sexta-feira, 20 de julho de 2018

A VIDA DOS RELIGIOSOS É MAIS SEMELHANTE À DE JESUS CRISTO

Quos praescivit, et praedestinavit conformes fieri imaginis Filii sui – “Os que conheceu na sua presciência, também predestinou para se fazerem conformes à imagem de seu Filho” (Rom. 8, 29).
Sumário. Compenetremo-nos bem de que os religiosos, contanto que guardem suas Regras, são os homens mais felizes do mundo; porque mais do que os outros são imitadores da vida de Jesus Cristo. Os mundanos têm-nos por loucos, mas no vale de Josafá conhecerão terem sido eles os loucos, porque deixaram o caminho da verdade e assim condenaram-se para sempre. Demos graças ao Senhor pela escolha que fez de nós e sejamos fiéis à nossa vocação. Ai de nós, se tivéssemos a desgraça de a perder.
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O Apóstolo diz que o Pai Eterno predestina ao reino dos céus só àqueles que têm uma vida conforme a do Verbo Incarnado: Os que conheceu na sua presciência, também predestinou para se fazerem conformes à imagem de seu Filho. Quanto devem, pois, estar contentes e certos do céu os religiosos, vendo que Deus os chamou a um estado de vida que entre todos é o mais conforme à vida de Jesus Cristo!
Jesus nesta terra quis viver pobre como simples aprendiz de operário, numa casa pobre, com vestidos pobres, com alimentos pobres: Propter vos egenus factus est, cum esset dives (1) – “Apesar de ser rico, ele se fez pobre por vós”. Demais, ele escolheu para si uma vida toda mortificada, apartada de todos os prazeres do mundo e sempre acompanhada de penas e tristezas, do nascimento até à morte, pelo que foi chamado pelos profetas o homem das dores: vir dolorum (2). Com isso fez ver a seus servos, qual deve ser a vida de quem o quer seguir, isto é, uma vida de abnegação e de sacrifício: Si quis vult venire post me, abneget semetipsum, tollat crucem suam, et sequatur me (3) – “Se alguém quiser vir atrás de mim, renuncie a si próprio, tome a sua cruz, e siga-me”.
Seguindo este exemplo e este convite de Jesus, os santos procuravam despojar-se de todos os bens terrenos e carregar-se de penas e de cruzes para assim seguirem seu amado Senhor. – Assim fez um São Bento, que, sendo filho dos senhores de Núrcia e parente do imperador Justiniano, renunciou às delícias e riquezas do mundo, e, jovem de 14 anos, foi viver numa gruta no monte Sublaco. Assim fez um São Francisco de Assis, que, entregando ao pai toda a porção da herança que lhe competia, até o próprio vestido, pobre e mortificado se consagrou todo a Jesus Cristo. Assim um São Francisco de Borgia, um São Luiz Gonzaga, que sendo, o primeiro duque de Gandia e o segundo príncipe de Castiglione, deixaram riquezas, vassalos, pátria, casa e parentes, e foram viver pobres num convento. E assim fizeram outros muito nobres e príncipes, mesmo de sangue real. Só na ordem beneditina se contam setenta e cinco imperadores, reis e rainhas que deixaram o mundo para viverem pobres, mortificados e esquecidos do mundo, em um pobre convento, e assim se tornarem mais semelhantes a Jesus Cristo.
Compenetremo-nos bem de que os religiosos, contanto que guardem as suas Regras, que os religiosos, e não os grandes do mundo, são os verdadeiros felizes, porque, mais do que quaisquer outros, são imitadores de Deus, como filhos prediletos(4). Os mundanos os têm por loucos, mas no vale de Josafá conhecerão terem sido eles os loucos. Vendo então os Santos em seus tronos, coroados por Deus, chorando e desesperados dirão: “São estes de quem nós algum tempo escarnecíamos. Nós, insensatos! Tínhamos a vida deles como uma loucura… Eis como são contados no número dos filhos de Deus e a sua sorte é entre os santos. De que nos aproveitou nosso orgulho? (5)
Meu Mestre e Redentor Jesus, eis-me, portanto, no meio dos ditosos, que Vós chamastes para Vos seguirem. Senhor meu, graças Vos dou! Deixo tudo: desejaria ter mais que deixar para Vos seguir, meu Rei e meu Deus, que escolhestes para Vós uma vida tão pobre e tão cheia de privações por amor de mim e para me dar ânimo com o vosso exemplo. Caminhai adiante, Senhor, que eu Vos seguirei. Escolhei para mim a cruz que quiserdes e ajudai-me porque quero levá-la com constância e amor. – Pesa-me que no passado Vos abandonei para correr atrás de minhas satisfações e das vaidades do mundo; agora não quero mais abandonar-Vos. Prendei-me à vossa Cruz; e se, pela minha fraqueza, eu resistir alguma vez, atrai-me com as doces cadeias do vosso amor e não permitais que eu Vos deixe ainda.
Sim, meu Jesus, renuncio a todos os prazeres do mundo; o meu único prazer será seguir-Vos, amando e sofrendo tudo que for do vosso agrado. Assim espero achar-me um dia em vosso reino, ligado a Vós com o laço do amor eterno, com que, amando-Vos sem véu, não poderei mais temer ver-me solto e separado de Vós. Amo-Vos, meu Deus e meu tudo, e sempre Vos amarei. – Maria Santíssima, vós que, por terdes sido a mais semelhante a Jesus, sois agora a mais poderosa para alcançar aas graças, protegei-me. (*IV 428.)
  1. 2 Cor. 8, 9.
    2. Is. 53, 3.
    3. Matth. 16, 24.
    4. Eph. 5, 1.
    5. Sap. 5, 3.
Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II – Santo Afonso
Fonte:

