. Nele, todos os fiéis caminham na liberdade, sem o medo da justiça divina, pois vão cobertos pela misericórdia, descida do céu no dia da encarnação. Foi a chave do sangue de Cristo que abriu o céu.

Portanto, esta ponte é ladrilhada, seu telhado é a misericórdia. Possui também uma despensa, constituída pela hierarquia da santa Igreja, que conserva e distribui o Pão da vida e o Sangue. Assim, minhas criaturas, viandantes e peregrinas, não fraquejam de cansaço na viagem. Para isto ordenei que vos fosse dado o Corpo e o Sangue do meu Filho, Homem-Deus.

Os dois caminhos

Para atravessar a ponte, chega-se a uma porta, que é o próprio Cristo; por ela todos os homens devem passar. Disse Jesus: "Eu sou o caminho, a verdade, e a vida; quem vai por mim não caminha nas trevas, mas na luz" (Jo 8,12); e em outra passagem afirma que ninguém oide chegar a mim a não ser por meio dele (Jo 14,6). Se ainda bem recordas, foi o que te disse uma vez e fiz ver. Se Jesus diz que ele é o caminho, profere uma verdade. Eu o mostrei a ti na figura de uma ponte; sua afirmação é verdadeira; ele está unido a mim, suma Verdade. Quem o segue caminha na Verdade. Ele é também a Vida; seus seguidores possuem a vida da graça, não padecem fome; ele é o alimento. Nem vivem na escuridão; Jesus é a Luz. Em Cristo não existe mentira. Pela verdade ele confundiu e destruiu a mentira do demônio, enganador de Eva. Aquela mentira destruíra a estrada (do céu); Jesus a reconstruiu no seu sangue. Quem vai por tal caminho é filho da Verdade, atravessa a ponte e chega até mim, Verdade eterna, oceano de paz.

Quem não trilha esse caminho, vai pela estrada inferior, no rio do pecado. É uma estrada sem pedras, feita somente de água, inconsistente; por sobre ela ninguém vai sem se afundar. É o caminho dos prazeres e das altas posições, daqueles cujo amor não repousa em mim e nas virtudes, mas no apego desordenado ao que é humano e passageiro. Tais pessoas são como a água, sempre a escorrer. À semelhança daquelas realidades, vão passando. Eles acham que são as coisas criadas, objeto de seu amor, que se vão; na realidade, também eles caminham continuamente em direção à morte. Bem que gostariam de deter-se, reter na vida, segurar as coisas que amam. Seriam felizes se as coisas não passassem. Perdem-nas todavia, seja por causa da morte, seja pelos acontecimentos com que faço escapar-lhes das mãos os bens deste mundo. Tais pessoas vão pela mentira, por suas estradas; são filhos do demônio, pai da mentira. Entram por essa porta e vão para a condenação eterna.

Mostrei-te, assim, o meu caminho, o da Verdade, e o caminho do demônio, que é o da mentira. São duas estradas. Ambas exigem fadiga. Vê como é enorme a maldade, a cegueira humana. Sendo-lhe preparada a ponte, o homem prefere ir pela correnteza.

A estrada da ponte é muito agradável aos caminhantes. Toda amargura se torna doce; todo peso, leve. Embora na obscuridade dos sentidos, vão na luz; embora mortais, já possuem a vida sem fim. Pelo amor e pela fé, saboreiam meu Filho, Verdade eterna, que prometeu o prêmio para os que por mim se afadigam. Sou grato, reconhecido e justo; pagarei com eqüidade, segundo o merecimento. Toda ação boa será remunerada, assim como toda culpa será punida. Tua linguagem é insuficiente a descrever o gozo concedido a quem segue este caminho; nem teus ouvidos seriam aptos a escutar e os olhos a ver. Experimentam-se neste caminho coisas reservadas para a outra vida!

