terça-feira, 19 de agosto de 2014

Falando sobre o uso do véu

Apesar do Concílio Vaticano II ter produzido um hecatombe na vida católica, alterando praticamente tudo o que havia na Igreja, da liturgia aos hábitos das freiras, paradoxalmente um aspecto foi silenciado pelo Concílio e pelo Código de Direito Canônico de 1983, promulgado pelo papa João Paulo II: refiro-me ao uso do véu pelas mulheres.



Ao contrário do que se diz por aí, o uso do véu não passou a ser objetivamente facultativo, após as mudanças litúrgicas do pós-concílio: oficialmente nada se disse a respeito. Tudo o que temos em mãos a respeito do tema é:

1 – As Sagradas Escrituras, especialmente a determinação de São Paulo para que as mulheres nas Igrejas tenham a cabeça coberta.

2 – A Tradição de mais de 2000 anos da Igreja, em que as mulheres em todos os tempos e em todos os lugares sempre respeitaram o costume de ter a cabeça coberta;



3 – O Código de Direito Canônico de 1917 que OBRIGA o uso do véu, mas na verdade não faz outra coisa que sancionar uma norma que sempre fez parte do dia-a-dia da Igreja. Está escrito no Código de Direito Canônico de 1917: “As mulheres, entretanto, têm que cobrir suas cabeças e vestir-se com modéstia, especialmente quando se aproximam da mesa do Senhor” (Mulieres autem, capite cooperto et modest vestitae, maxime cum ad mensam Domincam accedunt, Código de Direito Canônico de 1917, cân. 1262).

4 – Para o nosso caso brasileiro, de forma mais específica, o Concílio Plenário brasileiro de 1929 confirma esta obrigatoriedade, isso antes de existir a CNBB. Ora: esta norma nunca foi suprimida oficialmente, e antes de tudo repete o que fez parte do dia-a-dia católico desde a fundação da Igreja, baseado nas Escrituras, na Tradição e nos costumes.

5 – Mesmo o atual Código de Direito Canônico de 1983 omite o assunto. Mas para outras questões em que existe o claro propósito de supressão, podemos encontrar com todas as letras. O atual Código, como dito, nada fala sobre o uso do véu, mas por outro lado, o novo Código diz nos cânones 20 e 21 que a nova lei canônica só abole a velha lei quando ela escrever explicitamente isto, e que em caso de dúvidas, a lei antiga não deve ser revogada, mas pelo contrário:

A lei posterior ab-roga ou derroga a anterior, se expressamente o declara, se lhe é diretamente contrária, ou se reordena inteiramente toda a matéria da lei anterior; a lei universal, porém, de nenhum modo derroga o direito particular ou especial, salvo determinação expressa em contrário no direito (Código de Direito Canônico de 1983, cân. 20).
E ainda:

Na dúvida, não se presume a revogação de lei preexistente, mas leis posteriores devem ser comparadas com as anteriores e, quanto possível, com elas harmonizadas (Ibid., cân. 21).



O novo Código de Direito Canônico é questionável, para dizer o mínimo. Mas o foco deste post é mostrar que até mesmo ele omite o assunto. Logo, é muito provável que o assunto não seja apenas para tradicionalistas, mas as mulheres que não utilizam o véu laboram em erro e desobedecem a disciplina da Igreja ainda que não saibam disso, ainda que sejam proibidas por seus próprios párocos ou bispos. Não cabe a mim apontar a falha ou o pecado alheio, mas o fato de 99,9% da população – a começar pelo clero – desobedecer as normas não anula as leis, mas torna negligentes 99,9% da população. Portanto: quem agora sabe destes dados e não é mais ignorante no assunto, que ponha a mão na consciência e faça o que é certo, ao invés do que convém.


                                                                                 Extraído do ótimo blog Regi Saeculorum

Fonte:

Catecismo Maior de São Pio X

LEITURA OBRIGATÓRIA DE TODO CATÓLICO.






