quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Possuído por 15 mil demônios, libertado pelo Santo Rosário






A cada Ave-Maria que São Domingos e o povo rezavam, um grande número de demônios saía do corpo do possesso, em forma de brasas acesas.
Quando São Domingos estava pregando o Rosário perto de Carcassona, trouxeram à sua presença um albigense possesso pelo demônio. São Domingos o exorcizou na presença de uma grande multidão de pessoas; parece que mais de doze mil pessoas tinham vindo ouvi-lo pregar. Os demônios que possuíam este infeliz foram obrigados a responder às perguntas de São Domingos, com muito constrangimento.
Primeiro eles disseram que havia quinze mil deles no corpo deste pobre homem, porque ele atacou os quinze mistérios do Rosário. Continuaram a testemunhar que, quando São Domingos pregava o Rosário, ele impunha medo e horror nas profundezas do inferno; e que ele era o homem que eles mais odiavam em todo o mundo, por causa das almas que arrancou dos demônios através da devoção ao Santo Rosário. Eles depois revelaram várias outras coisas.
São Domingos colocou seu Rosário em volta do pescoço do albigense e pediu que os demônios lhe dissessem quem, de todos os santos nos céus, eles mais temiam, e quem deveria ser, portanto, mais amado e reverenciado pelos homens. Neste momento, eles soltaram um gemido inexprimível, com o qual a maioria das pessoas caiu por terra, desmaiando de medo.
Então, usando de esperteza, a fim de não responder, os demônios começaram a chorar e prantear de uma maneira tão deprimente que muitos da multidão começaram a chorar também, movidos por compaixão natural. Os demônios falaram através da boca do albigense, com uma voz dolorida:
— Domingos! Domingos! Tem piedade de nós, nós prometemos que nunca te machucaremos. Tu sempre tiveste compaixão dos pecadores e daqueles que estão na miséria; tem piedade de nós, pois estamos padecendo. Já estamos sofrendo tanto, por que te comprazes em aumentar as nossas penas? Não te dás por satisfeito com o nosso sofrimento? Tens de aumentá-lo? Tem piedade de nós! Tem piedade de nós!

São Domingos, Escola Veneziana, século XVIII
São Domingos não se mostrou nem um pouco movido de compaixão por estes espíritos, e disse-lhes que não os deixaria a sós até que respondessem à pergunta que lhes havia feito. Eles disseram, então, que lhe sussurrariam a resposta de tal forma que apenas São Domingos seria capaz de ouvi-los. Ele retorquiu que eles deveriam responder claramente e em alta voz.
Então os demônios se mantiveram quietos e se negaram a dizer uma só palavra, desconsiderando completamente as ordens de São Domingos. Este, então, ajoelhou-se e rezou a Nossa Senhora:
— Ó, toda poderosa e maravilhosa Virgem Maria, eu vos imploro: pelo poder do Santíssimo Rosário, ordene a estes inimigos da raça humana que me respondam.
Mal acabara de orar, uma chama ardente foi vista saindo dos ouvidos, das narinas e da boca do albigense. Todos tremeram de medo, mas o fogo não machucou ninguém. Então os demônios disseram:
— Domingos, nós te imploramos, pela paixão de Jesus Cristo e pelos méritos de sua santa Mãe e de todos os santos, deixa-nos sair deste corpo sem que falemos mais, pois os anjos responderão a tua pergunta a qualquer momento. E, além do mais, não somos nós mentirosos? Por que haveríeis de nos dar crédito? Não nos tortures mais, tem piedade de nós.