Como é louco aquele que despreza tão grandes bens, indo pelo rio, embaixo; prefere alimentar-se, já nesta vida, com aperitivos do inferno. Segue por entre muitos sofrimentos, sem satisfações, na carência de todo bem. Tudo isso, porque se privou de mim, sumo e eterno Bem, pelo pecado. Tens razão em lamentar-te! Quero que outros servidores sintam contínua tristeza porque sou ofendido; que sintam compaixão diante da maldade e ruína dos pecadores.

Tens desse modo a descrição da ponte. Disse todas essas coisas, para revelar-te que meu Filho unigênito é uma ponte, conforme afirmara antes. Agora sabes como de fato ele une as alturas com a pequenez!

Diálogos de Sta Catarina de Sena, Doutora da Igreja

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Ó alma, eleva os olhos a Deus


"Ó alma, o teu exemplo é Deus, beleza infinita, luz sem sombras, esplendor que supera aquele da lua e do sol. Eleva os olhos a Deus, em quem se encontram os arquétipos de todas as coisas e do qual, como de uma fonte de fecundidade infinita, deriva essa variedade quase infinita das coisas. Portanto, deves concluir: quem encontra a Deus, encontra tudo; quem perde a Deus, perde tudo."

"Se tens sabedoria, compreendes que foste criado para a glória de Deus e para a tua salvação eterna. É este o teu objetivo, este é o centro da tua alma, este é o tesouro do teu coração. Por isso, considera como verdadeiro bem para ti aquilo que te conduz ao teu fim, e verdadeiro mal aquilo que te priva dele. Acontecimentos favoráveis ou adversos, riquezas e pobrezas. saúde e doença, honras e ofensas, vida e morte, o sábio não deve nem procurá-los, nem rejeitá-los por si mesmo. Mas só serão bons e desejáveis se contribuírem para a glória de Deus e para a tua felicidade eterna; são maus e devem ser evitados, se a impedirem."

São Roberto Belarmino, Elevação da Mente a Deus

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Santo Afonso Maria de Ligório e a Comunhão!


Quantas pessoas deixam de procurar a comunhão para não se sentirem obrigadas a viver com maior recolhimento e maior desapego das coisas desta terra. Esse é o motivo verdadeiro porque muitos não comungam com maior frequência. Sabem que a comunhão diária não pode estar junto com o desejo de aparecer, com a vaidade no vestir, com o apego aos prazeres da gula, as comodidades, as conversas maldosas. Sabem que deveria haver mais oração, praticar mais mortificações internas e externas, maior recolhimento. É por isso que se envergonham de aproximar mais vezes da comunhão. Sem dúvida, tais pessoas fazem bem em deixar a comunhão frequente enquanto se acham neste estado lastimoso de tibieza. Mas deve sair dessa situação de tibieza quem se sente chamado a uma vida mais perfeita e não quer pôr em perigo a própria salvação eterna.

É também muito bom para se manter com fervor espiritual, fazer frequentemente a 'comunhão espiritual', louvado pelo Concílio de Trento, que exorta os fiéis a praticá-la. Ela consiste num fervoroso desejo de receber a Jesus Cristo na Eucaristia. Por isso os santos a faziam várias vezes ao dia. O modo de fazê-la é este: "Meu Jesus, creio que estais no Sacramento da Eucaristia. Amo-vos e desejo vos receber; vinde à minha alma. Uno-me a Vós e Vos peço que não permitais que nunca me separe de Vós". Ou então, simplesmente: "Meu Jesus, vinde a mim, eu quero Vos receber para que vivamos intimamente unidos e não Vos separeis de mim". Este tipo de comunhão espiritual pode ser feito várias vezes ao dia, quando se reza, ou se faz uma visita ao Santíssimo Sacramento ou também na missa quando não se pode comungar. A Bem-aventurada Águeda da Cruz costumava dizer: "Se não me tivessem ensinado este modo de comungar muitas vezes ao dia, não sei como poderia viver". 

