segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Misericórdias do Coração de Jesus no sacramento da Penitência

O Sacramento da Penitência é o triunfo do Sagrado Coração de Jesus. Nele aparece muito mais misericordioso ainda que no sacramento do Batismo; pois neste (ao menos no Batismo de crianças) a graça do perdão não apaga mais do que uma mancha da qual o pecador não é pessoalmente responsável; enquanto no da Penitência esta mesma graça se dilata ainda mais, e não conhece outros limites que os que lhe impõe a má vontade desses infelizes sem juízos chamados pecadores impenitentes.




Mons. de Ségur (*) | O sacramento da Penitência [Confissão ou Reconciliação] pode chamar-se maravilha do Coração de Jesus. Neste, mais do que nos outros Sacramentos, o Salvador abre a todos os homens esse divino Coração que tanto os têm amado. Neste Sacramento brilha de um modo especialíssimo a onipotência de sua misericórdia e bondade, todos os dias e em toda a terra, com prodígios de todo gênero.
Santa Margarida Maria via o Sagrado Coração com suas chamas, sua cruz e sua cora de espinhos, como em um trono resplandecente de glória. Não é este trono uma formosa figura do tribunal da Penitência, em que a glória de Deus não resplandece menos em milagres de misericórdia do que no Sacramento do altar em prodígios de amor e santidade? Qual é, com efeito, na terra a glória por excelência de Deus senão a conversão dos pobres pecadores, a ressurreição e a salvação das almas?
Desde o alto deste trono de compaixão e de paciência divinas, de inefáveis misericórdias e de perdão inextinguível, o Coração de Jesus, vivo e palpitante no coração de seus sacerdotes, arde de amor pelos pobres pecadores e devora avidamente seus pecados em suas divinas chamas. Dali irradia a esperança; ali derrama em torrentes o sangue da redenção.
O sangue de Jesus, o sangue do Coração de Jesus, é como a alma deste grande Sacramento. Este é um composto de celestial santidade que purifica, de ternura que alivia e consola, de compaixão que comove e abranda os corações, de ardores sagrados que abrasam, e enfim, e sobretudo, de amorosa caridade. Isto é a Confissão, essa Confissão que tanto espanta aos que não tem a dita de “crer no amor que Deus nos tem”.[1]
Um dia, depois de confessar-se, Santa Catarina de Sena escrevia estas palavras cheias de profundidade: “Eu fui ao Sangue de Cristo: Ivi ad sanguinem Christi.” Ir ao Sangue de Jesus não é ir ao seu Coração, ou seja, à fonte e ao foco de seu amor? E há homens, há cristãos que temem aproximar-se deste Sacramento! Oh Sangue divino, Sangue de amor e de infinita misericórdia! A vós venho, precisamente porque sou pecador. Por mim fluís; a mim aguardais, como o pai do filho pródigo aguardava seu pobre filho, Sim, irei a vós, oh Sangue purificador e santificante! Irei a vós com coração contrito e humilhado, mas cheio de confiança! Que gozo possuir este rico tesouro da Confissão! E com quanta verdade é a Esposa de Jesus Cristo esta misericordiosa Igreja católica, que possui o trono da misericórdia do Coração de Jesus!
Bem podemos dizer sem reparo que o sacramento da Penitência é o triunfo do Sagrado Coração de Jesus. Nele aparece muito mais misericordioso ainda que no sacramento do Batismo; pois neste (ao menos no Batismo de crianças) a graça do perdão não apaga mais do que uma mancha da qual o pecador não é pessoalmente responsável; enquanto no da Penitência esta mesma graça se dilata, estende-se ainda mais, e não conhece outros limites que os que lhe impõe a má vontade desses infelizes sem juízos chamados pecadores impenitentes. É de fé que na Confissão o sacerdote pode perdoar tudo, absolutamente tudo, sem exceção; e a Igreja quer que o sacerdote perdoe tudo, quando o pecador dá verdadeiros sinais de arrependimento. Oh, misericórdia do Salvador! Nem para isto oferecem obstáculo as recaídas, sempre que provenham da fragilidade humana; pois Jesus chama ao perdão os fracos como os fortes, os pobres como os ricos, a todos os que têm boa vontade. Depois do altar, que é o trono do santo amor, em nenhuma parte é maior nem mais admirável o sacerdote católico que no confessionário, trono da divina misericórdia.
As chamas com que ali arde o Sagrado Coração não só aniquilam nossos pecados, mas que além disso apagam as chamas eternas do inferno que por eles merecíamos; e ainda, se nossa contrição é perfeita, a Igreja nos ensina que as chamas do Coração misericordioso de Jesus apagam também o fogo do purgatório.
Com suas amorosas chamas o Coração de Jesus abrasa, dilata e derrete de uma vez o Coração do confessor, inundando-o de caridade e de doçura, e o coração do penitente, inundando-o de contrição, purificando-o até em seus menores esconderijos e inundando-o de felicidade e de alegria.
E tudo isto é o fruto da cruz e da coroa de espinhos; o fruto da Paixão de Jesus Cristo, cujos méritos infinitos nos são aplicados no sacramento da Penitência.
Dai-me, pois, meu bom Salvador, que ame como devo este maravilhoso Sacramento, e que a ele recorra frequentemente com vivíssimos desejos de aproveitar-me das santas efusões de vosso sangue. Fazei que me confesse sempre bem, que seja muito sincero na manifestação de meus pecados, muito leal com minha consciência, que dissolva o orgulho e os respeitos humanos, e que receba sempre a absolvição com as santas disposições que vosso Coração comunica aos corações fiéis, e que neles quer que resplandeçam.
Nota
[1] 1 Et nos cognovim us, et credidimus charitati, quam habet Deus in nobis. (I, Joan. IV, 16.)