Fonte:

domingo, 17 de agosto de 2014

Quatro fontes de ensino infalível

Ataíde Maria: Abaixo um riquíssimo texto que copiei do livro " O Derradeiro Combate do Demônio", indico a leitura atenciosa e se possível o compartilhamento com vossa lista de contatos. +Pax


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Há quatro modos principais segundo os quais o ensino da Igreja nos é apresentado de modo infalível:

Primeiro, por meio da promulgação, pelos Papas e pelos Concílios Ecumênicos, de credos que fornecem um resumo daquilo em que os Católicos devem crer para serem Católicos.
Segundo, por meio de definições solenes que contém frases como “Nós declaramos, pronunciamos e definimos (...)” ou alguma fórmula semelhante que indica que o Papa ou o Papa em conjunto com um Concílio Ecumênico têm claramente a intenção de impor à Igreja que creia nesse ensinamento. Tais definições são geralmente acompanhadas por anátemas (condenações) daqueles que, de qualquer modo, negarem o ensinamento assim definido.
Terceiro, as definições do Magistério Ordinário e Universal – ou seja, o ensino constante da Igreja de um modo “ordinário”, desde sempre e em qualquer parte do mundo -, mesmo se esse ensinamento não foi solenemente definido pelas palavras ”Declaramos, pronunciamos e definimos (...)” (Um bom exemplo é o ensino constante da Igreja, ao longo da Sua história, de que a contracepção e o aborto são gravemente imorais).

Quarto, há julgamentos definitivos do Papa – geralmente sobre proposições condenadas, nas quais é proibido a um Católico acreditar. Quando um Papa, ou um Papa em conjunto com um Concílio, condenam solenemente uma proposição, é possível saber-se, infalivelmente, que ela é contrária à Fé Católica.

Um exemplo de um Credo é a Profissão de Fé promulgada pelo Concílio de Trento. Apresentamo-lo aqui, convenientemente organizado em forma de pontos e sem alteração na linguagem:

·         Eu N. creio firmemente e confesso tudo o que contém o Símbolo da fé usado pela Santa Igreja Romana, a saber:

·         Creio em um só Deus, Pai Onipotente, Criador do céu e da terra e de todas as coisas, visíveis e invisíveis. E em

·         Um ó Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos; é gerado, não feito; consubstancial ao Pai, por quem foram feitas todas as coisas.

·         O qual, por amor de nós homens e pela nossa salvação, desceu dos céus. E se encarnou por obra do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, e se fez homem.

·         Foi também crucificado por nossa causa; e padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos e foi seputado. E

·         Ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E subiu ao céu,

·         Está sentado à mão direita de Deus Pai. E pela segunda vez há de vir com majestade e julgar os vivos e os mortos. E o seu reino não terá fim.

·         E [creio] no Espírito Santo, [que também é] Senhor e Vivificador, o qual procede do Pai e do Filho. O qual, com o Pai e o Filho, é juntamente adorado e glorificado, e foi quem falou pelos profetas.

·         E [creio] na Igreja, que é uma, santa, católica e apostólica.

·         Confesso um só batismo para a remissão dos pecados. E aguardo a ressurreição dos mortos e a vida da eternidade. Assim seja.

·         Aceito e abraço firmemente as tradições apostólicas e eclesiásticas, bem como as demais observâncias e constituições da mesma Igreja.

·         Admito também a Sagrada Escritura naquele sentido em que é interpretada pela Santa Madre Igreja, a quem pertence julgar sobre o verdadeiro sentido e interpretação das Sagradas Escrituras. E jamais aceitá-la-ei e interpretá-la-ei senão conforme o consenso unanime dos Padres.

·         Confesso também que são sete os verdadeiros e próprios sacramentos da Nova Lei, instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo, embora nem todos para cada um necessários, porém para a salvação do gênero humano.

·         São eles: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Extrema-Unção, Ordem e Matrimônio, os quais conferem a graça; mas não sem sacrilégio se fará a reiteração do Batismo, da Confirmação e da Ordem.

·         Da mesma forma aceito e admito os ritos da Igreja Católica recebidos e aprovados pela administração solene do todos os supracitados sacramentos.

·         Abraço e recebo tudo o que foi definido e declarado no Concílio Tridentino sobre o pecado original e a justificação.

·         Confesso, outrossim, que na Missa se oferece a Deus um sacrifício verdadeiro, próprio e propiciatório pelos vivos e defuntos, e que no santo sacramento da Eucaristia estão 
verdadeira, real e substancialmente o Corpo e o Sangue com a Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, operando-se a conversão de toda a substância do pão no corpo, e de toda a substância do vinho no sangue; conversão esta chamada pela Igreja transubstanciação.

·         Confesso também que sob uma só espécie se recebe o Cristo todo inteiro e como verdadeiro sacramento.

·         Sustento sempre que há um purgatório, e que as almas aí retidas podem ser socorridas pelos sufrágios dos fiéis;

·         Que os Santos, que reinam com Cristo, também devem ser invocados; que eles oferecem sua orações por nós, e que suas relíquias devem ser veneradas.