terça-feira, 17 de julho de 2018

Nosso Senhor não nos deixa sós nas tentações


Nosso Senhor não nos deixa sós nas tentações 


(...) Magnífica também a história do combate de Santa Catarina de Sena, sempre sobre o mesmo tema. Eis-la aqui, brevemente: 

O espírito maligno recebera de Deus a licença para atacar a castidade daquela santa virgem com toda a raiva que quisesse, contanto que não a tocasse. Se pôs, então, à obra, insinuando-lhe no coração todo tipo de obscenidades e, para criar nela uma emoção ainda mais forte, se-lhe apresentou, com todos os seus diabos com aparência de homens e mulheres, os quais se exibiam diante dela, em todo tipo de obscenidade e de indecências, e com palavras e convites indecentes; não obstante todas aquelas manifestações fossem exteriores, contudo, por meio dos sentidos, penetravam muito profundamente no coração da jovem mulher; o coração estava saturado daquilo. Livre dessa tormenta de obscenidades e de prazeres carnais, lhe restava apenas a sutil e pura vontade superior.  

Isso tudo durou por muito tempo; até que um dia lhe apareceu Nosso Senhor. Logo lhe perguntou: “Onde estavas, meu doce Senhor, quando o meu coração estava tão cheio de trevas e de feiuras?”. Respondeu o Senhor: “Filha minha, Eu estava em teu coração”. “E como”, replicou ela, “podias habitar em meu coração, onde havia tantas obscenidades? Tu habitas em lugares tão vergonhosos?”. Respondeu-lhe Nosso Senhor: “Me diga, aqueles pensamentos sujos do teu coração te davam prazer ou tristeza, amargura ou deleite?”. E ela: “Grande amargura e tristeza”. Replicou-lhe oSenhor: “Quem colocava aquela grande tristeza e amargura no teu coração se não eu que me mantinha escondido na profundeza de tua alma? Creia-me, filha minha, se Eu não estivesse presente, aqueles pensamentos que premiam ao redor de tua vontade sem a poder dobrar, sem mim a teriam vencido e nela teriam penetrado, e o teu livre arbítrio os teria acolhido com prazer, e assim teria dado à morte a tua alma; mas, como Eu estava nela, inculcava desgosto e resistência ao teu coração, de modo que com todas as forças não cedesse à tentação. Não podendo aniquilar a tentação, como teria gostado, provava um desgosto ainda maior e um ódio mais profundo contra ela e contra si mesma; e assim aqueles tormentos eram um grande mérito e uma grande vitória para ti, um grande crescimento de tua virtude e de tua força”. 