(*) Monsenhor de Ségur. El Sagrado Corazon de Jesus. pp. 121-125 Casa Editorial de Manuel Galindo y Bezares. 1888.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Sto. Afonso Maria de Ligório dá exemplos da Escritura que mostram que os pecados de um homem são limitados e, em certo ponto, a misericórdia de Deus cessa para o homem e a Sua justiça começa


30moedas
Deus está pronto para curar aqueles que sinceramente desejam mudar suas vidas, mas não pode ter pena do pecador obstinado. O Senhor perdoa pecados, mas Ele não pode perdoar aqueles que estão determinados a ofendê-lo

Querendo ou não, a relativização do conceito de livre-arbítrio da criatura bem como a equivocada concepção de misericórdia e justiça de Deus — disseminados pelas falsas doutrinas da “espiritualidade planetária” neopagã e liberal vigente — sua nefasta influência acabou por contaminar muitos teólogos e peritos progressistas, arquitetos do Concílio Vaticano II. Por isso, em todo lugar se ouve uma estranha e inédita exaltação à misericórdia ilimitada de Deus e que a paciência de Deus não tem limites.
Mas não é isto o que ensina Nosso Senhor, nem o magistério bimilenar, conforme claramente podemos constatar no presente exemplo de pregação do grande Doutor da Igreja, Santo Afonso Maria de Ligório. 
O Fundador dos Redentoristas, em seu sermão do primeiro domingo do Advento, adverte os fiéis de que o homem não deve abusar da misericórdia de Deus e imaginar que sempre haverá tempo para se arrepender e ser salvo. De fato, a misericórdia de Deus não tem limites, até o ponto em que esses limites são exigidos pela Sua sabedoria e justiça. A partir dessa premissa, meditemos nas seguintes e fundamentais advertências de Sto. Afonso Maria de Ligório sobre o verdadeiro conceito de Misericórdia e Justiça de Deus:
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No Evangelho deste dia, lemos que, depois de ter ido para o deserto, Nosso Senhor Jesus Cristo permitiu que o Diabo o colocasse sobre o pináculo do templo e lhe dissesse: “Se és Filho de Deus, lança-te abaixo, pois está escrito: Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; proteger-te-ão com as mãos, com cuidado, para não machucares o teu pé em alguma pedra (Sl 90,11s). ” Mas o Senhor respondeu que nas Sagradas Escrituras também está escrito:.. “Não tentarás o Senhor teu Deus”.
O pecador que se abandona numa vida de pecado sem que se esforce para resistir às tentações, ou sem, pelo menos, pedir a ajuda de Deus para vencê-las, e espera que o Senhor, um dia, o atraia a partir desse abismo, tenta Deus para que faça milagres, ou melhor, para que mostre a ele uma misericórdia extraordinária não estendida à maioria dos cristãos.
Como diz o Apóstolo, Deus “quer que todos os homens sejam salvos ” (I Tim 2: 4.), mas Ele também quer que todos nós desejemos trabalhar para a nossa própria salvação, pelo menos, adotando os meios de superar os nossos inimigos e de obedecê-lo quando Ele nos chama ao arrependimento.
Os pecadores ouvem os apelos de Deus, mas se esquecem desses apelos e continuam a ofendê-lo. Mas Deus não os esquece. Ele contabiliza as graças que nos dispensa, bem como os pecados que nós cometemos. Assim, quando o tempo que Ele fixou se completa, Deus nos priva de suas graças e começa a infligir o castigo.
Pretendo mostrar neste discurso que, quando os pecados alcançam um determinado número, Deus não mais perdoa. Preste atenção.

O número de pecados que Deus perdoará é fixo

1. São Basílio, São Jerônimo, São João Crisóstomo, Santo Agostinho e outros Padres ensinam, que, assim como Deus fixou para cada pessoa o número dos dias de sua vida, e os graus de saúde e talento que Ele lhes dará — de acordo com as palavras da Escritura: “Vós ordenastes todas as coisas na medida, número e peso” (Sb 11, 21) — assim também Ele determinou para cada um o número de pecados que Ele perdoaráE quando este número for concluído, Ele não perdoará mais.
2. “O Senhor me enviou para curar os contritos de coração” (Is 61, 1). Deus está pronto para curar aqueles que sinceramente desejam mudar suas vidasmas não pode ter pena do pecador obstinadoO Senhor perdoa pecados, mas Ele não pode perdoar aqueles que estão determinados a ofendê-lo.
Também não podemos exigir de Deus a razão pela qual Ele perdoa uma pessoa de uma centena de pecados, e a outros os arrebata dessa vida, enviando-os para o inferno, logo após três ou quatro pecados. Por Seu Profeta Amós, Deus disse: “Por causa de três transgressões de Damasco, e por quatro, não irei convertê-la” (1:3).
No entanto, devemos adorar os juízos de Deus, e dizer com o Apóstolo: “Ó abismo de riqueza, de sabedoria e de ciência em Deus! Quão impenetráveis são os seus juízos e inexploráveis os seus caminhos!” (Rm 11, 33).
Aquele que recebe o perdão, diz Santo Agostinho, é perdoado pela pura misericórdia de Deus; e os que são castigados, são justamente punidos. Quantos Deus têm enviado para o inferno com a primeira ofensa?
São Gregório relata que uma criança de cinco anos, que havia chegado ao uso da razão, foi arrebatada pelo diabo e levada para o inferno por ter pronunciado uma blasfêmia.
A Santíssima Mãe de Deus revelou a uma grande serva de Deus, Benedita de Florença, que um rapaz de 12 anos, foi condenado após o seu primeiro pecado.
Outro menino de oito anos morreu depois de cometer seu primeiro pecado e se perdeu.
Você diz: “Eu sou jovem; há muitos que cometeram mais pecados do que eu”. Mas, por esse motivo, será Deus obrigado a esperar o seu arrependimento e sua obstinação em ofendê-lo?
No Evangelho de São Mateus (21, 19), lemos que o Salvador amaldiçoou uma figueira na primeira vez em que a viu sem frutos. “Que nenhum fruto cresça em ti doravante para sempre. E imediatamente a figueira secou.”
Você deve, então, tremer só de pensar em cometer um único pecado mortal, especialmente se você já tiver sido culpado de pecados mortais.