·         Firmemente declaro que se devem ter e conservar as imagens de Cristo, da sempre Virgem Mãe de Deus, como também as dos outros Santos, e a eles se devem honra e veneração.

·         Sustento que o poder de conceder indulgências foi deixado por Cristo à Igreja, e que o seu uso é muito salutar para os fiéis cristãos.

·         Reconheço a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana, como Mestra e Mãe de todas as Igrejas.

·         Prometo e juro prestar verdadeira obediência ao Romano Pontífice, Sucessor de S. Pedro, Príncipe dos Apóstolos e Vigário de Jesus Cristo.

·         Da mesma forma aceito e confesso indubitavelmente tudo o mais que foi determinado, definido e declarado pelos sagrados cânones, pelos Concílios Ecumênicos, especialmente pelo santo Concílio Tridentino (e pelo Concílio Ecumênico do Vaticano – nota do blog: Não confundir com o nefasto Concílio Vaticano II -, principalmente no que se refere ao Primado do Romano Pontífice e ao Magistério infalível)

·         Condeno ao mesmo tempo, rejeito e anatematizo as doutrinas contrárias e todas as heresias condenadas, rejeitadas e anatematizadas pela Igreja.

·         Eu mesmo, N. prometo e juro como o auxílio de Deus conservar e professar integra e imaculada até o fim de minha vida esta verdadeira fé católica, fora da qual não pode haver salvação, e que agora livremente professo. E quanto em mim estiver, cuidarei que seja mantida, ensinada e pregada a meus súditos ou àqueles, cujo cuidado por ofício me foi confiado. Que para isto me ajudem Deus e estes santos Evangelhos!


Com respeito às definições solenes e infalíveis do dogma Católico, um exemplo recente é a Carta Apostólica do Bem-aventurado Papa Pio IX, Ineffabilis Deus (1854), onde se define infalivelmente o Dogma da Imaculada Conceição de Maria:

            “Declaramos, pronunciamos e definimos: A doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça a privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda a mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus, e por isto deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis.”

Portanto, se alguém (que Deus não permita!) deliberadamente entende pensar diversamente de quanto por Nós foi definido, conheça e saiba que está condenado pelo seu próprio juízo, que naufragou na fé, que se separou da unidade da Igreja, e que, além disso, incorreu por si, “ipso facto”, nas penas estabelecidas pelas leis contra aquele que ousa manifestar oralmente ou por escrito, ou de qualquer outro modo externo, os erros que pensa no seu coração.

Texto retirado do livro: O Derradeiro combate do demônio, compilado e editado pelo Padre Paul Kramer, págs. 179-182.

Fonte:

sábado, 16 de agosto de 2014

A mulher impura que se condenou

"Os olhos não se fartam de ver, nem os
ouvidos de ouvir."
 (Eclesiastes 1,8)
Eis um triste exemplo de Condenação de uma mulher e a grandíssima importância da boa Confissão:

"Exemplo de uma senhora que por muitos anos calou na confissão um pecado desonesto. Refere Santo Afonso e mais particularmente o Padre Antônio Caroccio, que passaram pelo país em que vivia esta senhora dois religiosos, e ela, que sempre esperava confessor forasteiro, rogou a um deles que a ouvisse em confissão,e confessou-se. Logo que partiram os padres,o companheiro disse ao confessor ter visto que, enquanto a sr.ª se confessava,saiam de sua boca muitas cobras e uma serpente enorme deixava ver fora sua cabeça,mas voltava de novo para dentro, e após ela todas as que antes saíram. Suspeitando o confessor o que aquilo poderia significar, voltou a cidade e a casa daquela sr.ª, onde lhe disseram que ela, no momento de entrar na sala, morrera repentinamente.

Por três dias seguidos jejuaram e oraram por ela, suplicando ao Senhor que lhes manifestasse aquele caso.
AO TERCEIRO DIA APARECEU-LHES A INFELIZ SENHORA CONDENADA E MONTADA SOBRE UM DEMÔNIO, EM FIGURA DE UM DRAGÃO HORRÍVEL COM DUAS SERPENTES ENROSCADAS AO PESCOÇO, QUE A AFOGAVAM E LHE COMIAM OS PEITOS, UMA VÍBORA NA CABEÇA, DOIS SAPOS NOS OLHOS, SETAS ARDENTES NAS ORELHAS, CHAMAS DE FOGO NA BOCA E DOIS CÃES DANADOS QUE LHE MORDIAM E LHE COMIAM AS MÃOS; E DANDO UM TRISTE E ESPANTOSO GEMIDO, disse:

— Eu sou a desventurada sr.ª que vossa V. Rvm.ª confessou há 3 dias, conforme eu ia confessando, meus pecados saíam de minha boca, e aquela serpente enorme, que o companheiro viu sair de minha cabeça e voltou depois para dentro, em figura dum pecado desonesto que calei sempre por vergonha; quis confessá-lo com V. Rvma., mas também não me atrevi por isso, voltou a entrar dentro, e com ele todos os mais que haviam saído. Cansado já Deus de tanto esperar-me, tirou-me repentinamente a vida e me precipitou no inferno, onde sou atormentada pelos demônios em figura de horrendos animais. A VÍBORA ME ATORMENTA A CABEÇA PELA MINHA SOBERBA E EXCESSIVO CUIDADO EM PENTEAR OS CABELOS, OS SAPOS CEGAM-ME OS OLHOS, POR MEUS OLHARES LASCIVOS; AS FLECHAS ACESAS ME ATORMENTAM OS OUVIDOS, PORQUE ESCUTEI MURMURAÇÕES, PALAVRAS E CANTIGAS OBSCENAS; O FOGO ABRASA-ME A BOCA PELAS MURMURAÇÕES E BEIJOS TORPES; TENHO AS SERPENTES ENROSCADAS NO PESCOÇO E ME COMEM OS PEITOS, PORQUE OS LEVEI DUM MODO PROVOCATIVO, PELO DECOTE DE MEUS VESTIDOS E PELOS ABRAÇOS DESONESTOS; OS CÃES ME COMEM AS MÃOS, PELAS MÁS OBRAS E TATOS IMPUROSMAS O QUE MAIS ME ATORMENTA É O HORROROSO DRAGÃO EM QUE VOU MONTADA, E QUE ME ABRASA AS ENTRANHAS EM CASTIGOS DE MEUS PECADOS IMPUROS. Ai! Que não há remédios para mim, senão tormentos e pena eterna! AI DAS MULHERES! Acrescentou; porque muitas delas se condenam por 4 gêneros de pecados: por pecado de impureza, pelasgalas e enfeites, por feitiçaria e por calar pecados nas confissõesOs homens se condenam por toda a classe de pecados, mas as mulheres principalmente por estes quatro pecados.
Disto isto, abriu-se a terra e por ela entrou esta infeliz mulher, até o mais profundo do inferno, onde padece e padecerá por toda a eternidade!" [i]

Mas que vergonha! Pelo bem imutável, pelo prêmio inestimável, para honra suprema e pela glória sem fim, o menor esforço nos cansa. Envergonha-te, pois, servo preguiçoso e murmurador, por serem os mundanos mais solícitos para a perdição que tu para a salvação. Procuram eles com mais gosto a vaidade que tu a verdade. [ii]
Quem me segue não anda nas trevas, diz o Senhor (Jo 8,12). São estas as palavras de Cristo, pelas quais somos advertidos que imitemos sua vida e seus costumes, se verdadeiramente queremos ser iluminados e livres de toda cegueira de coração. Seja, pois, o nosso principal empenho meditar sobre a vida de Jesus Cristo. [iii]

Em todas as coisas olha o fim, e de que sorte estarás diante do severo Juiz a quem nada é oculto, que não se deixa aplacar com dádivas, nem aceita desculpas, mas que julgará segundo a justiça. Ó misérrimo e insensato pecador! Que responderás a Deus, que conhece todos os teus crimes, se, às vezes, te amedronta até o olhar dum homem irado? Por que não te acautelas para o dia do juízo, quando ninguém poderá ser desculpado ou defendido por outrem, mas cada um terá assaz que fazer por si? Agora o teu trabalho é frutuoso, o teu pranto aceito, o teu gemer ouvido, satisfatória a tua contrição. [iv]


Certo é que não podes fruir dois gozos: deleitar-se neste mundo, e depois reinar com Cristo. [v]

Vaidade das vaidades, e tudo é vaidade (Ecle 1, 2)senão amar a Deus e só a ele servir. A suprema sabedoria é esta: pelo desprezo do mundo tender ao reino dos céus. [vi]

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Notas:
[i] Santo ANTÔNIO MARIA CLARET. O Caminho RETO. Exemplos de vários estados: p. 100 e 101.
[ii] KEMPIS, Tomás de. Imitação de Cristo. liv. III, cap. II, 3.
[iii] KEMPIS, Tomás de. Imitação de Cristo. liv. I, cap. I, 1.
[iv] KEMPIS, Tomás de. Imitação de Cristo. liv. I, cap. I, 3.
[v]  KEMPIS, Tomás de. Imitação de Cristo. liv. I, cap. XIV, 6.
[vi] KEMPIS, Tomás de. Imitação de Cristo. liv I.  cap. XXIV, 1.