— Pior para vocês, espíritos desgraçados e indignos de serem ouvidos — respondeu o santo servo de Deus aos demônios.
Ajoelhando-se diante de Nossa Senhora, então, São Domingos assim rezou:
— Ó, digníssima Mãe da Sabedoria, oro pelas pessoas aqui reunidas, que já haviam aprendido como rezar devotamente a Saudação Angélica (i.e., a Ave-Maria). Por favor, eu vos imploro, forçai vossos inimigos a proclamar a verdade completa e nada mais que a verdade sobre isto, aqui e agora, diante desta multidão.
São Domingos mal havia concluído esta oração quando viu a Santíssima Virgem perto de si, rodeada por uma multidão de anjos. Ela bateu no homem possesso com um cajado de ouro que segurava e disse:
— Responde ao meu servo Domingos imediatamente. (Lembre-se o leitor que as pessoas não viram nem ouviram Nossa Senhora, mas somente São Domingos.)
Então os demônios começaram a gritar:
Ó, vós, que sois nossa inimiga, nossa ruína e nossa destruição, por que descestes do Céu para nos torturar tão cruelmente? Ó, advogada dos pecadores, vós que os tirais das presas do inferno, vós que sois o caminho certeiro para os céus, devemos nós, para nosso próprio pesar, dizer toda a verdade e confessar diante de todos quem é a causa de nossa vergonha e de nossa ruína? Ó, pobre de nós, príncipes da escuridão!
Ouvi bem, pois, vós, cristãos: a Mãe de Jesus Cristo é todo-poderosa junto de Deus e capaz de salvar seus servos do inferno. Ela é o sol que destrói a escuridão de nossa astúcia e sutileza. É ela que descobre nossos planos ocultos, quebra nossas armadilhas e torna nossas tentações inúteis e sem efeito.
Mesmo relutando, confessamos que nem sequer uma alma que realmente perseverou no seu serviço foi condenada conosco; um simples suspiro que ela oferece à Santíssima Trindade é mais precioso que todas as orações, desejos e aspirações de todos os santos.
Nós a tememos mais que todos os santos nos céus juntos e não temos nenhum sucesso com seus servos fiéis. Muitos cristãos que a invocam na hora da morte e que seriam condenados, de acordo com nossos padrões ordinários, são salvos por sua intercessão.
Ó, se pelo menos essa Maria (era assim que eles a chamavam na sua fúria) não tivesse se oposto aos nossos desígnios e esforços, teríamos conquistado a Igreja e a teríamos destruído há muito tempo atrás; teríamos feito todas as Ordens da Igreja caírem no erro e na desordem.
Agora, que somos obrigados a falar, também vos diremos isto: ninguém que persevera na oração do Rosário será condenado, porque a Mãe de Jesus Cristo obtém para seus servos a graça da verdadeira contrição de seus pecados e, por meio desse instrumento, eles obtêm o perdão e a misericórdia de Deus.
São Domingos fez, então, com que todos rezassem o Rosário bem devagar e com grande devoção. Enquanto isso, algo maravilhoso acontecia: a cada Ave-Maria que ele e o povo rezavam, um grande número de demônios saía do corpo do infeliz, em forma de brasas acesas.
Quando os demônios foram todos expulsos e o herege se viu inteiramente livre deles, Nossa Senhora (que permanecia invisível) deu sua bênção ao povo reunido, e eles se encheram de alegria por isso.
Muitos hereges se converteram por causa deste milagre e ingressaram na Confraria do Santíssimo Rosário.
Referências
  • Extraído e adaptado do livro de S. Luís M.ª Grignion de Montfort, “O Segredo do Rosário”, trad. de Geraldo Pinto Faria Jr., edição em .pdf, pp. 59-61.




segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

DO QUE NECESSITA UM JOVEM PARA SER VIRTUOSO?


Conhecimento de Deus
Observai, queridos filhos, tudo o que existe no Céu e na terra.O sol, a lua, as estrelas, o ar, a água, o fogo; tempo houve em que todas estas coisas não existiam.Nenhuma coisa pode jamais dar a existência a si mesma.Deus com a sua onipotência, as tirou todas do nada, criando-as; é por isso que Ele se chama Criador.
Este Deus, que sempre existiu e sempre há de existir, depois de ter criado todas as coisas contidas no Céu e na terra, criou também o homem, que é a mais perfeita de todas as criaturas visíveis.Por isso, os nossos olhos, a boca, a língua, os ouvidos, as mãos, os pés, são todos dons do Senhor.
O homem distingue-se de todos os outros animais, principalmente por ter uma alma que pensa, raciocina, quer e conhece o que bem e o que é mal.Esta alma, por ser um puro espírito, não pode morrer com o corpo; mas, quando este for levado a sepultura, irá ela começar outra vida, que mais há de acabar.Se praticou o bem, será sempre feliz com Deus no Paraíso, onde gozará de todos os bens eternamente; se fez o mal, será punida com um terrível castigo, no inferno, onde padecerá para sempre o fogo e toda a sorte de tormentos.
Considerai contudo, meus filhos que nós fomos criados todos para o Paraíso e Deus, que é Pai bondoso, condena ao inferno somente quem o merecer pelos seus pecados.Óh! quanto o Senhor nos ama e quanto deseja que façamos boas obras para assim poder-nos tornar participante daquela grande felicidade, que tem reservada para todos eternamente no Céu!
Deus tem particular amor à juventude
Persuadidos que estamos, caros jovens, de que fomos todos criados para o Céu, devemos dirigir todas as nossas ações para alcançar este grande fim.A isto nos há de mover o prêmio que Deus nos promete, o castigo com que nos ameaça.Mas o que mais que tudo nos deve levar a amá-Lo e a servi-Lo, há de ser o grande amor que nos têm.Pois que, embora Ele ame a todos os homens, como obra de suas mãos, consagra todavia um afeto todo particular aos meninos e acha as suas delícias em permanecer no meio deles: Deliciae meac esse cum filiis hóminum.Deus vos ama, porque de vós espera muitas boas obras; ama-vos porque estais numa idade simples, humilde, inocente e, por via de regra, não vos tornaste ainda vítima do inimigo infernal.
Há ainda outras provas não menores da especial benevolência que vos tem o Divino Redentor.Ele assegura que considera como feitos a si mesmo todos os benefícios que vos fizerem a vós e ameaça de maneira terrível os que vos escandalizam.
Eis as suas palavras: “Se alguém escandalizar a um destes pequeninos que crêem em Mim, melhor lhe fora que lhe atassem ao pescoço uma mó de moinho e que o lançassem ao fundo do mar”.Gostava muito que os meninos O seguisse, chamava-os para perto de Si, abraçava-os, e lhes dava a sua santa benção. “Deixai, dizia, deixai que os meninos venham a mim: Sínite párvulos veníre ad me”; dando assim evidentemente a conhecer que vós, ó jovens, sois as delícias do seu coração.
Visto que o Senhor vos ama tanto, deve ser vosso firme propósito corresponder-Lhe, fazendo tudo o que lhe agrada e evitando tudo o que o poderia desgostar.
A salvação da alma depende geralmente do tempo da juventude
Dois são os lugares que nos estão reservados na outra vida: para os maus, o inferno, onde se sofre todos os tormentos; para os bons, o Paraíso, onde se goza todos os bens.Mas o Senhor vos diz claramente que se vós começardes a ser bons no tempo da juventude, sereis igualmente no resto da vida, a qual será coroada com uma eternidade de glória.Pelo contrário, se começardes a viver mal no tempo da juventude, muito facilmente continuareis assim até a morte, e isto vos conduzirá inevitavelmente ao inferno.
Por isso, quando virdes homens de idade avançada entregues ao vício da embriaguez, do jogo, da blasfêmia, podereis quase sempre dizer que tais vícios começaram na juventude: Adoléscens juxta viam suam, etiam cum senúerit, non recédet ab ea.Ah! filhos querido, diz Deus, recorda-te do teu criador no tempo de tua juventude.Em outro lugar declara feliz o homem que desde a sua adolescência tenha levado o jugo dos mandamentos: Bonum est viro, cum poratáverit jugum ab adolescéntia sua.
Esta verdade foi bem conhecida pelos santos, especialmente por santa Rosa de Lima e por são Luis Gonzaga, os quais, tendo começado a servir fervorosamente a Nosso Senhor desde a mais tenra idade, quando adultos só achavam gosto nas coisas de Deus e assim se tornaram grandes santos.O mesmo se diga do filho de Tobias que, desde o início de sua juventude, foi sempre obediente e submisso aos seus pais:Este morreram e ele continuou a viver virtuosamente até a morte.