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

As dez colinas: estado das consciências

np_sao_joao_bosco_021Lê-se no Livro do Profeta Daniel — escreve Dom Lemoyne — no Capítulo I, versículo 17, que quatro jovens de famílias nobres que tinham sido levados escravos de Jerusalém à Babilônia pelo Rei Nabucodonosor, como permanecessem fiéis às leis do Senhor, pueris his dedit Deus scientiam et disciplinam in omni libero et sapientia; Danieli autem intelligentiam omnium visionum et somniorum. (A esses quatro jovens, Deus concedeu talento e saber no domínio das letras e das ciências. Daniel era particularmente entendido na interpretação de visões e sonhos).
Daniel recebeu de Deus a graça de saber distinguir os sonhos inspirados pelo Senhor dos que eram acidentais e fortuitos e de conhecer o que Deus queria lhe dizer neles.
Tal, e pelo mesmo motivo, foi a graça que o céu concedeu a (São) João Dom Bosco, com os sonhos que até aqui narramos; como também evidentemente, segundo nosso parecer, com o que seguidamente vamos expor e que foi narrado pelo (Santo) na noite de 22 de outubro de 1864.
(São) João Dom Bosco tinha sonhado a noite precedente. Ao mesmo tempo, um jovem chamado C… E…, de Casa de campo Monferrato, teve também o mesmo sonho, parecendo-lhe que se encontrava com (São) João Dom Bosco e que falava com ele. Ao levantar-se estava tão impressionado que foi contar quanto tinha sonhado a seu professor, o qual aconselhou-lhe que se entrevistasse com o (Santo). O jovem obedeceu imediatamente e se encontrou com (São) João Dom Bosco que baixava as escadas em sua busca para fazer o mesmo.Pareceu-lhe encontrar-se em um muito extenso vale ocupado por milhares e milhares de jovenzinhos; tantos eram, que o (Santo) não acreditou que houvesse tantos moços no mundo. Entre aqueles jovens viu os que estiveram e aos que estão na casa e aos que um dia estariam nela. Mesclados com eles estavam os sacerdotes e os clérigos da mesma.Uma montanha muito alta fechava aquele vale por um lado. Enquanto (São) João Dom Bosco pensava no que faria com aqueles moços, uma voz disse-lhe:
— Vês aquela montanha? Pois bem, é necessário que você e os teus ganhem sua cima.
Então, ele deu ordem a todas aquelas turbas de encaminhar-se ao lugar indicado. Os jovens ficaram em marcha e começaram a escalar a montanha a toda pressa. Os sacerdotes da casa corriam diante animando aos moços à ascensão, levantavam os cansados e carregavam sobre suas costas aos que não podiam prosseguir a causa do cansaço. (São) João Dom Bosco, com as mangas da batina arregaçados, trabalhava mais que nenhum e tomando aos moços de dois em dois os lançava pelo ar em direção à montanha, sobre a qual caíam de pé, brincando de correr depois alegremente por uma e outra parte.
Dom Cagliero e Dom Francesia percorriam as filas gritando:
— Animo, adiante! Adiante; ânimo!
Em pouco mais de uma hora aqueles numerosos grupos de jovens tinham alcançado a cúpula: (São) João Dom Bosco também tinha ganho a meta.
— E agora o que faremos? — disse.
E a voz acrescentou:
— Deves percorrer com teus jovens essas dez colinas que contemplas diante de ti, dispostas uma após a outra.
— Mas como poderemos suportar uma viagem tão longa, com tantos jovens tão pequenos e tão delicados?
— Quem não possa servir-se de seus pés, será transportado — lhe respondeu —.
E eis aqui que, em efeito, aparece por um extremo da colina uma magnífica carruagem. Tão formosa era que resultaria impossível descrevê-la, mas algo se pode dizer. Tinha forma triangular e estava dotada de três rodas que se moviam em todas direções. Dos três ângulos partiam três hastes que se uniam em um ponto sobre a mesma carruagem formando como o teto de uma parreira. Sobre o ponto de união levantava-se um magnífico estandarte no qual estava escrito com caracteres cubitais, esta palavra: INOCÊNCIA. Uma franja corria ao redor de toda a carruagem formando uma orla e na qual aparecia a seguinte inscrição: Adjutorio Dei Altissimi Patris et Filii et Spiritus Sancti.
O veículo, que resplandecia como o ouro e que estava guarnecido de pedras preciosas, avançou chegando a colocar-se em meio dos jovens. Depois de recebida uma ordem, muitos meninos subiram a ele. Seu número era de uns quinhentos. Apenas quinhentos entre tantos milhares e milhares de jovens, eram inocentes!