Fonte:

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Do modo de como não se deve assistir a Missa

ou

Assistir a Missa com devoção e modéstia meditando na grandiosidade que nela contém 



O Sacrifício da Santa Missa é o mesmo que o Sacrifício da Cruz


A Santa Missa é um sacrifício tão santo, o mais augusto e excelente de todos, e a fim de formardes uma ideia adequada de tão grande tesouro, algumas de suas excelências divinas; pois dize-las todas não é empreendimento a que baste a fraqueza da minha inteligência.

A principal excelência do santo Sacrifício da Missa consiste em que se deve considerá-lo como essencialmente o mesmo oferecido no Calvário sobre a Cruz, com esta única diferença: que o sacrifício da Cruz foi sangrento e só se realizou uma vez e que nessa única oblação JESUS CRISTO satisfez plenamente por todos os pecados do Mundo; enquanto que o sacrifício do altar é um sacrifício incruento, que se pode renovar uma infinidade de vezes, e que foi instituído pra nos aplicar especialmente esta expiação universal que JESUS por nós cumpriu no Calvário. Assim o Sacrifício cruento foi o MEIO de nossa Redenção, e O Sacrifício incruento nos proporciona as GRAÇAS da nossa Redenção. Um abre-nos os tesouros dos méritos de CRISTO Nosso Senhor, o outro no-los dá para os utilizarmos.


Notai, portanto que na Missa não se faz apenas uma representação, uma simples memória da Paixão e Morte do nosso Salvador; mas num sentido realíssimo, o mesmo que se realizou outrora no Calvário aqui se realiza novamente: tanto que se pode dizer, a rigor, que em cada Santa Missa nosso Redentor morre por nós misticamente, sem morrer na realidade, estando ao mesmo tempo vivo e como imolado: Vidi agunum stantem tanquan accisum. (Apoc. 5, 6)


E o sacerdote diz: “Ecce agnus Dei,
ecce qui tolit peccata mundi.”
– E os fieis batendo três vezes
no peito confessam com profunda
humildade: “Domine non sum
dignus ut intres sub tectum meum,
sed tantum dic verbo et sanabitur
anima mea.”


No santo dia de Natal, a Igreja nos lembra o nascimento do Salvador, mas não é verdade que Ele nasça, ainda, nesse dia. Nos dias da Ascensão e Pentecostes, comemoramos a subida do Senhor JESUS ao Céu e a vinda do Espírito Santo, sem que, de modo algum nesses dias o Senhor suba ainda ao Céu, ou o Espírito Santo desça visivelmente à Terra.

A mesma coisa, porém, não se pode dizer do mistério da Santa Missa, pois aí não é uma simples representação que se faz, mas, sim, o mesmo sacrifício oferecido sobre a Cruz, com efusão de sangue, e que se renova de modo incruento: é o mesmo corpo, o mesmo sangue, o mesmo JESUS, que se imola hoje na Santa Missa. Opus trae Redemptionis exercetur, diz a Santa Igreja.
A obra de nossa Redenção aí se exerce: sim, exercetur, aí se exerce atualmente. Este santo sacrifício realiza, opera o que foi feito sobre a Cruz. Que obra sublime! Ora, dizei-me sinceramente se, quando ides à Igreja para assistir a Santa Missa, pensásseis bem que ides ao Calvário assistir à morte do Redentor, que diria alguém que vos visse ai chegar numa atitude tão pouco modesta? Se Maria Madalena fosse ao Calvário e se prostrasse aos pés da Cruz vestida, perfumada e ataviada como em seus tempos de desordem, quanto não seria censurada!

E que se dirá de vós que ides à Santa Missa como se fôsseis a uma festa mundana? Que aconteceria, sobretudo se profanásseis este ato tão santo, com gestos, risadas, cochichos, encontros sacrílegos?

Digo que, em qualquer tempo e lugar, a iniquidade não tem cabimento; mas os pecados que se cometem na hora da Santa Missa e na proximidade do altar, são pecados que atraem a maldição, de DEUS: Maledictus qui facit opus Domini fraudulenter (Jer 48,10). Meditai seriamente sobre esse assunto.

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Texto tirado da obra de São Leonardo de Porto-Maurício, “As excelências da Santa Missa”, páginas 6-8. (grifos nossos)

Fonte: