terça-feira, 27 de dezembro de 2016

A confissão e a satisfação

As penas que sofremos por causa de nossos pecados nos tornam mais conformes a Nosso Senhor Jesus Cristo, que sofreu por nossos pecados; se temos alguma parte em Seus sofrimentos a teremos também em Sua glória


Necessidade de satisfação

Queridos irmãos, por satisfação geralmente se entende a reparação do dano da injúria feita a alguém. Como todo pecado é uma injúria a Deus e, como também se ofende ao próximo, deve-se uma reparação a um e outro. Assim, a satisfação sacramental é a reparação da injúria que fizemos a Deus com nossos pecados, e do dano causado ao próximo com nossas injustiças.
A Igreja sempre impôs penitência aos pecadores reconciliados através da absolvição. Nos primeiros séculos eram penitências longas e rigorosas; pretendiam ser proporcionais com a ofensa cometida a Deus rebelando-se contra Ele.
A satisfação, chamada penitência, é uma parte, não essencial, porque a confissão pode ser válida sem ela, por exemplo, um penitente em perigo de morte que nem possa cumpri-la; mas, sim, é parte integrante do Santo Sacramento da Penitência. De modo que se o penitente ao se confessar não tivesse a intenção de fazê-la, a confissão seria nula e sacrílega.
O Concílio de Trento nos oferece as razões pelas quais Deus, ao perdoar os pecados, obriga-nos e impõe-nos uma pena temporal, quando diz: não há dúvida de que essas penas satisfatórias têm uma força maravilhosa para retrair os penitentes de ofender a Deus; elas lhe servem como freios para contê-los, e a ensiná-los a ter mais em conta consigo no futuro. Também servem de remédio aos maus vestígios que os pecados deixaram na alma, e curar os hábitos viciosos que foram contraídos por uma vida desregrada, fazendo praticar as virtudes contrárias.
As obras de penitência bem praticadas são meios muito poderosos para deter os castigos que a Justiça Divina tem preparados para nos enviar, e, além disso, as penas que sofremos por causa de nossos pecados nos tornam mais conformes a Nosso Senhor Jesus Cristo, que sofreu por nossos pecados; se temos alguma parte em Seus sofrimentos a teremos também em Sua glória.

Obras de penitência

As obras de penitência mais comuns são: a oração, o jejum, a esmola, e todas aquelas que se referem a cada um das três. Na oração através da leitura de coisas santas, a meditação, a Santa Missa. No jejum se compreendem as mortificações do corpo, o trabalho, a privação de gostos. Na esmola subentende-se todas as obras espirituais e corporais de misericórdia exercidas para com o próximo.
Com estes três tipos de obras submetemos a Deus todos os bens que possuímos: os espirituais, os físicos e os econômicos. Os bens do espírito através da oração que submete a alma a Deus; os do corpo pelo jejum e outras mortificações; os econômicos pela esmola.
Quase todos os nossos pecados consistem no abuso que fazemos destes três bens; porque o abuso dos bens espirituais produz o orgulho, os do corpo a luxúria corpo, e os das riquezas a avareza. Nós mesmos reparamos tais abusos por estas três ações. A oração humilha o espírito, o jejum refreia o corpo, e a esmola faz um bom uso dos bens temporais.

Satisfação com respeito ao próximo

Deve-se satisfazer a Deus e ao próximo. Um não é menos essencial do que o outro, e isto é o que Jesus queria-nos dar a compreender com estas palavras: Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
Se tivemos ódio contra alguém, devemos sinceramente nos reconciliar com ele. Se nós ferimos sua reputação, estamos obrigados a restabelecê-la o quanto pudermos. Devemos tentar fazer sempre tudo ao nosso alcance para reparar os danos ao próximo. Se não há em nós essa resolução, não obteremos o perdão de Deus. A necessidade destas reparações está fundamentada tanto na Lei de Deus como na Lei natural: não faças aos outros o que não queres que façam a ti.

Condições da penitência por parte do confessor

A penitência depende do confessor que a impõe e do penitente que a cumpre. A penitência deve ter três condições: deve ser aplicada com justiça, com caridade e com prudência. Com justiça, pois deve-se olhar a ofensa a Deus para que a penitência seja proporcional; com caridade, que olha para a salvação da alma do penitente; e com prudência para que a penitência seja apropriada e adequada.
Estas três condições correspondem às três qualidades do confessor na confissão: de Juiz, de Pai e de Médico. O confessor deve agir como justo juiz, como pai caridoso, e como médico prudente.
É muito conveniente o que diz sobre os confessores o Concílio de Trento:
Os ministros de Nosso Senhor devem, conforme o Espírito Santo e a prudência os inspirem, impor penitências saudável e convenientes, tendo em vista a qualidade dos pecados, e as circunstâncias dos penitentes; por temor de que se usem de conveniência com os pecados e de uma demasiada indulgência prescrevendo obras ligeiras por faltas ou crimes enormes, fazem-se participantes dos pecados alheios.
Tenham muito cuidado para que a penitência imposta, não seja somente para os penitentes um meio de conservar-se na graça e curar a sua fraqueza, mas também para punir os pecados passados.

Aceitação da penitência.

São três as condições do Sacramento da Penitência: a contrição, a confissão e a satisfação. A satisfação é ação do penitente quando a aceita. A aceitação da penitência deve ser humilde, submetendo-se o penitente ao julgamento do confessor; voluntária, reconhecendo que é merecedor de tal penitência, e sincera, disposto a cumpri-la.
A penitência deve-se cumprir, portanto, de boa vontade, com devoção e em segredo. Deve-se cumprir a penitência como algo prescrito pelo próprio Deus.
Ave Maria Puríssima.
Pe. Juan Manuel Rodriguez de la Rosa.

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