sexta-feira, 3 de julho de 2015

O grande segredo para se viver bem

In omnibus operibus tuis memorare novissima tua, et in aeternum non peccabis – “Em todas as tuas obras lembra-te de teus novíssimos e nunca, jamais pecarás” (Ecclus. 7, 40).
Sumário. Meu irmão, se queres viver bem, procura pensar sempre na morte. Ao veres um túmulo, ao assistires às exéquias de um parente ou amigo, ao veres um cadáver sendo levado à sepultura, contempla nisso a tua própria imagem e dize: Dentro de breves anos, talvez meses ou dias, será tal a sorte de meu corpo e, estando então perdida a alma, estará perdida para sempre. Por terem pensado na morte, quantos deixaram a morte e subiram à mais alta perfeição.
I. Meu irmão, se queres viver bem, procura, durante o tempo de vida que te resta, viver pensando sempre na morte. Ao veres um túmulo, ao assistires às exéquias de um amigo ou parente, ao veres um cadáver sendo levado à sepultura, contempla nisso a tua própria imagem e o que um dia há de ser de ti. Reflete então e dize contigo: dentro em poucos anos, talvez meses ou dias tudo acabará para mim; meu corpo será apenas podridão e vermes. Estando então perdida a alma, tudo estará perdido para mim e perdido para sempre.
Assim é que fizeram os Santos, que agora reinam no céu; é por este meio que chegaram a desprezar todos os bens desta terra, que venceram as tentações mais fortes e subiram a alta santidade. Jó dizia à podridão: Tu és meu pai; e aos vermes: Vós sois minha mãe e minha irmã (1). São Carlos Borromeu conservava sempre sobre a sua mesa uma caveira, para te-la continuamente diante dos olhos. O cardeal Barônio fez gravar no seu anel estas palavras: Memento mori – “Lembra-te da morte”. O bem-aventurado Juvenal, bispo de Saluzzo, escrevera sobre uma caveira estas palavras: O que tu és, fui eu; o que eu sou, tu serás um dia. Outro santo solitário, perguntando na hora da morte porque estava tão alegre, respondeu: Sempre tive a lembrança da morte diante dos olhos; por isso, agora que ela vem, não vejo coisa nova.
Finalmente, para não falar de outros, São Camilo de Lelis, ao ver os túmulos, dizia consigo: Se estes defuntos voltassem ao mundo, quanto não fariam pela vida eterna! E eu, que ainda tenho tempo, que faço pela minha alma? – O Santo falava assim por humildade. Mas tu, meu irmão, tens talvez razão para temer que sejas aquela figueira sem fruto da qual disse o Senhor: Já há três anos que venho procurar fruto nesta figueira e não o acho (2). Tu que estás no mundo há mais de três anos, que fruto tens produzido? Considera, diz São Bernardo, que o Senhor não procura somente flores, mas quer também frutos; isto é, não somente bons desejos e propósitos, senão também obras santas.
II. Saibamos aproveitar o tempo que Deus nos dá na sua misericórdia e não esperemos para fazer o bem até que não haja mais tempo e se nos diga: Tempus non erit amplius… proficiscere: É tempo de partir deste mundo; vamos depressa; o que está feito, está feito. 
Considera-te, diz São Lourenço Justiniano, considera-te desde já como morto, já que é certo que deves morrer. Se já estivesses morto, quanto não quererias ter feito! Diz São Boaventura que o piloto para bem governar o navio, se coloca na popa: assim o homem, para levar uma vida boa, deve considerar-se sempre como se estivesse para morrer. Foi isto que fez São Bernardo dizer: Vide prima et erubesce, considera os pecados da tua mocidade e cora; – vide media et ingemisce, considera os pecados da idade viril e geme; – vide novissima et contremisce, considera as desordens da idade atual e treme e apressa-te em os remediar.
Eis-me aqui, meu Deus, sou aquela árvore que há tantos anos mereceu ouvir a sentença:Corta-a, para que ocupa ainda a terra? Sim, porque nos muitos anos que estou no mundo, ainda não dei outros frutos senão cardos e espinhos de pecados. Mas Vós, Senhor, não quereis que eu desespere. Vós dissestes que o que Vos procurar, Vos achará: Quaerite et invenietis. Procuro-Vos, meu Deus, e desejo vossa graça. Detesto de todo o coração todas as ofensas que Vos fiz e quisera morrer de dor. Quero empregar o resto da minha vida em Vos amar e honrar. Sim, amo-Vos, ó meu soberano Bem, e, com o vosso auxílio, quero viver e morrer fazendo atos de amor a Vós, que por meu amor morrestes sobre a cruz. † Doce Coração de Maria, sêde minha salvação. (*II 9.)
1. Iob 17, 14.
2. Luc. 13, 7.
Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II – Santo Afonso

quinta-feira, 25 de junho de 2015

A Vaidade no Vestir nos prejudica - Uma meditação de Santo Afonso

"Faltas, que podem ser a causa de Deus nos negar a luz sobrenatural, tornando-se assim o demônio mais forte contra nós:
- O desejo de passar por sábio ou nobres aos olhos do mundo;
Vaidade no vestir;
- A busca de comodidades supérfluas;
- O costume de se dar por ofendido com qualquer palavra picante ou com uma simples falta de atenção;
- O desejo de agradar a todo mundo à custa do bem espiritual;
- A negligência das práticas de piedade por respeito humano;
- As pequenas desobediências;
- Pequenas aversões contra alguém;
- Pequenas murmurações;
- Pequenas mentiras ou caçoadas;
- O tempo perdido em conversas ou curiosidades inúteis;


Em uma palavra, todo o apego à coisas criadas, toda a satisfação do amor próprio podem oferecer ao nosso inimigo ocasião para nos precipitar no abismo; estas faltas cometidas com deliberação, nos roubarão, pelo menos os socorros abundantes do Senhor, que nos preservam, sem dúvida alguma da queda do pecado".

(Santo Afonso de Ligório - Escola da Perfeição Cristã)

Fonte:

terça-feira, 23 de junho de 2015

Infeliz de quem peca contando com o perdão

Effugium peribit ab eis, et spes illorum abominatio animae – “Não lhes ficará refúgio e a esperança deles será abominação de sua alma” (Iob. 11, 20).
Sumário. Deus suporta, mas não suporta sempre. Quando se encheu a medida dos pecados que Deus quer perdoar, lança mão dos castigos mais formidáveis. Se Deus suportasse sempre, ninguém se condenaria, mas é opinião comum, que a maior parte dos adultos, incluindo os cristãos, se condenam. Infelizes de nós portanto, se pecarmos na esperança do perdão e abusarmos da misericórdia de Deus, para o ultrajar mais! Seremos irreparavelmente condenados para sempre, como se condenaram tantos outros nossos iguais.
I. Escreve São Bernardo que a esperança do perdão, que os pecadores têm quando pecam, não atrai a misericórdia de Deus, mas sim a sua maldição. Pelo que São João Crisóstomo nos avisa: Tomai cuidado, porque não é Deus que vos promete misericórdia, mas antes o monstro insaciável do inferno, afim de que desta maneira pequeis mais livremente. E Santo Agostinho acrescenta: Sperant ut peccent; vae a perversa spe! Ai daqueles que não esperam afim de que Deus lhes perdoe os pecados de que se arrependem, mas esperam que, ao passo que continuam a pecar, Deus tenha piedade deles. – Quantas almas se não deixaram enganar e se perderam por esta vã esperança! Diz ainda o Santo. Tal esperança é uma abominação aos olhos de Deus: Spes illorum abominatio. Longe de mover o Coração de Deus à misericórdia, irrita-O para castigar mais depressa o culpado, assim como um criado irritaria a seu amo se o ofendesse porque é bom. Diz São Bernardo que Lúcifer foi tão depressa castigado por Deus porque se revoltou com a esperança de não ser punido. O rei Manassés foi pecador; mas converteu-se em seguida e Deus lhe perdoou. Amon, filho de Manassés, vendo o pai tão facilmente perdoado, entregou-se à vida desregrada na esperança do perdão; mas para Amon não houve misericórdia. Diz também São João Crisóstomo que Judas se perdeu porque pecou confiado na clemência de Jesus Cristo: Fidit in lenitate Magistri.
Numa palavra: se Deus suporta, não suporta sempre. Se Deus suportasse sempre, ninguém se condenaria. No entanto, a opinião mais comum é de que a maior parte dos adultos, incluindo os cristãos, se condenam: Lata porta et spatiosa via est, quae ducit ad perditionem, et multi intrant per eam (1) – “Larga é a porta e espaçosa a estrada que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela”. Infeliz, portanto, de quem abusa da misericórdia de Deus para o ultrajar mais! Perder-se-á irreparavelmente para todo o sempre.
II. Meus irmãos, escreve São Paulo, não vos enganeis; de Deus não se zomba: aquilo que o homem semear, isso colherá (2). O que semeia pecados, não tem a esperar senão os castigos do inferno. Seria zombar de Deus o querer continuar a ofendê-Lo e depois desejar o paraíso.
Ai de mim, ó Senhor, que por tantos anos não pensei senão em Vos ofender. Estes anos já se foram, talvez já esteja próxima a minha morte e que acho em mim senão motivos de tristeza e remorsos de consciência? Quem me dera Vos tivesse servido sempre, ó meu Senhor! Insensato que fui! Já há tantos anos que vivo nesta terra e em vez de adquirir merecimentos para a vida futura, tenho-me carregado de dívidas para com a justiça divina. Meu querido Redentor, dai-me luz e força para ajustar as minhas contas. Talvez a minha morte não esteja longe. Quero preparar-me para o momento que decidirá da minha felicidade ou desgraça eterna. Agradeço-Vos o terdes esperado por mim até agora. Já que me dais tempo para reparar o mal que fiz, eis-me aqui, ó meu Deus: dizei-me o que quereis que eu faça.
Quereis, ó Senhor, que me arrependa das ofensas feitas? Arrependo-me e detesto-as de toda a minha alma. Quereis que empregue os anos ou dias de vida que me restam, em Vos amar? Ah! Quero fazê-lo. Meu Deus, no passado tomei muitas vezes a resolução de o fazer, mas as minhas promessas se tornaram outras tantas traições. Mas, meu Jesus, não quero mais ser ingrato depois de tantos favores que me destes. Se agora não mudo de vida, como poderei na hora da morte esperar o perdão e o céu? Agora estou firmemente resolvido a Vos servir com todas as veras. Dai-me força; não me desampareis.
Permiti, pois, que Vos ame, ó Deus, digno de infinito amor. Aceitai o traidor que agora arrependido se abraça com os vossos pés, Vos ama e Vos suplica misericórdia. Amo-Vos, † Jesus, meu Deus, amo-Vos sobre todas as coisas, amo-Vos de todo o coração, amo-Vos mais que a mim mesmo. Sou vosso; disponde de mim e de tudo que é meu, segundo a vossa vontade; dai-me a perseverança em Vos obedecer, dai-me vosso amor e depois fazei de mim o que quiserdes. – Maria, minha Mãe, minha esperança e meu refúgio, a vós me recomendo, a vós entrego a minha alma; rogai a Jesus por mim. (*II 77.)
1. Matth. 7, 13.
2. Gal. 6, 7-8.
Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II – Santo Afonso

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Da pureza da intenção

Omne, quodcumque facitis in verbo aut in opere, omnia in nomine Domini Iesu Christi, gratias agentes Deo et Patri per ipsum — “Tudo quanto fizerdes por palavra ou por obra, tudo seja em nome do Senhor Jesus Cristo, rendendo graças por Ele a Deus Pai” (Col. 3, 17).
Sumário. Nunca deixemos de dirigir de manhã a Deus todas as ações do dia; e procuremos renovar a boa intenção ao menos no começo das ações principais. É certo que as ações, boas em si mesmas, porém feitas para granjear louvores humanos, para satisfazer ao amor próprio ou por qualquer motivo humano, são como que postas num saco furado. Ao contrário, a pureza de intenção faz preciosas as ações mais insignificantes, porquanto toda obra feita para Deus é verdadeiro ato de amor divino.
I. A pureza de intenção consiste em fazer todas as ações com o único intuito de agradar a Deus. Jesus Cristo disse: “Se o teu olho for simples, todo o teu corpo será luminoso. Mas, se o teu olho for mau, todo o teu corpo estará em trevas.” Segundo a explicação de Santo Agostinho, o olho simples significa a intenção pura de dar gosto a Deus: o olho tenebroso significa a intenção má, quando se faz uma coisa por vaidade, ou para própria satisfação. Ora, segundo a intenção for boa ou má, a obra será também aos olhos de Deus boa ou má. — Poderá haver obra mais sublime do que o dar a vida pela fé? Todavia diz São Paulo que aquele que morre com outro intuito que não a vontade de Deus, nenhum proveito tem de seu martírio. Ora, se não aproveita nada o martírio, não sendo sofrido por amor de Deus, que utilidade terão todas as pregações, todos os livros e todos os trabalhos dos operários sagrados e todas as austeridades dos penitentes, quando feitos para granjear louvores humanos ou para contentar o amor próprio?
Disse o profeta Ageu, que as obras, embora santas por natureza, mas não feitas para Deus, são postas in sacculum pertusum (1), em um saco roto, quer dizer, que se perdem todas e nada resta, Ao contrário, toda a ação, por insignificante que seja, mas feita para o agrado de Deus, tem muito mais valor do que muitas obras grandiosas feitas sem reta intenção. — Lemos em São Marcos que a viúva pobre não deitou no cofre das oferendas do templo senão duas pequenas moedas, mas o Salvador dela disse: Vidua haec pauper plus omnibus misit (2) — “Esta viúva pobre deu mais do que todos os outros”. Explica São Cypriano que ela deu mais do que os outros, porque deu as duas pequenas moedas com a intenção pura de agradar a Deus.
Para conhecer se uma ação foi feita com intenção reta, um dos melhores sinais é o não perturbar-se quando não se alcança o intento desejado. Outro sinal é se depois da obra feita se fica contente e tranqüilo, posto que outros murmurem ou a desaprovem. — Pelo mais, se acontecer que o que fez bem é louvado, não deve inquietar-se pelo medo da vanglória. Se tal pensamento surgisse na mente, deveria desprezá-lo e dizer com São Bernardo: Nec propter te coepi, nec propter te desinam: “Não é para ti que comecei, nem para ti a quero interromper”.
II. A intenção de adquirirmos uma glória mais alta no céu é boa; mas a mais perfeita é a de agradar ao Senhor. É esta intenção que fere o Coração de Deus de amor para conosco, assim como disse a Esposa sagrada: Vulnerasti cor meum in uno oculorum tuorum (3) —“Feriste meu Coração com um dos teus olhos”. Pelo que o Apóstolo deu também a seus discípulos este conselho: Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, tudo fazei para glória de Deus (4). — Dizia a Venerável Beatriz da Encarnação, primeira filha de Santa Teresa: “Nenhum valor terrestre pode igualar o de qualquer obra feita para Deus, posto que mais insignificante.” Com razão, pois que todas as obras feitas para Deus são outros tantos atos de amor divino. A pureza de intenção faz preciosas as ações mais desprezíveis; como sejam: o comer, o lavrar a terra, mesmo o divertir-se, com tanto que sejam feitas por obediência e para agradar a Deus.
Devemos, portanto, desde pela manhã dirigir a Deus todas as ações do dia. E será de grande vantagem renovar essa intenção no começo de todas as ações, ao menos das mais importantes, por exemplo, antes da oração, da comunhão, da leitura espiritual; paremos um instante no começo destas ações, como fazia certo solitário, que antes de principiar qualquer ação parava um pouco e levantava os olhos ao céu. Perguntado por que razão assim fazia, respondeu: Procuro acertar o tiro.
Ó meu Jesus, quando começarei a Vos amar com todas as veras? Ai de mim! Se entre as minhas ações, mesmo boas, procuro uma feita unicamente para Vos agradar, não a posso achar. Tende piedade de mim! não permitais que eu Vos sirva tão mal até a minha morte. Ajudai-me, afim de que o resto de minha vida seja empregado unicamente no vosso serviço e no vosso amor. Fazei com que eu suporte tudo para Vos dar gosto, e faça tudo somente para Vos agradar; eu vo-lo peço pelos merecimentos da vossa paixão. — Ó minha grande advogada, Maria, obtende-me esta graça pela vossa intercessão.
1. Agg. 1, 6.
2. Marc. 12, 43.
3. Cant. 4, 9.
4. 1 Cor. 10, 31.
Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II – Santo Afonso