Quando a medida da culpa é completada, Deus castiga o pecador com Sua justiça

3. “A propósito de um pecado perdoado, não estejas sem temor, e não acrescentes pecado sobre pecado”.(Eclesiastes 05:05) Por isso — oh pecador! — Não diga: “Uma vez que Deus me perdoou outros pecados, Ele vai me perdoar este se eu cometê-lo.” Não diga isso, pois, se para o pecado que lhe foi perdoado você adiciona outro, você tem razão para temer, pois este novo pecado deve ser unido à sua ex-culpa, e, portanto, o número será completado, e você deve ser abandonado.
Eis como a Escritura se desenvolve essa verdade mais claramente em outro lugar: “Quanto às outras nações, o Senhor espera pacientemente, antes de puni-las, que tenham enchido a medida de suas iniquidades”. (2 Mac 6, 14)
Deus espera com paciência, até que certo número de pecados seja cometido, mas, quando a medida da culpa é completada, ele não mais espera, mas castiga o pecador. “Tu selaste como num saco os meus crimes, puseste um sinal sobre minhas iniquidades”. (Jó 14:17)
Os pecadores multiplicam seus pecados sem fazer-lhes conta, mas Deus contabiliza o número deles; então, quando a colheita está madura, ou seja, quando o número de pecados se completa, Ele pode vingar-se deles. “Tomai as foices, porque a colheita está madura”. (Joel 3:13)
4. Há muitos exemplos desses nas Escrituras. Falando dos hebreus, o Senhor em um só lugar diz: “Nenhum dos homens que viram a minha glória e os prodígios que fiz no Egito e no deserto, que me provocaram já dez vezes e não me ouviram, verá a terra que prometi com juramento aos seus pais. Nenhum daqueles que me desprezaram a verá”. (Num 14: 22-23)
Em outra passagem, Ele diz que conteve sua vingança contra os amorreus, porque o número de seus pecados não fora concluído: “Porque a iniquidade dos amorreus não chegou ainda ao seu cúmulo”. (Gen 15: 16)
Temos novamente o exemplo de Saul, que, depois de ter desobedecido a Deus uma segunda vez, foi abandonado. Ele suplicou a Samuel para interceder perante o Senhor em seu nome: “Agora, peço-te, perdoa o meu pecado, e volta comigo para que eu adore o Senhor”. (1 Sm 15:25) Mas, sabendo que Deus tinha abandonado Saul, Samuel respondeu: “Não voltarei contigo!, exclamou Samuel. Rejeitaste a palavra do Senhor, por isso o Senhor te rejeita, e não quer mais que sejas rei de Israel”, etc (15: 26) Saul, você abandonou Deus, e Ele o abandonou.
Nós temos outro exemplo em Baltazar que, depois de ter profanado os vasos do templo, viu uma mão escrevendo na parede, Juba, Thecel, Farés. Daniel foi chamado para expor o significado dessas palavras. Ao explicar a palavra Thecel, disse ao rei: “Pesado foste na balança, e foste achado em falta” (Dn 5:27) Por esta explicação, deu a entender ao rei que o peso de seus pecados na balança da justiça divina havia pendido desfavoravelmente para ele. “Na mesma noite Baltazar, o Rei caldeu, foi morto”. (Dn. 5:30)
Oh! Quantos pecadores têm encontrado o mesmo destino! Continuando a ofender a Deus até que seus pecados chegaram a certo número, eles têm sido feridos de morte e merecido o inferno! “Passam os seus dias na riqueza, e em um momento são lançados no Inferno”. ( Jó 21:13)
Tremam, irmãos, pois se vocês cometem outro pecado mortal, Deus deveria lançá-los no inferno.
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Alphonsus Liguori, Sermons for All the Sundays in the Year, London: James Duffy & Sons, 1882, pp. 113-115.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A maternal proteção do Imaculado Coração de Maria

Os predestinados, para se tornarem conformes à imagem do Filho de Deus, vivem neste mundo escondidos no seio da Santíssima Virgem. Lá são guardados, alimentados, sustentados e criados por esta boa Mãe, até que Ela os gere para a glória depois da morte




Disse Jesus a sua Mãe: “Mulher! Eis aí o teu filho!” Em seguida, disse ao discípulo: “Eis aí a tua Mãe!” E desde então o discípulo recebeu-a em sua casa. (Jo 19, 26-27)
“A minha alma glorifica ao Senhor, e o meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador. Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque Deus se dignou olhar para a humilde condição da sua serva”. (Lc 1, 46-48)
A terrível batalha entre a “Mulher” e a “serpente” (Gn 3, 14-15) pode ser rastreada através da história da Igreja. Sobretudo, quando a Fé ou a ortodoxia cristã se encontram ameaçadas pelos persistentes e astuciosos ataques dos “filhos da serpente”.

“Se queres ganhar para Deus esses corações endurecidos, reza meu Saltério”


