terça-feira, 7 de outubro de 2014

07 de Outubro - Nossa Senhora do Rosário

Em todo o Portugal, e fora de Portugal, como no Brasil, tem criado fortes raízes a devoção a Nossa Senhora de Fátima. É relativamente nova a devoção. Seu início muito de semelhante tem a de Nosso Senhora de Lourdes. Como em Lourdes Nossa Senhora se dignou de se comunicar à menina Bernadete Soubirous, hoje Santa canonizada pela Igreja, Maria Santíssima em Fátima apareceu, (no ano de 1917) por diversas vezes às três crianças Lúcia de Jesus dos Santos e seus primos Francisco e Jacinta Marto. Entre Lúcia e a Aparição estabeleceu-se diálogo da duração de dez minutos. Jacinta via a Aparição e ouvia-lhe as palavras dirigidas a Lúcia. Francisco via apenas a Aparição, sem, porém, ouvir coisa alguma, apesar de se achar na mesma distância, e possuir ótimo ouvido.
A Aparição era uma donzela formosíssima, que parecia ter dezoito anos de idade, e vinha rodeada de claridade fulgurante, tanto que as crianças, na primeira vez se assustaram e pensaram em fugir. A Aparição, porém, de voz dulcíssima, as tranqüilizou, e assim ficaram. O folheto publicado pelo Visconde de Montelo sobre as aparições diz o seguinte:
“O vestido da Senhora era de uma alvura puríssima de neve, assim como o manto, orlado de ouro que lhe cobria a cabeça e a maior parte do corpo. O rosto, de uma nobreza de linhas irrepreensíveis e que tinha um não sei que de sobrenatural e divino, apresentava-se sereno e grave e como que toldado de uma leve sombra de tristeza. Das mãos, juntas à altura do peito, pendia-lhe, rematado por uma cruz de ouro, um lindo rosário, cujas contas brancas de arminho, pareciam pérolas. De todo o seu vulto, circundado de um esplendor mais brilhante que o sol, irradiavam feixes de luz, especialmente do rosto, de uma formosura impossível de descrever, incomparavelmente superior a qualquer beleza humana.
A Aparição convidou as crianças a voltarem todos os meses no dia treze, durante seis meses consecutivos àquele local, vulgarmente conhecido pelo nome de Cova da Iria, situado a pouco mais de dois quilômetros da igreja paroquial de Fátima.
A princípio ninguém prestava crédito às afirmações das crianças, que eram apodadas de mentirosas por toda a gente, mesmo pelas pessoas de suas famílias. A 13 de Junho (dia da 2.a Aparição) umas 50 pessoas acompanharam os videntes, na esperança de presenciarem o que quer que fosse de extraordinário. Nos meses seguintes o concurso de curiosos e devotos aumentou consideravelmente, reunindo-se talvez 5.000 pessoas em Julho, dezoito mil em Agosto e trinta mil em Setembro junto da azinheira sagrada.
No momento em que se verificava a Aparição, inúmeros sinais misteriosos de que muitas pessoas fidedignas dão testemunho, se sucediam uns após outros na atmosfera e no firmamento.
A Aparição recomendou insistentemente que todos fizessem penitência e rezassem o terço do Rosário. Comunicou às crianças um segredo, que não podiam revelar a ninguém, e prometeu-lhes o céu.
Pediu que naquele local se erigisse uma capela em sua honra e declarou, que no dia 13 de Outubro havia de fazer um milagre para que todo o povo acreditasse que ela realmente tinha ali aparecido. Em 13 de Agosto, momentos antes da hora da Aparição, as crianças foram ardilosamente raptadas pelo administrador do Conselho, que as reteve em sua casa durante dois dias, ameaçando-as de morte se não se desdissessem ou pelo menos não revelassem o segredo que a Aparição lhes tinha confiado.
Neste mês a Aparição teve lugar no dia 19, no sítio dos Valinhos, quando as crianças já não pensavam que ela se verificasse senão no mês seguinte.
No dia 13 de Outubro, estando presentes cerca de setenta mil pessoas de todas as classes e condições sociais e de todos os pontos do país, terminado o dialogo entre Lúcia e a Aparição, que lhe declarou ser a Senhora do Rosário, a vidente recomendou aos presentes que olhassem para o sol. O firmamento estava completamente nublado. Chovia torrencialmente.
Como que por encanto rasgaram-se de repente as nuvens, e o sol do zenith apareceu em todo seu resplendor e girou vertiginosamente sobre si mesmo como a mais bela roda de fogo de artifício que se possa imaginar, revestindo sucessivamente todas as cores do arco-íris e projetando feixes de luz de um efeito surpreendente.
Esse espetáculo sublime e incomparável, que se repetiu por três vezes distintas, durou cerca de dez minutos. A multidão imensa, rendida perante a evidência de tamanho prodígio, prostrou-se de joelhos. O Credo, a Ave Maria e o ato de contrição irromperam de todas as bocas e as lágrimas de alegria, de gratidão ou de arrependimento, marejaram todos os olhos.
Toda imprensa, inclusivamente a de grande circulação, se referiu, em termos respeitosos e com bastante desenvolvimento de Fátima. As apreciações desses fatos, mesmo no campo católico não foram unânimes. As afirmações das crianças relativas ao próximo fim da grande guerra européia, contribuíram para essa divergência de opiniões. Mas, apesar disso, de ano para ano, a devoção a Nossa Senhora do Rosário de Fátima aumenta e propaga-se por toda a parte. O concurso de peregrinos é cada vez maior e verifica-se especialmente no dia 13 de cada mês, nos domingos, nos dias consagrados à Santíssima Virgem e, mais do que nunca, no dia 13 de maio, e no dia 13 de outubro de cada ano.
As graças e curas prodigiosas atribuídas à intervenção de Nossa Senhora do Rosário de Fátima não inúmeras. Debalde os representantes da autoridade civil envidaram todos os esforços para pôr termo à torrente caudalosa e incessante das multidões atraídas pela voz humilde de três inocentes pastorinhos. A intolerância e a perseguição tiveram apenas, como sempre, o efeito de tornar mais viva e intensa a fé e a piedade dos crentes. A concorrência dos devotos, vindos de todos os pontos de Portugal, continua a ser cada vez mais numerosa, mais fervente, mais perseverante, e parece não haver forças humanas capazes de lhe por embargo”.
A Igreja deixou-se ficar na maior reserva diante dos acontecimentos de Fátima. O Cardeal-Patriarca de Lisboa. Dom Antônio Mendes Bello (falecido em 4 de agosto de 1929, na idade de 87 anos), só em 26 de junho de 1927, isto é, dez anos depois das aparições, foi a Fátima, onde benzeu a via sacra colocada junto a estrada Leiria a Fátima, muito depois de outros Bispos e Prelados, terem visitado Fátima, por exemplo, o Arcebispo de Matos, o Núncio Apostólico de Lisboa e o Bispo de Funchal. Em 1931 o Episcopado português fez a solene consagração do país a Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

Nossa Senhora do Rosário de Fátima, rogai por nós!

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