sexta-feira, 22 de junho de 2018

MOÇAS QUE PERMANECERAM SOLTEIRAS NO MUNDO

Há muitas jovens que não se casam. Algumas não sentem desejo, nem inclinação para o casamento, mas não pensam tampouco em ser freiras, e destarte permanecem solteiras por sua livre escolha. Outras há que optariam pela vida conjugal, mas o destino e as circunstâncias não lhes permitem dar tal passo. Devem estas fazer de necessidade virtude e, com sujeição cristã, reconhecer a mão de Deus, no governo de sua vida, entregando-se humilde e pacientemente à sua santa vontade.
Desejaria fazer agora algumas observações para louvor e consolação dessas almas.
1º – As jovens que permanecem solteiras são grandes perante Deus.
Serão grandes perante Ele, se guardaram fiel e integralmente a pureza virginal; pois, mediante esta virtude, se tornam particularmente agradáveis a Deus. A elas se aplica o alto encômio da Sagrada Escritura: “Oh! Quão formosa é a geração casta com seu brilho! Sua memória é imortal, e é louvada diante de Deus e diante dos homens”. (Sal., 4,1) Santo Efrém exclama entusiasmado: “Oh! Virgindade! Tu és o que o Autor de todas as coisas ama com predileção e em ti ocultou riquezas imperecedouras!”
Estas moças serão grandes perante Deus, se rezarem bem e com fervor. Enquanto os demais membros da família desprezam a oração ou a fazem com negligência, elas se entregam muitas vezes a este piedoso exercício conscienciosamente. Oram durante o dia, quando os outros se preocupam em coisas materiais, oram durante a noite e se prostram diante de Deus em seu quarto silencioso, enquanto os demais se entregam somente ao descanso e às diversões; oram na igreja diante do Santíssimo Sacramento, que em regra ninguém como elas tão assiduamente visita; oram durante o trabalho que executam com boa intenção, para honrar e servir a Deus.
As moças que permanecem solteiras são, freqüentemente grandes diante de Deus, em virtude do sacrifício que lhe oferecem. Sacrificam por vezes a sua juventude, com as alegrias e prazeres permitidos a essa idade; sacrificam um casamento que lhes promete esperanças e, com isto, segura garantia para o porvir.
Tais sacrifícios e outros semelhantes fazem-nos elas generosamente, às vezes, por amor de Deus, a quem consagram a sua virgindade, as suas aspirações e toda a sua vida; fazem-nos por amor a seus pais, dos quais desejam ser tutoras na velhice e nas enfermidades ou fazem-nos também por amor de seus irmãos menores, a cuja subsistência já não podem os pais prover sozinhos. Sujeitam-se, destarte, às privações e, durante longos anos, vão acrescentando sacrifícios a sacrifícios, a fim de providenciarem pelo futuro dos seus irmãos. São almas generosas, heroicamente generosas, que merecem a nossa inteira estima a admiração. Como são elas grandes diante de Deus! Como são pequenos e mesquinhos os insensatos, que só tratam com desprezo tão nobres e generosas donzelas!
2º – As moças que permanecem solteiras são também uma benção para os outros.
Em primeiro lugar, para os próprios parentes. Que de vezes não é uma destas moças a consolação e o arrimo dos velhos pais, que ela envolve de amor e carinho! Depois da morte dos pais, não raro se faz educadora dos irmãos e irmãs menores, cuja mãe ela substitui, e para os quais ela será o amparo e sustentáculo nos seus anos perigosos da juventude!
Mais de um exemplo deste gênero tenho eu conhecido. Além disso, amiúde se transforma, como boa e querida tia, em benfeitora para os filhos de um irmão ou irmã casados. É ela com freqüência a causa que impede que desapareça da casa dos parentes o bom espírito cristão. Se ela tivesse casado houvera contribuído para o bem de uma só família, ao passo que ficando solteira contribui para a salvação de três ou quatro famílias, sem que por sua humildade, sequer, o perceba.
A benção da vida e ações de tais donzelas sói, contudo, estender-se a um círculo mais amplo. Quão útil não é, por vezes a uma comunidade inteira o seu exemplo de virtudes! Como esparzem, de quando em quando, os seus benefícios, em toda parte. Que ricos presentes não oferecem para as missões, para o socorro das pobres crianças abandonadas e para outros fins nobres! Que de sacrifícios e esforços não se impõem elas em favor de uma boa causa! Nenhum passo lhes é penoso, nenhum retrocesso molesto.
Não são essas jovens a força motriz e o sustentáculo das associações pias, da Obra dos Tabernáculos e de outras sociedades beneficentes? O que uma única jovem, animada de espírito reto, é capaz de realizar, demonstra-o o exemplo de uma rica dama de Hamburgo. Esta dama com grande pesar observou a triste situação e o abandono moral em que viviam tantos marinheiros, nos portos marítimos, privados de bens materiais e de assistência espiritual.
Fundou então, uma sociedade, onde eles pudessem encontrar o necessário para á vida. Teve a grande alegria de observar que muitos voltaram ao cumprimento dos deveres religiosos e a uma vida de virtudes. Aqueles marujos reconheciam-na como mãe e no alto mar canções em sua homenagem.
3º – Conselhos e exortações para as moças que se conservam solteiras.
Em primeiro lugar, digo-vos: alegrai-vos! Pode acontecer que sejais obrigadas a renunciar a certas doçuras da vida, e que a solidão, que talvez com o correr dos anos se vai fazendo em torno de vós, vos pareça molesta. Pode acontecer eu os vossos parentes e conhecidos são se mostrem justamente gratos por todos os favores que lhes fizestes, e por todos os benefícios que lhes dispensastes. Parentes e conhecidos há, demasiado exigentes, em relação a uma jovem solteira, os quais desfrutam-lhe de tal maneira a bondade, que ela mesma ao depois se vê em dificuldades ou sofre até verdadeiras privações.
Cumpre-vos ser prudentes e em certas circunstâncias permanecer firmes e resolutas contra todas as tentativas que tenham por fim explorar vossa bondade. Sejam quais forem, as experiências por que passardes, guardai-vos do enfado e descontentamento, por quanto, se estes vos dominarem, vosso caráter e toda a vossa vida se envenenarão: vireis a ser insuportáveis e, com o tempo, intoleráveis nas vossas relações com os outros e vossa língua se tornará asperadamente ofensiva.
Cumpre-vos, pois, combater sem tréguas, qualquer sentimento desagradável ao coração; adorai a santa vontade de Deus, que só tem em vista o vosso verdadeiro bem; oferecei-lhe, alegremente, tudo quanto na vossa situação sois forçadas a suportar. Lembrai-vos também que mercê da vossa condição de solteiras, estais livres de muitas cruzes e sofrimentos; pois o estado conjugal é, em regra, para a maioria um estado de dores e contrariedades.
Aproximai-vos muito amiúde dos santos Sacramentos e recebei-os sempre com boa preparação. Assisti, quando as condições o permitirem, assiduamente, e mesmo todos os dias, à Santa Missa, e uni os vossos sacrifícios ao sacrifício infinitamente precioso de Jesus Cristo. Rezai com toda a piedade, praticai uma ou outra devoção predileta, por exemplo, a devoção à Santíssima Virgem, e, sobretudo a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, eu é tão particularmente salutar e rica de graças para nós.
Guardai-vos, porém, na vossa piedade contra toda manifestação ruidosa de sentimentalismo e desagradáveis singularidades; exercitai-a de preferência, com certa jovialidade de espírito, por um trabalho atento e alegre, por um afável julgar e falar a respeito dos outros. Finalmente, mostrai-vos úteis, segundo as vossas forças e sede benfazejas. Se fordes ricas e abastadas, isto vos será fácil e podereis espalhar em torno de vós muitas bênçãos. Se não fordes ricas, mas dedicadas ao trabalho e razoavelmente econômicas, ainda podereis fazer muito bem.
Existem almas nobres que passam fazendo o bem. Em todas as circunstâncias e em qualquer profissão, como: de costureiras, empregadas, funcionárias, que com o dinheiro que economizam, distribuem ricos donativos para nobres fins. Como Deus é infinitamente bom recompensará um dia generosamente a estas boas almas por tudo que fizeram! “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”.
Donzela Cristã – Pe. Matias De Bremscheid



Bons artigos para leitura pelo link abaixo;


Imodéstia nas Igrejas diante de Jesus Sacramentado



Fonte:

quinta-feira, 21 de junho de 2018

EDUCAÇÃO SOBRENATURAL

Há duas vidas em teu filho. Sobretudo a vida sobrenatural deve preocupar-te, vivamente. Dela depende a felicidade eterna dos teus. Seguindo o Pe. Bethléem, vamos expor-te o seguinte sobre esse assunto:

Por educação sobrenatural  se deve entender a criação, a iluminação da alma, o amparo, a ressurreição, a frutificação, a extensão e a transformação da vida sobrenatural da graça. O educador precisa satisfazer várias condições para conseguir seu intento. Deve viver no estado de graça, ter um grande espírito de fé, possuir uma sólida instrução religiosa e ser profundamente piedoso.
Do contrário não saberá falar com convicção sobre o amor de Deus e o horror ao pecado. Deixar-se-á guiar pelas praxes pagãs do mundo. Não saberá falar à alma infantil.
Nasce a vida sobrenatural com o batismo. Já dissemos que a mãe cristã deverá guardar a data do batizado do filho, para celebrá-la como “aniversário” do nascimento sobrenatural. Ilumina-se esta vida pela instrução religiosa, que aliás é gravíssimo dever que pesa sobre os pais.
Não se reduz a instrução ao mero conhecimento de rezas e orações. Requer o estudo das verdades do catecismo. Criança que desconhece o catecismo é uma analfabeta nas letras da vida eterna. As lado da instrução vem a formação da consciência, que é a voz de Deus dentro da alma. A educadora prudente pode contribuir para isso, suprindo, esclarecendo, tornando simples, dirigindo, preservando e exercitando a consciência dos filhos.
… De que preservarás a consciência dos teus?
Do pecado, do escrúpulo, das ilusões (sobre as promessas da vida, sobre a retidão das intenções, sobre as confissões, que se devem fazer). Amparos da vida sobrenatural são a oração, a crisma, a comunhão. A primeira traz a graça diária. O sacramento da fortaleza nos confirma na vida e a Eucaristia nutre essa vida…
A vida sobrenatural ressuscita, quando morta pelo pecado, no sacramento da confissão. A assiduidade à confissão é, portanto ótimo fator educativo e de valor sobrenatural. Os frutos desta vida sobrenatural são a fé, a esperança, o amor a Deus, o amor à Igreja Católica, o zelo pela alma do próximo. Quantos horizontes iluminados, leitora!
Realmente, não é pequena a tarefa de uma educadora que quer educar sugundo as intenções de Deus. Mas sua recompensa não fica atrás dos sacrifícios e nem depende dos frutos que conseguir. Por isso, confiança em Deus, muita oração, muito estudo e mãos ao trabalho!
As três chamas do lar– Pe. Geraldo Pires de Souza

Fonte:

quarta-feira, 20 de junho de 2018

O Significados da Medalha Milagrosa


A face principal da Medalha
face_principalA Santíssima Virgem de pé sobre o globo terrestre: isso significa que Ela, além de ser Nossa Mãe do Céu, é também a Rainha da Terra e de todo o Universo.
Ela esmaga sob seus pés uma serpente que representa o demônio, que tenta continuamente os homens com o intuito de levá-los para o inferno.
Nossa Senhora tem um poder incomparavelmente maior que o do demônio. Ela protege todos os filhos que Lhe pedem com confiança.
De Seus dedos saem raios de luz. Estes raios representam as graças que a Santíssima Virgem concede aos que se devotam a Ela.
Perguntada por Santa Catarina por que de alguns dedos não saíam raios, Ela respondeu que desejava conceder mais graças, porém os homens não Lhe pediam.
A data de 1830 marca o ano das aparições de Nossa Senhora nas quais Ela revelou a Medalha a Santa Catarina Labouré. Foi no final da tarde do dia 27 de novembro.
Em volta da Medalha lê-se a frase: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”. Nossa Senhora mandou colocar na Medalha esta curta oração para que ela fosse repetida com freqüência.

O verso da Medalha
versomedalhaO grande “M” tendo sobre si uma cruz, é a inicial do nome de Maria. A cruz é a Cruz de Jesus, que morreu por nós. Aos pés da Cruz encontra-se Maria que sofre e nos anima em união completa com Jesus.
Em volta da Medalha estão desenhadas doze estrelas: é a coroa da Santíssima Virgem. Como Rainha do Céu e da Terra, Nossa Senhora tem uma coroa de doze estrelas que representam seu poder sobre toda a Criação. Tudo o que Ela pede a Deus, Ela obtém.
Lado a lado, estão o Coração de Jesus e o Coração de Maria. Duas pequenas chamas indicam que eles queimam de amor por nós. À esquerda, o Coração de Jesus está envolto por uma coroa de espinhos e tem uma chaga aberta que sangra. São nossos pecados e nossas más ações que O fazem sofrer: para redimir nossos pecados Ele foi coroado de espinhos. Ele morreu na Cruz e Seu Coração foi transpassado por uma lança.
À direita, o Coração de Maria está atravessado por uma espada que representa toda a dor que Ela sentiu durante a Paixão de Seu Filho por nós. Ela ofereceu esses sofrimentos em união aos de Jesus para que nós nos salvemos e possamos ir ao Céu

ATENÇÃO

Cuidado com a Falsa Medalha Milagrosa!


Fonte:

terça-feira, 19 de junho de 2018

Do zelo da salvação das almas que devem ter os religiosos

Congregação do Santíssimo Redentor, os Redentoristas
Recupera proximum tuum secundum virtutem tuam – “Assiste ao teu próximo segundo as tuas forças” (Eclo 29, 27)
Sumário. Quem ama muito o Senhor, não se contenta de ser só em amá-Lo; desejaria atrair todo o mundo ao seu amor. E que maior glória para o homem, que ser cooperador de Deus na grande obra da salvação das almas? Correspondamos, pois, à nossa sublime vocação, abrasando-nos sempre mais de santo zelo, dirijamos para este fim todos os nossos empenhos. Deste modo, à medida que socorrermos as almas do nosso próximo, asseguraremos a nossa própria salvação, e obteremos um lugar alto no paraíso.
I. Quem é chamado à Congregação do Santíssimo Redentor (a alguma ordem de vida ativa), nunca será verdadeiro seguidor de Jesus Cristo, e nunca será santo, se não cumprir o fim de sua vocação e não tiver o espírito do seu Instituto, que é o de salvar as almas, e as almas mais privadas de socorros espirituais, como são os pobres moradores do campo.
Foi este também o fim com que o Redentor veio ao mundo, pois declara “que o espírito do Senhor repousou sobre ele e que o consagrou com a sua unção para pregar o Evangelho aos pobres” (1). Em nenhuma outra coisa quis experimentar se São Pedro o amava, senão na sua dedicação à salvação das almas: Simon Ioannis, diligis me?… Pasce oves meas – simão, filho de João, amas-me?… Apascenta as minhas ovelhas” (2). Não lhe impôs, diz São Crisostomo, esmolas, penitências, orações ou coisas semelhantes, mas somente que procurasse salvar as suas ovelhas: Apascenta as minhas ovelhas. Jesus Cristo declarou que teria como feito a si mesmo todo o benefício que fosse feito ao mínimo dos nossos semelhantes: Amen dico vobis: Quamdiu fecistis uni ex his fratribus meis minimis, mihi fecistis – “Na verdade vos digo, que o que fizerdes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim é que o fizestes” (3).
Deve, portanto, qualquer membro da Congregação nutrir em supremo grau este zelo, este espírito de socorrer as almas. A este fim deve cada um dirigir todos os seus empenhos. E quando algum tempo os superiores o empregarem neste ministério, deve pôr nele todo o seu pensamento e toda a atenção. Já não se poderia considerar como verdadeiro membro da congregação aquele que não aceitasse com todo o afeto este emprego, quando imposto pela obediência, para tratar só de si mesmo, na vida de solidão e de retiro. – E que maior glória para o homem, que ser cooperador de Deus, como diz São Paulo, na grande obra da salvação das almas? Quem muito ama ao Senhor, não se contenta de ser só a amá-Lo. Quisera atrair todo o mundo ao seu amor dizendo com Davi: “Engrandecei o Senhor comigo, e exaltemos juntos o seu nome” (4). Portanto, como exorta Santo Agostinho todos os que amam a Deus: Si Deum amatis, omnes ad amorem eius rapite – “Se amais a Deus, atrai todos ao seu amor”.
II. Grande motivo para esperar a sua salvação eterna tem aquele que com verdadeiro zelo se emprega em salvar almas. Diz Santo Agostinho:
“Se salvaste uma alma, predestinaste ao mesmo tempo a tua”.
E o Espírito Santo promete (5): Cum effuderis esurienti animam tuam – “quando te tiveres empenhado pelo bem de um pobre”, et animam afflictam repleveris – “e o tiveres enchido da graça divina por meio do teu zelo”, – implebit splendoribus animam tuam, requiem dabit tibi Dominus – “o Senhor te encherá a alma de luz e de paz”. São Paulo punha a esperança da sua salvação eterna na salvação dos outros que ele procurava; pelo que diz aos seus discípulos de Tessalônica: Vos enim estis gloria nostra et gaudium – “Vós sois a nossa glória e alegria” (7).
Senhor meu Jesus Cristo, como posso agradecer-Vos dignamente, vendo-me por Vós chamado ao mesmo mistério que Vós exercitastes na terra, ao ministério de, com as minhas fracas forças, ajudar as almas a se salvarem? Como merecia eu esta honra e este prêmio, depois de VOs haver oefendido tão gravemente, e sido causa de que outros Vos ofendessem? Sim, meu Salvador, já que me chamais a ajudar-Vos nesta grande obra, quero servir-Vos com todas as minhas forças. Eis-me aqui a oferecer-Vos todos os meus trabalhos, e ainda o sangue e a vida para Vos obedecer. Não pretendo com isto satisfazer ao meu próprio gênio, ou receber a estima e os aplausos dos homens; outra coisa não pretendo senão ver-Vos amado de todos, como mereceis.
Bendigo a minha sorte e me dou por feliz, por me haverdes escolhido para tão sublime ofício, no qual desde já faço o sincero protesto de renunciar a todos os louvores dos homens e a todas as minhas satisfações, e de querer só a vossa glória. Seja vossa toda a honra e satisfação, e para mim sejam somente os incômodos, os desprezos e as amarguras. Aceitai, Senhor, esta oferta que Vos faz um miserável pecador, o qual Vos quer amar e ver-Vos também amado dos outros; dai-me forças para a executar. – Maria Santíssima, minha advogada, vós que tanto amais as almas , ajudai-me.
Referências:
(1) Lc 4, 18
(2) Jo 21, 17
(3) Mt 25, 40
(4) Sl 33, 2
(5) Is 58, 10
(6) 1 Ts 2, 20
(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III: Desde a Décima Segunda Semana depois de Pentecostes até o fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 100-102)

segunda-feira, 18 de junho de 2018

A EUCARISTIA, ANTÍDOTO UNIVERSAL AO VENENO DO LIBERALISMO


Hoje as pessoas, famílias e sociedades agonizam e morrem pelo pior dos venenos: o liberalismo. Esse é o seu nome científico: consiste em uma falsa concepção da liberdade, que a coloca como o valor máximo, essencial, em certo modo único para a humanidade. Os sábios antigos sempre definiram o homem como um animal racional. Mas o liberalismo o redefine como um animal livre: o que é próprio e específico da pessoa humana, que a distingue de tudo o mais, já não é mais sua racionalidade, mas sua liberdade.
Tomemos nota do diagnóstico! Acaso não é passo fundamental que o médico consiga descobrir o que está matando o paciente? E não é qualquer veneno, mas a essência mesma de todo tóxico da alma. A ilusão que está no fundo de todo pecado, que lhe dá força, seu mecanismo mais íntimo, é a ilusão liberal: “Non serviam!” Não servirei, não serei escravo de ninguém!
Bem, esse veneno universal, ocasionador de todas as doenças, tem remédio? Os remédios que curam todas as outras enfermidades espirituais, são apenas paliativos do liberalismo, causador de todas elas. Há apenas um antídoto universal ao liberalismo: o Santíssimo Sacramento da Eucaristia; e isso tanto no indivíduo, como na família e na sociedade.
1º A Eucaristia, antídoto do liberalismo no indivíduo.
LIBERDADE DE PENSAR
A primeira liberdade que o liberalismo reclama é a liberdade de pensamento. És livre para pensar o que quiseres, para ter tua opinião; se não, não tens personalidade. E embora haja menos espaço para a liberdade nas ciências exatas, deve haver liberdade acima de tudo na ciência do bem e do mal: só posso julgar o que me beneficia ou prejudica. E daí a primeira renúncia: Não aos magistrados da autoridade, que aprisionam a inteligência ao ditar o que pensar. Não ao Magistério da Igreja.
E por que a Eucaristia é o remédio apropriado para esse mal? Porque é o mistério da nossa fé, que exige a maior entrega e rendição da inteligência, e o que mais pedagogicamente explica e faz aceitar os outros mistérios. A Eucaristia pede para acreditar na Trindade e na Encarnação, pois nos são oferecidos a carne e o sangue do Filho, pela obra do Espírito Santo, para a glória do Pai; crer na redenção através da Cruz, no Sacerdócio, nos Sacramentos, na santidade da Igreja. E tudo deve ser acreditado sem poder tocar, como Tomás, as chagas de Nosso Senhor, nem ver seus milagres. Mysterium Fidei: exigência máxima de fé.
LIBERDADE DE AGIR
Da liberdade de pensamento segue-se a liberdade de comportamento. Se recebo de Deus os dez mandamentos que me dizem o que é certo ou errado, tenho que obedecer; mas se sou livre na ciência do bem e do mal, faço o que quero. Pais e professores não estão lá para projetar suas maneiras de agir sobre as crianças, mas para lhes ampliar e assegurar seus limites de liberdade. A única lei, o único limite, é a liberdade dos outros.
Mas o que diz Jesus Eucaristia? Eu sou Deus, e tu não vês minha docilidade? Eu resisto ao sacerdote quando me traz ao altar, ou a ti quando te aproximas da comunhão? Eu, Deus, fui obediente ao meu Pai até a morte da Cruz, e aos homens até a morte do Altar, e tu, pequeníssima criatura, queres alcançar a liberdade pelos caminhos que queres? Eu sou o Caminho: segue o exemplo da minha submissão eucarística e alcançarás a verdadeira liberdade.
LIBERDADE DE SENTIR
Dá liberdade a teus sentidos, para quê os tens? Reprimir teus desejos restringe tua personalidade e acaba por te deixares doente. Nada roubas  à tua namorada se ela consente em dar; tu és livre, ela é livre. Vista-te como bem entenderes, a outra não é dona dos olhos do seu marido: deixe-o ser livre. O único pecado é não respeitar a liberdade dos demais.
No entanto, Jesus eucarístico nos diz: Eu, que sou a Pureza encarnada, envolvo-me no branco manto das espécies de pão para ainda permanecer entre os filhos. Eu me entrego a ti, mas “não me toques” (João 20: 17); consagrei as mãos de meus sacerdotes, exijo que eles vivam em pureza, e ainda assim cubro-me em sua presença. Eu, que sou a própria Pureza e a Santidade, renunciei em sentir e a que me sintam, e tu não queres deixar de ver e seres visto? Se queres “provar e ver como o Senhor é bom” (Sl. 33 9), esconde-te como outra eucaristia.
LIBERDADE DE SER
Os sofismas do liberalismo desencadeiam um processo que termina em loucura. “O agir segue o ser”, diziam os escolásticos, e eles, por sua vez, estavam certos. Se és livre para agir, és livre para ser. Que não te determinem os demais, quer seja homem ou mulher. És divino, tu podes se autocriar com toda a liberdade!
Mas tamanha soberba, que chega à insanidade infernal, encontra remédio na humildade eucarística, que parece loucura à sabedoria humana. Porque na Eucaristia Nosso Senhor renuncia até a dignidade de sua natureza humana, para dar-se em alimento e fazer-nos partícipes da natureza divina. “Pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens”. (1Cor 1 25). Se queremos nos tornar deuses de verdade, a Eucaristia nos ensina a humildade de aceitar não ser considerados nem mesmo homens.
LIBERDADE DE EXISTIR
És livre para dar e tirar a vida! Sim, o liberalismo chega a tal ponto. Deus não te dá filhos? Fabriquemo-los em uma proveta, para isso progrediu a ciência. Um filho limita tua liberdade? Mata-o antes que o vejas, porque depois pode ser que te dê pena; mas não te preocupa, não é uma pessoa porque ainda não tem liberdade. Falta-te um órgão para continuar vivendo? Tu tens o direito de viver e, portanto, tira os órgãos do primeiro a perder a consciência, afinal, uma vez que não há consciência, não há mais liberdade e já não é mais uma pessoa humana. Teus pais estão velhos e atrapalham? Mata-os, os idosos tampouco são pessoas, já não mais decidem por si mesmos, não têm liberdade. Aquele que não tem liberdade não tem nenhum direito de limitar-se aos demais. Só a liberdade estabelece limites à liberdade.
E o que Jesus Eucaristia diz? Eu sou a Vida, e só quem me come tem a vida verdadeira, a vida eterna. E todos os dias no Altar estou dando a minha vida em sacrifício para que tu não a percas, para cada um de teus filhos. Eu sou o Viático que suaviza a agonia dos enfermos. Eu sou o Pão que sustenta as debilidades da velhice, e faz com que suas humilhações sejam purgatório que lhes abre as portas da glória celestial. Deixa que as crianças venham a mim! Deixa-me ser o Cireneu de todos os doentes, aproximando-lhes a comunhão! Deixa-me ser a coroa de todos aqueles que combateram comigo em uma longa vida! A única verdadeira instituição Pró-vida é a Eucaristia.
2ª Eucaristia, antídoto contra o liberalismo na família.
LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA
Quantas discussões acontecem em família! Pois bem, o liberalismo vem nos oferecer a paz familiar, e para isso é suficiente a liberdade de consciência. Não te metas com a minha consciência: que ninguém me julgue, porque ninguém conhece o meu interior; que te importa o que faço ou não faço, desde que isso não te impeças de ser livre como eu? Assim fala o marido à esposa, a esposa ao marido, os filhos a seus pais. E a família de três, cinco ou sete pessoas é dividida em três, cinco ou sete pedaços, cada um com excelente personalidade.
Mas o que faz a Eucaristia na família? Obriga-nos, ó horror! a revelar nossa consciência. Porque a Missa é celebrada no mesmo lugar, e se estamos em pecado mortal não podemos comungar diante de toda a família! Então a esposa ao marido, o pai ao filho, pode delicadamente dizer-lhe: Por que não te confessas? Que bens enormes são derramados na família quando a Eucaristia nos impede da liberdade de consciência e abre as portas da verdadeira caridade!
3º A Eucaristia, antídoto do liberalismo na sociedade.
LIBERDADE RELIGIOSA
A sociedade é a grande família, e o liberalismo também aí mente prometendo a paz. O principal motor de todas as guerras — dirá o liberalismo — é o fanatismo religioso. Eu, sim, sei respeitar a religiosidade dos homens e valorizo enormemente a dimensão espiritual. Mas, defendo acima de tudo a necessária liberdade espiritual que deve existir entre os homens e a divindade, e por isso me declaro protetor da convicção religiosa de cada homem. Para viver juntos em harmonia pacífica, basta distinguir o religioso do social. Que cada um respeite os semáforos e pague os impostos; e então sejas tão religioso quanto queiras, segundo o que mais te convença; só tens que saber respeitar a religiosidade dos outros.
Antes, isso não era possível porque os homens adoravam os ídolos de pedra e ouro, e lutavam para saber qual deveria estar no centro da cidade. Agora sabemos que a divindade é espiritual, que não está aqui nem ali, mas dentro das consciências; que não tem um rosto próprio, mas o que cada um quer pintar. Jesus não disse à mulher samaritana que “Deus é espírito, e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade” (Jo 4, 24)?
Sim, assim disse Nosso Senhor. Mas Deus se fez Eucaristia, e acontece que o Deus Eucarístico ocupa um lugar! Um lugar minúsculo, mas muito preciso na cidade. E o Deus eucarístico ainda tem um rosto! Um rosto simples, mas que nos obriga a olhar ou fechar os olhos. E então não permite a ilusão liberal. O presidente pode subir a rampa presidencial e governar em nome da democracia, embora em seu coração se declare muito católico. Mas se da Catedral vem a procissão do Santíssimo Sacramento, ou se ajoelha e adora, ou permanece em pé e blasfemando. A Eucaristia impede que ele seja liberal.
E a Eucaristia impede que sejam liberais os próprios sacerdotes. Porque eu, sacerdote, poderia muito bem dizer: Que cada qual responda por sua consciência, e que quem quiser se confessar que venha, pois não tenho que ir buscar ninguém. Mas acontece que a mim me toca dar ou não dar a Comunhão, e se a dou ao pecador público, Deus me reclamará. Agora já não posso dizer: Quem sou eu para julgá-lo? Sim, devo julgar, porque em minhas mãos está a Eucaristia, e tenho que decidir se devo dá-la ou não.
Conclusão
Os protestantes, que não têm Eucaristia, poderão ser liberais; poderão ser os judeus e os muçulmanos, que dizem adorar um Deus espiritual que está em toda parte ou em nenhuma; mas não pode ser um católico que não tenha perdido a fé na Presença Real. O católico liberal deve necessariamente negar o dogma eucarístico. E só a Eucaristia é capaz de triunfar sobre a atração diabólica da bandeira da liberdade: “E quando eu for elevado sobre os Altares, atrairei tudo a mim” (Jo 12 32). Não, as manifestações contra o-aborto e contra todas as abominações liberais não triunfarão até serem encabeçadas pelo Santíssimo Sacramento.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Saiba como fazer a consagração a Virgem Maria conforme o Tratado da Verdadeira Devoção




Para fazer a consagração a Maria segundo a “Tratado da Verdadeira devoção à Santíssima Virgem”, de São Luís Maria Grignion de Montfort, a primeira coisa a fazer é conhecer esse precioso livro, que é um método de consagração. O Santo escreveu este livro no final de sua vida. Neste livro, ele nos dá a conhecer a reflexão e a experiência que desenvolveu em seu apostolado de propagar esta devoção, levando muitos muitos a se consagrarem a Nossa Senhora. Você pode encontrar o livro para comprar em livrarias Católicas, ou pode baixá-lo em PDF, no seguinte link: Downloads.

Tendo em vista a riqueza que é este pequeno livro, não podemos deixar de recomendar insistentemente que se leia o livro antes de começar a preparação para a consagração. Esta leitura é necessária para conhecer esta devoção, que é a consagração total a Virgem Maria. O Tratado nos ajuda a conhecer a nós mesmos, nossas misérias e fraquezas, e nos faz tomar consciência da necessidade do auxílio de Nossa Senhora. O livro também nos ajuda a conhecer a Virgem Maria a quem nos consagraremos e a Jesus Cristo, que é o fim último da consagração.

Ninguém poderá consagrar-se eficazmente à Santíssima Virgem sem antes compreender a quem se consagra e porque se consagra, e para  isso é necessário estudar - ou conhecer ao menos - o Tratado da Verdadeira devoção à Santíssima Virgem, ou qualquer outro estudo que forneça a compreensão necessária da devoção a Nossa Senhora e da escravidão de amor a ela.

Depois da leitura do Tratado, escolhe-se uma data para fazer a consagração. Não há nenhuma indicação no Tratado, mas costuma-se fazer a consagração em uma data mariana. Outra indicação que podemos dar é fazer a consagração no dia de São Luís, que é 28 de abril, ou no dia da Imaculada Conceição de Maria, dia 8 de dezembro, pois quem se consagrar neste dia ou renovar a consagração ganha indulgência plenária (desde que a pessoa tenha se confessado recentemente e reze um Pai-nosso, uma Ave-Maria, e um Glória, pelas intenções do Papa). A data não pode ser muito próxima, pois antes de fazer a consagração é preciso fazer uma preparação de trinta dias.

Esta preparação pode ser feita somente recitando as orações indicadas no Tratado (cf. TVD 227-230). Porém, recomenda-se também o uso de livros próprios para a preparação (exercícios espirituais para a consagração), e se faça as reflexões propostas para cada dia antes de fazer as orações. Outra coisa que ajuda é fazer a preparação para a consagração em grupo, pois, apesar da consagração ser pessoal, ela tem um caráter comunitário. Nesta preparação em grupo, pessoas que já fizeram a consagração e se disponham a ajudar são bem-vindas para orientar quem se prepara. Próximo do final da preparação, recomenda-se fazer uma boa confissão.

Após a preparação, no dia da consagração deve-se participar da Eucaristia e depois da comunhão se faz a consagração conforme a fórmula prevista no Tratado (cf. TVD 231). Caso não seja possível a participação da Santa Missa, pode-se fazer a consagração diante de uma imagem de Nossa Senhora. A fórmula da consagração deve ser escrita antes, de preferência de próprio punho. Depois da consagração, quem se consagrou assina a folha com a fórmula e, se houver um Sacerdote ou outra pessoa que possa ser testemunha, ele também deve assinar. São Luís Maria recomenda que a consagração seja renovada todo ano, na mesma data que foi feita pela primeira vez, com as mesmas orações preparatórias (cf. TVD 233).

Certamente, esta devoção a Nossa Senhora, ensinada por São Luís Maria, será de grande auxílio na nossa busca pela fidelidade à Igreja e aos mandamentos de Deus. Dessa forma, pelas mãos da Virgem Maria, nos aproximamos cada vez mais de Nosso Senhor Jesus Cristo e do Seu Reino.

Perguntas Frequentes:


1) É necessário a presença de um sacerdote no dia da consagração?
R: A consagração perfeita consiste em um ato interior, e não depende de nenhum rito ou de alguma cerimônia. Não há necessidade da presença do sacerdote, apesar de ser muito recomendável que algum possa acompanhar, principalmente se for o pároco ou o diretor espiritual. Mesmo sendo um ato pessoal, a consagração também pode ser feita em coletivo. 

2) É obrigatório usar algum sinal externo da escravidão (correntes, etc)?
R: Não é obrigatório, porém é altamente recomendável, assim como diz no tratado da Verdadeira devoção. São Luís Maria de Montfort recomenda que, após a consagração, o devoto carregue consigo algum sinal que manifeste e indique a escravidão de amor a Jesus Cristo por Maria. Era comum o uso de pequenas correntes, usadas na cintura, que simbolizavam esta escravidão. Hoje é mais conveniente algum outro sinal da devoção, especialmente algum sacramental, como o rosário, o escapulário, a medalha milagrosa, etc. Cabe ao consagrado escolher com o seu confessor ou diretor espiritual o que e como deve usar, pois esta prática é recomendável, mas não obrigatória. Também é oportuno pedir ao sacerdote - principalmente se algum puder presencial e acompanhar a consagração - que benza estes sinais exteriores da escravidão de amor. 

As demais dúvidas que aparecem frequentemente de como realizar a consagração, que orações fazer, quando confessar, comungar, estão todas descritas inteiramente no livro citado acima de São Luis Maria de Montfort. Por isso aconselhamos fortemente a leitura completa antes de iniciar a consagração e marcar uma data para realizá-la. 

Salve Maria Santíssima.



Fonte excelente blog !!!!


quinta-feira, 14 de junho de 2018

São João Bosco anuncia a Pio IX: um Papa abandonará Roma em ruínas, mas voltará




No Segredo de La Salette, Nossa Senhora anunciou um histórico castigo proximamente vindouro sobre a cidade de Roma, com sanguinária perseguição do clero, apostasias inclusive de bispos e destruição de igrejas e conventos.


Entre o 24 de maio e o 24 junho de 1873, São João Bosco escreveu uma carta profética ao bem-aventurado Papa Pio IX, então felizmente reinante em meio a tempestades temíveis suscitadas pelos inimigos da Igreja, internos e externos.

semelhança de certos aspectos da profecia do grande santo italiano com a previsão de Nossa Senhora em La Salette se patenteia nos termos em que está redigida a carta:

“Era uma noite escura, os homens já não podiam distinguir qual fosse o caminho a ser seguido para voltar sobre os próprios passos, quando apareceu no céu uma luz fortíssima que iluminava as passadas dos viajantes como se fosse pleno dia.

Naquele momento, viu-se uma multidão de homens, mulheres, velhos, crianças, monges, monjas e sacerdotes, tendo à frente o Santo Padre, sair do Vaticano ordenando-se como se fosse uma procissão.

Mas sobreveio um temporal furioso que, obscurecendo um pouco essa claridade, parecia travar uma batalha entre luz e trevas.

Nesse meio tempo, chegou-se a uma pequena praça coberta de mortos e feridos, vários dos quais pediam conforto com fortes gritos.

A fila da procissão foi rareando bastante.

Beato Papa Pio IX recebeu a carta profética de Don Bosco
Beato Papa Pio IX recebeu a carta profética de Don Bosco
Depois de ter caminhado por um tempo correspondente a duzentos nasceres do sol, cada um percebeu que não estava mais em Roma.

O desconcerto tomou conta de todos e todos se reuniram em volta do Santo Padre para proteger sua pessoa e assisti-lo em suas necessidades.

Naquele momento apareceram dois anjos portando um estandarte que foram apresentar ao Santo Padre, dizendo:

– Recebe a bandeira d'Aquele que combate e dispersa os exércitos mais fortes da Terra. Os teus inimigos desapareceram, os teus filhos invocam teu retorno com lágrimas e suspiros.

Levantando-se o olhar para o estandarte, via-se escrito, de um lado, Regina sine labe concepta (N.T.: Rainha concebida sem pecado original) e, do outro, Auxilium Christianorum (N.T.: Auxílio dos Cristãos).

O Pontífice pegou com alegria o estandarte, mas, vendo o pequeno número de pessoas que haviam sobrado à sua volta, mostrou-se muito aflito. Os dois anjos acrescentaram:

– Vai logo consolar os teus filhos. Escreve aos teus irmãos dispersos nas várias partes do mundo que é necessário fazer uma reforma dos costumes dos homens. Isso não poderá ser alcançado senão distribuindo aos povos o pão da Palavra Divina.

'Catequizai as crianças, pregai o desapego das coisas terrenas. Chegou o momento em que os pobres evangelizarão os povos, concluíram os dois anjos. Os levitas serão procurados entre a enxada, a pá e o martelo, para que se cumpram as palavras de Davi: “Deus levantou o pobre da terra para colocá-lo no trono dos príncipes de teu povo”.'

São João Bosco escrevendo
São João Bosco escrevendo
Após ouvir tudo isso, o Santo Padre moveu-se e as fileiras da procissão começaram a engrossar. Quando, por fim, pôs os pés na Cidade Santa, começou a chorar pela desolação em que estavam os habitantes, muitos dos quais haviam morrido.

Retornando a São Pedro, cantou o Te Deum, e lhe respondeu um coro de Anjos cantando Gloria in excelsis Deo et in terra pax hominibus bonae voluntatis. 

Concluído o cântico, cessou totalmente a escuridão e abriu-se um sol claríssimo.

As cidades, as vilas, os campos tinham sua população bastante diminuída. A terra estava pisada como se tivesse passado um furacão, um temporal, o granizo, e as pessoas iam umas ao encontro das outras dizendo com a alma comovida: Est Deus in Israel. (Há Deus em Israel)

Do início do exílio até o Te Deum, o sol levantou-se duzentas vezes. Todo o tempo que passou durante a realização desses fatos corresponde a quatrocentos amanheceres”.

terceiro segredo de Fátima, o Beato Palau e o sonho das duas colunas do próprio São João Bosco, acenam perspectivas semelhantes e desfechos análogos.


FONTES

1) Archivio Salesiano Centrale, Roma, (AS S132 Sogni 1). Fotocopia del manoscritto di Don Gioacchino Berto segretario, con postille marginali autografe di San Giovanni Bosco, descritto e trascritto da Don Angelo Amadei nel vol. X delle Memorie Biografiche.

2) P. Giovanni Battista Lemoyne S.D.B., “Memorie Biografiche del Venerabile Don Giovanni Bosco”, Tipografia S.A.I.D. “Buona Stampa”, Torino, 1917, volume IX. (Appendice “B”, pp. 999-1000).

3) Cecilia Romero, “I sogni di Don Bosco – edizione critica”, Elle Di Ci, Leumann (Torino), 1978, pp. 27-32).

Catecismo Ilustrado - Parte 41 - 4º Mandamento de Deus: Não matar

Catecismo Ilustrado - Parte 41

Os Mandamentos

5º Mandamento de Deus: Não matar

1. Este mandamento proíbe matar injustamente o nosso semelhante, e também o matar-se alguém a si mesmo.

2. Dizemos injustamente, porque há casos em que pode ser lícito matar alguém, como seria em própria defesa, numa guerra justa ou por sentença de magistrados.

3. Não é somente réu de homicídio aquele que mata com as próprias mãos; também o é quem para ele concorre com ordens, conselhos, auxílio, ou de qualquer outro modo.

4. Nunca é permitido matar-se alguém a si mesmo, por mais infeliz que seja, porque a nossa vida pertence a Deus e só Ele tem direito a lhe pôr termo.

5. Aquele que se mata a si expõe-se à maior das desgraças, porque ordinariamente não tem tempo para fazer penitência do seu crime e cai sem recurso na condenação eterna.

6. O matar alguém, chama-se homicídio, o matar-se a si mesmo chama-se suicídio.

7. O suicídio é um crime tão grande, que a Igreja recusa a sepultara cristã àquele que se suicida, quando se sabe ao certo que gozava das suas faculdades.

8. Desejar a morte a alguém é pecado, quando é por ódio, impaciência, ou outro afim interesseiro e mau.

9. Não é permitido abreviar a vida d’alguém com o fim de acabar com os seus sofrimentos.

10. Nunca é lícito, nem mesmo à autoridade pública, matar um inocente, ainda que o bem comum o exigisse e que o inocente o consentisse, porque ninguém é senhor de sua vida.

11. Não nos é lícito desejar a morte a não ser para gozarmos a presença de Deus no Céu ou ainda para não o tornar a ofender na Terra.
12. Os que se desafiam a duelo cometem dois crimes, porque se expõem a si próprios à morte, e procuram matar os outros.

13. As testemunhas dos que se batem em duelo são tão culpadas como aqueles, porque autorizam o duelo com a sua presença.

14. Diz Nosso Senhor no Evangelho: “Ouvistes que foi dito: amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, digo-vos: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem. Deste modo sereis filhos do vosso Pai que está nos Céus, o qual faz nascer o sol sobre os maus e bons, e manda a chuva sobre os justos e injustos. Porque, se amais somente os que vos amam, que recompensa haveis de ter? Não fazem os publicanos também o mesmo? E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de especial? Não fazem também assim os próprios gentios? Sede, pois, perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito”. (Mat. V, 43-48)

15. Este mandamento proíbe também o ódio e a vingança.

Explicação da gravura

16. Na parte superior, está representado Caim que acaba de matar seu irmão Abel. Quando procura fugir, chama-o Deus, censura-lhe o crime cometido, lança-lhe a maldição e expulsa-o da sua presença. Foi a inveja que causou este primeiro homicídio.

17. Na parte inferior direita, vê-se Architophel que se enforcou na sua casa depois de ter levado Absalão a revoltar-se contra o rei David, seu pai, com o fim de usurpar o trono.

18. Na parte inferior esquerda, estão representados dois homens que se desafiaram para um duelo. Chega um bom cristão que, interpondo-se, os acalma e lhes mostra a Cruz da qual Nosso Senhor os vê e condena o seu procedimento.

Índice das sessenta e oito gravuras