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Como a virtude da pureza é pouco conhecida e apreciada no mundo

Ai, meus irmãos, como esta virtude é pouco conhecida no mundo, quão pouco nós a estimamos, quão pouco cuidado nós pomos em conservá-la, quão pouco zelo temos em pedi-la a Deus, pois que não a podemos ter de nós mesmos. Não, nós não conhecemos esta bela e amável virtude que ganha tão facilmente o coração de Deus, que dá um tão belo brilho a todas as nossas outras boas obras, que nos eleva acima de nós mesmos, que nos faz viver sobre a terra como os anjos no céu!…
Não, meus irmãos, ela não é conhecida por este velhos infames impudicos que se arrastam, se rolam e se submergem na lama de suas torpezas, cujo coração é semelhante àqueles … sobre o alto das montanhas… queimados e abrasados por estes fogos impuros.
Ai! Bem longe de procurar extingui-lo, eles não cessam de acendêlo e abrasá-lo por seus olhares, por seus pensamentos, seus desejos e suas ações. Em que estado estará esta alma, quando aparecer diante de Deus, a Pureza mesma? Não, meus irmãos, esta bela virtude não é conhecida por esta pessoa, cujos lábios não são mais que uma abertura e um tubo de que o inferno se serve para vomitar suas impurezas sobre a terra, e que se alimenta disto como de um pão quotidiano. Ai! A alma deles não é mais que um objeto de horror para o céu e para a terra! Não, meus irmãos, esta bela virtude não é conhecida por estes jovens cujos olhos e mãos estão profanados por estes olhares e …
Ó DEUS, QUANTAS ALMAS ESTE PECADO ARRASTA PARA O INFERNO!…
Não, meus irmãos, esta bela virtude não é conhecida por estas moças mundanas e corrompidas que tomam tantas precauções e cuidados para atraírem sobre si os olhos do mundo; que por seus enfeites exagerados e indecentes, anunciam publicamente que são infames instrumentos de que o inferno se serve para perder as almas; estas almas que custaram tantos trabalhos, lágrimas e tormentos a Jesus Cristo! … Vede estas infelizes, e vós vereis que mil demônios circundam sua cabeça e seu coração. Ó meu Deus, como a terra pode suportar tais sequazes do inferno? Coisa mais espantosa ainda, como mães as suportam num estado indigno de uma cristã!
Se eu não temesse ir longe demais, eu diria a estas mães que elas valem o mesmo que suas filhas. Ai, este infeliz coração e estes olhos impuros não são mais que uma fonte envenenada que dá a morte a qualquer que os olha e os escuta. Como tais monstros ousam se apresentar diante de um Deus santo e tão inimigo da impureza! Ai! A vida deles não é mais que uma acumulação de banha que eles estão juntando para inflamar o fogo do inferno por toda a eternidade. Mas, meus irmãos, deixemos uma matéria tão desagradável e tão revoltante para um cristão, cuja pureza deve imitar a de Jesus Cristo mesmo; e voltemos à nossa bela virtude da pureza que nos eleva até o céu, que nos abre o coração adorável de Jesus Cristo, e nos atrai todas as bênçãos espirituais e temporais.
Sermão sobre a pureza – São João Maria Vianney

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Exemplo para as mulheres do povo

Muitas vezes, porém há impossibilidade para certas pessoas, ou mesmo inconveniência de ir à Igreja todos os dias. Vós que tendes filhos pequenos, ou que por obrigação ou caridade cuidais de um doente, ou que tendes um marido difícil que vos proíbe sair, não deveis inquietar-vos, ou, o que é pior, desobedecer. Pois, ainda que a Santa Missa seja um santo tesouro e de valor infinito, apesar de tudo, é sempre ainda melhor obedecer e renunciar à própria vontade, pois a obediência é imensamente valiosa.
Que sucederia, no entanto, se fôsseis à Santa Missa para vos entregardes à tagarelice, à curiosidade, às distrações voluntárias, e voltásseis com as mãos vazias? Foi o que sucedeu a uma camponesa, que morava em uma aldeia m pouco afastada da Igreja. Querendo alcançar uma graça importante, ela prometeu assistir à Santa Missa durante um ano. Com esta intenção, todas as vezes que ouvia repicar o sino anunciando  a Santa Missa, em alguma Igreja dos arredores, largava imediatamente seu trabalho e punha-se a caminho sem atender sequer às inclemências do tempo. De volta a casa, para não perder a conta das Santas Missas assistidas, que tencionava completar exatamente conforme se impusera, depositava cada vez uma fava em uma caixa cuidadosamente guardada. Passou-se o ano, e ela, certa de ter cumprido a promessa e alcançado muitos méritos,foi abrir a caixa. Ora, de tantas favas que ajuntara, só encontrou uma. Surpreendida e consternada, invadiu-a um grande pesar, e dirigiu-se a DEUS, dizendo-lhe lacrimosa: Ó SENHOR, como é possível que, de tantas Santas Missas que participei, só uma se encontre de sobra? Nunca faltei, a despeito do esforço a fazer, do mau tempo, da chuva, do frio e do caminho ruim!
DEUS então lhe inspirou a idéia de contar sua infelicidade a um piedoso sacerdote muito prudente. Este lhe perguntou de que modo ia ela à igreja, e com que devoção assistia ao santo Sacrifício. Então ela disse-lhe que, no caminho só falava de negócios ou de diversões e passava o tempo dos divinos Mistérios a tagarelar com um e outro, tendo o espírito ocupado exclusivamente com sua casa e seus campos. “Aí está,  lhe disse o padre, o motivo de nada restar dessas Missas. A tagarelice, a curiosidade, as distrações voluntárias vos roubaram todo o mérito. Satanás vo-lo roubou. Por isso vosso Anjo fez desaparecer as favas, para vos mostrar que as obras mal feitas, ficam perdidas. Dai graças a DEUS porque, pelo menos, uma das Santas Missas, foi bemassistida e vos trouxe frutos.”
Fazei agora uma reflexão bem séria e dizei: Quem sabe, de tantas Santas Missas a que tenho assistido em minha vida, quantas foram agradáveis a DEUS? Que vos responde a consciência! Se vos parece que bem poucas dessas Santas Missas são dignas de mérito aos olhos de DEUS, remediai esta situação e emendai-vos sinceramente para o futuro. Mas se, o que não queira DEUS, sois do número dessas infelizes, asseclas dos demônios, que vão à  igreja ajudá-los a arrastar ao inferno, ouvi uma história apavorante e tremei!
Conta-se que certa mulher, tendo caído em grande miséria, errava em extremo desespero, num lugar solitário. Apareceu-lhe satanás e disse-lhe que se ela quisesse distrair as pessoas na igreja, por meio de conversinhas e falatório inútil e inconveniente, ele a tornaria rica como nunca. A miserável mulher aceitou a proposta e pôs-se a executar o diabólico ofício, alcançando plenos resultados: agia e falava de tal maneira que ninguém perto dela podia assistir atentamente à Santa Missa, nem a outras cerimônias.
Não durou muito, porém, que não pesasse sobre ela a mão de DEUS.
Certa manhã desencadeou-se terrível tempestade e um raio certeiro fulminou-a, reduzindo-a a cinzas.
Ó mulheres, aprendei à custa de outrem, e fugi das pessoas que por suas tagarelices e irreverências nas igrejas exercem o ofício de ministros de satanás, se não quereis incorrer também na cólera de DEUS.
As Excelências da Santa Missa São Leonardo de Porto Mauricio

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Para ser santo é preciso desejá-lo muito

Beati qui esuriunt et sitiunt iustitiam; quoniam ipsi saturabuntur – “Bem-aventurados os que têm fome e se de justiça; porque eles serão fartos” (Matth. 5, 6).
Sumário. Quem quiser ser santo, deve desprender-se das criaturas, vencer as paixões, vencer-se a si próprio, amar as cruzes e sofrer muito. Ora, o santo desejo, ao passo que nos dá força para praticar tudo isso, torna-nos a pena mais leve. Pode-se dizer que já é quase vencedor quem possui um grande desejo de vencer. Irmão meu, lança um olhar sobre a tua alma, vê se tens grande desejo da perfeição, e roga a Jesus e Maria que o façam sempre mais crescer em ti.
I. Nenhum santo alcançou a perfeição sem um grande desejo de chegar à santidade. Assim como os pássaros precisam de asas para voar, assim às almas são necessários os santos desejos para caminharem à perfeição. Quem quer ser santo deve desprender-se das criaturas, vencer as paixões, vencer-se a si próprio, amar as cruzes, e para fazer tudo isso, requer-se grande força e é mister sofrer muito. Ora, o que faz o santo desejo? Responde São Lourenço Justiniano: “Subministra forças e faz julgar a pena mais leve.” Razão porque o mesmo Santo acrescenta que já é quase vencedor quem possui grande desejo de vencer: Magna victoriae pars est vincendi desiderium. Quem pretende subir ao cume de um alto monte, nunca chegará ali sem um grande desejo de chegar. Este dar-lhe-á coragem e força para aguentar as fadigas da subida; sem ele ficará prostrado na encosta desgostoso e desanimado.São Bernardo afirma que cada um progredirá na perfeição à proporção do desejo que tiver. E Santa Teresa diz que Deus ama as almas generosas que têm grandes desejos. Por isso a Santa dava a todos esta exortação: “Os nossos pensamentos devem ser grandes, porque deles virá o nosso bem. Não convém abaixar os desejos, mas confiar em Deus, que, esforçando-nos, pouco a pouco poderemos chegar até aonde, com a divina graça, chegaram os santos.” É assim que os santos em breve tempo atingiram um alto grau de perfeição e fizeram grandes coisas para Deus: Consummatus in brevi, explevit tempora multa (1) – “Tendo vivido pouco tempo, encheu a carreira de uma larga vida”. Assim São Luiz de Gonzaga chegou em poucos anos a tão alto grau de santidade, que Santa Maria Magdalena de Pazzi, vendo-o num êxtase, no paraíso, disse se lhe afigurava de certo modo que não havia no céu outro santo que gozasse de mais glória do que São Luiz. Ao mesmo tempo a Santa compreendeu que São Luiz subiu tão alto pelo grande desejo de amar a Deus tanto como o merece, e que o santo jovem, vendo que nunca poderia chegar a este ponto, sofreu na terra um martírio de amor.
II. São Bernardo, sendo já religioso, para afervorar-se, costumava perguntar a si mesmo: Bernardo, para que vieste? Bernarde, ad quid venisti? A mesma pergunta te dirijo a ti: Que vieste fazer na casa de Deus? Para que deixaste o mundo? Para te fazeres santo?… E agora que fazes? Para que perdes o tempo? Dize-me: desejas fazer-te santo? Se não o desejas, é certo que nunca o serás. Se não tens este desejo, pede-o a Jesus Cristo, pede-o a Maria. E se o tens, reveste-te de coragem, diz o mesmo São Bernardo, porque muitos não se fazem santos por falta de coragem. Para que temeremos? De quem deveremos desconfiar? O mesmo Senhor que nos deu força para deixarmos o mundo, dar-nos-á também força para abraçarmos uma vida santa.
Eis-me aqui, meu Deus, eis-me aqui pronto para executar quanto de mim quiserdes. Domine, quid me vis facere? (2) – “Senhor, que quereis que eu faça?Dizei-me, Senhor, o que de mim desejais, que em tudo Vos quero obedecer. Sinto ter perdido tanto tempo em que podia agradar-Vos e não o fiz. Agradeço-Vos que ainda me dais tempo para fazê-lo. Não o quero mais perder. Quero e desejo ser santo; não para receber de Vós mais glória, ou gozar mais: quero ser santo para mais Vos amar e dar-Vos mais gosto nesta vida e na outra. Fazei, Senhor, que eu Vos ame e Vos compraza quanto Vós o desejais. Eis tudo o que Vos peço, ó meu Deus: quero amar-Vos, quero amar-Vos, e para Vos amar ofereço-me a sofrer qualquer desgosto, qualquer enfermidade, qualquer pena.
Senhor meu, aumentai sempre em mim este desejo e dai-me a graça de o por em obra, por mim mesmo nada posso; mas ajudado por Vós posso tudo. Ó Eterno Padre, por amor de Jesus Cristo, atendei-me. Jesus meu, pelos méritos da vossa Paixão, socorrei-me. Maria, minha esperança, por amor de Jesus, protegei-me. (IV 424.)
1. Sap. 4, 13.
2. Act. 9, 6.
Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I – Santo Afonso

quarta-feira, 10 de junho de 2015

A Santa Missa é um meio seguro para obter as misericórdias divinas

Ipse (Iesus) est propitiatio pro peccatis nostris– “Ele (Jesus) é a propiciação pelos nossos pecados” (I Io. 2, 2).
Sumário. A Santa missa é por excelência a oração propiciatória e a reparadora; é ela que continuamente atrai sobre nós as divinas misericórdias e impede a divina justiça de tomar as vinganças merecidas pelos nossos pecados. Eis porque, depois da vinda de Jesus Cristo, não se vêem mais aqueles castigos tão freqüentes e tão formidáveis que se observam na antiga Lei. Tomai, pois, a resolução de assistir cada dia e com a devida atenção ao santo sacrifício, mesmo à custa de algum incômodo ou de algum interesse temporal.
Considera que a Santa Missa é um sacrifício propiciatório, isto é, que torna Deus propício para nos perdoar não só as penas temporais, que ficam a pagar depois do perdão da culpa, mas também a própria culpa. Quanto à pena, a Missa perdoa-a diretamente, pelo menos em parte, não só aos vivos, mas também às almas dos defuntos. Pelo que São Jerônimo afirma: “Cada Missa celebrada com devoção faz sair diversas almas do purgatório.”
Quanto às culpas, perdoa-as, posto que só indiretamente, e as perdoa todas, por mais graves que sejam, conforme a declaração do Concílio de Trento: Peccata etiam ingentia dimittit (1) . O que quer dizer que, por meio do Sacrifício do Altar, concede a graça, pela qual o homem é levado a arrepender-se e a purificar-se no Sacramento da Penitência. – Santa Matilde viu um dia que a Santíssima Virgem amolecia um diamante mergulhando-o no Sangue do Coração de Jesus. Com tal visão, o Senhor lhe quis dar a entender que não há coração tão duro que não fique amolecido só com ser tingido no Sangue do Cordeiro Divino, que Se imola sobre o Altar.
Pobres de nós, se não houvesse este grande Sacrifício, que é por excelência a oração expiatória e reparadora; que continuamente atrai sobre nós as divinas misericórdias e impede a justiça divina de exercer a vingança merecida pelas nossas culpas! – Eis porque, depois da vinda de Jesus Cristo, não se vêem mais os castigos tão freqüentes e formidáveis que se observam na antiga Lei. Pela mesma razão tem o demônio procurado tantas vezes, e procura ainda sempre, por meio dos hereges, fazer desaparecer do mundo a Missa. Faz dos hereges os precursores do anticristo que, conforme a profecia de Daniel, antes de mais nada, abolirá o Santo Sacrifício do Altar (2).
II. “Oh, quem me dera poder assistir a mais uma Missa!” É o que exclamava uma pobre pecadora no leito de morte, e perguntada pelo porque, respondeu: Quer me parecer que então se havia de acalmar todas as minhas inquietações. Vendo o Sacerdote que eleva ao Céu o cálice com o Sangue preciosíssimo, diria eu ao Pai Eterno: Senhor, é grande a minha dívida, mas eis aí a minha satisfação. O Sangue inocente do Redentor, oh, quanto melhor implora para mim a vossa misericórdia, do que o sangue de Abel bradava por vingança contra Caim!
Meu irmão, há de chegar talvez o dia em que tu também, prestes a morrer, ou (pior ainda) atormentado nas chamas devoradoras do purgatório, exclamarás: Oh, quem me dera assistir a mais uma Missa! Mas então não haverá mais tempo para o fazer. Aproveita, pois, o tempo que Deus te dá agora, e toma a resolução de assistir cada dia ao divino Sacrifício, e de assistir com devoção, oferecendo-o pelos fins para que foi instituído.
† “Senhor, Deus todo-poderoso, eis me aqui, prostrado diante de Vós, para aplacar e honrar a vossa Majestade Divina em nome de todas as criaturas. Mas como poderei fazê lo sendo tão miserável e pecador como sou?! Mas posso e quero fazê-lo, sabendo que
Vos gloriais de ser chamado Pai das misericórdias, e por nosso amor destes vosso Filho Unigênito que Se sacrificou por nós sobre a Cruz, e sobre os nossos altares renova continuamente por nós o sacrifício de Si mesmo. Eis porque eu, posto que pecador, mas pecador arrependido, pobre mas rico em Jesus Cristo, me apresento diante de Vós, e com fervor de todos os Anjos e Santos, com os afetos do Coração Imaculado de Maria, Vos ofereço em nome de todas as criaturas as Missas que são celebradas hoje, com todas as que já foram celebradas e serão celebradas até ao fim do mundo.
Tenciono renovar a presente oferta todos os instantes deste dia e de toda a minha vida, para tributar à vossa infinita Majestade uma homenagem e uma glória dignas de Vós, para aplacar a vossa indignação e satisfazer à vossa Justiça pelos nossos muitos pecados, para Vos render graças proporcionadas aos vossos benefícios e implorar a vossa misericórdia para mim, para todos os pecadores, para todos os fiéis vivos e defuntos, para a Igreja universal, e principalmente para seu Chefe visível, o Sumo Pontífice Romano, e finalmente também para os pobres cismáticos, hereges e infiéis, afim de que eles também se convertam e se salvem.” Ó doce Coração de Maria, sêde a minha Salvação.(*VIII 951.)
1. Trid. Seas. 22, c. 2.
2. Dan. 12, 11.
Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II – Santo Afonso

terça-feira, 9 de junho de 2015

O viajante e São José

Foi a 18 de março de 1888. Viajava um sacerdote no trem de Mogúncia a Colônia, quando, ao passar por Bonn, notou que seu vizinho se persignou, juntou as mãos e pôs a rezar.
- Amanhã é a festa de S. José!… talvez que seja o seu patrono, disse o padre.
- Não, sr., mas minha esposa chama-se Josefina… e gostaria de estar amanhã em sua companhia. Tenho, porém, outro motivo de dar graças; e, se interessar ao senhor, contar-lhe-ei a minha história, pois um sacerdote a entenderá.
- Certamente.
- Quando menino, recebi de minha boa mãe uma educação piedosa. Infelizmente, bem cedo morreu minha mãe; meu pai não se ocupou de minha educação religiosa e logo abandonei todas as práticas de piedade. Encontrei, mais tarde, uma jovem excelente e, desejando fazê-la minha esposa, fingi sentimentos religiosos que não possuía. Uma vez casados, quase morreu de pesar, quando lhe abri meu coração e me pus a zombar de suas devoções. Há cinco anos, na sua festa onomástica, fiz-lhe um rico presente, mas ela, quase receosa, me disse:
- Há outro presente que me faria mais feliz…
- Qual?- A tua alma, querido, respondeu entre soluços.
- Pede-me o que quiseres: eu o farei.
- Vem comigo amanhã, dia de S. José, à Igreja de N. N. Haverá sermão e bênção.
- Se for só isso, podes enxugar tuas lágrimas, que te acompanharei.
A igreja estava repleta; o pregador, muito moço, deixou-me frio e indiferente; contudo disse uma coisa que me impressionou: ” Jamais invocou alguém a proteção de S. José sem que sentisse o seu auxílio. Tende firme confiança de que correrá em socorro de todo aquêle que o invocar na hora do perigo, ainda que seja pecador ou mesmo incrédulo”.
Ao sairmos da igreja, disse-me minha esposa:
- Meu amigo, muitas vezes estarás em perigo em tuas viagens; promete-me que, chegando o caso, dirás esta breve oração: ” S. José, rogai a vosso divino Filho por mim”?
- Assim o farei; não é nada difícil.
Pouco depois, viajava por este mesmo lugar em que nos encontramos; éramos sete no compartimento. De repente, um apito de alarma e já um formidável choque nos atirava pelos ares. Não tive tempo de dizer mais que: “S. José, socorro!” Tudo foi coisa de um instante. Ao voltar a mim, vi meus companheiros horrivelmente despedaçados e mortos.
Eu sofrera apenas leves contusões. Desde aquele dia retomei as práticas religiosas e repito, sempre com grande confiança: ” S. José, socorrei-me!”
Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Sem Maria não alcançamos a graça da perseverança

A perseverança final é um dom divino tão grande, que, como disse o santo Concílio de Trento, é um dom de todo gratuito que por nada podemos merecer. Contudo S. Agostinho diz que alcançam de Deus a perseverança todos aqueles que lha pedem. E conforme diz o Padre Suárez, infalivelmente a alcançam, sendo diligentes até ao fim da vida em a pedir a Deus. Por isso escreve S. Belarmino: Peça-se a perseverança todos os dias, para que seja obtida cada dia. Ora, se é verdade – como eu o tenho por certo, conforme a sentença hoje comum, como depois mostrarei no capítulo VI – se é verdade, digo, que quantas graças Deus nos dispensa, todas passam pelas mãos de Maria, é também verdade que só por meio de Maria poderemos esperar e conseguir esta sublime graça da perseverança. Esta mesma graça promete ela a todos aqueles que fielmente a servem nesta vida. “Os que agem por mim não pecarão; aqueles que me esclarecem, terão a vida eterna” (Eclo 24, 30).
Para nossa conservação na vida da divina graça, é-nos necessária a fortaleza espiritual que nos leva a resistir a todos os inimigos da salvação. Ora, esta fortaleza só por meio de Maria se alcança. “Minha é a fortaleza; por mim reinam os reis” (Pr 8, 14). Minha é esta fortaleza, diz Maria; Deus depositou em minhas mãos este dom, para que eu o conceda aos meus devotos servos. “Por mim reinam os reis”. por meu intermédio reinam os meus servos, e dominam sobre todos os seus sentidos e paixões, e assim dignos se tornam de um reino eterno no céu. Oh! Quanta força possuem os servos desta grande Rainha para vencer todas as tentações do inferno! É Maria aquela decantada torre dos Sagrados Cânticos: Teu pescoço é como a torre de Davi, que foi a armadura dos esforçados (4, 4). Para os que a amam e a ela recorrem nos combates, é como uma torre forte cingida de todas as armas na luta contra o inferno.
A Santíssima Virgem é por isso chamada plátano. “Eu me elevei como o plátano à borda d’água, nos caminhos” (Eclo 24, 19). Diz o Cardeal Hugo que as folhas do plátano são semelhantes a um escudo. Assim se explica a proteção de Maria para com aqueles que a ela se acolhem. O Beato Amadeu dá uma outra razão a estas palavras e diz: Assim como o plátano com a sombra dos seus ramos defende os transeuntes da chuva e do sol, do mesmo modo sob o manto de Maria acham os homens refúgio contra o ardor das paixões e a fúria das tentações.
Infelizes as almas que se afastam desta defesa e cessam de venerar a Maria, e de se lhe recomendar nos perigos! Que seria do mundo, se não nascesse mais o sol? Nada mais do que um caos de trevas e de horror – pergunta e responde S. Bernardo. “Retira o sol e que será do dia? Perca uma alma a devoção para com Maria, e que será senão trevas?” Sim, a alma ficará cheia daquelas trevas de que fala o Espírito Santo: Puseste trevas e foi feita a noite; nela transitarão todas as alimárias das selvas (Sl 103, 20). Quando em uma alma já não resplandece a divina luz, e anoitece, ficará ela sendo covil de todos os pecados e dos demônios. Ai daqueles, exclama S. Anselmo, que desprezam a luz deste sol, isto é, a devoção a Maria! Com razão temia S. Francisco de Borja pela perseverança dos que não davam provas de uma especial devoção à Santíssima Virgem. Perguntando certo dia aos noviços pelos santos de sua devoção, conheceu que deles alguns não eram especialmente devotos de Nossa Senhora. Advertiu ao mestre dos noviços que olhasse com mais atenção para aqueles infelizes. E, de fato, todos eles perderam miseravelmente a vocação, e saíram da Companhia.
Razão sobrava portanto a S. Germano, ao chamar a Virgem de respiração dos cristãos. Pois como o corpo não pode viver sem respirar, tão pouco o pode a alma sem recorrer e recomendar-se a Maria, por cujo intermédio adquirimos e conservamos com segurança a vida da divina graça.
O Beato Alano, assaltado uma vez de uma forte tentação, esteve em termos de perder-se por se não ter encomendado a Maria. Apareceu-lhe então a Santíssima Virgem, e para o fazer mais advertido em outras ocasiões, bateu-lhe levemente no rosto e acrescentou: Se te houvesses recomendado a mim, não terias corrido tão grande risco.
Glorias de Maria – Santo Afonso

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Da comunhão espiritual

Quanto à maneira de fazer a Comunhão espiritual de que falei antes, é preciso conhecer a doutrina do santo Concílio de Trento, o qual ensina que se pode receber o Santíssimo Sacramento de três modos: sacramentalmente, espiritualmente, ou sacramentalmente e espiritualmente ao mesmo tempo.
Não se fala aqui do primeiro modo, que se verifica também nos que comungam em estado de pecado mortal, como fez Judas; nem do terceiro, comum a todos os que comungam em estado de graça; mas trata-se aqui e do segundo, adequado àqueles que, tomando as palavras do santo Concílio, impossibilitados de receber sacramentalmente o Corpo de Nosso Senhor, “o recebem em espírito, fazendo atos de fé viva e ardente caridade, e com um grande desejo de se unirem ao soberano Bem, e, por meio disto, se põem em estado de obter os frutos do Divino Sacramento”. – “Qui voto propositum illum caslestem panem edentes fide viva quae per dilectionem operatur, fructum ejus et utilitatem sentium” (Sess. XIII, c.8.).
Para facilitar-vos prática tão excelente, pesai bem o que vou dizer-vos. No momento em que o sacerdote se dispõe a comungar, na Santa Missa, recolhei-vos no vosso íntimo, tomando a mais modesta posição; formulai em seguida, em vosso coração, um ato de sincera contrição e, batendo humildemente no peito, em sinal de que vos reconheceis indignos de tão grande graça, fazei todos os atos de amor, oferecimento, humildade e os demais que costumais fazer quando comungais sacramentalmente: Desejai, então, vivamente receber o adorável JESUS, oculto por vosso amor, no Santíssimo Sacramento.
Para excitar em vós o fervor, imaginai que a Santíssima Virgem ou um de vossos santos padroeiros vos dá a santa comunhão: suponde recebê-la realmente e, estreitando JESUS em vosso coração, repeti-Lhe muitas e muitas vezes com ardente amor: “Vinde, JESUS adorável, vinde ao meu pobre coração; vinde saciar meu desejo; vinde meu adorado JESUS, vinde ó dulcíssimo JESUS!” E depois ficai em silêncio, contemplando vosso DEUS dentro de vós, e, como se tivésseis todos os atos que habitualmente fazeis depois da Comunhão sacramental.
Ora, sabei que esta santa e bendita Comunhão espiritual, tão pouco praticada pelos cristãos de nossos dias, é um tesouro que cumula a alma de bens incalculáveis; e, no sentir de muitos autores, é de tal modo eficaz que pode produzir as mesmas graças que a comunhão sacramental. Com efeito, se vê que a Comunhão sacramental, na qual se recebe a santa Hóstia, seja por sua natureza de maior proveito, porque como Sacramento age ex operare operato, é possível, no entanto, que uma alma faça a Comunhão espiritual com tanta humildade, amor e fervor, que obtenha mais graças que não obteria outra, comungando sacramentalmente, mas com disposição menos perfeita.
Nosso Senhor, outrossim, ama tanto este modo de fazer a Comunhão espiritual, que muitas vezes se dignou atender com milagres visíveis os piedosos desejos de seus servos, dando-lhes a Comunhão ou por sua própria Mão, como fez à bem-aventurada Clara de Montefalco, a Santa Catarina de Sena, e a Santa Lidvina; ou pela mão dos santos anjos, como aconteceu a São Boaventura e aos santos bispos Honorato e Firmino; ou ainda, mais frequentemente, por meio da augusta Mãe de DEUS, que se dignou dar a Comunhão ao bem aventurado Silvestre.
Não vos admireis desta condescendência tão terna, pois a Comunhão espiritual abrasa a alma no Amor a DEUS, une-a Ele, e dispõe-na a receber as graças mais insignes.
Se refletísseis, portanto, nestas coisas, seria possível permanecerdes frios e insensíveis? Que desculpa poderíeis invocar para isentar-vos de tão devota prática? Tomai a resolução de vos habituardes a ela; e notai que a Comunhão espiritual tem sobre a sacramental esta vantagem, que esta só se pode fazer uma vez ao dia, enquanto aquela podeis fazê-la em todas as Missas que quiserdes, e ainda, de manhã, à tarde, o dia todo ou de noite, em casa como na igreja, sem necessitar permissão de vosso confessor.
Em resumo, quantas vezes fizerdes a Comunhão espiritual, outras tantas vos enriquecereis de graças, de méritos e de toda sorte de bens.
Ora, o fim deste pequeno livro é despertar no coração de todos os que o lerem um santo ardor para que se introduza entre os fiéis o costume de assistir todo dia piedosamente à Santa Missa e de fazer ai a Comunhão espiritual. Oh! Que felicidade, se fosse obtido este resultado! Teria, então, a esperança de ver refletir em toda a Terra este santo fervor que se admirava na Idade de ouro da primitiva Igreja. Nesse tempo os fiéis assistiam diariamente ao Santo Sacrifício, e diariamente recebiam a Comunhão sacramental. Se dignos não sois de imitá-los, ao menos assisti a todas as Santas Missas que puderdes e comungai espiritualmente. Se eu tivesse a dita de persuadir-vos, creria ter ganho o Mundo inteiro, e daria por bem recompensados os meus débeis esforços.
Enfim, para desfazer todos os pretextos que se apresentam ordinariamente, a fim de não assistir à Santa Missa, darei nos capítulos seguintes diversos exemplos que interessam a toda sorte de pessoas. Por aí cada um compreenderá que, se se priva de tão grande bem, é por sua culpa, por sua preguiça e seu pouco zelo pelas coisas santas, e que assim se prepara amargo arrependimento na hora da morte.
As Excelências da Santa Missa - São Leonardo de Porto Maurício

quarta-feira, 3 de junho de 2015

EDUCAÇÃO CRISTÃ: O cuidado com as filhas

Que faremos de nossas filhas?


Um jornal norte-americano prometera um prêmio aquele de seus assinantes, que melhor respondesse a esta pergunta:

Que faremos de nossas filhas?

Aí vai a resposta premiada, que muitas mães poderão meditar com proveito:

Primeiramente faremos delas boas cristãs e depois, dar-lhes-emos uma boa instrução elementar. Ensine-se-lhes a preparar convenientemente um jantar, a cerzir meias, a pregar botões, a fazer uma camisa e a confeccionar os próprios vestidos. Saibam elas fazer pão e lembrem-se de que, uma cozinha bem dirigida, poupa muitas despesas de farmácia. Ensine-se-lhes que um mil réis tem dez tostões e que, para poupar, é preciso gastar menos e que a miséria é fatal, quando os gastos são maiores do que as rendas; que um vestido de algodão pago, é melhor que um de seda que se fica devendo.

É preciso que aprendam, desde cedo, a fazer compras e a dar contas do que gastaram. Repita-se-lhes que vale muito mais um operário à mesa de trabalho e em mangas de camisa, ainda que sem um vintém no bolso, do que meia dúzia de imbecis e vadios.

Ensinai-lhes a cultivar as flores e a ver a Deus em todas as criaturas. Feito isto, proporcionai-lhes algumas lições de piano e pintura, se as vossas condições o permitirem, advertindo, porém, que estas artes ocupam lugar secundário e são de pouco proveito no lar. Ensinai-lhes a desprezar as vãs aparências e acostumai-as a guardarem a palavra empenhada e os bons propósitos; que o sim delas seja sim e o não seja não. Quando chegar o tempo de casá-las, inculcai-lhes bem que a felicidade no casamento não depende da fortuna que lhes há de trazer o marido, nem da posição que ele ocupar na sociedade, mas do caráter, dos dotes e virtudes da alma. Com esses princípios bem ensinados e aprendidos, ficai certos de que vossas filhas serão felizes, no caminho que escolherem; quanto ao mais, deixemo-lo a Deus.

E, se depois de tudo isso, um rapaz achar que a vossa filha não corresponde às suas aspirações, não se vos dê com isso; é a melhor prova de que esse rapaz é destituído de bom senso e não merece a confiança de uma moça bem educada. Melhor é ficar solteira, do que fazer a desgraça própria e alheia.

Mas, pelo amor de Deus, procurai que as vossas filhas possuam as virtudes e conhecimentos necessários à vida e que sejam capazes de inspirar a um rapaz honesto e virtuoso, atrativos pelo casamento. Há tantas que lhes metem medo!

(Extraído de "Novo Manual das Mães Cristãs", do Rev. Padre Theodoro Ratisbona, Editora Vozes, 1938).
 
Fonte: 

terça-feira, 2 de junho de 2015

Pequeno Catecismo sobre o Santo Rosário

Qual é origem do Rosário?

“Desde que o Rosário foi composto, em princípio e substância, pela Oração de Cristo (Pai-Nosso) e a Saudação Angélica (Ave-Maria), sem dúvida, constituiu a primeira devoção dos fiéis e tem sido usado pelos séculos, desde o tempo dos apóstolos.” (São Luiz de Montfort, O Segredo do Rosário, 2º rosa)


Como surgiu o uso de contas?

Já no século início do século IV, São Pacómio, que tinha dificuldades para ler e recitar o Breviário (Os Salmos e outras orações) usava pedrinhas para contar até 150 Saudações Angélicas.


Como se estabeleceu o uso atual?

“Foi somente no ano de 1214, que a Santa Madre Igreja recebeu o Rosário na sua forma presente e de acordo com o método que usamos hoje. Ele foi dado à Igreja por São Domingos que o recebeu da Bem-Aventurada Virgem como um meio poderoso para converter os albigenses e outros pecadores.” (São Luiz de Montfort, O Segredo do Rosário, 2º rosa)



Em que consiste a oração do Rosário?

“O Rosário constitui-se de duas realidades: a oração mental e a oração vocal. No Rosário, a oração mental é nada mais que uma meditação sobre os principais mistérios da vida, morte e glória de JESUS CRISTO e de Sua Santíssima Mãe.” (São Luiz de Montfort, O Segredo do Rosário, 1º rosa)


Em que consiste a oração vocal do Rosário?

“A Oração vocal consiste em se rezar quinze dezenas de Ave-Marias, cada dezena precedida de um Pai-Nosso.” (São Luiz de Montfort, O Segredo do Rosário, 1º rosa)


Em que consiste a oração mental do Rosário?

Consiste em rezar a oração vocal, “enquanto que ao mesmo tempo medita-se e contempla-se as quinze virtudes principais que JESUS e Maria praticaram, nos quinze mistérios do Santo Rosário.” (São Luiz de Montfort, O Segredo do Rosário, 1º rosa)


O que é o Terço?

Chamamos Terço, cada grupo de cinco dezenas em que se contemplam cinco mistérios.


O que se medita em cada Terço?

“Nas cinco primeiras dezenas nós devemos honrar a Jesus e Maria nos cinco Mistérios Gozosos e meditá-los; nas segundas cinco dezenas os Mistérios Dolorosos e no terceiro grupo de cinco, os Mistérios Gloriosos.” (São Luiz de Montfort, O Segredo do Rosário, 1º rosa)


Pode-se rezar somente um Terço diariamente, ao invés do Rosário completo?

Sim. Em 13 de Maio de 1917, Nossa Senhora assim pediu em Fátima: “Rezai o terço todos os dias.”


Há um método específico para tanto?

Sim. Para que durante a semana rezemos o Rosário completo, a Igreja estabeleceu o costume de rezar um grupo de mistérios em particular, conforme o dia da semana. Assim, segundas-feiras e quintas-feiras rezam-se os Mistérios Gozosos. Terças-feiras e sextas-feiras contemplam-se os Mistérios Dolorosos. Quartas-feiras, sábado e Domingo meditam-se os Mistérios Gloriosos.


Quais são os defeitos mais comuns ao se rezar o Rosário em particular?

“O primeiro é o perigo de não pedir qualquer graça. (...) De modo que, sempre que se reze o Rosário, tenha certeza de pedir alguma graça especial. Peça o auxílio de Deus em fomentar uma das maiores virtudes cristãs ou que Ele o auxilie a combater os seus pecados.” O segundo grande defeito que muitas pessoas fazem ao rezarem o Rosário é somente querer chegar ao final. (...) é realmente lamentável ver como a maioria das pessoas rezam o Santo Rosário. Elas o rezam extremamente rápido e murmurando, fazendo com que as palavras não sejam pronunciadas claramente.” (São Luiz de Montfort, O Segredo do Rosário, 44º quarta rosa)


Há uma forma mais querida por Deus para se rezar o Terço, ou o Rosário?

“Há várias formas de rezar o Santo Rosário, mas a que dá a maior glória a Deus Todo-Poderoso, que faz o melhor por nossas almas e que o diabo mais teme que tudo mais, é a de rezar ou cantar o Rosário publicamente em dois grupos. “Deus Todo-Poderoso Se compraz quando as pessoas se reúnem em oração; os Anjos e os bem-aventurados unem-se para louvá-Lo incessantemente. Os justos na Terra em várias comunidades se juntam em oração comunitária de dia e de noite. Nosso Senhor Jesus Cristo recomenda expressamente a oração em grupos aos Seus apóstolos e discípulos e prometeu que sempre que dois ou três estiverem reunidos em Seu Nome, Ele estará no meio deles (Mt XVIII,20). “Como é maravilhoso ter Jesus Cristo no nosso meio! E a única coisa que temos que fazer para tê-lo no nosso meio é rezar o Rosário em grupo. Eis porquê os primeiros cristãos geralmente se reuniam para ora, apesar das perseguições do Império Romano e do fato de que as reuniões fossem proibidas. Eles preferiam se reunir mesmo com o risco da morte, do que perder os encontros, nos quais Jesus estava presente.” (São Luiz de Montfort, O Segredo do Rosário, 46º rosa)


Que frutos podem-se esperar da oração em comum?

Vários, os principais são:

“1 – Normalmente nossas mentes ficam mais atentas quando em oração pública do que quando oramos em particular;

“2 – Quando oramos em grupo, a oração de cada um pertence a todos nós e estas se ajuntam em uma oração ainda maior, a fim de que se alguém não está orando bem, outra pessoa na mesma reunião que ora melhor estará compensando pela deficiência do outro. Desta forma, aqueles que são fortes seguram os fracos, os fervorosos inspiram os mornos, os ricos enriquecem os pobres, os ruins são contados juntamente com os bons. Como se pode vender o joio? Misturando-o facilmente com quatro ou cinco barris de trigo da melhor qualidade.

“3 – Quem reza o Rosário sozinho só ganha o mérito de um Rosário, mas se ele o reza junto com outras trinta pessoas, obtém-se o mérito de trinta Rosários. Esta é a lei da oração pública. Quão frutuosa, e quão vantajosa ela é.”

“4 – Urbano VIII (...) concedeu cem dias a mais de indulgência, totis quotis, sempre que o Rosário fosse rezado em dois coros. (...)”

“5 – A oração pública é muito mais poderosa que a oração individual para apaziguar a ira de Deus e obter a Sua Misericórdia.”

“6 - finalmente, quando as pessoas rezam o Rosário juntas é muito mais terrível ao demônio que em particular, pois na oração pública trata-se de um exército que o ataca.” (São Luiz de Montfort, O Segredo do Rosário, 46º rosa)


Quais são os defeitos mais comuns ao se rezar o Rosário em grupo?

A falta de “espírito de disciplina, sem o qual” o grupo reunido para rezar o Rosário “é como uma cabeça lúcida num corpo paralisado, incapaz de refrear os excessos dos membros, de estimulá-los e de formá-los. Sem disciplina os membros se deixarão arrastar pela tendência muito humana de trabalharem isolados, com o mínimo possível de controle” tentando impor métodos próprios de oração aos demais; “de se entregarem a obras ditadas pelo capricho do momento e de as fazerem como lhes aprouver. Que se poderá esperar de tal procedimento?” (Página 249 da versão de 1965)


Como isso se evita?

Isso se evita pela “disciplina voluntariamente aceita e consagrada às causas de Deus,” pois nela “reside uma das mais poderosas forças do mundo e esta disciplina torna-se irresistível, quando usada com firmeza, mas sem rigidez, e em perfeita harmonia com a Autoridade Eclesiástica." (Manual da Legião de Maria, 1965, página 249)


Então devemos usar nas reuniões de grupos de oração um método único?

Certamente. E por isso a FSSPX estabeleceu em muitas de suas missões e priorados um método próprio que evita desordens e confusões. Consiste em principiar pelo Credo, Pai-Nosso, Três Ave-Marias, os cinco mistérios correspondentes ao dia, a Oração de São Miguel Arcanjo, A Ladainha de Nossa Senhora, ou uma ladainha conforme o tempo litúrgico, a Oração a São José e terminando com a Oração “Senhor, dai-nos Sacerdotes”.


Essas orações podem variar?

Melhor não. "(...) Não é permitida qualquer alteração - para mais ou para menos - quer se trate” dos métodos usados por santos doutores ou "santos de devoção individual. O mesmo critério deve ser adotado sempre que a legitimidade de uma alteração possa oferecer matéria de discussão. Esta regra exige sacrifício é certo, mas outros já o fizeram.” Basta olhar o Priorado de São Paulo e ver quanto o gosto pela “Salve Regina” recitada nas orações particulares ocupa ainda lugar especial no coração dos fiéis. “É verdade que a tolerância” de métodos variáveis não seria “de per si, grave infração ao uso comum. Contém, todavia, o germe de divergência dentro do sistema” e é temerosa tal possibilidade. “Há a considerar ainda que a alma” da Igreja, sua unidade, sua catolicidade “se manifesta nas suas orações. Temos de convir que estas, pela sua exata uniformidade, devem ser símbolo da completa unidade de espírito, de coração, de regulamento e de prática (...)." (Manual da Legião de Maria, 1965, página 90)


Mais algum fruto se procede do usar um método único na oração em grupos?

Além de evitar qualquer espírito de divisão, quando sacrificamos nossa vontade para rezar conforme aos demais, podemos, sem dúvida, esperar que Nossa Senhora ame ainda mais nossa oração.


São proibidos então outros métodos de oração do Rosário em particular ou em família?

Não. Cada um pode em sua própria casa, ou em particular, usar dos diversos métodos que o “Espírito Santo inspirará àqueles e àquelas que mais fiéis se mostrarem a esta devoção”, (São Luiz Maria de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção, 235), quer seja aquele que se acostumou desde a infância, quer seja o método de algum santo de devoção.


É pecado deixar de rezar o terço?

Não é pecado deixar de rezar o terço, contudo, deixa-se de ganhar muitas graças, em especial as graças da recitação da Ave-Maria, como diz são Luiz de Montfort: “Não sei como isto acontece nem por que; entretanto é verdade, e não conheço melhor segredo para verificar se uma pessoa é de Deus, do que examinar se gosta ou não de rezar a Ave-Maria e o terço. Digo: gosta, pois pode acontecer que alguém esteja na impossibilidade natural ou até sobrenatural de dizê-la, mas sempre a ama e a inspira aos outros.” (Tratado da Verdadeira Devoção, 251)


A Ave Maria encerra em si alguma graça especial?

A Ave-Maria é a mais bela devoção depois do Pai-Nosso. “A salvação do mundo começou pela Ave-Maria, e a salvação de cada um em particular está ligada a esta prece; (...) foi esta prece que trouxe à terra seca e árida o fruto da vida, e (...) é esta mesma prece que deve fazer germinar em nossa alma a palavra de Deus e produzir o fruto da vida, Jesus Cristo.” (São Luiz de Montfort, Tradado da Verdadeira Devoção, 249)


As devoções à Ave-Maria e ao Terço são então penhor de salvação?

“Sempre se verificou que aqueles que trazem o sinal de condenação, como os hereges, os ímpios, os orgulhosos, e os mundanos, odeiam e desprezam a Ave-Maria e o terço. Os hereges ainda aprendem e recitam o Pai-Nosso, mas abominam a Ave-Maria e o terço. (São Luiz de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção, 250) Essas orações nos distinguem dos heréticos e nos marcam exteriormente como membros da Igreja Católica, fora da qual não há Salvação.


Fonte:
http://vashonorabile.blogspot.com.br/