Mas dirão alguns: se começamos agora a servir a Deus, tornaremos tristonhos.Respondo-vos que isso não é verdade.Andarás triste quem serve ao demônio, pois que, por mais que se esforce para estar alegre, terá sempre o coração a lhe segredar entre lágrimas: És infeliz, porque és inimigo do teu Deus.Quem mais afável e jovial que São Luis Gonzaga?Quem mais alegre e gracioso do que São Felipe Néri e São Vicente de Paulo?E contudo, a vida deles foi um contínuo exercício de todas as virtudes.
Animo pois, meus caros filhos; dedicai-vos em tempo á virtude e eu vos garanto que tereis sempre o coração alegre e contente e experimentareis quanto é doce e agradável o serviço do Senhor.
A Primeira Virtude de um jovem é a obediência aos seus pais e superiores
Assim como uma plantinha, embora colocada em bom terreno, num jardim, contudo toma forma defeituosa e vai definhando se não for cultivada e, de algum modo, guiada até certa altura, assim vós, meus caros filhos, vos inclinareis fatalmente para o mal, se não vos deixardes guiar por quem está encarregado da vossa educação e do bem da vossa alma.Essa guia vós atendes nos vossos pais e nos que fazem suas vezes; a eles deveis obedecer com docilidade. “Honra teu pai e tua mãe e terás vida longa na terra”, diz o Senhor.
Mas em que consiste essa honra?consiste em obedecer-lhes, respeitá-los e prestar-lhes assistência.Obedecer-lhes e por isso, quando vos mandão alguma coisa, fazei-a prontamente, sem resistir, e guardai-vos de proceder como alguns que resmungam, escolher os ombros, sacodem a cabeça e, o que é pior, respondem mal.Esses fazem grande injúria aos seus pais e também a Deus, pois que nas ordens dos pais se manifesta a vontade de Deus.Nosso Salvador, apesar de ser onipotente, para ensinar-nos a obedecer, foi submisso em tudo a Santíssima Virgem e a São José, na humilde ocupação de artífice: Et erat súbditus illis.Para obedecer a seu Pai celeste ofereceu-Se á morte dolorosíssima da cruz: Factus obédiens usque ad mortem; mortem autem crucis.
Deveis também ter grande respeito a vosso pai e a vossa mãe e não empreender coisa nenhuma sem sua licença, nem dar a conhecer seus defeitos.São Luis Gonzaga não fazia coisa nenhuma sem licença e, na falta de outrem, a pedia aos mesmos criados.O jovem Luis Comolo foi obrigado um dia a estar longe de seus pais por mais tempo do que lhes tinham permitido.Mas ao chegar em casa, todo choroso pediu logo humildemente perdão daquela desobediência involuntária.
Finalmente, deveis prestar aos pais assistência em suas necessidades com o serviços domésticos de que fordes capazes especialmente entregando-lhes todo o dinheiro ou qualquer coisa que vos venha as mãos, usando de tudo conforme suas indicações.É também estrito dever de um jovem rezar de manhã e à noite pelos seus pais, para que Deus lhes conceda todos os bens espirituais temporais.
Tudo o que vos disse a cerca da obediência e do respeito aos pais, deveis também praticar em relação a qualquer outro superior, eclesiástico ou secular, e por isso também em relação aos vossos professores, dos quais igualmente recebereis de boa vontade, com humildade e respeito os ensinamentos, os conselhos as correções, certos de que tudo o que eles fazem é para a vossa maior vantagem e que a obediência prestada aos superiores é como se fora prestada ao mesmo Jesus Cristo e a Nossa Senhora.
Duas coisas vos recomendo com maior empenho.A primeira é que sejais sinceros com os superiores, não encobrindo nunca as vossas faltas com fingimentos, muito menos negando-as.Dizei sempre a verdade com franqueza.As mentiras, além de ofenderem a Deus, vos tornam filhos do demônio, que é o príncipe da mentira, e, vindo-se depois a saber a verdade, passareis por mentirosos, com grande desdouro perante os superiores e os companheiros.Em segundo lugar, vos recomendo que aceiteis os conselhos e as advertências dos superiores como norma de vossa vida e do vosso modo de agir.Felizes vós, se assim fizerdes; os vossos dias serão venturosos, todas as vossas ações serão bem ordenadas e servirão de edificação aos outros.Por isso, concluo dizendo-vos: O menino obediente tornar-se-á santo; pelo contrário, o desobediente segue um caminho que o levará a perdição.
Do respeito que devemos ter ás igrejas e aos ministros sagrados
A obediência e ao respeito aos superiores deve andar unido o respeito ás igrejas e a todas as coisas da religião.Somos cristãos; por isso devemos venerar tudo o que se relaciona com este estado de cristãos e especialmente a igreja, que é chamada templo de Deus, lugar de santidade, casa de oração.Tudo o que pedirmos a Deus na igreja, alcançaremos: Omnis enim qui petit áccipit.Ah! meus caros filhos, quanto sois agradáveis a Jesus Cristo e que belo exemplo dais aos outros, estando na igreja com devoção e recolhimento! Quando São Luis ia à igreja, corria a gente para vê-lo e todos ficavam edificados pela sua modéstia e pelo seu porte.Quando entrardes em uma igreja, evitai correr e fazer ruído; mas, tomando água benta e depois de fazer a devida reverência ao altar, ide ao lugar que vos está marcado e ajoelhando adorai a Santíssima Trindade, rezando três glórias ao Pai.
Se ainda não for hora de começarem as funções religiosas, podeis rezar as setes alegrias de Nossa Senhora ou fazer algum outro exercício de piedade.Evitai com o maior cuidado ri na igreja ou falar sem necessidade.É suficiente uma palavra ou um sorriso para dar mau exemplo e incomodar os que assistem ás sagradas funções.Santo Estanislau  kostka estava na igreja com tanta devoção, que muitas vezes não ouvia quem o chamava, nem percebia os empuxes com os quais os seus criados o advertiam que já era tempo de voltar para casa.
Recomendo-vos sumo respeito aos sacerdotes e aos religiosos.Por isso recebei com veneração os avisos que vos derem; tirai o chapéu em sinal de respeito, quando falais com eles ou quando os encontrardes na rua.Deus vos livre de que chegueis a desprezá-los com atos ou com palavras.Tendo alguns menino escarnecido do profeta Eliseu dando-lhe apelidos, o Senhor os castigou fazendo sair de uma floresta dois ursos, que, atirando-se a eles, mataram quarenta e dois.Quem não respeita os ministros sagrados deve recear um grande castigo de Nosso Senhor.Sempre que se falar deles, imitai o jovem Luis Comolo, o qual costumava dizer: Dos ministros sagrados ou falar bem ou calar absolutamente.
Por último, quero adverti-los que não deveis envergonhar-vos de ser cristãos também fora da igreja!Por isso, quando passardes de ante das igrejas ou de alguma imagem de Maria ou dos outros Santos, não deixeis de tirar o chapéu em sinal de veneração.Desta arte mostrar-vos-eis verdadeiros cristãos e Deus vos encherá de bênçãos por causa do bom exemplo que dais ao próximo.
Leitura espiritual da palavra de Deus
Além das costumadas orações de manhã e da noite, peço-vos que destineis também um pouco de tempo á leitura de algum livro, que trate de coisas espirituais, como o livro da Imitação de Cristo, A Filotéia de São Francisco de Sales, A preparação para a Morte de Santo Afonso Maria de Ligório, Jesus ao coração do Jovem, as vidas dos santos e outros semelhantes.Da leitura de tais livros tirareis grandes vantagens para a vossa alma.E se repetirdes aos outros o que lerdes ou então se lerdes em presença deles, especialmente dos que não souberem ler, fareis uma obra de caridade muito meritória perante Deus.
Mas ao mesmo tempo que vos inculco as boas leituras, tenho que recomendar-vos, com todas as veras de minha alma, que fujais como da peste dos maus livros e da má imprensa.Por isso, todo livro, todo jornal ou folheto em que se fale mal da religião e de seus ministros ou em que haja coisas imorais e desonestas, lançai-os logo para longe de vós, como farias com um copo de veneno.Em tais casos deveis imitar os cristãos de Éfeso, quando ouviram São Paulo pregar sobre o dano que causaram os maus livros.Aqueles fervorosos fiéis carregaram-nos as braçadas para a praça pública e com eles fizeram uma fogueira, achando melhor queimar todos os livros do mundo do que expor a alma ao perigo de cair no fogo inextinguível do inferno.
Assim como o nosso corpo sem alimento adoece e morre, da mesma forma a nossa alma definha, se não lhe dermos o seu alimento: o alimento da alma é a palavra de Deus, isto é, as práticas, a explicação do Evangelho e o Catecismo.Fazei pois toda diligência em estardes em tempo na igreja, e portai-vos nela com a maior atenção aplicando a vós mesmos as coisas que se relacionam com vosso estado.Recomendo-vos também muito que freqüenteis o catecismo.Não digais: Já o estudei, já fiz a primeira comunhão; pois que também nesse caso a vossa alma precisa de alimento, como vosso corpo.E se a privais deste sustento, vos poreis em gravíssimo perigo espiritual.Tomai também cuidado para não cairdes naquele ardil do demônio, quando o sugere esse pensamento: Isto convém muito ao meu companheiro Pedro; isto serve para Paulo.Não meus caros; o pregador fala a todos e a sua intenção é aplicar a todos as verdades que está explicando.Por outro lado, lembrai-vos que o que não serve para corrigir-vos de coisas passadas, pode servir para preservar-vos de algum pecado no futuro.
Ao ouvirdes algum, procurai recordá-lo e durante o dia e especialmente à noite antes de deitar-vos recolhei-vos um pouco para refletir sobre o que ouviste.Se assim fizerdes tirareis grande vantagem para a vossa alma.
Recomendo-vos também que façais todo o possível esses vossos deveres religiosos nas vossas paróquias, sendo o vosso pároco especialmente destinado por Deus para cuidar de vossas almas.
O Jovem Instruído – São João Bosco

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

FÁTIMA E O DEVER DE ESTADO



Na aparição de 13 de setembro, Nossa Senhora de Fátima pediu aos três pastorinhos para não usar a corda à noite. Para converter os pobres pecadores, eles tinham decidido oferecer o sacrifício de trazer uma corda amarrada sobre os rins dia e noite, mas Nossa Senhora lhes lembrou que a noite foi feita para descansar.
“O dever antes de qualquer outra coisa”, por mais santa que seja”, dizia o Pe. Pio.
O dever de estado é um grande meio de santificação. Irmã Lúcia escreveu numa carta de 1943 o que Nosso Senhor lhe revelou sobre o assunto:
Esta é a penitência que o bom Deus agora pede: o sacrifício de cada um para impor a si mesmo uma vida de justiça na observância da Sua lei.Ele deseja que se faça conhecer com clareza este caminho às almas; pois muitas, julgando que o sentido da palavra ‘penitência’ restringe-se às grandes austeridades, por não sentirem forças nem generosidade para elas, desanimam e descansam numa vida de tibieza e pecado.
“[…] estando na capela, com licença de meus superiores, às 12 da noite, me dizia Nosso Senhor: ‘O sacrifício que o cumprimento do seu próprio dever e a observância da minha lei exige de cada um, é a penitência que agora peço e exijo.”
À fidelidade à vontade de Deus — significada pelos seus Mandamentos e pelo nosso dever de estado — somemos a conformidade àquilo que Deus deseja para nós, segundo as palavras do Anjo de Fátima aos pastorinhos: “Aceitai e suportai, com submissão, o sofrimento que o Senhor vos enviar”.
“O mais difícil não é o ímpeto do fervor das vigílias noturnas, das procissões de pés descalços sobre o solo pedregoso ou ardente, se isso não passa de um episódio passageiro. O mais difícil é a fidelidade constante aos deveres de católico mesmo quando são incômodos,às práticas piedosas, aos sacrifícios mais pequenos da vida quotidiana, com espírito de reparação, humildade e  amor” (Discurso do Papa Pio XII, 22/11/1946). O que não exclui, evidentemente, se inscrever numa peregrinação, assistir à Missa nos dias de semana ou fazer um retiro, mas com a finalidade, precisamente, de ser mais fiel ainda a seus deveres.
primeira obrigação de nosso dever de estado nos é lembrada por São Francisco de Sales:
“Os meios de chegar à perfeição são diversos, segundo a diversidade de vocações; pois os religiosos, as viúvas e os casados devem procurar a perfeição, mas não do mesmo jeito”.
“Cada um, de bom grado, trocaria sua condição com a dos outros: os Bispos gostariam de não ser Bispos; os casados gostariam de não o serem (prefeririam ser bispos?); e quem não é isso ou aquilo, gostaria de sê-lo”.
“Que cada um permaneça na sua vocação perante Deus. Não se deve levar a cruz dos outros, mas a própria”.
“Cada um ama o que lhe apraz: poucos amam o que é do seu dever e da vontade de Deus. De que serve construir castelos na Espanha, se temos de viver na França?”.
Fiquemos todos no nosso lugar, no nosso pequeno espaço. Deus não recompensará os franco-atiradores ou os elétrons livres, mas os bons servidores, aqueles que se mantiverem fiéis ao seu posto.
segunda obrigação de nosso dever de estado é pôr o heroísmo lá onde deve ser posto: não na nossa inteligência, nem mesmo na vontade, muito menos na imaginação, mas nos atos concretos. “Ao êxtase, eu prefiro a monotonia do sacrifício”, afirmava Santa Teresinha. O dever de estado não tolera faltas reiteradas da parte de quem o assume. Acontece até mesmo que, como escreveu o Fabulista, “um elo rompido ponha toda a obra a perder”.
Pio XI evocava o heroísmo do quotidiano: Ele é fixo, imóvel, impassível. Une-se ao nosso ser a cada dia, debilitando-o se violado, fortificando-o se observado. O cumprimento do dever de estado é sempre acompanhado de contentamento. Não há satisfação maior que ter preenchido a jornada com os diferentes deveres de estado. Para dar apenas um exemplo, que satisfação para os pais verem seus filhos crescerem e se tornarem homens de verdade… É para o católico uma condição necessária de santificação. A fidelidade às obrigações que o cumprimento do dever de estado comporta é o meio de caminhar até a santidade efetiva. Um santo bispo, aprisionado por treze anos no gulag vietnamita, escreveu: “Não há santos fora do cumprimento do dever de estado. A ordenação de uma vida virtuosa e santa nada mais é que a feliz solução trazida ao problema da coexistência de múltiplos e irredutíveis deveres de estado.”
Por esses deveres entendem-se “as obrigações particulares que cada um tem por força de seu estado, de sua condição, da situação que ocupa”. (Catecismo maior de São Pio X, título III, capítulo V).
Não poderíamos nos subtrair das obrigações profissionais, familiares ou civis inerentes a cada estado de vida: para o estudante é preciso estudar; para os pais, educar; para o artesão, fabricar; para o monge, rezar… Nenhum dever de estado pode ser recusado enquanto permanecemos no estado que, precisamente, no-lo impõe. Muito menos podemos recusar um dever de estado sob pretexto de que assim nos engajaríamos melhor em outro, ou por gostarmos mais de outra coisa, ou porque “nos sentimos” investidos de outra missão: tudo não passa de ilusões, miragens, senão covardia.
Por outro lado, alguns utilizam o dever de estado como pretexto para não se engajar em mais nada. É verdade que a família é prioritária, mas não é razão para nos ensimesmarmos no lar. Quando os filhos crescem, os pais têm mais tempo disponível: pode ser este o momento de rever seus compromissos diante do bom Deus e oferecer, por exemplo, sua ajuda ao priorado, inscrever-se na ordem terceira da FSSPX, dedicar-se a uma boa obra etc.
Preparemo-nos pelo heroísmo no “terrível quotidiano” (a expressão é de Pio XI) ao heroísmo que nos será talvez pedido por Deus em circunstâncias extraordinárias.
“As circunstâncias fazem os santos, mas os santos não fazem as circunstâncias” (Dom Prosper Guéranger).
Pe. Bertrand Labouche – FSSPX

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Os santos explicam 7 características do Santo Nome de Maria




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"Este nome foi escolhido pelo céu e imposto pelo arranjo divino"

Por volta do século XVIII adeptos da heresia jansenista começaram a divulgar que a devoção a Santa Maria era uma superstição. Santo Alfonso Maria de Ligório, Doutor da Igreja, saiu em defesa da Mãe de Deus e publicou seu famoso livro “As Glórias de Maria”.
Podemos encontrar no capítulo 10 desta obra as 7 importantes características do Santo Nome de Maria que todo cristão sempre deve recordar:
1. Nome Santo
“O nome augusto de Maria, como Mãe de Deus, não era coisa terrena, ou inventada pela mente humana ou escolhido por decisão humana, como acontece com todos os outros nomes que são impostos. Este nome foi escolhido pelo céu e imposto pelo arranjo divino, como evidenciou São Jerônimo, Santo Epifânio e outros santos”.
2. Cheio de doçura
“O glorioso Santo Antônio de Pádua, reconheceu no nome de Maria, a mesma doçura de São Bernardo, no nome de Jesus. ‘O nome de Jesus’, dizia este, ‘o nome de Maria’, dizia aquele, ‘é alegria para o coração, mel para a boca, melodia para o ouvido de seus devotos’… Lê-se no Cântico dos Cânticos, na Assunção de Maria, os anjos perguntaram três vezes: ‘Quem é esta que vem subindo do deserto, como colunas de fumaça? Quem é esta que está a aurora? Quem é esta que sobe do deserto repleto de alegria?’(Ct 3, 6, 6, 9, 8, 5)”.
“Pergunta Ricardo de São Lourenço: ‘Por que os anjos muitas vezes perguntam o nome da rainha?’ E ele respondeu: ‘Era tão doce ouvir os anjos pronunciarem o nome de Maria, por isso fazem tantas perguntas. Mas eu quero falar sobre a doçura saudável, conforto, amor, alegria, confiança e força que o nome de Maria concede àqueles que o pronunciam com fervor’”.
3. Alegra e inspira amor
“Vosso nome, ó Mãe de Deus, como disse São Metódio, é cheio de graça e de bênçãos divinas. Assim, como São Boaventura disse, não podemos pronunciar o vosso nome sem receber alguma graça ao invocá-lo devotamente. Quando um coração está endurecido, como vós podeis imaginar, e todos desesperados, se ele vos chama, ó Virgem cheia de graça, tal é o poder do vosso nome, que suavizarás a sua dureza, porque sois quem conforta os pecadores com a esperança do perdão e da graça”.
4. Concede fortaleza
“Pelo contrário, os demônios, diz Tomás de Kempis, tanto receiam a Rainha do Céu que, como do fogo, fogem de quem invoca o seu grande nome. A própria Virgem revelou o seguinte a Santa Brígida: ‘Por mais endurecido que seja um pecador, imediatamente o abandona o demônio, se invoca meu nome com o propósito de emendar-se’”.
“Isso mesmo lhe confirmou em outra revelação, dizendo: ‘Todos os demônios têm um grande pavor e respeito diante de meu nome. Assim que o ouvem invocar, largam de pronto a alma presa em suas garras. E se os anjos maus se afastam dos pecadores que chamam pelo nome de Maria, os anjos bons tanto mais se chegam às almas justas que o pronunciam com devoção’”.
5. Promessas de Jesus
“São maravilhosas as graças prometidas por Jesus Cristo aos devotos do nome de Maria, como disse Santa Brígida, conversando com a sua Mãe, revelando que todo aquele que invocar o nome de Maria com confiança e propósito de emenda, receberá estas graças especiais: dor de coração pelos pecados e a fortaleza para alcançar a perfeição e, finalmente, a glória do paraíso. Porque, disse o Divino Salvador, são para mim tão doces e queridas suas palavras, ó Maria, que não posso negar-vos o que pedistes”.
“Em suma, Santo Efrem também disse que o nome de Maria é a chave que abre a porta do céu para aquele que o invoca com devoção”.
6. Oferece consolo
“São Camilo de Lellis, recomendou fortemente aos seus religiosos que ajudassem os moribundos com frequência a invocar os nomes de Jesus e de Maria como ele mesmo sempre fazia; e praticou consigo mesmo na hora da morte, como relata em sua biografia, repetindo os nomes tão docemente, tão amados por ele, de Jesus e de Maria, que inflamavam de amor a todos os que o ouviam”.
“E finalmente, com os olhos fixos naquelas amadas imagens, com os braços abertos, pronunciando pela última vez os doces nomes de Jesus e de Maria, o santo expirou com uma paz celestial”.
7. O que dizia São Boaventura
“Roguemos, pois, meu amado e devoto leitor; roguemos a Deus que nos conceda a graça de ser o nome de Maria a última palavra que a nossa língua pronuncie, como Lhe pediu São Germano”.
“Para a glória do vosso nome, ó bendita Senhora, quando minha alma sair deste mundo, vinde-lhe ao encontro e tomai-a em vossos braços. Dignai-vos vir consolá-la com a vossa doce presença; sede o seu caminho para o Céu, alcançai-lhe a graça do perdão e o eterno descanso. Ó Maria, advogada nossa, a vós pertence defender os vossos devotos, e tomar a vosso encargo a sua causa diante do tribunal de Jesus Cristo”.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

A visão profética de Dom Bosco sobre a Igreja em tempos de provação






“Apenas duas coisas podem nos salvar em uma hora tão difícil"

Em 1862, São João Bosco relatou aos seus alunos o sonho que tivera algumas noites antes. Ele o descreveu como uma “alegoria” que continha profundas lições espirituais.

Desde então, muitas pessoas começaram a achar que os sonhos de Dom Bosco são “proféticos” e que descrevem um futuro tempo de provação para a Igreja.

Porém, tal como acontece com muitos sonhos, o conteúdo deles não se aplica necessariamente a um período específico de tempo, mas serve como um lembrete geral do que é verdadeiramente importante durante qualquer situação de crise.

Abaixo estão alguns trechos do sonho de Dom Bosco. Ele compara a Igreja com um grande navio sendo atingido por grandes ondas e ataques inimigos. No entanto, no meio de tudo isso, o navio permanece o seu curso, protegido por  dois pilares que não o deixam afundar:

“Imaginem que vocês estão comigo numa praia, ou antes, sobre um escolho isolado, onde não é possível ver outro espaço de terra, a não ser aquele que lhes está sob os pés. Em toda aquela vasta superfície das águas se via uma multidão inumerável de navios em ordem de batalha, cujas proas eram terminadas por um agudo esporão de ferro em forma de lança, que, onde era dirigido, feria e traspassava qualquer coisa. Estes navios estavam armados com canhões, carregados com fuzis e armas de todo gênero, com matérias incendiárias e também com livros, e avançavam contra um navio muito maior e mais alto que todos eles. Por meio do esporão, tentam chocar-se com ele, incendiá-lo, ou ao menos causar-lhe todo o dano possível.

Aquela nave majestosa, ricamente adornada, era escoltada por muitas embarcações menores que recebiam dela os sinais de comando e executavam manobras para se defender das frotas adversárias.

O vento lhes era desfavorável e o mar agitado parecia favorecer os inimigos. No meio da imensa extensão do mar elevavam-se acima das ondas duas robustas colunas, altíssimas, pouco distantes uma da outra. Sobre uma delas havia a estátua da Virgem Imaculada, em cujos pés pendia um longo cartaz com esta inscrição: Auxilium Christianorum (Auxílio dos Cristãos). Sobre a outra, que era muito mais alta e mais grossa, havia uma Hóstia de grandeza proporcional à coluna, e, debaixo, um outro cartaz com as palavras: Salus Credentium (Salvação dos que crêem).

Toda a frota inimiga se aproxima para interceptar e afundar a nau capitânia a todo custo. Eles bombardeiam com tudo o que tinham: livros e panfletos, bombas incendiárias, armas de fogo, canhões. A batalha continua cada vez mais furiosa. As proas pontiagudas rebatem a nau capitânia de novo e de novo, mas não adiantam, pois, incólume e destemida, ela continua em seu curso. Às vezes, um formidável aríete quebra um buraco no casco, mas, imediatamente, uma brisa das duas colunas sela instantaneamente o corte.

A Igreja aguarda provações muito graves. O que sofremos até agora é quase nada comparado ao que vai acontecer. Os inimigos da Igreja são simbolizados pelos navios que se esforçam ao máximo para afundar a nau capitânia. Apenas duas coisas podem nos salvar em uma hora tão difícil: a devoção a Maria e a comunhão freqüente. Vamos fazer o nosso melhor para usar esses dois meios e que outras pessoas usem-os em todos os lugares”.