São Francisco de Sales, Filotéia ou a Introdução à Vida Devota, Parte IV, Capítulo 4: Avisos necessários contra as tentações mais comuns: Dois belos exemplos sobre este assunto (tentação). 




Aqui pode ser lido online: https://rumoasantidade.com.br/livro-filoteia-introducao-vida-devota/#sumario

Para comprar: ESTANTE VIRTUAL (USADOS E NOVOS)ou GOOGLE SHOPPING.  

Em PDF: http://alexandriacatolica.blogspot.com/2010/12/filoteia.html

Visto:
http://farfalline.blogspot.com/

Catecismo Ilustrado - Parte 43 - 5º Mandamento de Deus: Não matar (continuação)



Catecismo Ilustrado - Parte 43

Os Mandamentos

5º Mandamento de Deus (continuação): Não matar

1. O quinto mandamento ordena: 1º perdoar aos nossos inimigos; 2º fazer-lhes todo o bem que podemos; 3º fazer bem aos necessitados.

2. A primeira obrigação para com os inimigos é a de perdoar-lhes as injúrias por amor de Deus. Devemos amar os inimigos, porque são filhos de Jesus Cristo, que quer que os amemos por repeito d’Ele, e o sinal mais luminoso deste amor é o perdoar-lhes voluntariamente.

3. Nosso Senhor inculca tanto o perdão das injúrias no Evangelho, porque o desejo da vingança está demasiadamente arreigado no coração do homem.

4. O que torna fácil o perdão das injúrias é: 1º olhar não a quem ofende, mas a Deus que permite a ofensa para nosso bem; 2º as vantagens que resultam de perdoar; 3º os incômodos que nascem da vingança.

5. As vantagens de perdoar são: 1º perdoar-nos Deus os nossos pecados; 2º adquirimos um grande merecimento para com Deus. Os incômodos que nascem da vingança são contínuos remorsos, gravíssimas agitações do espírito e grande número de pecados.

6. Os remédios contra a vingança e o ódio são: o exemplo de Jesus Cristo e a meditação da morte e do juízo, no qual cada um será tratado, como ele tratou o seu semelhante.

7. Ouçamos Nosso Senhor no Evangelho: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão de cretino, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser louco, será réu do fogo do inferno.

Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta. Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão. Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto
 não pagares o último centavo”. (Mat V, 21)
E noutra passagem: “Então Pedro, aproximando-se dele, disse: “Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete?” Jesus lhe disse: “Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete. Por isso o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quis fazer contas com os seus servos; e, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos; e, não tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele, e sua mulher e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto tinha, para que a dívida se lhe pagasse. Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. Então o Senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida. Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem dinheiros, e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves. Então o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. Ele, porém, não quis, antes foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida. Vendo, pois, os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito, e foram declarar ao seu senhor tudo o que se passara. Então o seu senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste.
Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti? E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim vos fará, também, meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas”. (Mat. XVIII, 21-35)

Explicação da gravura


1º Santo Estêvão perdoando aos seus verdugos, e 2º reconciliação de Jacob e Esaú; 3º são Cipriano manda dar dinheiro aos que hão-de martirizar.



Índice das sessenta e oito gravuras

sábado, 14 de julho de 2018

O perigo e os males da Vaidade Feminina

"A vaidade, para a mulher, é mesmo a tentação perigosíssima, de consequências temíveis. Esta é uma daquelas verdades que saltam aos olhos. Por isso, agem com maturidade e sabedoria as mulheres católicas que não costumam postar fotos suas em rede social. Estas mulheres precavidas fecham as portas da alma para os elogios traiçoeiros e, não raramente, CHEIOS DE MALÍCIA, que homens inconvenientes costumam comentar em fotos de moças em rede social.

Moça católica: eu, de minha parte, não sei se você percebeu, mas as redes sociais, no que diz respeito à publicação de fotos pessoais, encontram a sua razão de ser apenas dentro de uma frívola cultura de exibição individual. E é desnecessário dizer que esta cultura é imoral e ofensiva a Deus. Portanto, você não pertence a ela. Quem pertence são as mulheres do mundo. Estas sim se exibem nas redes sociais, porque condiz com os seus vícios e paixões de mulher insensata. Você, moça católica, deve agir de modo radicalmente diverso. Não deve ficar se exibindo e alimentando a sua vaidade, das outras mulheres, e muito menos atraindo olhares masculinos para si.