Um vez ocupado o carro, (São) João Dom Bosco pensava por que caminho teria que dirigir-se, quando viu ante sua vista uma larga e cômoda caminho, semeada ao mesmo tempo de espinhos. Em instantes apareceram seis jovens que tinham morrido no Oratório, vestidos de branco e hasteando uma muito formoso bandeira em que se lia: POENUENTIA (?). Estes foram colocar se à cabeça de todas aquelas falanges de moços que tinham que continuar a viagem a pé.
Seguidamente se deu o sinal de partida. Muitos sacerdotes se lançaram ao varal da carruagem, que começou a mover-se atirado por eles. Os seis jovens vestidos de branco seguiram-lhes. Detrás ia toda a multidão dos moços. Acompanhados de uma música muito formosa e indescritível; os que foram na carruagem entoaram o te Sentencie, pueri, Dominum.
(São) João Dom Bosco prosseguia seu caminho como embriagado por aquela melodia do céu, quando lhe ocorreu olhar para trás para comprovar se todos os jovens lhe seguiam. Mas oh doloroso espetáculo! Muitos tinham ficado no vale e outros muitos tornaram para atrás. Presa de inexprimível dor decidiu refazer o caminho já feito para persuadir a aqueles insensatos de que continuassem na empresa e para ajudá-los a segui-lo. Mas lhe foi negado categoricamente.
— Se não os ajudar, estes pobrezinhos perder-se-ão — exclamou cheio de dor.
— Pior para eles, — foi respondido —. Foram chamados como outros e não quiseram te seguir. Conhecem o caminho que terás que percorrer e isso basta.
(São) João Dom Bosco quis replicar; rogou, insistiu, mas tudo foi inútil.
— Também você tem que praticar a obediência — lhe disse.
E sem dizer mais, prosseguiu seu caminho.
Incluso no se tinha refeito desta dor, quando aconteceu outro lamentável incidente.
Muitos dos jovens que se encontravam na carruagem, pouco a pouco, tinham caído da carruagem. Dos quinhentos apenas se ficavam cento e cinqüenta sob o estandarte da inocência.
A (São) João Dom Bosco parecia-lhe que o coração lhe ia estalar no peito por aquela insuportável angustia. Abrigava, contudo, a esperança de que aquilo fosse somente um sonho; fazia toda classe de esforços para despertar, mas cada vez se convencia mais de que sei tratava de uma terrível realidade. Batia palmas e ouvia o ruído produzido por suas mãos: gemia e percebia seus gemidos ressonando na habitação; queria dissipar aquele terrível pesadelo e não podia.
— Ah, meus queridos jovens! — exclamou ao chegar a este ponto da narração do sonho. Eu vi e reconheci aos que ficaram no vale; aos que voltaram atrás e aos que caíram da carruagem. Reconheci-os a todos. Mas não duvidem que farei toda sorte de esforços a meu alcance para salvá-los. Muitos de Vós por mim convidados a que se confessassem, não responderam a minha chamada. Por caridade, salvem suas almas.
Muitos dos jovenzinhos que caíram do carro foram colocar-se pouco a pouco entre as filas dos que caminhavam detrás da segunda bandeira.
Enquanto isso, a música do carro continuava, sendo tão doce, que a dor de (São) João Dom Bosco foi desaparecendo.
Tínhamos passado já sete colinas e ao chegar à oitava, a multidão de jovens chegou a um muito belo povoado no qual descansaram. As casas eram de uma riqueza e de uma beleza indescritíveis.
Ao falar com os jovens sobre aquele lugar, exclamou:
— Dir-lhes-ei com a Santa Teresa o que ela afirmou das coisas do Paraíso: são coisas que se se falar delas perdem valor, porque são tão belas que é inútil esforçar-se em descrever. Portanto, só acrescentarei que as colunas daquelas casas pareciam de ouro, de cristal e de diamante ao mesmo tempo, de forma que produziam uma grata impressão, saciavam à vista e infundiam um gozo extraordinário. Os campos estavam repletos de árvores em cujos ramos apareciam, ao mesmo tempo, flores, gemas, frutos amadurecidos e frutos verdes. Era um espetáculo encantador.
Os jovenzinhos se esparramaram por toda parte; atraídos uns por uma coisa, outros por outra, e desejosos ao mesmo tempo de provar aquelas frutas.
Foi neste povoado onde o jovem de que falamos, encontrou-se com (São) João Dom Bosco, tendo com ele um prolongado diálogo. Ambos recordavam depois as perguntas e respostas da conversação que tinham mantido. Singular combinação de dois sonhos!
(São) João Dom Bosco experimentou aqui outra estranha surpresa. Viu de repente a seus jovens como se tornavam velhos; sem dentes, com o rosto cheio de rugas, com os cabelos brancos; encurvados, caminhando com dificuldade, apoiados em bengalas. O servo de Deus estava maravilhado daquela metamorfose, mas a voz disse-lhe:
— Você se maravilha; mas tem que saber que não faz horas que saiu do vale, mas anos e anos. Foi a música a que tem feito que o caminho te parecesse curto. Em prova do que te digo, observa tua fisionomia e te convencerás de que te estou dizendo a verdade.
Então a (São) João Dom Bosco foi apresentado um espelho. Olhou-se nele e comprovou que seu aspecto era o de um homem ancião, de rosto coberto de rugas e de boca desdentada.
A comitiva, enquanto isso, voltou a ficar em marcha e os jovens manifestavam desejos de quando em quando de deter-se para contemplar algumas costumes que eram para eles completamente novas. Mas (São) João Dom Bosco lhes dizia:
— Adiante, adiante, não necessitamos de nada; não temos fome, não temos sede, portanto, prossigamos adiante.
Ao fundo, ao longe, sobre a décima colina despontava uma luz que ia sempre em aumento, como se saísse de uma maravilhosa porta. Voltou a ouvir-se novamente o canto, tão harmonioso, que somente no Paraíso pode-se ouvir e gostar de uma coisa igual. Não era uma música instrumental, mas sim mas bem produzida por vozes humanas. Era algo impossível de descrever, e tanto foi o júbilo que inundou a alma de (São) João Dom Bosco, que despertou encontrando-se no leito.
Eis aqui a explicação que o [Santo] fez do sonho.
— O vale é o mundo. A montanha, os obstáculos que impedem de nos separar dele. A carruagem, vocês entendem (a inocência). Os grupos de jovens a pé, são os que, perdida a inocência, arrependeram-se de seus pecados.
(São) João Dom Bosco acrescentou também que as dez colinas representavam os dez Mandamentos da Lei de Deus, cuja observância conduz à vida eterna.
Depois acrescentou que se havia necessidade disso estava disposto a dizer confidencialmente a alguns jovens o papel que desempenhavam no sonho, se ficaram no vale ou se caíram da carruagem.
Ao baixar (São) João Dom Bosco da tribuna, o aluno Antonio Ferraris se aproximou dele e lhe contou diante de nós, que ouvimos suas palavras, que na noite anterior tinha sonhado que se encontrava em companhia de sua mãe, a qual lhe tinha perguntado se para a festa de Páscoa iria casa a passar uns dias de férias, e que ele havia dito que antes de dita data teria voado ao Paraíso… Depois, confidencialmente disse algumas palavras ao ouvido de (São) João Dom Bosco. Antonio Ferraris morreu em 16 de março de 1865.
Nós — continua Dom Lemoyne — escrevemos o sonho imediatamente e a mesma noite de 22 de outubro de 1864, acrescentamos-lhe ao final a seguinte adendo: “Tenho a segurança de que (São) João Dom Bosco em suas explicações procurou velar o que o sonho tem de mais surpreendente, ao menos respeito a algumas circunstâncias. A explicação dos dez Mandamentos não me satisfaz. A oitava colina sobre a qual (São) João Dom Bosco faz uma parada e o contemplar-se no espelho tão ancião, acredito que quer indicar que o [Santo] morreria passados os setenta anos. O futuro falará”.
Este tempo aconteceu e nós temos que ratificar nossa opinião. O sonho indicava a (São) João Dom Bosco a duração de sua vida. Confrontemos com este o (sonho) da Roda, que só pudemos conhecer alguns anos depois.
As voltas da roda procedem por decênios: avança-se de uma a outra colina de dez em dez anos. As colinas são dez, representando uns cem anos que é o máximo da vida do homem.
No primeiro decênio vemos (São) João Dom Bosco, ainda menino, começando sua missão entre seus companheiros do Bechi, dando assim principio a sua viagem; depois comprovamos como percorre sete colinas, isto é, sete decênios, chegando, portanto, aos setenta anos de idade; sobe à oitava colina e nela descansa: contempla casas e campos maravilhosos, ou melhor dizendo, sua Pia Sociedade, que cresceu e produziu frutos pela bondade infinita de Deus. O caminho a percorrer na oitava colina é ainda largo e o (Santo) empreende a marcha; mas não chega à novena colina porque acordada antes. E assim finalizou sua carreira no oitavo decênio, pois morreu aos setenta e dois anos e cinco meses de idade.
O que opina o leitor de tudo isto? Acrescentaremos que a noite seguinte, havendo-nos perguntado (São) João Dom Bosco a nós mesmos, qual era nosso pensamento sobre este sonho, respondemos-lhe que nos parecia que não se referia somente aos jovens, mas sim também queria significar a dilatação da Pia Sociedade (Salesiana) por todo mundo.
Mas como? — replicou um de nossos irmãos —; temos já Colégios no Mirabello e em Lanço e se abrirá algum outro mais no Piamonte. Que mais quer?
— São muito diferentes os destinos anunciados pelo sonho — dissemos.
E (São) João Dom Bosco aprovava sorridente nossa opinião.
M. B. Volume VII
Fonte:

domingo, 26 de outubro de 2014

Casos Verídicos de Corpus Christi com a Missa Perpétua de São Pio V

Casos Verídicos de Corpus Christi com a 
Missa Perpétua de São Pio V




O Castigo não se fez esperar

Em 1931, na festa de Corpus Christi, o bispo de Nantes (França), por causa do mau tempo, suspendeu a procissão do SS. Sacramento. No dia seguinte os jornais socialistas e maçônicos de Nantes zombavam da decisão do prelado. “Que faz o vosso Deus? (escrevia um dêles em tom de desprêzo). Nós nos rimos dêle. Para o próximo domingo, 7 de junho, organizamos uma excursão a Saint-Nazaire pelo vapor ‘Saint Philibert’. Vereis como tudo correrá bem, apesar de que todos os excursionistas perderão a Missa para tomar o cruzeiro”.
Chegou o domingo 7 de junho. Eram 600 os passageiros que bem cedo embarcaram no vapor. O “Saint Philibert” desceu bem o Loire, chegou a Saint-Nazaire e depois saiu do estuário e entrou no Atlântico para um breve giro ao largo. De repente, formou-se um denso nevoeiro; não se via nem se ouvia nada a dez metros de distância. Não demorou muito a catástrofe: um choque tremendo com um poderoso transatlântico, que partia pelo meio o pequeno vapor francês. Após dois minutos de gritos de terror, um silêncio de morte. O “Saint Philibert” submergia no oceano para sempre. 499 excursionistas desapareceram nas ondas; quatro enlouqueceram ; os outros foram salvos com dificuldade por outro vapor; o capitão, desesperado, deixou-se afundar com seu navio. Assim respondia Deus à provocação dos míseros homenzinhos da seita.