Um exemplo dessas grandes intervenções foi por volta do ano 1214, em Languedoc, região meridional da França, quando outra vez um grande levante da doutrina gnóstica assolava aquela nobre região. Naquele momento, a Gnose se impunha configurada na heresia dos albigenses causando um grande mal não apenas para a Cristandade, mas para a própria humanidade, uma vez que suas práticas eram absurdas e irracionais.
Resultando num terrível conflito entre católicos e albigenses, a situação agravou-se a partir da convocação de uma Cruzada que tinha por objetivo estancar o mal. Daí o sangue verteu transformando a nação francesa em um terrível campo de batalha.
Em meio a essa grande tribulação da Cristandade, movido por uma inspiração divina, o religioso Domingos retirou-se em solidão para uma densa floresta próxima de Toulouse (capital de Languedoc). Durante três noites e três dias ele ali permaneceu, em contínua oração, jejum e penitência, não cessando de gemer, de chorar e de se flagelar, implorando a Deus que tivesse pena de Sua própria glória calcada aos pés pelas doutrinas albigenses. Imerso e indissuadível nesse tamanho ardor e esforço, caiu semimorto. E foi então que a Santíssima Virgem, Mãe do Senhor, resplandecente de glória, lhe apareceu.
S. Luís Maria Grignion de Montfort narra-nos em vivas cores esses extraordinários acontecimentos:
“A Santíssima Virgem, que estava acompanhada de três princesas do Céu, lhe disse: ‘Sabes tu, meu caro Domingos, de que arma a Santíssima Trindade se serviu para reformar o mundo?’ — ‘Ó Senhora! Respondeu ele, Vós o sabeis melhor do que eu, porque depois de vosso Filho Jesus Cristo fostes o principal instrumento de nossa salvação’. Ela continuou: ‘O instrumento principal dessa obra foi o Saltério angélico, que é o fundamento do Novo Testamento. Portanto, se queres ganhar para Deus esses corações endurecidos, reza meu Saltério’. O santo levantou-se muito consolado e, abrasado de zelo pelo bem desses povos, entrou na catedral. No mesmo momento os sinos tocaram, pela intervenção dos Anjos, para reunir os habitantes. No início da pregação caiu uma espantosa tempestade. A terra tremeu, o sol se nublou, os trovões e relâmpagos redobrados fizeram estremecer e empalidecer todos os ouvintes. Seu terror aumentou ao verem uma imagem da Santíssima Virgem, exposta num lugar eminente, levantar três vezes os braços para o céu, para pedir ao Senhor vingança contra eles se não se convertessem e não recorressem à proteção da Santa Mãe de Deus”.
“O Céu queria, por esses prodígios, estimular a nova devoção do santo Rosário e torná-la mais conhecida. A tormenta cessou, por fim, devido às orações de São Domingos. Ele continuou seu Santo Rosário, que quase todos os tolosinos o adotaram, renunciando a seus erros. Em pouco tempo verificou-se uma grande mudança na vida e nos costumes da cidade”. [Montfort, S. Luís Maria Grignion de. Le Secret Admirable du Très Saint Rosaire pour se convertir et se sauver, págs. 12-14. Da edição francesa de 1926 dessa obra (editora Maison Alfred Mame et Fils, Tours), publicada pela primeira vez em 1911.]

Uma batalha decisiva contra a Virgem Maria


Irmã Lúcia de Fátima, em sua última entrevista pública, declarou com toda franqueza ao Pe. Agustin Fuentes, sacerdote mexicano, nomeado vice-postulador das causas de beatificação dos videntes, em conversa com Lúcia no dia 26 de dezembro de 1957 o seguinte:
A Irmã Lúcia disse-me ainda: “Senhor Padre, o demônio está travando uma batalha decisiva contra a Virgem Maria. E como sabe que é o que mais ofende a Deus e o que, em menos tempo, lhe fará ganhar um maior número de almas, trata de ganhar para si as almas consagradas a Deus, pois que desta maneira deixa também o campo das almas desamparado e mais facilmente se apodera delas. (Citada pelo Pe. Joaquin María Alonso, C.M.F. († 12 de dezembro de 1981), Arquivista oficial de Fátima, do seu opúsculo La verdad sobre el Secreto de Fátima, Fátima sin mitos)
Lúcia asseverou também:
“Senhor Padre, que os meus primos Francisco e Jacinta sacrificaram-se porque viram a Santíssima Virgem sempre muito triste em todas as Suas aparições. Nunca Se sorriu para nós; e essa tristeza e essa angústia que notávamos na Santíssima Virgem, por causa das ofensas a Deus e dos castigos que ameaçavam os pecadores, sentíamo-las até à alma. E nem sabíamos o que mais inventar para encontrarmos, na nossa imaginação infantil, meios de fazer oração e sacrifícios (…). (Idem)
O segundo meio que santificou estas crianças foi a visão do inferno, mostrado a elas pela própria Virgem (…).
“Por isso, Senhor Padre, a minha missão não é indicar ao mundo os castigos materiais que decerto virão sobre a terra se, antes, o mundo não fizer oração e penitência. Não. A minha missão é indicar a todos o perigo iminente em que estamos de perder para sempre a nossa alma, se persistirmos em continuar agarrados ao pecado.” (Idem)

Os dois os últimos remédios que Deus dava ao mundo; 


Santo Rosário [ou o Santo Terço] e a devoção ao Coração Imaculado de Maria


Com relação à crise da Igreja e a apostasia deflagrada a partir da década de 60, Lúcia disse:

“Senhor Padre, não esperemos que venha de Roma um chamamento à penitência, da parte do Santo Padre, para todo o mundo; nem esperemos também que tal apelo venha da parte dos Senhores Bispos para cada uma das Dioceses; nem sequer, ainda, das Congregações Religiosas. Não. Nosso Senhor usou já muitos destes meios e ninguém fez caso deles. Por isso, agora… agora que cada um de nós comece por si próprio a sua reforma espiritual: que tem que salvar não só a sua alma mas também todas as almas que Deus pôs no seu caminho (…). (Idem)
“Senhor Padre, a Santíssima Virgem não me disse que nos encontramos nos últimos tempos do mundo, mas deu-mo a entender por três motivos: O primeiro, porque me disse que o demônio está travando uma batalha decisiva contra a Virgem Maria – e uma batalha decisiva é uma batalha final, onde se vai saber de que lado será a vitória e de que lado será a derrota. Por isso, agora, ou somos de Deus ou somos do demônio: não há meio termo. O segundo, porque me disse, tanto aos meus primos como a mim, que eram dois os últimos remédios que Deus dava ao mundo: o Santo Rosário [ou o Santo Terço] e a devoção ao Coração Imaculado de Maria; e, se são os últimos remédios, quer dizer que são mesmo os últimos, que já não vai haver outros. E o terceiro porque – sempre – nos planos da Divina Providência, quando Deus vai castigar o mundo, esgota primeiro todos os outros meios; depois, ao ver que o mundo não fez caso de nenhum deles, só então (como diríamos no nosso modo imperfeito de falar) é que Sua Mãe Santíssima nos apresenta, envolto num certo temor, o último meio de salvação. Porque se desprezarmos e repelirmos este último meio, já não obteremos o perdão do Céu: porque cometemos um pecado a que no Evangelho é costume chamar ‘pecado contra o Espírito Santo’ e que consiste em repelir abertamente, com todo o conhecimento e vontade, a salvação que nos é entregue em mãos; e também porque Nosso Senhor é muito bom Filho, e não permite que ofendamos e desprezemos Sua Mãe Santíssima – tendo como testemunho patente a história de vários séculos da Igreja que, com exemplos terríveis, nos mostra como Nosso Senhor saiu sempre em defesa da Honra de Sua Mãe Santíssima”. (Idem)


Lúcia adverte sobre os dois meios para salvar o mundo



Lúcia adverte que dois são os meios para salvar o mundo: a oração e o sacrifício (…).
“E depois, o Santo Rosário. Olhe, Senhor Padre, a Santíssima Virgem, nestes últimos tempos em que vivemos, deu uma nova eficácia à oração do Santo Rosário. De tal maneira que agora não há problema, por mais difícil que seja, seja temporal ou, sobretudo, espiritual – que se refira à vida pessoal de cada um de nós; ou à vida das nossas famílias, sejam as famílias do mundo sejam as Comunidades Religiosas; ou à vida dos povos e das nações –, não há problema, repito, por mais difícil que seja, que não possamos resolver agora com a oração do Santo Rosário. Com o Santo Rosário nos salvaremos, nos santificaremos, consolaremos a Nosso Senhor e obteremos a salvação de muitas almas. (Idem)

As quinze promessas da Santíssima Virgem para todo aquele que reza o Santo Rosário

Da mesma maneira como Jesus prometera a Santa Margarida Maria Alacoque, também a Santíssima Virgem fez quinze promessas para todo aquele que reza o Santo Rosário e responde com amor filial aos cuidados de seu maternal coração que tanto intercede pela nossa salvação:
1. Quem me servir fielmente através da recitação do Rosário receberá sinais de graça divina.

2. Prometo a minha proteção especial e as graças mais grandes àqueles que recitarem o Rosário.


3. O Rosário será uma arma poderosa contra o inferno, destruirá o vício, diminuirá o pecado, e derrotará a heresia.


4. Causará que a virtude e os bons trabalhos floresçam; obterá a mercê abundante de Deus para as almas; retirará os corações do homem do amor ao mundo e às suas vanidades para os erguer ao desejo de coisas mais eternas.


5. A alma que se encomenda a mim através da recitação do Rosário não perecerá.


6. Quem recitar devotamente o Rosário, aplicando-se à consideração de seus mistérios sagrados, nunca será conquistado pelo infortúnio. Deus não o repreenderá em sua justiça, e não perecerá por uma morte desprovida; se for justo permanecerá na graça de Deus e tornar-se-á digno da vida eterna.


7. Quem tiver devoção verdadeira ao Rosário não morrerá sem os sacramentos da Igreja.


8. Aqueles que são fiéis em recitar o Rosário terão na sua vida e na sua morte a luz de Deus e a plenitude de sua graça divina.

9. Livrarei do purgatório aqueles que foram devotos ao Rosário.

10. As crianças fiéis ao Rosário serão dignas de um alto nível de glória no Céu.

11. Tereis tudo o que pedires de mim com a recitação do Rosário.


12. Todos os que propagarem o sagrado Rosário serão ajudados por mim nas suas necessidades.

13. Consegui do Meu Filho Divino que todos os defensores do Rosário terão por intercessores toda a côrte celestial durante a sua vida e na hora da morte.

14. Todos os que recitam o Rosário são meus filhos, e irmãos do meu único filho Jesus Cristo.

15. A devoção ao Rosário é um grande sinal de predestinação.


O sinal mais infalível e indubitável para distinguir um herético, um homem de má doutrina, um réprobo de um predestinado


O grande S. Luis Maria Grignion de Montfort inicia seu Tratado da Verdadeira Devoção com a exaltação lapidar: “Foi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por Ela que deve reinar no mundo”.

O Santo de Montfort também declara: “O sinal mais infalível e indubitável para distinguir um herético, um homem de má doutrina, um réprobo de um predestinado, é que o herético e o réprobo não têm senão desprezo ou indiferença pela Santíssima Virgem. Com suas palavras e exemplos, abertamente ou às ocultas, esforçam-se por lhe diminuir o culto e o amor, e isso por vezes sob belos pretextos”.


E o mesmo Santo exorta-nos: “Santo Agostinho, ultrapassando-se a si mesmo, afirma que os predestinados, para se tornarem conformes à imagem do Filho de Deus, vivem neste mundo escondidos no seio da Santíssima Virgem. Lá são guardados, alimentados, sustentados e criados por esta boa Mãe, até que Ela os gere para a glória depois da morte. Este é propriamente o dia do seu nascimento, pois é assim que a Igreja chama a morte dos justos. Ó Mistério de graça, escondido aos réprobos e tão pouco conhecido dos predestinados!” (Montfort, Luis Grignion de. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria – “Preparação ao Reino de Jesus Cristo”).

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O que nós católicos tradicionais podemos fazer?

É tão difícil ser um Católico Tradicional hoje na Igreja e no mundo, mas nem por isso deixamos de ser tão abençoados por estarmos tão próximos ao Coração de Jesus no sofrimento e sangramento do Corpo Místico de Cristo, Sua Igreja


Sensus fideiEstamos em uma Igreja e um mundo cheio de minas terrestres. A maioria dos bispos e padres Novus Ordo nos rotulam como “extremistas”, ultrapassados e não “católicos”, porque nós questionamos as mudanças feitas pelo Vaticano II. Eles também fazem todo o possível para impedir o Summorum Pontificum do Papa Bento XVI e disponibilizar os Sacramentos latinos em qualquer paróquia normal. Eles odeiam qualquer coisa que tenha a ver com o que a Igreja praticou antes do Vaticano II.

O mundo está cheio de grupos que nos odeiam também. Os muçulmanos, as feministas, os homossexuais, os governos seculares, os marxistas, a mídia, a música, os filmes estão todos contra nós. É porque vivemos vidas morais e somos contra o sexo homossexual, a coabitação antes do casamento, a imodéstia, o assassinato de bebês inocentes no ventre e acreditamos na permanência dos votos do casamento entre um homem e uma mulher. O mundo está contra nós, porque não concordamos com o plano dos Illuminati para uma religião mundial e um governo únicos.
Há apenas um poder por trás de todo este mal que vivenciamos o dia todo. Atrás de maçons, illuminati, banqueiros, Hollywood, ativistas homossexuais, ateus, religiões pagãs, muçulmanos, protestantismo, divórcio, pornografia, nosso governo, há um poder demoníaco.
“Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares”. (Ef 6,12)
Aqui estão 12 coisas que devemos fazer neste cáustico ambiente, onde rezamos e vivemos.
  1. Começo por mim. Quando tudo estiver dito e feito, eu também irei morrer. Eu, pessoalmente, tenho que prestar contas a Deus por tudo o que fiz e não consegui fazer. Que inclui as coisas más que tenho feito e as boas ações que não consegui fazer. Também eu, pessoalmente, vivo em uma mina terrestre do diabo, com constantes tentações para me fazer tropeçar, cair e queimar para sempre no inferno. Antes de eu tentar salvar as almas dos outros ou tentar reformar a Igreja, eu preciso tomar cuidado com a minha alma, com minhas palavras, minhas orações e minhas ações. Então, eu preciso de oração e humildemente tentar viver uma vida pura e fazer a vontade de Deus em todas as situações.
  2. Rezar. Humildemente eu reconheço que não posso salvar o mundo e que Jesus é o Salvador. Mas eu ainda devo ajudar a salvar almas e reformar a Igreja, através do oferecimento da Santa Missa, rezando, especialmente diante do Santíssimo Sacramento e fazendo o que posso. Cada Santo Rosário conta muito também. Nós somos os intercessores para a Igreja e a salvação do mundo.
  3. Dar um bom exemplo. Tudo o que eu faço; como eu me ajoelho e rezo, como eu trabalho, como eu jogo, como eu estudo, como eu amo e cumprimento as pessoas, como eu dirijo, como eu como e como eu falo, tudo isso dá tanto um bom exemplo ou um mau exemplo do que significa ser um verdadeiro católico.
  4. Estar disposto a ser perseguido. Jesus, São João Batista, os Apóstolos e todos os santos foram perseguidos por membros da igreja e as pessoas do mundo. Jesus nos advertiu; “Ai de vós, quando vos louvarem os homens”. Pode não ser muito antes de os muçulmanos, os maçons e o nosso próprio governo começarem a nos aprisionar e a matar-nos. Temos de olhar para a frente e seguir adiante para o nosso verdadeiro lar no céu.
  5. Tenha fé em Deus, Maria, Anjos e Santos. Estamos fazendo o que Deus e Nossa Senhora querem. Nós não estamos sozinhos. Eles sentem toda a dor que sofremos por sermos fiéis à nossa fé católica de 2000 anos. A Igreja pertence a Jesus. Foi Ele quem a iniciou. Ele prometeu que as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Portanto, Ele sofre junto conosco quando nós nos levantamos para proteger os Sacramentos Católicos, a verdade da Bíblia Sagrada e do Magistério. Deus está conosco e nos ajuda. Maria está conosco e nos ajuda. Os Anjos estão lutando ao nosso lado. Os Santos fazem a sua parte para nos ajudar. As santas almas do purgatório estão rezando por nós. Não estamos no santo combate sozinhos.
  6. Falar a verdade. Não importa o quanto custe, precisamos falar a verdade católica para as nossas famílias, nossas paróquias, nossos amigos, para os nossos sacerdotes, nossos bispos e todos que quiserem ouvir. Nós falamos a verdade com amor, firmeza e fatos intelectuais.
  7. Desprendimento do respeito humano. Um dos maiores inimigos para carregar a cruz e seguir os passos de Jesus é ficar fazendo o que os outros pensam de nós. Nós colocamos nossos olhos no que Jesus pensa sobre nós e não no que os outros fazem.
  8. Lutar contra o medo. Eu li que o único medo que devemos ter é o de ter o próprio medo. Pessoas e o demônio inoculam o medo em nossos corações para nos desencorajar de fazer e dizer o que é certo e pagar o preço por isso. Jesus disse repetidamente, “Medo não é necessário, mas fé.”
  9. Manter tudo em perspectiva. Deus é um bilhão de vezes maior e mais poderoso do que papa, cardeais, bispos, religiosos, sacerdotes e leigos rebeldes. Por enquanto, a maioria de nós ainda é capaz de falar o que acreditamos como católicos. Por enquanto, em algumas partes do mundo, estamos livres para rezar e ir à Missa Tradicional. Por enquanto, nós ainda estamos fora da prisão e somos capazes de comer, descansar, ter uma família, caminhar, brincar e trabalhar. Tudo o que temos é o agora.
  10. Não desanimar. Nós apenas somos chamados para ser fiéis e fazer o que pudermos. Então, vamos dar um passo de cada vez. Diz o ditado; “Uma viagem de mil léguas começa com um passo.” Como o comunista disse, ‘Não espere para controlar o mundo durante a noite. “Não, eles simplesmente trabalham lentamente e, eventualmente, isso acontece.
  11. Comprove, anote e compartilhe milagres. Enquanto peregrinamos por ‘neste vale de lágrimas’, nós vamos com Deus, Maria, os Anjos e os Santos. E por causa disto, haverá milagres evidentes que nos acompanham. Esperar que milagres aconteçam. Durante toda a história da Igreja Católica e o martírio dos Santos, muitas e muitas vezes Deus mostrou o seu apoio por meio de acontecimentos milagrosos. Deus continuará a fazer milagres hoje também.
  12. Apoiar uns aos outros. Jesus enviou os Apóstolos dois a dois. Precisamos rezar juntos e trabalhar juntos. Precisamos ajudar-nos uns aos outros, amar-nos uns aos outros e nos divertirmos com os outros.
st peters papal mass
É tão difícil ser um Católico Tradicional hoje na Igreja e no mundo, mas nem por isso deixamos de ser tão abençoados por estarmos tão próximos ao Coração de Jesus no sofrimento e sangramento do Corpo Místico de Cristo, Sua Igreja.

Publicado originalmente em 23 de fevereiro de 2016: Traditional Catholic Priest – What Can Traditional Catholics Do? Pe. Peter Carota, in memoriam.