E não interessa se você não está usando de roupas indecentes nas fotos, moça. A sua impostura em se exibir já é, por si só, um ato que fere a modéstia.

Você consegue imaginar, moça, uma grande Santa usando um recurso como o Facebook da forma que você usa? Exibindo, amiúde, fotografias pessoais acessíveis a centenas, milhares de desconhecidos, vários homens inclusive, cheios de sensualidade, que fitam as suas fotos e as veem como uma ocasião para comentários ousados e inconvenientes?

Um piedoso Santo católico ensina que as donzelas não devem nem desejar ver, nem serem vistas. Moça, não queira fazer de sua vida, de seu corpo, de sua rotina, uma atração exposta nas vitrines de uma rede social de alcance mundial e com milhões de usuários. Não queira que seus encantos e beleza roubem para si a glória que deve pertencer exclusivamente às virtudes de sua alma de mulher piedosa, reservada e modesta. Você está neste mundo para amar e servir a Deus e nada mais. Deve evitar todos os hábitos que não agradem a Deus, que não conduzam a Deus. Quem se entretém amiúde com Deus, moça, não se interessa em exibir-se em rede social.

Sua ambição deve consistir em imitar as virtudes de Maria. Da Santa Virgem, que, por ser humilde e reservada, desejou ocupar o último lugar no cenáculo; que, pelo desprezo que nutria pelas honrarias, não foi vista no dia de ramos, quando seu Filho foi homenageado; que, pela virtude da mortificação, que possuía em grau elevado, caminhava sempre com a cabeça baixa, como que fugindo dos olhares, e nunca fitava os olhos em ninguém; que tinha uma predileção especial pela solidão e, por amor ao recolhimento da alma, desprezava o mundo, porque cada batida de seu coração era um fervoroso ato de louvor à honra e à glória de Deus, e um fulminante ato de desprezo de si mesma".

Texto de Felipe Lustosa

Fonte:



quarta-feira, 11 de julho de 2018

O PECADO DA MURMURAÇÃO: QUÃO FÁCIL É FALAR E QUÃO DIFÍCIL É CALAR!




A Murmuração é uma língua de víbora, que de um só golpe fere três pessoas (Rm 1,30): O murmurado, o que ouve e o murmurador, odiado por Deus (São Bernardo).
Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

A) Aquele de quem se murmura

As Sagradas Escrituras e os Santos Padres frequentemente chamam a murmuração de homicídio, porque arrebata a vida social, mais estimável que a do corpo.

“Os pecados cometidos contra o próximo são medidos pelos danos que causam … O homem desfruta de um triplo bem, a saber: o da alma, o do corpo e a dos bens exteriores … Entre esses últimos, a fama supera muito as das riquezas, porque se opõe aos bens espirituais, pela qual se diz nos Provérbios (22,1): “O bom nome vale mais do que riquezas“. Portanto, a murmuração, embora seja um pecado menor que o homicídio e o adultério é, sem dúvidas, maior que o roubo” (São Tomás de Aquino).
Matéria grave é ferir a reputação de alguém, uma vez que é o maior bem do homem, e perde-la lhe impede trabalhar muitos bens que seriam capazes”, conforme o Eclesiástico (41,15): “Cuide do seu nome, que permanece mais que milhares de tesouros ” (São Tomás de Aquino).
O homem de juízo dá por bem empregado qualquer dispêndio destinado a recuperar sua boa reputação. Então aquele que o priva dela prejudica-o mais que roubando-lhe. Eis como o murmurador profissional é mal visto. Apesar disso, temos vergonha de ter cometido um roubo e não temos de haver murmurado vinte vezes.

