segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O desejo mais ardente do Coração de Jesus

“Tenho uma sede ardente de ser honrado e amado pelos homens no Santíssimo Sacramento; e, no entanto, não encontro quase ninguém que se esforce, como desejo, em mitigar minha sede, correspondendo de algum modo ao meu amor”
























Mons. Louis-Gaston de Ségur (*): Estava um dia sóror Margarida ajoelhada em um pátio do mosteiro, próximo à capela do Santíssimo Sacramento, ocupada no trabalho que lhe fora encomendado, junto a um pé de avelã em que ainda se ensina hoje em Paray-le-Monial.
“Senti-me de todo recolhida interior e exteriormente (disse ela mesma na memória em que, por obediência, anotava os favores sobrenaturais que recebia”, e vi o Coração de meu adorável Jesus mais resplandecente que o sol. Parecia como envolto em chamas; e estas chamas eram as de seu amor. Estava rodeado por Serafins que em admirável concerto cantavam: —“O amor triunfa!….” O amor se regozija em Deus!”.
Aqueles bem-aventurados espíritos me convidavam a unir-me a eles em seu cântico de louvores ao Coração de Jesus Cristo; mas eu não me atrevia. Repreenderam-me por isto, e me disseram que tinham vindo para tributar comigo a este Sagrado Coração uma homenagem perpétua de amor, adoração e louvores; que para isto ocupariam meu lugar diante do Santíssimo Sacramento, a fim de que, por seu intermédio, pudesse amá-lo e adorá-lo sem interrupção; que participariam do amor paciente em minha pessoa, assim como eu participaria na sua do amor triunfante. Ao mesmo tempo pareceu-me que escreviam em letras de ouro esta associação no Sagrado Coração, com os caracteres indeléveis do amor.
“Isto durou umas duas ou três horas, e toda minha vida tenho sentido seus efeitos, tanto pelo auxílio que tenho recebido desta misteriosa associação, como pela suavidade que havia produzido e produz ainda em mim.
“Em consequência fiquei toda confusa. No entanto, ao rogar a estes santos Anjos, chamava-os como meus divinos associados. Esta graça me deu tão grande desejo da pureza de intenção, em me fez conceber tão alta ideia do que é preciso ter para conversar com Deus, que todas as coisas me pareciam impuras em comparação com o fervor dos Serafins”.
Ai! Que não estejais diante do sagrado Tabernáculo por nós como estáveis por aquela ditosa criatura, oh abrasados Serafins, puríssimo e perfeitíssimo adoradores do Coração de nosso Deus! Mas, que digo! Ali estais; dali não vos separais um momento! Dia e noite adorais por nós e conosco, no céu e no Santíssimo Sacramento, a Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Rei e nosso Rei, vosso Amor e nosso Amor, vossa Luz e nossa Luz. O que vós fazeis invisivelmente, nós fazemos visivelmente; o que fazeis na bem-aventurança do céu, fazemos nós, ai! ao menos devemos fazê-lo, em meio aos combates e misérias da terra. Ah! Supri a indiferença e imperfeição de nossas adorações! Embora não vos ligue um pacto especial com nenhum de nós como a vossa bem-aventurada “Associada”, nem por isso deixai de reinar entre vós e nós, entre a Igreja do céu e a da terra, uma íntima e indissolúvel união. Vinde, pois, vinde e ajudar-nos, bem-aventurados Serafins, Querubins, Anjos, Arcanjos dos nove coros celestiais! Vinde, adoremos a Jesus! Adoremo-lo juntos no mistério em que triunfam seu amor e seu sacrifício; e com um mesmo coração adoremos, amemos, exaltemos seu Sagrado Coração! Venite, adoremos!
A beata Margarida Maria teve também a dita de contemplar em outra visão não menos esplendorosa o Coração divino. Em 27 de dezembro de 1686, dia de São João Evangelista, no momento em que acaba de comungar, quis Nosso Senhor revelar-lhe uma vez mais os mistérios de seu santo amor.