* * *

Queria pô-las como flores
Em 1873 um homem de Wisembach, povoado dos Voges, amontoava imundícies num depósito. Aos que lhe perguntavam para que serviria aquilo, respondia:
- Este lixo eu o porei como flôres nas ruas por onde há de passar a procissão de Corpo de Deus. Três dias depois foi atacado de apoplexia, morrendo sem recobrar os sentidos e sendo enterrado no próprio dia de Corpus Christi.

* * *

Bravos cruzadinhos
Um missionário do longínquo Oriente, vendo um jovenzinho muito recolhido e devoto diante do altar do Santíssimo, perguntou:
- José, que faz ai tanto tempo e que é que diz a Jesus?
- Nada, Padre, pois não sei ler nos livros. Somente exponho minha alma ao Sol.

* * *

Aos seus mais pequenos Cruzadinhos, perguntou um tal Vigário:
- Quantas vêzes se deve comungar?
- Muitas vêzes, Padre.
- Bem; e quem sabe me dizer por quê?
- Eu, Padre, eu sei. Jesus tomou o pão para mostrar que o devemos comer todos os dias; porque, se tivesse tomado a sobremesa, diríamos que só se devia comungar nos dias de festa.

* * *

Um menino distribui a Comunhão
Na guerra de 1914, que durou quatro anos, os exércitos italiano e alemão pelejavam perto da povoação de Torcegno, no vale de Brenta. À meia-noite, entraram os alemães para ocupar a igreja e a tôrre e levaram consigo prisioneiros os sacerdotes que havia, sem dar-lhes tempo de retirar o Santíssimo da igreja.
De manhã, antes da aurora, o povo recebeu ordem de evacuar o povoado, pois ia dar-se ali a batalha. Eram os habitantes cristãos fervorosos que amavam muito suas roças, suas casas e mais ainda sua igreja. Mas não havia remédio; era preciso fügir.
Salvemos ao menos o Santíssimo, disseram todos; mas como, se não havia padres? Lembraram-se de escolher o menino mais inocente e angélico para abrir o sacrário e dar a comunhão a todos os presentes, consumindo-se assim tôdas as hóstias. Ao sair o sol, todo o povo estava na igreja, as velas acesas, no altar e o menino revestido de alvas vestes. Sobe o mesmo com grande reverência os degraus do altar, estende o corporal, abre a portinha, toma o cibório douraclo e, tendo todos rezado o “Eu pecador”, desce até à grade e vai dando as hóstias até esvaziar o cibório.
Purificou logo o vaso sagrado com todo cuidado, juntou as mãos e desceu os degraus do altar como um anjo. Levando Jesus no coração, todo o povo se apressou a fugir para os montes. Corriam lágrimas dos olhos de muitos, é verdade, mas a alma estava confortada com o manjar divino.
Ao pequeno “diácono” enviou o Santo Padre Bento XV sua bênção e suas felicitações.

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A força para o Sacrifício
Em 1901, começou na França o fechamento de todos os conventos e a expulsão dos religiosos. Foi nesse ano que se deu, em Reims, o caso seguinte contado pelo Cardeal Langenieux, arcebispo daquela cidade.
Havia em Peims, entre outros, um hospital que abrigava somente os doentes atacados de doenças contagiosas, que não encontravam alhures nenhum enfermeiro que quisesse cuidar dêles. Em tais hospitais somente as Irmãs de caridade costumam tratar dos doentes e era essa a razão por que ainda não haviam expulsado as religiosas daquela casa.
Um dia, porém, chegou ao hospital um grupo de conselheiros municipais (vereadores), dizendo à Superiora que precisavam visitar tôdas as salas e quartos do estabelecimento, porque tinham de enviar um relatório ao Govêrno. A Superiora conduziu atenciosamente aquêles senhores à primeira sala, em que se achavam doentes cujos rostos estavam devorados pelo cancro.
Os conselheiros fizeram uma visita apressada, deixando perceber em suas fisionomias quanto lhes repugnava demorar-se ali. Passaram logo à segunda sala; mas ai encontraram doentes atacados de doenças piores, vendo-se obrigados a puxar logo seus lenços, pois não podiam suportar o mau cheiro. A passos rápidos percorreram as outras salas e, ao deixarem o hospital, aquêles homens estavam pálidos e visivelmente comovidos. Um dêles, ao despedir-se, perguntou à Irmã que os acompanhara:
- Quantos anos taz que a Sra. trabalha aqui?
- Senhor, já faz quarenta anos.
- Quarenta anos! Exclamou outro cheio de pasmo. De onde hauris tanta coragem?
- Da santa comunhão que recebo diariamente, respondeu a Superiora E eu lhes digo, senhores, que no dia em que o Santíssimo Sacramento cessar de estar aqui, ninguém mais terá fôrça de ficar nesta casa.

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O menino que foi enforcado três vezes
Estamos na Palestina, pátria de Jesus, onde se disse a primeira Missa e os Apóstolos fizeram sua primeira comunhão… E que é hoje a Palestina? Terra de desolação, de maometanos, cismáticos, judeus e poucos católicos.
Um menino cismático de oito anos começou a sentir-se atraído à religião dos católicos, a seus santos e festas que lhe contavam seus companheiros. Um dia quis ir ver. Com muito segrêdo, por temor dos pais, assistiu à missa numa capela. Ficou encantado. Depois da missa continuou ali com as crianças do catecismo. Terminada a cerimônia, o Padre, que não o conhecia, aproximou-se dele para saudá-lo carinhosamente.
O coração estava ganho, e o menino, às escondidas, continuou a ouvir a missa todos os domingos. Um dia, porém, o pai o descobriu e perguntou-lhe:
- Você estêve com os malditos católicos?
- Sim, papai.
- Eu não lho proibira?
- Sim, senhor.
- Jura-me que não voltarâ lâ?
- Não posso, pois em meu coração sou católico.
- Então você não jura?
- Não, senhor.
- Enforcá-lo-ei…
- O senhor pode enforcar-me.
Passou o bârbaro uma corda a uma viga do teto e o laço ao pescoço do filho e puxou-o para cima. Quando os pézinhos do menino deixaram de mover-se, o pai o desceu, soltou o laço e, vendo que ainda estava vivo, disse:
- Agora você me promete de não ir ter com aquêles malditos…
- Não, papai, não posso.
Segunda e terceira vez repetiu o pai o cruel suplício, mas não conseguiu mudar o propósito do menino. Disfarçando, então, a sua cólera, tentou o bárbaro pai outros meios.
Tomando em seus braços o corpo extenuado do pobrezinho, disse:
- Mas, meu filho, você não me ama?
- Amo-o, papai.
- Como é, pois, que não quer me obedecer?
- É que eu amo a minha alma mais do que a meu pai.
O menino, pouco a pouco, recobrou as fôrças e logo se fêz batizar, tornando-se católico. Seu pai e sua mãe morreram de tifo no ano seguinte e não muito depois teve o pequenino mártir a morte de um santo.

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Vinham nadando
Conta um missionário que, quando chegava a alguma ilha da Oceania, para anunciar a sua presença levantava um mastro bem grande. Os negros acudiam de tôda a parte e vinham até de muito longe. Um domingo, pela manhã, viu chegar uma turma de negros que vinham nadando de outra ilha, para terem o consôlo de ouvir a santa Missa.

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Domingos Sávio ajuda à Missa
Êste angélico jovem, aos cinco anos de idade, já sabia ajudar à missa e fazia-o com grandes demonstraçõe de amor a Jesus. Como era muito pequeno, o pâdre mesmo tinha de mudar o missal. Mas era tão grande o seu desejo de servir ao altar, que muitas vêzes chegava à igreja quando esta ainda estava fechada,e ali permanecia esperando e rezando. Numa fria manhã de janeiro de 1847, ali o encontraram tiritando de frio, e coberto de neve que caía copiosamente.

Extraído do livro Tesouro de exemplos – Padre Francisco Alves, C. SS.R. Editora Vozes Volume I Edição II 1958.