B) O que ouve murmurar

1- Incita a pecar
“Vamos admitir que ninguém deu ouvidos aos detratores; certamente estes não se atreveriam… Logo, se alguns murmuram, deve-se culpar aqueles que lhes ouvem” (São Jerônimo).
“Se os murmuradores comprovaram que fugíamos deles mais do que aos censurados, eles perderiam o mau hábito” (São João Crisóstomo)
2 – Agrava nossos pecados 
“O demônio nos induz a este, de modo que, descuidando do que nos interessa, aumenta nosso reato, porque não consiste apenas no seu mal na conta que devemos dar aos nossos ditos, senão que os nossos pecados se agravam ao privarmos de todas as desculpas. Aquele que censura duramente o próximo se priva de toda vênia. Deus ditará a sentença atendendo não apenas às nossas falhas, mas à maneira como julgamos os outros. “Não julgueis e não sereis julgados” (Mt 7,1). Nosso pecado não aparecerá então como tem sido neste tempo, mas se somará uma grande e inevitável quantidade devido a nossos julgamentos” (São João Crisóstomo).
3 – Impede a perfeição
O primeiro passo para ela deve ser negar-se a ouvir a murmuração, porque não há nada que inquiete mais a alma e é entrada à ódios, dissensões, animosidades e dissipação do espírito, como ela (São Jerônimo)

C) Ao murmurador


Seu pecado é grande. Por três razões:

  1. Falta à Caridade
  2. Revela um fundo mal. Gozo em derrubar uma reputação.
  3. Normalmente denota hipocrisia. Desejo de justificar suas próprias falhas.
Pecado mortal ou venial? 
1.- Pode ser venial devido à paridade da matéria.
2.- Mas muitas vezes não são pequenas nem levianas (as coisas) como algumas pessoas acham que são (Pe. Alonso Rodríguez). “Não basta dizer que é uma palavra levada pelo vento (à toa), porque a murmuração voa, mas fere gravemente; passa rápido, mas queima atrozmente” (São Bernardo). 

Remédios e conselhos contra murmúrios

Fugir do maledicente
1.- “O prudente vê o perigo e se esconde” (Prov. 22)
2.- Não fugirias daquele que removeu o estrume? (São João Crisóstomo)
Repreender-lhe
1 –  “E aqueles que ouvem os maledicentes lhes aviso que tapem os ouvidos e imitando o profeta digam: “Reduzirei ao silêncio o que detrata em segredo seu vizinho “(Sl 100,5)..
2 – “Diga-lhe: Você tem alguém a quem louvar e exaltar? Te escuto e ouço. Mas, se você quer falar mal, fecho meus ouvidos, porque não estão acostumados a receber estrume e lama” (São João Crisóstomo).
Se o murmurador for superior
Mude a conversa ou mostre um semblante distraído ou triste.

 

O CURA DE ARS
“Ao julgar o próximo, devemos sempre levar em conta a sua fraqueza e sua capacidade de se arrepender. Normalmente, quase sempre, em seguida, é preciso corrigir nossos julgamentos sobre os outros, já que, uma vez examinados bem os fatos, nos vemos forçados a reconhecer que aquilo que foi dito era falso.  Geralmente nos acontece o que ocorreu com aqueles que julgaram a casta Susana fundando-se na delação de duas testemunhas falsas, sem dar-lhe tempo para se justificar (Dn 13,41), outros imitam a presunção e a maldade judeus, que declararam Jesus blasfemo (Mt 9, 3 ..) e endemoniado (Jo 7, 20, etc); outros, finalmente, se comportam como aquele fariseu que, sem se preocupar em investigar se Magdalena havia renunciado ou não às suas desordens, e embora a tenha visto em um estado de grande aflição acusando seus pecados e chorando-os aos pés de Jesus Cristo seu Salvador e Redentor, não deixou de considera-la como uma infame pecadora” (Lc 7, 39).