“Apresentou-se-me, disse, o Coração de Jesus, como em um trono todo de fogo e chamas que despendia por todos os lados, mais resplandecente que o sol, e transparente como um cristal. Nele se descobria visivelmente a chaga que recebeu na cruz. Tinha ao redor uma coroa de espinhos, e em cima uma cruz, que parecia plantada nele.
“Meu divino Mestre me deu a conhecer que aqueles instrumentos de sua Paixão, significavam que o amor imenso de seu Coração para com os homens havia sido a origem de todos os padecimentos e humilhações que quis sofrer por nós; que desse do primeiro instante de sua Encarnação teve presentes todos aqueles tormentos, e que desde aquele primeiro momento ficou plantada, por assim dizer, a cruz em seu Coração; que para manifestar-nos seu amor aceitou desde então todas as dores que sua santa humanidade devia sofrer durante o curso de sua vida mortal, como também todos os ultrajes que seu amor aos homens devia expor-se até o fim dos séculos no augusto Sacramento de nossos altares.
“E Jesus disse: — “Tenho uma sede ardente de ser honrado e amado pelos homens no Santíssimo Sacramento; e, no entanto, não encontro quase ninguém que se esforce, como desejo, em mitigar minha sede, correspondendo de algum modo ao meu amor”.
A beata Margarida Maria nos diz que esta amorosa queixa de seu Salvador lhe atravessou a alma. Oxalá transpasse também a nossa! Oxalá que, à maneira de um vento irresistível que comove as grandes árvores assim também comova, sacuda, desperte a todos os sacerdotes, ministros da sagrada Eucaristia, dispensadores dos santos Mistérios, e lhes faça compreender o que muitos não compreendem o bastante, a saber, o ardente, o insaciável desejo que tem Jesus de que todos seus filhos se acerquem da santa Mesa e rodeiem os altares para neles receber a adorável Comunhão! A este fim o Salvador lhe confia esse veemente desejo de seu Coração, e o abandona plenamente a seu amor, a seu zelo e à sua fidelidade.
Bem-aventurado o sacerdote cujo único cuidado consiste em fazer conhecer às almas a Jesus na Eucaristia; em excitá-.as “a comungar santa e frequentemente, sancte ac frequenter, como diz a Igreja,[1] e ainda a cada dia, se possível! Bem-aventurado e mil vezes bendito o servo verdadeiramente prudente e fiel que corresponde aos desejos de seu bom Senhor, dando com santa misericórdia o Pão da vida aos filhos de Deus! A piedade e o fervor florescerão à sua volta: alimentadas com Jesus, as crianças conservarão facilmente sua inocência; os jovens, a beleza virginal de suas almas; as famílias, a santidade grave e doce do lugar doméstico; as santas vocações, as boas obras, o zelo pela fé, a caridade para com os desgraçados, desenvolver-se-ão como por encanto; em uma palavra, este bendito sacerdote verá multiplicar-se em torno de si quanto há de belo e bom cá embaixo, como uma prenda de sua coroa eterna.
Ah! Peçamos ao Coração de Jesus que dê sem cessar à sua Igreja sacerdotes ardentemente consagrados aos celestiais interesses do Santíssimo Sacramento; sacerdotes cujo supremo gozo seja dar Jesus às almas, a todas as almas, a fim de que Jesus viva e reine verdadeiramente nelas. Não se olvide nunca que este é o desejo mais ardente de seu Sagrado Coração.
Notas:
(*) Monsenhor de Ségur. El Sagrado Corazon de Jesus. pp. 25-30. Casa Editorial de Manuel Galindo y Bezares. 1888.
[1] Rituale Rom., “De Eucharistia”.

Um comentário:

  1. Só tenho a agradecer a esse maravilhoso site, e a todos os Irmãos e Irmãs do segredo do Rosário, vocês são uma benção na minha vida, milhões de bençãos.

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