segunda-feira, 9 de julho de 2018

NOSSA SENHORA, NOS TEMPOS DO ANTICRISTO



Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est
Este artigo do Padre Calmel, OP – uma grande figura do tradicionalismo católico – mostra-nos como devemos pedir a intercessão da Santíssima Virgem em nosso tempo de confusão geral.
“Quisera eu viver nos tempos do Anticristo” escrevia a pequena Teresa em seu leito de agonia. Não há dúvida de que a carmelita que se ofereceu como vítima de um holocausto ao Amor Misericordioso intercederá por nós quando surgir o Anticristo, nem há dúvida que já está intercedendo especialmente em nosso tempo, em que os precursores do Anticristo se introduziram no seio da Igreja. Também não há dúvida de que sua oração está unida com a súplica infinitamente mais poderosa da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus. Aquela que esmaga a cabeça do dragão infernal em sua Imaculada Conceição e sua Maternidade virginal, a que foi glorificada de corpo e alma e que reina no céu com seu Filho. Ela domina como soberana todos os tempos de nossa história e, particularmente, os momentos mais tremendos para as almas, a saber, os da vinda do Anticristo e aqueles em que seus diabólicos precursores prepararão esta vinda.
Maria se manifesta não somente como Virgem Poderosa e consoladora nos momentos de angústia para a cidade terrestre e a vida corporal, mas se mostra, sobretudo, como Virgem auxiliadora, forte como um exército em ordem de batalha, em tempos de devastação da Santa Igreja e de agonia espiritual de seus filhos. Ela é a rainha da história do gênero humano, não somente para os tempos de angústia, mas também para os tempos do Apocalipse.
A Primeira Guerra Mundial foi um desses tempos de angustia: matanças de ofensiva mal preparadas, derrota implacável sob um furacão de ferro e fogo … Quantos homens ao apertarem seus cintos saíam com a terrível certeza de perecer neste tornado alucinante sem nunca ver a vitória; mesmo às vezes, e era o mais atormentador, as dúvidas lhes vinham à mente a respeito do valor de seus chefes e a prudência em suas ordens. Mas, no final, em um ponto eles não tinham dúvidas e essa questão superava todas: a da autoridade espiritual. O capelão que auxiliava esses homens a serviço da pátria até sua morte era absolutamente firme em todos os artigos da fé e nunca teria pensado em adaptar pastoralmente a Santa Missa. Celebrava o Santo Sacrifício da Missa segundo o rito e as palavras antigas; celebrava com uma piedade muito mais profunda, que o sacerdote sem armas e seus paroquianos armados, poderiam ser chamados a unir, de um momento a outro, seu sacrifício de pobres pecadores com o único sacrifício do Filho de Deus que tira os pecados do mundo. 
A mesma fidelidade do capelão se fundava tranquilamente na fidelidade da autoridade hierárquica que conservava e defendia a doutrina católica e o culto tradicional e não hesitava em apartar da comunhão católica os hereges e traidores. Depois, em poucos instantes talvez, na frente de batalha, os corpos iam ser esmagados, mutilados em um horror sem nome, talvez se sufocariam inexoravelmente e se asfixiariam lentamente em meio a uma camada de gás. Mas, apesar do suplício dos corpos, as almas permaneceriam intactas, sua serenidade inalterada, seu interior preservado, e o mais negro de todos os demônios, o das supremas mentiras, não deixaria escutar seus sarcasmos. A alma não ficaria abandonada aos ataques traiçoeiros, covardemente tolerada dos pseudo-profetas da pseudo-Igreja; apesar do suplício dos corpos, a alma voaria do local de uma fé protegida ao recinto luminoso da visão beatífica no paraíso.
A Primeira Guerra Mundial foi um tempo de angústia. Mas agora, entramos em um tempo do Apocalipse. Todavia, sem dúvida, ainda não chegamos ao furacão de fogo que enlouquece os corpos, mas já presenciamos a agonia das almas, porque a autoridade espiritual parece já não querer defendê-las e se desinteressa da verdade da doutrina como da integridade do culto, ao não condenar ostensivamente os culpáveis. Eis aqui a agonia das almas na Santa Igreja, solapada desde o interior por traidores e hereges ainda não exilados.
Na história, houve outros tempos do Apocalipse. Lembremo-nos, por exemplo, dos interrogatórios à Santa Joana d’Arc, privada dos sacramentos por homens da Igreja, relegada ao fundo de um calabouço escuro, sob a guarda de horríveis carcereiros.
Mas as vitórias da graça sempre selam os tempos do Apocalipse. Porque embora as bestas do Apocalipse adentrem até a cidade santa e a coloquem em grande perigo, a Igreja não deixa de ser Igreja, cidade muito amada, inexpugnável para o demônio e seus asseclas, cidade pura e imaculada cuja Rainha é Nossa Senhora.
Ela, a Rainha Imaculada, é a que abreviará os sinistros anos do Anticristo através de Jesus Cristo, seu Filho. E ainda, mais do que nunca, ela nos obterá durante esse tempo a graça de perseverar e nos santificar. Ela nos preservará a parte da autoridade espiritual legítima que absolutamente precisamos. Sua presença no Calvário, em pé próxima da cruz, nos anuncia isso infalivelmente. Ela estava de pé próxima da cruz de seu Filho, o próprio Filho de Deus, para unir-se mais perfeitamente ao seu Sacrifício redentor e merecer toda a graça para seus filhos adotivos. Toda a graça: a graça para enfrentar-nos as tentações e tribulações semeadas até nas vidas mais unidas; mas também a graça de perseverar, de voltar a levantar-se e santificar-se nas piores provas, provas de exaustão do corpo e as provas mais negras da agonia da alma, tempos em que a cidade carnal é invadida e os tempos em que a Igreja de Jesus Cristo deve resistir a auto-destruição. Ao estar em pé próxima da cruz de seu Filho, a Virgem Maria, cuja alma foi trespassada por uma espada de dor, a divina Virgem exausta e atônita como nenhuma criatura nunca será, nos dará a entender, sem dúvida, que será capaz de sustentar os redimidos nas provações mais terríveis com uma intercessão materna, de toda pura e poderosa. Esta Virgem muito doce e Rainha dos mártires nos persuade de que a vitória está oculta na própria Cruz e que muito depressa se manifestará; a brilhante manhã da Ressurreição logo surgirá sobre o dia sem fim da Igreja triunfante.
Na Igreja de Jesus, presa do modernismo até em sua cabeça, o sofrimento das almas e a queimadura do escândalo alcançam uma intensidade comovente. Tal drama é sem precedentes, mas a graça do Filho de Deus Redentor é mais profunda do que este drama. E nada interrompe a intercessão do Imaculado Coração de Maria, que alcança toda a graça. Nas almas mais abatidas e mais próximas da morte, a Virgem Maria intervém dia e noite para colocar fim, misteriosamente, a este drama e também misteriosamente romper as cadeias que o demônio acreditava ser inquebráveis: Solve vincla reis (Aos réus desata os grilhões).
Todos nós, a quem Nosso Senhor Jesus Cristo, por uma marca especial de honra, chama à fidelidade em meio a novos perigos e em uma forma de luta que nunca havíamos experimentado – luta contra os precursores do Anticristo infiltrados na Igreja – voltemos ao essencial: nossa fé. Lembremo-nos que cremos na divindade de Jesus, na maternidade divina e na maternidade espiritual de Maria Imaculada. Consideremos um pouco a plenitude de graça e sabedoria escondida no coração do Filho de Deus feito homem e que flui eficazmente em todos aqueles que crêem. Consideremos também a plenitude de doçura e da intercessão que é privilégio exclusivo do Imaculado Coração de Maria. Rezemos como as crianças a Nossa Senhora e façamos a experiência inefável que os tempos do Anticristo são tempos de vitória: vitória da Redenção plena de Jesus Cristo e da intercessão soberana de Maria
Padre R.-Th. CALMEL OP – 1975

sexta-feira, 6 de julho de 2018

É a Masturbação um Pecado Mortal? Sim.


























Por
Mosteiro da Sagrada Família



É com pesar que temos de abordar estes assuntos. No entanto, devido ao facto de termos recebido um grande número de perguntas sobre esta matéria, temos de o fazer. Uma vez que tantas pessoas estão a abandonar o pecado mortal e estão a convencer a elas próprias de que certas coisas não são pecado, nós temos de pregar contra estes pecados com alguma especificidade, não vá de acontecer perecerem certas pessoas devido à ignorância própria.


A masturbação é um pecado mortal.



Aqueles que leram o nosso artigo contra a justificação pela fé somente, devem ter reparado num ponto pertinente a este assunto. Há cerca de três passagens em que São Paulo dá uma lista de alguns dos principais pecados mortais que excluem as pessoas do Reino dos Céus. Estas listas não englobam todos os pecados mortais, como é óbvio, mas somente alguns dos mais predominantes. O significado das referências, nas passagens que se seguem, aos pecados de «impureza» e «efeminidade» sempre intrigou algumas pessoas. São Paulo diz que estes pecados excluem as pessoas do Reino dos Céus. Será que a «efeminidade» refere-se a agir como um homossexual? E a quê se refere o pecado de «impureza»?


Gálatas 5,19-21 — «Ora as obras da carne são manifestas: são a fornicação, a impureza, a luxúria, a idolatria, os malefícios, as inimizades, as contendas, as invejas, as iras, as rixas, as discórdias, as seitas, os ciúmes, a embriaguez, as glutonerias e outras coisas semelhantes, sobre as quais previno, como já vos disse, que os que as praticam não possuirão o reino de Deus


1 Coríntios 6,9-11 — «Porventura não sabeis que os injustos não possuirão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem os impudicos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os que se dão à embriaguez, nem os maldizentes, nem os salteadores possuirão o reino de Deus. E tais éreis alguns de vós, mas fostes lavados, mas fostes santificados, mas fostes justificados, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo e mediante o Espírito do nosso Deus.»


Efésios 5,5-8 — «Com efeito, sabei-o bem, nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é um idólatra, terá herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos seduza com palavras vãs, porque por estas desordens vem a ira de Deus sobre os filhos rebeldes. Não queirais, pois, ter comunicação com eles. Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Andai como filhos da luz.»


Bem, há algum tempo atrás, um de nós encontrou a seguinte passagem de São Tomás de Aquino. São Tomás de Aquino identifica a masturbação como a «impureza» e «efeminidade» mencionadas na Bíblia.


São Tomás de Aquino, Summa Theologica, pt. II-II, q. 154, a. 11: «Eu respondo que, como referido acima, sempre que ocorre uma deformidade de natureza especial que torna o acto venéreo repugnante, existe uma determinada espécie de luxúria. Isto pode ocorrer de dois modos: primeiro, quando o acto é contrário à razão recta, e isto é comum a todos os vícios de luxúria; segundo, quando, ademais, é contrário à ordem natural dos actos venéreos tal como requer a espécie humana: e a isto se chama “o vício não-natural.” Isto pode acontecer de várias modos. Primeiro, procurando poluição, sem copulação, apenas para obter prazer venéreo: a isto pertence o pecado de ‘impureza’ que alguns referem-se como ‘efeminidade’ Segundo, procurando copulação com a espécie indivisa, e a isto se chama de ‘bestialidade.’ Terceiro, procurando copulação com o mesmo sexo, por exemplo, homem com homem, ou mulher com mulher, como diz o Apóstolo (Romanos 1,27): e a isto se chama o “vício da sodomia.” Quarto, falhando em observar uma maneira natural de copulação, seja por meios impróprios, ou outras formas monstruosas animalescas de copulação.»


Portanto, masturbação não só é um pecado mortal, mas um pecado mortal identificado em três lugares diferentes nas Escrituras como um pecado que exclui do Reino dos Céus. Também é classificado por São Tomás como um dos pecados contra a natureza, pois corrompe a ordem pretendida por Deus. É provavelmente essa a razão pela qual se chama de «efeminidade». Apesar de não ser o mesmo que a abominação da sodomia, não é de todo natural. Nós acreditamos que este pecado, sendo ele contrário à natureza e sendo classificado como «efeminidade» e «vício não-natural», é a causa de algumas pessoas entregarem-se a luxúrias não-naturais (homossexualidade).


Portanto, as pessoas que têm o hábito de cometer este pecado, têm de cortar com este male imediatamente e, quando estiverem preparadas, fazer uma boa confissão. Se alguém estiver a ter sérias dificuldades em largar tais vícios, então estão bem longe do nível espiritual em que precisam de estar. A graça de Deus está ao alcance destas pessoas, mas elas têm de rezar mais, rezar melhor, evitar ocasiões de pecado e exercitar as suas vontades. Necessitam de empenhar-se mais espiritualmente, e então abandonar tais actos não será um problema.Fonte: